Motivo Um: Pinóquio
Aos dezoito anos, certa vez, eu fiquei com um cara. Foi aquela coisa de sempre, beijinho aqui, beijinho ali, mãozinha acolá. Lá pelas tantas, o rapaz se empolgou e me fez uma proposta:
- Vamos lá pra casa!
- Não posso, tenho que voltar pra casa com a minha prima.
- Ah, mas avisa ela que tu tem outros planos...
- Não dá.
- Lá em casa tem piscina!
- ...
- Vamos! Tu vai gostar!
- Não posso, sou virgem.
- Não tem problema! Eu já tirei a virgindade de mais de 20 gurias!
- ...
Depois desse diálogo, eu fiquei com vontade de arrancar os olhos desse camarada. Um homem convidar uma guria para passar a noite com ele não tem nada demais. A gente até espera por isso, mesmo que não tenha a intenção de aceitar. Tudo começou com a história da piscina. Ficou parecendo: “Ah, ela não quer dar pra mim, mas se souber que eu tenho posses, vai mudar de idéia!”. Posses? Grande coisa ter piscina em casa! Mas a cereja do bolo foi mesmo a parte das “mais de 20 virgindades”. Ele deve ter pensado que eu ficaria muito satisfeita de “entregar a minha virgindade” a um cara tão... experiente. Quem quer ser mais uma de uma lista que nem existe? Vinte mulheres não teriam a mesma idéia de jerico de se iniciar sexualmente com o mesmo cara! A não ser que elas nunca tivessem tomado banho de piscina...
Motivo Dois: Eu não sou cachorra, não!
Outra vez, numa festa, estava eu no maior amasso com um gatinho, quando ele disse uma frase inesquecível, que me deixou toda arrepiada:
- Tira as calças!
Fiquei mesmo toda arrepiada, mas de pavor. Se alguns homens, como o da história acima, pecam pelo excesso de lábia, esse aí pecou pela falta dela. Como assim, “tira as calças?”. Assim, sem mais nem menos? Não tirei as calças, o que dirá o resto da roupa. E ainda fiquei imaginando como seria, se tivéssemos ido aos finalmentes... Ele passaria o tempo todo me dando ordens: “Pega...”, “Chupa!”, “Deita!”, “Isso... Agora, senta!”, “Mais pra baixo...”. Isso é sexo ou é adestramento? Preferi ficar sem saber...
Motivo Três: A princesa e o plebeu
No meu segundo encontro com Vandercleidson (nome fictício), foi tudo perfeito. Eu estava muito a fim dele e tinha esperanças de que iríamos namorar. Era inverno, a gente bebeu vinho e saímos pela cidade, só nós dois, de mãos dadas. Tudo muito romântico, do jeito que eu gosto.
Como a Lady Murphy sempre aparece nos melhores momentos, desta vez não foi diferente. Passamos por uma praça, onde funciona um camelódromo, durante o dia. O lugar era cheio de barraquinhas de madeira.
Não sei como, nem porquê, mas as tais barraquinhas deram idéias lúbricas ao Vandercleidson. E foi aí que o príncipe virou sapo. Que tipo de homem se excita num camelódromo, gente? Isso é muita pobreza para a minha cabeça.
Se por acaso a gente estivesse namorando firme, eu até poderia considerar a idéia de realizar uma fantasia sexual bizarra do meu amor. Mas era o nosso segundo encontro, a gente nem se conhecia direito! E, se o namoro fosse adiante, eu lembraria para o resto da vida que a nossa primeira vez foi num camelódromo! Repito: isso é muita pobreza para a minha cabeça. Pô, nem pra pagar um motel!
Motivo Quatro: Olha o quibe!
Não posso deixar de contar meu encontro com Theodomiro. Ele era lindo, de verdade. Loiro de olhos azuis (ou seriam verdes?), forte na medida certa, engraçado, inteligente, beijava bem... Um espetáculo de homem.
Um belo dia, na casa dele, estávamos no maior agarramento. Passa a mão aqui, passa a mão acolá... Quando a minha mão chegou onde deveria chegar, tive uma surpresa. Não consegui encontrar o quibe.
Calma lá, ele não tinha uma esfirra no lugar do quibe! O quibe estava lá, mas só podia ser visto e tocado com o auxílio de uma lupa e de uma pinça. Meu mundo desmoronou, naquele momento.
Fiquei sem saber o que fazer, de tanta decepção. Dizem que as mulheres não se importam com o tamanho do quibe, mas é mentira. De minha parte, posso dizer que ninguém precisa ter um instrumento de trabalho gigantesco, mas muito pequeno também não tem a menor graça. Tudo tem que ter um equilíbrio, sabe?
Enfim, acabou que eu fiquei sem quibe, ele ficou sem esfirra e fomos felizes para sempre. Separados. Só que ele nunca soube o motivo pelo qual passou fome naquele dia.
Conclusão: Eu sou muito fresca. E chata. E exigente. Quero um homem que não fique inventando histórias para me levar para a cama.Um homem que tenha o mínimo de sensibilidade. Um homem que não queira me levar para o camelódromo, porque eu mereço mais do que isso. Um homem, digamos assim, visível a olho nu. Será que é pedir muito?

