sexta-feira, 12 de junho de 2009

De amor, tesão, e coisas afins...

Sim, dia dos Namorados e Adriane aproveita pra atropelar meu dia. Que os pulgas de mil cabelos infestem suas partes pudendas, e que seus braços sejam muito curtos pra se coçar, herege!

Bem, voltando ao assunto...

Dia dos Namorados. So what?

É como os dias santos. O povo só lembra que Deus existe quando tem um dia em que a rotina tem que ser alterada. Como na sexta-feira santa, que tem que se abster da carne vermelha. Ou no Natal, quando tem que comprar presentes e fazer uma ceia bem farta.

Ou na Páscoa, que tem que comprar ovos de chocolate.

Poucos lembram que Deus está lá todos os dias.

Poucos lembram que é necessário vigiar e olhar, e orar, e etc.

Do mesmo jeito que poucos lembram que aquela pessoa que está à seu lado, precisa de atenção, cuidados, carinho, afeto, sexo, e tudo mais, todos os dias.

Especialmente aqueles à quem a rotina já atingiu.

Um casamento pode ser mortal pra um relacionamento. Porque você se acostuma demais com quem está do seu lado.

Mas não escrevo hoje apenas olhando aspectos negativos. Tudo isso é só pra lembrar que não existe apenas UM DIA pra lembrar que alguem especial está ao seu lado.

Isso tem que ser lembrado TODOS OS DIAS.

Feliz Dia dos Namorados, à todos. Em especial, à nossa Rafa. Parabéns, Ordinária!



Só pra manter o bom humor... :P

Como cantar o "T"

A música brasileira tem, ultimamente, muitas de suas pérolas mais preciosas relacionadas ao sexo. Sutilezas líricas como "créu, créu, créu" fazem parte de nosso dia-a-dia. Mas nem sempre foi assim. Nem sempre se cantou o sexo e o tesão. Assim, em pleno dia dos namorados, nada como lembrar de músicas que cantam o famoso "T", desde as primeiras aventuras com a palavra. Quatro de tesão (com trocadilho, faz favor), e, com diria o pessoal do Video Show, direto do túnel do tempo...

1. Escrito nas estrelas: "pois sem você meu tesão/não sei o que eu vou ser/agora preste atenção/quero casar com você". Sexo e tesão, com muita rima óbvia e um singelo pedido de casamento. Sintam a linha dos dançarinos vestidos de coraçãozinho. Era 1985, mas ainda se falava de casório. Awnnnnnnnnnnnnnnn!
2. Olhar 43: "E pra você eu deixo apenas/Meu olhar 43,/ Aquele assim meio de lado/Já saindo/Indo embora, louco por você (que pena)/Que desperdicio! (tesão)". A música, gravada em 1985, que lançou o termo "olhar 43", fala de amor à distância, de vontade de ter a mulher amada, em meio a muito órgão sintético. Era a década de oitenta, e TODO MUNDO tinha música com órgão sintético e/ou solo de saxofone. Tesão, mitologia e uma mulher que só escuta o adversário numa canção em que TODOS cantavam "p." nenhuma me vez de "coisa nenhuma". Indício da sutileza paquidérmica que estava por vir?
3. Nem um toque: "faz de tudo/pra chamar minha atenção/(tesão)". Paquerinha e tesão susurrados nesse hit da Deusa de 1987, que também fala do amor pretendido mais ainda não realizado. Apesar de tudo, ainda era uma romântica geração, néam?
4. "Me chama que eu vou": "Te sinto por dentro/Te levo na palma da mão/Te toco no centro/Te abro tesão/Brincando, bolindo/Ardendo sem medo do prazer". Sutil como uma manada de elefantes dançando a Macarena, esta música-chiclete abria (ou melhor, escancarava) as portas para uma torrente inesgotável de sensualidade (rá!) que afundaria a década de 1990 em "É o tchan!"(primeiramente Gera Samba, como todo mundo sabe) e coisas do gênero. Sei que alguns vão querer meu couro - no sentido não-tesão do termo - por ter publicado essas tosqueiras. Mas vão cantá-las o resto do dia, ah, se vão!

