quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Teste: que tipo de sub-celebridade você é?

Você faz ou quer fazer parte do seleto grupo de pessoas que formam opinião em nosso país atualmente, mas não sabe em que nível pode estar? Seus problemas acabaram! Faça o teste abaixo e descubra que tipo de sub-celebridade você é ou pode ser.


Como você é citado em revistas, sites e afins?
a) Ex-participante de riálidi xôu
b) Ex-ajudante de palco/jurado/outros de programa de auditório
c) Ex-namorado/a de fulano/a
d) Ex-integrante de banda (da qual quase ninguém lembra ou ouviu falar) ou rainha de bateria/afins
e) Amigo/parente de qualquer um dos ex acima ou "pessoa polêmica" de sites/fóruns/afins

Seu dia-a-dia inclui:
a) Plantar notícias suas em tudo que é canto e se dizer indignado com o assédio da imprensa
b) Tentar cavar o máximo possível de convites "na faixa" e chamar toda imprensa para registrar sua participação na festa/show/outros
c) Ligar para todos os assessores de programas de auditório para tentar participar deles
d) Criar você mesmo/a trocentas comunidades no Orkut com o título "eu amo fulano/a" e, claro, “eu odeio fulano/a”, com perfil fake e/ou participar de sites/fóruns/afins como "a pessoa polêmica".

Como anda sua carreira?

a) Estou estudando projetos, fazendo contatos importantes...
b) Eu tô estudando, tô me aperfeiçoando...
c) Estou num momento de auto-análise e de reencontro dos meus chacras/minhas raízes/outros
c) Tenho um projeto de uma autobiografia em que conto tudinho/um livro de auto-ajuda/outros
d) Tenho recebido importantes convites para festas e inaugurações em lojas de alto nível, como a das Casas Dona Cotinha (valeu, dona Cotinha!)

E como está sua vida amorosa?

a) O amor é lindo, mandei tatuar “fulano/a: amor eterno” e chamei a imprensa para registrar o momento.
b) Foi uma terrível desilusão para mim, tive que fazer uma cirurgia a laser para remover a tatuagem “fulano/a: amor eterno”; ficou uma baita cicatriz e chamei a imprensa para registrar o momento.
c) Contei tudo no programa da Márcia/Regina/Sônia/outros e chamei o restante da imprensa para registrar o momento.
d) Reatei com ele/a, pois o amor a tudo perdoa, e chamei a imprensa para registrar o momento.

Como é sua participação na mídia em geral?

a) Aceitei participar da máquina da verdade/desafio da perda de peso/gincana de verão/pegadinha/ como jurada de TV/outros recentemente
b) Falo sobre namoro/noivado/casamento/rompimento/reatamento e tenho dado importantes depoimentos sobre minha carreira, as lições de vida, a ingratidão dos colegas/familiares e o apoio dos amigos/família no programa da Márcia/Regina/Sônia/outros
c) Planto fotos minhas andando pelas ruas de bicicleta mostrando minha “boa forma”, ou indo a um shopping/ vernissage/ lançamento de livro/ campeonato de cuspe à distância/outros.
d) Além das comunidades que eu e meus parentes criamos no Orkut, ainda tenho (x) blog(s), twitter, fotolog e todas essas paradas, com muito glitter/ursinhos/ flores/outros e procuro captar blogs e sites que estão na moda pra fazer “comentários” que são na verdade propaganda e/ou falsa polêmica.

A frase que marcou sua carreira e que você quer deixar como mensagem para nós é:

a) Urrullllllllllllllllllllllllll [nome da cidade de onde você veio]
b) Créu, créu, créu.
c) Faz parte.
d) É minha opnião de que a gente temos que acreditar nos nossos sonhos.

