sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O garoto de Curitiba



Ele jura que este não é seu alter ego

Findo os trabalhos de blogagem do ano falando de um amigo curitibano.
Este amigo nasceu em uma casa tão pobre, mas tão pobre, que eles precisavam escolher entre ter paredes ou ter teto, não podiam pagar pelos dois ao mesmo tempo. Na seca tinham paredes, na época da chuva tinham um telhado suspenso miraculosamente no ar, mas quando o tempo enlouquecia eles se lascavam bonitinho.
Contudo e porém, o garoto de Curitiba não desanimava. Perseverança? Que nada! Pura teimosia mesmo. Ainda cedo começou a fazer seus primeiros rabiscos. No começo eram rabiscos toscos, borrados e sem nenhum profissionalismo, todos diziam que até uma lesma com diarréia desenharia melhor. Hoje ele sabe que profissionalismo é fundamental, profissionalizou-se, mas o resto continua a mesma cousa.
O garoto de Curitiba tinha um sonho, que realizou parcialmente; sonhava ser um cartunista famoso, rico, cheio de mulheres e reconhecimento internacional. Uma mulher ele conseguiu, o resto ficamos devendo, sorry.
Quando entrou para a escola, o garoto demonstrou um talento maior do que o de cartunista, o de arranjar encrenca. Seu lema: perco os dentes, não a piada. Seu dentista chegou a oferecer-lhe sociedade no auge do nonsense.
Chegou a época de se alistar. Os oficiais do exército lamentaram assaz não terem onde aplicar tamanho talento, pela primeira vez lamentaram por não termos inimigos, pois o garoto de Curitiba sozinho conseguiria arruinar com o andamento de uma divisão inteira, tamanha incompetência. Tiveram que dar-lhe a dispensa.
Desempregado, rejeitado e devendo até os bagos, o garoto de Curitiba se viu na vidinha de sempre, chegava a ser confortável de tão acostumado. Montou uma banca em uma praça com um singelo cartaz: "Desenho por comida", mas os negócios iam mal, ninguém aceitava ser comida em troca de um desenho.
O garoto de Curitiba pensou em desistir e dar cabo da vida, até que um dia tentou cumprimentar um concidadão e sua vida mudou, a resposta daquele curitibano típico mudou sua vida, deu-lhe um chute que ele foi parar andares acima, sobre a mesa do director de um jornal, que acabava de dizer "Temos que encontrar um idiota que aceite este emprego ultrajante, ou perderemos a verba do Coitados Anônimos!". Ele viu aquela figura esdrúxula sobre sua mesa, aquela cara de perdedor pro-master e disse "Está contractado, queira ou não".
O que eles não sabiam, porém, é que Alberto Bennet é uma pessoa normal, com seus níveis de psicose controlados e suas angústias virando material para seu trabalho. Seus desenhos toscos e politicamente incorrectos chamavam atenção ainda nos anos 1980.
Desapegado, não se importa em ceder desenhos para os leitores ilustrarem seus blogs. Exprime suas frustrações com um humor corrosivo e desenhos toscos, deliciosamente toscos, capazes de arrancar risos só pela cara de mongo de seu personagem principal, o garoto de boné, que ele jura não ser seu alter ego, embora o próprio Benett seja famoso pelos seus bonés e pelo discurso pessimista, até soltar a primeira piada.
Consumidor voraz de blogs, que acabam rapidamente pelo grande volume de trabalhos publicados (aqui, aqui, aqui e aqui), tem uma vida estável de homem de bem, trabalhador honesto e talentoso. É uma prova de que não se precisa saber desenhar muito bem para ser um profissional dos traços. Desenho é técnica, técnica até um chimpanzé aprende, é preciso ter talento e um pouco de disciplina para transformar os traços em um bom trabalho, os elementos em uma boa composição e palavras banais em uma piada hilária.
Meu amigo Benett é uma pessoa de fino trato, já reconhecendo que a maturidade bate à porta, mas ele se recusa a abrir enquanto ela não disser a senha: Quantos mililitros há nos seios de Scarlett Johansson?
O talento do verdadeiro garoto de Curitiba, se baseia na capacidade de ilustrar o curitibano como o próprio não se imagina. A partir deste, ele consegue lançar tentáculos para todas as áreas, especialmente a política, que lhe consome litros de álcool para desinfectar as mãos, após cada trabalho.
Nos últimos oito anos ele fez o melhor (até a meia-noite de hoje) presidente Lula que eu já vi, agora vai se esmerar em retratar a nova moradora do Palácio do Planalto, que se verá às voltas com o temível fantasma de nove dedos, este sempre a repetir "Minha faaaaixaaaaa...".
O que mais posso dizer do garoto de Curitiba, é que o Brasil perde muito em não reconhecer seu talento. Uma alegria para quem o conhece, perdem também os paranaenses em não começar pelos seus cartunistas (como também Solda e Pryscila) uma marca registrada que agraciaria o Estado por todo o país.
Faço então este texto como humilde contribuição para que, pelo menos os meus leitores, conheçam e reconheçam o talento lunático de um homem são e bem quisto por seus amigos, mas que realmente prefere perder um dente a uma piada.
Curitibanos, meus filhos, deixem de ser ranzinzas, isto é cousa para goianiense. Quando o rapaz desengonçado de boné aparecer na sua frente, não fujam para a outra calçada, ele representa o que sua cidade tem de melhor.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ano novo?

É, estamos chegando ao fim de mais um ano. Vou revelar aqui um talento meu: o premonitório. Sim, eu sei que nunca tinha revelado isso a vocês antes, mas sabe como é, não havia chegado uma ocasião propícia. Assim, aproveito a ocasião para fazer algo que quase nunca é feito nessa época do ano: as minhas previsões para a programação da TV. Prevejo que nesta época haverá:

1. Especial mostrando como foi o Ano Novo ao redor do Mundo, e como o ano foi comemorado primeiro em algum lugar do Oriente, com a chamada "Já é Ano Novo em_________________".

2. No mesmo especial, mostrando o Ano Novo ao redor do Brasil. Quando chegar na Bahia, a frase vai ser "Já é carnaval na Bahia", ou "A Bahia traz o Carnaval para o ano Novo", ou algo do gênero.

3. Dicas de ceias com as coisas que todo mundo tem em casa, como damascos, queijo trufado e outras coisinhas simples assim.

4. Dicas de como fazer uma ceia mais light.

5. Dicas de como superar a inevitável ressaca, como se todo mundo fosse comer e beber toneladas.

6. Dicas de aproveitamento das sobras de reveillon, usando tantos ingredientes que você teria que encher a despensa só para fazer uma delas.

7. Especiais sobre o reveillon dos artistas de todos os níveis e subníveis nas TVs, blogs e sites diversos. Você poderá ser brindando também com a incrível receita de reveillon de pessoas do calibre de Valeska Popozuda [sic].

8. Retrospectivas. De todos os tipos.

9. Será Ano Novo em todas as novelas.

10. Especiais com as previsões-para-o-ano-de-2011, tão óbvias quanto as citadas nessa listinha, ou mais.

Madame Adriane de Talicoisorumileriêaiêtalicoisê tudo vê, tudo sabe.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Reencontro

Pensei em um conto de natal diferente do que se faz normalmente. Contarei por minhas palavras o que li em um relato espírita, cedido pelo meu alfaiate, que narra o reencontro de mãe e filho, que estavam separados por décadas.



Ela já estava velha e cansada, com sua beleza consumida pela idade, pelos lutos e pela vida dura que precisou levar. Não era a mulher submissa que a época exigia, mas ainda assim impunha respeito e admiração da comunidade. Ser viúva e sem posses lhe cobrava um preço alto, pois mesmo na comunidade a misoginia reinante alimentava o despeito dos homens.


Entretanto uma cousa as vicissitudes não lhe tomaram: o coração angélico. Como desde sempre, continuava a receber em sua cabana qualquer um que viesse lhe pedir amparo, fosse por fome, fosse por aflição, fosse hebreu, samaritano, mesmo um soldado romano, fosse quem fosse e pelo que fosse. Seus esforços nunca ficavam aquém de suas possibilidades, todas as suas possibilidades. Seu limite para o trabalho era o limite de suas forças.


Mas estas possibilidades se tornavam cada vez mais escassas, era só uma lavadeira idosa e já acometida pelos males típicos da idade.


Certa feita, já se preparando para dormir, ouviu baterem à sua porta. Com o peso do dia duro a limitar sua agilidade, foi ver o que poderia fazer para o visitante tardio, já se preparando para dar suas palavras de consolo e talvez um pedaço de pão. Deparou-se com um velho encapuzado e convidou-o a entrar. E que surpresa, ele é que começou a falar da vida celeste, das recompensas que a aguardavam, de tudo mais o que sua vida absolutamente santa lhe reservava. Seus olhos marejavam e a voz embargava, era a primeira vez que lhe consolavam em vez de pedir consolo.


