Mostrando postagens com marcador Dave Coelho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dave Coelho. Mostrar todas as postagens

sábado, 31 de dezembro de 2011

Aos Taleitores

Tim-tim. Feliz 2012!

Agradecemos pela compreensão de nossos leitores, que se mostram fiéis mesmo com o passar dos anos, das dificuldades e das atribulações que enfrentamos.

Agradecemos pela freqüência com trema. Nosso painel mostra bem a estatística de leitura. Embora nem todos comentem, o painel do blog mostra os acessos, já nos aproximamos de cem mil visitas.

Agradecemos aos taleitores pela boa aceitação das mudanças de estilo de nossos artigos, afinal não faz sentido escrever exactamente as mesmas cousas em dois ou três blogs.

Agradecemos por compartilharem nossos gostos pela fina arte da boa tosqueira, porque tosqueiras de mau gosto, há muito blog idiota que se gaba de mostrar sem pudores.

Agradecemos porque vimos aqui escrever de boa vontade, sem ganhar um centavo, só perpetuando a nobre philosophia com "PH"da siacabância.

Agradecemos porque somos crianças bem educadas, e levaremos uma vara de marmelo no lombo se fizermos malcriações.

Agradecemos pela teimosia em, tendo caído aqui por acidente, insistirem em ler nossas tosqueiras, geralmente acrescentando um leitor ao nosso blog.

Agradecemos aos taleitores e deixamos aberta a caixa de comentários, não só para que comentem, mas também para sugestões, críticas, pedidos e afins.

Agradecemos também a Henry Ford, sem o qual o Corcel Coupé Azul-Calcinha ano 1976, jamais poderia existir.

Agradecemos à Flávia, à Clarissa e à Viviana, que nos deram a chance de começar esta encrenca, reunindo-nos em um só pardieiro, digo, fórum.

Agradecemos e deixamos nossa mensagem no melhor estilo do Talicoisa, por intermédio do inigualável grupo ABBA, que melhor traduz o que nós somos. O mundo não vai acabar e nós continuaremos aqui, neste mesmo bat-blog, procurando assunto para falar com vocês.


sábado, 24 de dezembro de 2011

Apesar


Apesar de tanta gente descrente agredir quem crê;

Apesar de tanta gente só enxergar o natal como troca de presentes;

Apesar de tanta gente só enxergar o natal como reforço de caixa;

Apesar de tanta gente amarga usar a internet para tentar nos obrigar a não tocar no assunto;

Apesar de tanta gente nos assediar para nos convencer (na marra) que que é tudo besteira, e nos ameaçar com represálias materialistas por não aderirmos;

Apesar de nossos talicoisers estarem enfrentando revezes duros nestes últimos anos, e por isso quase não nos agraciado com suas ilustres presenças;

Apesar de tantas adversidades a tolherem nossas criatividades... e também nossos desvairos semanais ao teclado;

Apesar de os trolls azedos e sem motivos próprios para viver terem urubuzado o Talicoisa...

Nossos seguidores mais do que dobraram em menos de um ano;

Ainda encontramos alguma bobagem legal para escrever, mesmo que seja na base do uni-du-ni-te;

Este blog não tem prazo de validade e permanecerá no ar até o último talicoiser deixar seu corpo... se não houver herdeiros;

Temos este singelo textinho de natal, ainda que saibamos que o nascimento de Cristo foi em Abril, mas quem disse que ele se importa?

Continuamos a nos importar assim mesmo, falaremos de pessoas como pessoas, não como "celebridades" ou o que valha;

Continuamos trabalhando de graça neste blog, mas com toda a boa vontade do mundo;

Com toda a distância que nos separa, nem dá para pensar em um amigo secreto, então fica só no Feliz Natal mesmo;

Feliz Natal e próspero Ano Novo, dos talicoisers para seus leitores, não-leitores e gente que não fala português, mas é trazida até aqui pelas maluquices do Google.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Reencontro

Pensei em um conto de natal diferente do que se faz normalmente. Contarei por minhas palavras o que li em um relato espírita, cedido pelo meu alfaiate, que narra o reencontro de mãe e filho, que estavam separados por décadas.



Ela já estava velha e cansada, com sua beleza consumida pela idade, pelos lutos e pela vida dura que precisou levar. Não era a mulher submissa que a época exigia, mas ainda assim impunha respeito e admiração da comunidade. Ser viúva e sem posses lhe cobrava um preço alto, pois mesmo na comunidade a misoginia reinante alimentava o despeito dos homens.


Entretanto uma cousa as vicissitudes não lhe tomaram: o coração angélico. Como desde sempre, continuava a receber em sua cabana qualquer um que viesse lhe pedir amparo, fosse por fome, fosse por aflição, fosse hebreu, samaritano, mesmo um soldado romano, fosse quem fosse e pelo que fosse. Seus esforços nunca ficavam aquém de suas possibilidades, todas as suas possibilidades. Seu limite para o trabalho era o limite de suas forças.


Mas estas possibilidades se tornavam cada vez mais escassas, era só uma lavadeira idosa e já acometida pelos males típicos da idade.


Certa feita, já se preparando para dormir, ouviu baterem à sua porta. Com o peso do dia duro a limitar sua agilidade, foi ver o que poderia fazer para o visitante tardio, já se preparando para dar suas palavras de consolo e talvez um pedaço de pão. Deparou-se com um velho encapuzado e convidou-o a entrar. E que surpresa, ele é que começou a falar da vida celeste, das recompensas que a aguardavam, de tudo mais o que sua vida absolutamente santa lhe reservava. Seus olhos marejavam e a voz embargava, era a primeira vez que lhe consolavam em vez de pedir consolo.


No decorrer da conversa, certos padrões se deixaram reconhecer. A voz firme e cristalina do visitante destoava de sua aparência decadente, assim como seus gestos suaves e o repertório de seu vocabulário, muito além do de qualquer homem de conhecera, exceto por... E uma boa mãe não reconheceria seu filho? Ele notara que sim. Então deixou o capuz cair e se revelou para sua sofrida mãe, que se ajoelhou chorosa aos seus pés, e ele se ajoelhou para abraçá-la. Embora fosse figura se sua veneração, ele deixou claro que eram iguais, estavam precisamente no mesmo nível. Em breve, avisou, virei buscá-la. Já está a caminho quem te auxiliará no teu desenlace.


