sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A meiga Doreen Green - uma breve análise



Poucos heróis são tão carismáticos e têm uma imagem tão reconfortante quanto Doreen Green, a Garota Esquilo. Se muitos dos criados dos anos setenta para cá, são praticamente desconhecidos do grande público, por falta de divulgação decente, imaginem uma que é tida como segundo escalão da Marvel.

Se o nome de guerra já soa estranho, apesar do belo nome de baptismo, seus feitos são ainda mais! E merecem uma reflexão que vai muito além das acaloradas discussões de adolescentes barbados, em fóruns de internet.


Vamos antes à nossa doce mutante. É muito jovem, tem cerca de dezoito anos, 1,6m de altura e 45kg... Esbelta! Nasceu em Los Angeles, ou seja, conhece a vida barra pesada de uma cidade que tem glamour de sobra, para quem puder pagar. Todas as versões de sua figura, da mais recatada à mas sexy, mostram o frescor juvenil. E são muitas versões, algumas altamente pervertidas! Estas eu NÃO MOSTRAREI, tirem o esquilinho da chuva!

Não vive de ser heroína, ela se vira para se sustentar e custear os estudos. Seu emprego mais recente é de babá da filhota de Luke Cage e Jessica Jones, dos novos Vingadores... Se a menina começar a escalar paredes e saltitar entre os galhos das árvores, eles não reclamem, pois conhecem a baby sitter que contractaram.

Ah, sim, apesar de muito responsável, ela é meio maluquinha. Fecha o tempo e escancara um sorriso com a mesma facilidade. Sua primeira aparição, em 1992, foi meio tosca, ela parecia uma fugitiva do manicômio usando um uniforme sujo de um enfermeiro, com apliques de pelúcia e um monte de pochetes. Depois da versão tosca de estréia é que o uniforme foi transformado em um maiô de peles, com a parte de baixo variando entre nada e uma malha completa.

Suas habilidades são controversas. Sua calda de esquilo não faz parte do uniforme, nasceu nela... Imaginem o buliyng que a coitada sofreu, na escola! Ela consegue controlar os esquilos como o Aquaman controla as criaturas marinhas, consegue sua cooperação completa e irrestrita. Tem super força, que varia entre levantar de 200kg a 25 toneladas, ou seja, entre um triciclo grade e um caminhão pesado. Sua agilidade, vocês já podem deduzir, é extraordinária, bem como seus sentidos são aguçados. Faz qualquer mestre de artes marciais parecer uma lesma com letargia.

Com essas credenciais, ela entrou em combate e venceu serelepe, muitos vilões, atiçando a ira dos fãs dos bandidos de quadrinhos, inclusive Doutor Doom e Thanos... Bem, isso tem explicação. E não está na variação de seus poderes. Antes de continuar, eu esclareço que não gosto de bandido, seja real, seja de ficção. Chatice se cura com terapia, perversidade é bem mais difícil.

Eu já falei aqui do péssimo hábito de humanizar os heróis da pior forma possível: maculando o caráter, deturpando a personalidade, colocando herói contra herói,
enfraquecendo-o, subtraindo sua bravura quando até policiais comuns se põe na linha de tiro sem hesitar, transformando heróis perfeitos em garotões mimados, corrompendo, et cétera. Um grupo inteiro de heróis apanhando de um vilão que sai ileso e pronto para a festa, ao fim do combate, sendo derrotado por um golpe de sorte, no final.

Vamos à boa e velha psicologia. Essa gente tem problemas com a autoridade, geralmente tem dificuldades em manter um relacionamento sadio, e não raro se rende a prazeres destrutivos; o oposto do que o herói clássico é.  Vamos ser francos, não prestar está na moda, o alívio hormonal que isso causa é quase imediato e as pessoas querem isso. O resultado não poderia ser outro, como índios sendo queimados e indigentes enterrados vivos na praia, além de garotas sendo agredidas e mortas por recusarem uma cantada. Um mundo assim é muito hostil às pessoas que tentam ser boas, imaginem um Kal-El da vida, que é a abnegação e bondade personificada! Se bem que ele é da DC...

Sabem qual é uma das principais características de gente assim? É não suportar a felicidade. Nem mesmo a própria. Eles acham que o mundo não presta, que ninguém presta, que eles mesmos não prestam e, muitas vezes inconscientemente, sabotam sua própria felicidade, quando não a de todos ao seu redor. Por isso têm dificuldades em manter um relacionamento saudável, sem recorrer a hábitos destrutivos e egoístas. Eles se odeiam. Para se punirem, destroem as figuras por quem começam a nutrir alguma admiração, seja uma pessoa, um casamento ou um herói.