Cante o tesão você também! ;)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

All you need is nose

Estava eu fazendo hora e esperando por alguma inspiração para o texto de hoje, quando me deparei com a notícia mais importante desde a renúncia do presidente de Madagascar. Menina, diz que a ex-Miss RS está querendo processar o cirurgião plástico que acabou com o nariz dela! Só se fala em outra coisa aqui no Rio Grande do Sul.

Bruna Felisberto declarou: “Meu nariz ficou muito pequeno. Ainda estou vendo com meu advogado, mas pretendo processar o cirurgião plástico porque me senti prejudicada”.



Olha, nem achei que o nariz ficou assim tão feio, não. Mas vai saber. Hoje de manhã, num programa de rádio, estavam chamando a ex-Miss de Michael Jackson. A coitada já passou da idade escolar e vai ter que conviver com apelidos. Triste. Tivesse pensado duas vezes antes de fazer uma plástica desnecessária, e isso não aconteceria. Antigamente, havia uma música que dizia: “Você já é bonita com o que Deus lhe deu”, mas as escravas da beleza não acreditam nisso.

Falando em injustiças, eu processaria também os jurados do Miss Brasil. A Miss RS usou o melhor traje típico de todos os tempos: uma roupa cheia de cachos de uva pendurados. O traje homenageava, ao mesmo tempo, a Serra Gaúcha e o Lasier Martins. Ela não venceu a prova. Os jurados não têm visão. Não sabem o que é siacabância.

Para finalizar, quero dizer que nariz pequeno não é problema. E que existe gente solidária com o drama da ex-Miss.

domingo, 7 de junho de 2009

Plantão Talicôsico Urgente

Como seria a notícia da ausência de minha publicação semanal, caso eu tivesse alguma notoriedade.

Adriane não publicou na quinta, e, segundo aqueles jornais/revistas/sites que...

...adoram exagerar números: seus zilhões de leitores ameaçam invadir a sede da Talicoisa Corporation exigindo explicações.
...tentam transformar a notícia num evento mundial: protestos pelo mundo marcam a ausência da publicação.
...sempre chamam um expert no assunto para comentar: nosso convidado especial, o Dr. Fulaness de Cicranon, explica o impacto da não publicação do texto.
...buscam a tragédia em cada simples folha de árvore que cai: a comoção toma conta dos leitores. Desnorteada, em pranto contido, uma jovem indaga com olhar perdido: "Por quê, meu Deus, por quê?"
...acham que tudo é culpa do governo. Qualquer governo: a incompetência das autoridades em solucionar o caso fica dia a dia meis evidente, deixando a população, como sempre, à margem da verdade dos acontecimentos.
... querem mais é tacar fogo no circo e depois culpar a barbárie caso haja revoltas reais: a população tem mais é que se revoltar mesmo! Tem que aparecer ônibus queimado, vidro quebrado, pra ver se alguém toma alguma providência!
... adoram instigar o "melhor que há na polícia" e fomentam a idéia de linchamento: pega eles, poliçada! Mete bala! Esses marginais, esses canalhas, têm mais é que ser jus-ti-ça-dos!
... transformam qualquer notícia em fofoca das celebridades, sub-celebridades e afins: dizem que fulana foi vista num clima pra lá de romântico (*) num barzinho. É o cupido à solta em pleno mês dos namorados.
(*) Segundo o site-de-buscas-mais-consultado-da-atualidade: Resultados 1 - 10 de aproximadamente 1.440 para "clima pra lá de romântico". Traduzindo: nem é clichê...

