terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Novo Star Trek, mais fundo nos temores humanos

Fonte: http://cinemacoma.com/the-star-trek-into-darkness-teaser-trailer-is-awesome/

O que Star Trek tem a ver com natal? Tudo. Foi a série que, pela primeira vez, colocou alienígenas, orientais e mulheres, inclusive uma belíssima negra, no pelotão de elite do elenco fixo.

Jornada nas Estrelas trata de uma Terra em que os povos já desbastaram suas diferenças, em que a ONU passa a existir de facto, e não apenas como marionete de potências, inclusive ditaduras sangrentas.

Os militares, então, sem serviço no planeta, passam a proteger o espaço ao seu redor, inclusive preventivamente, agindo em missões diplomáticas aonde a humanidade ainda não chegou, oferecendo cooperação pacífica a todos os planetas habitados que encontram.

Recentemente, voltaram a fazer longas da franquia, que valem à pena e merecem o fardo de ser Star Trek. Não que as últimas séries não tenham sido boas, mas muitos episódios começaram a ficar longe do carisma e da qualidade artística que arregimentou fãs pelo mundo, e deu origem ao movimento cosplay.

Agora, indo mais fundo na philosophia de auto superação e esperança, mais natalino do que isso é quase impossível, está previsto para 26 de Julho de 2013, no Brasil, o longa "Star Trek in the Darkness", com título nacional "Star Trek - Além da Escuridão. Um bom exemplo de como o título nacional pode ficar melhor do que o original... Alguns vão entrar na sala pensando que é uma estréia surpresa de Batman, inclusive pelo cartaz promocional.

Antes que alguém se empolgue com um filme fatalista, pessimista e batmaníaco, vou logo repassando o recado do director JJ Abrams: "Eu não gosto de ir para o cinema para me sentir mal. Eu não gosto de ir ao cinema para me sentir deprimido e diminuído. O motivo pelo qual você vai ao cinema é para se sentir maior, mais forte e mais feliz. Esse é um filme que, certamente, vai para além da escuridão. Mas eu seria o diretor errado se deixasse os personagens por lá".

Algo nós dois temos em comum. O mundo real já é duro e pessimista na medida certa, não preciso pagar dez pilas para sair do cinema com vontade de cortar os pulsos. Também por isso não gosto de filmes de zumbís.

O vilão, vivido por Benedict Cumberbatch, é o terrorista Johnn Harisson, que o actor descreve como uma mistura macabra de Coringa com Hannibal. Se tiver um quarto da inteligência e do carisma de cada um, será um vilão épico. É um cara "comum" que surta contra o seu emprego e dá trabalho para a tripulação da Enterprise. Simplificando a história, é claro. Ele consegue não só destruir a frota estrelar, como levar o então pacífico e próspero mundo inteiro, a uma crise profunda, que justifica o título.

Com o mundo indefeso, a Enterprise é chamada de volta, para dar conta do recado. Só que o vilão está dentro da organização, ele conhece tudo, todas as rotinas, todos os protocolos, todos os acessos, algo que nenhum outro funcionário talvez saiba. É assim que ele se torna tão perigoso.

Com isso, a tripulação bebe na fonte, tendo seus integrantes expostos pessoalmente ao perigo. Não estou falando de o Capitão Kirk estar defronte ao inimigo, falo de o James Kirk estar na mira dele. É pessoal, Harisson quer ver todo mundo morto. De preferência, com humilhação.

Algo de muito bom, em que a série original falhava, certamente pelo extremo interesse da época no espaço desconhecido,  é a inclusão da Terra de então nos novos filmes. Nos anos sessenta, não dava para se fazer muito, além de filmar em cenários e nos desertos. Hoje, com um universo inteiro podendo ser gerado por computador, e os paradigmas tecnológicos da primeira série deixados para trás, os roteiristas podem delirar à vontade. Imaginem se a série original, tivesse tido acesso a tamanha capacidade técnica!

Aos marmanjos de plantão, os mini vestidos curtinhos continuam, a onda do politicamente patético não atravessou o escudo de proteção da nave, mas como no original, a barra não sobe.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Villa-Lobos, o clássico do Brasil

Fonte da imagem: /http:/vejasp.abril.com.br/materia/heitor-villa-lobos-125-anos

Noêmia queria que ele fosse médico. O incentivou aos estudos o quanto pôde, mas ele preferiu se render aos dotes líricos de Raul. Não se pode dizer que foi um desgosto, afinal ele tornou-se um marco da música mundial. Raul era compositor amador e funcionário da Biblioteca Nacional, ou seja, pelo menos estudar muito foi uma vontade muito bem feira à Noêmia.

Heitor Villa-Lobos, filho de Noêmia Monteiro Villa-Lobos e Raul Villa-Lobos, despencou por aqui em cinco de Março de 1887, voltou lá para cima em dezessete de Novembro de 1959.

De 1905 a 1912, conheceu Norte e Nordeste do país. Quem leu "Triste Fim de Policarpo Quaresma", sabe da paúra que os brasileiros tinham de conhecer o interior do país, ainda mais em uma época em que viajar, significava ficar muito tempo fora. Não é como hoje, hoje podemos ir e voltar de um extremo ao outro em um dia, de avião. Com tanto tempo disponível, quisesse ele ou não, descobriu um mundo completamente novo, uma avalanche de pedras perciosas, onde o vulgo alienado só vê cascalho. Era um gênio, conseguiu ver o óbvio.

Foi em 1915 seu primeiro concerto, mas a crítica considerou suas obras modernas demais, em vez de reconhecer o próprio provincianismo. Sua insistência tenaz o impeliu a continuar tentando, no já existente eixo Rio-São Paulo, até vencer pelo cansaço o ranço reinanrte. Chegou a se apresentar em Buenos Aires, em 1919, que na época era um laboratório para o refinado público europeu.

Não sei o que vocês vêem no colégio, hoje, mas no segundo grau ele foi matéria de prova. Villa-Lobos revolucionou por romper o cordão umbilical que os músicos tinham, até então, com a Europa. Enxertou aquelas canções populares, indígenas, os aspectos folclóricos e muito patriotismo em suas composições. Não por acaso, foi o músico-símbolo da Semana de Arte Moderna de São Paulo, em 1922. Serestas, choros, estudos para violão, ciranda de piano... Os anos vinte lhe deram sua explosão de criatividade, sempre enfatizando o Brasil.

Em uma ocasião, ele foi reger com um pé de sapato e o outro de chinelo. A crítica teceu longos comentários especulativos, achando aquilo ultra hiper, escafalobeticamente moderno... Mas era só o dedão machucado mesmo.

Entretanto, ele não foi um rebelde radical, só quis que seu país tivesse seu próprio cabedal, de modo relevante, e conseguiu com louvor. Foi em 1914, início da Primeira Guerra Mundial, que descobriu seu estilo próprio, passando a rejeitar a ditadura euromusical vigente. A obra é "Danças características Africanas". Depois se firmou com "Amazônia" e "Uirapuru", em 1917, chegando aos anos loucos dono de seu estilo. Mas "Bachianas Brasileiras", um neobarroco, é que o tornou um maestro entre os maestros.


Foi à Europa em 1923, porque ainda era o centro do mundo, voltando em 1924, depois de novo em 1927, com a esposa Lucilia, desta vez com o patrocínio o magnata Carlos Guinle, em uma turnê. O apoio da soprano Vera Janacópulus e do pianista Arthur Rubisntein, facilitou sua apresentação ao meio artístico, e a reduzir a desconfiança da crítica.Voltou em 1930, com a crise das bolsas no auge. Nesta década, termina seu primeiro casamento.

Um feito épico foi a "Exortação Cívica", que teve um coral com doze mil vozes... Se vocês nunca tentaram reger um coral, por pequeno que seja, não podem imaginar o tamanho desta obra hercúlea. Em 1932, já dirigia a Superintendência de Educação Musical e Artística. Getúlio Vargas, que podia ter todos os defeitos do mundo, mas queria ver o país no primeiro mundo, tornou obrigatório o ensino de música nas escolas. Villa-Lobos passou então, a focar o ensino musical em suas obras.

Vargas gostava dele. Seu amor à pátria calçava bem com as pretensões do Estado Novo (de mentalidade velha) de Getúlio. Pelo menos para a cultura, Vargas foi um dos maores brasileiros de todos os tempos, porque foi quando o folclore nacional conseguiu sair do armário, capitaneado pela batuta de Villa-Lobos. Seu "Canto Orfeônico" resultou no "Gua Prático", que trata de temas populares harmonizados, prontos para uso de músicos profissionais.

