Você pesquisou essas bizarrices na Internet. Sabe-se lá por que cargas d’água, acabou entrando no Talicoisa. Como eu não tenho nada melhor para fazer, resolvi ajudar alguns dos nossos queridos “passantes”. Espero que minhas palavras sirvam para alguma coisa.
Frases de Branca Letícia de Barros Motta: Essa senhora, interpretada por Suzana Vieira, é a melhor personagem que Manoel Carlos já foi capaz de inventar. Uma Branca vale por dez Helenas. Escrevi algumas linhas sobre ela em algum texto, mas curiosamente, não lembro de nenhuma de suas falas. Só sei que ela bebia muito martini e sempre queria que o marido da chata da Helena preparasse seus drinks. Joga no Youtube.
Sem calcinha, Carnatal: Carnatal eu sei o que é: o carnaval fora de época de Natal. Sem calcinha, eu também sei o que é: falta de vergonha na cara. Somos um blog de família e não compactuamos com esse tipo de coisa. Aliás, nunca entendi esse negócio de carnaval fora de época... Já não basta termos de aturar um?
Que bom, mais um terço dos homens em nossa igreja: Que bom, meeeeesmo, amiga! Fico muito feliz que a sua igreja tenha essa abundância de homens! Na próxima vez que você passar por aqui, deixa o endereço desse templo. Estamos precisando!
Todo mundo remando na piroca: É simplesmente lindo saber que o Tchan, em toda a sua glória e sabedoria, não foi esquecido. Melhor ainda é saber que não somos os únicos a compreender a filosofia de Cumpádi Uóxinton. Vamos fazer um fã-clube? Ok, menos!
Quero fazer macumba pro meu namorado voltar: Faz isso não, amiga! Figurinha repetida não completa álbum. Além do mais, pense: você gostaria de ser enfeitiçada? Imagine se um cara parecido com o Keith Richards faz uma macumba pra te amarrar. Péssimo, né? Aquilo que não queremos para nós, não devemos fazer aos outros. Amor tem que ser espontâneo.
Tayrone Cigano para ouvir: Você tem mesmo certeza de que quer ouvir Tayrone Cigano?
Mulheres que adoram fazer estrip theese: As mulheres deste blog não fazem esse tipo de coisa. Não é por moralismo, não. É que simplesmente não existe estrip theese. Faz assim: ensina pra gente comofas/, da próxima vez que você aparecer aqui. Oferecendo mais de cinco reau, a gente até pensa no seu caso.
Quero ver plantação de uvas: Apareça na serra gaúcha. Se suas condições financeiras não permitirem, assista ao vídeo do Lasier Martins. Ele vai te ensinar quais uvas são “mais de mesa” e como se comportar em caso de choque elétrico. Altamente instrutivo. Joga no Youtube!
Raspei todo cabelo minha filhinha: Não entendi nada. Você raspou todo o cabelo da sua filha? Ou está simplesmente contando esse fato, assim: “Raspei todo o cabelo, minha filhinha!”. Você é a Britney Spears? A Sinnead O’Connor? A Camila daquela novela do Maneco? Seja quem for, tenho uma sugestão: procure perucas no Google.
Titanic: Afundou, beijos!
Ok, eu sei que existem textos assim em todos os blogs! Mas você queria o quê, numa segunda-feira de chuva?
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Can I help you?
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Luna
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sábado, 17 de janeiro de 2009
Manga animeada
Não faz muito tempo que comecei a ter contacto com os animes modernos. Os que eu conhecia eram Pinóquio, Honey-Honey e outros do gênero, mas sem saber que tinham esse nome específico. Confesso que gostava mais daqueles do que desse monte de robôs e monstros que dançam a macarena, antes de dar o golpe.
Enquanto os anos 1980 fizeram os estúdios ocidentais derramarem uma enxurrada de desenhos toscos, mal desenhados, mal pintados, mal animados e completamente sem graça, os japoneses mantinham os traços bem regulares, cores vivas, sombras, boa perspectiva e um enredo (ainda que limitado, mas ao menos tinham) para a estória.
