quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Exklusive Weltpremiere: Gabi Petrucci in Talicoisa!

Pois é. Como tudo na vida muda, o Talicoisa não podia deixar de seguir a temdemsia. A partir de hoje, iniciamos uma série de mudanças no blog. Tanto no Cast, como no visual.

Como profetizou Adriane, a Dominação Talicoisica começa agora!

Coro grita: MENOS, FIO!!!

Tá bom. A gente vai só fazer umas mudanças no lay-out, e vamos ter novos autores no Cast. Isso é fato. E sim, vamos chamar amigos, pessoas que conhecemos, e cujas as mesmas tem capacidade e (na verdade) tempo pra escrever aqui, também.

Sim, somos nepotistas. Who cares, by the way?

Mas hoje, temos a estréia da Gabi, "a menina que sonha ser psicóloga, aspirante a fotógrafa, e quer sair pelo mundo sem destino e com uma câmera à tira-colo.", do Psiquê Cotidiana.

Eu, particularmente, acompanho o trabalho dela há um bom tempo. E sei da capacidade e talento dessa garota. Ela pode não ter muita experiência, mas tem talento de sobra.

Tudo bem, a gente aqui tem experiência de sobra e talento em falta, mas anyway..... ¬¬

Gabi, boa sorte, bons textos, e seja feliz. E que este seja apenas o primeiro de milhares de textos.

Como disse Ozzy Osbourne à sua Kelly, estreante na MTV, "Go get'em, babe..."

REINÍCIO

Costumo dizer que a vida é feita de fases e cada fase deve ser fechada para que uma nova comece.
Recomeçar não é necessariamente estar por baixo e conseguir vencer.
É ter discernimento para mudar aquilo que você sabe que está errado e lutar por uma melhora.
Recomeços são constantes e muitas vezes imperceptíveis. Com uma pequena atitude você pode mudar todo o curso de sua vida, isso é um modo de reiniciar.
Cada um tem um modo de reagir aos seus reinícios, uns se assustam, outros se deprimem, ainda há quem pratique o desapego, não só o desapego material, mas o abandonar velhos hábitos.
Desapegar talvez seja a melhor forma de crescer. Como se fosse um ritual, no qual você deve doar para receber, uma forma de demonstrar que o passado ficou para trás e que agora você pode seguir em frente, livre, leve e solto.
Algumas vezes, depois de um desapego tão radical é normal uma sensação de arrependimento, mas não é um arrependimento do tipo: "droga, por que eu fiz isso?", diria que é o baque da realidade, é a hora de acordar e entender que cresceu. O passado ficou onde é o lugar dele e agora você caminhará para uma nova fase.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O inferno são os outros

Gente, agora são 20:30. Cheguei em casa às 19:40, mais ou menos. Ao chegar, vi meu vizinho lavando a calçada com lava-jato. Fui levar o lixo para a rua e tive a desagradável surpresa de vê-lo ainda lavando a porcaria da calçada. Fico revoltada com essas coisas, parece que a pessoa não vê tevê, nem lê jornal, não tem consciência de nada. Queria criar uma organização terrorista e acabar com a alegria dessa gente, viu? Lavar calçada não pode!

Vizinhos são assim mesmo, só servem para incomodar. Falando em calçada, quando eu morava em outro bairro, havia uma mulher que também nutria um certo fanatismo pela frente da casa dela. Ai de quem ousasse passar naquela calçadinha de lajotas vermelhas! A mulher se dava ao trabalho de aparecer na janela e xingar! Parecia cachorro, “este território é meu!”. Tem louco para tudo no mundo.

Vizinhos também adoram uma baixaria. Quando se separam, todo mundo precisa ficar sabendo. Foi assim com um casal do meu antigo bairro. A mulher mandou o homem embora, e ele foi. Mas passava na casa dela diariamente, para trocar insultos cabeludos. Ela dentro de casa, ele no portão. Isso que eu nem contei a vingança maravilhosa desse tiozinho. Ele sabia que a mulher dele gostava de tomar chimarrão debaixo de uma árvore que ficava na calçada (de novo!). O que ele fez? Foi lá e cortou a árvore, claro! Esse aí também merece um ataque terrorista.

Vizinhos nunca têm bom gosto musical, já repararam? Já fui acordada por um louco ouvindo Demônios da Garoa num domingo de manhã. Não consegui dormir direito ontem por causa de uma festinha, em que tocaram até Alcione – e cantaram junto, bem alto.

Vizinhos jovens conseguem me causar vergonha alheia. Eles acham o máximo ouvir rock bem alto. Mas não é rock do bom, é NX Zero. Um dia, descobrirão que NX Zero é tão ruim quanto Backstreet Boys. O tempo me dará razão. Até lá, finjo que não estou ouvindo e procuro lembrar do meu tempo. Eu ouvia música bem alta. Mas era Ramones. I rest my case.

Vizinhos fazem churrasco em momentos impróprios, só para irritar a gente. A gente fica em casa, comendo macarrão e sentindo aquele cheiro maravilhoso de carne assada. Isso é tortura! Ataque terrorista nessa gente!

Do meu lado, prefiro ser uma vizinha invisível. Ninguém precisa saber dos meus gostos musicais, nem das minhas brigas, nem o meu nome. Só não posso evitar que sintam o cheiro da minha comida. Talvez meus vizinhos saibam que só sei fazer miojo ou pipoca... E isso é tudo que eles precisam saber.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Eyeko: maquiagem cuti-cuti

Recentemente descobri a Eyeko e a vida ficou mais "awnn". Nunca tinha visto uma linha de maquiagem tão fofinha assim e aí fui pesquisar sobre a marca: só li coisas legais - tanto sobre a qualidade dos produtos quanto à foffys das embalagens.
A Eyeko é da Inglaterra, mas para nossa alegria eles vendem os produtos para o mundo inteiro através do site e o melhor de tudo é que o frete é grátis - sempre.
E colocando o código de uma das meninas que são embaixadoras da marca, eles ainda enviam um outro produto de brinde.
Fiz meu pedido, mas como essa época de fim de ano é confusão pura, ainda não recebi. Não vejo a hora dos meus lip balms, esmaltes, delineador e cremes chegarem (sim, comprei tudo isso, dei a louca total).
A roupagem fashion da marca é com certeza uma das coisas que mais atraem as consumidoras, é tudo muito bonitinho - e nessa hora a gente pensa: que droga que não existe nenhuma marca assim aqui no Brasil!
E é verdade, apesar da melhora nos últimos anos, ainda não vemos produtos como esses ao alcance de nossas mãos nas prateleiras - ou mesmo no catálogos...
A Eyeko se inspira nos mangás para elaborar todas essas fofisses, já ouvi vários elogios sobre o rímel (Eyeko Mascara) e parece que ele realmente deixa os cílios grandões estilo desenho japonês.
O que mais chamou minha atenção foi o delineador (Magic Liquid Eyeliner): ele transforma qualquer sombra em delineador. Assim que o que eu encomendei chegar, vou testar várias cores - ao mesmo tempo: a louca do delineador. Não se assustem se virem uma mini drag queen por aí, vou explorar o lado Priscila da vida. Sem o deserto, né? Já tá quente demais aqui no Nordeste.

Nem vou falar mais sobre os produtos (última coisinha: as embalagens dos esmaltes são as mais lindas que eu já vi na vida). Corram todas para o site: http://www.eyeko.com/
As brasileiras gostaram tanto que o pessoal da marca incluiu descrições em português para todos os produtos, então, mesmo se você não souber nadinha de inglês, irá se sentir em casa.
No meu próximo post sobre a Eyeko irei mostrar minhas comprinhas. Se divirtam :)










Rosinha não, mamãe!!!


É consenso que o rosa já teve seu apogeu, e que durou bastante. Mas hoje a cor vive um paradoxo, é oferecida aos borbotões para o público feminino, vendendo a contento, mas grande parcela deste mesmo público o rejeita com ódio hepático. Tem gente que compra a bola da Barbie só para poder chutá-la todos os dias sem arcar com a compra diária de uma boneca nova, não somente pela onda anti-americana que ainda tem eco, mas porque poucas cousas são mais cor-de-rosa do que o mundo desse brinquedo... Talvez a Penélope Charmosa, mas só agora ela está sendo revigorada.

Algumas empresas exageram, oferecendo artigos nas cores rosa e roxo exclusivamente para as mulheres. Neste ponto, estou de acordo com as mais exaltadas, pois além de discriminar os meninos, que não têm artigos que possam chamar de específicos, fica a impressão de que o mundo de uma mulher é e deve continuar a ser rosa. De facto deprimente. É querer ver um cantor cantando vinte e quatro horas por dia, ad infinitum.

Mas a concordância acaba aqui, porque rosa e azul são sim as cores da mulher, simplesmente porque as mulheres são de sua própria concepção, superiores aos homens. Confusos? Explicarei os motivos, mas não asseguro que ateus e crentes radicais vão gostar, provavelmente não, pois tratarei de espíritos superiores e afins.

Rosa não simboliza o amor puro, é a cor que emanam os que já compreendem e detém o amor puro, que é algo muitíssimo acima da condição humana. Azul claro é a aura de criaturas absolutamente serenas e equilibradas, o que também está além de nossas parcas capacidades. Por isto os espíritas mais eruditos e humildes (raríssimos) aconselham as mulheres a usarem combinação de branco com azul ou rosa na indumentária. Uma mulher precisa do homem apenas para se reproduzir e tem certeza de sua maternidade; o homem depende da mulher para se reproduzir, sobreviver ao primeiro ano de vida, garantir a segurança dos filhos e, principalmente, só com o advento da genética pôde ter certeza da paternidade... Se o médico não for muito amigo dela, claro.

A tal “revolução sexual” marcou o declínio da ligação entre o feminino e a cor rosa. Por uma imbecilidade extraordinária que só nós homens somos capazes de executar a contento, o azul (filtro e protetor espiritual, entre outras propriedades) foi tomado das mulheres, que ficaram só com rosa e branco. Essa mesma estupidez nos fez colocar o sistema nervoso periphérico acima do central, fazendo com que a brutalidade tomasse o trono do intelecto... Só assim para membros flácidos do nosso gênero se sentirem superiores às suas esposas. Com isto, a mulher e tudo o que lhe diz respeito passou a ter papel secundário nas sociedades pós-atlânticas. Com o rosa não foi diferente, passou a simbolizar (mentirosamente) fraqueza e submissão, o que o mulherio ávido por liberdade e dignidade não poderia nem deveria tolerar.