Veio mais uma guerra e os americanos viam a simpatia sulista pelo regime nazista. Tratou de cortar o mal pela raíz e mandar o mundo artístico fazer uma propaganda melhor do que a hitleriana. Funcionou, como sabemos. Roosevelt mandou Leopold Stokowski e a The American Youth Orchestra para fazer as honras da casa. Stokowski pediu a Villa-Lobos uma seleção dos melhores músicos e sambistas, para gravar a coleção "Brazilian Native Music".

O time escalado foi de primeira: Pixinguinha, Donga, João da Baiana, Cartola e companhia limitada. Foi este o samba que os americanos conheceram, muitíssimo diferente do que expelimos hoje.

De 1944 a 1945, com a guerra já no papo, regeu e foi homenageado em Boston e  Nova Iorque. Notaram aqui o fio da meada? Os americanos, e o resto do mundo, tiveram o que havia de melhor em música brasileira. Foi esta gente, ainda que sob os filtros da mídia ianque, que fez nossa cultura ser admirada lá fora, foram décadas de trabalho árduo, de pressão bélica e tudo mais. De volta, ele fundou a Academia Brasileira de Música.

Operou de um câncer em 1948, se casando logo em seguida com uma ex-aluna, Arminda. Um consórcio de onze anos. Compôs ainda "Floresta da Amazônia" par a Metro Goldwin Mayer. Ele praticamente morava nos Estados Unidos, nos dois últimos anos de vida.

Fumante inveterado, não foi perdoado pela idade, sua saúde decaiu rapidamente até o desenlace.

Villa-Lobos foi parte de um Brasil que tentou dar certo, que fez de tudo para dar ao cidadão comum, as ferramentas para sair sozinho das trevas em que se encontrava. Hoje, nas escolas públicas e quase todas as particulares, não se aprende caligraphia, nem philosophia, nem música, nem a ser gente. Quem, hoje, se lembra quem foi Heitor Villa-Lobos?



Mais Villa-Lobos, clicar aqui, aqui e aqui.
Website dedicado ao gênio, em inglês, clicar aqui.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Doutora Talicoisa


Atenção, talicoiser e taleitores, temos uma notícia urgente, urbicho e urplanta!

A nossa barachiana professora Fräu Adriane Schroeder, foi aprovada na defesa de seu doutorado. Sim, meus queridos, agora ela é Doutora Talicoiser Adriane Schroeder.

Não é como o doutorado fajuto de dotô deputado, dotô delergado ou dotô mobral. Não, meus caros, ela é doutora por mérito e justiça. Ao contrário dos citados, ela passou anos de sua preciosa vida, debruçada em livros, gastando os tubos com publicações, photocópias, pesquisas e o escambau à quatro.

Imagino agora, ela, ao se deparar com um fugitivo do mobral a se declarar "doutor", se apresentar como doutora, falar de sua tese e perguntar qual a do cidadão. Geralmente essa gente nem sabe o que é uma tese, nem em qual lanchonete tem para servir.

Como doutora de facto e direito, ela tem um arcabouço para se embasar. Não tentem constrangê-la com seus mitos, crenças e folclores. Ela não conseguiu chegar aonde está, com "eu acho que pra mim na minha opinião", não, meus amigos, ela é DOUTORA. Ela não tem recortes de revistas, ela tem provas documentais registradas, carimbadas, rotuladas, pra poder voar.

Ela te esfrega na fronte as tuas falhas, derruba toda a tua argumentação baseada em "porque assim está escrito" ou "não é o usual na região". Claro que há as antas bípedes que não entendem nem como se cai para baixo, quando na verdade não se cai para baixo, mas para o centro de gravidade, que continuarão a tagarelar doentiamente, acreditando ter a nota fiscal da razão em sua posse. Com estas, ela não gasta seu latim, prefere gastar seu sarcasmo cruel e impiedoso.

Nossa prezadíssima co-blogueira voltou, como já perceberam, a participar deste modesto espaço, neste ano, com dois singelos textos. Com tempo para respirar, concluída esta árdua etapa de sua rica vida, poderemos contar com mais contribuições, mesmo que de vez em quando, com a ajuda do professor Carvalho, é claro.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

As verdadeiras histórias de Papai Noel


Foi muito comum, até fins dos anos noventa, exibirem durante todo o mês de Dezembro, filmes novos e reprizados com temática natalina, quase sempre com o mesmo título: A verdadeira história de Papai Noel. Não que os títulos forrem realmente todos iguais, mas a preguiça reinante nos setores de tradução, fazia que com que as versões brasileiras o fossem. Era tanto filme ou animação diferente, com o mesmíssimo título, que as crianças devem ter oscilado entre o ceticismo completo, e uma tremenda crise de existencial... Isso me lembrou Matrix... É, pode ter sido isso.

Os argumentos eram diversificados. Os mais comuns, eram de um Nikolau que fabricava brinquedos na floresta, para distribuir às crianças pobres. Com o tempo, o número de crianças atendidas, e a idade de Nikolau, cresciam, e ele já sentia dificuldades para andar na espessa camada de neve, sob um frio de rachar e com um saco de presentes cada vez mais pesado. O mongo levou anos para perceber que precisava de um veículo. Naquela época a Kombi ainda não existia, então ele optou por um trenó. Como cavalos não suportariam o frio, optou por renas, como moto-veículos de tração.

A capacidade de as renas voarem, tinha explicações tão sortidas quanto. A mais recorrente rea por magia... Na verdade, a mais recorrente mais parecia milagre mesmo. A maior parte era por aspersão de pó mágico, que mal tocada a pelagem das renas, sem nem penetrar nela, e elas já saiam voando por aí. O que não explicavam, é como o trenó se comportava como se fosse uma última rena da fileira, em vez de voar pendurado, deixando cair tudo pelo caminho.

Houve também os que representavam Nikolau como um subversivo fora-de-lei, em terras onde a caridade e os brinquedos eram proibidos. Ele já foi até preso. Bem, aqui há uma certa lição que foi mal aplicada, sobre abuso de autoridade e de como um político estúpido, consegue estragar tudo com uma canetada só.

Bizarras, e que ainda hoje têm quem produza, ainda que em muito menor quantidade, são os filmes de comediantes que tentam ajudar Papai Noel... Como "Ernest Salva o Natal"... Dá vontade de chorar, com aquelas piadas.

Mais amena, mas que também começou a ficar muito batida, foi a longeva moda de fazer personagens de desenhos, ajudarem Papai Noel. Teve de tudo. Desde a turma do Zé Colméia, até os Smurfs. Nem os Flintstones escaparam. Pelo menos eram menos pretensiosos do que os filmes com comediantes.

Não que eu seja contra filmes de Papai Noel na época do natal, longe de mim. O problema é que a falta de criatividade e bons roteiros, começou rapidamente a ficar evidente. Mas houve alguns que cativaram pela história bem cuidada, pela beleza photográphica e pela preservação de uma certa ingenuidade, sem cair na idiotice. É o caso de uma animação em stop-motion de 1970, narrada e cantada pelo grandioso Fred Astaire, com o título de... "A Verdadeira História de Papai Noel".

Eu poderia contar o filme, mas é melhor vocês mesmos o assistirem, vale à pena.


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Señorita Rio; Assim o mundo via o Brasil

 Vamos começar esclarecendo, LIly Renée não fez por mal. Eram os anos quarenta, poucos países tinham rede consistente de telephonia e radiodifusão. Os americanos estavam de olho na guerra e, até a política de boa vizinhança, deflagrada para garantir o apoio latino-americano aos aliados, estavam convictos de que não deveriam sequer olhar para o quintal do vizinho, se preocupando apenas com os seus problemas internos. Exageraram, é claro.

Na época, sem material de pesquisas disponível ao público, ganhando pouco por página e com prazos apertados, os quadrinhistas faziam verdadeiros milagres com tinta e papel. Artista rico sempre foi exceção, com quem fazia quadrinhos nunca foi diferente. Era ralar a noite toda para o editor aceitar receber o material, que poderia ser rejeitado, e o coitado teria que fazer tudo de novo.


Señorita Rio

Em um romântico país da América Central, preservador da cultura herdada da colonização espanhola, mas atento à modernidade que vinha dos países do norte, vivia a agente secreta Ritta Farrar. Rita foi uma artista completa, com uma carreira promissora em Hollywood, com planos para a vida e suspiros para seu noivo, Bill.