Ele se despediu e ela foi dormir feliz como nunca. Na manhã seguinte chegou o auxílio prometido e, pela primeira vez, a senhora se deixou tomar pela enfermidade da velhice, pois já era hora de se livrar das amarras. Enquanto se fez necessário Simão Pedro ficou ao lado de Maria, fiel como ela sempre fora à sua missão.


Certa noite, Pedro percebeu que o corpo começava a se esvaziar, sua Senhora estava indo embora. Mas lhe foi permitido ver tudo acontecer como estava acontecendo. Daquele corpo decrépito saia, mais intensa do que na juventude, Maria em sua indescritível beleza, seu olhar esplendoroso e pleno de um amor capaz de cegar a nós, pobres pecadores, sua voz doce e suave que nos faria chorar antes que concluísse uma frase. À sua frente se abriu um portal de uma luz que queimaria Simão Pedro, não fosse que já conseguira ser. Deste portal, para o abraço da união eterna, desceu Jesus à Sua Mãe. À Sua frente uma comitiva de seres celestes guarnecia Sua nova ascensão, desde os anjos mais novatos aos mais elevados serafins, todos estavam de joelhos, sinalizando que estavam ao seu irrestrito serviço, de então em diante.


Jesus ainda consolou Simão Pedro, avisando que iria buscá-lo em breve, então Mãe e Filho retornaram pela estrada de luz para retomar o governo da terra, que se hoje seus habitantes precisam de toda a assistência que receberem, na época de sua infância muito mais.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DROPS Sobre Viagens e Cães

PARTE 1

Depois de algum tempo fora da órbita cansada de tantos dias, o corpo e a mente se acostumam a um estado quase letárgico. É essa sensação se suspensão que potencializa o impacto do regresso à rotina. Os compromissos usuais te esperam no saguão de desembarque, cada um empacotado em seus caixotes e malas – todos sem alça.
E se a profusão de cores de uma viagem te ajuda a ter novas motivações pra voltar à realidade, o espaço vazio da cama de um cachorro que se foi, destroça o peito em vários pedacinhos; um coração em mosaico.
Minhas constatações são breves nesses ligeiros 15 dias passados: o melhor favor que podemos fazer pra entreter nossas carcaças (essas embarcações tão frágeis que usamos pra trafegar pelo planeta azul) é investir em viagens. Sem dúvida, é investir em viagens e criar cães.

PARTE 2

A inacreditável saga The Killers só se tornou inacreditável por conta de um golpe de incompetência digno de record. Depois dos meses planejando a ida ao show dessa banda do coração, em face do dia em que aconteceria o concerto, perdemos a hora. Perdemos a hora em não-sei-que-rua de São Paulo, com seus prédios gigantes e seu cheiro de fumaça.
Conseguimos chegar a tempo de ver, mui miseravelmente, coisa de quatro músicas. A maior demonstração de burrice em 23 anos me custou a paz interior na capital econômica do país – prejuizão, imagine.
A solução nasceu de sabe Deus que gestação insana, sem camisinha, sem anticoncepcional. Buenos Aires seria a próxima parada da bandinha do Las Vegas. O cantor mirrado estava pra gritar “We Love Argentina!” e nós estaríamos lá pra ver e ouvir. De perto. Com pelo menos cinco horas de vantagem.
A experiência de estar em contato com nossos objetos de veneração paga os ingressos inflacionados, faz valer os sacrifícios e nos consagra com a maravilha que é chorar e cantar junto.

PARTE 3
Quando você for fazer uma viagem com recursos limitados, deve eleger prioridades para não padecer no paraíso – com o perdão do clichê.
Ou você destina seu numerário às vastas despesas com taxi, hospedagem e alimentação (ou seja, se sustenta com conforto) abrindo mão dos excessos com compras - ou arrocha os gastos aleatórios e se atira nos shoppings.
Eu prefiro muito a primeira opção – embora o ideal seja ter acesso às duas.

PARTE 4

Do pastel de bacalhau com o Fabio Marotta às voltas com o povo do Fórum na feirinha da USP, passando pelos flashs multicoloridos de uma cidade cinza, e pelo surrealismo de se estar num país onde todo mundo usa franja e come comida sem sal.
São Paulo e Buenos Aires foram generosos presentes. A Trajetória The Killers fez história. O encontro tão fã-ídolo com os amigos distantes... Desativar o “Davi Portela” e acionar o “Dave Coelho” é das atividades mais saborosas. E aqui voltamos ao ponto onde o texto começa: Trips n’ Dogs, baby. Trips n’ Dogs.


Fabim e eu: problemas com a câmera desgovernada

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Muito obrigado, Barney!

O melhor cachorro do mundo morreu hoje. Foram 5 anos incríveis. Vai vendo.

Quando a bolinha de pelos pretos chegou aqui, ninguém tinha idéia do que dar pra ele comer. Nem de um espaço pra deixar ele dormir. Nem de um nome pra dar. Nomes, ele teve vários. Toda semana inventávamos um novo. Tinha crise de identidade no primeiro mês, o Barney.

Foi fácil perceber a hiperatividade do bicho. Ele curtia roer os calçados das visitas desavisadas. Corria, se escondia, pulava super alto e latia pra caralho. Ao longo dos anos ele se especializou em roubar meias dos sapatos guardados, pra chamar atenção. E se parou de roer calçados alheios, nunca aprendeu a fazer as necessidades no lugar certo. (Isso pq os donos, claro, nunca souberam definir o tal ‘lugar certo’).

O Barney tinha uma série de desvios de caráter. Ele aprontava como um garoto danado. Ele desenvolveu várias técnicas super elaboradas pra tirar a gente do sério. Mas era cheio de personalidade e sabia direitinho como se safar das que aprontava. Era só acionar a famosa ‘cara de cachorro pidão’ – o Barney era pós-graduado nessa aí. E era isso que fazia com que a gente esquecesse das travessuras no ato e só conseguisse pensar no quanto ele era companheiro, no quanto ele era grudado na gente.

Pra ele ficar triste, era só deixá-lo sozinho em casa. Chorava desconsoladamente. E era um choro de dar dó. No começo, quando a gente voltava pra casa, ele mantinha certa distância como se quisesse dizer “I ain’t no Pastor Alemão, porra!”. Mas depois ele sacou que não dava pra ter companhia sempre. O raciocínio, agora entendemos, era óbvio: se ele oferecia companhia em tempo integral, queria o mesmo em troca. Justo.

