segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Series, TV e Cinema: POR UM RIO MAIS ANIMADO!

Renato Rodrigues teve a mesma idéia, só que contou a história de outro jeito. Vão lá.  
Series, TV e Cinema: POR UM RIO MAIS ANIMADO!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Rio, porque é comédia

Saiu o trailer da animação digital "RIO", da FOX. Dêem uma olhadela no vídeo e depois continuem.
Certo. Agora o que podemos concluir? Eles aprenderam o suficiente para saber que o Rio de Janeiro NÃO FICA NA AMAZÔNIA. Aprenderam que os mesmos tipos ridículos que existem por lá, por cá também são encontrados. Aprenderam que somos pessoas comuns que não usam roupas brancas e folgadas como traje típico. Não aprenderam o que é o carnaval carioca, mas chegaram bem perto. Não aprenderam o que é o biquini brasileiro, ou aquela moça com um amarelo é turista.

Eu quero ver um filme com este casal.

De resto, só faltou colocarem o Zé Carioca na trama, mas ele é da Disney e esta o despreza há tempos. O que o trailer também mostra é que faria bem ao americano se misturar um pouco conosco (e para nós com eles) para perder um pouco da rigidez do status quo de seu apego ao conforto, que acabou se tornando uma prisão a que Blu, a arara-azul protagonista, não tinha se dado conta, até a fêmea Jade ser posta na marra em seu caminho. Eles são os últimos da espécie, o que deixa claro o viés de ecologicamente correcto, que não me parece ter deturpado o filme.
Dois pontos que podem gerar protestos entre os exaltados, o tucano Rafael, que será o cupido e anjo da guarda das araras, e os micos. Rafael é um tucano, eles certamente não sabem de tudo o que um tucano é capaz de suscitar no imaginário político do brasileiro. Os micos são micos, e Stalone foi achincalhado por ter nos comparado a micos, e os micos gostam de roubar dos cidadãos.
Que mais? É esperar que estréie, quem sabe um sucesso faça a Disney se lembrar e valorizar o Zé, que hoje vive de reprises em seus gibis.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Apagam-se as luzes


Por pouco dinheiro, uma hora de felicidade.
 Salas de cinema são entretenimentos baratos. Cada vez menos baratos no Brasil, reconheçamos, mas ainda são. É cada vez mais comum haver salas em shoppings e menos nas ruas. Os motivos vão desde o conforto e a conveniência, até a segurança, que em nosso país ainda é crítica, a ponto de conversíveis serem pouco vendidos por não poderem ser utilizados à noite sem sérios riscos aos ocupantes. E olha que há buggies abertos baratinhos por aí.




A vantagem das salas em shoppings acaba se tornando uma armadilha, não só pelo preço maior. Em ambiente fechado elas te privam da noção de tempo, podendo te fazer sair tarde demais, que em terras tupiniquins significa perigoso demais, gerando mais gastos com táxi. Entre um filme e outro, o risco de estourar o cartão de crédito é iminente. Ou vocês pensam que eles alugam espaços para cinemas por amor à arte?


As salas de rua são mais expostas aos meliantes e às intempéries. É fácil pensar que um elemento vai se espreitar na multidão para se aproveitar de vocês, porque se puder ele vai. As chuvas costumam prender à porta do cinema quem acaba de sair de uma sessão, pois ainda não temos o hábito de levar guarda-chuvas, e as chuvas tropicais sempre foram mais inclementes do que as do hemisphério norte. Com o esvaziamento dos últimos anos, a renovação de filmes fica mais difícil, já que as salas pagam pelas cópias. Não dá para piratear filmes de prata como se fazem com DVDs, sai muito mais caro e sem qualidade. E quem conhece sabe, a película ainda hoje tem uma qualidade que nenhum sistema digital conseguiu igualar. As imagens podem ser ampliadas numa proporção de fazer raiva aos fabricantes de processadores. Por isto é caro trazer um filme.