Sua história mudou radicalmente quando ele, Bill, morreu no ataque a Pearl Harbor. Amargurada, querendo morrer e se entupir com balas Juquinha amanhecidas, ela foi cooptada pelo serviço secreto, com a missão de monitorar possíveis actividades do Eixo, se tornando agente naquele exótico e selvagem país próximo ao Caribe... o Brasil... Não riam! Praticamente só gente do governo, e intelectuais de boas universidades, sabiam onde e o que realmente era o Brasil. Ela assim que o mundo nos via. Provavelmente, ainda é assim que muita gente lá fora nos vê. Infelizmente, é assim que muita gente aqui dentro se vê.

Rapidamente Ritta, sob o cognome "Señorita Rio", conhecida pela identidade falsa de Consuela Maria Ascencion de Las Vegas, ganhou a co-alcunha de "Rainha dos Espiões". Praticamente uma James Bond de saias. A personagem é tão inverossímil quanto o agente 007, mas se considerarmos as limitações da época, daria uma franquia tão bem sucedida quanto. Vamos ver as credenciais da moça; Muitíssimo bem treinada em artes marciais, especialmente a lida com armas, brancas e de fogo, inclusive as de artilharia pesada. Especialista em se manter oculta, fugir e desarmar o inimigo. A tudo isso, some-se seu talento de show-girl, seu corpo de show-girl, seu rosto de show-girl, seu carisma de show-girl, enfim, a mulher é maravilhosa!

Ao contrário do que quase sempre acontece, sua inteligência é tão destacada nas aventuras, quanto seus dotes plásticos. Trata-se de uma das heroínas mais bem construídas e convincentes já feitas, especialmente em uma época em que personagem feminina, só precisava ser bonita e nada mais.

À parte a patuscada de colocar um país de 8,5 milhões de km² na minúscula América Central, fora dar o espanhol como idioma de um país colonizado por portugueses, a personagem é muito consistente. As aventuras, nem tanto, mas lembremos da falta de recursos e de tempo que os quadrinhistas enfrentavam.

Ela não tinha capacidades sobre humanas, só sua inteligência e os recursos materiais, mandados secretamente pelo governo americano. Não voava,. não respirava debaixo d'água, não ficava forte, não virava tubarão, não lia pensamentos, não tinha telecinese, não corria mais do um cavalo e não tinha necessariamente um final feliz, já que sua felicidade tinha sido morta pelo ataque japonês. Até pedir ajuda, e esta chegar, tinha que se virar sozinha com os inimigos, muitas vezes ficando a um fio da morte.

 Infelizmente, com o capitão América enfrentando o próprio Hitler, e seu super soldado Crânio Vermelho, as atenções do público mais maciço das publicações, ias para os heróis que vestiam a bandeira, literalmente.

Ritta, pelo contrário, era totalmente estrangeirizada. A inspiração era claramente Carmen Miranda, com uns generosos toques de Gilda, vivida por Rita Haywort.

Apareceu pela primeira vez na revista Fight Comics, em Junho de 1942, durando até 1951. Até que teve vida longa, sejamos francos, a maioria não durava um ano, nas bancas. Com o esfriamento das lembranças dos anos duros da guerra, a maioria de seus personagens também foi sendo esquecida; ou vocês acham que não é duro ver a vizinha receber a visita de um ou dois militares tristes, que sempre começavam com "Eu sinto muito", ouví-la desabar no choro, e saber que o teu marido pode ser o próximo.

Para saberem mais, esqueçam a wikpédia, vão directo ao Pappy's Golden Age, que tem um acervo vasto, conhecimento de causa e tudo para baixar de graça, clicando aqui.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Eu chamaria de Tubarella

Iara, ainda calminha.
Mais uma tosqueira da Marvel, relacionada ao Brasil. Com previsão de dez meses para chegar oficialmente ao Brasil, Iara dos Santos é a mais nova personagem da franquia Mutantes. Dizem as más línguas, que é para tentar driblar a crise brava que ainda assola Europa e estados Unidos, tentando conseguir mais fãs em países até então negligenciados.

Trata-se de uma recifense aparentemente comum, que um dia se pega com uma vontade incontrolável de comer peixe cru. Mas ela não vai a um restaurante japonês, absolutamente, ela entra em um barco pesqueiro e começa a comer os peixes fresquinhos, recém-pescados, alguns ainda se despedindo do mundo.

Quando descobre que os pescadores em questão traficam barbatana de tubarão, e nós sabemos da crueldade que isso implica, ela fica furiosa e ataca um deles com um murro, arrancando sangue. É quando percebe que suas mãos estão se transformando em garras com unhas negras afiadíssimas. Então a transformação acontece, ela fica musculosa, cinza, cresce, rasga a roupa (uau!!!) e fica com cabeça de tubarão.

Bem, é basicamente isso. Ela é recrutada pelo mutante Anjo e levada para ser treinada, sob a sábia supervisão do professor Xavier.

Certo, vamos reler o que já escrevi, para ver se não esqueci nada de importante. Entrando de vez na fase de adulta jovem, seus poderes mutantes começam a se manifestar, ela não sabe o que fazer e não consegue resistir, sua primeira transformação se dá de forma acidental, quando fica furiosa, como o Hulk, é integrada ao grupo dos mutantes de Charles Xavier e o resto não foi contado, ainda. Ah, sim, na primeira transformação, ela rasga a roupa. Mas podem tirar esses sorrisos da cara, garotos, ela ganha um uniforme elástico e resistente, então podem esquecer cenas proibidas para menores, nas revistas.

Ok, nada de extraordinário, mais uma candidata ao segundo escalão dos heróis Marvel. O bom, é que usaram um nome e sobrenome (Iara dos Santos) tipicamente brasileiros, em vez daquele Paul Blanka... Pelamor de Deus! Também a chamaram de Shark-Girl, em vez de Piranha-Girl, sinal de que alguém fez um mínimo de pesquisa, ou ao menos consultou um brasileiro de dentro da equipe.

Iara, nordestina de sangue quente, sabe-se lá se descendente de cangaceiros, tomara que seja, fica fura da vida quando Mística tenta recrutá-la para o lado sombrio, vira tubaroa, briga com ela e acaba sentindo o gosto de seu sangue... Pois é, tubarão, nos sabemos, jamais desiste de perseguir a presa que lhe deixa o gosto do sangue no paladar, simplesmente porque jamais esquece o sabor de cada vítima que escapa.

Iara pê da vida.

Não sei se o nome será mantido, quando toda a trabalheira de registrar, adaptar, traduzir, fazer cortes para reduzir custos, divulgar e distribuir, estiver pronto. Sim, caros, dá mais trabalho do que se pensa, lançar uma revista em outro país, tanto mais quanto maiores forem as diferenças. Eu chamaria de Tubarella, é sonoramente mais eficiente, em português. Não que o nome sozinho possa salvar uma idéia que, até onde pude ver, foi feita ás pressas, ou tirada da gavera de heróis recusados.

Garota-Esquilo
Nosso talicoiser rebelde Eduardo Mendes Vieira, o Fio, fez uma observação interesante. Ele reclamou, como sempre, né, de se usar sempre uma força da natureza para criar heróis brasileiros. Não seria nada de mais, se esses heróis fossem convincentes e duradouros, então tenho que dar-lhe razão, inclusive na sugestão de uma surfista poderosa, em vez de uma metamorpha que vira um monstro.

Será que não dava para ela manter aquele rostinho meigo, apenas crescendo os dentes e ficando cinza? Afinal, a Vampira é p'ra lá de poderosa sem precisar se transformar em um tiranossauro rex.

Me parece ser uma heroína "bem intencionada", mas com menos consistência do que Doreen Green, a Garota-Esquilo, que pelo menos é linda e meiga, e permanece linda e meiga mesmo quando o pau quebra, talvez por isso mantenha sua pequena e fiél legião de fãs.

Posso estar errado, mas é uma personagem destinada a morrer rápido, pelo menos não acredito que sobreviva ao fim da crise, e acabe virando sopa de tubarão, na mesa do Magneto.