Ainda que reconhecêssemos a inteligência do Barney, acho que a subestimamos. Afinal, foram de autoria dele algumas das lições mais importantes que recebi em 23 anos.

O fato é que era impossível ficar indiferente perto do Barney.

E é ainda mais difícil ficar indiferente agora, longe dele. Se foi novinho, sem deixar filhotes e sem conhecer o mar. Mas deu várias provas de que foi o melhor cachorro do mundo, mesmo que o senso de fidelidade dele não tenha sido suficiente pra evitar que eu sinta a tristeza que sinto agora.

Valeu, amigão! Vou te amar pra sempre. (L)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Não presta? Quebra e joga fora! (ou respire fundo e diga: goosfraba!)

Eu sempre achei patético gente que quebra objetos inanimados por puro ódio. Tipo o cara que esmigalhou o controle remoto por não estar funcionando e só depois foi ver que o problema tava nas pilhas. Bom, o fato é que eu descobri recentemente a dor e a delícia de trogloditar. De bancar o Chuck Norris. De dar uma de Steven Seagal. Acompanhe.

* NOTA: O texto que talvez você leia, tem muito palavrão. Depois não vá reclamar... Caralho.


Devil Coelho: Ok, vamos aos fatos: a sua internet só conecta quando acha que deve. O carregador do seu celular também agia assim, mas decidiu aposentar de vez. (...) Ah sim, a TV da sala quebrou. Dê um fim nisso, colega!

DaveCoelho: Gente, que porra! Nada presta! O dia hoje foi babado e eu não posso tricotar! Nada de celular e nada de internet! Miséria!

Divino Coelho: - Se você raciocinar um pouquinho, vai ver que isso tudo é facílimo de ser resolvido. Eu vou te dar uma super dica, meu amor: vá pessoalmente a casa daquele técnico conhecido e peça pra ele vir ver qual o problema com a internet! Dep..

DevilC: Que mané técnico, colega! Essas porcarias não prestam MESMO. Vá lá e arranque esses cabos infelizes pra dormir tranqüilo, minha gente! O carregador do celular nunca prestará! Conscientiza-te! Para de tentar dialogar com essas tralhas, picote-as e deposite no lixo! Já!

DivinoC: Não dê ouvidos! Já não vivemos mais na selvageria e na barbárie! Jogar na lixeira... ora essa...

DevilC: Não, sério! Tudo bem que a lixeirinha é de plástico, colega... Mas se você olhar com a cabeça levemente inclinada, dá até pra confundir com um Tupperware.

DivinoC: Não seja besta, diga: Goosfrab...

DaveCoelho: Gente, realiza! Meu celular ta descarregado! Tô incomunicável, caceta! E já tô mexendo nesses cabos há horas pra ver se internet conecta e NADA! Tô muito puto, caralho!

DevilC: Baby, há dias você está sujeitado a boa vontade da sua internet. A dica é: destrua os cabos e vá dormir! DESTRUA! Não vai funcionar!

DaveCoelho: Vou destruir essas merdas é AGORA, meu amor! Peralá!

[Arranca os cabos da internet, quebra o conector *]

DivinoC: Tu ta achando isso bonito, é?! Ótimo. Agora não tem mais nenhuma possibilidade de conectar... Quem sabe era só esperar mais uma meia horinha...

DevilC: MEIA HORA? HAHAHAHAHAHA! ALOKA! RS LOL! VSF1 _|_

DaveCoelho: Cadê aquela porra de carregador? LIXO! Merece ir pro lixo é agora!

DivinoC: Gente, um carregador desses no camelô é baratinho... Para com isso...

DevilC: Carregador de cu é rola! HAHAHAHAHAHAHA!

DivinoC: Dave, você sempre achou ridículo quem destrói objetos inanimados em acessos de fúria... É inútil!

DevilC: Que inútil nada, colega! É infernalmente terapêutico! Ui, ui, ui! Calma, nervosinho!

DaveCoelho: Porra nenhuma! Se é patético ou terapêutico, eu tô puto demais pra diagnosticar. Mas uma coisa é fato: NUNCA MAIS vou ser perturbado por este carregador e nem por esta porra de internet! Foda-se! E o que eu faço com a TV?

DevilC: Ah, a xentchy ressóvi!! Várias vezis11 rs

DivinoC: HAHAHAHAHA! (...) RUM! Não vi graça...

DaveCoelho: Ah, calem a boca!

Vitória da Equipe Vermelha - e tudo resolvido em menos de uma semana.


quinta-feira, 2 de julho de 2009

Uma História do Pop, por M. J.

Prima,


Uma das primeiras lembranças realmente concretas que eu tenho do Michael Jackson é por conta daquele seu vinil de Dangerous. Você lembra?
A capa cheeeia de detalhes estranhos... reis com cabeças de animais, uma criança segurando um crânio de sei-lá-que-bicho...várias estátuas, um macaco empoleirado lá no alto e bem no centro, os olhos enormes e enigmáticos do Michael.
Parecia mesmo um "perigo" um disco com tantas "mensagens ocultas", ainda mais pra uma família conservadora como a nossa. Um disco assim representava uma ameaça enorme aos costumes cristãos! Mas eu lembro muito de ter pego esse disco e o observado com a curiosidade do menino antipático que eu era: "Michael Jackson... ele é o cara!"
O cara dos sapatinhos pretos e meias brancas, das luvas com paetês (!)... dos saltinhos e gritinhos segurando o saco. Dos mil rodopios sem desequilibrar. E daquele passo incrível que o fazia deslizar de um lado a outro do palco. Só depois eu fui descobrir que chamavam de "Moonwalk".
Talvez as muitas reprises do filme "Moonwalker" e o frenesi em torno do clipe de "Black or White" me tenham feito cultivar um fascínio especial pelo cara.
Bom, muito tempo se passou desde meus primeiros contatos com o "Rei do Pop". Foi inevitável me tornar um admirador convicto depois de criar algum juízo e descobrir que antes de Dangerous (meu Deus!) já existia o JacksonFIVE, o Off The Wall, o Thriller, o Bad (além do Got to Be There e do Ben!).
E ainda as intervenções cirúrgicas e os muitos casos polêmicos envolvendo a vida pessoal do Michael, na tal Neverland. Tsc.
Incrível que depois de tanto, e finalmente com uma nova turnê prestes a acontecer, o Mike tenha deixado os fãs na mão.
E eu nunca pensei que essa notícia que pegou todo mundo de surpresa, fosse me abalar tanto. Agora, uma semana depois, é interessante avaliar que os fantasmas em torno da imagem dele tenham sido parcialmente dissipados - e que a lembrança daquele meu encanto pela capa de Dangerous tenha me feito descobrir, anos mais tarde, a genialidade de um artista que escreveu sozinho um capítulo da História da Música.