No decorrer da conversa, certos padrões se deixaram reconhecer. A voz firme e cristalina do visitante destoava de sua aparência decadente, assim como seus gestos suaves e o repertório de seu vocabulário, muito além do de qualquer homem de conhecera, exceto por... E uma boa mãe não reconheceria seu filho? Ele notara que sim. Então deixou o capuz cair e se revelou para sua sofrida mãe, que se ajoelhou chorosa aos seus pés, e ele se ajoelhou para abraçá-la. Embora fosse figura se sua veneração, ele deixou claro que eram iguais, estavam precisamente no mesmo nível. Em breve, avisou, virei buscá-la. Já está a caminho quem te auxiliará no teu desenlace.


Ele se despediu e ela foi dormir feliz como nunca. Na manhã seguinte chegou o auxílio prometido e, pela primeira vez, a senhora se deixou tomar pela enfermidade da velhice, pois já era hora de se livrar das amarras. Enquanto se fez necessário Simão Pedro ficou ao lado de Maria, fiel como ela sempre fora à sua missão.


Certa noite, Pedro percebeu que o corpo começava a se esvaziar, sua Senhora estava indo embora. Mas lhe foi permitido ver tudo acontecer como estava acontecendo. Daquele corpo decrépito saia, mais intensa do que na juventude, Maria em sua indescritível beleza, seu olhar esplendoroso e pleno de um amor capaz de cegar a nós, pobres pecadores, sua voz doce e suave que nos faria chorar antes que concluísse uma frase. À sua frente se abriu um portal de uma luz que queimaria Simão Pedro, não fosse que já conseguira ser. Deste portal, para o abraço da união eterna, desceu Jesus à Sua Mãe. À Sua frente uma comitiva de seres celestes guarnecia Sua nova ascensão, desde os anjos mais novatos aos mais elevados serafins, todos estavam de joelhos, sinalizando que estavam ao seu irrestrito serviço, de então em diante.


Jesus ainda consolou Simão Pedro, avisando que iria buscá-lo em breve, então Mãe e Filho retornaram pela estrada de luz para retomar o governo da terra, que se hoje seus habitantes precisam de toda a assistência que receberem, na época de sua infância muito mais.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Pobres magos

Diz o Evangelho de Mateus que três sábios vindos do Oriente vieram visitar Jesus Cristo após seu nascimento.
Da palavra magoi, que significa, entre outras coisas, sábio/ilustrado/conhecedor foi feita a tradução para mago. Naquela época quem tinha o domínio do conhecimento (tratava-se um conhecimento amplo, que ia da música à filosofia, passando pela astronomia e literatura) era mesmo assemelhado a um mágico.
A tradição atribuiu às figuras citadas nomes, cores e também o título de reis. Havendo naquela época reinos pra todo canto, não chego a duvidar que possuíssem algum título desta natureza. Por terem eles levado presentes a Jesus, sobre eles também recai a culpa de terem inventado a tradição da troca de presentes.
Minha imaginação pérfida me faz cogitar sobre como seria o diálogo dos magos ponderando sobre o efeito de seus atos. Imagino-os no paraíso, contemplando nossa vidinha.
- É amanhã.
- Nem me fale. Eu tremo de olhar.
- Você já viu como está aquele shopping em Manhattan?
- Dá até medo. Foi mais fácil vir de camelo por desertos e montanhas, desviando-nos de salteadores e soldados gananciosos, fora os animais selvagens, do que chegar de um corredor a outro desse lugar maluco.
- Pois é! Depois aqueles brasileiros dizem que só eles deixam as coisas para a última hora... Rá!
- Só você mesmo pra me fazer rir numa hora dessas. E a coisa vai além... olha ali, em Tóquio... tudo enfeitado e as lojas repletas.
- Ora, ora, então o cristianismo chegou com força ali!
- Não deboche...! Não é bem o cristianismo, é o comércio, a tal troca de presentes que dizem que fomos nós que começamos.
- Que coisa idiota a se dizer. Nós só levamos símbolos do que Cristo representaria. O maior presente foi ele quem nos deu.
- Isso eu sei! Falamos sobre isso toda vez que citam essa história.
- E se nós não tivéssemos levado os presentes...
- Deixa de ser ingênuo. Se não fosse isso, os humanos teriam criado algum outro motivo para dar impulso ao comércio, eles ficam inventando datas comemorativas a toda hora mesmo.
- É verdade, além do mais, precisávamos levar algo para o menino, estava em nosso coração honrá-lo. Nós fomos até lá para isso, esqueceu?
-É verdade. Mas eu fico muito triste com todo esse corre-corre, essa loucura, essa ganância, mesquinharia e arrogância. Eles disputam até quem faz a decoração mais bonita, quem dá o melhor presente...
- Meus filhos...
-Senhor Jesus!
-Se vocês se sentem assim, imaginem como fico eu...


Legendas para o natal atual:

Olhem, olhem! É lá a megaliquidação!!!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ministério da Saúde adverte, natal enlouquece



Darei o presente que eles merecem
- Tô te falando, Nikolau! Até gravei alguns pra você ver...
- Não, as pessoas não podem ser tão estúpidas!
- Ha! Até hoje tem gente que acha que a Coca-Cola te vestiu de vermelho, mesmo havendo propagandas bem mais antigas fazendo isso!
Ela liga o DVD e o espetáculo começa...

Nossos gerentes estão ficando loucos, completamente biruuuuutas!!! Eles vão levar a loja à falência, mas antes você tem que aproveitar estas ofertas: Bonequinho feioso e mal acabado, com cada peça do corpo vendida separadamente, somente 5x55,55 sem juros! E a primeira prestação só no carnaval; Jogo de panelas montadas por presos políticos autênticos, sete peças, com cabos e puxadores na cor vermelho-sangue, somente... AHHHHHH!!! Você não vai acreditar!!! Venha correndo, antes que eles voltem a si.

- Biruta é quem compra uma porcaria dessas pro moleque! E desde quando panela é presente de natal? Mandar a mãe pra cozinha enquanto todo mundo se diverte deveria ser crime!
- Calma que tem pior. Aliás, ainda bem que você pensa assim, encomendei um buffet para a nossa ceia.

Papai Noel esperto não fica de bobeira. Venha tirar vantagem, que o Ronaldo Elerdo bebeu todas e não sabe onde colocar a vírgula dos preços. Veja só: Jogo de sofá Sokka Phona, de dois rins e um pâncreas por apenas dois rins e uma vesícula. Como é que é? Repete... De novo... De novo... De novo... Gente, deixa de ser trouxa, venha tirar vantagem antes que o Ronaldo tome banho, seja esperto, que dinheiro é tudo! E o monopólio logo será nosso, te cuida!

- Eu ouvi direito?
- Direito e esquerdo.
- Estão usando a época do natal para estimular a corrupção?
- Cê não viu nada. Espera o próximo.

Essas dançarinas com as buzanfas na frente da câmera não têm nada a ver com o natal, mas chamaram a sua atenção, então olha só: Tijolo furado, similar à Norma da ABNT, em doze vezes sem juros, sem promessas e sem vergonha! Telha colonial, pra cobrir o seu natal de alegria, diversas cores, só os olhos da cara! E estas com os peitos quase saltando dos sutiãs, também nada, mas a lata de tinta cocôletax de dezoito litros está com preço de ponta de estoque... Porque é ponta de estoque e está com a validade quase vencendo, então venha antes que ela seque!

- Por um minuto eu pensei que casa de tolerância já podia fazer propaganda antes das vinte e duas horas.
- E borracharia também. O povo fica de olho no meio da bunda e não vê os pneus balançando.
- Eu vou comprar um milheiro desse tijolo... pra jogar na cabeça desses sacanas! Eles estão acabando com a minha tradição! Rudolph, o que foi?
- Eu que pergunto, qual é a urgência?
- Eu chamei ele. Você que é uma rena forte, segura o Papai enquanto passo o próximo...
- Me segurar pra quê?

Aí, mano, a gente sequestremo o Papai Noel, tá ligado! E por isso a gente agora temo os melhores preços da cidade, tá ligado! A nossa lan house é a mais bombada desse natal, tá ligado! Fala aí, Papai Noel, nóis é ou não é os dominante da net? É, nóis é. As oferta de natal é essas: Uma hora on line por dois reau, cada hora extra é mais um reau, a cada cinco hora tu leva o chaverim da mulher-jaca, tá ligado! É a promoção de natal da Lan-Terna do Terror. Gatinha de shortinho e minissaia tem desconto, aí! É, discontão e axexoria persolalizada. Se nóis não fô os melhor, Papai Noel vai pro microondas.

- Rudolph, segura forte!
- Eu vou mostrar quem vai pro microondas! Fazendo promoção pornographica e apologia ao crime pra crianças usando o meu nome!!! Eu poderia transformar esses caras em baratas, mas não tenho certeza se alguém notaria a diferença!
- Tome o chá, Nikolau, tome... Isso... Isso...
- Isso não vai ficar assim!
- A próxima é só idiota... Mas fica por perto, Rudolph, só pra garantir.

Queridos eleitores, eu faço bem feito, ninguém me pega. Não deixo documento vivo pra policial desocupado interrogar. Você me conhece, sempre vota em mim. Pode ter certeza de que eu vou tomar posse, graças ao seu voto. Nesta legislatura, trabalharei como sempre trabalhei pelos interesses que vocês me confiaram, os meus próprios. A campanha já passou, mas prometo comparecer a todas as sessões relevantes, compromisso firmado em cartório pelo meu laranja. Meu eleitor leva tudo pelo que paga, e é a você, eleitor sem memória, que eu e minha família desejamos um feliz natal, porque o meu já ta garantido!

