sábado, 11 de fevereiro de 2012

Lionel Richie está entre nós!


Uma criatura estarrecedora que veio por Tuskegee, Alabama, em vinte de Junho de 1949 e ainda está entre nó. Sim, ele passou pela época negra da segregação racial nos Estados Unidos. Cresceu na casa do avô, mas a família mudou-se para Illinois, onde ele terminou a escola e depois voltou para Tuskegee, graduando-se em economia. Um negro fazer isso no sul dos Estados Unidos, naquela época, e sair vivo para contar, já o faz merecer um busto.

Lionel Brockman Richie Jr fez muito mais do que contar, ele cantou. Para desespero das bibas enrustidas e anticrísticas da ku-klux-klan, ele tornou-se um ídolo. Foi saxofonista do The Comodores, a partir de 1968, sem deixar de destilar sua voz, quando necessário. O repertório era de soul e o verdadeiro funk.

Lionel deu vazão ao talento escrevendo músicas mais românticas, como "Easy" e (esta é antológica) "Tree Times a Lady". La Palabra fez uma versão mais latina e disseminou a pérola pelo mundo. Magoado pela 'pirataria'? Não, Richie colheu os louros pelo trabalho do jazzista. O cara é legal, não é sopeiro.

Os toscos e adoráveis anos oitenta foram dele. Duetos românticos em um mundo cada vez mais frio e individualista, venderam discos de vinil e fitas cassete como quem vende água mineral no deserto. Diana Ross quase teve vínculo empregatício, tantas colaborações que teve, como em "Endless Love", que por muitos anos fez moçoilas suspirarem e chorarem. Os bailes de debute estavam sempre abarrotados de Lionel Richie, e as rádios não deixavam esfriar.

Em 1982 veio a carreira solo. O primeiro álbum, com três singles, vendeu quatro milhões de cópias... O ápce foi a canção "Hello" de 1984, que fez o homem ter tranqüilidade para pensar no futuro. Seu prestígio está eternizado na co-composição (com Michael Jackson, conhece?) e participação em "We are the world".

Para se ter uma ideia da reputação de Lionel, caros jovens, cito o "Caso Dallas Austin". Austin é um compositor, preso em 2006 nos Emirados Árabes por posse de drogas. Washingnton usou chamou Richie para atestar o caráter do compatriota. Perguntado que tipo de homem era Austin, ele respondeu "Olha, este é um grande cara, ele fez um grande trabalho para a comunidade. Um bandido, um marginal, um malfeitor, ele não é." e ele foi perdoado. Tentem fazer o mesmo usando um cantor 'de atitude'.

A vida pessoal não é exactamente tranqüila. Se separou de Brenda Harvey após dezessete anos de matrimônio, por pular a cerca, mas assumiu e casou-se com a outra, Diane Alexander; durou até 2004 Mas escãndalos, desvios de caráter, espancar a esposa, bater em quem não lhe deu bola... cousas comuns aos 'ídolos' de hoje, ele não fez. Ele tem três filhos, Miles (1994), Sofia (1998) e adoptiva Nicole Camille Escovedo, mãe de dois, que usa Nicole Richie e seque a carreira do pai adotivo.

Sua avó foi diagnosticada com câncer de mama aos oitenta anos, mas morreu de velhice aos cento e quatro. Isto tornou-o um activista da causa, ajudando a arrecadas mais de três milhões de dólares à The Breast Cancer Research foundation.

Lionel ainda está na activa, ainda vivendo de música, não só cantando, mas também produzindo. Trata-se de um profissional exigente e com alergia à indolência. Isso o mantém em boa forma física e mental em plenos sessenta e dois anos.


O que eu ouvia muito, nos anos oitenta, era homem com dor de cotovelo apelando para o racismo, para desqualificar seu trabalho. Mas a ausência completa de fundamentos, demonstrava ser só isso mesmo, dor de cotovelo. Muita gente de esquerda ainda tentava influenciar o povo contra os lixos enlatados vindos dos ianques, sem perceber que começávamos a fazer os nossos próprios, ainda piores... Mas nunca vi onde "lixo enlatado" se enquadre na obra de Lionel Richie.