Mas as salas de rua também têm vantagens. Elas são abertas em lugares habitados, nos quais o cliente está a poucas quadras de distância, bastando assim uma pernada para se voltar para casa. Podem ser um ponto de encontro e um foco de coesão para a comunidade. Infelizmente a especulação imobiliária acabou por dificultar a modernização destas salas, já que qualquer pedacinho de terra custa os olhos da cara em lugares bem localizados, sendo mais lucrativo vender para empreiteiras construírem edifícios de condomínios. Elas tiveram mais três ameaças sérias de morte, ao longo do século passado:


• O advento da televisão. Acabou não colando. A qualidade da transmissão à época era péssima, valia mais como meio de comunicação em tempo real, e as salas passaram a utilizar as telas widescreen, em substituição às quadradas de até então;


• O advento do videocassete. Este foi uma ameaça mais consistente, mas nem todos os filmes estavam disponíveis em fita e a ida ao cinema sempre foi parte de um programa, assim como a ida a um restaurante;


• A queda brutal na qualidade, nos anos oitenta e noventa. Esta quase matou Hollywood.


A decadência de uma sala de cinema tem cinco fases: Demora na renovação do acervo, exibição só de filmes velhos, exibição só de filme pornô, exibição de filme pornô velho e finalmente virar igreja caça-níqueis. Há no centro, em uma parte residencial, o Cine Santa Maria, que só tem filmes pornôs... Goiânia já teve vários cinemas, ao menos uma sala em cada bairro, hoje há algumas no centro e a maioria é de empresas de fora, em shoppings.


Entre os que resistiram, há um em São Paulo que deveria ter sido tombado pelo Estado, não derrubado por sua incompetência e descaso para com a cultura: O Cine Belas Artes.


Fundado em 1943, como Cine Ritz, quando o mundo precipitava na pior guerra de todos os tempos, o Cine Belas Artes tornou-se um foco de entretenimento para pessoas que viam seus pais, filhos e irmãos sendo mandados para a morte certa na Europa. Aqui um blog que tentou de tudo para preservar o cinema, uma galeria e notícias recentes.


Nas duas décadas seguintes conheceu sua fase áurea, com o cinema mundial, inclusive o nosso, produzindo artigos que valiam a prata em que eram impressos. Com o tempo tornou-se uma das poucas salas a exibir filmes clássicos sem que os estúdios lançassem edições remasterizadas. Filmes de alta qualidade para quem não nasceu a tempo de vê-los em seu lançamento.


Sua sede, na Rua da Consolação, próximo ao metrô Consolação, está ameaçada pela especulação imobiliária. Foi estipulado um aluguel altíssimo para o quê ele precisaria de patrocínio, que conseguiu a tempo, mas o contracto não foi renovado e o dono do prédio o quer. Sim, aos extremistas de direita irascíveis, o proprietário do prédio tem o direito constitucional de dispor do imóvel dentro dos limites da lei. Da mesma forma como a prefeitura tem o de tirar tua casa para abrir uma rua e demorar anos para começar a pagar menos do que ela vale. Essa mentalidade do cada um por si e todos contra todos já causou estragos demais. Nós vivemos em comunidades, não em cavernas isoladas.


O que os críticos não entendem, e não se esforçam para entender, é a importância cultural do Belas Artes. Ele faz parte da história recente de São Paulo, e se está “decadente”, como muitos alegam, o facto não afasta os freqüentadores fiéis. Se esquecem, desculpem o trocadilho, que a falta de memória é um dos entraves ao desenvolvimento do país, porque PIB para um bom padrão de vida nós temos. Ignoram solenemente que a valorização da cultura pelo Estado é um dos grandes muros que separam o Brasil dos países com boa qualidade de vida generalizada. Mas assim como os marxistas de boutique, os direitistas azedos querem que o mundo se molde às suas idéias tortas e viram as costas para o resto. Roma, Paris, Londres e aos poucos também Moscou, são exemplos de cidades que têm boas receitas naquilo que esses críticos desprezam, sua cultura e memória.