Claro que, na hora do aperto, com uma pistola apontada para a cabeça, eles vão torcer de todo coração que a bondade, a justiça e a solidariedade prevaleçam. Ou seja, deixam de amar o bandido e passam a choramingar pela polícia; o herói da trama real, no caso.



A Garota Esquilo, que deveria ser apenas uma heroína classe "B", acabou se tornando um factor de correção de aberrações. É por isso que ela consegue vencer praticamente qualquer vilão, mesmo os que dão pau nos deuses da Marvel. Ela impede, por assim dizer, que a Marvel se destrua dando glamour aos bandidos e azedando os heróis. Como se alguns roteiristas dissessem a si mesmos "Ufa, ainda bem que eu não tenho poderes para fazer essa m&$#*@ na vida real!", ainda que depois façam longos e enfadonhos discursos contra uma "garota estúpida que vence o poderoso Thanos", a quem fica feliz de jamais encontrar na vida real.


O facto de ela ser baby sitter, ou seja, cuidar de crianças pequenas, lhes causa ainda mais repulsa. Psicologicamente falando, uma criança pequena representa uma esperança de alguém vir a fazer menos besteiras no mundo, ou pelo menos cometer erros novos, não os mesmos que têm sido cometido ao longo dos milênios. Comandar esquilos? Quer maior símbolo de fofura e simpatia do que um esquilo peludo e bem cuidado? Tudo isso é muito saudável, muito constructivo, precisa ser taxado de alienação, viadagem, infantilismo e o que mais se conseguir inventar para detratar.

O problema, no final das contas, não são os heróis, somos nós, que não conseguimos ver a felicidade alheia como uma extensão da nossa, e a nossa própria como algo desejável. A humanidade inteira está contaminada por uma síndrome de auto destruição, a ponto de rejeitar sumariamente qualquer medida que possa recolocar sua cabeça em ordem. Ela quer que um tirano invencível apareça e force todos a fazerem o que todos sabem que podem e devem fazer, ma se recusa a fazer isso por conta própria. A história já nos mostrou muitas vezes no que isso dá.


Por isso nossa jovem e meiga amiga, que poderia ser minha filha, ganhou tamanha importância, e um séquito de fãs indemovíveis. Ela é um absurdo, sim, mas um absurdo meigo, escultural e de rostinho lindo, que vive para corrigir absurdos muito piores. E sejamos francos, é uma moça exemplar, adorável, uma filha que qualquer um gostaria de ter.

Mais detalhes sobre Doreen Green, clicar aqui.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Querido senhoro professoro

Não faz muito tempo, descobri algo que me deixou chocada e ao mesmo tempo me fez rir muito de mim mesma. Sabe aquelas coisas que a gente descobre que está errada, mas que sempre achou certa e quando alguém explica o porquê de estar errada você se pergunta: "mas COMO foi que não notei o erro?".
Então. Nossa mente é traiçoeira e grava as coisas mais esdrúxulas; muitas vezes repetimos coisas sem nos dar conta, como quando cantamos errado uma letra de música mas achávamos que estávamos catando direito (saudade do Virunduns!!!).
Dei essa volta enorme para justificar o injustificável, mas vamos lá. Entre os aspectos traiçoeiros da mente, existe algo chamado "hipercorreção", que pode ser definido como a tendência que temos de complicar as coisas, e aqui, especificamente a linguagem falada. Mas essa característica é tão intensa que chega  até mesmo às técnicas usadas para facilitar ou simplificar a escrita, como é o caso das abreviaturas.
Se dermos uma pequena pesquisada, encontraremos muitas vezes a abreviatura "Profº" usada para "professor", mesmo em carimbos e documentos oficiais de escolas. Inclusive, na escola onde leciono até pouco tempo ela era utilizada; quando eu a vi pela primeira vez, perguntei  o porquê daquilo; disseram-me que era para designar o gênero; assim, em "Profª" o "a" era porque era para o gênero feminino, então obviamente se fosse masculino, deveria haver um "o" indicando isto. Na época me pareceu óbvio e correto; passei a usar a abreviatura.
Até que... um colega meu da Univille, onde também leciono, publicou um pequeno e divertido artigo em que explicava que as abreviaturas não tem absolutamente nada a ver com o gênero de quem exerce a profissão, mas com a palavra abreviada; assim, não é nem NUNCA FOI "Profº" simplesmente porque a palavra é "professor", terminada em "r"  e não em "o". O colega ainda brincou que, se fosse assim, a palavra seria "professoro", e não "professor". Bem, devo dizer que minha cara caiu no chão e se esmigalhou diante da explicação. Sobre o assunto, indico: http://www.recantodasletras.com.br/gramatica/3178610.
Como pude achar correta a explicação absurda que me foi dada? Por que não fui verificar, se estava em dúvida? Primeiro, porque a explicação me pareceu adequada, igual àquelas falsas explicações para ditados populares - algumas são muito engraçadas, outras parecem ser absolutamente corretas... mas são só empulhação. Segundo, os documentos e carimbos da escola estavam com a sigla "Prof°", alguém teria percebido se estivesse errado. Mas não, não foi o que aconteceu. Assim como eu, todos achavam que outros já haviam verificado ou acharam a explicação convincente. A lição que fica é que não é porque muitos acreditam que algo está certo podemos simplesmente aceitar em vez de averiguar em caso de dúvidas.
Quando apareci com a explicação, houve MUITA resistência, lógico. Ninguém gosta de admitir ter caído no conto da explicação equivocada, nem eu. Hoje já usamos "Prof.", mas ainda vejo muitos colegas abreviando "profº"... Só no "gúgou, encontre cerca de 1.360.000 resultados para abusca de "Profº", inclusive blogues de escolas e de professores do nível superior!  E já vi também "Doutoros" (Dr.º) espalhados por aí.