Eu precisava dividir isso contigo.

Beijão do Primo,
Dave.

quarta-feira, 4 de março de 2009

MEME Musical - Rufus Wainwright

Fui convidado para este MEME musical, pelo moço Alberto. Tratam-se de perguntas que devem ser respondidas pelas letras das canções de um cantor(a) favorito(a) do blogueiro em questão - no meu caso, o muso, o corrosivo, o irreverente, o sábio, o sensível e muito extremamente sexy, Rufus Wainwright.
Decidi postar as letras traduzidas pra tornar o texto mais acessível, o que infelizmente danifica um pouco a originalidade da coisa. Boa leitura e até.


1-És homem ou mulher?

As pessoas saberão quando virem essa apresentação
A espécie de sujeito que sou [in ‘One Man Guy’]

2-Descreve-te:

Um velho pedaço de bacon que o Elvis nunca comeu. [in ‘Movies of Myself’]

3-O que as pessoas acham de ti:

Melhor rezar pelos seus pecados
Por que o Messias gay está vindo
Não, não serei eu!
Rufus Bastista eu sou
Não, não serei eu aquele
Batizado com semêm [in ‘Gay Messiah’]

4-Como descreves teu último relacionamento:

Adoraria sentar e assistir você beber,
Com as rédeas do mundo, apertando um cigarro...

Mas, por que você teve que partir todo o meu coração?
Você não poderia ter guardado um pedacinho dele?

Eu poderia ter podado e guardado e plantado no jardim
Dane-se, acho que terei que conseguir um novo.

Por que você teve que partir todo o meu coração?
Você não poderia ter guardado uma pequena parte?

Eu poderia ter rasgado em pedaços e atirado dentro do rio
Imagino se há corações que se entregarão [in ‘14th Street’]

5-Descreve o momento atual de tua relação:

Porque há um rio correndo no subsolo
Debaixo da cidade, em direção ao mar
Que só eu sei tudo a respeito
Pelo qual dessa cidade nós podemos fugir [in ‘Between My Legs]

6-Onde querias estar agora:

Então estou partindo para Paris
E quando eu lá chegar
Perderei o anel que você me deu
E quando eu lá chegar
Quão feliz então serei [in ‘Leaving For Paris nº2]

7-O que pensas a respeito do amor?

Não estou preparado para amar
Não estou preparado para a paz
Estou entregando a pomba para o monstro [to the beast]

Estou abandonando a crença no céu
Então você pode tomar o meu assento lá no alto
Nas alturas, diga adeus [in ‘Not Ready to Love’]

8-Como é tua vida?

E quando não houver nada a ganhar, ou para me trazer dor,
Ou colocar a culpa em você ou em mim mesmo...

Ah, como me sinto como uma bela criança,
Tal qual uma bela criança novamente [in ‘Beautiful Child’]

9-O que pedirias se pudesses ter só um desejo?

Na verdade eu gostaria que você estivesse aqui perto de mim
Porque estou indo ver James Dean
Ali estarei... Ah, debaixo dos pessegueiros com ele [in ‘Peach Threes’]

Cigarros e leite com chocolate
Esta é uma dupla que faz parte dos meus desejos
Parece que eu gosto de tudo um pouco mais forte
Um pouco mais exagerado, um pouco nocivo para mim [in Cigaretts and Chocolate Milk]


10- Escreve uma frase sábia:

Agnus dei
Qui tollis peccata mundi
Dona nobis pacem [in ‘Agnus dei’]



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A Minha Vida é uma Prostituição

Antes de se descobrir a tal da vocação, os humanos costumam passear por diversas ocupações profissionais (tram)biqueiras para garantir seu faz-me-rir, sua mufunfa, grana, capim, dinheiro.

Há quem passe a vida inteira procurando uma ocupação, sempre insatisfeito com o emprego atual. Há quem se satisfaça com a instabilidade. Há quem faça uma tempestade existencial em torno da mediocridade de trabalhar em algo que odeia. Há quem não dê a mínima pra isso.

O fato é que todo mundo tem uma relação minimamente interessante de empregos pregressos, que amigos de cabelo em pé, nas rodinhas de final de semana, antes de começar a beber e pagar mico jogando Imagem e Ação.

Então, nessa vida ainda curta, eu já fui:

O moço do posto de Lavagem.

A toca dos coelhos já emprestou sua fachada para um posto de lavagem de veículos. E nessas idas, o Coelho que vos fala já se embrenhou com escovões e aspiradores a limpar carangas alheias. E era triste ter que meter as mãos a esfregar rodas, motores e estofados – mais de uma hora. Nos finais de semana, filas gigantescas de carros imundos esperavam por nós. O empreendimento rendeu um sucesso estrondoso (e forrou a conta bancária dos coelhos por alguns meses), mas teve que ser fechado por estar num espaço irregular.

GLAMOUROSO: Como o empreendimento era nosso, a grana pulava direito pros nossos bolsos, dividindo espaço com nossos butiás.

MALÉFICO: Sol no rosto all day long, junto com os caprichos dos clientes e com surpresas desagradáveis do tipo 'tem bosta de mulla no pneu do carro', já me fizeram quase desistir um monte de vezes.

O Bilheteiro da Lotação

Um outro empreendimento da família foi a Empresa de Transportes e Turismo. Tráfego de humanos pelo interior do Estado que ofereceu vaga pra um cobrador/trocador nos finais de semana. E lá ia minha pessoa acordar de madrugada e passar o dia INTEIRO viajando Maranhão a dentro. A minha função, além de cobrar as passagens, era a de acomodar as pessoas no microônibus, carregar as bagagens e até limpar eventuais vômitos. Enfim, tudo o que o motorista deveria fazer se não estivesse ocupado demais dirigindo.

DIGNO: Eram duas viagens por fim de semana, e por isso eu sempre tinha histórias inusitadas pra contar. Sempre acontecia algo curioso. Ah, a grana era boa - além da sensação impagável de que o dia tinha mais de 24 horas.