 

Músicas dele, clique aqui.
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Myspace de Lionel Richie, clique aqui.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Marotta


Maroto demais
Sem tempo para muito
Sem culpa de qualcousa
Sem desejos banais

Faça-se firme
Em caminho íngreme
Descendo acima

Lembrando tão bem
D'amigo serelepe
Que cá um dia
Bem laborou

Não se faz de inocente
Leia e comente
Hoje é dia
Festeje

Talento demais em um só almado
Não cansa nunca de livrar-se e ver-se livre
Não teme acomodar-se mais dez minutos
Não sabe dizer "não" ao bom agrado

Por cá faz falta o sensível
Que sem letras tudo dizia
Com sua escrita aprazível

Feliz aniversário, Elmo

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Wheelie, o Fusquinha mudo

Wheelie e Rota

Mais um desenho bacana que teve uma só temporada, de sete de Setembro de 1974 a trinta de Agosto de 1975, com míseros treze episódios. Chegou a ser publicado em quadrinhos, até um ano depois.

Carangos e Motocas (Wheellie & Chopper Bunch) tem como protagonista o Fusca Wheelie, que namora com certo ardor a (provável Mazda) Rota Ree. Wheellie é um show car profissional, que corre, faz acrobacias, , manobras, enfim, um artista completo. mas faz bicos em outros trabalhos honestos, de vez em quando, como bom Fusquinha.

O antagonista é o Chapa, uma motocicleta shopper que tem uma turminha composta por Risada (outra chooper, maior e mais burro), Avesso (um triciclo de rodas largas) e Confuso (um peque no ciclomotor) que mais atrapalha do que ajuda. Se o Fusca é o protagonista, o Confuso é a figura da série, que sempre enche a paciência do Chapa, quando seus planos dão (invariavelmente) errado, repetindo "Eu te disse! Eu te disse" à exaustão, no melhor estilo Chaves, que chegou a virar moda entre os chatos, recebendo de volta "Eu sei! Cale esta buzina!".

Roteiro e diálogos elaborados não são o forte, embora os encontros entre Wheelie e Chapa rendam boa diversão. O maior atrito entre os dois é a boa relação do carro com as autoridades, especialmente a viatura Capitão Tough, provavelmente veterano de guerra, e a motocicleta policial Rabo-de-Peixe. Este, coitado, freqüentemente acabava acidentado nas fugas do Chapa e sua turma. Acredito piamente que Chapa tenha uma paixão por Rota, que sua fama de mau não permite assumir.

Confuso, Avesso, Chapa e Risada
Diziam que eu gostava do desenho porque gosto de carros, o que não é verdade. O facto de os personagens serem automóveis foi um chamariz, tem muita porcaria por aí com carros usados como chamarizes. As estorinhas são meio ingênuas, mas não demais, afinal Wheellie e Rota se beijam nos pára-choques abertamente, de dar estralo.

O que chama atenção, porém, é a característica inclusiva do desenho. Muito antes de o politicamente patético fazer amigos terem medo de conversarem em público, pois um grupo que se denomina defensor sei-lá-do-quê pode se ofender com o que um dos dois não se ofendeu, o desenho tinha um protagonista mudo. Sim, taleitores deste mundão esquisito, Wheellie é mudo. Ele se comunica por buzinas, gestos e mensagens escritas no o pára brisas, às vezes traduzidos por efeitos vocais, afinal era em inglês.

Com a falta de uma voz, o carrinho acaba se tornando expressivo e claro, de modo que ninguém precisa perguntar o que ele está dizendo, como acontece nos filmes mudos, onde o talento do artista precisa ser redobrado. Também se valia do porta-malas cheio de truques, como mãos mecânicas, instrumentos musicais, super buzinas e por aí vai.