Só espero não ter que esbarrar em "Senhoros", também....

A contaminação do "Profº" se estende não apenas ao Ensino Superior, mas invade as inclusive licenciaturas em instituições prestigiadas (as tiras em preto são para preservar o nome e a localidade da qual escreve o colega).

!


sábado, 10 de agosto de 2013

A Ilha da Fantasia - psicologia aplicada ao extremo




Parece título de filme pornô, mas não é. Trata-se de uma série que fez muito sucesso de 1978 a 1984, e foi muito reprisada nos anos seguintes. Uma versão de 1998 durou meia temporada... E ainda dizem que os oitenta é que foram a década perdida! A série verdadeira teve seis temporadas com 157 episódios de uma hora cada, produzidos pela ABC. e todo mundo ficava grudado no sofá, para ver uma hora de entretenimento com inteligência bem acima da média, na época; hoje seria considerado altamente intelectual.

Funciona assim: O cidadão se inscreve para viver suas fantasias por um dia, ou seja lá quanto tempo, nunca ficou claro. A organização investiga sua vida e trata de, caso seja selecionado, fazer com que a vivência desta fantasia lhe sirva de ajuda psicológica. Parece divertido? Não para o hóspede da ilha.

Os participantes eram recepcionados pelo anfitrião Senhor Roarke (Ricardo Montalbán) e por seu assistente, o anão Tattoo(Hervé Villechaise). Tudo no clima de ilha havaiana, porque afinal é uma ilha. Após todos se acomodarem, são encaminhados aos cenários com actores e animais, se for o caso, devidamente treinados para a missão. Não é interessante alguém adorável como Roarke dividie o mesmo intérprete com Khan, um dos maiores e mais cruéis vilões de Jornada nas Estrelas?

Ainda na recepção, Roarke comentava com Tattoo, e com o telespectador, os problemas e virtudes de cada um, assim que desciam do hidroavião, único meio de se chegar à ilha. Quando ele apopntava no horizonte, Tattoo gritava "Chefe! O avião! O avião". Muito carismático, mas nem um pouco inocente, esse xavecador miniatura.

Ele também, às vezes, fazia o papel de mediador, de forma mais descontraída do que seu chefe. Ele incorporava o cenário, se vestia a caráter e, quando o hóspede menos esperava, se apresentava com os conselhos certos na hora certa, depois voltava aos bastidores da fantasia funcional em que o coitado tinha se metido. Se soubesse...

Tudo é de um realismo ferino. A palavra "fantasia" pode conotar algo prazeroso, mas não era bem assim que funcionava. Embora todos saíssem vivos da história, não era o final que realmente contava, mas o desenrolar dos dramas de cada um. Senhor Roarke às vezes aparecia a cada um, de acordo com as necessidades e urgências dos participantes, para falar a respeito e mostrar o nó da meada. Sim, ele era como um Mestre dos Magos, que só aparecia para orientar e mostrar o que o sujeito ainda não tinha percebido com clareza, porque o trabalho era do participante.

Aos que perceberam, parabéns! Sim, a Ilha da Fantasia funcionava como uma clínica psicológica com o método da dramatização levado ao extremo. Embora não seja a intenção matar o participante, ferimentos podem acontecer. Mais ou menos como as salas de realidade virtual da Enterprise, só que com um mediador a orientar o paciente.