DOENTIO: Contei a parte dos vômitos? Contei que o povo transita com pato, galinha, marreco – essas coisas? fato que fazia com que o microônibus parecesse muitas vezes com um microcurral. Ainda tinha a parte dos assaltos. Num desses nem os pés de coelho deram sorte: levaram a grana toda e ainda me futucaram a cabeça com um 38tão. Me respeeeeeeeeite!

Animador de Promos

Eu já trabalhei em ações temporárias pra empresas de telefonia. Numa dessas,nós precisávamos usar uma peruca qualquer coisa de horrorosa, com uma calça fluorescente e uma camiseta ao melhor estilo “mamãe, engoli uma drag!”. Era algo tão embaraçoso que nós tivemos que desenvolver técnicas de Pai Mei para despistar conhecidos que faziam suas comprinhas ali, no hiper mercado então mais high society da cidade.

VÁLIDO: A ação durou uma semana só e a grana era muito mais de mesa.

FROM HELL: Mico dos diabos, né minha gente? Nós quase ouvíamos as vozes das Mirtes comentando: “Esses aí tão mesmo precisado, viu Sulamita?”

Consultor de Cursos

Sabe aquelas simpáticas pessoinhas que atendem nos balcões de cursos/universidades? Eu já fui um deles. Primeiro numa escola de informática, onde tínhamos que ser mais persuasivos que o hibrido de Barak Obama com Hitler. Tudo porque o curso era caríssimo e próximo dele, haviam milhões de outros com o preço super acessível. Trabalhávamos com metas demoníacas e éramos fiscalizados fulltime por supervisores, coordenadores e directores.

Depois foi numa escola de formação profissional em Beleza. Era um espetáculo purpurinado, meu Brasil. Mas a dinâmica era a mesma. A cobrança era generalizada, afinal, éramos nós que fazíamos a grana entrar na casa – vendendo os pacotes de cursos.

ADEQUADO: É possível aprender muitíssimo em cenários adversos como esses. Imagine o contato competitivo com os outros funcionários e o fato de você conhecer gente nova todos dia.

MALDIÇÃO MORTAL: Essas atividades eram extremamente desgastantes física e psicologicamente, a grana era curta e precisava de muito, muito saco. Então, hoje em dia eu preferia fazer um strip tease pra 500 mil homi! 500 mil homi, Adevilso!

É engraçado fazer essas avaliações. Dá uma sensação confortável de responsabilidade junto a meus vícios juvenis e dá pra perceber que as necessidades mudaram um pouco com tempo. E curiosamente a gente tende a lembrar mais dos episódios cômicos e do aprendizado que tudo isso trouxe. Afinal, já carreguei os frangos que eu tinha pra carregar, lavei as rodas de carro e repeti a mesma ladainha “Compre o pacote de Word, Excel e PowerPoint e garanta o de Photoshop inteiramente grátis, colega!” 6 mil vezes por dia. Agora é rir do que foi e estufar o peito pros desafios novos.

***

Esse texto gigantesco é pra fazer valer minha ausência de algumas semanas por aqui - e pra homenagear meu colega, Dudu Fiodoxó, por finalmente abandonar a vida de vadiági por um emprego by concursos. Parabéns, Dudu! A tua vida vale maish!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Las Primeras Luces

Eu ainda consigo lembrar a sensação de ler Fitzgerald em plena madrugada, com as luzes apagadas, as páginas amarelas iluminadas apenas pela lanterna do celular. (Não queria que a mãe acordasse pela manhã e percebesse que eu passara a noite em claro).

O silêncio dessas noites era tão absoluto que às vezes meus ouvidos zuniam. Exceto por latidos dos cães da vizinha, ou mesmo pelo som de outros bichos notívagos, como eu. As palavras do Grande Gatsby tinham uma força imensa e a minha mente era tragada pelo conto. O pensamento escorregava solto, livre. Tanto que a leitura precisava esperar as pausas dos vôos, teimosos em imaginar até o que estava bem além do papel.

A madrugada também foi conivente com muitos outros mundos particulares, sempre ombreados pelo silêncio surdo da cidade que dorme, da gente que recarrega as baterias, que finalmente põe os motores em stand by. (Foi numa dessas que a Ingrid Bergman sorriu pra mim – um olho escondido pela aba do chapéu).

E já muitas cenas que a madrugada cala, para além das páginas, afora as telas... Sabe Deus que noites de gala não se fazem ouvir, escondidas na penumbra, aqui do sofá da sala.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Triste fim

Dave: Debs, falando em longe... O Fio quer que o encontro de julho seja em Sampa. Acho válido.

Fio: O Fio quer????

Dave: Mas prefiro que seja na Bahia... Muito mais perto e prático, bjs! Quero dançar axé no Pelô e beber cerveja barata. Ir a um terreiro de macumba e comer acarajé.

Fio: Não seja por isso... A gente vai na represa. Tem tudo isso aí.

Dave: Não, não tem. Garanto.

Fio: Tem sim.

Dave: Fio, a Bahia fica no Nordeste. Não tem tudo em São Paulo. Dica.

Luna: Eu aceito ir pra São Paulo. Ou pra Bahia.

Fio: Perto da Represa Guarapiranga tem a Avenida Washington Luís... Tem uma caralhada de boate que toca axé e forró vendendo cerveja a R$0,95. E terreiro de macumba, conheço vários.

Luna: Mas nenhum tem Mãe Aritana.

Fio: Inclusive baianas da Bahia (de verdade) que vendem acarajé.

Dave: Bahia é outra coisa. Não compara, gato. Bjs!

Luna: Esses lugares onde você quer levar a gente são coidipobre!

Dave: TOTAL coidipobre! Fiquei até com medo dessa cerva de R$0,95.

Luna: A gente paga pouco pela cerveja, mas pode ser assaltado, morto e jogado na represa.

Dave: Jesus! HAHAHAHA!

Luna: Sairemos na capa da Veja: “Grupo de amigos vitimados pelo Maníaco da Represa”.

Fio: Déb está apocalíptica, hoje. Acho bíblico da parte dela.

Luna: O Talicoisa vai ter divulgação, mas não terá mais autores.

Dave: Vai passar no Gugu: “Talicoisers morrem em trágico acidente na represa”. Os fãs tudo chorando.