Qualquer coincidência com as frases acima e jornais/revistas/sites da vida real é mera semelhança.

sábado, 6 de junho de 2009

Novos modos de cobrar 1

Passagem de ônibus por peso

Justificativa: Ônibus são veículos de grande porte para grandes cargas, levam cerca de seis toneladas de pessoas, quando lotados. Isto se considerarmos o peso médio de setenta quilos, mas sabemos o quanto os maus hábitos têm engordado a população. Instalando-se uma balança em cada ônibus, um computador calcularia o quando a pessoa pagaria. Tomemos a tarifa goianiense de R$2,25 como base. Algumas pessoas pagariam seguramente o dobro, outras meia-passagem, mas conheço gente que seria paga para viajar, então precisaria haver uma tarifa mínima. Uma boa pedida seria aceitar cartão de débito ou crédito, porque ninguém tem, por exemplo, R$2,17 trocados e separados na bolsa. Isto não só tornaria mais justa a cobrança, como incentivaria a população a cuidar melhor da nutrição, moderar nas refeições, desjejuar no trabalho para economizar uns centavos todos os dias (jejum de vez em quando é bom), et cétera.

Apareceriam os bocós usando isto para incentivar a anorexia, mas se usa qualquer pretexto para incentivar o que não presta, não seria a falta de um que impediria a invenção de outro.

Prós: Como já citado, a população seria encorajada a andar mais um pouco e a comer alimentos mais saudáveis. A demanda aumentaria a produção de alimentos ricos em fibras, tornando-os mais baratos. Imaginem uma barra de cereais de boa qualidade custando menos que um chocolate vagabundo, daqueles que feitos com Toddy velho e gordura hidrogenada.

Contras: Há o risco de várias rebeliões. Primeiro a dos obesos, que se sentiriam discriminados, á margem de toda a argumentação técnica e vídeos explicativos. Quem não dispensa um rodízio numa churrascaria está se lixando para o desgaste prematuro de pivôs de suspensão, bem como para os custos de sua substituição e os riscos envolvidos; Segundo a das mulheres em geral... Vamos ser francos, uma balança para este fim teria que ser vistoriada e calibrada constantemente, ela teria obrigatoriamente que mostrar a massa real da pessoa. Quem jura ter só 54kg se recusaria a pagar por 60kg, e ainda daria uma surra no coitado do cobrador, que só está lá para fazer a medição. Também geraria constrangimentos, como pessoas que passariam a usar roupas ínfimas para pagar menos, com certeza os mais desinibidos veriam então uma desculpa para praticar naturismo urbano, então viraria caso de polícia. Terceiro a dos estabelecimentos de alimentação. Churrascarias, pizzarias, pit-dogs, redes de lanches rápidos e afins fariam um lobb pesadíssimo contra. Ver o faturamento cair vertiginosamente os levaria até mesmo a sabotar as tais balanças, financiar depredadores, estimular o uso do carro particular em detrimento do trânsito e por aí vai. Quarto dos pais e mães de família. Imaginem uma gestante sendo punida por seu estado interessante.

Alternativa: Convênios. Notas fiscais de restaurantes, supermercados e até mesmo de lojas genéricas dariam descontos, valeriam (por exemplo) 0,5Kg para cada Real gasto. Isto seguramente evitaria a terceira rebelião. Escolas poderiam fazer o convênio para compensar o peso do material escolar que seus alunos carregam e, sabemos, é excessivo. Daria para descontar até 15Kg de cada estudante. Haveria então o estímulo à produção de materiais mais leves e compactos, preocupação que infelizmente não temos hoje em dia. Estacionamentos pagos, no centro da cidade, poderiam permitir descontos para o motorista fazer a parte mais estressante do percurso de ônibus, deixando seu possante em um lugar do qual fica fácil voltar para casa, sem tanto trânsito. Administradoras de cartão de crédito, pelo motivo supracitado, seriam as maiores conveniadas, incentivadoras e usuárias da publicidade móvel dos ônibus, já que pagar com cartão nos livra do incômodo de catar moedinhas de um centavo no fundo da bolsa; elas lucrariam horrores com os pequenos gastos individuais e diários.
Agora, por que me deu de escrever este texto esdrúxulo? Porque o anterior (um tapa-buracos) foi denso demais. Precisava relaxar um pouco.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Nada demais...