Wheellie, ao contrário do que se tenta fazer hoje em dia, não se fazia de coitado, comprava sua gasolina com a combustão de seu trabalho, sempre sendo gentil, solícito e carismático. Com gestos e o display no pára brisas, ele se comunicava com os outros veículos facilmente, sem precisar soletrar "'D' de demente, 'F' de fiasco, 'I' de ignóbil, 'M' de mentecapto, 'P' de panaca e 'S' de sacana". Suas mensagens eram claras e enxutas, quando era para Rota, o coração vermelho no vidro dizia tudo. Veloz como um carro de corrida e resistente como um Fusca, cortava as ruas da Califórnia, ocupado o dia inteiro.

Era difícil fazê-lo perder as estribeiras, mas quando acontecia, ninguém ficava por perto, a turma do chapa inteira batia em retirada sem olhar para trás... ou quase, se valiam dos retrovisores para descobrirem que a fuga era inútil, afinal aquele Fusquinha era muito mexido, e se davam mal, tendo que ouvir "Eu te disse, eu te disse! Mas eu te disse, eu te disse!" "Eu sei! Cale esta buziiina!!!".

Há uma dublagem nova, em que chamam o Chapa de "Motocão", e é tão ruim quanto o nome novo é ridículo. Fiquem com a original.


sábado, 28 de janeiro de 2012

Barry e sua orquestra feliz


Barrence Eugene Carter foi um sujeito que aprendeu cedo e no primeiro erro. Nascido em um gueto negro de Los Angeles, despejava seu vozeirão baixo em um coral de igreja, mas sua inconseqüência rendeu-lhe uma hospedagem grátis no xilindró, por roubar pneus. Tomou a decisão certa, mudou de amigos para poder mudar de vida. Foi nele, Berry White, que os dementes de 'South Park' se inspiraram para criar o personagem 'Chef'.

O mundo artístico inteiro agradece, porque ele praticamente inventou a disco music, que se somou ao soul e ao (verdadeiro) funk. Encontrou-se na balada romântica, tornando-se um refúgio para as pessoas que viam o mundo ficar cada vez mais conturbado e menos agradável de se viver. de 12 de Setembro de 1944 a 4 de Julho de 2003, ele cumpriu com maestria o seu papel cifrado.

Formou em 1972 o trio Unlimited Orchestra, de coral feminino. E quem me lâ já há algum tempo sabe o quanto adoro vocais femininos. O que foi? Quem lhes disse que meus textos aqui têm que ser imparciais? Não sou jornalista! Bem, logo em seguida criou e regeu a Love Unlimited Orchestra para acompannhá-las, e o sucesso foi retumbante, dando partida na disco music em 1974. A tônica era a do repertório colorido e romântico.

Apesar do sucesso do conjunto, manteve sua carreira solo em paralelo, sempre revitalizada com suas aparições, inclusive em participações na série Ally McBeal. Algo como se os fãs respeitassem seus resguardos para voltar a lotar seus shows. Grande sujeito, esse Barry, simpático, simples, versátil como poucos, e com um bom gosto para mulheres de dar inveja.

Esteve no Brasil no início dos anos 1980 (quando o mundo artístico tentou segurar a peteca de um mundo cada vez mais entristecido e pessimista) no Rio de Janeiro, onde lançou a antológica 'Rio', sucesso até hoje em todas as rádios não temáticas que valem à pena ouvir.

Fez parceria com a cantora Lisa Stanfield em meados dos tristes anos noventa, gravando 'All Around The World'. Quando virou desenho animado, aproveitou para escrever a autobiographia. Ganhou em 2000 o Grammy Award e o Rhythm & Blues, prêmio dedicado aos cantores do Blues e Jazz, não obrigatoriamente negros.

Infelizmente a alegria durou pouco. Berry se foi cedo, com cinqüenta e oito anos, à espera de um transplante, em decorrência de falência renal. A hipertensão não perdoou a demora em conseguir um doador.



Website de Berry White, clique aqui.
Discographia da Love Unlimited Orchestra, clique aqui.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Deixem de ser cri-cri!


Crianças, o mundo está de pernas para o ar, está tão chato que nem micrômetro consegue medir sua espessura.

