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sábado, 31 de dezembro de 2011

Aos Taleitores

Tim-tim. Feliz 2012!

Agradecemos pela compreensão de nossos leitores, que se mostram fiéis mesmo com o passar dos anos, das dificuldades e das atribulações que enfrentamos.

Agradecemos pela freqüência com trema. Nosso painel mostra bem a estatística de leitura. Embora nem todos comentem, o painel do blog mostra os acessos, já nos aproximamos de cem mil visitas.

Agradecemos aos taleitores pela boa aceitação das mudanças de estilo de nossos artigos, afinal não faz sentido escrever exactamente as mesmas cousas em dois ou três blogs.

Agradecemos por compartilharem nossos gostos pela fina arte da boa tosqueira, porque tosqueiras de mau gosto, há muito blog idiota que se gaba de mostrar sem pudores.

Agradecemos porque vimos aqui escrever de boa vontade, sem ganhar um centavo, só perpetuando a nobre philosophia com "PH"da siacabância.

Agradecemos porque somos crianças bem educadas, e levaremos uma vara de marmelo no lombo se fizermos malcriações.

Agradecemos pela teimosia em, tendo caído aqui por acidente, insistirem em ler nossas tosqueiras, geralmente acrescentando um leitor ao nosso blog.

Agradecemos aos taleitores e deixamos aberta a caixa de comentários, não só para que comentem, mas também para sugestões, críticas, pedidos e afins.

Agradecemos também a Henry Ford, sem o qual o Corcel Coupé Azul-Calcinha ano 1976, jamais poderia existir.

Agradecemos à Flávia, à Clarissa e à Viviana, que nos deram a chance de começar esta encrenca, reunindo-nos em um só pardieiro, digo, fórum.

Agradecemos e deixamos nossa mensagem no melhor estilo do Talicoisa, por intermédio do inigualável grupo ABBA, que melhor traduz o que nós somos. O mundo não vai acabar e nós continuaremos aqui, neste mesmo bat-blog, procurando assunto para falar com vocês.


sábado, 24 de dezembro de 2011

Apesar


Apesar de tanta gente descrente agredir quem crê;

Apesar de tanta gente só enxergar o natal como troca de presentes;

Apesar de tanta gente só enxergar o natal como reforço de caixa;

Apesar de tanta gente amarga usar a internet para tentar nos obrigar a não tocar no assunto;

Apesar de tanta gente nos assediar para nos convencer (na marra) que que é tudo besteira, e nos ameaçar com represálias materialistas por não aderirmos;

Apesar de nossos talicoisers estarem enfrentando revezes duros nestes últimos anos, e por isso quase não nos agraciado com suas ilustres presenças;

Apesar de tantas adversidades a tolherem nossas criatividades... e também nossos desvairos semanais ao teclado;

Apesar de os trolls azedos e sem motivos próprios para viver terem urubuzado o Talicoisa...

Nossos seguidores mais do que dobraram em menos de um ano;

Ainda encontramos alguma bobagem legal para escrever, mesmo que seja na base do uni-du-ni-te;

Este blog não tem prazo de validade e permanecerá no ar até o último talicoiser deixar seu corpo... se não houver herdeiros;

Temos este singelo textinho de natal, ainda que saibamos que o nascimento de Cristo foi em Abril, mas quem disse que ele se importa?

Continuamos a nos importar assim mesmo, falaremos de pessoas como pessoas, não como "celebridades" ou o que valha;

Continuamos trabalhando de graça neste blog, mas com toda a boa vontade do mundo;

Com toda a distância que nos separa, nem dá para pensar em um amigo secreto, então fica só no Feliz Natal mesmo;

Feliz Natal e próspero Ano Novo, dos talicoisers para seus leitores, não-leitores e gente que não fala português, mas é trazida até aqui pelas maluquices do Google.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Reencontro

Pensei em um conto de natal diferente do que se faz normalmente. Contarei por minhas palavras o que li em um relato espírita, cedido pelo meu alfaiate, que narra o reencontro de mãe e filho, que estavam separados por décadas.



Ela já estava velha e cansada, com sua beleza consumida pela idade, pelos lutos e pela vida dura que precisou levar. Não era a mulher submissa que a época exigia, mas ainda assim impunha respeito e admiração da comunidade. Ser viúva e sem posses lhe cobrava um preço alto, pois mesmo na comunidade a misoginia reinante alimentava o despeito dos homens.


Entretanto uma cousa as vicissitudes não lhe tomaram: o coração angélico. Como desde sempre, continuava a receber em sua cabana qualquer um que viesse lhe pedir amparo, fosse por fome, fosse por aflição, fosse hebreu, samaritano, mesmo um soldado romano, fosse quem fosse e pelo que fosse. Seus esforços nunca ficavam aquém de suas possibilidades, todas as suas possibilidades. Seu limite para o trabalho era o limite de suas forças.


Mas estas possibilidades se tornavam cada vez mais escassas, era só uma lavadeira idosa e já acometida pelos males típicos da idade.


Certa feita, já se preparando para dormir, ouviu baterem à sua porta. Com o peso do dia duro a limitar sua agilidade, foi ver o que poderia fazer para o visitante tardio, já se preparando para dar suas palavras de consolo e talvez um pedaço de pão. Deparou-se com um velho encapuzado e convidou-o a entrar. E que surpresa, ele é que começou a falar da vida celeste, das recompensas que a aguardavam, de tudo mais o que sua vida absolutamente santa lhe reservava. Seus olhos marejavam e a voz embargava, era a primeira vez que lhe consolavam em vez de pedir consolo.


No decorrer da conversa, certos padrões se deixaram reconhecer. A voz firme e cristalina do visitante destoava de sua aparência decadente, assim como seus gestos suaves e o repertório de seu vocabulário, muito além do de qualquer homem de conhecera, exceto por... E uma boa mãe não reconheceria seu filho? Ele notara que sim. Então deixou o capuz cair e se revelou para sua sofrida mãe, que se ajoelhou chorosa aos seus pés, e ele se ajoelhou para abraçá-la. Embora fosse figura se sua veneração, ele deixou claro que eram iguais, estavam precisamente no mesmo nível. Em breve, avisou, virei buscá-la. Já está a caminho quem te auxiliará no teu desenlace.


Ele se despediu e ela foi dormir feliz como nunca. Na manhã seguinte chegou o auxílio prometido e, pela primeira vez, a senhora se deixou tomar pela enfermidade da velhice, pois já era hora de se livrar das amarras. Enquanto se fez necessário Simão Pedro ficou ao lado de Maria, fiel como ela sempre fora à sua missão.


Certa noite, Pedro percebeu que o corpo começava a se esvaziar, sua Senhora estava indo embora. Mas lhe foi permitido ver tudo acontecer como estava acontecendo. Daquele corpo decrépito saia, mais intensa do que na juventude, Maria em sua indescritível beleza, seu olhar esplendoroso e pleno de um amor capaz de cegar a nós, pobres pecadores, sua voz doce e suave que nos faria chorar antes que concluísse uma frase. À sua frente se abriu um portal de uma luz que queimaria Simão Pedro, não fosse que já conseguira ser. Deste portal, para o abraço da união eterna, desceu Jesus à Sua Mãe. À Sua frente uma comitiva de seres celestes guarnecia Sua nova ascensão, desde os anjos mais novatos aos mais elevados serafins, todos estavam de joelhos, sinalizando que estavam ao seu irrestrito serviço, de então em diante.