Um exemplo. Uma moça que queira realizar o sonho da avó, que na juventude queria ser cantora na Broadway dos anos pré-guerra. Tudo bem, as ferramentas serão fornecidas, mas o trabalho é dela! Ela terá que conseguir ser selecionada, ela terá que ensaiar e cantar, ela terá que enfrentar as sabotagens de invejosos, ela terá que lidar com o assédio da máfia, ela terá que lidar com ofertas para transar em troca de ajuda profissional, ela terá que administrar eventuais baixas de popularidade, ela terá que lidar com boicotes, ela terá que ser a cantora dos anos que sucederam a quarta-feira negra, quando a bolsa de Nova Iorque quebrou e levou o mundo inteiro consigo, gerando uma época de depressão e pessimismo sem par na história contemporânea.

Que foi? Pensaste que seria fácil? Não mesmo! A pessoa entrava lá para enfrentar seus demônios, não para fugir deles... Aliás, estamos precisando de muitas clínicas de psicoterapia assim, não acham?

Ao fim de cada episódio, os hóspedes voltavam para casa com seus medos e traumas devidamente enfrentados, portanto muito mais felizes e prontos para descer o pau na sociedade imbecil que alimentou suas neuroses, ou seja, prontos para serem adultos bem resolvidos.

Não me consta de alguma vez o anfitrião ter falado em valores, nem mesmo tocado no fator dinheiro,
mas é de se esperar que a estrutura cinematográphica da ilha custasse uma fortuna por dia, então quem anda de Mercedes-Benz com motorista e cobrador, dificilmente teria condições de pagar pelos serviços, principalmente porque eram poucos pacientes atendidos por vez.

Mas, como todo paraíso tem sua serpente, ela deu as caras sem demora. Em 1980 Hervé Villechaise saiu e tiveram que arranjar outro assistente, escolheram Wendy Schaal, uma linda loura de sorriso meigo e jeito de boa moça na pele de Julie, até 1982. O último asssistente foi Christopher Hewett.

A segunda série pecou pela falta de carisma. A tecnologia e a estrutura com vários assistentes, não a salvou do fracasso. Tiveram o bom senso de cancelar antes que manchasse a boa reputação da original, mesmo com as intrigas e brigas internas que teve.


Clicar aqui, para ver a sátira dos Trapalhões. A incorporação estava indisponível.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Supertramp - Vencendo em terreno acidentado

Fonte: Radio Max Music

Era só para ser um negócio, nada mais, mas virou um ícone da música pop mundial. Como não poderia ser diferente, veio da Inglaterra. Foi, na acepção da palavra, uma banda feita sob encomenda do milionário holandês Stanley August Miesegaes. A formação ficou a cargo de Rick Daves.

Vejam só as pérolas que formaram a banda: Roger Hogdson, Douguie Tomson, Mark Hart, Tom Walsh, Kevin Currie, Richard Palmer-James, Bob Miliar, Keith Baker, Dave Winthrop e Frank Farrell. A formação actual é o trio Rick Davies, Jhon Helliwell e Bob Siebenberg, todos estão no grupo pela terceira vez.

Para quem ainda não atinou, estou falando da Supertramp, que no começo se chamada Daddy. foi um curioso caso de grupo que teve grande sucesso de crítica, mas fracassou em vender seu primeiro álbum, em 1970. As primeira baixas, em decorrência do fiasco de público, foram Richard Palmer e Robert Milliar. cantar para agradar críticos, não fazia e ainda não faz o eu feitio.

É a vantagem de se ter um chefe por trás da organização, o projecto não corre o risco de desandar na primeira curva, ainda que sofra danos. afinal, ele está lá para corrigir falhas e apresentar resultados. é o que um empresário de verdade faz; um dia os teremos no Brasil.

Mas o segundo fracasso comercial foi demais. Mesmo com o primor musical, marca registrada da banda, o álbum Indelibly Stamped naufragou, e eles perderam o patrocínio. Hoje o LP em perfeitas condições, é ítem valioso de colecionador. A banda parecia estar morta e enterrada, mas era só catalepsia.

Crime Of The Century finalmente emplacou. Os sucessos Dreamer, School e Bloody Well Right deram início à rotina de altos e baixos, tirando a Supertramp do caixão antes que ele fosse fechado. Ainda que de vez em quando volte ao leito do hospital musical.

Hodgson saiu em 1982, com várias versões motivacionais, nenhuma delas convincente. Ele saiu do Supertramp, mas o Supertramp não saiu dele, que até hoje mantém o estilo da banda.

Já macaco velho e com experiência, Davies contou com a participação de David Glimour, do Pink Floyd, para o álbum Brother Were You Bound. O catatau musical, com a participação de Glimour, e canção-título, tem eternos dezesseis minutos... O equivalente a quatro ou cinco músicas normais longas, só que sem os intervalos.

A formação em vigor é de 2010. Mesmo com quarenta e três anos oficialmente no mercado, tem apenas onze álbuns, justo por conta das quase mortes e das debandadas. Uma desvantagem? Nem tanto. Sabe-se lá se a banda manteria o padrão, se todo mundo estivesse confinado, preso por uma cláusula contractual desde o começo? Há quem diga que Miesegaes foi útil para dar o pontapé, mas que sua saída garantiu a sobrevivência digna da banda.