 Mais sobre a Iara, ver na Marvel Wikia, clicando aqui.
 Algo sobre a adorável Garota-Esquilo, clique aqui.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Programas que falam de programas

Fonte da imagem: http://www.euamocaes.com/

Tudo começou, no formato que hoje conhecemos, pelo Vídeo Show, quando o Miguel Falabela o deixou. Bem, a função deste programa sempre foi falar de televisão, mas a troca de apresentadores deixou de lado o aspecto histórico e cultural, para se render à adulação interna, já que programa da Globo não pode falar de programas de outras emissoras; uma idiotice, me deculpem.

Nas outras emissoras, sempre houve programas que falam de programas, mas eram programas de variedades, que falavam também de programas, mas tinham outros tópicos em suas grades, que muitas vezes passavam longe dos temas televisivos.

O problema foi quando pararam de procurar assuntos, reduzindo ou até eliminando o caráter de variedades, e se focaram exclusivametne em falar de outros programas. Se falam de dieta, é sobre uma sub celebridade que perdeu peso, deixando pouco ou nenhum espaço para as informações úteis sobre a técnica.

Tudo piorou muito, quando os "reality shows" pipocaram na televisão aberta. Meses antes de começarem, e meses depois de desinfetarem, os apresentadores se esmeram em procurar detalhes, novidades, curiosidades, enfim, quase fazem colonoscopias em rede nacional, repetindo ad aeternum o que o público já cansou de ver nos próprios programas, e em reportagens sobre as polêmicas (vazias) que geraram. Fora que, vira e mexe, procuram os ex-participantes, para falarem do que já foi falado, apenas de maneira ligeiramente diferente.

Essas polêmicas, diga-se de passagem, que são esquecidas assim que outro canastrão faz a mesmíssima cousa.

Felizmente a fórmula se desgasta rapidamente. Infelizmente, a fórmula pode sempre ser piorada, garantindo audiência a quem não faz absolutamente nada de relevante pela cultura de massas. Uma técnica fácil de engolir, para quem já se habituou a comer porcaria gordurosa e cheia de aditivos tóxicos, é exagerar na emoção. Falar do drama de uma "celebridade" como se o seu fosse o pior caso do tipo, quando não fazem parecer que é a única vítima inocente da atribulação, com repetição sistemática de trechos de cenas, photographias e depoimentos, que o espectador parece não perceber que estão sendo repetidas três vezes ou mais.

Outro sintoma grave, é a dependência não só dos próprios programecos, mas também dos da Globo. Sim, caros taleitores, praticamente todas as emissoras do Brasil, vivem da Globo. Provavelmente, boa parte da audiência dos Marinho, sai de dentro da concorrência. Parece haver uma equipe em cada emissora, dedicada exclusivamente à programação global, a procurar pontos polêmicos, falhas crassas, escândalos pessoais, litígios e tudo o que puderem colocar no liquidificador esquizofrênico de suas grades, para vender tranqueiras que todo mundo já tem, só falta você, mas nunca conheci alguém que as tenha.

O interessante, é que nenhum programa que fala de programas, aborda as poucas reportagens relevantes que os telejornais divulgam. Aquele documentário sobre o jurássico, apresentado pela Globo e repetido na Cultura, por exemplo. Isso, só para citar um exemplo que seria de bom proveito, que daria ganchos fáceis para falar de preservação das espécies. Aliás, as atrocidades que o extremo oriente ainda faz contra animais, como encurralar e matar golfinhos, ou jogar cães vivos na água fervente, parecem não ser polêmicas de interesse desses programas.

Não, eles querem é falar da suposta apologia à prostituição, que a novela da Globo estaria fazendo. Ou ainda, da já surrada polêmica da Xuxa no filme "Amor, estranho amor", rodado quando ela ainda era menor. Ah, claro, briga de jogador de futebol, que mata no trânsito e foge sem dar socorro à vítima, mas eles falam como se o jogador fosse a vítima.

Nada contra programas falarem de programas. Me afasta mais da televisão, a apologia ao irrelevante, amparada por apresentações apelativas, que só fazem maquiar a completa futilidade da pauta. Eu tenho idade para afirmar que programas de variedades, realmente falavam de variedades, eram como revistas televisivas. Aliás, saudades do Dia a Dia de Olga Bongiovanni, que não durava demais, mas conseguia falar de tudo um pouco, de modo relevante.

Alguém vai falar que a televisão mostra o que o povo quer ver. Mesmo? Formar opinião não faz parte das atribuições da mídia?

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Scarlett, simplesmente Scarlett


Filha do arquiteto dinamarquês (daí o nome) Karsten Johsnsson com a productora Melaine Sloan, com raízes no judaísmo, em 22 de Novembro de 1984 veio Scarlett Johansson ao mundo. Uma arquitetura de mulher muitíssimo bem produzida.

Não, desta vez não farei uma biographia dela, não desta vez. Falarei do drama que ela vive em Hollywood. Os taleitores vão perguntar que drama poderia ter uma diva divinesca e escalafobnética daquela? Eu respondo: Ela é vítima de sua própria beleza.

Toda aquele encanto de mulher, com sua beleza quarentista concentrada em 1,6m de altura, apenas dois centímetros a mais do que eu, sofre com a pressão perversa e ingrata do mundo artístico. O facto de ser tão bonita, faz as pessoas exigirem que seja perfeita o tempo inteiro.

Certa feita, ela reclamou que em Hollywood, as pessoas são muito magras, embora as muito gordas também povoem a floresta. As comparações são terríveis, fazem as actrizes acreditarem que nunca estão magras o suficiente. daí um taleitor vai berrar "MAS PORQUE #**!@#&!!! ESSA MULHER TEM QUE VIRAR CABIDE?". Bem, ela não tem, mas Los Angeles tem o sadomasoquista hábito de destruir o que ama. Quem não tem uma formação sólida e uma personalidade muito beme struturada, e Marilyn Monroe carecia de ambas, acaba sendo engolida pela indústria do entretenimento.

A verdade mais baixa nisso tudo, é que muitos fãs, tão sadomasoquistas quanto a cidade, têm verdadeira obsessão em ser mais parecido com seus ídolos do que eles mesmos. Tem muita perua por aí, tirando costela, colocando silicone e botocando o corpo todo, para ser mais Scarlett Johansson do que a própria. Hollywood sabe disso, sabe e explora.

Vejam vocês, que certa feita ela fez um ensaio, com as pernocas totalmente à vista. Pois apareceu um pastel que photoshopou aquelas pernas, para fazê-la parecer masi alta e magra! Atenção, fãs recém-ingressos ao vasto fã-clube da moçila, isto não constitui ABSOLUTAMENTE NENHUM ELOGIO! ela gosta do que vê no espelho, por mais que os picaretas de Beverly Hills sabotem.

Na realidade, a deformação estética dos ensaios não servem para vender o producto, servem mais para tornar as modelos inseguras, como se não fossem belas o suficiente para as campanhas. Não o fosse, eles poderiam economizar fortunas, criando modelso virtuais, perfeitinhas, sem chiliques, sem cachês e disponíveis vinte e quatro horas por dia, sem a menor exigência trabalhista. A intenlção é desvalorizar a mulher, não valorizar o que se está vendendo, para facilitar a doma (sim, isso mesmo, do-ma) e o controle.

Photoshopar para melhorar o conjunto do trabalho, é nobre, muito nobre. Se for para retocar marcas de expressão resultantes de um imprevisto, é discutível, porque um bom maquiador resolve, mas é aceitável. Modificar a modelo, a ponto de mal ser reconhecida na rua, mesmo estando ao lado de sua imagem alterada, é horrível. Photoshopar Scarlett Johansson, é passagem para o inferno!!!!!!! É execrável, hediondo, et cétera, et cétera e et cétera!

Pessoalmente, ela é uma moça tranqüila. Atrevida, às vezes, mas tranqüila, do tipo que gosta mais de um bate-papo do que de tietagem, e que fica pê da vida quando é clicada até tomando sol, na praia. Quer ser fã dela? Quer mesmo? Seja amigo dela. Admita desde já que ela é ma-ra-vi-lho-sa, mas não é perfeita. Admita e a aceite, porque assim é que se usufrui do melhor que o trabalho de um artista oferece.

Aliás, por falar em trabalho, muitos fãs nção sabem que a moça canta, canta bem, e canta ao vivo! Ouçam só...




Website dedicado à Scarlett, clicar aqui.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Como eu tenho sorte! (parte II)

Então, como vocês sabem, eu sou uma pessoa de muitísisma sorte. Aqui, falei sobre as maravilhas de ser sempre sorteada, de ter confirmados depósitos por pessoas e bancos que desconheço, de ter amigos que me avisam da traição do meu amor, enfim.