Fio: Depois, algum site vai mostrar fotos dos corpos mutilados... Vai virar corrente de e-mail.

Luna: Sonia Abraão vai ficar mais de uma hora falando nisso...

Dave: E as mensagens dos amigos: “Morreram, mas morreram com siacabância!”.

Luna: Fantástico fará reportagem sobre os perigos de conhecer gente pela Internet.

Fio: E mostrará o Orkut, dizendo que é um “site de relacionamentos”. E falará também dos perigos de perfis fake.

Luna: Jones dará entrevista, acusando o Fio: “Nunca fui com a cara dele! Ele era psicopata!”.

Fio: “Ele era desiquilibrado! Esta é só a minha OPNIÃO!”.

Dave: “As Garotas que dizem ni estão sendo processadas pelos pais dos talicoisers, porque elas incentivaram a criação do blog”.

Dave: “Estamos aqui com o único sobrevivente, Frank, que não pôde ir a viagem porque estava de castigo... Frank, o que o Talicoisa representou pra você?”.

Fio: Aí o vídeo do Frank, vertendo rios de lágrimas, vira campeão de acessos no Youtube.

Dave: Frank vai dizer: “Olia, estol muinto triste...Dão conçigo dizer muinta coisa! Só queria que a Déb soubesse, onde que ela esteje, que eu amei ela muito!!!1”.

Fio: Algum outro grupo de amigos vira fã do vídeo do Frank, começa a usar as frases dele nos janelões do MSN e decide montar um blog. A história é cíclica.

Dave: “Estamos aqui com o velho que comeu e não pagou, um dos maiores entusiastas do Talicoisa, o blog que virou Brasil!”.

Fio: Lasier Martins se emociona e toma mais um choque. “Talicoisa, o blog mais de mesa!”.

Luna: Cumpádi Uóxinton divulgará nota de pesar: “Perdi minhas ordinárias, Luna e Meg... As únicas que ainda se lembravam de mim!”.

Luna: Mãe Aritana: “Eu sabia que eles deviam ter vindo para a Bahia. Mas ninguém consegue mudar o destino. Já estava escrito!”.

Dave: Alguém vai dizer: “O mundo dos blogs ficará mais triste...”.

Fio: William Bonner dirá isso, Dave.

Luna: Ai, não quero mais viajar!

Se alguém ainda não sabia o que era falta de foco, agora já tem uma noção. Não somos bons em planejamento, mas ótimos em desviar o assunto. Assim, o encontro não vai acontecer é nunca! DICA!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Tempo, Tempo, Tempo, Tempo

Nós nos tornamos especialistas em perseguir o tempo. Somos seguidores do tempo. Nos moldamos em virtude dele. Fomos lapidados pelo tempo.

“Eu corro demais” mesmo. Corro de madrugada pra dar conta da prova na manhã que nasce. Corro atrás do ônibus que passa. Corro pra ler a notícia cada vez mais curta. Corro por causa da concorrência.

É que o relógio deixou de ser o sol, pulou pro meu pulso, minha gente.

Então, acompanhem Dona Bethânia em “Oração ao Tempo”. São cinco minutos de um Tempo voador.


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Para Esfinges

(...) Então, nesse caso, o que é o conhecimento? Deve ser um típico brinquedão novo, com o qual os pueris se gabam e o expõem aos tolos, como se fosse um estandarte cintilante.
Ou poderia ser uma dessas armas de fogo pós-modernas que conseguem devastar os vivos ao comando de um só dedo. O conhecimento sendo usado para subjugar, diminuir, humilhar. “Eu sei, você não sabe!” Ora, segredinhos infantis.

Ah, uma barra de ouro, o conhecimento. Um olho em terra de cegos. Um pássaro na mão. Uma mão na roda. O bilhete premiado. Guardado, enclausurado, claustrofóbico. O último biscoito do pacote, protegido dos demais. Somente um então deverá possuí-lo. Uma pedra de ametista, um baú azul-escuro.

O conhecimento devia ser como aquilo que brota, aquilo que é acessível a todos. Aquilo de onde quanto mais se tira, mais se tem. O conhecimento devia ser um bem divisível, emprestável, compartilhável. Jamais destrutivo. Nunca penhorável.

Quer que eu conte outra utopia?


***

Hoje é aniversário de nossa célebre Cinderela Baiana, a Meg! Nossa Rafa do Pellot! Feliz Aniversário e muito, muito axé pra você!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Um Ano de TALICOISA

Eu passei uma temporada inteira sem internet e tô que não posso de saudade disso aqui. A semana especial de aniversário do Tali passou e eu nem lembrava mais que num momento de surto de cabeçudice psicopática, confundi a data do nascimento de nosso blog, e escrevi esse textículo - que habitava silenciosamente os rascunhos do nosso painel de postagens, desde a remota data de 10/09/2008. Vejamos o que foi dito...


"Hoje esse humilde blog faz UM ano de existência.

E desde seu início um tanto quanto súbito, nos acostumamos a escrever semanalmente pra divertir a nós mesmos e aos que se aventuram acessando www.tali-coisa.blogspot.com
De lá até aqui já foram 246 postagens que trataram quase diariamente dos assuntos mais variados possíveis. De religião a sexo. De Axé a Harry Potter. De insônia ao Poder do Sagrado Corcel Azul-Calcinha.
Alguns dos que começaram com a gente já saíram, mas há uma tropa permanente que se renova por aqui, obstinadamente.
Eu sinceramente espero que continuemos com essa brincadeira boa por mais e mais tempo.
Vida longa e próspera ao nosso Talicoisa.

Um ano de Talicoisa? Corceluia!"

Olha isso. Nem foi preciso que esse ano inteiro passasse pra que nós, Talicoisers, percebêssemos que mais que um blog, nós construímos amizades. Além dos textos, além das letras. AMIGOS, simplesmente.
Obrigado a todos e que venha o aniversário de 2 anos.


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Sobre as Locadoras

A primeira locadora que eu visitei na vida tinha um Pernalonga de papelão, mais alto que eu, preso perto da porta de entrada.