Respostas:

Maioria das respostas A: Parabéns! Você é uma sub-celebridade e de vez em quando até aparece alguma notícia sua que não tenha sido plantada por você/familiares/assessor de imprensa. Continue assim e logo, logo, você começará a fazer pontas e talvez até papéis em novelas/programas de humor/outros.
Maioria de respostas B: Bem, você é sub-sub celebridade, e às vezes tem alguma citação espontânea, pro exemplo, no carnaval, que é a única época em que você é lembrado/a, mas pode evoluir para sub-celebridade: as chances são enormes!.
Maioria de respostas C: Ah, você é aspirante a sub-sub-celebridade. Tente se inscrever em algum reálidi xôu/como jurado de TV/outros, mas você ainda tem alguma chance de evoluir a sub-sub celebridade.
Maioria de respostas D: você nem aspirante é, acha que é conhecido porque tem comunidades no Orkut de amor e ódio a você (90% delas, no mínimo, criadas por você mesmo) ou porque participa como “pessoa polêmica” de sites/fóruns/afins. Mas a gente acredita em você e adora notícias toscas mesmo assim.
Update, com minha gratidão à Rafa/Meg: Empate entre letras significa evolução de estágio. Acho digno.

(Dedicado à Luna e a nosssas profundíssimas conversas pelo MSN)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Las Primeras Luces

Eu ainda consigo lembrar a sensação de ler Fitzgerald em plena madrugada, com as luzes apagadas, as páginas amarelas iluminadas apenas pela lanterna do celular. (Não queria que a mãe acordasse pela manhã e percebesse que eu passara a noite em claro).

O silêncio dessas noites era tão absoluto que às vezes meus ouvidos zuniam. Exceto por latidos dos cães da vizinha, ou mesmo pelo som de outros bichos notívagos, como eu. As palavras do Grande Gatsby tinham uma força imensa e a minha mente era tragada pelo conto. O pensamento escorregava solto, livre. Tanto que a leitura precisava esperar as pausas dos vôos, teimosos em imaginar até o que estava bem além do papel.

A madrugada também foi conivente com muitos outros mundos particulares, sempre ombreados pelo silêncio surdo da cidade que dorme, da gente que recarrega as baterias, que finalmente põe os motores em stand by. (Foi numa dessas que a Ingrid Bergman sorriu pra mim – um olho escondido pela aba do chapéu).

E já muitas cenas que a madrugada cala, para além das páginas, afora as telas... Sabe Deus que noites de gala não se fazem ouvir, escondidas na penumbra, aqui do sofá da sala.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Eu mereço isso?

Fui comprar um picolé de frutas. Neste verão, a Kibon colocou várias opções no mercado. Mexendo no freezer, vi as aberrações: picolé de banana (que deve ser intragável), picolé de coco queimado (coisa de pobre) e picolé de milho verde (coisa de pobre master). Impliquei com os três sabores hediondos – e nem experimentei. Só falta ter picolé de nata, para completar o quadro da dor.

A Coca-cola colocou um aviso nas suas embalagens: “Reutilize a embalagem com criatividade”. Isso significa: fazer artesanatos horrendos com garrafas pet, cortar a latinha e usar como copo ou usar a garrafa para guardar água na geladeira. Imagine se eu vou me rebaixar a fazer um troço desses! Vai tudo para a reciclagem – eles que dêem um jeito de ser criativos, que eu não ganho para isso!

E a tal de reforma ortográfica? Vai facilitar o quê? Para quem? As pessoas não sabem nem escrever do jeito antigo! Impliquei e seguirei implicando. Não, não quero saber de hífen. O trema, já tão pouco usado, continua existindo. Pelo menos, até eu conseguir uma versão atualizada do Word.

Segunda-feira de manhã, depois de um final de semana de chuva, tive que ouvir uma pessoa perguntar: “Vai ter expediente hoje?”. Morri de vontade de responder: “Não, meu bem, estamos de folga. Só viemos para cá porque estávamos com saudades dos nossos computadores. Tadinhos, estão abandonados desde sexta-feira!”.

Faltam seis meses, seis longos meses, para as minhas férias.

De mau humor, eu? Imagine!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Para 2009

Que o Aquariano aqui detesta lugares-comuns, nem é segredo. Mas tem hora que não dá pra fugir. Ao menos em parte...