Não demorou para as pessoas notarem isto, e para eles perceberem o mercado que se formava. Enquanto os heróis ocidentais eram corrompidos, abrutalhados e até apelavam para os criminosos, os japoneses mantinham o caráter e as características básicas, embora ainda dançassem a macarena para dar um golpe ou fazer uma transformação. As heroínas ocidentais faziam jus ao nome, ficando uma droga; estavam se transformando em travecos agressivos, enquanto as japoneses mantinham a feminilidade, os traços meigos e os contornos delicados, mesmo com uma arma de raios anti-matéria em uma mão e a cabeça do inimigo pendurada na outra. Endurecem sem perder a ternura.
Digite "anime" ou "mangá" no google (se há outra ferramenta de busca similar, perdoem, não conheço) e verá uma galeria de belezas com sensualidade natural e a mais absoluta certeza de que são mulheres, ainda que que os cabelos estejam curtos e só se mostre do pescoço para cima, mesmo as mais musculosas. E a qualidade da arte? Aliás, é este mesmo o nome: Arte. Praticamente todo e qualquer quadro ou cena de um anime/mangá, merece ser pendurado na sala de estar.
E não adianta colocar a culpa dos ocidentais na quantidade crescente de heróis, nos anos 1950/60 houve uma explosão deles e a qualidade crescia junto. Os heróis japoneses, embora parecidos e a maioria descartável, são uma nação inteira. A questão aqui não é a quantidade, é preguiça aliada à ganância. O japonês dá tudo de si para fazer qualquer cousa, o americano faz o que foi pago para fazer e olhe lá, sem pensar no risco de demissão por queda no faturamento.
Isto se refletiu no ramo de automóveis. Até uns vinte anos, era fácil diferenciar um Chevrolet de um Ford e de um Jaguar. Pois em nome de racionalizar as linhas de montagem, fizeram foi engessá-las. A ponto de alguns carros, como a Kombi, não saírem nem sob encomenda, pague-se o quanto se pagar, em uma cor que não seja a branca. Mas a Kombi anda tem o seu desenho inconfundível, e quem quiser se arriscar a perder a garantia, pode customizá-la que o preço compensa. Já os outros carros... Maria Cristina, minha melhor amiga, é capaz de diferenciar um Opala de um Monza, mas não lhe peçam para separar um Focus de um Astra. Eu sei, estou dentro da área, mas para quem é de fora fica a idéia de que não vale à pena trocar de carro, pois são todos iguais. Foi o que aconteceu.
Vá ao Japão e verá o quanto eles brincam sem pudores com as formas dos carros, alguns chegam a parecer de brinquedo. Algo que as montadoras ocidentais decretaram que o público não quer e nem faz marketing para tentar vender. Eu gosto de uma dianteira meiga, sem dúvidas não sou o único.
Os japoneses são muito melhor resolvidos do que nós, em termos de sexo e sexualidade. Não tiveram uma igreja fundada por políticos para deturpar tudo. Isto se vê nas capas mais banais de mangás, nas cenas mais comuns de animes, nos bonequinhos de pvc mais encontrados e largamente produzidos. Tudo bem desenhado, bem pintado, bem proporcionado.
Muita gente não sabe, mas o autor de uma obra, se pega uma grande editora, não é mais dono dela. Os burocratas viciados em estatísticas e que morrem de medo de um mosquito pousar em Wall Street, fazem o que querem e o que seus medos mandam com a obra. No Japão, o autor de um mangá é dono da obra, a editora só presta o serviço e empresta seu prestígio. Se algum especulador borra-calças estressadinho tentar masculinizar/erotizar demais a garotinha de dezesseis anos, que foi concebida para ser a veia cômica da trama, ele simplesmente toma tudo e vai desenhar noutras paragens.

E eles ainda hoje se perguntam porque os japoneses tomaram conta do ramo editorial. Enquanto não voltarem a contractar gente de talento para trabalhar sem pressões desnecessárias, sem as algemas hipócritas do politicamente correcto e sem querer agradar a todo mundo, será assim. Ou seja, enquanto não voltarem a desenhar como os mestres desenhavam, ainda que noutro estilo, vão continuar a imitar tudo o que os japoneses lançarem um ano antes. Agora vejam cá em baixo a diferença do que se fazia com prazer, para o que hoje se faz na marra. Obra de Gil Elgren.
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Nanael Soubaim
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Mas claro que...
O táxi se movia rapidamente, em direção ao aeroporto. Mas claro que ele sentia medo. Assim como ela.