Jesus ainda consolou Simão Pedro, avisando que iria buscá-lo em breve, então Mãe e Filho retornaram pela estrada de luz para retomar o governo da terra, que se hoje seus habitantes precisam de toda a assistência que receberem, na época de sua infância muito mais.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Plantão!

Pra mim, o Tali-coisa representou muitas coisas. Mas conhecer todos vocês foi a mais marcante delas. Nosso blog nasceu de uma conversa sem grandes pretensões e acabou neste sítio cheio de glamour e famoso em toda a World Wide Web. Tá, não em toda, mas em grande parte dela, podem acreditar.

De conversas totalmente sem noção em janelões, eu conheci a personalidade, o jeitinho de cada um ser. E todos são únicos, cada qual com a sua peculiaridade. E claro que eu não vou descrever cada um de vocês, porque eu demoraria dias pra isso. Vocês me conhecem, quando eu me empolgo, os textos viram tratados.

Eu só quero deixar registrado o quanto vocês foram (e ainda são, podem ter certeza) importantes na minha vida. Esse um ano de convivência mais íntima (eita, delícia!) significaram muitas risadas e amizades que levarei comigo sempre. Fico triste de não conseguir colaborar com TC da maneira que eu gostaria, mas sei que nosso filhote está em ótimas mãos na minha ausência. Eu espero que num futuro não muito distante, eu possa voltar a dividir com vocês (e com os leitores) as peripécias da minha vida e falar sobre assuntos sem importância. Porque de coisas sérias nossa vida está cheia. E o Tali-coisa nasceu com o objetivo de tornar o dia-a-dia das pessoas mais divertido. E cumpre com o seu papel muito bem, graças ao bom-humor (às vezes ácido, eu adoro!), ironia e alegria de viver de cada um de vocês.

Muito axé pra vocês!
Espero que possamos nos encontrar para tirar a foto que a Meg disse.
Porque o blog do Brasil tem o pedacinho de cada um de nós. E todos vocês têm um pedacinho da Melzinha também.

Peço perdão se atrapalhei a postagem de alguém hoje, mas não poderia deixar de dizer que amo todos vocês.

Beijocas no coração!
Melzinha

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Amor sem fronteiras

Vocês sabem que vira e mexe sou tomada por um romantismo e uma melação que ninguém sabe de onde vem. Neste último fim de semana o tal romantismo atacou de novo. Assisti ao filme P.S. Eu te amo e, óbvio, chorei horrores.

O filme não é mais um daqueles açucarados, pelo contrário. Inicia com um discussão de um casal, Holly (Hilary Swank) e Gerry Kennedy (o delícia do Gerard Butler). Ela está descontente com seu emprego, quer morar em um apartamento maior e deseja estabilidade financeira. Ele, acha que é o momento para ter filhos. Aí se dá o conflito, mas a discussão termina em beijos e abraços. Nesses primeiros cinco minutos do filme, percebemos que os dois se amam e se completam. Mas, logo em seguida, vemos tudo isso desmoronar com a morte de Gerry. Holly se vê obrigada a recomeçar a vida com objetivos diferentes, mas ela é tomada por um desespero imenso e não consegue nem ao menos sair de casa.

A primeira surpresa aparece no seu trigésimo aniversário, algumas semanas depois da morte de Gerry. Holly recebe em sua casa uma caixa com um bolo e uma fita cassete. Nesta, Gerryfala para a mulher que ela deve sair para se divertir. Sim, Gerry deixou a gravação preparada antes de morrer, assim como as cartas que começam a chegar em seguida. O objetivo das cartas é fazer com que Holly viva a vida de maneira mais divertida e mostram alternativas que talvez fossem difíceis de ser alcançadas sem essa ajuda. Ao mesmo tempo que Holly recebe as cartas, somos apresentados à história do casal, por meio de flash backs que esclarecem muitas coisas durante o decorrer da história.

Mas, mesmo diante da perda, o filme não nos deixa com um aperto no peito. Muito pelo contrário, é uma lição de vida e prova de amor. Eu vejo P.S. Eu te amo como o antagonista de Ghost, que mostra a morte como uma perda irreparável, quase como algo impossível de ser superado. P.S. Eu te amo faz exatamente o contrário. Gerry mostra o caminho para Holly retomar sua vida sem ele. Tudo de uma maneira sutil e da forma mais linda que eu já vi. Tá, eu to sensível, mas assistam ao filme e depois me digam se não é uma das provas de amor mais sinceras que vocês já viram. O filme conta a história de um amor que acaba, mas, de alguma forma, não termina. Tudo isso, junto com a trilha sonora, feixa difícil conter as lágrimas.

E eu não contive mesmo. Chorei rios, mas achei o filme, acima de tudo, uma lição de como lidar com uma perda tão grande. E, mais do que isso, que o amor pode, sim, ser eterno. E que o amor pode transformar as pessoas, mesmo depois que é tirado de nós.

O grande amor da sua vida se vai. É o momento de desistir de tudo? Pelo contrário, é o momento de mostrar que esse amor é o grande responsável pela sua felicidade.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

As meninas

Durante o último ano do curso de jornalismo na Cásper Líbero, eu tive a disciplina Ética Jornalística. Sabe aquelas aulas que você viaja, pensa em milhões de coisas, mas não presta atenção no que o professor diz. Pois é, era assim. Uma das poucas aulas que conseguiu segurar minha atenção foi uma em que analisamos o quadro As meninas, do espanhol Diego Velásquez.

As meninas foi pintada em 1656 e é, hoje, uma das mais famosas obras européias e frequentemente analisada. Feita durante a fase “La Familia” do pintor, a obra retrata a pequena princesa Margarita, da Áustria, cercada pela sua corte de damas e empregados. À esquerda da pintura, está a figura do próprio Velásquez, retratando o casal real. Os dois, Felipe IV e Mariana da Áustria, são refletidos no espelho que está no plano de fundo do quadro. As meninas, do título da obra, na realidade, são as duas personagens ao lado (uma à esquerda e outra à direita) de Margarita.

Na minha aula da faculdade, utilizamos a leitura de Michel Foucault para entender o enigma criado por Velásquez em sua obra. Para resumir, o autor atribui o tema da pintura ao espaço externo, ou seja, nós, admiradores da obra, vemos exatamente o que o casal real vê. Na verdade, Felipe IV e Mariana são o motivo do quadro a ser pintado por Velásquez.

Na minha interpretação, gosto de imaginar que Velásquez fixou um momento real muito antes da idéia da máquina fotográfica ser pensada. Foucault frisa a autonomia do quadro, em parceira com o conceito de representação, que é fundamentado na imitação da realidade. E é exatamente essa representação que Velásquez faz em sua obra.

Eu sempre fiz a relação deste quadro com o conceito de metalinguagem. Escrever sobre o ato de escrever. No quadro, o pintor pinta sobre o ato de pintar. E eu acho simplesmente sensacional.

P.S.: A inspiração para o texto veio quando acessei a página do Google e encontrei uma referência ao pintor Velásquez. O que imediatamente fez com que viesse à minha lembrança o quadro As meninas. Hoje deve ser alguma data importante, mas eu desconheço. Se alguém souber o motivo da homenagem do Google ao pintor (o logotipo do site de buscas é o próprio quadro que comentei no texto de hoje), deixe um comentário por aqui. Melzinha agradece a informação.

P.S.2: Alguém aí sabe a maniera correta de escrever o sobrenome do homem? Velásquez ou Velázquez?

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Corági!!

E hoje eu fui fazer minha primeira tatuagem. No pé. Colorida. Estava morrendo de medo. De verdade. Mas acabei me surpreendendo.