Começo de ano é aquela putaria de listinha de resoluções. Se emagrecer, ficar sarado, comprar carro e fazer as pazes com a mãe são as vedetes, eu sou menos egoísta. Desejo coisas que vão fazer bem para mim, para você e sobretudo para o desejado. Vamos nos dar as mãos em círculo e desejar bem forte:

- Que Britney Spears encontre seu instinto materno (se não o jogaram fora junto com a placenta) e faça apenas coisas bem chatas, tipo levar as crianças na escola e trocar fraldas. Os paparazzi vão sentir falta dos barracos, mas a gente (e os filhos dela) não.

- Que a Amy Winehouse descubra a Cultura Racional e siga os passos do Tim Maia quando se converteu: gravou dois discos incríveis e deu um tempo dos vexames.

- Que George Bush continue achando que é a reencarnação de Napoleão. Principalmente na parte em que o Bonaparte se exila na ilha de Santa Helena.

- Que a Madonna se empolgue com essa coisa de Sticky and Sweet e tenha um pico de glicose no sangue. Assim ela passa um ano inteirinho enfurnada no seu castelo, com as crianças e as gelatinas diet.

- Que Suzana Vieira resolva fundar um lar para animais abandonados que consuma todo o seu tempo. A ponto de recusar papéis em novelas das 8 e flertes de pós adolescentes cariocas.

- Que o Ronaldinho... bom, só não desejo que ele se exploda -literalmente - porque: a) nem detesto tanto assim; b) aí é que vão falar MESMO do cara. Então vamos torcer para que ele apenas jogue bola.

- Que a Luana Piovani arrume um namorado rico, que é o que ela sabe fazer. Na Rússia. Setentrional.

Escolhi 7 que é pra dar sorte, mas claro que a lista é bem maior. Lindsay, Angelina, Paris Hilton... Sem contar os Big Brothers da vida. Se alguma celebridade lhe aporrinhou em 2008 e você quer evitar reincidências neste ano, poste seu desejo no link que aparece no canto inferior do seu vídeo! Se pelo menos um desses votos for atendido, a gente tem um pouquinho de outro, bem tradicional: PAZ!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Sem vergonha de ser rico

Mãe e filho andam pelas terras, é chão a se perder de vista.

Ela sempre sorridente, com os dentes brilhando e uma postura de rainha. Ele cabisbaixo, taciturno e resmungando.

Ela mal terminou o segundo grau, ele está terminando jornalismo, após ter feito administração e flertado com todos os livros de philosophia que viu pela frente. Ela estudava e trabalhava, às vezes ao mesmo tempo, para depois fazer as provas. Ele sabe os preços dos livros porque é vigiado e tem que trabalhar para garantir o direito às regalias. O pai bem que tentou, mas não conseguiu estragá-lo como queria.

Ela mostra tudo o quanto conquistou em vinte e oito anos de trabalho árduo, a pequena vila que fez para os empregados, a mata densa que preservou e tudo mais. Ele fala de lutas de classes, de exploração e de como descobriu que todo rico é desonesto. Sente o rosto arder por isto...

- Por que fez isso?

- Porque me chamou de desonesta.

- Eu? Eu falei dos burgueses que enchem os bolsos...

- E ocê acha que que eu sou o quê? Acha que aquele Mercedes SLR na garagem é de mil cilindradas? Acha que fiz crediário pra comprar ele?

Doris o olha com aquela cara de quem sabe onde está a marmeleira mais próxima. Ele se desculpa, mas começa a soltar mais impropérios similares. Para não torcer-lhe o pescoço, o manda se calar. Descem dos cavalos à sombra daquela marmeleira próxima, cheia de galhos apropriados para uma vara, e começa...

- Ói, eu sei que cê tá revoltado com esses porqueiras que ficam arrotando riqueza, com esse governo sem-vergonha que só sabe arrecadar e embolsar, que cê queria vê todo mundo trabalhando e ganhando dignamente. Eu te ensinei isso. Mas vendo que passar a maior parte do ano longe de casa tá te fazendo mal. Óia pra mim, Gabriel Felipe, mas óia bem pra mim. Oiô? Quê que cê conclui?

- Que se a senhora for me visitar na faculdade, vou quebrar muitos dentes dos caras que vão dar em cima.

Não era a intenção, mas conseguiu amolecer a matrona. Ela respira e continua...