O motorista lhe contou que sua cliente era uma conhecida chefe criminosa. E que o tinha contratado por questões pessoais. Por isso, o encontrou sozinha na praia.
Sabia disso, pois foi seu guarda-costas.
E ainda era.
Mas claro que algo tinha que dar errado...
Ele não sabia o que fazer. Sua arma estava no porta-malas. Pensou em oferecer dinheiro. Mas não adiantaria.
Outro homem entrou no carro, e pegou a arma do motorista, para que ele pudesse dirigir.
Foram levados para uma casa escura, nas bordas da estrada. Ele foi amarrado e levado para o porão. Ela foi levada para cima.
Jogado no escuro, suando, e preocupado com ela...
Quando começou a ouvir os gritos...
E agora?
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Talicoisa Também é cultura - parte 1*
Apresento a vocês, agora, um texto um pouco diferente dos que venho publicando neste site, nos quais trago alguns conceitos que acredito interessantes de se debater. Será dividido em duas partes; tentei não deixar acadêmico demais. Críticas e sugestões serão bem-vindas.
Escolhi iniciar pelos conceitos de cultura e identidade. O que significam tais palavras e qual a relação entre elas? Cultura, termo de origem latina, significa tanto o cultivo de plantas quanto o produto das práticas, crenças, gestuais de um grupo, o conjunto do conhecimento humano. Identidade, também de origem latina, deriva de idôneo, igual, similar, que determina semelhanças e diferenças.
Quando um grupo estabelece certas práticas como cultura, tem basicamente dois objetivos:
1. Saber quem é “idôneo” ao grupo, ou seja, quem se identifica com ele, portanto, estabelecer a identidade do grupo;
2. Afirmar-se como grupo diante dos demais, estabelecendo limites e fronteiras, visíveis ou não, entre ele e os outros grupos. Ou seja, afirmar a identidade do grupo diante dos outros.
Assim, cultura e identidade estão intimamente relacionados, no estabelecimento de igualdades e diferenças, de limites, de propriedade, posse, conquista, direitos. Da literatura, podemos citar alguns exemplos: em “A Ilha do Dr. Moreau”, de H. G. Wells, os “semi-humanos” estabeleceram uma comunidade, criando para si um conjunto de práticas (cultura) que podia identificá-los (identidade); em “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, cada uma das castas geneticamente criadas, bem como os “selvagens” têm sua própria identidade e cultura; em “Robinson Crusoe”, de Daniel Defoe, o humano, “civilizado”, angustia-se diante do mundo e o domestica, reproduzindo ali sua cultura e identidade, a qual também depois procura impor a Sexta-Feira, o nativo, o outro.
Na história da humanidade, os conflitos entre culturas e identidades marcam todas as eras e representaram sobretudo conflitos de poder. Somente para ficar num exemplo grotesco, o nazismo: a partir de certos códigos, estabelecidos como cultura vigente, não apenas impôs uma identidade e uma cultura a toda uma nação, mas estabeleceu padrões de humanidade, com cores e símbolos diferenciados (exemplos: estrela de Davi para os judeus, triângulos rosas para homossexuais, roxos para os Testemunhas de Jeová), tão elaborados e complexos que causavam crise de identidade entre os que tais símbolos recebiam, como evidenciam, entre outros, Anna Arendt em “As Origens do Totalitarismo” e Alain Finkielkraut em “Ensaio sobre o século XX: a humanidade Perdida”.
Aguardem o último capítulo da novela... ops, a continuação!
* Adriane se encontra em férias, tomando sol e pegando marquinhas de biquíni em alguma praia desconhecida. Volta em 3 semanas, mas deixou seus textos para serem publicados.
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Nada pode ser pior*
Não quero escrever um texto sobre as grandes tragédias – mortes, doenças, guerras, enchentes. Meu objetivo é lembrar dos pequenos dramas do nosso dia-a-dia. Nós sempre sobrevivemos a eles, mas nem por isso eles deixam de nos incomodar.
Chuveiro que não esquenta. Dor de dente. Estar morta de cansaço e mesmo assim não conseguir dormir. Primeiro capítulo de novela. Vizinho que ouve música sertaneja bem alto. Chá com açúcar. Consulta no ginecologista. Internet discada. Mulher Melancia. Conversar sobre o tempo.