Não é nada que não se possa suportar. E, sim, dói menos do que depilação da virilha. É incômodo, mas nada além disso. O que incomoda mais, na verdade, é o barulhinho maldito do aparelho. Lembra muito dentista, o que me deixou um pouco apreensiva. Mas logo passou. O tatuador é gente boa e ouviu a Kiss durante todo o processo, o que também colabor
ou para eu ficar calma. Porque eu cheguei no estúdio suando frio e pálida! Mas nem precisava tanto.

Duas horas depois, minha tatuagem ficou pronta e eu muito satisfeita com o resultado. Não tive um ataque cardíaco, o que me deixa bem feliz. E é isso, Melzinha agora tem um belo beija-flor no pé.

E nada mais de interessante tenho para escrever.

Tá parecendo aqueles blogs em formato de diário virtual. =P

Whatever. Por hoje é só, pessoal!


quinta-feira, 15 de maio de 2008

A minha mãe é tudo de bom...

... porque ela ouve rock no último volume e canta animadíssima comigo.

... porque ela me ensinou a gostar de Madonna quando eu ainda era um pequeno ser dentro dela.

... porque ela me escuta enquanto choramingo sobre minhas aventuras amorosas.

... porque ela sempre me apoiou em tudo o que fiz, principalmente na escolha da minha profissão.


... porque ela come manga com sal.

... porque ela cozinha como ninguém, mas não é muito fã de ficar horas no fogão.

... porque ela é moderna e a gente usa as mesmas calças jeans.

... porque ela compartilha meu vício por sapatos.

... porque ela é minha melhor amiga e sabe de tudo que acontece na minha vida.

... porque ela adora queimar meu filme quando apresento um namorado, mostrando minhas fotos de criança para o pretendente.

... porque ela é linda e passaria por minha irmã com facilidade.

... porque ela também acha que o Marcello Antony é tudo de bom.

... porque ela chora comigo quando assistimos filmes românticos.

... porque ela vibra comigo durante os jogos do Corinthians, mesmo não tendo time definido. E canta as músicas junto comigo e a torcida.

... porque ela participa de todos os momentos da minha vida.

... porque ela é minha maior fã.

... porque ela acredita que um dia vou ser apresentadora do Jornal Nacional.

... porque ela sempre lê o Tali-Coisa, elogia e comenta os textos dos demais participantes.

... porque ela sente o maior amor do mundo pelas filhas.

... porque ela faz amizade com todo mundo, desde os porteiros até a caixa do mercadinho.

... porque ela me ensinou a vencer os obstáculos da vida.

... porque ela é exemplo de determinação.

... porque ela é a melhor mãe do mundo!

Te amo, mamis!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A notícia como espetáculo

Jornalismo é uma das minhas paixões. Sempre foi. Não foi difícil escolher a faculdade que faria, porque já tinha convicção da profissão que gostaria de seguir. São vários os motivos pelos quais a decisão foi tomada com facilidade. Um deles é que eu sempre achei que o jornalista tem um importante papel na sociedade. É ele que conta o que de mais importante acontece no bairro, cidade, país, mundo.

Mas, apesar de eu ser jornalista, tenho uma visão bem pé no chão do que essa profissão acarreta. Se existe algo em que eu não acredito - e durante a faculdade os professores nos orientaram a isso - é na imparcialidade. O jornalismo não é imparcial e não deve ter a pretensão de ser. A parcialidade surge desde o momento da escolha daquilo que é importante para o público saber e o que não é. A partir daí, a conhecida audiência é que fala mais alto.

José Arbex Jr., um dos jornalistas que mais admiro, escreveu um livro que explica como a audiência rege a atividade jornalística nos dias atuais. Em Showrnalismo, a notícia como espetáculo, Arbex ensina a ler a mídia. É um livro cético e crítico, mas leitura obrigatória para aqueles que querem entender um pouco melhor o que acontece hoje nos meios de comunicação. “‘Fatos’ e ‘notícias’ não existem por si só, como entidades ‘naturais’. Ao contrário, são assim designados por alguém (por exemplo, por um editor), por motivos (culturais, sociais, econômicos, políticos) que nem sempre são óbvios. Mas essa operação fica oculta sob o manto mistificador da suposta ‘objetividade jornalística’”. A isenção é algo complicado.

Falei tudo isso para chegar ao caso da menina Isabella, que domina todos os veículos de comunicação há um mês. Não vou entrar no detalhe da crueldade do crime, dos acusados ou da postura de advogados e promotores envolvidos no caso. Isso não é da minha alçada. O que posso comentar é sobre a cobertura que vem sendo feita ao longo dos desdobramentos do caso. Cada resultado da investigação, cada movimento é divulgado como se fosse a descoberta do ano. Os acusados, a mãe da menina e os familiares tornaram-se os protagonistas de uma tragédia que bate em nossas portas todos os dias. É praticamente impossível ligar a televisão, abrir um jornal ou uma revista e não se deparar com esses personagens. Eles estão inseridos no nosso dia-a-dia, quer você queira ou não. E tudo isso por que? Por causa da incessante e incansável cobertura jornalística do caso. Fiquei mais impressionada no dia que aconteceu a simulação do crime. Algumas emissoras acompanharam desde o início da manhã até o fim dos trabalhos da polícia e perícia. Alugaram apartamentos para ter uma imagem melhor, disponibilizaram uma enorme equipe de jornalistas e cinegrafistas para acompanhar tudo. E, junto a esses, mais centenas de jornalistas se acotovelavam para conseguir a melhor imagem.

Existe um filme, A montanha dos abutres, que também mostra como a busca doentia por audiência pode resultar em tragédia. No filme, a chamada “imprensa marrom” atua exatamente da maneira que os meios de comunicação estão agindo no caso Isabella. Vale a pena conferir as imensas semelhanças que existem entre um filme de ficção e um acontecimento da vida real.

A resolução da morte de Isabella virou um show, um espetáculo que todos querem saber o final. Parece que nunca nenh
uma outra criança foi assassinada de maneira cruel e desumana. Enquanto a mídia dá destaque para a menina Isabella, quantas outras crianças não sofrem abusos e são mortas pelo Brasil e mundo afora? Esse é o jornalismo que temos hoje. Mas esse não é o jornalismo que defendo e que quero seguir. Se eu acredito em um jornalismo de qualidade? Sim, acredito. Porque quero acreditar que a paixão que me fez escolher essa profissão tenha feito muitos outros enveredarem por esses campos. José Arbex Jr. escreveu que vivemos em uma sociedade do espetáculo. Eu espero um dia escrever que essa máxima foi derrubada e que o verdadeiro sentido do jornalismo finalmente veio à tona.

E no espetáculo da vida, quem são os verdadeiros palhaços?

quinta-feira, 24 de abril de 2008

São Thomé das Pedras

Neste feriado de Tiradentes a proposta era conhecer um lugar diferente. Sair da correria da megalópole e , literalmente, me enfiar no meio do mato. A cidade eleita para receber minha ilustre presença foi São Thomé das Letras, em Minas Gerais.

