quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Vestibular simulado para "Bregologia com ênfase em tosquinomia"


Seus mais preciosos sonhos de infância foram afinal realizados!
Diante da proliferação de cursos superiores nas mais diversas áreas, as Faculdades Integradas do Instituto Talicoisa acabam de lançar o melhor curso de conhecimentos breguísticos da história da Humanidade!
Apresentamos, orgulhosamente, o curso superior de Bregologia com ênfase em tosquinomia!
Professores do mais alto gabarito, estágios em festinhas infantis, aniversários de 15 anos, concursos de Garota da Laje e todo tipo de evento em que nossa seriíssima instituição for patrocinadora ou com o qual sejamos parceiros, uma infinita gama de vinis e filmes, além de todo tipo de mídia possível, tudo isso estará a seu dispor assim que você se matricular em nosso afamado curso.
Para saber se você está apto a ingressar no curso, faça o vestibular simulado abaixo e descubra se você tem aptidão para o brega ou é só mais um pseudointelectual entojado, desprezado com louvor por Paola Bracho. Pesquisar do Google? Nem pensar!
Vestibular simulado para o curso superior de Bregologia com ênfase em tosquinomia
1. O que aparece na gravura que adorna esse post?
a ( ) Refrigerantes
b ( ) Refrescos
c ( ) São copinhos de gelatina, ora!
d ( ) Nenhuma das anteriores
2. Quais das bandas abaixo realmente existiram?
I) Gang 90 e as Absurdetes
II) Dislexia numérica
III) Aborto elétrico
IV) Afrodite se quiser
V) Kid Vinil e os Heróis do Brasil
VI) Vermuth Dartha
VII) Carrapicho
VIII) Les Lis Bleu
IX) Ciclone
X) Trapiche
Alternativas
a ) ( ) Todas
b) ( ) I, III, IV, V, VII e IX
c) ( ) Nenhuma delas
d) ( ) II, VI, V III e X
3. Que músicas abaixo foram realmente gravadas?
I ) A mulher invisível
II) Amarras do destino
III ) Apodrecerás comigo
IV) Sol da minha vida
V) Anúncio de jornal
VI ) Abre, coração
Alternativas
a) ( ) I, II, IV, VI
b) ( ) I e III
c) ( ) Todas
d) ( ) I, III, V, VI
Respostas abaixo. Não vale colar! Se você for aprovado, inscreva-se djá!
1. c; 2) b; 3 d

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Professora demitida

Após anos de dedicação quase sacerdotal, ela não suportou e começou a dar as notas que os alunos mereciam. As reclamações, claro, emergiam aqui e ali, logo se generalizando. O ápice veio com a demissão por ferir o mais valioso princípio de uma faculdade moderna: Pagou, passou.

Porém, e sempre há o porém, ela sempre foi uma profissional talentosa e escancaradamente vocacional, pelo que a administração sabia o que estava perdendo. Pedindo então, mediante uma paga generosa, que formulasse um guia para orientar seu substituto. Vendo que também três (os únicos) bons alunos declararam que se transferirão para onde ela for, notou que ainda gozava de relativo prestígio, mesmo entre aqueles filhinhos de papai inúteis, que eles rezam para que jamais lhes recebam em seus futuros consultórios. É negociada uma minuta de despedida e orientação para os discentes. A paga que exige é uma só: a redação, em português correcto e enxuto, dos reais motivos da demissão. Alguns minutos de discussão e concordam. Ela ainda corrige muitos erros crassos, que reprovariam até mesmo no primário, mas a carta de recomendações fica a contento. Ela se põe a redigir, com sua tinteiro Pelican, as orientações em primorosa caligraphia para o coitado que mandarão para o pelourinho:

A minuta ao substituto;

Caro colega, lamento deveras que precise deste emprego. Em poucos anos a sua juventude se esvairá como areia fina entre dedos abertos. Advirto, porém, afim de que atenue a degradação e mantenha sua sanidade mental, que considere isto um mero comércio; você dá o que eles querem e recebe dinheiro em troca. Encontrará dois ou três trabalhadores que não puderam pagar cursinho, e hoje penam para pagar as prestações do diploma, a estes você poderá se dedicar com alegria professoral. Quanto ao resto, dê provinhas medíocres de múltipla escolha que não excedam a escassa intelectualidade reinante.