Como toda banda comercial que se preze, ainda que não se renda ao mercantilismo da moda, a exemplo de Bee Gees, eles exploram bem os sucessos do passado, se valendo justamente dos poucos álbuns e da história repleta de lendas e polêmicas. É um exemplo de como o capitalismo, devidamente DOMADO, pode produzir coisas boas.

Eu recomendo muito a banda, mas deixo claro que é uma banda pro-fis-si-o-nal. Eles estão lá para garantir o pão de cada dia, a rigor não fazem caridade em turnês. Para quem não tem preconceito contra quem quer receber pelo seu trabalho, embora nada os impeça de fazer caridade em suas carreiras solo, o som da Supertramp é ágil sem ser apressado. É como uma locomotiva, que mesmo em boa velocidade, te permite apreciar a paisagem e meditar, com um mínimo de solavancos.

Posso assegurar que, apesar de ser um trabalho, eles o fazem com gosto. Amam o que fazem. provavelmente a velha guerra de egos está entre os principais, se não o principal, motivos para a grande rotatividade de membros, fora os músicos d apoio, que dão uma pequena multidão.

O website da banda é este aqui, devidamente equipado com sua lojinha, cheia de coisas legais, a preços não tão legais.

Um monte de vídeos em uma mesma página do Youtube, clicar aqui.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Merece um filme decente- Os Monstros

Artiste: Dennis Budd


The Munsters, ou Os Monstros no Brasil, foi uma série do tipo pipoca, gêmea da Família Adams. Por que uma sobreviveu e a outra não? Veremos a seguir...

Lançada em 24 de Setembro de 1964 pela CBS, a série tratava de uma família de imigrantes da Transilvânia. Até aí, nada de extraordinário, os americanos dizem que não, mas são chegados em carne de fora. O estranho é a composição da família:
  • Herman, vivido por Fred Gwinne, era o chefe da família. Grandalhão, forte e bobão, ele trouxe a família do velho continente para trabalhar em uma funerária. Mas quando eu digo "forte", não é de um cara que levanta duzentos quilos com dificuldade, é de um que levanta um carro americano da época, com suas duas típicas toneladas, com uma só mão, como convém a um Frankenstein... Isso mesmo, queridos leitores, a Família Monstro é uma família de monstros!... Foi tão difícil deduzir isso?
  • Lily, a adorável esposa, vivida pela sex simbol Yvonne De Carlo. Ela é uma dona de casa (meu Deus, feministas se aproximam  com tochas!) exemplar, que prepara deliciosos ensopados para sua amável família, com ingredientes fáceis de se encontrar como mãos de gárgula, olhos de dragão, língua de demônio, algo típico(?????) da Transilvânia. Ah, sim, Lily também é uma adorável monstra, uma vampira... Leitor, que pescoço bonito o seu...
  • Al Lewis viveu o pai de Lily, o Vovô. Nome? P'ra quê? Ele é o estorv... digo, a reserva de sapiência da família. É um vampiro com tantos séculos, que já não conta mais sua idade em anos, e tem todos eles para se arrepender de não ter ficado rico como o Drácula. Tem duas frustrações nesses anos de morto-vivo, ter saído de sua terra natal, que na verdade era um horror para quem não era rico, e a boa educação que dão ao neto, em contraste com o modo como estragavam as crianças antigamente...
  • Eddie, o garotinho da casa... Uma mansão gótica e fantasmagórica. Vivido por Butch Patrick, ele sofre tudo o que um estrangeiro sofre para se adaptar ao novo país, com o agravante de ser uma criança em idade escolar; sim, o bulliyng corria solto. Por mais que a mãe tentasse, o pai acaba precisando lembrar ao filho o que ele realmente era, um Monstro, um autêntico lobisomem da fam... Pera... Frankenstein mais vampira igual a lobisomem???
  • Marilyn... A, a pobre e estranha Marilyn... E pões estranha nessa parada, meu irmão! Até o episódio treze (meu Deus...) era vivida por Bevertey Owen, do quatorze até o setenta, por Pat Priest. Não, não é esta a característica ais estranha dela, e dizem as más línguas que foi pela sobrinha que o casal decidiu se mudar para a América. Marilyn, coitada, a linda Marilyn... É HUMANA!!!!
Elenco original
As tramas eram simples, fáceis de digerir, até ajudavam a colocar na cabeça neurótica do americano, que o diferente não era necessariamente ruim, pelo contrário, às vezes os nativos é que causavam problemas aos imigrantes... Lindo, né? Mas durou pouco.