Não sei se vocês sabem, mas a cidadezinha tem fama de ser invadida por pessoas que usufruem de substâncias ilegais. Digamos que as pessoas lá gostam de "viajar", sabe? Por isso, toda vez que eu comentava que passaria o feriado em São Thomé das Letras, as pessoas arregalavam os olhos ou faziam piadinhas com o fato da cidade ser, digamos, tão liberal. Enfim, além dessa (má) fama, São Thomé também é conhecida pelo grande registro de aparecimento de objetos voadores não identificados. Sim, a galera vê uns extraterrestres por lá. Dizem que o registro desses aparecimentos é tão grande que ufologistas dedicam um bom tempo para investigar e talicoisa. Eu, particularmente, não estabeleci nenhum contato de primeiro grau com nenhum homenzinho verde e cheguei à conclusão que os tais são frutos das alucinações da galera liberal que está sempre por lá.

Isso foi o mais perto que cheguei de um extraterrestre em São Thomé

Além desses fatos estranhos (ainda tem as bruxas, mas essa história eu não investiguei direito e vou ficar devendo procês... desculpa aê), a cidade tem muito de interessante também. Uma das coisas é que é
totalmente feita de pedras. Desde as ruas até as casas, tudo é feito com quartzito. E a extração dessa pedra representa a maior fatia da renda dos moradores. As ruas, by the way, são bem maldosas com os carros. A cidade é bem simples, tem jeitão de cidadezinha rural. E eu adorei isso. Esqueci completamente a cidade grande. Inclusive, as paisagens do lugar são muito lindas, o que me fez esquecer ainda mais que precisava voltar para a poluição e o estresse de todo santo dia. As minhas palavras não são capazes de transmitir a beleza de alguns lugares, por isso resolvi mostrar pra vocês.

Esse é o Cruzeiro, que fica na Pirâmide, que tem esse nome por causa da formação rochosa que, quando vista ao longe, tem o formato de uma pirâmide.

Essa é a vista que se tem quando sobe-se até o Mirante da cidade.

Pedras por todos os lados.

Não disse que eu esqueci da vida?? Tá aí a prova.

Resumindo, pessoas, visitem São Thomé das Letras. O lugar é bem bonito, tem cachoeiras, ótimos restaurantes e até balada! E quem sabe algum de vocês encontra um et pra me contar depois como foi a experiência??

quinta-feira, 17 de abril de 2008

A elegância é silenciosa

Os ossos do ofício às vezes trazem coisas interessantes para nossas vidas. Ontem, por exemplo, tive que cobrir uma palestra realizada no Senac até às 22h. Mas não pensem que eu fiquei triste ou revoltada e arrancando os cabelos. Não, eu me diverti horrores. A palestra foi sobre um novo curso desenvolvido pelo Senac para as pessoas aprenderem sobre a etiqueta em eventos. Não, não é etiqueta de roupa, aquela que incomoda e a gente sempre corta. Não, é etiqueta de comportamento, seus brutos.

Enfim, o palestrante foi o Fabio Arruda (procura no google aí, porque eu não to com vontade de explicar quem é ele). Eu só tenho a dizer que a palestra dele foi muito mais do que divertida e eu ainda aprendi a ser chique, bem!

Aprendi, por exemplo, que quem criou a etiqueta foi o Rei Luís XIV, o rei Sol. Ele é considerado o primeiro diplomata da história e o pioneiro na criação de normas de comportamento comum. Resumindo, a corte do cara era composta por brutos e ele teve que dar um jeito naqueles franceses fedidos para poder apresentar às outras cortes do mundo. A palavra etiqueta, by the way, vem do francês estiquete, que eram os pequenos pedaços de papel que Luís XIV utilizou para anotar as normas de gente chique.

Uma das regras básicas da etiqueta é o domínio da palavra. Sim, porque você tem que se fazer entender. E fazer entender não quer dizer GRITAR, gente. Como Fabio Arruda disse, a elegância é silenciosa e ruídos altos provocam invasão auditiva. Resumindo, vai gritar lá nas suas quebradas, filha. Porque gente chique conversa sussurrando.

Outra coisa, está para surgir povo mais beijoqueiro do que brasileiro. Nem francês beija tanto quanto brasileiro. É uma coisa de louco! Não vai sair distribuindo beijos em eventos, pelamordedeus. Aperto de mão ainda é o cumprimento mais indicado. Transmite transparência e credibilidade. Mas não vai apertar a mão do cidadão. Isso não é mostrar firmeza ou macheza, é falta de educação mesmo. Ah, e daí, dessa coisa de beijo, aprendi, também, que as pessoas utilizam o “sair à francesa” de maneira errada. O certo é “sair à inglesa”, porque francês beija todo mundo e você demoraria horrores para se despedir da comunidade. Faça como os ingleses, sai com cara blasè, de fininho. Sem perder a elegância, é claro.

Existem, ainda, os cinco nãos primordiais da etiqueta social: não aponte, não boceje, não se coce, não cutuque e não se espreguice. Não preciso nem explicar, né, gente? E o não se coce também inclui o desgusting hábito masculino de mexer no coleguinha deles. Não, não pode! E aqui, o Fabio Arruda diz que homens não podem colocar as mãos nos bolsos. Além de ser um disfarce para o hábito já mencionado, demonstra falta de interesse. As mãos devem sempre estar à vista.

E uma coisa que eu sempre achei deveras mal educada. Nunca, jamais, never leve para casa o arranjo da mesa. Não tem coisa mais pobre do que levar o arranjo da mesa!!!! E outra, quem disse que pode levar embora uma coisa que não é sua? Isso é roubo, crime, sabia?

Enfim, a palestra do Fabio Arruda é muito divertida. Ele ainda ensina várias outras regras de comportamento que não daria para colocar aqui.

Mas, tipo assim, vão lá no Senac, façam o curso e ajudem a pagar o salário da Melzinha. Sim, eu faço propaganda descarada do meu cliente. É o trabalho de assessor de imprensa, gente. Não me condenem!

Quanta classe, não?

quinta-feira, 10 de abril de 2008

A tênue fronteira entre fantasia e realidade

Sempre fui uma grande admiradora de literatura e filmes que abordam a fantasia como tema. Mas são poucas as produções cinematográficas deste estilo que me fazem refletir. E “O Labirinto do Fauno”, de Guillermo Del Toro, é uma dessas obras. E Desde que assisti ao filme sinto vontade de comentar por aqui. Dias desses (não me pergunte exatamente quando) essa vontade foi alimentada por comentários levantados no fórum do Garotas que Dizem Ni e me encorajaram a escrever o texto de hoje.
Vamos ao filme, então. A introdução é uma pequena narração sobre uma princesa que deixou seu reino subterrâneo para conhecer o mundo humano e as conseqüências dessa curiosidade. Em seguida, é apresentada ao telespectador Ofélia, uma garotinha de 10 anos que é grande admiradora de livros de contos de fada. A menina e sua mãe estão indo ao encontro de Vidal, capitão das forças fascistas do General Francisco Franco, que governa a Espanha após o fim da Guerra Civil. Vidal tenta eliminar os rebeldes que são contra o regime imposto por Franco. Este homem é o novo marido da mãe de Ofélia.
Ao redor da nova casa, a garota descobre um labirinto que leva a uma trilha subterrânea. Lá ela conhece o Fauno, criatura fantástica que a convence de que ela é a princesa perdida do reino subterrâneo. E, para que possa voltar ao seu mundo de realeza, ela precisa realizar algumas tarefas. É, a partir de então, que o somos apresentados a cenas e personagens inesquecíveis, em conjunto com a espetacular fotografia do filme.