Ainda que tardiamente, por interesse (e pressão) público, o processo de tombamento já começou. Foi protocolado o pedido. Não é a falta de público, é o egoísmo de quem só enxerga seu próprio umbigo que está matando a cultura no país. Resta esperar que saia a tempo de evitar que uma igreja caça-níqueis acabe comprando o prédio, porque estas não desprezam só a cultura, desprezam absolutamente tudo o que não for de sua influência, inclusive mandados judiciais. Este, até que tudo se resolva, é o último mês de funcionamento do cinema, cujos funcionários já estão de aviso prévio.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Diliça!

Todo mundo sabe o que faz bem pra saúde e que certas coisas devem ser evitadas, mas todo mundo também sabe que de vez em quando a gente tem uma vontade indescritível de comer besteiras, tranqueiras e etecétera.

As "diliças" fazem parte da cultura popular a tal ponto que vocês podem procurar, tem até receitas dese algumas dessas e outras guloseimas disponíveis, pra se tentar fazer em casa.

Algumas podem até ficar parecidas, mas nada nesse mundo substitui a boa e velha "diliça", que você compra escondido e jura que odeia, ou diz que algum colega lhe apresentou à tentação e agora você tem que comer uma de vez em quando e não consegue resistir.

Vou listar algumas das minhas tranqueiras preferidas:

1. Pingo d´oro, o tradicional. Se eu começar a descrever, daqui a pouco vou ter que sair correndo pra comprar.

2. Stiksy... nhammmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm!

3. Pipoca daqueles pacotinhos cor-de-rosa que parecem feitas de isopor e não tem gosto de praticamente nada. Hummmmmmmmmmmmmmmmm!

4. Salgadinhos fritos, que eu realmente evito porque meu fígado não tolera o segredo que torna os risoles, pastéis, quibes e coxinhas tão gostosos: o óleo reaproveitado.

5. Amendoim revestido salgado. Ahhhhhhhhhhhhhhrg, e eu com problemas com a deliciosa sementinha.

7. Bala de goma. É até covardia, tem de várias cores, tamanhos e formatos.

8. Balas de goma mini em formato de feijãozinho. Eu ainda como uma caixa intera disso só de raiva.

9. Balas azedinhas, não sei se vocês fazem ideia do que estou falando. Elas têm formato cilíndrico, são de uma cor forte por fora e normalmente brancas por dentro, em geral com um desenho de flor nesse miolo.

10. Balas de banana. É covardia.

É uma diliiiiiiiça!!!







* Esse post não foi patrocinado nem pela indústria de salgadinhos/balas nem por um dentista.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Pau no Zé Colméia


Vocês já viram cara mais sem-vergonha?

Mal estreou e já tem gente lamentando o estrago que os vícios dos novos tempos fizeram ao filme. Todo mundo vê na hora que o Zé Colméia vai salvar o parque Jellystone da devastação ambiental. Os mais críticos, saudosos e puristas, reclamam que a dupla Zé colméia e Catatau ficou em segundo plano. A maioria discorda.