Aproveitando uma reivindicação legítima contra a pirataria, um idiota mais completo do que Rolls Royce tacou fogo na internet e acabou se queimando. Gente que ouve lobistas, mas não ouve técnicos das áreas sobre as quais pretende legislar. Não vou chamar o indivíduo de canalha, corrupto ou o que valha, não o conheço e não posso fazer mais juízo do que já fiz. Além disso, os garotos cibernmoides já deram o recado, embora acredite que tenham exagerado na dose.

Quero agora falar ao leitor, à leitora e aos nossos detratores. Sejam um pouco infantis. Não ao volante, não por capricho, não na hora de uma emergência. sejam um pouco infantis em suas vidas pessoais. O enfarto agudo do miocárdio está se tornando cada vez mais comum, e já atacando crianças

Há alguns indivíduos publicando suas versões de desenhos animados antigos, pervertendo completamente a fantasia que têm. Uma das principais vítimas é o Capitão Caverna. Alegam que um homem pré-histórico não conversaria com gente da idade contemporânea e não ficaria amigo de três beldades, ele as faria suas fêmeas, as agrediria e talvez as matasse para canibalizá-las.

Well... Um homem pré-histórico não teria sobrevivido um milhão de anos em um bloco de gelo, provavelmente teria se afogado antes do congelamento, nem pensar então, ter sido congelado erecto e com o tacape na mão. Não teria conhecido os dinossauros, bem como não teria um monte deles escondidos em sua pelagem, muito menos carregaria uma clava cheia de truques. Ah, claro, ele não voaria.

O que quero dizer com isso? Que o Capitão Caverna (como todos os outros desenhos e também gibis) é uma fantasia, uma criação para entretenimento que gera muitos empregos e alegra muita gente, sem causar-lhes danos físicos ou psicológicos. Às vezes até dá para aprender algo de útil; pelo menos eu aprendi, não sei vocês. Para quê enfeiar e perverter? Para colocar lá suas frustrações e devaneios púberes? Se feiura ajudasse, Pedro de Lara (hoje na paz do Senhor, eu espero) teria sido presidente e consertado sozinho o Brasil.

Caríssimos, vocês estão se levando à sério demais. Os problemas devem ser levados à sério, mas não mais á sério do que merecem, mas vocês JAMAIS deveriam se lavar à sério. Isso causa problemas graves de saúde, tanto física, como mental e espiritual, especialmente este. Quem se leva à sério, acaba acreditando ser a única pessoa séria do mundo, logo se achando o único capaz de fazer alguma coisa certa, não demorando para se ver no direito a ter regalias pelos seus serviços prestados à humanidade; acaba virando político, com tendências a ditador... E um dia vai querer controlar até o entretenimento alheio.

Eu sei que muitos de vocês estão engajados em causas nobres, eu estou trabalhando para esclarecer e despertar as pessoas há anos. Admiro a dedicação de vocês. Mas deixem a seriedade para os momentos em que ela é necessária. Ouvir Legião Urbana só porque é 'intelectual e engajado' não vai ajudar-lhes em absolutamente nada. Querer proibir os outros de falarem de Michel Teló só porque não faz protesto contra tudo isso que aí está, é se igualar ao ilustre batráquio descrito no começo do texto.

Na toada em que estamos, em breve teremos um surto de suicídios em massa, porque as pessoas não estarão suportando a vida, muitas já se seguram na base de tarja preta. Engajamento excessivo é como qualquer fanatismo, faz a pessoa se esquecer e até desprezar os objectivos que a levaram à adesão. Deixem de ser cri-cri, essa conversa de boko-moko é só para vender camisetas e outras tranqueiras ideológicas, assim como em certos lugares é para vender óleo santo de Israel, vinagre divino de jericó, sal grosso prometido do Mar Morto e costela ungida de Sião. Fanatismo é igual em qualquer área, e só os picaretas é que ganham com ele.