- Mamãe, eu nunca vi o Papai Noel com essa cara!
- Eu só vi uma vez, quando queimaram Joana D'Arc. Nikolau...
- Rudolph, traga a lista de pedidos. Tenho uns nomes para riscar.
- Pode ir, eu cuido dele. Não vá dar uma leucemia de natal outra vez!
- Não, desta vez darei cordas para eles se enforcarem sozinhos. Tem mais?
- Tem...

 IPI Zero! IPI Zero!  IPI Zero! IPI Zero!  IPI Zero! IPI Zero!  IPI Zero! IPI Zero!  IPI Zero! IPI Zero!  IPI Zero! IPI Zero!  IPI Zero! IPI Zero!  IPI Zero! IPI Zero!  IPI Zero! IPI Zero!  IPI Zero! IPI Zero!  IPI Zero! IPI Zero!  IPI Zero! IPI Zero!  IPI Zero! IPI Zero!  IPI Zero! IPI Zero!  IPI Zero! IPI Zero! Últimas unidades.

- Heim?!?
- É só isso.
- IPI zero para quem tem inteligência zero! O Brasil não tem habitantes, tem lavouras de trouxas!
- Com várias colheitas por ano, o natal só é a maior delas. Agora tem uma que é até bonitinha, sabe.
- Botitinha é feiosa arrumadinha.
- Acho que você vai gostar...

Boa noite, feliz natal pra você e sua família. Estamos convidando a todos para o bazar beneficente da nossa creche, em Trindade, para a festinha de fim de ano das nossas crianças. Para vocês que já nos ajudaram ao longo deste ano, muito obrigada mesmo. Para você que ainda não teve oportunidade, venha, a entrada é franca.

- Cortaram o vídeo!
- Eles só conseguiram um espacinho no fiofó da noite, com tempo contado.
- A lista, Papai.
Ele vai riscando alguns nomes e buscando o da moça que acabou de ver...
- Rudolph, vamos sair.
- O trenó já está pronto e esperando.
- Não desta vez. Se vista de homem e pegue o Rolls Royce, vamos fazer uma visita à Goiás. Depois distribuo os devidos castigos aos seus merecedores. Vem, Nicole, vamos ao bazar.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Dickens e Muppets de Natal

Um dos clássicos de Natal mais conhecidos é "Um Canto de Natal", que alguns traduzem como "Um Conto de Natal".

Escrito por Charles Dickens, do qual já falamos aqui, traz a história de Ebenezer Scrooge, um escroque (a similaridade dos termo não é coincidência) que, na véspera do Natal, recebe os espíritos do Natal passado, presente e futuro, e no final aprende uma lição e muda sua atitude.

Bem, essa história tem sido utilizada desde sua publicação de diversas formas, em peças de teatro, em filmes e em desenhos animados.

Aí que entram nossos amados Muppets, numa adaptação lindíssima, com trechos da mais fina ironia, disponível em nove partes no site Youtube, os quais não consegui carregar para deixar aqui. Mas é fácil de encontrar e vale a pena ver.

É um presente para todos nós.


Gonzo, o Grande, não poderia ser mais apropriado para representar Charles Dickens, não acham?

Divirtam-se!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Papis Nonô

Oi, Papis!
Tudo bem? É o seguinte, eu fui uma beeshynha muito boazinha neste ano. Eu dei duro, ralei, suei... Peraí, papis, não é nada disso que o senhor está pensando! Quer dizer, não é metade do que está pensando.
Eu deixei de usar Kerastase muitas vezes para ajudar os pobres, Papis Nonô! Abdiquei aos looshos e muitos prazeres pra dar do meu ao próximo... Quer dizer, para ajudar financeiramente ao próximo, sabe.
Então, eu queria te pedir um presentinho, mas não é nada de material. Eu queria poder soltar a franga sem medo, Papis. Se até o Laerte, que é macho-chô, anda por aí vestido de mulher, de vez em quando, por que eu não posso fazer um cross-dress também? E olha que eu sou bem efeminada, viu, mais do que essas menininhas vulgares que andam por aí.
Eu não pedi pra nascer assim, Papis. Os espíritas dizem que sim, mas que ainda assim não é motivo para e gente estar passando pelo que tá passando. Sabe, eu já fui agredida uma vez só porque rebolei um pouco, enquanto andava. Eu queria que isso não voltasse a acontecer.
Nunca fui santo enquanto era o Tonhão, depois que virei Tonica menos ainda, mas sou uma beesha honesta! Eu pago meus impostos em dia, recuso comprar producto pirata pra não sonegar, exijo nota fiscal, fico de olho no contador pra ele não me passar pra trás. Sabe qual foi a última vez que eu larguei papel de chiclete na calçada? Foi uns meses antes de sais do armário. Eu sou um cidadão... Quer dizer, cidadã... Ah, eu sou civilizada, Papis! Sou o tipo que ajuda o país a sair do atoleiro, e mesmo assim sou hostilizada!
Tem um bando de crentes picaretas fazendo campanha contra a gente! Eles mercantilizam descaradamente as escrituras sagradas, mas não admitem que eu exista, só porque não correspondo ao que eles pensam que sabem. Teve até um delegado enrustido que avisou que vai fazer campanha contra mim! Não é contra os homossexuais, mas contra minzinha em específico.
Ai, Papis, dá um jeito, vai! Eu nunca furei sinal, queimo etanol pra encontrar uma vaga permitida, e só uso etanol pra ajudar o país a não depender de petróleo! Por que uma cidadã como eu não pode viver em paz?
Já passei fome, o senhor sabe, né? Mas não me arrependo, foi por uma boa causa, além do quê, foi assim que encontrei a Roberley, minha amigona cross-dresser. Juro que sentava nela, se fosse beesha!
Eu não quero vingança não, Papis, só quero viver em paz, sabe! Levar minha vida purpurinada do jeito que ela é. Essa gentchê que pega no meu pé, mas quer mesmo é pegar no meu pau, espalha que somos promiscuas, que inventamos e disseminamos o vírus da aids em homens casados... Aham... Como será que esses homens casados pegam o vírus, heim? O senhor sabe, né! De dia é Tião da construção, de noite é Sebás, para os íntimos.
Então, pra não te encher o saco, que já deve pesar muito nesta época do ano, eu só queria poder viver em paz, sem medo de ser agredida por hipócritas que pegam uma lupa pra procurar um cisco nos meus olhos verdes, mas não aceitam que ninguém aponte para os troncos inteiros que têm nos seus.
É sério, Papis, a barra aqui tá pesadíssima.
De sua querida Tonica Boulevard.

Resposta do Papai Noel:
Querida Tonica. Que bom que ainda está bem neste mundo degenerado. Desde que o Mestre me encarregou de cuidar das crianças, poucas vezes uma me fez um pedido tão justo. E uma em idade madura então, é a primeira vez.
Tenho ciência de seu sofrimento e das depredações que seu carrinho, comprado com suor, já sofreu. Sua mãe, não se preocupe, já se conformou com a sua escolha, que no seu caso é a mais salutar.
Não posso interferir no livre arbítrio, mas posso cuidar para que os parlamentares se vejam em saias justas e se inclinem a favor da lei que ora tramita, além de incentivar as manifestações em seu favor.
Quanto ao seu caso específico, mando adiantado o visto de permanência na União Européia, para você e sua querida mãezinha, a quem nunca abandonou mesmo nas horas em que ela se mostrou decepcionada. Porque na América, lamento, por enquanto vocês continuarão a ser hostilizado até varrermos os novos fariseus.
E muito obrigado por não fazer piadinhas comigo e minhas renas, elas mandaram agradecer.
Seja fiél. Feliz Natal e um ano repleto de realizações.
Do seu Papis Nonô.

P.S: Mandei a Betty Boop entregar o presente, ela é mais apropriada e também vítima de discriminação.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Tem no natal com a letra...

Vocês já ouviram falar num jogo que aparece no Raul Gil chamado "banquinho', em que ele sorteia um tema e uma letra, as pessoas/equipes têm de dizer palavras que tenham relação ao tema e que iniciem com a letra? Quando alguém é eliminado, vem a famosa musiquinha:
"O Raul perguntou/você não acertou/pegue seu banquinho/e saia de mansinho".
Então, seguindo a sugestão do Nanael, que tal uma pequena brincadeira com o tema "natal", usando as letras da própria palavra (quatro por opção, já que a palavra tem quatro letras, sendo um "a" duplo)?

Vamos ver o que tem no natal com a letra...

N.