O problema é que muito dos conhecimentos que incomodavam a sociedade mais machista da nova história, a romana, foi extirpado de textos sacros e proibido, incluindo a ciência das luzes e suas cores. As mulheres da sociedade cética da América do Século XX não tinham, então, noção de alguns erros que cometiam. Elas queriam se igualar aos homens, sem saber que isto as rebaixava, embora o materialismo reinante faça parecer o contrário. Uma mulher que saiba conduzir deu lar como as ancestrais faziam, não usando o amor pelos filhos para privar-lhes das conseqüências de seus actos, sabe conduzir uma empresa muito melhor do que um homem. A última crise é só uma amostra do estrago que a competitividade infantil e irresponsável, inerente à fraqueza masculina, é capaz de fazer ao mundo. Para eles tudo se resume ao desafio e ao gozo de humilhar alguém, se fosse só dinheiro o comportamento seria mais comedido. É falsa a premissa de que o mais forte sobrevive, as ossadas dos tiranossauros e a proliferação dos mamíferos são provas.

Alguns me perguntarão, então, por que Jesus veio como homem? Simplesmente porque Ele não é idiota, sabia que ninguém daria ouvidos a uma mulher. Ele fez o que era possível, não o que queria fazer. Mas fez tudo o que a masculinidade da época condenava, certamente muitos devem tê-lo achado afeminado por não ter se casado nem empunhado armas nem mesmo para defender sua carne e, principalmente, amou como poucas mulheres (e quase nenhum homem) são capazes.

Por tudo o que disse, afirmo que uma mulher que exagera no feminismo, se torna tão machista quanto os homens que diz combater, pois quer privar as outras de sua feminilidade. Não foi à toa que Mário Covas, no auge da ditadura, convocou as moças a boicotarem os militares nos bailes, ela sabia o que estava dizendo e da tragédia interna que isto causaria nas forças armadas. Ele e todo aquele com um átomo de sabedoria sabe, é o comportamento feminino que impulsiona e sustenta o mundo, que dá as ordens aos músculos dos homens, que é a mulher feminina (não confundir com afetada) com seu comportamento cor-de-rosa, a única força capaz de fazer um guerreiro chorar feito criança. Uma mulher que luta por poder corre atrás do que já tem.

O ceticismo criado pelo fanatismo misógino nos custou caro, mas tenho esperanças e apelo às moças que não se neguem para si mesmas. Nem tudo o que é do tempo da bisavó é ruim. É a capacidade de adaptação que elas tentaram transmitir às descendentes, não a força bruta, que garante a sobrevivência da espécie. Assim como os maus proliferam na omissão dos bons, é por querer trocar o rosa pelas conquistas que a selvageria do capitalismo fugiu às rédeas. Promiscuidade, queridas, não é conquista, é uma fraqueza masculina, que vive a repetir que a carne é fraca e mesmo assim faz suas vontades. Não se troca uma virtude por um mérito, este é conseqüência dela. Ser delicada e fazer uma tropa de marmanjos tremer nas bases é o que uma mulher faz de melhor, caso se permita.

Usar rosa não faz nada cair, não causa problemas de saúde e não abrevia a vida. Se alguém se afastar de ti por causa de uma peça rosa, então não merece a tua amizade. Não se limite a uma cor, mas também não se prive dela. Não foi o homem que inventou as cores e suas propriedades, estas já existiam antes da humanidade e continuarão existindo quando outra espécie nos suceder. Não será um vestido cor-de-rosa que vai te fazer de capacho para alguém, isto é trabalho para a auto-estima. Nem mesmo uma farda ajuda quando não se tem amor próprio, culpar e politizar uma cor é no mínimo infantilidade.

Para finalizar, algo que os especialistas já perceberam: Não é Barack Obama que manda nos Estados Unidos, é Michelle Obama. Por isto está dando certo. Ela não precisa do título, ela tem o poder.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O que eu queria do Papai Noel...

Que as pessoas lembrassem que Natal não é só a troca de presentes e ceias fartas, mas a comemoração do nascimento de um homem que mudou a história do mundo.

Ok, ele não nasceu no dia 25 de Dezembro, mas ninguém sabe o dia certo. Se foi convencionado esse dia, que seja ele...

Que as pessoas se preocupassem mais consigo mesmas, com o que fazem consigo mesmas, e com o que provocam a si mesmas e a aqueles a quem amam.

Sim, cada um tem o seu livre-arbítrio, mas custa um pouco de consciência?

Que se chegasse a um consenso sobre a paz mundial, sobre o aquecimento global e que dessem uma desacelerada na globalização.

Sim, é complexo. Sim, há interesses demais em jogo. Mas será que os interesses do SER HUMANO são tão insignificantes assim? Dinheiro é mais importante, MESMO?

Que ter consciência não fosse tão pesado, as vezes.

Porque há momentos em que, como diria Gregory House, "ignorance is bliss".

Que os ateus, em especial os que podem levar o selo "100% FFLCH" de qualidade, tivessem um pouco mais de compaixão (já que se dizem TÃO humanistas) pelos que tem fé, e entendessem que assim como eles tem o direito de não crer, isso não exclui o nosso direito em crer.

Porque, convenhamos... Crentes são chatos, mas ateus com ímpetos de "salvar o mundo" conseguem superar TUDO em termos de chatice.

Que o direito que eu tenho de viver em paz me fosse dado, sem ligar pra o que vai acontecer amanhã, ou no dia seguinte. Sem me preocupar com a vida que eu levei até agora. Sem ter culpa. Sem ter medo.

Porque sinceramente, não há NADA pior do que viver com medo.

Fora isso tudo, Papai Noel, eu também queria um Kindle, um Celta Zero, uma mala com R$ 50.000 reais dentro, e uma viagem pra Grécia.

Acho que fui um bom menino esse ano. Obrigado e que Deus o abençoe.



"Esse Fio me pede cada uma.... Bom, vai ter que ser só o Kindle, e dê-se por satisfeito..."






terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009 - Os que se foram

Em 2009 a Dona Morte liberou geral a foice e o negócio sobrou para um bocado de famosos - inclusive alguns musos deste humilde blog. Vamos lá:

Março:
Clodovil Hernandes (Clô para os íntimos):
Clô sempre foi uma figura presente nas nossas conversas, seu emoticon permance até hoje nos nossos bate-papos. Assim que ele morreu, algumas pessoas me perguntaram se eu continuaria usando o emoticon, mas eu nunca pensei em deixá-lo em desuso. É a minha homenagem ao divo!

Junho:
Michael Jackson:
Não foi uma surpresa, mas foi impactante. Todo mundo sabia que ele não estava bem, mas o problema é que ele já não estava bem há muito tempo, então, ninguém dava muita importância.
Fiquei triste pela morte dele, assim como uns 90% da população mundial. Eu não era fã, mas gostava de várias músicas do cara. Acho que ele deve estar melhor do lado de lá, talvez encontre a paz que ele não teve por tantos anos.
Setembro:
Patrick Swayze:
Era uma questão de tempo, já que a piora da saúde dele vinha sendo anunciada há vários meses. Mas não deixou de ser triste, pois foi um processo demorado e doloroso. Nunca fui fã e nem o achava lindo e maravilhoso, mas até que eu curto Dirty Dancing (Ghost eu já acho muito grudentinho, deve ser por causa da Unchained Melody - que eu sempre achei sacal).
Novembro:
Mara Manzan:
Que eu me lembre, nunca gostei de nenhuma personagem dela. Nem daquela do "cada mergulho é um flash". Ultimamente eu não acompanhei novela nenhuma.
Mas pelo que li, ela foi bastante corajosa e não se deixou abater. Além disso, na primeira vez que a Madonna veio a Brasil, Mara foi para a frente do hotel cuspir fogo. Ou seja, era uma pessoa, no mínimo, engraçada.
Dezembro:
Lombardi:
Só vi a cara do Lombardi depois que ele morreu. Foi uma morte totalmente "hã" - ninguém imaginava. A única coisa que eu pensei foi no que acontecerá quando chegar a vez do Sílvio Santos. Espero que isso demore de acontecer, não assisto o programa, mas o Sílvio tem um grande apelo.
Leila Lopes:
A diva LeiLo! Fiquei transtornada! Foi certamente a morte mais triste de 2009, ela devia estar com um alto grau de sofrimento.
Depois daquele vídeo clássico do "sol belo e azul" e do "Berenice, segura" eu passei a simpatizar com ela, dei muita risada, mas, para mim, ela era do tipo de pessoa sem noção e com aquela vibe esotérica, não do tipo que se mata com chumbinho. Leila permancerá, assim como Clô, no coração deste blog!
Brittany Murphy:
Mais uma que me chocou. Todo mundo aqui sabe que eu sou fã das Patricinhas de Beverly Hills.
A Brittany não é uma das minhas atrizes preferidas, mas ela fez vários filmes legais. E tinha uns olhões lindos que transmitiam alegria - era essa a imagem que ela me passava: de uma pessoa saudável e feliz.
Claro que além desses houveram outros, mas eu não irei falar sobre os uós tipo Celso Pitta.
E a dúvida mortal que nos consome: 2009 foi um ano particularmente mortal para as celebridades (e os musos dos web-hits)...Será que o Véio que comeu e não pagou ainda tá inteiro? Será que ele ainda anda pagando uns 5 reau por aí?

sábado, 19 de dezembro de 2009

Música Francesa - A Nova Geração


Finalmente, já em cores, a nova geração de cantores desde (mais ou menos) os anos 1980.
Muita cousa mudou, o mundo ficou mais frio, materialista de um lado e fanático do outro, mas quase todos querendo viver (em ambos os casos) mais sensações do que o corpo humano pode suportar. Mesmo assim a música francesa manteve as nuances celebráveis de sua estirpe. Sítios como Quebec Pop e
Audiogram são redutos destes novos e de velhos talentos que o Brasil não conheceu.
Desilereless. O hit "
Voyage Voyage" estourou e durou até início nos anos 1990. O grande mérito foi agregar ritimo a uma letra mais lenta, sem perder a qualidade musical. A figura androgina ajuda a vender e se tornou um dos símbolos da tolerância social.
Marc Lavoine. Oitentista por excelência, "
Même si" e "Chère Ami" são carregadas da melancolia contraditória de uma época que misturava o optimismo de que já estávamos no fundo do poço, e que portanto não havia como piorar (como estávamos enganados!) e o pessimismo da paranóia da guerra fria, que ameaçava dizimar a vida na Terra a qualquer momento. São ambas músicas muito bem acabadas, com toques de new age, que merecem ser ouvidas à noite, com amigos ou uma pessoa especial.