O interessante do filme e que, consequentemente, me fez parar para pensar, é que Del Toro não deixa claro durante todo o decorrer da história o que é fantasia e o que é realidade. Isso fica a cargo da interpretação do espectador. Essa dualidade é primorosamente evidenciada pela personagem de Ofélia. Durante as tarefas que precisa realizar, a garota se vê às voltas com seres aterrorizantes o que, nos leva a relacionar com a brutalidade característica de Vidal. O capitão se apóia em uma ideologia baseada na violência e é, portanto, uma pessoa rígida. Ofélia é sonhadora e apaixonada por fantasia. Essas duas visões de mundo se contrapõem o tempo todo.

“O Labirinto do Fauno” é, sem sombra de dúvidas, um dos meus filmes preferidos. E não pense que é um filme para crianças, muito pelo contrário. A luta de Vidal contra os rebeldes, que funciona como pano de fundo da trama, é recheada de cenas violentas. Fotografia e iluminação, sempre obscuras, transmitem um clima pesado em contraste com a doçura e a fascinação exercida pelos seres de contos de fadas. Del Toro consegue somar crítica social, política e a fuga emocional de Ofélia de maneira sutil e genial.

O filme é pesado e depressivo para alguns; salvador e esperançoso para outros. Tudo depende da interpretação dos fatos apresentados por Del Toro. Os personagens fantásticos são muito mais sensíveis do que os humanos, o que torna o mundo fantástico muito mais atraente e menos cruel do que o dia-a-dia. Assim, o filme produz uma alegoria das alternativas e escolhas da vida. O que o labirinto representa no contexto do filme? O que é o labirinto senão uma dessas alternativas, aliada à inocência, representada na figura de Ofélia e nas ações decorrentes de suas convicções.

É certo que o mundo em que Ofélia se vê inserida é imaginativo, mas é, ao mesmo tempo, absolutamente real e verdadeiro para ela. Ou para nós, depende do final que você escolhe aceitar dentro da sua mente. O meu final é exatamente o final imaginado e vivido por Ofélia. Porque eu prefiro acreditar que existe um mundo fantástico dentro de cada um de nós. Fuga? Talvez. Pra mim, a vida é feita de escolhas. E a minha é aceitar um mundo de fantasias. Mesmo que ele seja real apenas dentro da minha cabeça.

Hoje é dia de festa talicoisística!

Hoje o menino Dave, o Coelhoso, faz aniversário!!!

Muitas felicidades, moçoilo!

Tudo de bom sempre pra você! =)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

E o romantismo ataca novamente

Essa semana eu completo um ano de solteirice. Sim, eu guardo datas. Mesmo as não tão importantes assim. Eu tenho um sério problema, memorizo datas, números de telefones e endereços como se não houvesse amanhã. Guardo tudo na minha cabeça. Não sei onde tem tanto espaço para essas informações. Mas, enfim, voltando ao que quero dizer (eu sempre divago, não tem jeito... é mais forte do que eu). Durante esse período, passei por muitas experiências (falou, pegadora!!!!) desagradáveis e cheguei a uma conclusão que gostaria de dividir com vocês. Concluí que o romantismo não existe mais.
Eu sei que parece pessimista demais, mas é a sensação que eu tenho. Não é aquele romantismo que nós, mulheres, gostamos tanto de enfatizar. Não é abrir a porta do carro, mandar flores, lembrar datas ou ser educado (até porque isso é mais do que obrigação, né?). Não, é o romantismo na sua essência que eu não consigo mais enxergar. É aquele jogo de sedução, de olhares e sorrisos tímidos. Eu não consigo mais ver isso nas pessoas. Os sentimentos me parecem tão superficiais, as pessoas não se deixam mais envolver pelo momento, tudo parece tão mecânico.
Não há, hoje, o trabalho de se conquistar alguém. As mulheres estão cada vez mais fáceis e vulgares. Não vou generalizar, mas a maioria é assim. Os homens, por sua vez, estão cada vez mais preguiçosos na arte da conquista. Talvez pelo fato da mulherada estar a perigo. Os homens não precisam mais se dedicar a elaborar uma boa conversa, a planejar uma abordagem que seja, no mínimo, respeitosa. Não. Até porque a mulherada tem se encarregado disso.
Eu sou muito careta quando se trata de romantismo. Eu ainda acho que os homens é que devem tomar a iniciativa. Não que eu nunca tenha feito isso, mas ainda prefiro que a primeira ação parta do sexo masculino. Sei lá, eu acho que é mais... romântico. Mas quando eu digo iniciativa tem gente que interpreta de maneira errada. Agora eu vou dizer uma coisa que pode ser uma quebra de paradigmas, algo inesperado e pode causar revolta e indignação em muita gente. Tá, eu sou exagerada. Dia desses ainda ganho um Oscar, receberei o prêmio das mãos do Keanu Reeves e o atacarei ao vivo para todo o mundo. Enfim, quando eu digo que é preciso ter iniciativa, não é pra chegar pegando a mulher pela cintura, pelo braço, pelos cabelos ou qualquer coisa do gênero. Oi? Voltou para o tempo do homem das cavernas, é? Cadê o diálogo? Ninguém conversa mais, não rola nem um "oi" ou "gostei de você" ou " e aê, mina, beleza". Nadica de nada.
Eu sou a favor de conversar, de tentar se conhecer, de criar o mínimo de vínculo antes de beijar na boca. Eu não consigo entender esse povo que sai dibalada e beija geral. Que horror! Essa gente não sabe mais o que é romantismo.

É por isso que, a partir de hoje, quando alguém perguntar pra mim porque estou solteira há tanto tempo, minha resposta será a seguinte: "Porque eu ainda acredito no romantismo. E acredito, mais ainda, que existe alguém aí fora que concorda e busca o mesmo que eu". Em algum lugar, eu sei que tem. Falta encontrar. Ou ser encontrada.

Por que é tão difícil alguém entender o que você pede, coração?




sexta-feira, 28 de março de 2008

Melzinha ainda vive!!

Já falei que a Lady Murphy me adora. Mas adora de verdade. Ontem, quando cheguei na minha casa para fazer o texto pro Tali-Coisa adivinhem o que aconteceu? Sim, o computador não ligou. O safado resolveu fazer greve. E isso tem sido comum, principalmente quando eu necessito com todas as forças do meu ser fazer alguma coisa mais do que urgente pra ontem. Por isso que eu não me dou com essas tecnologias. É muita palhaçada pra minha cabeça.

Enfim, peço desculpas ao meu amigo Fio por invadir a sexta-feira, mas não podia deixar mais uma semana sem um texto meu por aqui. Preciso marcar território, sabe? Vai que esses meus companheiros (vibe Lula??) talicoisísticos resolvem me demitir por justa causa e colocar outrazinha no meu lugar. Por isso estou aqui.

Essas últimas duas semanas foram uma loucura. Como vocês sabem, mudei de emprego. Era um dos meus objetivos para esse ano que consegui alcançar muito mais rápido do que pensei. Estou muito feliz, mas também muito cansada. Vocês sabem que se adaptar a uma mudança é um pouco complicado. Saí de uma agência de comunicação com pouco mais de 20 pessoas. Hoje, trabalho em uma das maiores empresas de assessoria de imprensa do País, com mais de 130 pessoas. É uma mudança e tanto, não? No outro emprego eu assessorava sete clientes; aqui atendo um, mas que vale por mais de 30. Sou assessora do Senac SP e vocês não têm idéia da demanda que esse cliente exige. Tô de cabelo em pé! Quem mandou fazer jornalismo? Quem mandou querer trabalhar com assessoria de imprensa? Agora agüenta as conseqüências. Mas devo dizer que adoro o que eu faço e não me imagino fazendo nada diferente disso. Tenho que encarar essa nova fase da minha vida como um grande desafio e um super aprendizado pra minha vida profissional. Existem procedimentos aqui que eu não conhecia, e olha que eu trabalho em assessoria há mais de dois anos. Sei que vai ser uma grande escola pra mim e estou disposta a me dedicar bastante.