Neve. Principalmente nos shoppings centers, lojas, pinheirinhos e propagandas brasileiras. Tem mais neve aqui do que nos dois pólos conjuntamente. E isso que Cristo provavelmente nasceu na primavera ou no verão.
Nozes. Tem absolutamente tudo de nozes nessa época do ano. Acho que tem até nozes de nozes. Tudo bem, eu até gosto, mas ainda acho que deveríamos valorizar coisas mais leves nessa época do ano, em que aqui faz um calor de rachar.
Necessitados. Tem gente que só lembra deles nessa época do ano, como se fome só aparecesse no natal. Tem gente que os usa para fazer lindas campanhas e se colocar na mídia. Tudo bem, é sempre legal ver os olhinhos de uma criança brilharem, mas eles poderiam brilhar durante todo ano, né?
Novelas com cenas de natal. Não importa em que época ou local a novela se ambiente, em TODAS as que passam no período é natal simultaneamente. Deve haver um portal dimensional ou algo assim, não?

A.

Algodão. Pra fazer a neve, né. Fica IGUALZINHO, nem se nota a diferença. Inclusive, a neve faz aqueles fiapinhos e tudo, claro. Melhor que isso, só isopor ralado.
Amigo secreto. Sim, aquele momento descontraído e feliz em que você dá um livro e ganha um pano de louça, dá um perfume e ganha uma quinquilharia de 1,99, dá um CD e ganha um anjinho da mesma loja de 1,99, essas coisas.
Árvore. De plástico, lógico, em todas as cores que se possa imaginar, enfeitadas com as coisas mais bizarras, normalmente sem relação alguma com o cristianismo, com exceção da estrela e olhe lá.
Amor. Sentimento que só pode ser expressado por presentes, que você só encontra na loja Y, no shopping W, usando os cartões X e por aí vai.

T.

Televisão com assunto único. Embora já tenham alguns especiais sobre o carnaval e até a Páscoa vindoura, claro que vai ter especial de natal na grade de TODAS as emissoras, incluindo TODOS os comerciais de tudo que você possa imaginar, cada marca/loja/etc garantindo que só ela tem o verdadeiro natal.
Tradições novas em folha. Coisas que tem algumas décadas, ou até menos do que isso, são brindadas com o adjetivo "tradicional", como as tais aves diferenciadas, o amigo secreto e os especiais de natal.
Traduções horrorosas. Lindas canções natalinas gravadas numa tradução sem nenhum senso estético, e, como disse meu querido Nanael, algumas colocadas na tecla repetir ao infinito.
Tralhas. Todo tipo de artesanato de quinta categoria invade as vitrines, e as pessoas ainda param e dizem: que lindinhooooooooooooo, só porque tem algum Papai Noel deformado, umas renas que parecem qualquer coisa, menos uma rena. As tralhas têm quase sempre o seguinte destino: estante-caixa-lixo.

L.

Luzes coloridas. Tem algumas que deixam a casa parecendo um daqueles lugares de tolerância. Quando eu era criança, o máximo eram umas lâmpadas um pouco menores que uma de 40 w, em tons de vermelho, verde, azul e amarelo. Achava tãaaaaao lindo... Hoje tem as tiras amareladas/brancas, algumas são até bonitas. Mas sempre tem o exagerado da rua que transforma sua casa numa miniatura de Las Vegas.
Lojas enfeitadas. Criatividade pra quê? Todas as lojas têm a decoração praticamente idêntica. Quando tentam ser criativas, as lojas usam uma decoração que nem de longe tem alguma relação com o natal, como um shopping daqui que enfeitou com ursinhos e outro que usou a temática do circo.
Liquidações fajutas. Chegou a vez de papais, mamães, titios, filhinhos e toda família noel chamar aos berros para a incrível liquidação com setenta por cento de desconto que acontece todo ano, mas que eles juram que é a única, com os produtos com exatamente o mesmo preço do início do ano.
Lembrancinhas. Sempre tem alguém te dando uma lembrancinha, enquanto muitos desses quase exigem de você um presente. E normalmente, vêm com aquela famosa frase é-só-uma-lembrancinha-mas-é-com-carinho. Em geral de uma inutilidade gigantesca, vão normalmente parar no lixo, junto com as tralhas (ver verbete) ou na casa de alguém que ama quinquilharias.



Um pouco de criatividade: parabéns à Vanessa Marques.











E, por fim, o real sentido do Natal, esse com letra maiúscula e com o Amor em forma de homem-Deus.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Livro do ódio para o natal

Eu não uso veados! Uso renas! Re-nas!
 Lembrando da saudosa revista Mad, você não odeia...
O taxista que te esnoba durante o ano inteiro, mas se acha no direito de cobrar bandeira quatro por um sorrisinho de "feliz natal"?
O porteiro que já riu até molhar as calças, te vendo derrubar as compras, sob chuva, por falta de quem ajudasse, nesta época pedir caixinha por "fazer o favor" de abrir o portão?
Sua sogra avisar que passará o fim de ano inteiro com vocês?
Sua sogra ligar de novo, avisando que seu cunhado desempregado vai junto?
Aquelas traduções abrasileiradas na marra, que os supermercados tocam em repeat ad infinitum, já em Novembro (quando não antes) assassinando cruelmente um clássico de Lennon?
Aquele Papai Noel com cara de tarado que ignora os pedidos das crianças, enquanto lança olhares cobiçosos às mães mais bem apessoadas?
Aqueles bonequinhos que mais parecem bibas de academia, expostos em cenários tão grandes que não caberiam na sala, mas levam a mensagem em negrito, logo abaixo do preço extorsivo "Tudo é vendido separadamente"?
Aquelas bonecas mais empetecadas do que damas-da-noite em fim de carreira, expostas em cenários tão grandes que não caberiam na casa inteira, mas levam a mensagem em negrito, logo abaixo do preço extorsivo "O cabelo também é vendido separadamente"?
Aquelas apresentadoras cafonas de tevê, que enfiam na cabeça das crianças que só existe diversão de verdade com cenário e elenco completos?
Crianças que te jogam na cara que sabem o quento você ganha e que seu salário dá para comprar o que te pedem?
Pais que não sabem educar seus filhos e levam os monstrinhos para atazanarem todo mundo durante as compras?
Congestionamentos monstros de fim de ano?
Calçadas congestionadas, cheias de gente tonta que não sabe ocupar menos que três lugares, de fim de ano?
O pronunciamento do presidente?
O piso escorregadio do shopping, que deixa seus filhos muito mais tempo expostos à visão tentadora dos brinquedos mais caros?
Toda aquela quinquilharia, que vai entupir a despensa durante os onze meses seguintes, receber acréscimos a cada ano?
Levar choque nas luzinhas shing-ling que seu marido comprou, porque não viu vantagem nas made in germany, que custam o triplo do preço?
Os "religiosos" radicais fazendo barulho e campanha para queimar Papai Noel, afirmando que "O Natal é do Senhor Jesus"?
Jornalistas boçais, que todos os anos insistem em demonizar o bom velhinho, se lixando para a fantasia necessária à formação social das crianças?
Sujeitos boçais que aprontam todas sob a fantasia do bom velhinho, alimentando a sanha anti-natalina?
A fatura do mês passado, do cartão de crédito, acompanhando um calhamaço de promoções e ofertas "imperdíveis"?
Fazer as compras, passando horas sob cotoveladas e pisões na joanete, para só no caixa descobrir que esqueceu de pagar a fatura do cartão?
Os especiais de natal horrorosos da tevê de hoje, que nos fazem ter saudades dos melosos e repetitivos, mas bem feitos e sinceros especiais de outrora?
Te darem um DVD com todos os especiais de natal horrorosos da tevê de hoje, te fazendo chorar de saudades dos de outrora?
Os desenhos de fim de ano ridículos, com excesso de politicamente correcto, que privam as crianças de perceberem qualquer lição que antes era embutida em cenas que elas vêem todos os dias, em todos os lugares?
Os jingles medonhos das emissoras, que a cada ano conseguem ser piores do que todos os anteriores juntos?
Os convidados duvidosos para o especial de fim de ano do Rei?
Não haver mais revistas de humor como a boa e velha Mad?
Ver aqueles presentes que te custaram a hipoteca do fígado, serem ignorados permanentemente assim que vem o ano novo?
Descobrir, mais uma vez, que as pessoas não sabem equilibrar o consumo saudável com o espírito de natal?
A fatura do cartão de crédito em Janeiro?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

É um crime!

Como o tema do momento é o crime e seus desdobramentos, resolvi fazer uma das minhas famosas pesquisas sobre a palavra e a relação entre elas no nosso querido site de busca mais conhecido. Depois, uma pesquisa dos termos ligados ao termo, no sistema de auto-preenchimento.

Assim, a palavra crime remete a crimes hediondo, primeiro no singular e depois no plural; ao livro Crime e Castigo (terceiro colocado numa pesquisa ser um livro como esse me parece um bom indício, mas eu sempre sou mais otimista que a maioria mesmo). Daí parte para crimes virtuais, o que hoje em dia é essencial saber, assim como crimes ambientais, também virtais para nosso conhecimento atualmente. Passando para quatro tipologias de direito penal para crime: formal, culposo, continuado e material. Espero que sejam estudantes e não praticantes querendo se especializar.

Já hediondos vem primeiramente a palavra pura, depois "hediondos significado". Significado é algo que o povo pesquisa muito, não?