Isabelle Boulay. Pois é, vêm de Quebec as grandes contribuições modernas à música de língua francesa. Esta belíssima ruiva brejeira de voz madura e levemente adocicada começou a cantar no restaurante da família, para logo ganhar sua independência e brindar o mundo com suas canções e versões, inclusive cantou "Tico-tico No Fubá" em francês, com arranjos próprios que fizeram desta canção uma ode ao chorinho. A conheci por "Jamais assez loin" e "Où est ma vie", a primeira uma declaração de amor digna da velha guarda, a segunda uma música leve que convida a pensar na vida e vivê-la sem neuras. A nova canção "
Chanson pour les mois d'hiver" faz juz ao gigantismo de seu talento. Sua pista entregou muitas outras pérolas, das quais destaco as seguintes:
Carla Bruni. Pois é, para quem não sabe, além de modelo, actriz, sicialite e primeira-dama da França, ela é cantora. Excelente cantora, diga-se de passagem. "Ma Jeunesse" é uma canção baseada no piano, com toques de infância prestes a maturar, uma execução que adoça as saudades mais doídas. Se alguém tinha vontade de vê-la tropeçando e não sabia de seu tino musical, agora vai querer que tropece em uma recepção ao papa e caia de cara no seu colo, com câmeras ao vivo, porque esta recebeu doses generosas de muitos talentos, a música é um deles.
Amylie. Mesmo quem torce o nariz para o estilo indie, tem grandes chances de gostar desta moça, simplesmente porque ela não exagera. "Espace" é uma demonstração de música para se ouvir durante uma viagem, despretensiosa e com variação harmoniosa de andamentos. Como a capa de seu último álbum, sua regra parece ser não complicar o que não precisa, o que se reflete nas músicas.
Sylvie Paquette. Tem ligações fortes com a velha e a jovem guarda. "Doucement" é uma música sutil, delicada, que parece ser cantada em corda bamba, com seu ritimo lento e a predominância do violão e do sintetizador ao fundo, acompanhado por coral em dado momento, dando uma atmosphera onírica e sensibilizante. Sua voz é sedosa e morna, chegando a ser sensual sem fazer qualquer esforço. Não ouçam "Soleil d'Espagne" se não tiverem condições de visitar terras espanholas, porque esta canção vai lhes despertar o desejo de conhecê-las.
Océane. Seu nome é Maryse Lebeau, conhecida por Océane. Faz um trabalho similar ao do nosso Palavra Cantada, mas em tom mais materno, suas músicas são quase sempre curtas, próprias para o seu público. "Ma mamie à Moi" é uma canção que pode ser usada com sucesso para ninar, de execução simples e sem qualquer sofisticação tecnológica. "La Garderie" é mais animadinha e claramente dirigida para os pequeninos. É uma mulher bonita que, porém, usa sua beleza para encantar as crianças, não para seduzir seus pais com roupas de matadoras.
Magnolia. É uma flor de cantora, sem trocadilhos. Uma de suas obras que mais me agradaram é "Mexico City", cantada com arranjos de (principalmente) guitarra e rabeca acompanhadas de uma batida forte e melódica de bateria bem executada. É daquelas músicas que parecem ter sido gravadas há décadas, pois evoca saudades e lembranças ripongas. Sua voz não é extraordinária, mas é trabalhada com esmero e varia de tom com maestria.
Laurence Jaubert. Estilo meio caipira, na melhor acepção da palavra, canta com o coração mais do que com as pregas vocais. Estas, aliás, muito bem dotadas. É, portanto, outra adepta das cordas, como em "Je Pars a L'Autre Bout Du Monde", que canta como es estivesse na varanda da fazenda, lembrando dos parentes que se aventuraram à cidade. "Anne et Arthur" é cantada devagar, com um vigor moderado e melódico. Longe de fugir à essência da música francesa, lhe acrescenta o brilho rural que só quem é do interior conhece. Eu conheço e recomendo.
Chango Family. Quem gostava de Os Mutantes em sua melhor forma, vai gostar deles. Cantam como quem não recebeu sua injeção diária de gardenal, mas com muito charme e irreverência como em "Paramatman", que tem um toque hispânico moderado, dentro dos limites do bom gosto. Como os egos dos componentes ainda não são maiores do que os mesmos, presumo que ainda terão bastante tempo cantando juntos nos mesmos palcos, nos mesmos shows, sem que um tente enforcar o outro com a fiação do equipamento.
Lara. Uma
cantora surpreendente, para dizer o mínimo. Consegue misturar charleston, jazz, tango, blues e ritimos modernos (entre outros) com um talento que pensei ter morrido com os Beatles. "Mon Petit Coeur Assassin" é um exemplo desta habilidade musical. Suas execuções são de um cinismo adorável, "Café Saravejo" é um exemplo magistral, que me faz duvidar da sanidade do público de hoje, que bebe urina de bestas cheios de rótulos e chiliques pseudointelectuais, e não enche de dinheiro as burras de artistas como ela. É mesmo uma época triste, Aznavour foi profético. Não se assustem, ao ver o novo álbum, com a carinha de psicopata, na vida real ela sabe sorrir com sinceridade, sem ver a cabeça de alguém rolando.
Gaële. Se a trupe da Chango Family não recebeu, nesta
moça os psicotrópicos já não fazem mais efeito. Muito bonita, com um jeitinho de Audrey Hepburn rebelde, ela está mais para Rita Pavone do que para Gigliola Cinqueti. "Cockpit" dá impressão te total desconeção, mas depois da metade da música se percebe tudo foi muito bem trabalhado e colocado, é para se dançar aleatoriamente e exorcisar seus males. O controle vocal para tanta maluquice dá prova de seu talento. "L'ideal Tango" parece um deboche, mas não é, precisa de alguma abertura mental para aceitar bem seu estilo, feito isto, a audição é só alegria. Se não entender, não leve à sério, só isso.
Decerto que há muito mais gente talentosa, e também há homens talentosos. Mas faço desta trilogia (principalmente esta parte) uma homenagem às mulheres, que souberam manter o romantismo apesar de tudo o que tem acontecido, com isto alimentado a demanda por músicas de alta estirpe, apesar de tudo o que tem acontecido. Em especial à amiga Meg, que estuda francês e saberá, muito melhor do que eu, apreciar as obras aqui expostas.
Redez-vous à la musique.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ciúme de você

A palavra ciúme é deveras interessante. Em espanhol e em inglês, tem mais proximidade com o sentido original da palavra, "zelumen", que envolve também um sentimento de cuidado, não somente de posse, como tem se configurado no nosso português. Da mesma origem, vem o termo zelo, palavra para nós mais correlata ao cuidar do que ao querer só para si.

Em alguns trechos da Bíblia, Deus descreve a si mesmo como "zeloso", apesar de algumas traduções preferirem "ciumento".
A questão é, novamente, a tradução. Uma análise mais acurada volta à origem do termo - zelo. Na vulgata latina, usam-se os termos correspondentes a zelo e zeloso.
Resgatar o sentido original da palavra é um bocado esclarecedor, já que normalmente alguns a usam para "justificar" atos bárbaros, covardes, agressivos, atribuindo assim à palavra ciúme algo que ela não possui em nenhuma das suas acepções. Tudo em nome de uma interpretação mesquinha da palavra, e mais mesquinha ainda de vida.
Mas, musicalmente falando, ciúme é uma palavra bem democrática, existindo em vários estilos. De roquenrous alegres a melodramáticas composições, todo mundo tem um pouquinho do ciúme, esse mostrinho de olhos verdes tão associado à inveja (até semanticamente). Senão vejamos:


1. Roberto Carlos, na canção que dá título ao post, mente qeu não gosta do vestido da moça por "ciúme de você".

2. O mesmo Roberto não cansa de cantar que desconfia da amada e explica a ela: "meu ciúme" é culpado por tudo.

3. O Ultraje a rigor, numa de minhas letras preferidas, tenta explicar que não consegue ser muderno em "ciúme "(que o RC também cantou em especial).

4. Em antológica canção brega, Jane & Herondy culpam o ciúme por sua separação na famosa "Não se vá".

5. Caetano, lânguido e ambiguamente esplendoroso numa tarde telúrica enebriante de rimas quiçá complexas em um ávido instante (gostaram?) também canta "o ciúme".



IAGO (para Otelo): "Acautelai-vos senhor, do ciúme; é um monstro de olhos verdes, que zomba do alimento de que vive. Vive feliz o esposo que, enganado, mas ciente do que passa, não dedica nenhum afeto a quem lhe causa o ultraje. Mas que minutos infernais não conta quem adora e duvida, quem suspeitas contínuas alimenta e ama deveras!". Na peça Otelo, de Shakespeare (ato III, cena III), o sentido doentio do ciúme em seu mais trágico esplendor.
E você, canta o ciúme de que forma?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Dez coisas para fazer enquanto se espera um ônibus

Esperar ônibus é um saco, principalmente por que, no Brasil, as pessoas desconhecem o que é horário. Cadê o ônibus das 18h10? Ah, hoje ele passou aqui às 18h06. Perdi. Pode parecer bobagem, mas esses poucos minutos fazem diferença. Eu me preparo para estar na parada às 18h10. Sou pontual, mas o motorista pensa diferente. Vai ver, ele quer chegar mais cedo em casa...

E o que fazer, enquanto espero pelo próximo ônibus? Esperar é um saco, como eu disse antes. Mas desenvolvi algumas técnicas que me ajudam a não morrer de tédio, nem de raiva.

1-Ouvir música: É bom, porque assim nenhum impertinente se atreve a puxar assunto. Odeio conversar com estranhos. Não estou interessada na quantidade de roupas que não secaram porque está chovendo. Não quero comentar o tempo. Não vejo nenhuma novela. Deixem-me a sós com meus pensamentos!

2-Ler um livro: Seria excelente, não fosse por um problema: não consigo me concentrar. Não que eu precise de silêncio absoluto para ler, mas é que eu fico toda hora levantando os olhos do livro, para ver quais ônibus estão passando. Mesmo sabendo que o meu ainda vai demorar...

