sexta-feira, 3 de maio de 2013

Flashdance - A apologia ao trabalho!


Para a época foi um filme mediano, e parece que a maioria das pessoas não se deu conta de uma das mensagens mais bonitas que ele passou. Explico a seguir.

O filme é de 1983, ou seja, tem respeitáveis trinta anos; já,poderia requerer placa preta, se fosse um automóvel. Produzido por Jerry Buckheimer e Don Simpson, protagonizado por Jennifer Beals como Alexandra Owens, em forma física invejável, e Michael Nouri como Nick Hurley. Venceu o Oscar de Melhor canção.

A argumentação parece simplória, tanto que ganhou a Framboesa de Ouro, uma jovem e talentosa dançaria que trabalha em dois empregos, sempre treinando duro, à espera de uma chance para brilhar. Tema de filme adolescente? Não.  A inspiração foi em factos reais.

A apologia ao trabalho não é feita em discursos, é feita no decorrer natural do filme. Os personagens são mostrados com uma espantosa freqüência, pegando no batente, não apenas jogando conversa fora no ambiente de trabalho, como acontece nas novelas, mas pegando no pesado mesmo, ainda mais a bela mocinha.

Mesmo sendo um romance, o ambiente de construção civil é mostrado sem amenidades, com seus operários, e nossa amiga, concentrados no serviço perigoso de executam, os engenheiros conferindo milimetricamente o andamento da obra e tudo mais. Mesmo os administrativos são mostrados com a mão na papelada, conferindo e encaminhando.

O filme mostra que nada vem de graça, nem a morte, que as chances de se vencer na vida podem ser pequenas, mas serão nulas se tu não tirares o traseiro do sofá e não fores lutar pelos teus sonhos.

Como em quase tudo nos anos oitenta, a sensualidade é mostrada sem pudores, mas aqui é totalmente atrelada àquelas virtudes básicas, que tanto nos tentaram passar os philosophos clássicos. Ela é mostrada durante os treinos árduos de Alexandra, a orgulhosa, explicitando o cansaço e a transpiração abundante, sem a qual a musculatura não dá o que presta, as toxinas não saem do sangue, e a sensação de prazer físico fica dependente de hábitos destrutivos.

No filme, a sensualidade e o sucesso são frutos do mérito. Até pode haver alguma ajuda, mas sem o esforço, honestidade para consigo, a disciplina de ferro e a firme decisão da mocinha, tudo naufragaria. Entenderam? Uma mulher sozinha no mundo, pobre, que só levou na tarraqueta a vida inteira, que teria tudo para ganhar dinheiro fácil seduzindo figurões, preferiu o caminho mais difícil. Não foi fácil ajudá-la, não foi fácil fazê-la aceitar a ajuda, levou o filme inteiro, cuja seqüência eu não vou contar.

Crianças, com tantos filmes imbecís fazendo apologia à bandidagem e ao egoísmo, glamourizando a violência gratuita e alardeando o refrão "Quem não sou eu é meu inimigo", um filme como Flashdance faz muita falta. Um filme que ensina o valor do trabalho honesto, de forma divertida e contra tudo o que a mídia nos empurra na marra.

Um filme que ensina uma virtude sem ser chato, faz muita falta. Assistam, eu recomendo, rebebendo e redançando.

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