- Filho, eu sou rica. Eu sou muito rica. Meu nome não aparece nessas listas de magnatas porque eu não deixo, não quero chamar muita atenção. E se eu sou rica, você e a sua irmã também são. Cê tava xingando a sua própria família! Quando eu cheguei aqui, tudo isso era pasto e erosão. É mais de mil e quinhentos alqueire e tudo tava destruído. A nascente tava mais careca que o Esperidião Amim. Eu saí com o seu pai (esteja onde o infeliz tiver, céu ou inferno) de Jataí pra Goiânia, pra tentar a sorte como doméstica, que ele tinha conseguido emprego de motorista. De vez em quando eu ajudava ele e a gente passou pela BR 060 um montão de vezes, e a cada vez essas terras aqui tavam mais decaídas. Um dia foi à leilão, pra pagar as dívida do picareta que pensava que era fazendêro. Nóis arrematou só com o suficiente pra pagar o fisco.

- Tava ruim assim?

- Ô se tava! Ninguém mais se interessou. Seis anos de trabalho só pra acabar com erosão e plantar umas árvores. O povo, só pra humilhar, jogava entulho e esterco dos gado do nosso lado da cerca. Aí que eu eu atinei que eles era tudo formado, diplomado, mas nunca saíram da sala de aula pra ordenhá uma vaca. Eu nasci em fazenda. Tudo o que jogavam aqui, a gente pegava e misturava com a terra. Pois ao fim desses seis anos, a gente já tinha recuperado todo o dinheiro investido aqui. A Madalena tinha cinco anos e eu já ia engravidar docê. A gente penou, Gabriel Felipe, ninguém deixou o emprego nos dois primeiros anos, mas depois não deu pra conciliar e ficamos só com a fazenda mesmo. As piscinas estão hoje onde era uma erosão com uns quinze metros de profundidade, por uns sete de largura e cento e tantos de comprimento. A primeira coisa que compramos, foi aquela Brasília verde que a sua irmã usa. A gente podia ter comprado carro novo, mas queria economizar pra investir.

- trabalharam pra cacete, heim!

- Sim. Nóis dois concordamos que seria melhor mudar pra cá de uma vez. Trabalhamos sete dias por semana, de antes do sol nascer até um pouco depois de anoitecer. Foi dez anos sem saber o que era férias nem feriado. A Brasília chegou a servir de trator, quando o nosso quebrou. Filho, quando você entrou na escola, o pior já tinha passado. Chegávamos a ficar seis meses sem sair daqui, só trabalhando, comendo as verdura, fruta e peixe que conseguia aqui mesmo. Até a Madalena começou a ajudar, cuidando da casa enquanto seu pai e eu íamos pra roça. Acha que essa crise do ano passado foi a primeira? Não, foram muitas. A cada uma, um vizinho nosso falia, e a gente comprava as terras dele com tudo dentro, até pião. Dei muita surra em machão até aprenderem a obedecer ordem de mulher. A maioria se demitiu, mas quem ficou me oscula a mão. Só com quinze anos de trabalho, quando a sua irmã já estava mocinha, é que parente começou a aparecer. Aí viu nossos empregados ganhando bem, tendo casa, alimentação, médico na fazenda, nossos carros na garagem, as lavouras com as faixas de terra descansando, piscina, quadras de esporte, a escolinha onde você estudou com os filhos dos empregados, enfim. Enquanto os outros jogavam dinheiro no cassino da especulação, a gente comprava valores, investia, capacitava o funcionalismo e a nós mesmos. Vem crise, vai crise e todo mundo trabalhando. Claro que só forçar o braço sem usar a cabeça é puxar carroça. Mas quem só fica pensando sem suar, enlouquece, inventa crise, inventa medos, inventa até tudo virar realidade pra depois lamentar que "o mercado" retraiu. Quando o seu pai morreu, eu fiquei sozinha com vocês dois pra cuidar, cem famílias pra dar trabalho e a parentaiada querendo aproveitar.

- Pato e parente, só servem pra sujar o carro da gente.

