quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A Minha Vida é uma Prostituição

Antes de se descobrir a tal da vocação, os humanos costumam passear por diversas ocupações profissionais (tram)biqueiras para garantir seu faz-me-rir, sua mufunfa, grana, capim, dinheiro.

Há quem passe a vida inteira procurando uma ocupação, sempre insatisfeito com o emprego atual. Há quem se satisfaça com a instabilidade. Há quem faça uma tempestade existencial em torno da mediocridade de trabalhar em algo que odeia. Há quem não dê a mínima pra isso.

O fato é que todo mundo tem uma relação minimamente interessante de empregos pregressos, que amigos de cabelo em pé, nas rodinhas de final de semana, antes de começar a beber e pagar mico jogando Imagem e Ação.

Então, nessa vida ainda curta, eu já fui:

O moço do posto de Lavagem.

A toca dos coelhos já emprestou sua fachada para um posto de lavagem de veículos. E nessas idas, o Coelho que vos fala já se embrenhou com escovões e aspiradores a limpar carangas alheias. E era triste ter que meter as mãos a esfregar rodas, motores e estofados – mais de uma hora. Nos finais de semana, filas gigantescas de carros imundos esperavam por nós. O empreendimento rendeu um sucesso estrondoso (e forrou a conta bancária dos coelhos por alguns meses), mas teve que ser fechado por estar num espaço irregular.

GLAMOUROSO: Como o empreendimento era nosso, a grana pulava direito pros nossos bolsos, dividindo espaço com nossos butiás.

MALÉFICO: Sol no rosto all day long, junto com os caprichos dos clientes e com surpresas desagradáveis do tipo 'tem bosta de mulla no pneu do carro', já me fizeram quase desistir um monte de vezes.

O Bilheteiro da Lotação

Um outro empreendimento da família foi a Empresa de Transportes e Turismo. Tráfego de humanos pelo interior do Estado que ofereceu vaga pra um cobrador/trocador nos finais de semana. E lá ia minha pessoa acordar de madrugada e passar o dia INTEIRO viajando Maranhão a dentro. A minha função, além de cobrar as passagens, era a de acomodar as pessoas no microônibus, carregar as bagagens e até limpar eventuais vômitos. Enfim, tudo o que o motorista deveria fazer se não estivesse ocupado demais dirigindo.

DIGNO: Eram duas viagens por fim de semana, e por isso eu sempre tinha histórias inusitadas pra contar. Sempre acontecia algo curioso. Ah, a grana era boa - além da sensação impagável de que o dia tinha mais de 24 horas.

DOENTIO: Contei a parte dos vômitos? Contei que o povo transita com pato, galinha, marreco – essas coisas? fato que fazia com que o microônibus parecesse muitas vezes com um microcurral. Ainda tinha a parte dos assaltos. Num desses nem os pés de coelho deram sorte: levaram a grana toda e ainda me futucaram a cabeça com um 38tão. Me respeeeeeeeeite!

Animador de Promos

Eu já trabalhei em ações temporárias pra empresas de telefonia. Numa dessas,nós precisávamos usar uma peruca qualquer coisa de horrorosa, com uma calça fluorescente e uma camiseta ao melhor estilo “mamãe, engoli uma drag!”. Era algo tão embaraçoso que nós tivemos que desenvolver técnicas de Pai Mei para despistar conhecidos que faziam suas comprinhas ali, no hiper mercado então mais high society da cidade.

VÁLIDO: A ação durou uma semana só e a grana era muito mais de mesa.

FROM HELL: Mico dos diabos, né minha gente? Nós quase ouvíamos as vozes das Mirtes comentando: “Esses aí tão mesmo precisado, viu Sulamita?”

Consultor de Cursos

Sabe aquelas simpáticas pessoinhas que atendem nos balcões de cursos/universidades? Eu já fui um deles. Primeiro numa escola de informática, onde tínhamos que ser mais persuasivos que o hibrido de Barak Obama com Hitler. Tudo porque o curso era caríssimo e próximo dele, haviam milhões de outros com o preço super acessível. Trabalhávamos com metas demoníacas e éramos fiscalizados fulltime por supervisores, coordenadores e directores.

Depois foi numa escola de formação profissional em Beleza. Era um espetáculo purpurinado, meu Brasil. Mas a dinâmica era a mesma. A cobrança era generalizada, afinal, éramos nós que fazíamos a grana entrar na casa – vendendo os pacotes de cursos.

ADEQUADO: É possível aprender muitíssimo em cenários adversos como esses. Imagine o contato competitivo com os outros funcionários e o fato de você conhecer gente nova todos dia.

MALDIÇÃO MORTAL: Essas atividades eram extremamente desgastantes física e psicologicamente, a grana era curta e precisava de muito, muito saco. Então, hoje em dia eu preferia fazer um strip tease pra 500 mil homi! 500 mil homi, Adevilso!