Cachorro com latido estridente. Cachorro com latido estridente que insiste em latir às duas da manhã. Criança hiperativa. Criança apática. Cólica menstrual. Tomar Buscopan em gotas. Injeção. A borrachinha que amarram no nosso braço, na hora de tirar sangue. Sangue.
Bater o dedinho do pé na quina de um móvel. Ficar resfriada no verão. Acordar com torcicolo. Mosquito. Barata que entra voando pela janela. Dias de chuva. Dias nublados e cinzentos. Carnaval. Amigo secreto. Sabrina, Bianca e Júlia. Atender telefone. Não saber se se escreve “o telefone” ou “ao telefone”. Ter preguiça de pesquisar.
Bife de fígado. Frango. Usar óculos. Zorra Total. Chegar atrasada. Ficar esperando. Fila. Ressaca. Gente que fala alto. Gente que não cala a boca nunca. Perder tempo pensando em coisas que a gente deveria ter feito, deveria ter dito, deveria... Não poder voltar atrás. Gente que fala “ambos os dois”.
Gente “moderninha”. Aula de Matemática. Aula de Educação Física. Aula de Educação Moral e Cívica, que só serve para denunciar a idade de quem se lembra dela. Aqueles fiozinhos arrepiados no alto da cabeça, que só a Sandy não tem. Homem que usa base nas unhas. Passarinho na gaiola. Cachorro preso. Ar condicionado gelado. Inverno.
* O título é um trocadilho com o slogan do Grêmio: "Nada pode ser maior".
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Novos Pobres
O último natal foi o último fora do país. Cada um em um lugar diferente. Mas o reveillón foi tenso e obrigou todos a ficarem em casa, um duplex no Pedro Ludovico. O pai chorou litros antes de dizer "E... Estamos... Estamos falidos" e ter o enfarto fulminante. Tanto corrompeu e trapaceou na vida, tão bem ensinou isto aos directores e aos amantes (morreu, tudo que é podre apareceu) que eles lhe depenaram completamente.
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Nanael Soubaim
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
E então...
No pequeno camarim, de paredes brancas e luz fraca, eles se olharam. Ela se assemelhava a um sonho da juventude dele. Ele era um homem distinto, de feições sóbrias e aparência agradável. Ela sabia o porque de sua presença. Ele sabia porque estava ali. Mas pouco importava.
Não houveram palavras, na verdade. Ele apenas se aproximou dela. Olhos nos olhos. Ela o envolveu com os braços. Olhos nos olhos.
Agora próximo, ele notou as lágrimas prontas para escorrer dos olhos dela.
Lembrou-se do homem moreno de feições brejeiras, na praia. Sua alma ainda não estava perdida. Como numa literatura barata, ele estava se salvando através do amor. Mas não sabia nem o nome dela.
Ela estranhou a demora dele. Esperava que a dor viesse, e logo a escuridão. Mas ele apenas a fitava nos olhos. Um olhar triste. Como se ele estivesse lutando consigo mesmo.
Ele se mexeu. Ela o abraçou, imaginando que aquele era o momento que esperava. Imaginou o cano da arma encostando em seu abdôme, mas isso não aconteceu. Ele usou seus braços para envolvê-la, segurar seu pescoço. Pensou em estrangulamento. Seria horrível a respiração sumindo aos poucos, juntamente com sua força...
Mas ele segurou seu rosto com as mãos. Olhou fundo em seus olhos, e a beijou.
Ela sentia o desespero por saber que iria morrer. E ele por pensar que poderia salvá-la, e a si mesmo. Mas ambos se entregaram um ao outro, como se não houvesse amanhã. Um momento em que não havia regras da sociedade, não havia limites, nem mesmo Deus estava ali. Entregaram-se com lascívia, excessiva até. Ambos movidos pelo desespero, se agarrando à vida, enquanto ainda era possível.
Na exaustão, se olharam profundamente. Havia uma esperança.
Vestiram-se, e saíram pela porta dos fundos.
Ao chegar à rua, chamaram um táxi.
Sentaram-se no banco. O motorista virou-se. Era o homem moreno de feições brejeiras, que disse: "Pois bem, meus jovens... Para onde?"
E ele então sorriu... Havia uma esperança.
E então, havia uma esperança
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Edu
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