- É isso aí. Dei uma casa pra cada um deles e mandei todo mundo fazer que nem eu, trabalhar. Eu falo alemão não é porque fiz curso, é porque eu trabalho com gente da Alemanha. Todo dia faço ou recebo ligação, e-mail, carta, de lá, da França, Itália, Inglaterra, Espanha, Argentina, Japão, Irlanda, Estados Unidos, o mundo todo. Eu exploro o trabalho, não o trabalhador. Não deixo ninguém fazer mais de doze horas por dia, pra não prejudicar a vida dentro de casa. Os sem terra apareceram aqui, enquandotava estagiando em São Paulo. Ofereci ofício, vida decente. A maioria não quis, fosse por que não queria mesmo ou porque tinha medo de punição, mas entrar aqui pra fazer baderna eu não deixei. Quem ficou não se arrependeu. Tem sim muita gente que gasta um milhão com salão de beleza, embora não faça efeito, mas tem dó de pagar mais que o mínimo pra um empregado. Tem muita gente ruim desse jeito. Mas foi o que eu te falei, é gente que esqueceu como é a vida de trabalhador, ou que nunca conheceu a catraca de um ônibus. Eu sou rica porque trabalho, porque me dedico àquilo que faço. Não aqui pra fazer umas horas e pendurar o paletó no fim da tarde. Fazendeira de verdade está trabalhando vinte e quatro horas por dia, porque esta fazenda não é um emprego, é a nossa vida. Como todos os negócios que a gente tem. Eu faço por merecer o que tenho, a Madalena faz por merecer o motor-home dela, você faz por merecer aquela baita coleção da Audrey Hepburn. Aliás, tem um galpão que já não usamos, cê pode fazer um museu dela se quiser. Aqui ninguém ganha em cima do outro, a gente ganha trabalhando todo mundo junto. Ocê não tem que ter vergonha de ser rico, assim como eu nunca tive de ser pobre, quando era. Eu chamei esse povo todo pra trabalham com a gente, eu sou responsável por eles, tenho consciência disso. Esses que se empetecam pra ir á igreja, subornam o padre, o pastor, o diabo que seja e saem chutando cachorro, esses vão ter o que merecem da pior forma. O corpo apodrece, dízimo nenhum impede isso. Nós, que somos da Samária, também teremos o que merecemos, aliás, já estamos tendo. Não se deixe envenenar por esses revoltadozinhos de ar condicionado, Gabriel Felipe. Eles, no lugar daquela gente, fariam tudo igual. Berram que querem cultura, mas ninguém aceita pagar entrada inteira, nem prestigia gente talentosa de verdade. Falam que o povo paga mal, mas vai ver se eles dão dez reais por flanelinha. Falam de democracia e tal, mas o que aconteceu quando vocês elegeram aqueles doidos pro grêmio?

- Putz! Virou uma ditadura. Não aceitam palpite de ninguém.

- A sua adorada Audrey Hepburn, que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente, você sabe que tipo de anjo ela foi na Terra, sabe que nenhum sindicato de trampolim eleitoral fez metade do que ela fez. Ela era rica. Cê sabe que ela passou fome na infância, mas morreu rica. Não tenha vergonha de ser rico, tenha vergonha quando uma idéia egoísta começar a te cegar, mas aí deixa que eu te dou uma surra e cê acorda. Ser rico não é privilégio, é uma provação de Deus e a gente tá passando no teste, meu filho. Olha quanta gente o nosso trabalho beneficia, são quatrocentas e sessenta crianças na fazenda que têm escola, saúde, espaço pra brincar, enquanto os pais trabalham sossegados e certos de que amanhã vão ter mesa farta. Todo natal a gente faz um almoço comunitário, todo mundo come, todo mundo festeja, todo mundo compartilha, todo mundo fica feliz. Quanta gente cê conhece que faz isso? Então? Cê ainda acha que tem que ter vergonha de ser rico? Que tem que dar trela pra alarme de especulador que mama na teta do governo, porque perdeu tudo na jogatina? Que tem que ficar triste porque os outros não fazem o que a gente faz? Azar deles. A idade cobra o tributo pelo que foi gasto na juventude, a maioria deles tá torrando tudo em psicanalista e clínica de retardar a velhice, que é causada mais pela ruindade que pelo tempo. Eu, com cinqüenta anos (com trema, que também não gostei dessa reforma) ou não um pitéu, que nem ocê deu a entender? mais nova que muita balzaquiana. Vamos pra casa, vamos planejar esse museu que vai empregar umas dez pessoas, pelo menos. Ela sim, é cultura útil.