É engraçado fazer essas avaliações. Dá uma sensação confortável de responsabilidade junto a meus vícios juvenis e dá pra perceber que as necessidades mudaram um pouco com tempo. E curiosamente a gente tende a lembrar mais dos episódios cômicos e do aprendizado que tudo isso trouxe. Afinal, já carreguei os frangos que eu tinha pra carregar, lavei as rodas de carro e repeti a mesma ladainha “Compre o pacote de Word, Excel e PowerPoint e garanta o de Photoshop inteiramente grátis, colega!” 6 mil vezes por dia. Agora é rir do que foi e estufar o peito pros desafios novos.

***

Esse texto gigantesco é pra fazer valer minha ausência de algumas semanas por aqui - e pra homenagear meu colega, Dudu Fiodoxó, por finalmente abandonar a vida de vadiági por um emprego by concursos. Parabéns, Dudu! A tua vida vale maish!

13 comentários:

Luna disse...

Tava com saudade, colega!

Adorei o título do texto, daqui a pouco a poota vai nos processar pelo roubo do bordão!

De todas as suas prostituições, gostei mais da de cobrador de ônibus. Podia até virar um reality show.

A pior é vender cursos, ninguém merece aquilo. Nem dá pra se divertir com tanta cobrança e com tão pouco dinheiro. A tua vida vale maish!

Amei todas as referências aos nossos web hits favoritos. Aparece mais, amiga!

Luna disse...

E quero ver aquele strip tease!

Meg disse...

A prostituição do ônibus realmente foi a pior.
Shoray bacias de tanto rir, de;va!

Marcos Lima disse...

Me surpreendi com os vários empregos de Sir. Dave Coelhóide. Lavador do calhambeque de Roberto Carlos, trocador da Transbrasiliana e vendedor de cursos, que foi de onde eu peguei de graça o mousepad que até hj me acompanha.

Viva o Dave e suas postagens semestrais. Ainda sonho com um filme trash desse garoto postado no Youtube!

"De vendedor à cineasta - a história de um Coelho"

Abraços =P

Nanael Soubaim disse...

Eu já fui quase tudo o que se pode fazer por um dinheiro honesto, só que com trabalhos mais pesados (servente de pedreiro, copeiro, boy de contabilidade, entregador de jornal e panfleros sob o sol goianiense, leão-de-chácara de colégio estadual, et cétera) e nem um pouco glamourosos. A experiência lhe será útil, conilgio.
Um adendo, no sábado postarei aqui o mesmo texto que no Palavra de Nanael, espero contar com a compreensão geral.

Pauliccia disse...

essa do animador de promos eu desconhecia... xD~~
adorei o texto!!!!!! sempre prazeroso de se ler...
e mto sucesso nas próximas ocupações.. ^^

Adriane disse...

Divertido, Coelho!!!
Não sabias que eras assim tão multi-mídia!
Bjsss!
Ah, e amay o postal!!!

Dave Coelho disse...

Agradecido, minha gente.
Saudade disso aqui também!
Bgs!

Alberto Júnior disse...

Gente!

E toda essa mão aveludada de bumbum de neném que ostentas? passava creme hidratante de cacau da Natura pra compensar a labuta?

Querido, mais vale o mico digno, fruto do suor do trabalho, do que os que são gratuitamente oferecidos aos outros sem qualquer retorno financeiro.

E tu já foi testemunha de um deles que AINDA PAGUEI em sala de aula, credo! [culpa tua!]

Se eu arrumar um senador eu garantou outro pra ti, tá bebel!

bjo

[nem sabia que tu ainda postava por aqui]

fabio_ disse...

E a gente ainda perde tanto tempo fazendo o lamento da lavadeira. Quantas vezes eu também não soltei um grito mental de "que raios eu tou fazendo aqui??"...
Mas quer saber? a gente vai morrer mesmo, então bora rir da própria desgraça.
Amo-te, gadget-coelho!

Alberto Júnior disse...

DAVE, tem MEME pra ti em www.nuncaseouviudizer.blogspot.com!

Anônimo disse...

Dave, adorei o texto, apesar de cômico e leve, me demonstrou o caminho da responsabilidade, me divertir horrores.rsrs
Me vi no teu texto, mas com outras ocupações.rsrs (um dia te conto)

Andréa M. disse...

MENINO, TU TAVA MAL HEIN, NÃO QUERIA NENHUM DESSES TRAMPOS NEM F... hahahaha :P brimks, talvez o de "cobradeira" de ônibus, rs. hahaha.

Mas acho que eu jamé teria saco pra vender pacote de word, excel = / hahaha, tu é um guerreiro. ^ ^