Agora a surpresa para o termo "castigo". Aparecendo primeiro a palavra em si, sepois é relacionada a castigos para chá de bebê chá de panela, esse uma vez no plural e outra no singular (o pessoal gosta de castigar as futuras mães e as noivas, não?). Daqui vai pra castigo divino, o que aqueles que gostam de ficar castigando os outros deveria temer, indo para castelos medievais (!!!!) e de novo para castigos para chá de panela. Ou seja, nisso tudo a única coisa relacionad, e indiretamente, a crime é castigo divino, mesmo.

Indo para virtuais, nenhuma das palavras correlatas remete a crime, todas relativas a jogos, bichinhos virtuais e Orkut, o famoso site-de-relacionamentos de que a TV fala de vez em quando.

Já ambientais, além do termo puro, aparece "causas e consequências", e por fim "ambientais urbanos". Apenas a primeira parte remete ao termo-chave de hoje.

Formal remtete ao formal de partilha, do direito de família, depois para termos em inglês, mais uma vez o significado, daí para outros termos em inglês. Daqui volta para formal de partilha e separação, vindo "fomal informal", um paradoxo. Por fim, a relação com crime: formal e material. Ufa!

Buscando culposo, temos três referencias a culposo e doloso, e uma para significado de culposo.

Tenho pena da palavra continuado, a pobrezinha não remete a nehum outro termo no auto-preenchimento.

A útima da relação, material, não traz a mais ínfima correlação com "crime".

O que percebi é que todos os termos relacionados a crime pelo gugou são pouco ou quase nada relacionados a ele pelo mesmo sistema de busca.

Vá entender.
Pelo menos, a primeira imagem do termo tem relação direta com ele.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Meu manual pegou!

Em Abril de 2009 escrevi um texto (aqui) sobre o meu conceito de ser um homem romântico, no Palavra de Nanael. Na época consegui alguma repercussão, dentro do que esperava de um blog secundário, escrito por alguém que não tem fama alguma. Depois quase esqueci do texto.

Em Junho deste ano começaram a contar os acessos, por meio de estatísticas. Passei a acompanhar e que surpresa a minha! O texto "Meu manual do homem romântico" era disparado o campeão de leitura. Na época contava com quase quinhentas visitas directas, aquelas que o sujeito faz de propósito e não porque estava passando, viu, achou interessante e resolveu dar uma olhada. Por algum tempo eu pensei que fossem sincronicidades, acidentes por buscas de palavras que acabaram levando aonde não se pretendia, mas não.

A reincidência é imensa! Há cerca de dez minutos já eram 696 acessos directos ao texto, nove vezes o segundo colocado, com palavras que só faltavam ser o link completo do artigo. Origem? Alemanha, Argentina, Canadá, Cingapura, Coréia, Estados Unidos, Itália, Japão, Reino Unido, enfim, um monte de países cuja figuração nas estatísticas coincide com os picos de acesso directo ao texto. Ou seja, há muitos brasileiros lá fora não só lendo, mas também recomendando.

Eu agradeço. Asseguro que fiz o manual com o maior carinho e nenhuma intenção secundária. Mas me deixou intrigado, porque há outros textos com teores parecidos e os mesmos também são, embora não tanto, acessados directamente. Nem imagino o montante de acessos anteriores à contagem e feitos dentro do próprio blog.

Eu sinto falta do bom romantismo de pés no chão. Eu tenho saudades de quando um assobio não era motivo para processo por assédio sexual. Eu me sinto mal em uma época na qual até bonecas infláveis recebem mais carinho do que uma mulher. Juro que pensava que fosse só eu! Quer dizer, pensava que só eu tinha coragem de assumir meu romantismo e que poucas mulheres davam valor a homens assim.

Vendo dramas de cartunistas como Allan Sieber, Benett e Laerte, que vivem enfrentando a ira de internautas agressivos, revoltados e gramaticidas, estudei o modo como eles lidam com a gratuidade estúpida dos ataques de machismo aleatório que hoje prolifera, e infelizmente chega a dar status. Ser fútil, animalesco, egoico e repulsivo, caros leitores, é a onda do momento. Pois desejo um naufrágio breve e em caráter perene, dos idiotas e de quem os apoia.

Está acontecendo ao mundo o que já era de se esperar, mas eu não imaginava constactar dentro desta casa. As pessoas estão sufocadas! Estão ansiosas em expressar seus sentimentos e já não sabem mais como. Enfrentam a hostilidade da maioria materialista e imediatista que ora domina os meios de comunicação, então ficam tímidas e buscam, talvez inconscientemente, um lugar para escape. Mesmo que seja um artigo curto e sem referências acadêmicas de um sujeito que não tem sequer diploma universitário. Tudo o que escrevi naquele artigo foi de experiência própria, do convívio com profissionais de saúde mental, de educação, de assistência social e gente comum. Agora descubro que tudo o que escrevi bate com a realidade de não sei quantas pessoas ao redor do globo. Não é de hoje que sei de academias de dança onde as mulheres precisam dançar umas com as outras, porque faltam homens que queiram praticar dança de salão. Pode parecer apenas o ocaso de uma prática antiga, mas a proliferação de festas e estabelecimentos afins prova que não é. Dança é uma expressão suprema, os que conseguem praticar regularmente também conseguem expressar seus sentimentos com muito mais facilidade, mas isto implica em abrir mão de uma armadura e geralmente também de uma máscara. Mas e o medo da rejeição? Pedir um ombro amigo se tornou sinônimo de fraqueza e senha certa para o ostracismo em muitos grupos, então muitos preferem contar vantagem de algo que precisaram pagar para obter. Só que não resolve, vicia e todo vício leva ao vazio existencial, cedo ou tarde; acontece cada vez mais cedo.

Coincidência ou não, com a iminência de guerras e hostilidade explícita entre nações recentes, os acessos cresceram e ficaram mais estáveis. A crise econômica que deve estar fazendo a Chanceler Merkel soltar palavrões inéditos, também ajudou a planilha.

O medo de não viver aquilo que realmente se quer e tudo acabar de repente é uma hipótese, mas que não pode ser generalizada. Acredito que a maioria viu algo que precisava ver, não necessáriamente que queria ver. Viu um sujeito se abrindo com certo critério, explanando de modo suscinto e sem adornos o que entende por romantismo e se identificou. A reincidência na leitura pode ser muito bem o desejo de assumir-se romântico, algo que passou a ser visto como anacronismo patológico, visto que muitos "profissionais famosos" só focam as virilhas, quando falam de romance, dizendo nas entrelinhas "se você não transar sempre, está ocupando espaço de outro no mundo". Não é de todo seguro praticar um estilo de vida que o status quo tenta enterrar a todo custo, mas asseguro que vale à pena. Na pior das hipóteses, a auto agressão de querer parecer o que não se é desaparece, com ela boa parte da descrença no mundo.

A pessoa que deseja assumir seu romantismo, o sem firulas nem delírios que descrevi, deve ser discreta, mas deve se assumir. As cousas de que gosta ainda são caras não só pela boa qualidade, mas também pela escala de produção ainda pequena. As canções que nos parecem dignas de serem ouvidas voltaram a ser produzidas, mas não saem das seções mais obscuras das lojas se seu público não se declarar vivo. Os programas de televisão continuarão a ser a boçalidade estereotipada enquanto os fãs de Audrey Hepburn não se mostrarem à luz do dia. Acreditem, aquela sim era mulher moderna de verdade. As revistas com o detalhamento útil de outrora permanecerão noutrora , enquanto seus potenciais leitores tentarem remediar com as porcarias sueprficiais que as editoras nos oferecem.

Me intrigou o número de leitores, sim, mas também me preocupou a motivação da leitura. Faço este blog de livre arbírtrio, mas com o rigor de quem deve fazer, não que vá fazer diferença no meu orçamento. Não faço idéia da quantidade de gente que se identificou com o que eu escrevo, mas não deve estar menos deslocada neste mundo do que eu. Falarei mais das cousas que quero para o mundo, do mundo que quero e de como pretendo agir para realizar. Tudo com os pés no chão, respeitando a inteligência do leitor e a confiança depositada. Falarei mais de cousas bonitas, mas também de outras nem tanto, mas nunca apelando da linha do bom senso, me mantendo longe do mundo-cão e do mundo alienado, as duas faces que hoje dominam a Terra.

Finalizo este curto artigo com algo muito bonito, a saudosa Nicolette Larson com Lotta Love, em uma apresentação em plenos anos oitenta, o que as roupas deixam claro. Aqui um site dedicado.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Grandes falácias sobre o crime

Em pleno ataque à cidade que verá a Copa e as Olimpíadas, num momento em que as autoridades só não declaram que os eventos são da natureza de uma guerra civil porque não querem (e porque lucram horrores), vou fazer uma listinha das 5 frases que acho mais falaciosas sobre o crime e algumas possíveis soluções apontadas pela maioria.

1. É preciso reduzir a pobreza para gerar mais oportunidades e afastar os jovens do crime. Essa frase é uma variante politicamente daquela: "a culpa pelo crime é dos favelados, tem mais é que fechar as favelas!'. Não sou contra gerar oportunidades, sou contra associar crime necessariamente às favelas. É só ver a lista de grandes chefões do crime, alguns nascidos em berço de ouro, ou em contrabandistas de alto luxo, como a família que mantém a loja Daslu.