Infelizmente, por comodismo e economia, a série foi toda feita em preto e branco, quando o cidadão médio já estava se encantando com o technicolor. E quem matou The Munsters? Não, não foram os Adams, seria anti ético. Foi o pastelão full color protagonizado por Adam West: Batman... Tá rindo do quê? De tosqueira por tosqueira, o povo preferiu uma tosqueira colorida! Ainda mais com uma Mulher Gato de cinta e macacão preto colante, desfilando e provocando o Tubby Batman. Ou vocês pensam que The Big Bang Theory sobrevive, se uma série similar for lançada em 3D e ela não acompanhar? Pensem bem, antes de me responderem.

Para tentar reverter a decadência, foi lançado o filme "Monstros à Solta", em 1966, totalmente colorido, mas já era tarde. Mas asseguro que foi um final apoteótico, vale muito um remake DECENTE E QUE RESPEITE A OBRA ORIGINAL, que respeitou totalmente a série de que derivou. Cinco filmes, no total, remeteram à série:
  • Munster, go home, de 1966, quando o carro Drácula é apresentado;
  • The MIni Munsters, um desenho de curta metragem de 1973;
  • A Vingança dos Monstros, da década mais tosca da história, feito em 1981;
  • Come The Munsters, rodado em 1995;
  • The Munsters' Scary Little Christmas, de 1996... Com Vovô raptado por Papai Noel... É mole?

A série original foi reprisada nos anos oitenta, se não me engano, pela Bandeirantes, mas houve uma segunda temporada, com argumentação tão inverossímil, que casa direitinho com o espírito da série original, e explica as filmagens recentes... de sucesso decepcionante. Foram setenta e dois episódios de 1988 a 1991, quando os Monstros acordaram após vinte e dois anos, por causa de uma das experiências malucas co Vovô, que colocou todo mundo para hibernar.

Curiosos? procurem pela internet, meus caros, vocês encontrarão material farto, fácil e muita coisa em português.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

To Bee Gees


A vida é uma festa, mas só quem arruma a bagunça e paga a conta, é que sabe dos dissabores que toda aquela alegria esconde. A festa começou em 1946, com o mundo começando a acordar para os prejuízos da insanidade do Eixo.

Isto pode ser considerado uma síntese da vida dos três irmãos. Não que não tenham sido felizes, eles sabem fazer boas limonadas, e ganhar dinheiro com elas.

Barry e os gêmeos Robin e Maurice, apesar de terem crescido em Brisbane, Queensland, na Austrália, são ingleses da Ilha de Man. Passaram tão pouco tempo por lá, que se identificam mais com os estereótipos australianos do que com os ingleses.

Colecionadores de recordes, prêmios e hóspedes habituais dos primeiros lugares das paradas de sucesso, iniciaram oficialmente sua carreira em 1966, um ano que particularmente me encanta, não só por causa deles. Mas iniciar no mundo da música, eles iniciaram em 1957, outro ano mítico, que tem o Chevrolet Bel Air como seu mascote.

Mas não comecemos do meio.

 

Eles tocaram de tudo, tudo mesmo... Quer dizer, só não tocaram música ruim. Também não se viram livres do deslumbramento, nos anos setenta, quando estavam decolando, começaram a brigar e quase foram à bancarrota, até que tomaram vergonha e se deram conta de uma coisa, eles eram irmãos. Se se separassem, continuariam sendo irmãos e seus pais continuariam amargurados com a briga.

Sabe aquela chantagenzinha básica? Funciona. Eles se reuniram, ainda se olhando meio torto, mas fizeram o dever de casa. Trocaram a psicodelia por ritmos dançantes, baladas românticas, uma identidade mais irreverente que é a cara deles, e retomaram a trilha do sucesso. Não doeu tanto, né?

Além do mais, os pais eram músicos, Hugh Gibb e Barbara Pass não negaram amparo aos filhos, os cinco, assim como não negaram puxões de orelhas, quando brigavam. Eles não demoraram a perceber o talento que tinham em casa. Já em 1956, ainda morando na Inglaterra, Barry ganhou sua primeira guitarra, Maurice e Robin começaram a acompanhar no vocal e pronto, a encrenca estava formada. Em 1958, Bárbara teve mais um e disse "CHEGA"!!! Estava formada a turminha em casa: Lesley, Barry, Maurice, Robin e Andrew. Este seguiu carreira solo, também na música.

Eles estudaram, não tiveram vida mansa. Se mudaram para Surfers Paradise, no litoral, onde começaram se apresentando em casas noturnas, uma experiência que recomendo a todos os músicos iniciantes. Em 1962 veio a chance, que não desperdiçaram, pela empresa de Kevin Jacobsen. Foi também o primeiro contracto profissional dos irmãos. Spicks and Specks foi o primeiro sucesso.