3-Ouvir as conversas dos outros: Adoro! O problema é que às vezes não aparece nada de interessante. Ouvir papo sobre as roupas que não secaram é ainda pior do que participar da conversa. Não é todo dia que aparece alguém comentando a separação da Jucineide ou sobre o filho da Marilúcia, que está tendo problemas com a polícia.

4-Escolher uma pessoa e tentar adivinhar que ônibus ela vai pegar: Vila Nova? Boa Saúde? Cohaburgo? Rincão? Onde será que essa criatura mora? Quase nunca acerto. O interessante é quando a pessoa acaba entrando no mesmo ônibus que eu, e eu nunca a vi mais gorda.

5-Julgar as pessoas: Essa técnica é legal, porque a cada dia posso escolher uma categoria. Música, por exemplo. Esse aí é pagodeiro, aquela lá só escuta o que está na moda, aquele outro deve gostar de música de bailão... Já imaginei quantos parceiros sexuais uma pessoa já teve, ou quanto ela ganha, ou onde trabalha, ou em quem votou, ou que nome ela deve ter. É divertido.

6-Botar reparo nas roupas: Nem entendo nada de moda e não sou muito chegada no assunto. Mas gosto de observar o que as pessoas estão vestindo. Principalmente as mulheres, porque homem se veste sempre igual. Aí tem a tiazinha que roubou o vestido da filha, a mocinha que tem a coragem de mostrar pernas dominadas pela celulite, aquela que pensa que está na praia, gente de botas num calor infernal, gente com combinações de cores nada a ver... E aquelas mulheres que ficam lindas só com um vestidinho e uma sandalinha. Para estas, dou o troféu Audrey Hepburn.

7- Olhar para os pés dos outros: Adoro sapatos! Muito mais do que roupas. Mas olho para os pés das pessoas só para implicar. Quero saber quem faz o pé e quem é desleixada. Felizmente, a maioria das mulheres é ajeitada. São poucas as que andam por aí com unhas cortadas de qualquer jeito, com cutículas gritando e com calcanhares cascudos ou rachados. Para estas, tenho vontade de dar um vale-pedicure. Ou uma multa. Existem salões de todos os preços, em qualquer biboca. Existem primas, tias, irmãs que sabem fazer pedicure. Não tem desculpa para o desleixo. Reparando em pés, vejo que poucas ousam na cor do esmalte. A maioria oscila entre os clarinhos e os vermelhos (que as tiazinhas adoram!).

8-Observar mães e filhos: Fico impressionada com a quantidade de mulheres que deixam as crianças pequenas soltas na parada. Ou com aquelas que vêem os filhos jogando lixo no chão e não os xingam. Ou com aquelas que entopem as crias de refrigerante, salgadinhos e balas. Ou com aquelas que levam tapas e não fazem nada. É altamente estressante!

9-Ficar lembrando de coisas e rindo sozinha: Pode ser qualquer coisa: o último janelão do MSN, as frases mais legais de Seinfeld, alguma coisa acontecida na oitava série. Se for engraçado, vale a pena recordar. E rir sozinha não é coisa de louco, é coisa de quem tem uma imaginação que funciona bem.

10- Ter idéias para textos: Pensando em tanta bobagem, às vezes surge alguma idéia que pode ser aproveitada. O problema é lembrar de tudo depois...

PS: Texto antigo, mas ainda faço a maioria dessas coisas. Desculpem a falta de criatividade, ultimamente ela anda abaixo de zero.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Música Francesa - Jovem Guarda

Não existe uma linha limítrofe clara entre as gerações, são necesários cerca de cinco anos para que as diferenças se evidenciem. Com a música não é diferente.
A nova geração da música francesa mostrou as garrinhas, os dentes e preservou o charme de seus professores, especialmente porque a maioria ainda trabalhava e podia puxar-lhes as orelhas.
Gilles Dreu. É um dos fronteiriços, com suas canções vigorosas e plenas de coração, como "Alouette", que foi interpretada em tom dramático com coral e um belo cravo substituindo o piano. Está praticamente esquecido no Brasil, poucas rádios se dignam a executar suas performances.
Sylvie Vartan. Cantora de beleza plástica e vocal, apresentou ao mundo seu timbre maduro e possante. De suas interpretações, a minha preferida é "La Maritza", com leves nuances ciganas e espanholas, principalmente ao fim, quando a ladainha dá impresão de uma dança em giro cada vez mais rápido, para disfarçar o choro de resignação.
Michel Sardou. Era um garoto talentoso, com jeito despretensioso e uma cabeleira alá Roberto Carlos. A idade veio, a cabeleira encolheu, mas o talento não perdeu o brilho. Seu mérito maior (além do musical) foi envelhecer com a dignidade que as celebridades de hoje desconhecem, sendo hoje um senhor de respeito que se respeita e ainda encanta, com pérolas como "En Enfant" e "La Maladie D'Amour". Seu público é basicamente o mesmo que no Brasil compra Roberto Carlos.
Françoise Hardy. A ternurinha deles. "Comment Te Dire Adieu" é um de seus hits. De apelo mais jovem, ditou moda e teve o cuidado de não contrariar demais os pais de seus fãs, como resultado sua fama é duradoura. Cantou o amor não patológico e a alegria de se viver a vida. Procurando em discotecas decentes, se encontram seus álbuns sem muita dificuldade.
Salvatore Adamo. Pelo nome se tem alguma estranheza, até porque ele é italiano, mas canta em um francês perfeito. E foi em francês que estourou em todas as paradas de sucesso nos anos 1960/70. "C'est Ma Vie" conta uma história de amor e ensina que a maioria delas acaba. Fez recentemente, com esta canção, dueto com Isabelle Boulay, uma das estrelas do próximo texto. "Inch'Allah"* é uma canção menos conhecida, mas que recomendo formalmente. Também soube cultivar a maturidade, não se rendendo às facilidades cosméticas tão em voga e desnecessárias, ao menos para quem tem conteúdo. Ainda arrasta sua legião de fãs e esgota rapidamente os ingressos onde quer que marque uma apresentação.
Catherine Ferry. A aparência singela desta moça marcou também seu trabalho. Não tenho muito o que dizer, praticamente não se encontra material a seu respeito (nem meus compromissos, infelizmente, me permitem grandes buscas). "1, 2, 3" é um exemplo de música leve e analgésica para um dia de folga, com um ritmo rápido e gostoso que atenua rapidamente o estresse da "vida moderna".
Joe Dassin. "
Et si tu n'existais pas" é uma das maiores declarações de amor que já ouvi em minha vida piegas. Sua voz grave, bem empostada e disciplinada aveluda a audição. Um cantor que dispensa artifícios, podendo facilmente contar com um banquinho e um violão no palco vazio, nada mais. A platéia de alto nível que conquistou até gosta, mas prescinde de pirotecnia. "Ça Va Pas Changer Le Monde" é uma de suas obras-primas, e das que mais fazem lembrar da época que tinha tudo para colocar o mundo nos trilhos. Seu repertório é vasto e seria inútil tentar falar de todas as canções, é uma obra para se ouvir por dias seguidos, mas sob o risco de passar a esnobar quase tudo o que se canta hoje em dia... como eu.
Nicoletta. Lembra muito minha amiga Mymi. É outra moça de voz potente que sumiu dos catálogos tupiniquins. Não me parece ter sido o tipo que se levava à sério, mas levava à sério o seu trabalho. A entonação tinha influência bastante clássica, combinando ainda assim com os arranjos modernos de então. "
Il est Mort Le Soleil" e "La Musique" são as contribuilções à música pelas quais mais me lembro dela, sendo a primeira de um tom melancólico que instiga a dizer "Eu te amo, caramba, vamos antes que a vida passe!".
Michel Polnareff. Visual agressivo e debochado, até onde sei ainda na activa, brindou o mundo com a balada romântica "Love-me, Please, Lome-me". Apesar do que os mais jovens podem pensar, é cantada em francês, sendo o título apenas o refrão. Um dos roqueiros que conseguiram sobreviver à idade e às modas, mas como rock em francês soa muito estranho, não emplacou muito mais sucessos no Brasil.
Dalida. Muitos pensam que é uma personagem de filme, mas asseguro, bons amigos, ela existe. é hoje uma das grandes damas da música francesa, sendo mais conhecida pela canção "Paroles, Paroles", em dupla com Allain Delon. Entretanto, fez homenagens à Tunísia (e ao povo árabe) cantando "
Salma ya salama" e "Helwa ya baladi", esta no idioma tunísio. Sua voz sexy e vibrante já foi motivo para discórdias e reconciliações entre casais, mas ficar indiferente à Dalida é prerrogativa dos surdos... se também forem cegos.
Julien Clerc. A carinha de bom moço foi o cartão de visitas por muito tempo, hoje é a de bom homem. "Une Vie de rien" lhe deu direito a cantar na sala de star de qualquer família, por mostrar o quanto pode ser bom a vida agitada e moderna, mas também o quanto o porto seguro de uma vida pacata e bem embasada faz bem. Não há muito o que dizer dele, a não ser que, se encontrarem seus discos, comprem. Ele honra a genética musical dos franceses.
Francis Cabrel. Um da turma dos intimistas. mesmo quando eleva o tom, o faz de modo breve, sóbrio e bem controlado, como se estivesse falando à amada, não ao público. Nisto muitas fãs se creditam o destino de canções como "
Je L'aime a Mourir". Não vamos encontrar suas aparições nos "bbb's" da vida, ainda assim é possível saber mais a seu respeito com alguma pesquisa, desde que se tenha paciência de montar quebra-cabeças e filtrar o que a wikpédia diz.
Il Eté Une Fois. Temos um sexteto para os mais jovens, com roupas coloridas e músicas açucaradas, mas é da época em que computadores não corrigiam falta de talento, vale à pena ouvir "
J,ai Encore Rêvé D'élle", para aliviar as tensões sem intoxicar os ouvidos.
Daniel Gérard. "Butterfly" é praticamente tudo pelo que se lembra dele. Depois dela, ficou praticamente restrito à França e a mídia mundial o esqueceu. A fama é ingrata, porque ele teve ao menos mais uma música digna deste texto, embora totalmente diferente do maior sucesso: "
Petit Gonzalès", que é um rock bem humorado e dançante dos anos 1960.
Jean-François Michael. Para finalizar, ou este catatau não terá fim, este é um exemplar de voz meio rouca, grave e refinada, com algumas propriedades terapêuticas para o sistema nervoso. "
Adieu Jolie Candy" é a sugestão para quem não conhece o intérprete.
Por hoje é só. Mas para quem quer matar saudades, ou mesmo conhecer a jovem guarda da música francesa, este índice poderá levar a muito mais pérolas neste oceano de talentos.