Considerações de Fräu Schroeder.

Pensa um pouco no que escreverá aos ex-pagantes, pois alunos nunca foram. Decide seguir os próprios conselhos e não super estimar suas inteligências...

A carta aos ex-alunos:

Execráveis bosquímanos, a vocês que um dia passarão fome, pois não conseguirão tocar os negócios de seus pais irresponsáveis, dou as últimas lições, que deveriam ter aprendido no primário;


  1. Nome próprio não é o mesmo que propriedade. É uma convenção milenar para diferenciar pessoas de coisas, uma das regras básicas é usar maiúscula para iniciar cada nome próprio.

  2. Milenar é relativo a milênio, que é um espaço de tempo igual a mil anos.

  3. Se vocês soubessem falar português, saberiam também ler e escrever português, então perceberiam que é mais natural dizer "embrulho" do que "enbrulho", logo "embrulho" é a forma correcta. Lição: não se usa "N" antes de "P" e "B". Exceção feita a nomes próprios.

  4. Exceção é o que não faz parte de uma regra onde deveria estar, em princípio, inclusa.

  5. Inclusa é o mesmo que incluída, fazer parte do conjunto.

  6. Nenhum idioma terrestre faz uso de emoticons, deve-se então limitar-se ao uso dos sinais gráphicos convencionais, salvo em mensagens infomais e de internet, mas somente dentro das turmas de vocês.

  7. Terrestre é o que pertence à terra, o mesmo que terráqueo.

  8. Oxítona é uma palavra com a última sílaba tônica, paroxítona é a que tem a penúltima sílaba tônica, proparoxítona é a que tem a antepenúltima sílaba tônica.

  9. "Última" é a primeira no fim, "Penúltima" é a segunda contando do fim, "Antepenúltima" é a terceira contando do fim.

  10. Relembrando: oxítona, paroxítona e proparoxítona não são personagens de anime, nem baseados sintéticos novos, são itens básicos e regentes da gramática.

  11. O facto de as letras serem padronizadas, embora permitam grandes variantes, se deve à necessidade de uma nação se comunicar eficientemente, sem o quê ainda estaríamos na idade da pedra. Letras não são, portanto, propriedades de quem escreve. Se querem ser entendidos, podem até florear as letras, mas que continuem parecendo letras e não os rabiscos pueris que vocês costumam apresentar.

  12. "Variante" é o que varia, o que permite mudança, e o único carro que consegui comprar com a merreca que ganhava aqui, mas é minha e eu mereci cada ponto de solda, em vez de ficar esperando o papai dar um novo no natal mesmo não tendo aprendido lhufas durante o ano todo.

  13. "Nação" é como uma evolução de "comunidade", um grupo "que tem a ver", com língua, costumes, leis e história próprios.

  14. A Baía da Guanabara fica no Rio de Janeiro, não em Salvador.

  15. São Paulo não é a capital do Brasil.

  16. Não existem ursos, elefantes, tigres ou qualquer animal de grande porte na Amazônia.

  17. Não sei se lhes contaram, mas Papai Noel moraria na Lapônia, então foi perda de tempo mandar cartas para Belém do Pará.

  18. Coelhinho da páscoa não é uma ave.

  19. Ser ecológico não é usar casaco de pele de foca, mesmo sendo cem por cento natural.

  20. Última lição: "Hiato" é o que há entre suas orelhas.

Cola as abas de ambos os envelopes, devidamente endereçados e segue à sua Variant 1979. Nunca pensou que uma demissão lhe lavaria a alma. Sente-se livre, leve, solta. Entra na velha companheira e vai passear, amanhã pensa no resto.

sábado, 1 de agosto de 2009

Exposição de arte

Maria foi ao museu de arte moderna. Logo na entrada é recepcionada por uma sineta de vacas e uma buzina, ao lado uma longa placa explica os conceitos e as implicações inerentes às metáforas implícitas, et cétera, et cétera, et cétera. No rodapé um convite para o motel. Segue ao salão.