2. Tem que tornar as penas mais duras, porque daí os bandidos pensarão duas vezes antes de cometer crimes. Nem é preciso argumentar muito, é só olhar os índices de violência nos EUA, cujas leis penais nos diversos estados não tem nada de brandas.

3. Discriminalizar o consumo de drogas acabaria com o tráfico. B-A-L-E-L-A. Se fosse assim, não haveria quadrilhas especializadas no contrabando, descaminho e pirataria de produtos que possuem suas versões perfeitamente legais, como pilhas, lápis, baralhos de cartas, cigarros, remédios, roupas, calçados, eletrodomésticos, aparelhos celulares, maquiagens, cosméticos.... E o consumo das mercadorias ilegais também não diminui por causa da existência das mesmíssimas mercadorias legais.

4. Tem que dar estudo, porque assim, principalmente os jovens terão outros caminhos. Ahhhhh, tá, como se não houvessem colarinhos-brancos, juizes, policiais, advogados, médicos, engenheiros e tantos outros relacionado a grandes crimes e quadrilhas.

5. O esporte é o caminho! Esporte afasta os jovens do crime, da droga, ensina disciplina... Expliquem isso ao Maradona, por favor. E ao Bruno, ex-goleiro do Flamengo. E a tantos outros.


O crime, como aponta a imagem, está em toda parte. Está até mesmo dentro de nós, porque a tentação do caminho mais fácil é sempre presente.

Sem falso bom-mocismo, façamos nossa parte no combate ao crime evitando cometê-los. E não financiando quem os pratica.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Como desandaram as novelas

Novela boa foi esta aqui!
Mãe madura e bem-sucedida faz mil caretas com um envelope nas mãos...
- Filha, uma carta pra você.
Vai à mesa farta e diversificada que qualquer família brasileira tem. A menina passa geléia de damasco no queijo curado, mas não morde, antes abre o envelope...
- Ah, é a vizinha do 507.
- O que ela quer?
- Que eu pare de dar pro marido dela.
- Você está tendo um caso com um homem casado?!!
- Mãe, deixa de caretice! Esse discurso do século vinte não pega mais, valeu! O corpo é meu, eu faço o que eu quiser com ele. Esse papo de casamento é invenção patriarcal pra subjugar a mulher e tolher seu direito de escolha! Quando duas pessoas se curtem, tipo, tudo rola, não tem hipocrisia!
- Pelo menos você está se prevenindo?
- Sim, já deixei a clínica de teste de DNA paga.
- Essa é a minha filhinha!
Toca a campainha e a empregada paulistana com sotaque pernambucano vai atender...
- Mãe, tô indo pra praia.
- Também estou saindo, vou pra clínica de estética.
E ficam o dia inteiro fazendo o que disseram que iriam fazer.
Enquanto isso, no núcleo de cotas, todos observam o garotinho que está reaprendendo a andar com suas muletas...
- Para onde você vai, nessas férias?
- Vou para Piropó do Quiproquó.
- Ah, lá tem paisagens lindas, cheias de brasilidade.
- Pois é, e a sua mãe?
- Vai bem, fazendo crochê para se distrair.
- Ê, vida de aposentado!
Todos riem da piada. Juro, a última fala foi uma piada politicamente correcta. Por que não está rindo, seu... seu... seu politicamente incorrecto!!!
De volta ao núcleo de classe média, mãe e filha decidem ir para Nagasaki, assim, de sopetão. Apenas pegam o táxi, vão para o aeroporto e embarcam. Fácil! Não entendo porque todo mundo não passa um fim de semana no exterior, de vez em quando!
Mãe e filha encontram no Japão seus amores da escolinha. Se abraçam, se beijam, fazem piadas que só seus pares entendem e vão para um restaurante. Não comem nada, só conversam...
- O que você tem feito?
- Ah, ando tendo uns projectos de abrir uma clínica de massagem holística no Brasil.
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- O que você tem feito?
- Tô pensando em voltar pro Brasil, tocar uns negócios do meu pai.
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- Não sabia que você tinha uma filha, desconsiderando que não nos víamos desde 1986.
- Ah, foi do meu casamento com o Armando. Lembra do Armando?
- Lembro, como vai ele?
- Virou o garanhão da novela, tem uma clínica cirúrgica em Ipanema. E você, tem filhos?
- Não. Estou solteiro até hoje...
Voltam para o Brasil na tarde de domingo, à noitinha desembarcam no Rio e voltam para casa, na Barra da Tijuca. A mãe então faz uma revelação, o amigo que encontrou no Japão, onde todos entendiam português...
- Ele é o seu verdadeiro pai.
Escândalo! Escândalo! Escândalo! Mãe e filha rompem e se odeiam para sempre, a menina só volta uma vez por semana para pegar a mesada. Passa a morar com uma amiga do núcleo cômico da novela.
Cinqüenta capítulos depois, a menina reaparece de mala e cuia, dizendo que está grávida. O pai é o padeiro da confeitaria da esquina, que é gay, mas estava bêbado na noite em questão. A mãe decide ligar para o ex-marido e para o verdadeiro pai da menina, ambos dizem o mesmo...
- Eu te odeio! Você me escondeu a verdade por todos esses anos! nunca mais quero falar com você!
Ela chora e decide acolher a filha sozinha.
No dia do parto, sem ninguém ter avisado, pai e ex-pai aparecem, se cumprimentam...
- Como vai?
- Muuuuuuuuuuuuuu!!!
Não ficam amigos, mas perdoam a traição. Então o padeiro do Bexiga, meu, aparece, com sons de choros ao fundo...
- Nasceram, meu! É tudo umas lindeza, meu, as cinco!
Termina a única fala dele na novela. Infelizmente a menina-mãe morre, não sem antes perdoar a mãe por ter escondido tudo. No último capítulo, os quatro aparecem em um parque em pleno horário comercial, quando todos deveriam estar trabalhando. O pai das crianças fica mudo, mas os avós e o ex-marido falam...
- Elas não são lindas?
- São! Saudades dela!
- Muuuuuu!
- Tudo bem, o importante é que ela me perdoou.
FIM... Graças à Deus!


Por muitos anos todas as novelas foram variações disto. Era tão ruim e repetitivo, que bastou começarem a fazer uns pastelões mequetrefes que, por comparação, todos estão achando o máximo.
Eu passo. Fico com a sessão nostalgia do Youtube.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Só amanhã...

Pensando hoje (quarta feira) no que deveria postar amanhã (quinta feira), comecei a lembrar de filmes e canções que tem a palavra no título. Vamos às músicas, primeiro.

Em português, a pesquisa gugólica de sempre me traz como primeira colocada uma da qual eu nem ouvi falar. Vamos ver a letra:

O Amanhã (Detonautas): Quando vem o amanhã incerto/a certeza me faz ver o inverso/já não tenho mesmo medo de me repetir/
a verdade disso tudo é o que me faz seguir/(refrão)/Pra que mentir/Se os dias vem e vão/ Não vou mudar em vão/e não me vejo aqui(...).

Pareceu-me um tanto sem sentido, mas né? Podia ser pior. Mas eu ainda prefiro a canção "Amanhã", homônima de Guilherme Arantes, segunda colocada na busca:

Amanhã/Será um lindo dia/Da mais louca alegria/Que se possa imaginar/Amanhã/Redobrada a força/Pra cima que não cessa/Há de vingar/Amanhã/Mais nenhum mistério/Acima do ilusório/O astro rei vai brilhar/Amanhã/A luminosidade/Alheia a qualquer vontade/Há de imperar/ Há de imperar!

Em inglês, a primeira que aparece é da jovem Avril Lavigne, Tomorrow, e fala de um amor que jura que vai mudar. Mentirinha!!!!!!!!!! Quem quer mudar muda, ora essa, e não é um amor que promove isso. É sempre a própria pessoa.

Em francês, uma bela letra, que fala do amanhã sem esquecer do ontem. Uma lição importante, aliás, em Chanson Pour Hier Et Demain. Vale a pena ouvir, o linque anterior tem uma amostra da canção.

Quanto aos filmes, começa a lista por "O dia depois de amanhã', aquele da nova era do gelo, prossegue com "Amanhã - quando a guerra começou", com base no livro homônimo, que trata de jovens que, ao retornar às casas, percebem que uma guerra assolou sua vila e talvez todo seu país. Daí se segue por diversas remisssões ao primeiro citado.


O amanhã, parece, é menos assustador cantado que filmado.