No próximo texto, selecionarei alguns da nova geração. Até lá.
Errata: "Inch'Allah" é de outro monstro sagrado da música mundial: Christophe, intérprete da eterna "Aline".

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Óleo Secante

Hoje eu recebi um presente da Luna. Um cofre e uma caixinha da Pucca, um alicate da Sandyjunior, um cartão e vários esmaltes.
O que mais me marcou, sem dúvidas, foi o óleo secante do Snape. A Luna personalizou um óleo secante com a foto do Severo Snape. É o presente mais piada interna do mundo.
Podem reparar no bilhete de loteria ali atrás. Por dois números eu não ganhei na Lotofácil, amigos.
Senão eu já estaria passando minhas férias, sei lá, em Turks e Caicos. Ou na Islândia.


Entrevistologia imbecilizada e comentarologia acéfala

Se tem uma coisa que eu acho previsíveis são as reportagens para TV. Sério mesmo que tem gente que faz uma faculdade de jornalismo para trabalhar no meio? Se é verdade, deve existir também uma cadeira obrigatória para fazer perguntas idiotas e comentários mais idiotas ainda. Até imagino o título da disciplina: "Entrevistologia imbecilizada e comentarologia acéfala".

Assim, imaginemos como seriam distribuídos alguns dos temas da dita-cuja.
Módulo I - as desgraças
Hiperbologia: Como fazer qualquer evento parecer infinitamente mais terrível do que é.
Aplicabilidade do conceito: a questão "Como [você/o sr./a sra.] se sente agora que sua vida perdeu totalmente o sentido?" . O comentário: "Essa é uma das muitas tragédias que tem se abatido sobre [local enfocado] nos últimos tempos".
Módulo II - as alegrias:
Megalomania demagógica com ênfase em pieguice: Como dar ao evento uma dimensão universal. Aplicabilidade do conceito: a questão "Como [você/o sr./a sra.] se sente neste momento tão [adjetivo megalômano/demagógico/piegas] da sua vida?". O comentário: "Esse é um exemplo de como nós [brasileiros/humanos/etc] podemos mudar o mundo [ou encarara a vida de forma positiva, ou outro desfecho no gênero]".
Módulo III - campeonatos:
Obviologia ululante com ênfase em incitação à violência (nas formas disfarçada e escancarada). Como usar os módulos I e II numa só reportagem. Aplicabilidade do conceito: a questão "Como [você/o sr./a sra.] se sente agora que seu time [caiu para a série B/foi campeão depois de tanto tempo/etc]? E agora, como será sua relação com seu rival?". O comentário: "A torcida pintou de
[cores óbvias do time] o/a [cidade/estado/país], e sua festa entrou madrugada adentro, dando muita dor de cabeça aos adversários".
Crédito especial: elaborar questões/comentários que façam parecer que não se incitou a violência, mas colocando em evidência todas as reações desse gênero, aliviando com reportagens engraçadinhas de rivais se provocando "amistosamente".

Em todos os casos, deve-se utilizar das várias formas possíveis aos conceitos-chave.


Ao lado, o lendário All Jaffe, que destruía perguntas imbecis.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Música Francesa - A Velha Guarda


Assim como já foi chique (quase obrigatório) falar fancês no Brasil, a música francesa moderna também fez muito sucesso em nosso território.

Era uma época de novelas bem feitas, bem escritas, bem dirigidas, bem interpretadas e com trilhas sonoras que dispensavam os milhões hoje gastos em propaganda. Era preciso ter qualidade para rivalizar com os francos, o público de então era muito exigente.
Dentre os ícones da época, destacavam-se alguns que estão na activa até hoje, e venderam elepês até falar "chega":

Charles Aznavour. É praticamente um sinônimo de música francesa. Há mais de uma década ele tenta se aposentar dos palcos, mas não consegue. Ele não toma sopa de letrinhas, toma sopa cifrada. A melancolia controlada de sua voz já remete ao álbum amarelado de família, às lembranças da moça que deixamos escapar e nunca mais apareceu, da juventude para a qual duas décadas não foram o bastante. Profissional competente e carismático, é tido como um Frank Sinatra da França, o que não deve ser dito a um francês, sob o risco de reações hostís, para eles Aznavour é muito melhor. Pondo ambos na mesma balança, só o estilo os diferencia, o fiél permeneceria erecto. Ainda hoje se chora ao som de "Hier Encore" e "Que C'est Triste Venise".

Edith Piaf. Exemplo clássico de que tamanho não é documento. Um toquinho de gente que se tornava uma giganta quando abria a boca. Como Charles, gostava de desabafar cantando, chorar em acordes sobre os amores que perdeu, as decepções e a maturidade que as surras da vida lhe impôs. Mas sempre enfatizando que não se arrependia do que fez, mas sim do que não fez, como em "Non, je ne regrette rien". O filme feito a seu respeito retrata com boa fidelidade a sua vida conturbada e abreviada, é indicado para quem quer um motivo para chorar em público sem dar vexame.

Jacques Breu. Muito antes de "Presença de Lolita" mostrar a versão actual, ele já emocionava com "Ne Me Quitte Pas". A plástica não era seu forte, mas o microphone revelava o Apolo que se escondia detrás daquele rosto tristonho. Sua dicção invejava mesmo os franceses, especialmente uando cantava "La Valse à Mille Temps". Infelizmente ele sumiu quase que completamente da memória e da s rádios brasileiras, mas o francês não é ingrato como nós e o mantém sob o holofote a que fez juz.

Patachou. Que eu saiba, ainda hoje está viva e participa de vez em quando da televisão. Também quase desvanecida no Brasil, ela conquistou o mundo pós-guerra com sua despretensão e sua competência. Seu jeito meigo e brejeiro se aliava à indumentária discreta. "Paris C'est une Blonde" revelava o que se escondia sob a imagem de boa moça, não que ela não fosse, mas não condizia com o rosto de noviça que tanta gente enganava.

Charles Trenet. Outro brejeiro, só que não escondia o que era, mas enganava. As feições de jurado de programa de auditório sumiam com "La Mer", que já embalou os namoros de muitos de seus pais, caros leitores, talvez dos avós, sei que eu usava suas músicas como entorpecente (mode entrega de idade "on") e atenuava meus dias.

Mireille Mathieu. Outra smurfete que coloca todos aos seus pés, quando abre a boca. Um amigo a conheceu pessoalmente e afirma que esta católica espevitada é uma pessoa agradável como suas canções. "La Dernière Valse" foi tema de muitos debutes, com sua voz maternal e os arranjos exemplares. "Une Histoire D'Amour" é o típico exemplo de música que nos toma de assalto. Os primeiros acordes são serenos, mas o tom cresce à medida que a música avança, como se a cantora não agüentasse mais se segurar e soltasse o choro. Com freqüência se chora, mas é choro bom, que desabafa e evita o primeiro infarto.

Soeur Sourine. Esta uma freira de verdade, mas que escandalizou muitos ortodoxos ao gravar um disco. Ficou famosa com "Dominique", que cantou como se cantasse para crianças em uma sala de aula. Marmanjos do mundo inteiro lamentavam sua vocação, pois não era de se jogar fora. A música ganhou muitas versões em muitos idiomas e hoje é tema da Oktoberfest.

Gilbert Becaud. Em patamares próximos ao de Aznavour, tem um estilo mais enérgico como em "E Maitenant", mas também descamba para a sutileza em "Au Revoir". Até os anos 1970 e início de 1980 fazia relativo sucesso no Brasil, mas até um peixinho dourado tem mais memória do que o brasileiro.

Juliette Gréco. "Sus Le Ciel de Paris" ajudou a vender muitos pacotes turísticos para a França. Seu estilo é o de uma balzaquiana ainda com o frescor, mas já sem as ilusões da juventude. Canta como quem já aprendeu as regras do jogo, mas não se conforma em ter menos do que merece. Um rosto daquele, decerto que merece bem mais, acompanhado pela voz poderia levar o cartão sem limites.

O que há em comum entre todos estes monstros sagrados da música, além do talento, é a gratidão que não permite lhes acontecer o que aconteceu com similares brasileiros: a gratidão do público. O francês ainda hoje é muito exigente com a qualidade musical, e ainda hoje dá deliberada preferência à produção local. Não basta mostrar partes pudentas, elas devem ter algum conteúdo para não serem tratadas como simples apelo pornográphico.

Acreditei sinceramente que poderia dividir o texto em duas partes, para tratar a respeito, mas já vi que três são o mínimo para a preservação da integridade do que quero passar.

Este idioma íntegro, revolucionário e ao mesmo tempo tradicional, que ainda hoje inspira romances e forma diplomatas, tem muito mais representantes na velha guarda do que os descritos, mas não caberiam em um livro, quanto mais no artigo de um humilde blog. Para os que já ficaram com água na boca, façam uma visita ao Malhanga Home Page, lá cliquem em Músia Francesa, et voilá, poderão conhecer em áudio e vídeo o que lhes falo.

O próximo texto será sobre a Jovem Guarda da música francesa, os artistas da actualidade ficarão para o texto final.

Até lá.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Eventualmente, quinta

Então, não tenho sido lá uma postadora muito capaz de cumprir meu dia aqui no Talicoisa. Inicialmente, era para ser quinta, mas já postei na sexta; houve ocasiões em que a bondade de Fio (valeu, amore!) é que permitiu me manter postando, já aconteceu de eu não conseguir postar... e ultimamente tenho publicado na quarta. Fio atribui isso à minha vida amorosa... quem dera! É o bom e velho trabalho, mesmo.


Eventualmente, hoje publico na quinta, que era meu dia original. Aí comecei a pensar na palavra, suas aplicações e talicoisa. E, como sempre, caí no Gugou.

Assim, eventualmente, segundo ele...


...Não é uma palavra lá muito conhecida, já que o primeiro resultado de busca por auto-preenchimento foi "eventualmente significado", que emenda com dicionário e sinônimos.