A locadora ficava numa praça, com uma árvore imensa, cheia de cipós que escorriam dela como cabelos.
Atrás do balcão de atendimento, um senhor baixinho, de bigode farto e a placa escrita com pilot: “Evite multas. Por favor, rebobine as fitas”.
Os filmes que locávamos eram dividos entre filmes de criança e filmes ‘coisa de gente-grande’. O aparelho de vídeo-cassete tinha uma aura mágica pra nós, pequenos. Era um trambolho preto, grandalhão. O pai tinha que limpar os “cabeçotes” regularmente. É que as fitas de locadora às vezes vinham com mofo.
A idéia da locadora de VHS ainda é muito nítida na minha mente. E depois, com os anos passando, muita coisa mudou. Hoje funciona uma farmácia onde antes o Pernalonga recebia os clientes. A árvore continua na praça com seus longos cipós, que agora caem sobre uma banca de jornal.
Parece que durou só uma semana, a fantástica revolução dos dvds. Eles tomaram conta das locadoras, deixando milhares de velhas fitas cheias de mofo, abandonadas e desempregadas.
Eu nunca imaginei que tempos depois, com o fenômeno da pirataria, dos downloads de internet, as locadoras de dvds fossem sofrer tão grande ameaça. E as cenas que se repetem com freqüência, não chuviscadas e tremidas, mas cristalinas, são mais ou menos assim:

O cenário era assustador. As prateleiras com filmes empoeirados, pareciam não ser atualizadas há anos.
“A situação ta difícil... Nós tivemos que fazer alguma coisa...” – disse a atendente, sem me olhar nos olhos. Folheava um pequeno bloco de notas sofregamente, com uma expressão nada amistosa.
Sobre o balcão de atendimento, quatro pilhas de dvds piratas estavam empilhadas.
“Agora estamos trabalhando com esses aqui também” – a atendente agora levantou o rosto e me olhou, como se procurasse mostrar que tinha sim, muita dignidade naquilo. Prendeu uma mecha de cabelos atrás da orelha e continuou a folhear o bloquinho “Se a coisa não melhorar, teremos que fechar as portas... Infelizmente”.
Do outro lado da locadora, um cliente aponta para o cartaz de "Norbit" e pergunta se o filme está disponível.
“Está sim!” respondeu a atendente “Custa dois reais. Está logo ali na prateleira de comédias” e indicou a prateleira com o dedo em riste, as unhas vermelhas.
“Ah, quando baixar o preço, eu levo” retorquiu o cliente, se fazendo de rogado.
“Leve logo, senhor. Pra levar hoje, eu faço por um e cinqüenta! Pegar ou largar” – investiu a atendente, que afastava o pequeno bloco e pegava um outro, começando a folhear esse também.
“E você sabe dizer se a outra locadora, a da Rua Nove, fechou?” eu perguntei, com o tom condescendente na voz.
“Não, não fechou. Mudou-se pro bairro vizinho” – a atendente agora acompanhava o outro cliente com os olhos, a fim de saber se ele iria ou não apanhar o dvd de "Norbit" na prateleira de comédias.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Cartas

Eu penso que as cartas têm uma particularidade interessantemente boba: é o fato de você precisar manuseá-las antes do envio.

Precisa esfregar o pulso pelo papel, enquanto escreve. Depois, esfregar as pontas dos dedos na folha, para dobrá-la. Depois colar e selar o envelope. (Passar a língua só funciona no desenho animado).
E é um barato que o destinatário receba aquilo que o remetente manipulou. Ora, vai junto com o envelope, o carinho, o cuidado. Ou a raiva, o ressentimento - dependendo do conteúdo da carta.
Talvez dê pra sentir isso até mesmo antes de desabotoar o envelope com as bordas verde-amarelo.
E dá pra conhecer a caligrafia do amigo. Se rabisca, se escreve. Que caneta terá usado pra redigir a carta? Se a caneta estourou durante a escrita, borrou as linhas da folha destacada de caderno.
Se usou uma folha sem pautas, a falta de coordenação motora fez com que as linhas dançassem no papel.
Se a notícia é boa, a leitura flui gentil e animada. Se for uma novidade não muito agradável, o texto sai apressado, nervoso. Dá pra notar o estado de espírito de quem escreve a carta.
E a carta viaja por lugares que os correspondentes nunca estiveram antes. A carta passeia enclausurada em caixas, amarrada com elásticos. A carta é posta em cubículos, depois separada por endereço. A carta não carrega só o conteúdo do envelope.
Parece absurdo escrever cartas “à moda antiga” diante da praticidade do e-mail ou do scrap. (E é, de fato).
Acontece que as cartas, essas de tinta e papel, precisam de outro tipo de energia pra ser feitas, que não a tecnologia.




quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Vagabound eu, Vagabound você!

Como eu tô de recesso dos estudos e do estágio, e você tá com cara de quem não quer ler nada hoje, eu ofereço a você dois links.
Clique AQUI, se você estiver simplesmente feliz e quiser brincar.
E AQUI, se você estiver com raivinha de Deos e do mundo.

Volto quarta que vem, ok? Beijos.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

FIXAÇÃO

Todo mundo consegue montar pelo menos um álbum particular só com músicas que já foram uma fixação em algum período da vida. Daquelas que se ouve 15 vezes seguidas no player. Ou daquelas que de tanto você ouvir, resolve poupá-la um pouquinho, pra não enjoar.
[Só servem aquelas que você ouviu tanto que vivia cantarolando a letra! Aquela que era a primeira a tocar quando você ligava a radiola, vitrola, computador, ipod!]
O meu disco tem lado A - Nacionais e B - Internacionais, ok? Arrasei.
Eu vou tentar montar meu Special Album Gold Edition Repetecus Songs For All Times.

LADO B

The Good Life - Weezer.
Movies of Myself - Rufus Wainwright
All These Things That I Have Done- The Killers
The End Has No End - The Strokes
I'm Shakin' - Rooney
Everything's Just Wonderful - Lilly Allen
Cry Me a River - Cat Power
S'Wonderful - Gene Kelly

LADO A

Bilhete - Ivan Lins e Zizi Possi
Cais - Elis Regina
Os Outros - Kid Abelha
Onde Andarás - Maria Bethânia
João e Maria - Chico Buarque
Mensagem de amor - Lucas Santana
Todo o Sentimento - Chico Buarque
Trocando em Miúdos - Chico Buarque

Tive que deixar uma pá de fora pra atender a exigência da gravadora: 16 músicas.
Mas ficou de fora especialmente a trilha do período trash da vida de todo mundo no quesito musical: a adolescência. Nessa época eu gostava de qualquer coisa que estivesse entre os 10 mais das rádios. Tipo OOOOOOHH CARLAAAAA, do LsJack. Já parei. Té quarta que vem!