E mudar de emprego também trouxe outra maravilhosa mudança: utilizar metrô e ônibus de novo. Nossa, eu não conseguia mais viver sem aquele aperto, aquela união, aquela coisa bonita de se relacionar com outras pessoas de maneira tão próxima. Mentira!!! Se existe um lado ruim de ter mudado de emprego é esse. Alguém tem um carro sobressalente por aí pra emprestar pra mim? Ficaria muito agradecida. =P

Então, estou por aqui e assim que minha criatividade voltar eu escrevo sobre algo mais interessante. Minhas idéias foram todas sugadas pelo Senac. Prometo que volto semana que vem com algum tema mais interessante do que minha vida.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Coisas que me tiram do sério

Ok, não sou a pessoa mais paciente do mundo, mas também não sou a mais intolerante. Mas existem certas coisas que me tiram do sério, me fazem ter vontade de arrancar meus cabelos e socar a fuça do primeiro mala que aparecer pela frente. Já comentei por aqui que sou adepta dos textos em forma de lista. Portanto, senhores, com vocês as coisas que tiram Melissa do sério:

Chuva e sandália

Eu sempre achei que dona Lady Murphy me adora. Tipo, me considera brother, sabe? Sim, porque sempre tem aquelas coisas detestáveis como as profundezas do inferno que acontecem exatamente quando não podem acontecer. Por exemplo, quando você vai almoçar com um cliente, ele escolhe um restaurante japonês (porque é tendência, e o que é tendência é chique). É óbvio que você vai com um blusa branca e se suja de shoyu. Mas não há nada pior do que chover quando eu estou de sandália. Não há nada que me irrite mais do que ter meus lindos pezinhos molhados. Pode me molhar inteira, desmanchar a chapinha que eu fiz ontem, mas não molha meus pés. Eles escorregam dentro da sandália
. Assim é simplesmente impossível manter a elegância característica da minha pessoa. As calçadas de São Paulo já não são uma maravilha, com os pés molhados e escorregadios é praticamente o convite para um acidente de proporções imensuráveis.

Guarda-chuva
Deu pra perceber que eu não sou muito fã de chuva, né? Pois é, ainda mais quando se é mulher, carrega uma bolsa imensa cheia de coisas desnecessárias e ainda tem que andar com guarda-chuva. Eu não tenho a mínima coordenação pra isso. Nesses meus 24 anos de vida ainda não adquiri a capacidade de andar decentemente com guarda-chuva. Eu não sei se presto
atenção na chuva, na bolsa que vai molhar, no caminho que eu tenho que seguir. É uma loucura, parece que meu cérebro vai fundir a qualquer momento. É como mascar chiclete e descer escadas ao mesmo tempo, eu simplesmente sou incapaz. Por isso que às vezes eu prefiro andar na chuva mesmo. Tô nem aí.

O metrô de São Paulo
Eu cheguei a um ponto em que tudo me irrita quando se trata da convivência com outros seres humanos. Vamos combinar que eu não sou uma pessoa muito sociável, mas eu consigo me manter calma em algumas aglomerações. Baladas, shows e eventos em geral eu mantenho a classe. E depois de algum tempo utilizando o fretado como meio de transporte confesso que fiquei mais calma. Mas agora que tenho que pegar ônibus e metrô pa
ra trabalhar novamente meus nervos já estão à flor da pele. No transporte coletivo de São Paulo não há como manter a paciência. É um empurra-empurra dos infernos, gente folgada que se apóia em você pra ler livro, apressadinhos que te esmagam para entrar no vagão, gente que fica parada na porta com cara de paisagem enquanto você move montanhas (literalmente, só que essas são de gente) para descer na sua estação. Coisa linda de se ver. Achei que agora que eu tenho um horário bom para trabalhar (eu entro às 10h) me livraria disso, mas me enganei completamente. Já estou estressada. E olha que só há três dias eu voltei a essa rotina. Vamos ver quanto tempo meus cabelos ainda ficam na minha cabeça.

Gente escandalosa
Não há nada mais constrangedor do que quando você está no cinema, ou em uma livraria ou até mesmo no ônibus ou metrô e surge um ser ou um grupo deles que começam a zonear. Tipo, falar alto, dar risadinhas escandalosas e irritantes, fazer brincadeiras de empurrar um em cima do outro. Umas g
racinhas mesmo. Eu sinto um vontade louca vinda do âmago do meu ser de esganar um por um. Às vezes eu acho que não vou me controlar, mas até hoje ainda não cometi nanhum homicídio por causa disso. Quero ver isso acontecer um dia que eu estiver na TPM.

O trânsito paulista
Gente, por deus! Moro em São Paulo desde meus dois anos de idade. Já me acostumei com a loucura da cidade e até gosto do ritmo frenético das coisas por aqui. Mas ultimamente o trânsito está uma coisa horrorosa. Hoje mesmo, por exemplo, tivemos um recorde de mais de 200 km de congestionamento pela manhã. Esse índice dificilmente era registrado às 18h, quando a maioria das pessoas está voltando pa
ra casa. Há dias que o trânsito vem batendo recorde atrás de recorde. E não existe mais essa coisa de horário de pico. Olhe a Marginal do rio Pinheiros às duas da tarde, ou a Juscelino Kubitschek às oito da noite (como hoje) ou a Avenida Paulista às 10 da noite. Totalmente paradas. Sem dizer outras vias importantes de ligação entre os bairros. Está uma coisa de louco. Eu acho que um dia essa cidade pára. Sim, porque vai chegar um momento que não haverá espaço para tanto carro, ônibus motos e afins. E tem gente que concorda comigo. Tem uma previsão de especialistas que diz que esse dia será em 2011. Eu não duvido que seja antes. Por enquanto eu tento manter a calma e entoar mantras para ver se suporto ficar parada no mesmo lugar por horas.




Dominação talicoisística
Não satisfeitos com o *cof* estrondoso sucesso do blog *cof* apenas neste endereço, agora os colaboradores deste singelo sítio resolveram iniciar uma dominação em toda a world wide web. Sim, o Tali-Coisa agora tem uma comunidade no orkut. Porque quem é chique tem que ter uma comunidade no orkut. Acessa lá, cambada:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=45432700
Ajudem a divulgar nossa filosofia para o mundo e repitam todos: "É deus no céu e nóis no corcel." Mais precisamente o azul calcinha ali do nosso logotipo.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Mudanças

E aê, cambada!

Tudo bem por aqui?

Só passei pra dizer que minha vida está uma loucura essa semana. E acredito que a loucura será prolongada por mais alguns dias. Mas pelo menos é por uma ótima razão. Excelente, na verdade.

Vocês lembram quando no início de 2008 eu fiz minha lista de resoluções para o ano novo, certo? Então, uma dessas resoluções acaba de se concretizar. Eu consegui um emprego novo! Agora é correr atrás do carro e do namorado!

E por isso está uma correria. Tenho que deixar tudo em ordem na agência que eu ainda trabalho, fazer exame admissional, entregar documentos e essas coisas todas. Mas, enfim. Tô super feliz e vim aqui pra compartilhar isso com vocês, queridos leitores e companheiros de blog.

E eu só queria dizer que, por mais livro de auto-ajuda que isso possa parecer, vale a pena, sim, lutar por aquilo que a gente quer. Vale muito a pena.