Ali nosso nobre Nanael, que tem lutado para manter esse blog respirando, fez o seguinte comentário: "Já perdi a conta de princesas árabes que me pediram em casamento, apenas solicitando o número da minha conta bancária e dados pessoais para providenciarem tudo. Este mundo é tão bonzinho!".
Pois bem, Nanael, morra de inveja! Eu fui pedida em casamento por uma herdeira russa riquíssima! Conversando com minha amiga Jana Jones Hasselman, lá no feicebruque, falamos desta luz que nos acompanha e que só não somos ricas porque não queremos.

O pedido de casamento que recebi era mais ou menos asism: . "'Prezado Adriane, eu ser [insira nome russo aqui] e eu queria to marry e eu estar a eu want a casamento e eu ouvir que brazilians são hot homens", Tudo bem que a herdeira russa achou que eu fosse homem e usou o tradutor do Gugou Louco, como Jana me esclareceu, é  feito pelo Joel Santana, mas gente, era só eu disfarçar um pouquinho e virava herdeira russa também!

A própria Jana se descobriu a única parente de um... sultão! Isso mesmo! Euzinha, dias atrás, uma mulher do oriente médio, viúva, filha única, que perdeu o marido e o filho num desastre, queria doar toda sua fortuna para uma instituição de caridade, e eu ficaria responsável pela transação, sendo regiamente paga por tal ato. 

Não é lindo????? 

Então, gente, assim que eu entrar em contato com essas pessoas tão bacanas e magnânimas, aviso vocês. Mas antes vou baixar um arquivo bacana que recebi de um desconhecido (esses lindos!) por e-mail, o fiquericoagora.exe.  

Bóra baixar?




* Ah, e, para se divertir criando memes como o que ilustra este post, vá no http://memegenerator.net, mas lá não tem vírus de brinde :(

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Grato pelos elogios

Olha a minha cara de arrependimento!

Agradeço à turma da patriotada, pelas ofensas, pelos insultos e pelas imagens obscenas que me dirigiram, talvez inocentes, talvez não. Vocês não imaginam o grandioso valor e peso que suas palavras enternecedoras têm em meu coração.

Agradeço aos que deixaram o dia vinte e dois de Agosto passar em branco, um dia que, lembro bem da escolinha primária, é dedicado ao folclores brasileiro. Decerto que ter caído em uma quarta-feira, neste ano, foi um tremendo balde de água fria, ainda mais por não ser feriado. mas o Dia das bruxas também não é.

Agradeço aos babaquaras que SÓ AGORA se lembraram que existem sacis, curupira, boitatá, caipora, enfim, toda uma fauna que só Monteiro Lobato divulgou como se deve, só ele, hoje acusado de racista, e ninguém mais.

Agradeço ainda mais porque, para convencer a toda uma comunidade virtual de sua sinceridade, se deram o trabalho de fazer discursos xenophobicos, acionando a metralhadora giratória a toda velocidade, acabando por atingir também a mim, que quase sou acusado de leso-patriota.

Agradeço à gente ufanista, que jamais fez uma festa temática sobre a Iara ou o Boto Cor de Rosa, mas quase deu tiros nas crianças fantasiadas, que chegavam dizendo "gostosuras ou travessuras". Gente que acha que o carnaval é uma manifestação genuinamente brasileira, mas jamais quis ouvir Chiquinha Gonzaga.

Agradeço deveras aos que encheram as redes sociais com mensagens de repúdio, não só ao que chamam de imposição cultural estrangeira, mas também aos que trocaram "happy halloween" entre si, enquanto a farra com o erário rola solta em Brasília. Afinal, nós lhes devemos satisfações de nossas conversas.

Agradeço às pessoas que não sabem que saci, mula-sem-cabeça, iara, caipora, boitatá e afins, são seres elementais, estudados pela alta magia. Aliás, pessoas que não sabem que os pagés pré-cabralinos, eram um tipo de bruxos e lidavam com esses elementais. Então não seria motivo para me condenar à morte, com quase fizeram. Afinal, os intelectuais de ar-condicionado sabem melhor do que eu, bruxo de longa data, que um boitatá é um elemental do reino de Djin, não é mesmo?

Agradeço, aliás, aos que não acreditam em elementais e tratam algo tão profundo como o folclore, como uma reles e descartável manifestação cultural. Porque foi sendo tratado assim, que o alegado folclore brasileiro caiu no esquecimento... Exceto agora, claro, quando uma monstuosidade aparece para ameaçar aquilo que todos tanto amam, que tem seu próprio dia dedicado... Qual o dia mesmo?

Agradeço tanto a essas pessoas, que quase peço escancaradamente para me excluírem de seus perfís, antes que eu o faça e os bloqueie, caso voltem a me ofender. Sim, porque se atiraram para todas as direções por causa de uma festa celta, povo que deu base ao que o cristianismo tem de mais nobre, então vão contractar assassinos de aluguel assim que eu mencionar fazer um texto sobre Cármem Miranda, a grande traidora da pátria.

Agradeço de coração a todas as pessoas que fizeram uma campanha canhestra, enquanto o dinheiro dos impostos vai para os bolsos de uma entidade privada, já muitas vezes acusada e sempre sob investigação, por suspeitas de corrupção, apenas porque é o órgão máximo de um ópio inglês, que absolutamente nada traz de benéfico ao país, e ainda serve de desculpa para demolir escolas-modelo.

Agradeço messsssssmo! É por gente como vocês que o Brasil continua afundando na miséria, com seus cidadãos se digladiando por bobagem, enquanto o metal mais importante do mundo é contrabandeado debaixo do nariz do ministro (ir)reponsável pela pasta ministerial.

Muito obrigado mesmo. Se eu tivesse um grão a mais de soberba e orgulho, graças a gente como vocês, sentiria vergonha de ser brasileiro.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O novo papel de Betty


Betty entra no escritório, altiva e confiante, como nos velhos tempos. Foram décadas de ostracismo, por culpa de um fiscal de bunda, que pregava exactamente o oposto do que fazia e virou um fanático. Mas é passado, graças ao papel coadjuvante, na cena com o Valiant, agora está novamente em alta, com seu rosto e suas belas pernas estampando todo tipo de quinquilharia.

O agente a recebe com o sorriso aberto. Sentiu falta disso. Se pudesse, se fosse possível, teria se matado há uns trinta anos. Ele é directo, há um papel para o qual todas as novatas falharam. Não conseguiram unir as qualidades de donzela fina e delicada, com militar durona e implacável. No auge do desespero, foi nela que pensou, e pôs-se a rezar para que aceitasse o papel, para o que parece ser apenas mais um desenho da nova geração. Após a tietagem, começam a falar de negócios.

Ela fica desconfiada, não por causa do papel, mas por ser outro papel. Fez sua fama interpretando a si mesma, nos bons tempos, e foi assim que ressurgiu. Ele explica e tudo parece muito simples, o que ajudaria, se não parecesse um papel muito coadjuvante.

Ele explica que, embora seja coadjuvante, é do tipo sem o qual o papel principal simplesmente não existe. Na realidade, tem planos para a personagem que seus criadores não tinham imaginado, no começo. Macaco velho, logo percebeu o potencial de vôo solo, no mercado de licenças, algo muito parecido com o que ela faz. Aliás, algo quase idêntico, só que em vez de uma vedete, será uma agente.

Betty começa a se inclinar a favor do papel, ele percebe e explica as vantagens, o que inclui acrescentar um papel que não seja o dela mesma. Só precisará adaptar sua doçura e capacidade de comando para o contexto e a época. Mostra alguns esboços, uns desenhos semi-acabados, algo para ela tem idéia exacta do que a espera, se aceitar...

- Vamos fazer um pequeno ensaio?

- Ok, mas onde?

- Preparei um lugar, tinha certeza de que você se interessaria. É um cenário improvisado, com uns diálogos que os caras escreveram.

Leva-a para a garagem, que simula vagamente um cenário de combate. Entrega-lhe a pistola de água e ela, comediante nata, se serve para matar a sede. Ele pega um bicho de pelúcia, para simular o papel principal, enquanto ela lê rapidamente o texto. Seleciona o tom de voz, dá sinal verde e eles começam...

- Macaco! Macaco, preciso de você!

Ele faz o macaquinho de pelúcia sair de uma pilha de latinhas de cerveja e suco, que poderão beber depois, e começa a imitar uma possível voz dele. Foi-lhe explicado o público alvo, embora marmanjos também possam gostar, principalmente de sua personagem...