Voltaram à Inglaterra entusiasmados com o sucesso dos Beatles, em 1967, de navio, pagando a passagem com música. Ou seja, foram ensaiando, comendo e dormindo de graça. Lá, Hugh não deixou por menos, mandou o materioal dos filhos para a mesma editora dos Beatles, a NEWS. Não fosse o australiano Robert Stigwood ter notado um conteúdo australiano naquela pilha gigantesca de material, talvez tivessem que voltar com o rabinho entre as pernas para a Austrália.


 
A banda, como uma estrutura profissional e empresarial, não só com os três garotos de Douglas, logo se tornou necessária. Chamaram gente de sua confiança, é claro. Também tiveram a malandragem de lançar o primeiro álbum New York Mining Disaster 1941", com crédito de artista para "Be... es", um golpe que fisgou os fãs dos Beatles e acertou em cheio. Bee Gees já se estabelecera como uma banda reconhecida. Mas foi Massachusetts que os lançou ao estrelato. Chegaram em álbum ao Brasil em 1968.

Como a cultura vintage ainda não estava estabelecida, o jeito de rock sessentista de suas músicas começou a cansar. Main Course, de 1975, recebeu o padrão de qualidade pelo qual os irmãos ficaram conhecidos. Fica fácil para vocês perceberem que, se não tivessem se reconciliado, não teriam conseguido se reerguer e o Bee Gees teria mesmo caído no esquecimento? São ingleses, mas são bons carcamanos musicais.

 

O sentimento à flor da pele, mesmo nas canções dançantes, sempre os acompanhou, como "I Wish You Here", "My World" e "I Started Joke". A dor de um amor perdido e a morte são recorrentes, em suas obras. O marco de "Os Embalos de Sábado à Noite" os associou perenemente à febre da discoteca, da qual se tornaram sinônimo. E claro que veio uma enxurrada de imitadores, a maioria absoluta hoje, desfruta de um merecido e abençoado esquecimento.

Como todo e qualquer artista, eles tiveram altos e baixos. Mas bastava uma pausa, um disco a menos vendido, um dia a menos nos jornais, e a crítica os atacava com malévolo fervor, taxando-os de cantores e compositores medíocres... Oh, Pai, perdoai-vos, porque eu não o consigo!

Os anos oitenta foram um hiato. projectos próprios, actividades solo, entre outros. Os artistas passaram a também agenciar gente nova, diversificar seus negócios para não ficarem reféns das oscilações e incertezas do sucesso artístico. Funcionou muito bem, embora tenha parecido que o grupo havia terminado. Na realidade, estavam cuidando de si e da família, coisa que a vida insana de shows intermináveis e aparições contractuais não permite. Sabem o que é isso? Ter vida própria? Pois muitos artistas não sabem.

Voltaram com força em 1991, para a alegria dos fãs que sempre os amaram, e dos novatos que quando os conheceram, também sempre os amaram. A cultura vintage começara a florescer e sucessos antigos voltaram, a vender bem, alguns mais do que os novos. Com a lição da quase falência aprendida, eles sempre renovaram seu repertório, e desta vez não foi diferente, só que em vez de seguir, eles ditavam a moda, para quem gosta de música, é claro. Keppel Road é o documentário sobre a banda e os irmãos, lançado em 1997.

 

O grupo era tão coeso e feliz, que só a morte poderia acabar com ele... E ela o fez. No dia do aniversário de Leslie, em 12 de Janeiro de 2003, Maurice morre, em decorrência de complicações de uma cirurgia cardíaca. Ele era o mediador ente os gêmeos, que desnorteados, anunciaram o fim do Bee Gees, ao menos como um grupo oficial, por assim dizer. Acabou em um de seus muitos auges.

Barry e Robin trabalharam em carreiras solo, até 2006. Antes disso, em 2004, receberam o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Manchester, e a Comenda de Cavaleiros do Império Britânico. Preciso dizer que a crítica ranheta e mal amada mastigou os próprios dentes, de raiva? Não, né? Olha só, eu sou doutor, cavaleiro, milionário, ídolo, bem amado, profissional respeitado e tenho uma família feliz. Você é quem mesmo?

Em 2009 os irmãos voltavam ao palco, sem conseguir disfarçar o vácuo que Maurice deixou. mas não deixaram a peteca cair e continuaram trabalhando. Em 2012, infelizmente, o vocal de "Started a Joke" se tornou personagem da música, Robin faleceu, em decorrência de uma pneumonia que corroborou com o câncer de cólon que enfrentava há muitos anos. Após finalmente a crítica ter dado o braço a torcer.