Emprestando um pouco da beleza de Anna Faris, de "Todo Mundo em Pânico", a trama se desenrola com o guarda Smith (guarda Chico para nós, na pele de Tom Cavanagh) e a documentarista Rachel, vivida pela actriz tentando salvar o parque, deficitário, de ser transformado em loteamento por um prefeito corrupto... Não, o filme não foi rodado no Brasil.
A maior reclamação é que a transferência dos curtas de animação par a película roubou, nem se poderia esperar outra cousa, a pitada de malandragem e ação que os desenhos animados ofereciam. Que os humanos ganham holofotes demais e o roteiro dos ursos foi descuidado. O par romântico, aliás, garante o carisma de que os reclamões sentem falta.
Decerto que o politicamente correcto, deturpado como tudo o que cai em mãos de radicais rançosos, tira carisma e decepciona quem espera ver um clássico na sua melhor forma. Afinal até o Pica-Pau ficou chato, previsível e plastificado nos últimos anos, tanto que as reprises da Record batem facilmente as novelas da Globo, imaginem o desenho novo. Dá para se dar razão aos decepcionados? Sim, um pouco de razão, afinal eles conheceram o desenho em sua melhor forma e certamente se viciaram nas tramas que, embora fossem parecidas, nunca eram repetitivas. Nisto o espírito dos desenhos supera muito um filme. Mas vamos aos factos. Zé Colméia foi lançado no fim dos anos cinqüenta, com os Estados Unidos como líderes incontestáveis da humanidade, mesmo a extinta União Soviética se enchia de dedos para tratar com os americanos, tanto que a ONU foi fundada em Nova Iorque, não em São Petesburgo, antiga Leningrado. Assim vocês podem imaginar o clima de optimismo que havia na época. Assim, um desenho feito para crianças era fefito só para divertir, a mensagem subliminar de que é bom manter a natureza vinha no sidecar. Sem compromissos, até porque de responsabilidades as escolas da época se encarregavam de encher as crianças, ao contrário da negligência de hoje, os petizes podiam se dar ao luxo da displicência quando viam televisão, e os roteiristas não se preocupavam senão em ser engraçados e carismáticos para seu público. Bem, os tempos não são os mesmos, a América não é a mesma e as crianças também não. Vamos deixar de ser xaropes e levar o contexto em consideração. Os curitibanos, que têm fama de ranzinzas, adoraram e indicam o filme. Site oficial.
De resto, os ursos estão perfeitos, os movimentos foram captados de actores reais e a cara sem-vergonha do Zé continua exactamente a mesma. Rende boa diversão? Rende. Vale o ingresso? Vale. Vão lançar brinquedos inspirados no filme? Podem ter certeza! Para quem quiser, existe ainda um jogo (game) do Zé Colméia aqui, baseado no desenho. Com a boa bilheteria e a manifestação do público, a Warner vai corrigir os erros, basta que vocês vão lá e digam que querem tudo a que têm direito. Reclamem aqui.

Sem tanto alarde, o filme Os Smurfs (site oficial) também estreou e está agradando até mais. Os gnomos azuis vão parar em Nova Iorque e, bem, depois continuo. Outro filme, outro artigo.

Agora vejam vocês! Nanael Soubaim, avesso à mídia e à exposição, virando crítico de cinema... Talicoisa. Ano novo, fase nova.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O maravilhoso mundo virtual

Dentro da nossa nova fase talicoisística, resolvi dedicar um post para um assunto de que gosto muito - o mundo virtual e suas maravilhas. Entendam, inclusive e principalemente no sentido irônico.

Já havia traçado alguma coisa sobre isso aqui, e nossa amada Luna tratou muito bem de uma das maravilhas desse mundo, as comunidades virtuais e suas esquisitices aqui . Acreditem, sempre tem algo muito estranho ocorrendo nesse mundo.

Um exemplo são os tradutores online. Nem o mais preguiçoso legendador é capaz de traduzir tão mal quanto eles. Dá até medo.

O pior é quando esse tradutor-crioulo-doido é usado naqueles e-mails que nos fazem querer amaldiçoar até a décima geração de quem os enviou. Ou então começar a abrir alguns só pelo prazer de ver tanta besteira junta - e pela séria desconfiança de que haja pessoas que caem nesse tipo de esparrela.

Vai aqui um exemplo para vocês se deliciarem. É tanto absurdo junto que nem comento ponto a ponto...