Montam e vão ambos sorridentes, dentes brilhando e postura de reis, procurar Madalena para o planejamento desse museu.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Mas ela...

Os olhos verdes o fitavam, à cada volta que ela dava sobre o palco. Ele sentia uma mistura de êxtase e medo, à cada vez que ela fazia isso. Mas ele não podia se deixar levar.

Ela cantava "I Left My Heart In San Francisco". E olhava pra ele. Ele lembrava de seu pai ouvindo os antigos LP's de Tony Bennet, em especial essa música. Foi a primeira música que seus pais dançaram juntos.

Numa das pausas, ela chamou a moça dos drinks, lhe disse algumas palavras ao ouvido. Mas ele não pode ouvir nada.

Antes que a próxima música começasse, a moça dos drinks lhe trouxe um "Loosho & Opulência", com um bilhete. A moça lhe disse: "com os cumprimentos da nossa estrela". O bilhete dizia "Eu sei".

Ele se assustou, mas não deixou transparecer. Apenas guardou o bilhete no bolso interno do paletó preto, elevou o copo na direção dela e assentiu com a cabeça, como que agradecendo.

Ela manteve o ar blasé, e seguiu cantando "I've Got You Under My Skin". Encostada ao piano, o pianista de olho no instrumento. Um foco de luz um pouco fraco sobre ela. Quando abaixa o rosto, a sombra se projetava sobre seus olhos. E num desses momentos, ele viu uma única lágrima.



O drink acabou. Assim como a apresentação. As cortinas se fecharam, enquanto ela se retirava do palco. Ele se levantou, abriu uma fresta da pequena maleta que carregava. A arma estava carregada e pronta.

Um serviço limpo. E nada mais.

E a noite estava apenas começando...



E ele disse à ela... "Boa noite".

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Em 2009, eu quero...

... Conhecer os demais talicôsers pessoalmente, um por um e, quem sabe, todos ao mesmo tempo.

... Celebrar meu um ano de participação no Talicoisa.

... Enviar cartas e cartões que cheguem a tempo.

... Trocar, com mais freqüência, idéias profundas sobre a Verdade Suprema, a Siacabância, os ícones do MSN e outras cositas más.

.... Lembrar que eles comeram o acento de ideia e o trema de frequência, e que vai demorar um bocado pra eu me acostumar.

... Conseguir voltar a assistir o SBT. Meta.

... Continuar fazendo as piadas sem graça de sempre e sempre rir delas.

... Sair para dançar e conseguir não dizer, pela enésima vez, que tenho cintura dura e não sei dançar.

.... Comemorar mais minhas conquistas e lamber menos minhas feridas.

... Ouvir mais meu coração (tá, Fio?).

... Comprar um vestido novo, alegre e colorido, e mandar os tons pastéis e neutros às favas (né, Nanael?).

... Continuar me deslumbrando com a sintonia corcélica que tenho com a sacerdotisa, né, Luna?

... Estabelecer novos padrões de desprezo paolabrachiano, né, Rafa/Meg?

... Aprender como se faz para shorar osëanos, tá, Dave?

... Ver novamente a participação de um de nossos idealizadores, tá, Frank?

... Reencontrar o humor e liberar geral, bem "mara", tá, Fábio?

... Receber, aqui no TC, a visita de nossa mais famosa e melíflua talicôser, tá, Melzinha?

... Ter mais ideias (ainda vejo o acento ali...!) legais pra textos e motivos para tê-las.

... Que todos nós tenhamos muita siacabância, losho, opulência, abundância e tantrismo corcélico.

... Que possamos contruir um ano realmente novo, dia a dia, mantendo o que é bom conosco.

(Mais um texto surrupiando a ideia de Luna)

Feliz 2009!