Na primeira imagem de busca, o amanhã é um livro aberto em frente ao mar.
Gostei.

domingo, 14 de novembro de 2010

Demônios-Internos vive

   Aos leitores que ainda nos brindam com sua paciência e sua sapiência, posto que ainda não nos mandaram um vírus de protesto, aviso que uma das crias do Talicoisa ainda vive. Parcamente, mas vive. O blog Demônios Internos (see here) ainda recebe textos esporádicos deste humilde e magnânimo escriba. Não, não é um blog satanista, muito pelo contrário, nele eu verto meu pequeno arcabouço para informar e desmistificar o que não deve permanecer no mundo místico, posto que quase tudo não passa de bobagem inventada pelos homens.
Nem todos vão gostar, muitos vão querer, munidos do livro que o Império Romano picotou e remodelou ao seu bel-prazer, me converter; a estes peço que poupem seu português, estudem um pouco de latim para saberem o que realmente estava escrito.
Aos que querem saber os motivos e comer os biscoitos de sapiência que as escrituras sacras ainda oferecem, gardei um pouco do último chá que ofereceram e acredito que são suficientes para todos. Em especial aos cristãos que sabem que nada surge do nada e nada vai para o nada, como os espíritas e os luteranos, guardo os recehados.
Querem saber o que há por trás do ano de 2012? Lá eu explico. Desmistificar a astrologia também, bem como recomendo uma de minha confiança.
Vão lá que me esforço com carinho em actualizar e ajudar a exorcizar os nossos demônios internos, aqueles que todos temos e poucos admitem. Pois quem não os tem já não está preso à Terra.
No que depender de mim, os anjos permanecerão plugados, prontos para nos darem o exorcismo ou o baptismo de que precisamos, o que for mais urgente... Tá, muita gente vai ter que passar por maus bocados, nas primeiras leituras, mas depois verá que não constitui nenhuma ameaça, a não ser para as trevas.
Cliquem nos links e apreciem, é de graça, pois de graça me foi dado e assim ofereço.

Edição: Um simples entretenimento que, para quem tiver discernimento, trará reflexão.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Da auto ajuda

É dos gêneros mais atacados no mundo, especialmente pelos que se intitulam "intelectuais", mas que raramente fazem algo que preste ou não seja em louvor ao próprio ego. Gente que gosta de ofender e sair impune, só para "ter razão", como se isto resolvesse algum problema, além de alimentar seu ego e inchar seu umbigo. O povo deve se manter alerta, vigilante, mas lembremos que o povo é formado por gente. Gente tem  momentos de intensa euforia e extrema tristeza, ambas são nocivas. É gente com vida sexual normal, pelo que se pode deduzir que sexo (às vezes) ajuda, mas o problema continua lá. Sexo só estimula a parte mais animalesca e egoísta da pessoa, não resolve o que causa o apuro. Se sexo resolvesse, a Europa não teria suicídios e estes não seriam tão banais entre adolescentes. Eu não faço uso de auto ajuda, na verdade até mesmo desabafar não tem efeito significativo para mim, só que eu não uso de minha visão interna de mundo para dizer se isto ou aquilo presta ou não, eu investigo, geralmente por anos.
Os maiores detratores da auto ajuda são os que nunca precisaram e nunca se aprofundaram no assunto. Eu convivo (cada vez menos, infelizmente) com profissionais de saúde mental, que me mandam slides afins regularmente. Não bastasse o respeito pelo outro ser um motivo civilizatório suficiente, eu testemunhei muitas vezes o bem que um livro de auto ajuda, escrito por gente competente, é capaz de fazer por uma pessoa.
Pessoas com problemas pessoais graves não se sentirão melhor lendo algo duro, combativo e que gera incômodo social. Se incômodo resolvesse algo, piolho seria medicamento. Para quem não sabe, muita gente tem depressão e enfrenta imensas dificuldades para ver uma luz no fim do túnel, especialmente porque essa luz muitas vezes se move, faz "chuc-chuc" e apita. Um autor endeusado pelos catedráticos enraivecidos e inimigos do cidadão comum não vai ajudar, vai é precipitar um suicídio de tanto pessimismo que acrescentará. Eu não entrei em congressos para concluir isto, eu testemunho isto na vida real, a que sustenta seus congressos. Na vida real as pessoas precisam se sentir bem, ter um lampejo de esperança em algo, qualquer cousa pode servir de bóia e evitar que ela afunde e não consiga mais emergir sozinha. Claro que isto não importa aos engomados e revoltados, especialmente porque estes são os que mais se beneficiam da tristeza e da desesperança, se candidatam a qualquer cargo e se aproveitam do péssimo estado de espírito em que a população é colocada para se declararem "A solução".
O que mais revolta essas pessoas, é o facto de os outros não adoptarem sua visão interna de mundo e não agirem como querem que ajam. Acontece que mesmo duas pessoas que convivam vinte e quatro horas por dia, a vida inteira, não têm a mesma visão interna de mundo. Então apelam para uma ideologia, ou uma religião extremista, ou qualquer outro grilhão de papel, e passam a se ver como a reserva moral ou intelectual do mundo. Uma ideologia uniformiza e faz parecer que os envolvidos têm essa mesma visão de mundo. Basta um momento de tranqüilidade para as divergências aparecerem, então evitam relaxar. Mantêm sempre palavras de ordem e frases prontas na ponta da língua para manterem a ilusão. Gente se sentindo melhor, sem ser pela desgraça de seus desafetos, então, incomoda muito.
Dizer "eu não vejo como isso pode ajudar alguém" é bem diferente de "larga essa merda e vai ler algo que preste, seu alienado". É também a diferença entre manter e perder o amigo, ou manter e perder os dentes se for comigo. Quem diz que não vê como pode ser útil, não conhece. Apenas lê algumas frases soltas e retiradas do contexto, para depois praguejar e voltar a protestar contra tudo isso que aí está, para se dar a ilusão de que está fazendo algo... O que não deixa de ser uma auto ajuda bastante torta. Mas em vez de fazer refletir, simplesmente te coloca como vítima cheia de boas intenções em uma sociedade que merece ser destruída. Coitadinho. Ninguém dá importância para sua literaturazinha que incita e incomoda... Se incômodo resolvesse algo, a tensão pré-menstrual seria medicamento.
Há os engodos, as ovelhas dolly da vida, como em todas as éreas da actividade humana. Há as revistinhas diabéticas que só soltam frases como "Meu momojinhu eh soh poxeh viuuuuuuuuuuuuu!!!!!". Aí o excesso de açúcar causa vômito mesmo, mas até mesmo esses pedaços de papel grampeado conseguem ser úteis a alguém. Revistas de adolescentes não primam pelo conteúdo, salvo raras excessões. Autores competentes como Içami Tiba (de quem já tive o prazer de ver uma palestra), Flávio Gikovate e Rosana Braga são os que recomendo. Têm uma grande lucidez, não aparente, daquelas que saem de quem simplesmente acredita do que fala, mas a sólida, daquela que os anos e a experiência acimentam. Ah, sim, os nomes são links, cliquem neles. São gente com experiência e conhecimento de causa, que sabem o que o como dizer. Eles estudam para terem o que dizer.
Frases bem ditas, no momento certo e no tom certo, conseguem aliviar o dia de uma pessoa sensível; ou seja, a pessoa comum. A base empírica da auto ajuda é justamente esta, usar o poder de uma palavra bem colocada para que a pessoa encontre em seus meios a própria saída. Então, já livre de idéias imbecis, ela poderá ler Marx, Maquiavel, Júlio Verne e o que mais quiser, sem medo de ter uma piora de seu quadro. O aparelho roteador que é o cérebro, em sua imensa vulnerabilidade, é facilmente reprogramável pelas palavras certas, ditas no tom certo e acompanhadas do apoio certo; foi o que o nazismo fez com a Alemanha, é o que seitas fanáticas fazem com seus seguidores, é o que faz uma humilhação verbal doer em quem a recebe. É o cérebro que nos conecta ao mundo, usando as antenas dos cinco sentidos, é ele quem nos diz o que é o mundo que nos cerca, e ele é altamente sugestionável. Eu mesmo costumo me reprogramar com relativo e suficiente sucesso. Basta uma imagem chocante ou apelativa para que a pessoa se sinta incomodada ou estimulada, é muito fácil fazer isso, qualquer publicitário sabe como. Com frases não é diferente. Até hoje a frase "Coca-Cola é isso aí" dá sede em muitas pessoas, ainda que tenham acabado de beber litros de água.
Quem não gosta do gênero, é uma pessoa normal que tem gostos próprios, eu torço o nariz para muito do que sai a respeito, como creio ter deixado claro no artigo. Quem ataca é ignorante ou doente, doente pela insensibilidade à dor alheia. Não foi uma vez, nem uma dúzia, foram incontáveis em que uma frase simples, dessas que eu digo sem pensar e sem intenções, ajudou a mudar completamente o dia de uma pessoa, a ponto de me dizer que era tudo o que precisava ouvir de alguém. Auto ajuda não é dizer o que a pessoa quer ouvir (isto os radicais fazem), é dizer o que ela precisa ouvir, e muitas vezes uma palavra dura pode bem acompanhar o contexto de uma mensagem bonita. Uma das formas que mais gosto de usar é a parábola, que é difícil de preparar e temperar, ma quando o é gera mais efeitos benéficos do que eu pretendia. Os contos de fada não foram sucesso à toa, eles imbutem no inconsciente noções de limites e riscos. Para quem sabe ler, e se empenha na leitura, podem ser considerados (também) livros de auto ajuda. Hoje é que se desdém tudo o que não for explicitamente destruidor e estimulante do ódio a qualquer cousa, então a reflexão que esses livros porporcionam a longo prazo caiu em desuso e "contos de fadas" passou a ter conotação prejorativa.
Não me importa se tu gostas ou não de um gênero, seja do que for. O problema se forma quando o "não gostar" se torna pretexto para denegrir, querer ter razão a qualquer custo e acentuar tua mentalidade desequilibrada. Todos temos algum desequilíbrio em algum grau, mas muita gente tacha de hipócrita quem não o alimenta, passando a acalentar em vez de simplesmente encarar de frente sua fraqueza de caráter. Auto ajuda age como uma base, que ajuda a atenuar a acidez desse desequilíbrio, o que não agrada a quem o cultua como se fosse uma droga. Enquanto remoer em si mesmo o rancor, é problema pessoal, se abrir a boca para atacar os outros o problema é público.
De minha parte, gosto de ver uma pessoa se reerguendo por seus próprios esforços, ainda que auxiliada, e retomando seu caminho na vida. Gosto de ver as pessoas se melhorando, se importando umas com as outras, ainda que precise tomar um litro de água após uma explanação, para atenuar o excesso de açúcar. Mas na maioria das vezes nem se precisa ser muito doce, uma sentença tirada do arcabouço de minhas experiências de vida costuma ser suficiente, ainda que eu não me dê imediatamente conta dos efeitos do que disse. Ninguém ficou alienado, pelo contrário, todos voltaram a raciocinar por conta própria e dispostas a agir. Quem dialoga sem pretensões, com conteúdo para oferecer, está fazendo o serviço de auto ajuda.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ipês em flor