OLÁ,
Meu nome é Miss saigbe favor, eu tenho o seu contacto através de minha pesquisa na Internet hoje e se interessou em saber mais de você, eu também gostaria de saber mais sobre você, e eu quero que você envie um e-mail para o meu endereço de e-mail para que eu possa dar-lhe a minha foto para você sabe quem eu am.this é o meu endereço de e-mail (favour.saigbe @ rocketmail.com) Creio que podemos passar por aqui, eu estou esperando.
(Lembre-se da distância ou de cor não importa, mas uma matéria muito amor na vida)
Graças
favor. @ rocketmail.com favour.saigbe
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HELLO,
My name is Miss favour saigbe,i got your contact through my internet search today and i became intrested to know you more,i will also like to know more about you,and i want you to send an email to my email address so i can give you my picture for you to know whom i am.this is my email address( favour.saigbe@rocketmail.com) I believe we can move from here I am waiting.
(Remember the distance or colour does not matter but love matters alot in life)
Thanks
favour. favour.saigbe@rocketmail.com

Juro, tem gente que acessa. E não é a primeira vez que recebo e-mails desse teor, de pessoas teoricamente de AMBOS OS SEXOS.


Depois de por várias vezes ficar furiosa, aprendi a rir dessas coisas.

Nunca se sabe o que uma chuva de arrobas pode nos proporcionar...


ADVERTÊNCIA: Mantive os linques do e-mail original que recebi do spammer para manter a originalidade, não para induzir ninguém a clicar ou acessá-los.

sábado, 15 de janeiro de 2011

RIP Cultura

Quem conheceu a TV Cultura nos anos 1990 sabe da pérola que era. Infelizmente seu sinal só estacionou em Goiânia tardiamente, mas com muitas reprises do programa Rá-Tim-Bum e jóias dos anos 1980 ainda serviam bem e eram apresentadas.
A agilidade de uma grade que não subestimava a inteligência do telespectador com excesso de explicações, era uma das tônicas, ao contrário do que as redes privadas já faziam, deturpando a idéia original do politicamente correcto, tornando-o uma censura branca. Afinal, quem não sabe o mínimo não entenderá explicações do médio.
Foi uma época rica em bons documentários, apresentadores compromissados com o público da emissora e não com os níveis de audiência, programas estrangeiros que jamais passariam na Globo ou SBT.
Até mesmo o Repórter Eco, que trata de um tema quase sempre tocado com extremismo, dosava a linguagem e transbordava as informações relevantes, sem querer exterminar a espécie humana nem transformar os entrevistados em estrelas.
A Cultura era uma rede pública de rádio e televisão. Valia à pena relevar o sinal mais fraco e vulnerável para ter alguns instantes da sensação do que seria viver no primeiro mundo.
Embora fraca em recursos financeiros, era uma ilha de qualidade e respeito ao espectador. Há muitos vídeos daquela época (aqui) na rede. Falava-se a verdade, pois o patrocínio não tinha peso para calar o jornalista, muito menos a vaidade política. Como acabei de dizer, não tinha.
O primeiro escabro foi um famoso esquerdista assumir a presidência da Fundação Padre Anchieta, que mantém a TV Cultura. Esperava-se que alguém perseguido e censurado pela ditadura desse o bom exemplo. Não deu. Soninha Francine, apresentadora do programa RG (um episódio) foi demitida após dizer que já fumou maconha, em uma entrevista à Veja. Ela disse claramente que aquilo destrói a vida de uma pessoa. Não foi convidada a se explicar, se desculpar ou mesmo dizer em seu programa porque as drogas são tão perniciosas, o que teria sido uma grande contribuição ao público (majoritariamente jovem) do programa. Ela foi demitida. Sumariamente, sem direito a choro nem vela.
De então em diante a situação da emissora se deteriorou. Os dirigentes seguintes agravaram em vez de consertar as besteiras de seus antecessores, funcionários foram demitidos a pretexto de enxugar a empresa. A última pendenga tem como pivô um lavajado que há nas instalações da emissora, que serve aos funcionários. O presidente actual João Sayad alega que nem a Globo tem um lavajato dedicado... Imagino o impacto que dois peões têm nas contas de uma emissora, que por  menor que seja faz circular muito dinheiro. Não, não estou defendendo que todo mundo tenha lajavato e lanchonete grátis para seus funcionários, é apenas um exemplo da avareza que tomou conta de uma emissora que deixou de ser pública para ser estatal.
Uma das maiores perdas foi com a demissão da jornalista Salete Lemos, por ter escancarado a farra e os abusos dos bancos no Brasil, de forma que todo e qualquer espectador pudesse compreender, sem economês e sem verborragias supérfulas. O patrocínio passou a ter mais peso do que nas emissoras comerciais. Bem mais, porque para um patrocinador conseguir demitir um jornalista de renome e prestígio público, precisa este ter dito algo de muito grave, ofendido pessoalmente a empresa e não ter aceito réplica ou retratação.
O golpe de misericórdia virá agora, a emissora terceirizará (aqui) parte da programação. Por causa das dívidas trabalhistas (cerca de R$ 160.000.000,00) causadas pela má gestão dos antecessores, menos de um terço da programação deverá ficar à cargo da Cultura. Menos de um terço. Isto inclui o fim do contracto com TV Justilça e TV Assembléia, esta, para quem não sabe, permite ver direitinho o que os parlamentares estão fazendo, por mais que eles disfarcem. A outra é um verdadeiro mapa para quem precisa recorrer, ou quer evitar ter de recorrer, ao judiciário. São programas de grande utilidade para o público que a TV Cultura amealhou nestas quatro décadas. O presidente da entidade diz que é justo o contrário, para concentrar o "reduzido talento administrativo na telinha e no rádio". Reduzido por causa dos erros crassos e da intervenção política na emissora. É fácil prever que uma enxurrada de igrejas caça-níqueis fará a festa, além dos polyshops da vida.