Dá de cara com uma bicicleta velha e enferrujada, que tem tênis no lugar das rodas e uma jarra em forma de abacaxi no lugar do selin. Ao lado uma plaqueta onde se lê "Assim pedala a humanidade". Duas jovens se aproximam com olhares de superioridade sobre Maria, e começam a discutir as implicações daquela obra. Citam de Saramago até a Torat, mas elas mesmas não têm certeza do que estão dizendo. Maria se afasta.

Logo adiante cinco manequins de plástico com frutas no lugar das cabeças. Até imagina a que se refira o artista, embora acredite que um texto ou uma charge desse melhor o recado. Na plaqueta lê apenas "Desfrute". Se ao menos as frutas fossem de verdade...

Anda mais um pouco e encontra mais gente compenetrada em discutir sobre algo na parede. Ela se aproxima e descobre o que é: o extintor de incêndio. Um barbudo fala sobre sexualidade reprimida, enquanto outra afirma que é sobre a super valorização do volátil em embalagens chamativas, um grupo à parte busca referências bibliográphicas a respeito. Maria vê e comenta, inocente, que precisa ser recarregado. Então se forma um fórum sobre a brilhante observação sócio-política. Ela se afasta, assustada.

Em uma sala vê dezenas de bonecas com barbas postiças. Só isso e nada mais. Nenhuma plaqueta, nenhuma informação. Cerca de setenta bonecas enfileiradas. São bonecas ordinárias, que se compram em sacos transparentes e ainda têm algumas rebarbas de plástico. Aparece uma criança, esta olha e solta "Que bonecas feias!" e volta para a mãe, esta envergonhada pela falta de cosmopolice e intelectualidade da pequena.

Noutra sala vê uma banca de revistas montada, onde só se pode ler, não levar. Só vê mangás. abre um e vê todos coloridos por dentro, com os balões de fala preenchidos com termos chulos. Detalhe: Tudo colorido com lápis de cor, de modo que uma criança pré-escolar não faria pior.

Logo em frente uma velha balança de feirante com o mapa do Brasil na bandeja. Ela se aproxima e um artista de terno e cara pintada de branco não permite que ela se aproxime, sempre alertando para os trâmites, os regulamentos e as legislações vigentes. Maria concorda, melhor não se aproximar, aliás, melhor ir embora. Mas antes vai ao banheiro.

Entra em um box, levanta a tampa e vê um pênis plotado na parte de dentro. Decide segurar até chegar em casa.

Pelo caminho, consegue a boa vontade em uma lanchonete e se esvazia lá mesmo. Aproveita que não almoçou e come algo. Toca o celular. Já que está perto, busca um poster com uma cena do último passeio da família.

Escolhe a moldura, paga e leva. Pendura na sala de estar, que rapidamente se enche de parentes e amigos expondo lembranças do evento. Lembram ainda que foi naquele passeio que Maria aceitou o pedido de casamento, que não tarda a acontecer. Passam o resto da tarde falando a respeito, com um álbum de photographias no colo. Imagens que quem já se foi, de quem está fazendo vestibular para ir e de quem acabou de chegar. Combinam outro passeio para outro álbum e, quem sabe, outro poster.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O Reino do Apocalipse

Capítulo I – O Início do Fim


Ele viu a porta entreaberta. O sangue já estava empapado em suas mãos. Precisava de um lugar para descansar.

Ou morrer.

Sentia um formigamento forte no abdome, talvez por ter perdido muito sangue. Talvez fosse a dor, que ele já não sentia mais. Talvez fosse esse o fim.

Entrou. Procurou um lugar onde se apoiar.

Não. O formigamento não era a dor.

A dor vinha agora, lancinante. Ele sentia como se algo fosse pular de dentro de seu corpo.

A respiração era forçada. Ele praticamente não podia enxergar mais nada. Não conseguia definir qualquer coisa que estivesse à sua frente.

Novamente a dor.

Desta vez, ele caiu no chão. E não tinha forças para se levantar outra vez.

Tentava estancar o sangue, que vinha do corte no seu abdome. Ele apenas tateava a área do ferimento.

Lembrou-se de Vie.

Onde estaria ela?

Dor.

Ele a havia perdido, quando o terremoto abalou Londres.

Dor.

“Eu te amo, Vie”, e as lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto.

---§---

Meados de 2002, Londres.

Ele andava pela Abbey Road, aquela mesma, dos Beatles. Acabara de chegar à cidade, e precisava ver certos lugares.