- Boo-boop-a-doop! Gostei! O que mais ela faz?

Lhe dá outro textinho, ela lê e encena, desta vez, a face durona da personagem...

- LARGUE ELE OU ARREBENTO OS SEUS MIOLOS!

Sobem, para tratar de detalhes. Um deles é a necessidade de reestilizar o desenho. Ele explica que várias versões moderninhas, até de mangá, já foram feitas dela, que gostou de muitas. Faz comparação de proporções e tudo mais, explicando que praticamente só ela nunca faz um papel com reestilização. Cita Minie Mouse, Diana Prince, Branca de Neve, Lois Lane, enfim, acaba convencendo-a, sob a condição de o redesenho ter sua supervisão e co-autoria.

É levada ao estúdio. Todo cheio de botões e monitores, nada lembrando os em que trabalhou, no auge de sua fama. mais tietagem, mais photographias e vão ao trabalho. Terá que esticar a silhueta e aumentar glúteos e seios, não tem jeito. O corpo será reescalonado, mas no rosto ela pode interferir à vontade. Tudo pronto e acertado, é lavada a conhecer, com mais tietagem e mais autographos, os outros artistas, todos relativamwente novatos, alguns em seus primeiros papéis importantes, inclusive o protagonista...

- Oi, fofo! Vem cá, vem!


Conquista o macaco protagonista da série, com isso também o restante do elenco. Foi assim que Betty Boop se tornou a Agente Honeydew... Pelo menos na minha cabeça lesada.

sábado, 20 de outubro de 2012

Eu quero um filme dos Herculóides


Dentre as inúmeras maluquices de Hanna e Barbera, criado por Alex Toth, uma das mais fascinantes foi o desenho "Os Herculóides". Não que fosse muito diferente dos demais, mas como eles, tinha personalidade própria, e até uma surpresa, que seus próprios criadores talvez não esperassem. Foi feito em 1967 e, com muitos estragos em prol da "modernidade", relançados com novos episódios em 1981 e 1982, sem o sucesso d'outrora. Foram duas temporadas com trinta e seis episódios, no original.

O ambiente é o longínquo planeta Quasar, uma espécie de ponto estratégico, que tem como rei e guardião Zandor, marido de Tara e pai de Dorno. Interessante ver que Zandor é ruivo, mas Tara tem os cabelos brancos e o garoto lhe puxou as madeixas. Apesar da pouca roupa, e de dormirem praticamente ao ar livre, os sinais de que eles são os soberanos no planeta, estão por toda parte.

Primeiro pela tiara que Zandor usa, larga e bem estilizada, como a de um imperador. Segundo, pelo porte atlético e modo de andar dos três, muito altivo e confiante, como se soubessem que aquele planetinha é o seu reino. Terceiro e último, porque eles, mesmo o garoto Dorno, comandam os Herculóides. A arma de Zandor é um estilingue... Não riam, é um estilingue especial, que só gente que vive na dureza é capaz de esticar, para lançar suas pedras explosivas. A força necessária, que explica o longo alcance, também explica que as pedras não são tão sensíveis, necessitando de um impacto mínimo para explodirem. Aliás, os três andam armados, cuidado com eles!

São os cinco herculóides a saber:
  • Zok: Um dragão alado com uma imensa força de sustentação nas asas, porque costuma carregar a família toda, quando não um dos outros herculóides. É capaz de respirar o ar, o fogo(!!!), sobreviver no espaço livre e solta raios eléctricos pelos olhos e pela cauda. Poder se mover no espaço livre, me faz supor que ele também tem respiração por fermentação e usa os campos magnéticos dos planetas para se mover no espaço livre;
  • Igor: Talvez o mais carismático deles. É um gorila gigante de pedra, como um Ben Green dos quatro fantásticos, só que preto, gigante e bem humorado. Bater de frente com ele é besteira, ele é capaz de moer pedras com as mãos, mas também é capaz de actos de grande carinho com os seus, sejam os humanos, sejam os outros herculóides;
  • Tundro: Parece um triceratops com couraça blindada e dez patas de elefante. Lança pedras explosivas pelo chifre oco na testa, tem outros três menores no focinho, como um rinoceronte bombado. é veloz, quando pega o embalo, causando estragos por onde passa, mas as dez patas permitem uma frenagem rápida;
  • Gloop e Gleep: Os preferidos de muita gente. Parecem duas amebas gigantes, com olhos e intelecto razoavelmente desenvolvido. Lembram muito o Shmoo e o Barba Papa. São, dizem, irmãos, sendo Gloop o maior. Eles conseguem moldar seus corpos elásticos à sua vontade, ficando achatados, fazendo um furo no meio, se dividindo em duas ou mais partes e se reagruparem, enfim, eles tornam a mira mais perfeita e treinada, absolutamente inútil. São fortes, conseguem estrangular o inimigo como uma jibóia.

Quasar costuma ser invadido, não bastasse ter seus próprios perigos. O que dá a entender, é que a família se reporta a uma federação ou o que valha, porque está sempre muito ocupada para ir até a casa do agressor e dar um ultimato para que os deixe em paz. Se limitar a se defender e repelir os ataques.

Apesar de viverem em um mundo quase desprovido de tecnologia, tanto que Zandor se locomove por uma dede de cipós esticados, como se fosse uma flecha viva, os três se sentem à vontade na condução e operação de espaçonaves, quando são solicitados a ajudar alguém de fora. Vez ou outra, recebem visitas de outros heróis, como Space Ghost, o que reforça minha tese de que são parte de uma federação. Ou seja, eles têm acesso à formação cultural e científica.



Um facto interessante, eles não se chamam de "pai", "mãe", "filhão", só pelos nomes de cada um. Sinal de que realmetne são os únicos humanos do planeta. São os reis do planeta, mas não andam de salto alto, literalmente. Como todo clássico, tem ganho algumas releituras modernas, em ilustrações, muitas delas com alto grau de erotização da rainha Tara. Aliás...

A surpresa aqui fica por conta de Tara. Em princípio, ela deveria ser apenas a linda, estonteante e dedicada esposa de Zandor. Só que muitas vezes ele não esta vapor perto, ou estava viajando, e ela precisava tomar decisões rápidas. Tara acabou ganhando muita importância na trama e levou Dorno no vácuo. Resultado, o que era par ser apenas um ponto de identificação para as meninas da época, acabou se tornando quase tão importante na série quanto o protagonista. Às vezes ela era a protagonista.

Por conta desta reviravolta pacífica, é que o desenho acabou ganhando sua personalidade própria, e não apenas sendo mais um desenho de heróis da Hanna Barbera. E é por isso que ele merecia um filme em película, mas, pelo amor de Deus, respeitando as características básicas! Sabem o que é melhor nesse planeta? NÃO TEM SOM AUTOMOTIVO TE OBRIGANDO A OUVIR PORCARIA NO ÚLTIMO VOLUME! Só isso torna Quasar um pequeno paraíso.

sábado, 13 de outubro de 2012

Eu recomendo: Blackmore's Nihgt

Photografia de divulgação

É difícil fazer músicas de época sem ficar caricato, ou mesmo ridículo. Já mostrei aqui alguns grupos e músicos que fazem com competência esse papel. Não basta pegar o ritmo e fazer qualquer cousa em cima, é preciso um mínimo de pesquisas e conhecimento de causa. Músicas folk que caiam no gosto actual, é mosca branca, especialmente a renascentista.

Recomendo agora, um conjunto que faz com extrema competência, a transcrição da música renascentista para a idade contemporânea, se servindo sem medo de elementos que não existiam no século XVI. Falo do Blackmore's Night, desde 1997 capitaneado pelo veterano Ritchie Blackmore. Para quem não conhece, ele Fez parte dos conjuntos Deep Purple e Rainbow.

Ritchie é encantado pela música renascentista desde meninote, tendo lançado um DVD de folk rock renascentista em 2005, pode-se dizer que foi um empreendimento familiar. A vocalista é Candice Night, que conheceu ainda no Deep Purple, onde ela era backing vocal. A voz dela se mostrou própria para suas intenções desde o começo. Como diz o velho deitado, quem sabe faz ao vivo, e eles fazem!