...Tem sido objeto de dúvida para os estudantes da língua inglesa, já que depois dos três primeiros resultados, logo aparece a pesquisa da palavra em inglês.


... Pode englobar uma frase que parece mais uma desculpa esfarrapada em bom enrolês: "eventualmente as providências preliminadas podem não ser aplicadas" (!).

... Parece permanecer um grande mistério, já que o próximo resultado mostrado é a procura por sua definição. Engraçado como esta palavra parece ser um estranha a tantos pesquisadores gugólicos.





Eventualmente, segundo as imagens do Gugou...



É um homem com gravata, que segura um telescópio de papel, levando uma valise (primeira imagem da categoria). Juro que não entendi. O texto de onde foi capturada a imagem aborda os falsos cognatos "eventual" e "eventually".
Aí é que a gente entende porque no resultado acima o povo busca a palavra que corresponde a eventualmente em inglês, que, a propósito, é "occasionally".
Se alguém compreendeu a relação disto com a imagem, favor me explicar.


Eventualmente, talvez faça sentido. E, eventualmente, talvez mais de uma pessoa leia este post sem-vergonha... :o)

O que tem sido eventual para vocês?

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DROPS Sobre Viagens e Cães

PARTE 1

Depois de algum tempo fora da órbita cansada de tantos dias, o corpo e a mente se acostumam a um estado quase letárgico. É essa sensação se suspensão que potencializa o impacto do regresso à rotina. Os compromissos usuais te esperam no saguão de desembarque, cada um empacotado em seus caixotes e malas – todos sem alça.
E se a profusão de cores de uma viagem te ajuda a ter novas motivações pra voltar à realidade, o espaço vazio da cama de um cachorro que se foi, destroça o peito em vários pedacinhos; um coração em mosaico.
Minhas constatações são breves nesses ligeiros 15 dias passados: o melhor favor que podemos fazer pra entreter nossas carcaças (essas embarcações tão frágeis que usamos pra trafegar pelo planeta azul) é investir em viagens. Sem dúvida, é investir em viagens e criar cães.

PARTE 2

A inacreditável saga The Killers só se tornou inacreditável por conta de um golpe de incompetência digno de record. Depois dos meses planejando a ida ao show dessa banda do coração, em face do dia em que aconteceria o concerto, perdemos a hora. Perdemos a hora em não-sei-que-rua de São Paulo, com seus prédios gigantes e seu cheiro de fumaça.
Conseguimos chegar a tempo de ver, mui miseravelmente, coisa de quatro músicas. A maior demonstração de burrice em 23 anos me custou a paz interior na capital econômica do país – prejuizão, imagine.
A solução nasceu de sabe Deus que gestação insana, sem camisinha, sem anticoncepcional. Buenos Aires seria a próxima parada da bandinha do Las Vegas. O cantor mirrado estava pra gritar “We Love Argentina!” e nós estaríamos lá pra ver e ouvir. De perto. Com pelo menos cinco horas de vantagem.
A experiência de estar em contato com nossos objetos de veneração paga os ingressos inflacionados, faz valer os sacrifícios e nos consagra com a maravilha que é chorar e cantar junto.

PARTE 3
Quando você for fazer uma viagem com recursos limitados, deve eleger prioridades para não padecer no paraíso – com o perdão do clichê.
Ou você destina seu numerário às vastas despesas com taxi, hospedagem e alimentação (ou seja, se sustenta com conforto) abrindo mão dos excessos com compras - ou arrocha os gastos aleatórios e se atira nos shoppings.
Eu prefiro muito a primeira opção – embora o ideal seja ter acesso às duas.

PARTE 4

Do pastel de bacalhau com o Fabio Marotta às voltas com o povo do Fórum na feirinha da USP, passando pelos flashs multicoloridos de uma cidade cinza, e pelo surrealismo de se estar num país onde todo mundo usa franja e come comida sem sal.
São Paulo e Buenos Aires foram generosos presentes. A Trajetória The Killers fez história. O encontro tão fã-ídolo com os amigos distantes... Desativar o “Davi Portela” e acionar o “Dave Coelho” é das atividades mais saborosas. E aqui voltamos ao ponto onde o texto começa: Trips n’ Dogs, baby. Trips n’ Dogs.


Fabim e eu: problemas com a câmera desgovernada

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Avada Kedavra Pride



Essa é a Hermione Granger, ops, Emma Watson. Como podemos ver, ela está curtindo um sol com o namorado (focalizem que boquinha sexy). Não dá, não dá...Que barriga é essa? Ewww. Verminose define!
Eu tenho total consciência de que a Hermione não é nem de longe uma personagem descrita como bonitona e talicoisa, mas ewww...ecaaww. Isso meio que acaba com a magia, não acham?
É um choque de realidade ver a Hermione "Nerd" Granger na praia parecendo um dementador com esquistossomose.


Eu passo, viu? Prefiro as fotos da Emma na Vogue:


Bom mesmo era no tempo da Audrey e das outras divas: nenhuma artista colocava os pés na rua sem estar com a aparência minimamente digna. Pode até parecer radical, afinal com certeza eu já apareci meio tosca em algum lugar - todos nós. Mas nada me tira da cabeça de que é obrigação desse povo aparecer bem, não faz parte da profissão? Essa realidade de barrigas de lombriga e de calcinhas pra fora acaba com o glamour. Sem mais.

sábado, 28 de novembro de 2009

Coitadinhos Culturais

É uma época triste esta em que vivemos. Aparentemente tudo está mais barato, fácil e rápido, talvez por isto mesmo seja triste.
Enquanto criticam contradições e preconceitos de décadas anteriores, as pessoas criam novos sob as vestes de "resgate histórico". Não falarei dos sistemas de cotas, que têm o prodígio de legalizar o que a ciência e os magos negam: a existência de raças humanas; e ainda transformar em assistido quem teria condições de lutar por si mesmo, se os métodos fossem mesmo o da justiça. Também não falarei das inúmeras bolsas oficiais, cujo uso meramente político está transformando membros de um povo tradicionalmente trabalhador em indigentes, que se recusam categoricamente a aprender uma profissão para se tornarem independentes da ajuda. Também deixarei para outra ocasião a contradição que permite a uma criança sob plena pressão hormonal votar em pleitos federais, mas a impede de aprender uma profissão e arcar com suas faltas, ainda que na medida de sua compreensão. Da desastrosa maneira como a educação está sendo desmontada já falei e voltarei a falar em momentos oportunos, no plural mesmo.
Trato hoje da cultura nacional de massas. O Brasil já foi celeiro de valor inestimável no campo musical, hoje é uma tragédia continental de artistas inexpressivos que precisam de apelações baixas para alçarem vôo. Não falo da apologia à promiscuidade e ao banditismo que ditos estilos de cunho pretensamente popular imprimem, isto é tão notório quanto tolerado pelos pais e divulgado pela televisão. A tragédia vem justo de nossa moribunda MPB, que já rivalizou com a liberdade da POP Music em plena ditadura. Eram tempos muito difíceis, quando o próprio governo estimulava o gosto pelo estrangeirismo. Os brasileiros contavam tostões enquanto Bee Gees emplacavam sucessos seguidos com o apoio do cinema. Mesmo assim faziam sucesso, criavam músicas históricas. Roberto Carlos homenageou Caetano Veloso, então exilado, em plena vigência do AI-5, com uma música que se tornou uma jóia cultural, não só pelo valor histórico.


Me pergunto se não foi justo a grande dificuldade o fertilizante de obras-primas que os incompetentes de hoje são incapazes de reproduzir, mesmo com softwares de correção vocal, inexistentes à época. As imensas dificuldades obrigavam o artista a perseverar, conquistar não só o púbico jovem, mas também quem pagava suas contas. Os pais podiam até não gostar, mas tinham que dar o braço a torcer para o nível das canções. E mesmo os generais davam o braço mesmo a torcer. Era necessário colocar a mão na massa, panfletar, conseguir um público local, convencer uma rádio a tocar a fita cassete. Na época não havia como gravar algo no computador e divulgar o demonstrativo pela internet. Não havia internet e computadores ainda eram cousas de Estados e grandes corporações. Era necessário convencer a gravadora a fazer a matriz para imprimir, a quente, as músicas em um disco de vinil maior que algumas rodas de automóvel. Era extremamente difícil, não bastava ter dinheiro.


Haviam as aberrações de apelo pubiano que conseguiam mais rápido, mas não mais fácil. Hoje se pode gravar em casa e vender os álbuns no show, na época, se alguém dissesse isto, viraria piada no "Viva o Gordo".


Eu não saberia dizer o nome de um só grupo em evidência, mas sei o quão ruim ele é. Eu ouço, aliás, na marra, pois a mesma facilidade para se gravar se estende aos quilowatts de som que se coloca em um automóvel com poucos quilowatts de potência mecânica. Sei o que se faz hoje e que não há papel higiênico suficiente para limpar tudo.


Músicos com tendências regionalistas reclamam da falta de apoio estatal, que seus antecessores nunca tiveram; da concorrência de mídias estrangeiras, que seus antecessores enfrentavam sem choramingar; do desinteresse do público, que seus antecessores venceram com bravura. A maioria dos músicos ditos intelectuais toca como se a platéia fosse formada por centenas de seus clones, de modo que só eles mesmos possam compreender. Estão apelando à memória como se o público fosse um computador.


Algo que os antigos músicos aprenderam (e alguns deles se esqueceram) é que o público é fisgado pelo coração. A intelectualidade funciona até certo ponto, mesmo nos povos mais frios, se a obra não despertar alguma emoção ela desaparece como surgiu.


A proliferação de rótulos cretinos, como "sertanejo universitário", (só para citar uma praga da minha região) não melhorou a qualidade. São artistas inexpressivos que ganham evidência por algum tempo, são facilmente confundidos com outros productos do supermercado phonográphico e geralmente voltam a tocar para pequenas platéias. Isto quando tratamos de gente que começou a cantar de baixo, os que já começam como arrasa-quarteirões simplesmente desaparecem, graças à Deus.

Mas nenhuma categoria se compara aos que se dizem representantes de "guetos", de parcelas excluídas da população, et cétera. Já nem leio o que se fala a respeito deles, já me cansei dos discursos pseudomarxistas, das posturas pseudomarxistas e dos protestos pseudomarxistas.