É triste o terceiro artigo da nova fase do Talicoisa dar uma notícia dessas, mas é nosso dever informar não só o caminho das flores, mas também alertar para os escorpiões que se escondem entre as floreiras. A emissora está na iminência de perder, em ações judiciais, quase o dobro dos R$ 84.000.000,00 que o Estado repassa como orçamento.
Se antes a despreocupação com índices de audiência garantia a adesão do público cativo, hoje o afastamente do mesmo é desculpa para passarem a usar a relação custoXaudiência como baliza. Decerto que a qualidade da audiência caiu, ou programas imbecilizantes chamados de shows de ralidade não teriam um terço do público que têm. As pessoas estão com preguiça de raciocinar sobre o que estão vendo. Por isto mesmo a boa e velha Cultura se faz ainda mais necessária. Depois da internet, o público percebeu que não precisa se prender às porcarias da televisão privada para ter entretenimento; depois dos desmandos ele percebeu que também não pode mais contar com a rede pública para isto. Eu mesmo não agüento ficar mais do que cinco minutos diante de uma televisão ligada. Via de regra, nem dois minutos. A vontade de ir ao banheiro e descarregar o barroso impera, ou mesmo a necessidade de respirar ar fresco e oxigenar minhas sinapses. Fiquei sem televisão, de novo. Doarei minha tevezinha P&B de cinco polegadas, ela durará algum tempo até os sinais analógicos serem extintos, mas para mim se tornou inútil.
Espero francamente que o elenco remanescente consiga, ao fim das ditaduras de esquerda e direita que enfrentou, retomar o caminho que garantia à emissora a pouca e fiél audiência que tinha, sem as imensas dívidas trabalhistas que a estupidez das administrações posteriores renderam. Porque seria triste, uma perda lamentável ver a TV Cultura ter o mesmo fim da Manchete (aqui e aqui).
Ainda bem que temos os Youtubes da vida, ou programas como Bambalalão e espaciais como os do Palavra cantada (como aqui) ficariam inacessíveis ao público infantil de hoje, que precisa do respeito que estes programas tiveram com nossas gerações.