Sejam um pouco crianças, em suas vidas fora das obrigações. Na verdade até dentro das obrigações pode-se ser um pouco infantil, em alguns momentos. Parem de ver e ouvir porque é isso ou aquilo, passem a fazê-lo porque gostam, porque faz-lhes bem ouvir. Quem disse que música (e tudo mais) de entretenimento é fútil? Ela te dispensa do uso de muitos comprimidos.

sábado, 14 de janeiro de 2012

A leoa criou asas


Nasceu uma leoa em capricórnio. De 19 de Janeiro de 1942 a 7 de junho de 1989, Nara Lofego Leão Diegues esteve aqui, descendo em Vitória e subindo para Nosso Lar, sobre o Rio de Janeiro.

A bossa nova, filha do encontro furtivo do blues com o samba-canção, puxando bem ao irmão mais velho daquele, o jazz. Nasceu no apartamento onde Nara cresceu. Foi musa de sua afilhada. A moça ousava sem perceber, sem querer ousar, sendo ela mesma.

Moça de beleza singela, sem exuberância de estrela, estrelava quando cantava. Estrelava e ninguém via, no trato das crianças, participando e corrigindo suas lambanças.

Suas crianças, aliás, fizeram seu coração balançar e questionar sua carreira. Queria ser presente. A psicóloga sabia dos problemas causados por pais ausentes, já naquela época. O coração de Nara era saudável, pleno, emotivo, pulsava demais para se achar no direito de se colocar como prioridade.

Várias vezes tentou reduzir sua participação na vida artística, dedicar-se à família. Escolha própria, por mais que isso escandalizasse as alas mais radicais do movimento feminista da época, e também de hoje. Amava cantar, mas amava muito mais sua família. Mudou seu modo de fazer shows, atenuou como pôde o desgaste que os espetáculos impõe. Para a alegria do público, não conseguiu parar de cantar.

Por dez anos a moça travou a luta inglória que ainda hoje vitima. Seu cérebro decidiu morrer, sem se importar com o restante do corpo. Um câncer em área profunda, impossível de operar, na época, fez sua mente penar, presa a um corpo dolorido e angustiado.

A menina frágil, que enfrentou em canção a repressão, da qual muitos baluartes ainda são eleitos em nossos dias, enfrentou por dez anos, impotente e desenganada, o tumor profundo que lhe minada as energias. Sua beleza triste e seu olhar bucólico foram encerrados aos quarenta e sete anos.

My Foolish Heart, com alguns clássicos americanos, daquela que ajudou a parir uma das identidades da música brasileira, foi o último disco. Ouça clicando aqui.


Website de Nara Leão, ver aqui.

sábado, 7 de janeiro de 2012

In memoriam, Dalida


Yolanda Christina Gicliotti, filha de imigrantes italianos, veio pelo Cairo em 17 de Janeiro de 1933. Embora seus maiores êxitos sejam em francês, a língua materna é o italiano, também tendo cantado com tranqüuilidade em alemão e árabe, mas seu repertório conta com dez idiomas, no total. Curiosamente, "Alabama Song", "Money Money", "Let Me Dance Tonight", e "Kalimba de Luna" não foram lançados na Inglaterra nem nos Estados Unidos. Perdeu o pai, violinista, aos doze anos.

Apostou na carreira de modelo em 1950, em 1954 foi coroada Miss Cairo. Convidada para filmes na Europa, fez aulas de canto e se descobriu, quando adoptou o cognome Dalila. A carreira no cinema naufragou, mas começou  acantar em cabarés italianos e foi encontrando o caminho sozinha. Em Paris, participou de um programa no Teatro Olympia, para jovens cantores, onde cantou "Estrangère au Paradis" e encantou Bruno Coquatrix, que a apresentou a Lucien Morisse e Eddie Barclay, que a fizeram decolar na carreira, finalmente como Dalida. O single "Madona" teve um sucesso discreto, o segundo "Bambino" arrebentou a boca do balão, ficando por quarenta e seis semanas entre os dez mais vendidos na França. De então, sua carreira foi plena.