 

Hoje a banda é mantida e regida por Barry, solitário, tocando os corações em sua alegria triste e usando o trabalho como contrapeso ao seu luto. O Bee Gees continua na activa, com compromissos e um legado para dar conta, só não dá para fingir que é a mesma coisa sem eles. Porque no fundo, a cada vez que sobe ao palco, tudo o que Barry queria é que eles estivessem aqui.



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Querem mais? Então cliquem aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

domingo, 7 de julho de 2013

Betty Boop anos 80


Mais uma vez a mão sutil da sincronicidade me traz (ou me leva a) uma pérola quase esquecida. Vendo cartuns da época da guerra, o site me ofereceu também uma pancada de desenhos da Betty Boop, alguns deles banidos, uns poucos com toda razão, a maioria por pura perseguição mesmo. Eis que me deparo com uma obra feita quando pensávamos que todos já a tinham esquecido. O próprio filme "Uma Cilada para Roger Rabbit" fez crer que aquela era a primeira aparição da personagem em décadas.

Vamos ao filme. The Romance of Betty Boop foi feito na segunda fase dos anos oitenta, em 1985, quando as tosqueiras proliferaram feito ervas daninhas em horta abandonada. A economia com a animação é evidente. Aliás, até fins dos anos noventa, foi um sofrimento só. O que diferencia o trabalho dos animadores, é o uso de colagens em preto e branco, muitas feitas em copiadoras com alto contraste.

A técnica não é absolutamente genial, genial é utilizá-la para concentrar esforços onde interessa, e aqui foi feito. As cores se concentram em Betty, seus amigos e seus ambientes, todo o resto sofre corte orçamentário de tinta. Inclusive pessoas em tons de cinza, em cenários coloridos.

A trama se passa em Nova Iorque, em 1939. Betty, como sempre, é pau para toda obra, e vive em um apartamento que poderia facilmente ser trocado por uma Kombi... Com a vantagem de não precisar aturar vizinhos malas.

Ela é apaixonada por um actor, uma das poucas profissões que davam dinheiro entre a grande depressão e a segunda guerra mundial. Sonhando com esse cidadão, ela acaba desprezando o amor de um amigo, Freddie, que é vendedor de gelo, e fica no subsolo da depressão quando é rejeitado por ela.

Hmm... Estou vendo carinhas de estranheza. Farei um adendo: A geladeira só se popularizou depois da guerra, meus queridos. Antes, as pessoas tinham caixas espessas, na quais colocavam gelo, para poderem preservar os alimentos. Geladeira mesmo, só os ricos e as empresas, como as fábricas de gelo, tinham.

Voltando. A trama tem uma reviravolta quando um mafioso, que vai cobrar uma dívida do dono da boate onde ela trabalha, se interessa por ela. Para piorar, o tal galã está na plateia, e Betty não poupa esforços para seduzi-lo, em seu clássico e indefectível vestidinho vermelho. Daí para frente a confusão realmente começa e vocês terão que ver o filme, para saber.

Tem de tudo um pouco, e tosco, como convém à década perdida, como a chamávamos antes de ela terminar. O modo como as colagens são colocadas, não tem como não ser proposital, porque se vê que são colagens em preto e branco, não desenhos que não receberam cores. Um experimentalismo que fez pensar, no começo, se tratar de um filme dos anos sessenta, porque os personagens secundários são típicos de então, mas o apartamento de Betty e a aparição de Freddie, me fizeram ler a descrição do filme antes de ele terminar.

Aliás, o clássico e vintagesco vestido vermelho passa a ser, quase sempre, roupa de baixo. Sobre ele, ela coloca mini vestidinhos que, francamente, parecem cobrir menos do que ele... Parece impossível? Mas foi a impressão que me deu.

Betty está linda, valente e versátil, como é de seu feitio. O gênio arredio, combativo e o coração de ouro estão intactos, apesar do trauma da perseguição sofrida décadas antes. A sutil adaptação de seus traços para os anos oitenta não tiraram um milímetro de seu chame e beleza, pelo contrário, fizeram por ela o que as técnicas dos anos trinta não permitiam, não sem custar uma fortuna.

O filme poderia ser bem melhor, é verdade, mas fica claro que não se trata de uma super produção. Talvez hoje fizessem algo refinado e repleto de referências às animações clássicas, afinal, releituras de diversas origens e estilos proliferam. Público, ela ainda tem. No fim, ela acaba bancando a idiota, mas tem uma decepção, chuta o pau da barraca e se redime, antes de a fila andar.

Outras animações foram feitas, no decorrer da década, como Hollywood Mistery, ver aqui. com estilo e roupagem mais clássicos, inclusive com os personagens das animações originais e animação melhor cuidada. No mais, aproveitem a animação.