A composição actual do grupo conta com Bard Davis of Larchmont (ou David Baranowink) no teclado, Earl Grey of Chamay (ou Mike Clemente) no baixo, bandolim e guitarra rítmica, Lady Kelly of Wintter (ou Kelly Morris) na trompa francesa e vocal, e uma que usa seu próprio nome, a Scarlet Fiddler no violino. Também, com nome de nobre medieval, ela não precisa de apelidos.

Como todo roqueiro que se preze, Ritchie preza seus laços afetivos, e recentemente amargou o luto pelo seu antigo professor de guitarra, Big Jim Sullivan.

Assim como o som, as roupas têm toques medievalescos, com a festividade da renascença. Como na época, são prodigiosos na improvisação, na interação com o público e na simpatia. É um som que vale o dinheiro do álbum, e uma apresentação que vale o dinheiro do ingresso.

 

Blog brasileiro sobre eles, clicar aqui.
Website ofocial do Blackmore's Night, clicar aqui.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Banana Split, politicamente loucos

Fonte da imagem: http://www.mentalfloss.com/blogs/archives/44983

Crianças, nada além, nada aquém de crianças. É o que representavam os quatro caras com fantasias de pelúcia, do cultuado programa Banana Split, que foi ao ar no fim dos anos sessenta, durando de 1968 a 1970, o auge da psicodelia e da contra cultura. Era também o auge da guerra fria, com o bairrismo à flor da pele e o conceito de "Nós" e ""Eles" muito bem definido.

Banana Split era o resumo dos Estados Unidos nos anos finais do optimismo. Vamos a ele; a trupe musical era composta por quatro bichos, o elefante azul-cinzento Snork, o leão Drooper, o gorila vermelho com cara de chinês Bingo, e o cão beagle Fleegle, que era o líder da fuzarca. A única coisa que os identificada como grupo, era que todos usavam capacetes de bombeiros. Era impressionante o número de garotos que queriam ser bombeiros! O elefante parecia meio monstruoso, na primeira temporada, então foi "suavizado" depois.

O show consistia no seguinte: Os quatro se reuniam na sede de seu clube, algo comum nos Estados Unidos da época, quando uma turma escolhia o quintal de um deles para ser o "quartel general", geralmente um clube do Bolinha, mas às vezes da Luluzinha. Como nas cabaninhas de verdade, a imaginação rolava solta na sede dos quatro. Alternando com desenhos animados, eles tinham quadros nem sempre fixos, como programas de entrevistas, conversas com amigos imaginários que todos eles conseguiam ver, discussões sobre brigas com os garotos da rua de baixo, apresentação de invenções malucas, shows musicais, et céreta, et cétera, et cétera.


Foi mais uma alucinação de William Hanna e Joseph Barbera, que conseguiam transformar qualquer besteira em uma mina de ouro. Falam-se em 125 episódios, mas há controvérsias. O maior trunfo mercadológico do programa, é que ele vendia, e muito bem, desenhos animados que dificilmente teriam sucesso sozinhos, como Os Cavaleiros da Arábia e Os três Mosqueteiros. Ambos desenhos toscos e improváveis, mas que não deixavam de ser divertidos. O programa sempre começava com Fleegle batendo o martelo em uma tribuna e iniciando a sessão... Ah, garotos querendo imitar seus pais, ou o que pensavam que seus pais faziam.

Parece ser uma bagunça? E era uma bagunça, o que vocês acham? Que quatro garotos representados por um leão hippie de rabo hiper longo, um macaco vermelho com cara da chinês, um elefante de colete com aspecto de melindrosa e um cachorro  metido a inventor, seria um primor de organização? Bicho, era o auge da psicodelia! O mundo ocidental começava a olhar para fora do próprio umbigo e para as suas contradições! Tinha que ser louco mesmo! E ainda havia uma cabeça de alce na parede, que sempre dava opiniões que não eram pedias, e sempre que pediam ele esculhambava!

A exemplo dos garotos da época, e até os de hoje, inclusive brasileiros, eles apontavam o dedo para as diferenças, mostrando o quanto os outros eram esquisitos, caçavam briga e depois fugiam para a sede do clube, fazendo a cacetada sobrar para os outros, não admitam gente de fora lá dentro, tanto menos quanto mais de fora. Os inimigos declarados eram os Uvas Azedas, que eram representados por uma menininha de micro saia, chamada Charlie, que levava os recados. Por ser uma menina, eles não se atreviam a bater nela. Não se assustem, uma criança de micro sia na época, não causava mais escândalo do que uma adolescente de mini saia hoje, lembro bem. A Hipocrisia não diminuiu, pelo contrário.


É o tipo do programa que hoje seria banido ou, no mínimo, alvos de protestos fervorosos dos politicamente patéticos. Não menos polêmico do que são hoje Os Simpsons. Para começar, eles não respeitavam as diferenças, enquanto isso não lhes pesasse na consciência e não os fizesse se sentir péssimos. O ritmo do programa era muito rápido, do tipo pára-choque de caminhão; se entendeu a piada, você riu, se não entendeu, esquece, o caminhão já foi embora. As cores eram explosivas, típico da psicodelia. Cara, a gente viajava sem tomar nada, aí! Dava uns baratos legais, bicho, tudo na base dos delírios dos carinhas, valeu! Macaco vermelho, elefante de melindrosa, uhuuuuu! Também queeroooo. Também porque o programa representava escancaradamente a mentalidade bairrista do americano médio, uma neura anti-americana que só conheceu par com a recente imbecilidade do Bush.

O que as pessoas mentalmente sãs podem perceber, é que tudo era uma brincadeira de criança, mostrando como as crianças se enxergam, e são enxergadas pelos pais, durante as brincadeiras. O mérito do programa é justo o que hoje causaria reações extremistas, porque as crianças são rápidas, imprevisíveis, coloridas, desconfiadas dos esrtranhos e até mesmo egoístas. O que facilitaria a adaptação para hoje, sem destruir a essência original, seria incluir a figura das mães dos quatro, ainda que só com as vozes dando bronca, corrigindo e chamando para tomar banho. Sim, só isso. Se alguém aí pensa que uma mãe ou um pai não consegue controlar seus monstrinhos, é porque não tem vocação nenhuma para criar um filho; infelizmente os profissionais sem vocação têm se tornado a regra. Estou sendo sincero, à moda banana split. Não quero ofender, mas infelizmente alguém vai se sentir ofendido, se eu não for hipócrita.

Hipocrisia, aliás, era algo que o programa deixava claro que os cidadãos médios tinham de sobra. Era uma auto crítica divertida, feita para ser educativa, não para ser levada à sério. Por muito tempo funcionou, até a crise do petróleo fazer um monte de marmanjos gritar "Ai, meu Deus, a gente vai morrer!!!" feito mariquinhas, dando início à era de pessimismo e carência afetiva não assumida, que dura até hoje. Pensando bem, O programa foi reprisado até início dos anos oitenta, primeiro pela Tupi e depois pela Bandeirantes, mas o nosso mundinho demente está precisando de mais uns 250 episódios ainda mais loucos, turbinados pela tecnologia moderna, pelas redes sociais, pela rejeição à deturpação do politicamente patético


 
Sim, havia outro Banana Split, um quarteto feminino brasileiro, que vendeu muita revista de mulher pelada, mas é outra conversa...

sábado, 6 de outubro de 2012

Johnny Rivers flowing to the heart

Fonte da imagem: http://www.alphafm.com.br/shows_detalhes.aspx?id_not=315

Para muita, mas muita gente mesmo, é o cantor mais anacrônico do mundo. Para muito mais gente, ele pode continuar assim, que continuará comprando seus discos e indo aos seus shows. Não falo de alguém que anda por aí de fraque e cartola, com polainas nos sapatos envernizados. Quem vê Johnny Rivers e não o conhece, não vê absolutamente nada de extraordinário nesse quase septuagenário, além da disposição para viver, trabalhar e pela sua lucidez.

Filho de italianos, veio ao mundo como John Henry Ramistella, em sete de Novembro de 1942. Imaginem os olhares tortos para aquele garoto de sobrenome com sonoridade fascista, em plena segunda guerra mundial. Teve que aprender duas lições importantes logo cedo, ser humilde e impôr respeito. Precoce, começou a tocar guitarra aos oito anos, o que fez todo mundo parar de olhar torto para olhar com admiração; americano adora crianças-prodígio. Ainda moleque fundou a banda The Spades e lançou sua primeira gravação aos quatorze, mal tendo entrado para a adolescência.