Se eu sumir daqui (o que eu pretendo não deixar acontecer) vocês já sabem o por que. Vai ser um pouquinho mais difícil postar os textos, porque meu horário de trabalho vai ser meio maluco, mas vou fazer o possível pra não deixar as quintas-feiras abandonadas.

Um grande beijo pra vocês!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Surpresa, sim. Decepcionada, jamais.

Eu vou começar o texto de hoje explicando quais são minhas intenções. Uma delas é não se mal interpretada naquilo que vou expressar aqui. Creio que vai gerar discórdia, mas isso acontece porque as pessoas são diferentes e, conseqüentemente, seus pensamentos e idéias também. Por isso, pretendo ser respeitada e não ler ofensas nos comentários. Eu vou expressar minha opinião e não gostaria de ser tachada disso ou daquilo.

Enfim, vamos ao que interessa. Eu sempre tive uma certa simpatia pela esquerda, digamos assim. Sempre simpatizei com os ideais mais revolucionários e, como bem definiu um amigo meu, eu sou “vermelha”. Eu acho que poucas coisas na minha vida me surpreenderam tanto quando, vindo trabalhar na semana passada, voltando das minhas férias, ouvi no rádio que Fidel Castro renunciara ao cargo de comandante de Cuba. Naquele momento, um turbilhão de imagens, fatos, frases e acontecimentos passaram pela minha cabeça. Fiquei surpresa, pois jamais pensei que Fidel renunciaria ao cargo assim; achava que só sairia dali morto. Enganei-me. E, tentando absorver a notícia, veio na minha mente a imagem daquele homem de 80 anos doente e lembrei o quanto fiquei triste quando o vi naquela situação. Porque, pra mim, Fidel é a representação da força, sempre foi. Vê-lo debilitado de certa forma me fez enxergar que até mesmo aqueles mais resistentes – Castro lutou na Revolução de 1959 ao lado de Che Guevara, escapou de centenas de atentados contra sua vida e se defendeu de tentativas de invasão de seu território – sucumbe quando se depara com um “adversário que fez todo o imaginável para se desfazer de mim”, como o mesmo define a doença que o acomete desde 2006 na carta de renúncia. Por mais teimoso que Fidel Castro possa parecer, o bom senso e os limites físicos prevaleceram na hora de decidir renunciar, após 49 anos no poder.

Creio que ele sai do governo, mas continua a ser o ideólogo do regime comunista, que, na minha opinião, prevalecerá mesmo sem Fidel como comandante. Nada indica que o país mudará o rumo tão cedo, já que seu irmão ocupa agora o cargo. O grande desafio de Raúl Castro é preencher o vazio deixado por uma lenda viva. Independente da sua posição política ou ideologia defendida, você há de convir que Fidel Castro foi – e continua sendo - um dos personagens mais importantes da história mundial do último século e do início deste. Não perguntei se você concorda com o estilo de governo do cubano, apenas enfatizo que ele é uma pessoa que perdurará por muito tempo na mente das pessoas – que o diga os americanos. Creio que algumas reformas serão implementadas, mas alguns dos ganhos da Revolução Cubana também devem continuar, como o sistema de educação, a baixa desigualdade econômica e o serviço de saúde que a ilha possui.

Assim como admiro Fidel, também tenho senso crítico para discernir as coisas que ele também fez de mal a Cuba. A censura da imprensa, por exemplo. E, por conseqüência dessa censura, não permitir que as pessoas desenvolvessem a crítica, uma opinião própria sobre o cenário político, social ou econômico do país em que vivem. Grande parte dos cubanos não conheceu outro líder a não ser a figura de Fidel Castro. A maioria não conhece outra maneira de se governar aquele país. São pontos negativos? É claro que são. E agora mais do que nunca serão destaques na mídia internacional. Como já fez a capa da revista Veja dessa semana, da mesma maneira que “desmitificou” Che Guevara algumas edições atrás. Jornalismo passa longe daquilo que faz essa publicação, mas esse é assunto para um outro texto.

Eu, independente daquilo que acredito, defendo ou tenho como ideologia de vida, percebi, no momento em que ouvi aquela notícia no rádio, que Fidel Castro estava saindo do comando de Cuba para entrar definitivamente na história do mundo. E em um lugar de grande destaque.

"É preciso ser conseqüente até o final". Frase do arquiteto Oscar Niemeyer utilizada por Fidel Castro em sua carta de renúncia.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Uma década depois...

Fevereiro de 1998. Era a primeira grande mudança da vida daquela garota de 14 anos de idade. Ensino médio, novas amizades, andar de ônibus sozinha. Tudo parecia muito diferente para ela naquele primeiro dia de aula. Ao chegar na sala de aula, escolheu a carteira mais próxima da janela e perto da lousa. Tímida, mal conversou com as pessoas que seriam suas companheiras pelos próximos três anos. Reconheceu um ou dois rostos, mas a maioria daqueles adolescentes nunca tinha atravessado seu caminho.

O que ela realmente não sabia é que aqueles próximos três anos seriam muito especiais na sua vida. Hoje, ela olha para trás e sente que é o que é exatamente por ter estado lá, na E.E. Prof. Mario Marques de Oliveira, o famoso MMO, colégio da zona leste de São Paulo. Foi ali que aquela garota conheceu o significado da verdadeira amizade. Aquela turma do 1º H era o terror do colégio, deixava a diretora de cabelos em pé e tinha a pior fama possível. Mas conseguiu reunir as criaturas mais divertidas, inteligentes e maravilhosas que poderiam existir naquele lugar. Essas vidas se cruzaram para nunca mais se separar.

Hoje, passou-se dez anos desde o primeiro contato com aqueles malucos. Festas, brigas, namoros e relacionamentos mal resolvidos, churrascos, micos e muitas, muitas histórias para contar. Porque aquela amizade que foi construída por aqueles alunos permanece até hoje. São dez anos de alegrias, companheirismo e cumplicidade.

Naquele fevereiro de 1998, aquela menina não tinha a menor idéia do que viria a seguir. Ela não tinha o costume de pensar no futuro. Mas hoje, vivendo o tal futuro, aquela menina, hoje uma mulher de 24 anos, pode olhar pra trás e dizer que viveu intensamente a sua adolescência. E o melhor de tudo, ao lado de pessoas que jamais serão esquecidas, que sempre terão um pedacinho reservado dentro do coração. E que têm um papel muito importante na construção do que ela é hoje.

O texto de hoje é dedicado às minhas verdadeiras paixões. Àqueles que transformaram minha vida e que, graças aos deuses, continuam fazendo parte dela. Alguns mais, outros menos do que eu gostaria. Mas é uma homenagem à amizade verdadeira, ao sentimento que nutro por esses loucos, que conseguem manter nossa amizade adolescente até hoje, que não deixam morrer o espírito de criança que todos nós temos no fundo do nosso ser. Mesmo que tenhamos tomado rumos diferentes - alguns casaram, outros são pais e mães - o que importa é a lembrança de tudo aquilo que vivemos – e ainda temos para viver. A vocês, meus amores, meu amigos mais do que queridos e companheiros para toda a vida, com toda a certeza.

Aí, turma do 1º H do MMO! Feliz 10 anos para nós!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Ziriguidum

Querem saber uma coisa que eu percebi desde os primórdios da minha existência? Eu nasci no país errado. É sério, a mais pura verdade. Eu não suporto calor, eu detesto cerveja e tenho ânsias toda vez que chega essa época horrível do Carnaval. O certo era eu ter nascido na Rússia, que é frio o ano inteiro e tem vodca até pela torneira. Espero que meu pedido seja atendido na próxima vida, Se alguém lá de cima puder me ajudar, eu ficaria mega agradecida.