Em plena florada, os ipês nos brindam com imagens fabulosas.

O amarelo é a árvore símbolo do Brasil.

A palavra significa, aproximadamente, árvore de casca grossa (tupi-guarani).

Pelo menos em algum lugar casca-grossa significa algo belo, não?

Aqui mostramos, na ordem:
amarelo, rosa, branco e roxo.

Morram de inveja, folhas de outono.

sábado, 6 de novembro de 2010

Ela sintetiza o mundo que eu quero

Teve tudo para ser uma dondoca mimada, mas mais seguidora das pregações do Cristo, não há. Ela conheceu a fome na guerra e fez disso o tradutor para compreender a dor do próximo que o mundo desprezava.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Salvem o Gustav Ritter

Centro Cultural Gustav Ritter
Fundado pelo imigrante alemão Henning Gustav Ritter, o Centro Cultural Gustav Ritter é um dos mais respeitados do Estado. Localizado em Goiânia, no setor Campinas, bem em frente à janela do meu quarto, é responsável pela formação sólida de músicos, dançarinos, actores e ainda prepara para o vestibular. (informações e photos aqui)
É um alívio ouvir passos de sapateado e dança flamenca, logo após um imbecil passar com o som do carro ligado no último volume, fazendo alarmes dispararem e cabeças doerem, inclusive a minha. Digo "som" porque "música" eles não ouvem. Vocês ouvem jazz sem precisar do phone de ouvido? Música clássica? Blues? Eu ouço não só isso, mas também músicas sazonais e comemorativas antes do resto da cidade.
Já acompanhei várias vezes a evolução de alunos que começaram com uma cacophonia controlada, e em poucos meses já tocavam com maestria, desde músicas militares até a marcha imperial de Darth Vader, como o apresentado no vídeo do link. Sim, fãs de Guerra nas Estrelas, eu tenho esse prazer e vocês não. O repertório é tão eclético quanto bem escolhido, vocês têm que vir para ver.
Também é um colírio ver as pequenas bailarinas, pouco mais que bonequinhas de corda, saindo serelepes com suas mães, aquelas já cansadas e suadas, mas sem dar o braço a torcer à fadiga. Saem felizes as pequenas pelo dia recheado, e as mães porque seus rebentos tiveram uma actividade sadia e que vai ampará-los por toda a vida. Claro, também há as moças, elegantes, altivas e com aquele ar de dignidade que em muitos lugares faz parte apenas do passado. É quase anacrônico, mesmo com as adversidades que enfrentam, a altivez faz parte da grade.
Hoje mesmo duas bandas marciais estiveram na praça da matriz, em frente à entrada, fazendo um ensaio para o dia da proclamação da república. Preciso dizer que foi um espectáculo? Que todo mundo parou para ouvir? Que é um dos poucos privilégios que Campinas ainda reserva aos campineiros? Vocês podem até imaginar, mas só presenciando para sentir a alma leve e revigorada pela boa música, pelas notas afinadas, pela progressiva e contínua melhoria dos alunos, por ter cultura perene à disposição quando o país se preocupa com o destino de um "reality show de horrores".
O mais impressionante do Centro Cultural Gustav Ritter, porém, é a resistência ao descaso. Cultura nunca foi prioridade no Brasil República para absolutamente nenhum presidente. Nem mesmo um blog no nome do centro cultural eu encontrei, por mais que procurasse. O que acontece aqui é um crime contra a formação sócio-cultural de uma juventude inteira, que carece até de leitura simples. Se aproveitando do desdém que o povo costuma ter com manifestações culturais que não estimulem a pubis, o governo virou as costas durante os meses que precederam o pleito eleitoral, muitas vezes nem segurança interna o centro cultural teve. Na verdade faz tempo que não sei de guarda noturno. Piora o facto de um ginásio semi-abandonado dividir a quadra com ele, é um ponto de venda e uso de drogas que o prefeito e o governador não se preocupam em utilizar, o que afastaria os meliantes. Não sei o que se passa em suas cabeças, decerto que não é o bom andamento da cultura. Nem a boa formação artística e social que essa garotada tem lá dentro, muito menos o amor com que os professores se dedicam à instituição.
Faz não muito tempo que vagabundos atearam fogo à massa vegetal, que restou da poda do bosque que há dentro da meia quadra que o Gustav Ritter ocupa. Essa massa de folhas e galhos ficou na calçada por dias, sem que a prefeitura se dignasse a recolher, o que é uma obrigação básica. Não se trata de uma instituição privada que pode tomar decisões de gastos sem dar satisfações, é um instituto público, que depende do governo para sua manutenção. Ainda hoje as marcas do vandalismo estão no muro chamuscado e descascado pelo fogo. Bombeiros? Estavam muito ocupados com as queimadas no cerrado, o contingente não dá conta do campo e da cidade ao mesmo tempo. Repito, a prefeitura negligenciou uma obrigação básica, não era nenhuma tarefa cara nem extraordinária, era só mandar um caminhão recolher o entulho e pronto.
O belo prédio já foi um convento, ainda hoje conta com uma capelinha em cuja frente há uma bela imagem em azulejos. Provavelmente pelo pouco uso, é a parte mais preservada. Enquanto o Estado se limitava a passar demãos de tinta em cima da pixação do muro, a estrutura sentia o peso dos anos e da negligência. Portas com lascas arrancadas são a regra lá dentro, fora o piso típico dos anos trinta e quarenta que há anos pede restauro, que sabemos que não virá se não se tornar um escândalo, mas deve ficar lindo nas condições originais. Nem falo da escadaria, vocês vão chorar.
Mas o que é um centro cultural de uma capital interiorana, quando o país está tão imerso em discussões estéreis entre os que odeiam e os que idolatram o presidente e sua equipe? Que vantagem há em preservar uma instituição que nunca foi adoptado por nenhum artista ou político de prestigio nacional?
O que se tira de bom do episódio lamentável é o amor que os professores demonstram. Já mandaram alunos para companhias do exterior, mesmo com a miséria que o Estado lhes paga, afinal balé é dança de fresco, de burguês, de veado, enfim, não dá voto. Mesmo assim eles conseguem burilar e lapidar os alunos com a paciência e a dedicação que verdadeiros mestres oferecem aos discípulos. Houve no meio do ano um protesto dos mestres por conta da situação precária do instituto, os pais tomaram a frente e me parece que um mínimo foi atendido. Mas foi só. Não fosse a polícia militar, os traficantes já teriam invadido e expulso todo mundo, porque rondar eles rondam todos os dias.
Eu sugeriria, se o próximo governador tiver um pingo de interesse pela cultura, uma reforma emergencial e completa, do piso ao telhado, para dar condições dignas de trabalho e aprendizado. Depois o aparelhamento e a contractação de gente, porque eles precisam, o efetivo é pequeno para a procura. Indo mais além, eu incorporaria o terreno do ginásio, que hoje é um mocó, ao do Gustav Ritter, porque o espaço também está se tornando insuficiente para a demanda. De quebra é um lugar a menos para a bandidagem agir. Não bastasse a tranqüilidade de um bairro menos violento, imaginemos em um esforço de optimismo o cenário: O dobro do espaço, instrumentos em perfeitas condições e acrescentados, material humano suficiente e talvez o triplo ou mais de jovens (dos oito aos oitenta anos) atendidos. Com o tempo se poderiam fundar uma sinfônica, uma filarmônica, uma orquestra que rivalizaria com qualquer outra no mundo. O corpo de dança fazendo mais apresentações, promovendo bailes temáticos, chamando de volta os moradores que foram embora do bairro. Campinas já foi um bairro residencial agradável de se viver, assim como o Gustav Ritter já foi muito melhor cuidado pelo poder público. Os professores, e muitos dos alunos, podem suprir facilmente as escolas públicas com aulas de suas competências, seria apenas uma questão de planejamento e vontade firme.