Quando se metem a resgatar culturas ancestrais (indígenas e caboclas, no meu caso) agem como se o público tivesse obrigação de compreender e aceitar o que cantam. Em Goiás já é rotina gente aproveitar recursos públicos para fazer troça de músicas folclóricas e antigas cantigas de roda, fazer o lançamento em eventos cheio de "personalidades da sociedade" (contradição elitista) e contar com espaços quase que de cotas nos jornais. No dia seguinte reclamam que não foram indicados para o Emmy Latino. Vocês, de outros Estados, com certeza não os conhecem. Vão à igreja mais próxima e acendam uma vela em agradecimento por isto.


Asseguro que no começo eu apoiava, acreditando ingenuamente na legitimidade e utilidade cultural do "movimento". Mas foi ingenuidade mesmo, quase tudo o que saiu é muito ruim, em nada devendo às bandinhas aborrescentes dos Estados unidos.


Relendo o texto, notei um certo humor cinico que eu não pretendia passar, mas ficará assim mesmo. A questão é séria porque a falta de boas obras faz o público aceitar qualquer lixo que aparecer. Estou elaborando uma idéia de um texto sobre música francesa, cuja nova safra ofusca facilmente o bando de estrelas preguiçosas que temos no Brasil de hoje. Publicarei assim que estiver pronto, com links e ilustrações condizentes. provavelmente terei que dividir em dois textos, mas valerà à pena.


Podem me chamar de "pelego", de "nazista", dizer que eu não tenho diploma e por isto não poderia tratar de assuntos assim, será inócuo. Sei o que o Brasil tem de bom, e música não se inclui neste rolo, com raras excessões. Porque música é feita por músicos, não por partidos políticos. Entendam esta passagem como quiserem.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Moda, subcelebridades e outras coisas inúteis

Estava eu devaneando sobre qual assunto eu iria escrever quando relembrei dum post do agora-em-coma Tenho Dito, sobre moda e afins.


Ali comentei, entre outras coisas, que a moda é uma das formas pelas quais procuramos nos diferenciar e que são inventadas tendências e estilos para criar nichos de mercado (oi, você achava que era livre expressão?), com a elite-da-vez querendo se diferenciar da pobralha-de-sempre e esta querendo imitar aquela. Aliás, a dona Zelite, essa culpada por todo mal que há na terra, sempre que tenta ser subúrbio, ser autêntica, ser periferia, coloca uns looshos e faz um pobre-de-butique, sabe como?

Assim, quer brincar de pobrinha, mas no conforto e na segurança de seu círculo. Atoram uma periferia, mas desde que esta continue firme no seu lugar.


Neste mundo midiático de celebridades instantâneas (que frase feita mais sem-vergonha...), a moda, o vestuário tem que necessariamente fazer parte da exposição. Algumas dessas não são nada sem seu vestuário e (eu odeio essa palavra) atitude. E é aí que entram as esquisitices e as posturas pré-fabricadas. Sim, porque dá pra reconhecer um "estilo próprio" artificial criado pela gravadora/empresário/stúdio com certa facilidade. Pode-se definir algumas celebridades conforme sua idumentária. Quem você encaixaria nas categorias da listinha abaixo?


1. Melancia no pescoço. Quanto mais estranho, melhor ou "sem minhas roupas sou só um/a cantor/ator/uadéver de quinta categoria". Bolhas de sabão, plumas, paetês, chapéus, roupa-ousada-de-fendas que parece mais uma fantasia de múmia, daquelas de deixar o Mum-Rá (linque abaixo) morrendo de inveja, tachas, perucas e outras coisas assim fazem parte do dress code desse povo.


2. Sou uma vagaba. Quanto menor, mais apertado, com mais fendas, melhor. Do tipo que faz o vestido da Geyyysyyyy parecer uma burca fundamentalista. Não só mulheres-fruta usam este tipo de... digamos assim... vestimenta. Tem as "celebs" das estranja também.


3. Sou alternativo/a. Ah, a esquisitice hippie, cabeça, intelectual e zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...


4. Rebelde-metaleiro. Muita revolta mercadológica. Dá vontade de colocar uma banda de hévi-métau de cor-de-rosa e/ou saiote só pra chocar a platéia.


5. Adolecente de meia idade. Tem aos montes, uns chegam a ser até divertidos.



"Antigos Espíritos do mal... transformem esta forma decadente para Mum-Rá, o ser eternoooooooo"


Crie você mesmo sua catiguria!

Agora, se você quer cantar a moda e o que vestir, essa é óbvia, mas MUITO boa. Acho que todo mundo conhece o samba " Com que roupa?", do Noel Rosa. Quem não conhece,lincaêsuasgostosa [/TDUD?], que tem um video do próprio cantando-a.

A profissão ideal para mim e para a Luna

Encontrei uma reportagem que finalmente deu explicações sobre o porquê do esmaltes levarem esses nomes (gosto de alguns, detesto outros, principalmente os do tipo "vermelho paixão", "vermelho fogo", "vermelho ardente", criatividade passou longe).


Quem dá nome aos esmaltes? O blog LP conta

Algodão Doce, Allure, Amante, Canoa, Carícia, Cigana, Deixa Beijar, Dengo, Epopéia, Fofo, Gabriela, Gaia, Gatinha, Gilda, Hera, Ilusão, Jackie, Leme, Luar, Magia, Obsessão, Odara, Paz, Polar, Preguicinha, Renda, Sonho, Tanga, Tufão, Vendada, Via Láctea: assim como você, os esmaltes tem um nome. E são nomes às vezes até óbvios, mas na sua maioria chamam a atenção.

Para Mel Girão, que batiza os esmaltes da Risqué (e a diretora da unidade de beleza e higiene da Hypermarcas), faz muito sentido: "Na loja as consumidoras podem se guiar pela cor que desejam, mas na manicure elas normalmente pedem o esmalte que querem passar pelo nome". E o lugar de onde saem esses nomes tem a ver com a cor - ou não. No caso da linha que a marca lançou no último desfile de Ricardo Lourenço, por exemplo, eles faziam referência ao tema da coleção de primavera-verão 2009/2010 do estilista, o café. Vai daí que, de repente, você quis sair por aí com as unhas pintadas de Expresso ou de Menta!

Fofo? Ilusão? Na Impala, um homem que atende por Victor Munhoz é o responsável por dar nomes pras cores. Coordenador de produto, ele diz que na última vez que fez o processo de batismo, precisou de um mapa da região litorânea brasileira. A ideia foi pensar em balneários pouco conhecidos: razão pro laranja vibrante virar Aleixo e o coral discreto virar Xaréu. Essa não foi a única linha com nomes temáticos: Cida e Luzia são parte de uma homenagem a algumas das manicures célebres do país; Elis e Gal, de esmaltes com uma cobertura especial de brilho proporcional ao das cantoras de MPB; e Valentina e Barbarella vêm de grandes ícones do cinema. "Por isso que a nossa Penélope não é rosa, é a Cruz, mesmo", explica. Um problema? Nomes estrangeiros. "O esmalte é um tipo de produto que atende da classe A até a E, então evitamos nomes em inglês como o Pin-Up''. Os mais difíceis de pronunciar acabam vendendo menos!

Na Colorama, a equipe de marketing faz com que você ligue os nomes de esmalte com o seu estado de espírito - ou com o estado de espírito que você quer passar para a semana, até a nova visita ao salão de beleza. "O esmalte entra nesse universo para tornar tudo mais lúdico e interessante", explicam. Os exemplos são Batom Vermelho, que representa a busca pelo vermelho sedutor; e Atrevida, uma cor mais animada e arrojada. "Imagine se no mundo colorido e divertido dos esmaltes os nomes se limitassem a Vermelho 1, Vermelho 2, Vermelho 3...". Nem em pensamento!

Mas esqueça tudo que você leu até agora para entender como são criados os nomes da Big Universo. Clarissa Ezaki, gerente comercial da Orion Cosméticos, explica que Gilmar Leite Siqueira dono (e químico responsável) da marca, é chegado em astronomia. Por isso é que dá para encontrar no catálogo deles frasquinhos chamados Cosmos, Sideral, e Fenix. É por isso também que dá para encontrar no mercado o esmalte Hadron que, na verdade, é o mesmo nome de um acelerador de partículas. Mas há casos e casos: o cobiçado Jade, verdinho que apareceu na passarela de outono-inverno 2009/10 da Chanel, ganhou um similar da marca com o nome...Jade. "Não dá para evitar, as pessoas chamam as cores de esmaltes pelo nome", justificou Clarissa. Viu só? Como você batizaria um esmalte que você criou?

http://msn.lilianpacce.com.br/home/nomes-de-esmaltes/

Observações:

1) O Aleixo sempre fez com que a gente se lembrasse do Franj.
2) Dá pra ter noção do vício quando sabemos exatamente quais são os esmaltes que foram citados no texto. Eu tenho vários desses, a Luna deve ter praticamente todos!

sábado, 21 de novembro de 2009

Aos bons amigos

Aos bons amigos informo que não estou morto. Afirmo que respiro, me movo e locomovo. Que não vertam prantos por um óbito meramente conceitual, de foro íntimo e circunscrito à minha pessoa, nada mais. Deve-se perecer em algum aspecto para que algo melhor nasça, ou, pelo menos, para que o restante sobreviva.

Minhas lamúrias, bons amigos, não se resumem aos devaneios abatidos pelas balas do tempo, posto que não tiveram o alimento imprescindível dos resultados mínimos, assim tendo o vôo limitado às altitudes mais próximas. Alvos fáceis da rudeza cotidiana e sua mira perfeita. O vôo sem destino nem pouso é letal mesmo para os albatrozes, que dirá um beija-flor mínimo e adoecido.

Afirmo bons amigos, que se me abate o desânimo do peso a vergar a coluna e ferir os ombros, continuo a caminhar em passos largos. Não me convém ceder à dor e ao cansaço; não tenho tempo para eles. O tempo, aliás, nunca foi um companheiro amistoso. Lépido e jocoso quando um bom momento se anuncia, mas de uma indolência letárgica quando da despedida. Esta a se delongar até o horizonte nu.

Afirmo bons amigos, que a vida ainda não mostrou a que veio, ou à que vim. Os anos precoces que me feriram a face se precaveram; Pollyanna jaz natimorta. Nem seu suspiro me foi dado ouvir. Mas caminho ainda assim, parar não é escolha, mas desta abdicar. As traças temporais e os cupins da enfermidade espreitam os exauridos para se apoderarem de seus meios, tão logo parem para repousar. Só se repousa em vera acepção no desenlace, se houver méritos.