Era só mais um dia. Daqueles em que nada se perde, e nada se cria. Mas nada tampouco se transforma.

Ele estava apenas com as compras para o jantar daquela noite. Uma calça surrada, praticamente de pijama. Uma blusa que mal lhe cobria os braços.

A irmã comprava qualquer coisa para a vizinha. Ele apenas acendia mais um cigarro. E olhava o movimento na rua. Pessoas indo pra lá e pra cá. Algumas com frio, outras com calor.

Ele tornou o olhar pra dentro do estabelecimento, procurando saber onde diabos se demorava a irmã.

Foi quando viu.

E quis esquecer...



E ela nem notou sua existência...

terça-feira, 2 de junho de 2009

Coração de cristal

É difícil conversar com pessoas com as quais jamais encontrei, cujos rostos jamais vi se mexendo e cujas vozes jamais ouvi.

Há uns anos eu não me importava com isto, mas no último lustro minha vida virou pelo avesso, ou talvez tenha virado para o lado certo, pois escapei de me tornar ateu; isto sem ter que encher bolsos de um espertalhão, foi por conta própria.

Hora me xingando, hora me agradecendo, as pessoas começaram a desabafar comigo (logo comigo!) e contar detalhes de suas vidas.

Pode parecer banal, na maioria das vezes é, mas nestes melindres que é a vida eu já peguei gente desesperada. Uma tentou suicídio, outro conseguiu. A que tentou só agora, ano e meio depois, começa a se recuperar e reavivar sua chama. Ela e tantas outras pessoas passaram pela minha caixa de mensagens, ás vezes mudando de e-mail e usando pseudônimos, algumas sem a mínima noção desapareceram rapidamente.

Houve gente precisando do meu ombro, justo quando eu mesmo mais precisava de um. Eu, que cheguei a me preparar espiritualmente para a clausura, precisei atender a até sete cartas electrônicas por dia. Não simples cartinhas de "Oi, blz", mas mensagens densas, do tipo que se deve ler duas, três, quantas vezes forem necessárias para saber o que dizer à pessoa.

Ainda hoje sou um homem recluso e prezo a discrição, tenho quase que phobia pela notoriedade. Mas hoje sou blogueiro e há pessoas que pedem para eu falar de alguns assuntos.

É um dharma que conquisto, é certo, mas também é certo de que se trata de um trabalho tremendamente perigoso. Como transportar um coração de cristal fino para transplante; preciso ser ágil para chegar a tempo, mas cuidadoso o bastante para evitar a mínima trinca, ou o paciente padece.

Para vocês que já riram de alguns dos meus textos, digo algo que Hollywood descobriu há décadas: O palhaço é um homem triste, é o sujeito mais taciturno e retraído do mundo. É fácil para ele fazer rir, arrancar um riso dele são outros quinhentos. O pior é que nem sempre ele está disposto a fazer graça, como o cirurgião nem sempre está no melhor de sua coordenação. Mas quando a emergência se apresenta não há jeito, ele tem que pintar o rosto, subir ao palco e cordializar suas entranhas para fazer rir. Ainda que lhe custe uma lágrima. Muitas vezes custa.

Não reclamo, longe disso. Este nem deveria ser um texto tão denso, deveria ser apenas um tapa buraco para evitar um hiato muito grande até o próximo colega publicar. Mas foi o que saiu.

Hoje me escrevem bem menos, acredito que já cumpri com minha missão para com a maioria, da mesma forma alguns permanecem e outros chegam. É duro ter a vida alheia aos seus olhos, quando a tua mesma está complicada, mas não sei se eu compreenderia bem a dor do outro se estivesse escrevendo de um Apple com inernet sem fio de banda larga, em um chalé em Campos do Jordão. Talvez agora eu pudesse me dar este suporte, se a grana sobrasse para tanto, mas não sei se há cinco anos seria assim.

Não reclamo. Podem vir quantos precisarem, não estou no mundo a passeio e não será agora que vou enforcar o serviço.