Alan Freed o aconselhou a mudar o nome artístico. Não que seja impossível um nome longo vender, mas os meios de comunicação têm tempo escasso e caro, não podiam perder minutos preciosos recitando todo o nome de Dom Pedro I. O importante é que deu certo, em 1958 passou a ser conhecido por Johnny Rivers e a grana começou a fluir melhor para sua conta bancária.

Em 1959, em Birmingham, conheceu Audrey Williams, esposa de Hank Williams. Foi com ela para Nashville, onde trabalhou também como compositor, ganhando US$ 0,25 por gravação de suas canções demo. Isso, na época em que vinte e cinco cents compravam algo, era uma boa remuneração. Não se podia esperar ficar rico assim, mas fome não se passava.

Rivers era amigo de praticamente todo mundo importante no mundo artístico, na época. Mas quando digo "amigo" me refiro a ter amizade, não simplesmente um contacto comercial para garantir shows. Um deles, James Burton, deu uma canção sua para Rick Nelson, que gostou e pediu para conhecê-lo. Novamente foi feliz na amizade, ficou com ele, como compositor e músico de estúdio.

Certa feita, um grupo de jazz deixou pura e simplesmente o bar que ele freqüentava, o Gazzan's. Rivers foi chamado a cantar até conseguirem outro grupo, e o bar passou a lotar com muita freqüência. Bons bares são sempre boas escolas para os músicos. Em 1964 assinou contracto com o Whisky a Go Go, recém inaugurado, três dias antes de os Beatles lançarem "I Want Hold Your Hand" e iniciarem a devastadora invasão britânica, que trouxa até James Bond na bgagem. Lou Adler confiou no taco de Rivers, Lançando o disco Jhonny Rivers Live At The Whiskey A Go Go. Sim, gravado ao vivo, na tora, sem efeitos de estúdio para ajudar. Conseguir o 12° lugar naquela época, em que até um tocador de gaita de foles inglês conseguia fazer sucesso nos Estados Unidos, foi um feito hercúleo.

Daí em diante, como uma trincheira viva da música americana, passou a gravar hits que ainda hoje vendem, como "Poor Side Of Town", "Mountain Of Love", "Midnight Special", "Seventh Son", "Mybellene", "Secret Agent Man", "Summer Rain", "Baby I Need Your Loving", "The Track Of My Tears", enfim, o repertório desse carcamano é maior do que a língua da tua vizinha. Mas o ãlbum "Realization" é considerado o divisor de águas, pelos fãs mais dedicados, espacialmente a canção "Going Back To Big Sur".

Deu-se ao luxo, nos anos setenta, de fazer trabalhos mais "sérios" e de pés no chão, mas sem perder o açúcar jamais, como "Rocking Pneumonia - Boogie Woogie Flu". A decadência que assolou absolutamente todos os grandes artistas nos anos oitenta, não o poupou, mesmo assim conseguiu manter-se requisitado para shows e bem quisto pelo público, resultado da farta semeadura que fez.

Sim, já esteve no Brasil. Foi o primeiro artista internacional a tocar no Canecão, nos anos setenta, fez um show gratuito no Ibirapuera, para mais de sesenta mil não-pagantes, em 1998, quando a praga da pubian music já tinha contaminado o país. Esteve ainda em 2008 e 2010, sempre no eixo Sul-Sudeste do país... Fazer o quê?

Com um repertório tão vasto, só o contra-indico para gene de mau gosto, porque os outros, que não tiverem a charga anti-americana disseminada por Bush, podem usar e ebusar das melodias, seja na pista de dança, seja apenas no sofá, abraçado...



Website de Rivers, clique aqui.
Letras com vídeos, para acompanhar, clique aqui.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Eu quero um filme do Tutubarão!


Scooby-Doo teve filme, com seqüência e sucesso que justificaram o investimento, mesmo com os humanos da trama terem deixado a desejar, em relação aos originais do desenho e até ao cachorro renderizado. Cá entre nós, o Salsicha ficou meio psicótico.

O que nem todos lembram, e começarei a fazer bonecos voodoo se fizerem piada com minha idade, é que houve um desenho Hanna Barbera nos mesmos moldes, que teve tudo pra ser uma cópia com enredo manjado, mas teve personalidade própria, por conta dos detalhes.

Tutubarão foi criado na esteira do sucesso do filme Tubarão, de Spielberg. Vamos às semelhanças, para compreenderem as diferenças. Como em Scoob Doo, trata-se de um grupo de jovens com seu animal de estimação... Ou quase, já que o tubarão tem muita vontade própria e muita iniciativa, esta responsável por metade das encrencas em que eles caem. Em um, são quatro amigos e um cão, que viajam a esmo em um furgão financiado pelo pai milionário de uma deles, todos dão duro, enfrentam o risco de morte (mesmo os dois covardões) com alguma dignidade, e ganham experiência na solução de crimes e casos difíceis. No outro, um grupo de jovens vive como uma banda de pop-rock, que viaja de cidade em cidade, em um mundo submarino futurista, ganhando a vida honestamente com a música, porque ninguém lá tem sangue azul, enfrentando o risco de morte com dignidade e ganhando experiência na solução de crimes e casos difíceis.

O facto de concorrer directamente com a turma do Scoob Doo, talvez tenha justificado os roteiros e textos mais bobinhos do Tutubarão, que só foi produzido em 1976. Quem tiver olho clínico e discernimento, porém, verá que o desenho tem um potencial muito mais profundo, denso e até adulto, em sua composição. Sem perder o humor, é claro.

Os personagens são os seguintes:
  • Bife. Apesar do nome, ele não é gostosão e não faz o gênero galã, como Freddy. É o líder da banda e cérebro das investigações. Não tem porte atlético, não é louro, não tem muito estilo na indumentária, mas é a parte séria e mais consistente dos cinco;
  • Lingüiça. Não vem que não tem, a trema é inalienável! Como Salsicha, é o melhor amigo do não humano da trupe, gagueja um pouco em condições normais, gagueja muito quando estão em apuros, mas sabe conduzir como ninguém os talentos do tubarão;
  • Leila. Ah, Leila... A paixão platônica e única cousa no mundo submarino que põe medo no Tutubarão. Pavio curto, cabelos longos, bonita e peça vital nas investigações. Tem inteligência afiada e malícia para ajudar Bife, sua paixão, a tirá-los das enrascadas.
  • Bolha... Ah, meu Deus!... Que seria dessa menina, não fossem seus amigos? Música competente, uma moça adorável de voz anazalada, carismática, solícita, desastrada, tagarela e faz justiça às piadas de loura-burra;
  • Tutubarão (JabberJaw). É a esrtrela da série. Como um tubarão consegue respirar o oxigênio atmosphérico? Boa pergunta! A resposta é: Isto é um desenho animado, bobalhão! Muito diferente do cão, apesar de não ser suicida, ele nada tem de covarde, afinal é um tubarão! Especialmente quando Leila é quem está em perigo. Extremamente forte, cheio de truques, na dublagem brasileira ficou com a personalidade de Curly, dos Três Patetas.

Por que merece um filme?

Primeiro porque Scoob Doo provou que é viável, que há muito mais espaço nas películas para a gigantesca população de Hanna Barbera City, do que eles se deram conta. Segundo porque apesar de o chassi ser o mesmo, quatro jovens e um animal se metendo em investigações perigosas, o espírito da série é completamente diferente, e foi muito mal aproveitado nas animações. Terceiro e não menos importante, porque ajudaria a desfazer a fama injusta que o próprio Spielberg ainda hoje tenta dissipar, causada pelo seu filme e que é usada para matar indiscriminadamente todos os tubarões que aparecem pela frente.

Claro que a indumentária de mergulhador dos anos setenta, já não serve mais, ainda mais nas moças, que por cima da roupa de borracha usavam saias estranhas. O tema dá margem para abordar muitos ouros temas sérios, como um mundo onde os mares já estariam despoluídos, ou um mundo onde as calotas polares já teriam derretido e submergido grandes territórios, tornando o fundo do mar (e talvez as cavernas) o único lugar seguro para a humanidade idiota que fez o estrago.

Um início interessante, seria mostrar um tuibarão branco maior do que a média se aproximando de uma linda banhista de maiô preto, com aquela música sinistra do filme O Tubarão se aproxima cada vez mais rápido, abre a bocarra e... Agarra Leila, enchando-a de beijos, ela fica furiosa, grita a mais de 140dB e ele salta apra o colo do Lingüiça, repetindo "Uh-uh-uh! Não tem respeito! Não tem respeito!". Então o fime começaria.