Afirmo bons amigos, que a angústia de ainda viver não me tolhe o sorriso, mas me custa cada vez mais ofertá-lo. Os músculos do rosto doem, eles encontram na sisudez seu estado de repouso. É no cenho contraído que este rosto oleoso preserva suas energias. Não me cobrem, pois, peço-vos, demonstrar a alegria de que não sou munido, aquela que eu demonstro é um mero e embaçado reflexo da que vocês me emprestam.

A melancolia que me toma agora não é intrusa, ela é parte de mim, de minha natureza, de minha visão de mundo, das impressões que tenho da vida. Não será ela que me levará aos umbrais mais escuros, pelo contrário, a prefiro à euforia cega que é a única alternativa. Se ambas dilapidam minha saúde, a primeira me permite refletir e evitar perdas maiores. Se melancólico, uma faca na mão é apenas uma faca, não uma arma.

Não, bons amigos, não é uma carta
de despedida. Tampouco darei cabo de uma vida que me apresentaram à força. É a expressão de alguém que tem a firme convicção de terem sido bons tempos os que se distanciam. Não que sejam realmente bons tempos, talvez o sejam e eu não tenha percebido. São tempos em que eu ainda tinha esperanças de que fossem bons, e que o porvir seria melhor. Decerto que por imensa teimosia de minha parte, não vi que o caminho contrário é o que sigo. Não por meu arbítrio, mas por ser o único que me coube receber, o outro não serve em meus pés.

O arbítrio, bons amigos, não é uma opinião que se emite sem maiores conseqüências. Nem sempre me é permitido fazê-lo, e ao fazê-lo as podas ágeis que me tolhem a liberdade agem. Eu poderia, decerto, reagir e quebrar as tenazes que me prendem e dificultam a respiração, mas para tanto teria que abrir mão do caráter que tanto esmero me custou. O perderia sem ter o que lhe valha, nem mesmo metade.

A tempestade, bons amigos, é mais segura do que a calmaria falsa que me ofertam de tempos em tempos, que permite aos aduladores saltarem sobre suas vítimas. Os ventos fortes que castigam minha nau os mantêm em suas respectivas embarcações, e estas a uma distância segura. Já me acostumei à tempestade e talvez não me adapte à bonança. Já tenho cristalizada a condição de alerta, minha condição natural é a de sentido. Admito, todavia, que não é uma condição confortável, desaconselho aos aventureiros. A vida que levo não perdoa indisciplinas e não mede punições, aplicadas com vontade.

Não é por prazer, bons amigos, é por compromisso que vivo. Vivo por obrigação. O prazer me atiçou a curiosidade na juventude, mas hoje o vejo com desdém, um artigo supérfulo que não almejo e não faz parte da minha vida.
Se lhes parece árida a paisagem que descrevo, é nela, com ou sem pesares, que posso crescer e em nenhuma outra. Os jardins irrigados me encheriam de fungos e apodreceriam minhas raízes. Já não me acostumo à amenidade e não a tolero por tempo prolongado.

Mas não é, bons amigos, ruim a vida por compromisso, tampouco muito boa. É a que tenho, a de que disponho e da qual não posso abdicar senão quando findar sua missão. Admiro as cores que este mundo já não tem, os sons que já não emite e os aromas que minhas narinas ainda hoje saberiam identificar, se também não tivessem cedido lugar à fútil fantasia dos que exibem agressividade como status. Mas de tudo isto também só tenho lembranças brumosas, pois o usufruto foi uma vontade não concedida. Os molhos, o queijo e a pimenta não acompanham meu fusilli escuro.

Embora dividamos o mesmo planeta, meu mundo é outro. As paisagens glaciais de vez em quando apresentam alguma tundra. Desperdiçar recursos tem um preço elevado, pois a reposição é penosa. Não há vidros em minhas janelas, de modo que só posso visualizar o horizonte abrindo-as ou saindo de meu abrigo, mas só enquanto o vento gélido não me compromete a sobrevida. O sol jamais se levanta mais que um quarto de céu, neste meu mundo; isto no alto verão. No inverno o lábaro de ébano me propicia o espetáculo da aurora boreal, quando as temperaturas me permitem abrir as janelas e pôr os olhos ao céu.

Afirmo bons amigos, que a cíclica depressão que me acua já não assusta, a exposição excessiva e continuada a tornou impotente à minha presença, embora ela continue existindo e trabalhando. Estou acostumado a conviver com ela e sua família, trabalhando sob seus efeitos. Estou acostumado a trabalhar muito para pouquíssimo (por vezes nenhum) resultado, foi como aprendi a perseverar. A abundância também não está em meu portfólio. Na aridez de sentimentos e emoções sempre densos, aprendi a viver com o mínimo. Indisponho-me sempre que excedo esta cota.

Afirmo bons amigos, que a solidão resultante desta equação mórbida não é de toda ruim. É uma forja que me aquece até quase a liquefação, para então me golpear sem piedade e mergulhar minha lâmina em salmoura fria. O resultado é o que se espera de um bom aço, para o bem e para o mal. Reconheço que feri e firo seres amados no intuito ingênuo de resguardá-los. Mas asseguro que actos e palavras que emanam de mim, antes a mim ferem e a mim por último cicatrizam. Nisto me refugio em minha solidão inaparente e inacessível à maioria, onde as penitências e a piedade divina me curam o espírito.

Afirmo bons amigos, que não se trata de uma vida dura. É uma vida de privações, algumas voluntárias. É uma vida. Só serve para mim e para ninguém mais, e só ela me serve. Não se tira perenemente de um quartel o oficial que nele habitou a vida inteira, ele não se adapta à frouxidão de regras que apraz os civis. Salvo saídas esporádicas para breves incursões, a loucura de uma nostalgia patológica o acometeria rapidamente. Do mesmo modo que um profissional liberal convicto não se adapta à rigidez de regras e horários.


Afirmo bons amigos, por fim, que a nostalgia germinada de minha melancólica personalidade não me corrói. É um ácido concentrado para o qual me adaptei imediatamente, e sem o qual adoeceria em poucos dias. É deste ácido, não da água ou do ar, que tiro o oxigênio que sustenta minha permanência neste orbe. Não foi desta (talvez na próxima) vez que redundei em um terrestre pleno e bem resolvido. Talvez a terrestria não seja, ainda, a minha identidade, mas terá que ser a partir de algum momento. Aquilo, pois, que lhes envenenaria e lhes parece ser tão triste, bons amigos, é só o que eu tenho para me manter vivo.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

The World Needs a Hero III

E voltamos a falar de heróis...

Não consigo prosseguir sem citar uma frase inesquecível de Homer Simpson: "Se você está realmente aí, em algum lugar, eu realmente preciso da sua ajuda, Superman!"

Finda a pequena digressão para fins terapêuticos, voltemos ao texto.

Quando se estuda Mitos, sejam eles de que origem for, acaba-se chegando a certas conclusões. Uma delas, que eu vou evidenciar mais neste texto, é a conclusão tirada por Carl Gustav Jung.

Em todas (ou quase todas) as culturas existem mitos, contos, folclores que se repetem. Estórias que mudam de nome, de lugar, de personagens. Mas trazem a mesma mensagem. Sempre o mesmo momento de decisão, sempre o mesmo símbolo.

Pra citar um exemplo básico (e um pouco tosco), tomemos Ogum, Deus do Ferro e da Guerra na nação africana Nagô. Na Mitologia Grega, temos Ares (ou Marte, para os romanos) no mesmo papel. E ainda Thor, na mitologia nórdica.

Claro que nesses 3 casos, os mitos de cada uma dessas divindades são diferentes. Mas em todas, eles são Heróis. E Jung falava exatamente desses pontos em comum. Do mesmo jeito que existem os heróis, existem os vilões. Existe a vítima. Existe o Sacerdote. Existe aquele que se sacrifica, etc, etc, etc...

A essas repetições, Jung chamou de Arquétipos.

Pra facilitar a compreensão e diminuir consideravelmente o texto, vamos dizer que essas estórias se repetem em todas as culturas, demonstrando que o comportamento trazido pelos personagens das estórias repete-se em todas as culturas dominantes. Dominantes, porque se mantiveram.

Os Heróis nem sempre são bons, nem sempre seguem o mesmo padrão cultural, nem sempre seguem as mesmas atitudes.

Por exemplo, Jesus Cristo foi um Herói que deu a vida para a redenção da Humanidade. (E só pra constar, pessoalmente, Jesus não é apenas um herói arquetípico. Apenas estou falando sobre isso no texto.)

Já seu equivalente africano, Oxalá (ou Orixalá), num dado momento da lenda, se embriaga e quase estraga a construção do mundo, que ficou nas mãos de Exu. Exu que é (para muitos) equivalente ao Hermes grego.

As equivalências e concordâncias são tantas que escapam ao controle do mero acaso.

Mas no fim das contas, porque realmente precisamos de heróis?

Porque eles nos mostram o que fazer, nos mostram que não devemos desistir.

São eles que constroem a atitude moral de um povo, de uma civilização. E se chegamos até aqui, é porque vários deles construíram, um após o outro, condições e regras morais que nos mantiveram vivos e seguindo em frente.

Digam o que quiserem, mas Moisés fundamentou todo um mundo que seguimos até hoje.

Jesus Cristo complementou ensinando que apesar das regras, o Amor deve estar acima de tudo.

Sim, temos o Oriente. E Buda, Krishna e Maomé fazendo o mesmo papel. Sim, Maomé não é exatamente do Oriente, mas o Islamismo é muito forte por lá.

Sem contar as culturas tribais que ainda se mantem, mesmo no nosso mundo "globalizado", como as tribos africanas, aborígenes, e indígenas, em toda a extensão das Américas. Que ainda que tenham sido cristianizadas, ainda mantem sua cultura, misturada a cultura européia. Mas ainda restam algumas coisas.

Num mundo globalizado, onde tudo tende a se misturar, as pessoas estão sem saber que Heróis seguir. Não sabem se se mantem presas aos antigos heróis, ou se apegam aos novos que estão sendo distribuídos.

Se perdem moralmente.

Por isso, nós precisamos de um herói. Com urgência.

Carl Gustav Jung: "Sim, Fio. Concordo com você."