"ÊÊÊÊÊÊ Goiâniaaaaaaa"

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O Talk Show do diabo e Outras Histórias (Parte II)

***Entra o diabo, rodando e pulando ao som de um rock underground. Na Banda Oficial, Jimmi Cliff arrancava notas da guitarra com os dentes, Chucky Berry arrepiava e Little Richard dava gritinhos insanos. Aplausos. Faíscas. E um leve aroma de enxofre. O senhor das trevas com olhar inquisidor, anuncia o entrevistado da noite: VOCÊ!

É basicamente essa a sensação de quem vai ter o espírito escalpelado numa dessas famigeradas Entrevistas de Emprego. E são perguntas da espécie mais sacana, que pegam você desprevenido enquanto seu coração se ocupa em tentar pular fora do peito a qualquer custo.

Aos nossos caríssimos leitores, aqui vão algumas dicas do que você claramente DEVE fazer se quiser passar o resto da vida freqüentando o Talk Show do Tinhoso, sem êxito algum.


Use Roupas Extravagantes

Ir vestido de palhaço é a melhor de todas as opções imagináveis.

Fale Mal de Deus e do Mundo

Por que você saiu de seu antigo emprego?

Ora, por que o meu antigo chefe era uma mala batizada, seu Capeta. Pentelhava todo mundo, não deixava nem fazer ligações particulares em horário de serviço e os computadores tinham a maioria dos sites bloqueados... Não podia nem ver o orkut! Pode isso? Daí eu pedi pra sair...

Diga Sempre a Mais Pura Verdade

Você sabe trabalhar sob pressão?

Ai Deus me livre! Não gosto de chefe que fica enchendo a paciência pra entregar meio milhão de coisas em 6 minutos e 7 centésimos, não. Eu sei das minhas obrigações e se começar a torrar, eu mando ir tomar onde as patas tomam!

Fale Desesperadamente

Se o “coisa ruim” te perguntar sobre sua disponibilidade de tempo aproveite pra contar a história da sua vida desde o dia em que seus pais se conheceram.

Tremule as Pernas como se estivesse com Mal de Parkinson

Essa é a melhor maneira de demonstrar segurança, equilíbrio e tranqüilidade.

Deixe o Volume do Celular no Pitoco!

Vai ser muito útil ouvir seu toque personalizado “Put your hands Up For Detroit” no meio da entrevista!

E se você achou que essas dicas não valeram de absolutamente nada, aqui vai um vídeo originalíssimo da campanha do Office 2007 que traduz fielmente essa sensação de desespero causada pelo sofá do Talk Show infernal.


Esse texto foi reeditado. O Dave Coelho anda em pandarecos por conta do novo estágio e ainda não conseguiu coordenar o tempo. Ele promete se reeditar também e voltar na próxima quarta.


quarta-feira, 23 de julho de 2008

Ele Amarelo, Eu Azul

De modo que minha imbecilidade juvenil me impelia a procurar, pelos cantos, um a quem pudesse nomear de “melhor amigo”. Era uma empreitada absurda que não poderia ter dado outro fruto que não frustrações em série. Eu concluí que isso de melhor amigo não era coisa que alguém decidisse encontrar, como quem caça javalis, ou borboletas.

E então, chegou até mim, de alguma forma, uma daquelas frases prontas cujo habitat preferido são caderninhos com adesivos do Pooh: “Na verdade, não existe um melhor amigo. Todos os nossos amigos nos completam com suas particularidades”. Era o que eu precisava ouvir. Sim, é como se um pedacinho de cada amigo construísse um Super Amigo, com super poderes, tipo o Megazord.

Depois de um bom espaço de tempo, que não consigo precisar, eu já estava completamente doutrinado quanto à verdade inescapável da inexistência de melhores amigos. Melhores amigos são como goblins! É tudo lenda.

E eu decidi contar isso ao Pedro - um sujeito baixinho, cujos cabelos extremamente lisos tremeluziam ao ritmo saltitante de seu andar. Estudávamos no mesmo colégio em 2002 e, feito dois cientistas deslumbrados, nós fazíamos uma série de constatações sobre o que estaria por vir depois que o Ensino Médio acabasse.

Pedro não se importava com cinema. Então, por mais que eu tentasse continuar uma conversa com “Caramba! Aquele filme custou 8,6 milhões! Dá pra acreditar?!” Ele sempre enveredava, depois de um pequeno silêncio, para algo como “Gente, eu preciso beijar na boca”.

Além disso, fazia questão de optar por filmes dublados e/ou nacionais. Pra mim, cinema ocupa o topo das preocupações. Tipo trabalho pro meu pai e religião pra minha mãe.

Pedro nunca me lê. Portanto, nunca se dedicou a tecer nem o menor dos elogios. Aliás, sempre preferiu comentários depreciativos como “Vamos melhorar essa letrinha, hein amigo?”. Ele também nunca apreciou meus desenhos. Nunca disse “Você desenha OK, Dave.” Provavelmente elogios nem façam parte do imaginário pedrístico. Eu penso que não se devem distribuir elogios gratuitamente, mas pontilhar alguns aqui e ali não faz mal algum.

Ele usa roupas compradas em lojas de departamento e não vê o menor problema em sair com uma camiseta, cujos 345 pares estão logo à sua frente, caminhando pelas ruas. Ele localiza toalhinhas de crochê sobre o telefone para não empoeirar e as colchas de cama trazem bordadinhos azuis. Bom, pra mim, toalhinhas de crochê estão para pochetes, assim como bordadinhos azuis estão para celular no cós da calça.

Pedro acha cultura pop do século XX uma coisa que é legal, mas que não o atinge de forma direta. Portanto, é complexo tentar conversar com ele sobre bandas de rock ou George Lucas.

Mas para meu completo assombro, já se passaram seis anos desde nossas conversas sobre garotos e divagações sobre o futuro no pátio daquele Liceu Maranhense. E, contrariando uma lista interminável de incompatibilidades e de crises existenciais de nossa amizade, eu não consigo mais conceber minha vida, sem que esse pequeno esteja por perto dando pitacos e debochando esporadicamente.

No dia do aniversário dele, a única coisa que eu realmente desejo é que ele viva muito. E que envelheça comigo.

Feliz Aniversário ao melhor amigo que eu tenho.