Carnaval me dá coisas. Eu diria, inclusive, que tenho alergia dessa dita festa popular. Mulheres nuas, tudo muito sexualizado, samba, silicone por todos os lados. Melissa não se dá com essas coisas. A única coisa que eu faço, como toda corintiana roxa (referência à nova camisa – vocês viram? - feia de doer que resolveram lançar em homenagem a nós), é torcer para a escola Gaviões da Fiel vencer o Carnaval de São Paulo. Mas, tipo, eu nem assisto o desfile. Mas faço minha parte de torcedora, oras. Corintiano tem dessas coisas.

Mas, então, voltando (eu sempre divago nos textos, não tem jeito). Carnaval é chato pra carai. Alguém me diz qual é a graça de pagar os olhos da cara em um abadá para se esmagar na frente do trio elétrico da onipresente e chatíssima Ivete Sangalo? Ou a cópia loira dela, a tal de Cláudia Leitte? Ou Asa de Águia? Ou Chiclete com Banana? Ou Jamil? Pra mim é tudamemacoisa. Qual a graça? Porque, gente, que porcaria é aquela? Gente suada, se esfregando, saltitando feito gazelas alucinadas, gritando como se não houvesse amanhã. Eu gostaria que alguém explicasse para esta leiga que vos escreve como é que aquela galera consegue fazer xixi. Sim, porque é uma necessidade fisiológica que uma hora dá o ar da graça, não é mesmo? E aí, como é que faz? No chão mesmo? Tipo, na frente de todo mundo? Naninanão!!!! Jamais na minha vida eu me submeteria a isso. Nevah!!! Até porque na primeira música da Ivete Sangalo ou na primeira vez que ela dissesse como é gostosa, eu me suicidaria.

E os desfiles das escolas de samba em São Paulo e no Rio de Janeiro? São iguais todos os anos. I-G-U-A-I-S! Sem falar nas revistas de fofoca, jornais populares e programas de televisão que adoram dar manchetes do tipo “Fulana arrasa no ensaio da Unidos de Whatever”, “Ciclana deixa aparecer calcinha na quadra da Agremiação das Mulas Sem-Noção”. Oi? Realmente tem gente que quer saber sobre isso? Eu dispenso.

E as campanhas para o uso da camisinha? Quer dizer que o povo só faz sexo durante o Carnaval, é isso? Porque, na minha modesta opinião, camisinha é item básico na bolsa de qualquer mulher e no bolso de qualquer homem em qualquer circunstância, em qualquer época do ano. Acho de uma hipocrisia sem fim essa campanha só ser veiculada no Carnaval.

Eu quero distância disso tudo, quero esquecer que faço parte dessa nação que adora Carnaval. Bom, na verdade eu também adoro. O feriado. É a única coisa que me deixa feliz nessa época. E é por isso que eu vou pra um lugar bem tranqüilo, bucólico e lindo (mentira, vai estar lotado de gente, quem eu quero enganar) e esquecer que essa tal festa existe. Ou pelo menos tentar abstrair toda a folia e fazer a minha própria festa. Pena que não dá pra ir pra Rússia, porque jornalista ganha uma merda e eu não tenho dinheiro pra isso. Com certeza lá eu estaria muito mais feliz.

Vai me dizer que você sabe que escola de samba é essa? Quem acertar o nome e o ano do desfile ganha um beijo da tia Melzinha.

Devido às merecidas férias da autora, semana que vem não haverá texto da Melzinha aqui no Talicoisa. Ela quer manter distância do computador e curtir uma semana de descanso longe de qualquer coisa que lembre trabalho. Mas não se preocupem, vocês não serão abandonados. No dia 14 de fevereiro a programação volta ao normal.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

De uns tempos pra cá, as livrarias se viram invadidas por obras que têm o Afeganistão como assunto principal. Antes do George W. Bush invadir o tal país na busca tresloucada por Osama Bin Laden, essa que vos escreve tinha vaga memória da existência de tal nação graças às aulas de Geografia, e olhe lá. Era uma daquelas manchinhas do mapa mundi que a gente luta pra tentar lembrar o nome.

O pouco que sabia era o que passava na televisão, o que lia nos jornais e ouvia no rádio. Que tinham costumes ultrapassados, que eram fanáticos religiosos e se matavam em nome de Deus. Eu, que não sou uma pessoa religiosa, aprendi a respeitar todos os tipos de crença. Se o cara acha que explodir duas torres do país mais poderoso do mundo vai garantir a ele um lugar ao lado de seu deus, eu simplesmente não contesto. Existem maneiras e maneiras de demonstrar a devoção a algo ou alguém. Mas, enfim, não é sobre religião que eu quero falar.

Quero dizer que, mesmo que criticada por alguns, essa onda afegã que invadiu as livrarias, pelo menos pra mim, serviu para que eu pudesse conhecer melhor a história de um país devastado por guerras, sofrimento e dor. E, em especial, conhecer os costumes desse povo tão diferente de nós. Tudo por causa de um cara chamado Khaled Hosseini, autor de O Caçador de Pipas e A Cidade do Sol. O primeiro, um best-seller de grande sucesso que vendeu mais de 8 milhões de cópias no mundo - sendo 1 milhão de exemplares somente no Brasil - e que acaba de ganhar uma versão para o cinema. O livro trata de questões de diferenças étnicas dentro do próprio Afeganistão. É uma história sobre culpa e redenção que eu gostei muito.

Mas foi a leitura de A Cidade do Sol que me fez admirar o trabalho desse autor afegão. Hosseini fala sobre duas mulheres com histórias distintas, mas igualmente sofridas. Em um certo momento essas duas histórias se encontram. Não sei se é o fato de eu ser mulher e sofrer junto com as personagens, mas em vários momentos da narrativa eu chorei. Chorei por saber que do outro lado do mundo existe tanta crueldade. Hosseini consegue, por meio de suas palavras, traduzir em imagens na minha mente toda a desgraça que se abateu sobre o país e, em especial, sobre a vida dessas duas mulheres. Além disso, as minúcias históricas são muito bem explicadas como pano de fundo para a narrativa principal. Os detalhes são de uma riqueza impressionante, pois Hosseini viveu aquilo e ele sabe muito bem do que está falando. Com certeza as duas personagens principais desse livro, Mariam e Laila, ficarão por muito tempo na minha memória. Ficará na minha memória também que, por mais que sejam personagens fictícias, existem muitas mulheres que passaram - e ainda passam - pelos mesmos desafios, as mesmas lutas, as mesmas derrotas, a mesma humilhação, a mesma opressão que elas. São personagens marcantes, com histórias de vida impossíveis de ser esquecidas. Hosseini construiu com maestria duas das personagens que mais mexeram comigo até hoje. Disso eu tenho certeza.

Eu só sei que recomendo a leitura. Recomendo e muito. Não só pelo fato de saber mais sobre um país desconhecido para a maioria de nós, mas, também para conhecer um autor que sabe exatamente como tocar profundamente o seu público com as trágicas vidas que relata. Trágicas mas, de certa maneira, reais. E reais até demais para uma criatura tão emotiva com eu. E recomendo você deixar que a narrativa invada sua mente. Só assim você vai perceber o que esse cara é capaz de fazer por meio de simples palavras.

Khaled, gostaria de poder escrever igual você quando eu crescer.