Infelizmente não se pode dizer o mesmo de sua vida pessoal. Teve um romance por muitos anos com seu produtor Lucien Morrice, que era casado e pai. Quando se divorciou, cumpriu o prometido e casou-se com ela. O problema era a extrema passionalidade de Dalida, que a fez sentir-se abandonada, posta em segundo plano pelo vício do marido, um trabalhólatra patológico. Resultado: ela se interessou por outro. Se separram em 1964 e ele se matou em 1970. Sim, ela ficou muuito abalada, refugiou-se no seu concorrente, o trabalho, apresentando-se até em Hong-Kong e Vietnan. Lotar o Olympia já era rotina. A carreira no cinema também alcançou, desde então, um razoável êxito.

Teve um romance com Luigi Tenco, que passou cinco anos trabalhando na canção "Ciao amore ciao", que cantaram juntos, mas foi desclassificada em Sanremo, em 1967. Ele se suicidou. Ela também tentou depois, fingindo que viajaria, se hospedando no hotel Principe di Galles (onde se hospedara com ele) e ingere doses maciças de medicamentos. Uma camareira que percebeu as luses acesas por mais de quarenta e oito horas, deu o alarme e evitou o pior. Dalida escrevera uma carta ao ex-marido, uma à mãe e outra ao público. O público a erecebeu de braços abertos, quatro meses depois, comovido com o acontecido e suas motivações.

Em 1976 gravou "SAlma Ya Salama" em francês, com forte inspiração árabe. O sucesso foi tamanho que a gravou em outros idiomas, inclusive integralmente em árabe. Depois gravou originalmente em árabe "Helwa Ya Baladi" e "Ashan Nas". À ela os cantores árabes de hopjes devem a quebra da barreira que sua cultura tinha, no mundo ocidental. Enfim, a carreira profissional era a porta para o paraíso de uma mulher extremametne emotiva, passional e geniosa, que tinha com os fãs uma relação quase familiar.

Seu romance com o cantor Richard Chanfray é até uma lição para as moças de hoje. Ele se mostrou, em pouco tempo, um homem agressivo, machista, irascível, que batia de frente com a independente e auto-suficiente Dalida. O romance doentio se prolongou graças às convincentes cenas de arrependimento que ele promovia, comovendo o coração de uma mulher boa e apaixonada. Moças, não caiam nessa. Quando consegiu se livrar dele, veio à tona sua excentricidade; se dizia alquimista com poderes alquímicos plenos, capaz de ressuscitar as pessoas e que era a reencarnação do conde de Saint Germain... O simples facto de querer dominar a moça, já denunciava seu desequilíbrio mental. Suicidou-se em 1983.

A alegria, o optimismo e a beleza que transmitia ao público, escondia uma pessoa deprimida e melancólica, que só conseguia atrair homens problemáticos e suicidas. "Je Suis Malade" foi o que melhor traduziu sua vida, à qual tentou agarrar-se com todas as suas forças. Infelizmente a doença foi maior do que seu amor pelas pessoas e tomou uma overdose de barbitúricos em 1987, com a beleza vigorosa aos cinqüenta e quatro anos, finalizando três décadas de sucesso estrondoso e deixando milhões de admiradores órfãos. Hoje, seu irmão Bruno, conhecido como Orlando, administra seu legado.

Yolanda era uma mulher com sensualidade muito intensa e à flor da pele. Isto, combinado ao seu comportamento em público, a acolhida que dava aos fãs, o tipo de mensagem que conseguia passar, a fazia parecer um oásis, um porto seguro onde se poderia refugiar de um mundo que, já na época, estava se tornando desnecessáriamente complicado e neurótico. A tentativa de dominar esse paraíso acabava mostrando o inferno que seus homens tinham dentro de si, do qual sua imaturidade não lhes permitia abrir mão. Seu bom coração a fazia tolerar muito, mas custando-lhe caro.
Neste mês ela faria setenta e nove anos. Em vez de chorar, ou dar conversa para aqueles que querem tomar para si os poderes de D'us, vamos cantar com ela.



Website da diva, clicar aqui.