Emprego, ele poderia arrumar depois.

Imigração? Quem se preocupa com isso?

Era necessário agora ver tudo aquilo que ele sempre quis ver. A Abbey Road, a Abadia de Westminster, o Palácio de Buckingham, o Big Ben, e, principalmente, os pubs e casas noturnas. Beber, dançar e tomar ecstasy. Isso sim era vida.

Era... Mas o dinheiro acabou em uma semana.

Dormiu na rua por quase um mês, até conseguir um emprego. Cozinheiro. O dinheiro deu pra pagar um quarto cheio de pulgas, e comprar algumas roupas, afinal, o inverno estava chegando. E só. Depois só deu pra pagar o aluguel.

Mas tudo bem. Ele podia comer no restaurante. E sempre sobrava alguma coisa pra levar pra casa.

---§---

Nada mais fazia diferença.

Dor.

Se esse era o fim, ele se sentia feliz. Finalmente, tudo acabaria.

Dor.

---§---

Anos 90, São Paulo, Brasil.

Na escola, sempre foi um aluno (como dizia seu professor de Matemática) sofrível.

A vida não era “lá essas coisas”, mas ele nunca havia passado fome.

Sua mãe não era exatamente o que se poderia chamar de “mãe carinhosa”, mas sempre cuidou para que ele fosse alguém. Embora ele nunca tivesse se interessado pelos estudos, ela tentou incentiva-lo. Mas ele jamais respondeu a isso.

Ele nunca conheceu seu pai.

Tinha decidido sair do Brasil, porque as coisas estavam difíceis. Sua mãe, apesar de ainda ser uma mulher saudável, e muito bonita, não tinha mais o mesmo pique de antes. Dar aulas particulares de inglês não rendia mais tanto. Afinal, uma americana no Brasil, sem experiência de trabalho, não poderia fazer muito mais.

---§---

Dor.

O formigamento estava aumentando.

Sentia agora seus braços formigando também.

A visão começava a turvar.

Dor.

---§---

Era apenas um dia de folga.

Ela estava sentada numa loja da Starbucks Coffee, tomando um latte e lendo. “Ela não é daqui”, ele pensou.

Ele se aproximou, vendo que ela lia “A Metamorfose”, de Kafka, um dos poucos livros que ele tinha lido e gostado. Mais por ser um livro curto, do que pela estória. Afinal, “que sentido há numa estória em que o cara que dá noite pro dia se transforma numa barata?”.

Ela tinha longos cabelos loiros, encaracolados. Grandes olhos azuis, que ela espremia quando não entendia alguma palavra. Seu rosto parecia uma escultura, feita por um daqueles grandes escultores que ele não sabia o nome.

Andou por de trás da mesa em que ela estava, procurando ver que parte da estória ela estava lendo.

Quando descobriu:

- Coitadinha da irmã dele, não acha? Quer ajudá-lo, mas morre de medo dele...

- Com certeza, monsieur. Mas não acha que ela está fazendo o melhor que pode?

- Claro que sim! Só fico com pena dela... Oi, meu nome é Christian... E o seu?

Ela riu daquele rapaz magro, com os cabelos mal arrumados, a barba por fazer, que mais parecia saído de algum livro de Jack Kerouac.

- Meu nome é Genevieve, monsieur. – E riu.

Iniciaram uma conversa sobre escritores alemães, que não durou mais que 5 minutos, afinal, Christian só conhecia Kafka. Ela ainda lhe falou sobre Herman Hesse, mas ele nunca tinha ouvido falar.

Ela era francesa, estava em Londres para fazer seu mestrado. Era formada em Assistência Social. Tinha 25 anos, morava com amigas, também estudantes francesas.

O encontro terminou com a promessa de que ela iria ao restaurante aonde Christian trabalhava.

---§---

Dor novamente.

Fez um esforço, e conseguiu se arrastar até uma parede.

Dor.

A visão passou a escurecer.

---§---

“Malditas formigas!”, pensou ele enquanto limpava o açúcar caído no chão.

O chefe gritou:

- Maldição, Christian! Não somos nouvelle cuisine, mas ao menos, você poderia ter mais cuidado e deixar essa cozinha limpa!

Ele não respondeu, apenas resmungou um “Ok!” e continuou a limpar.

Realmente, não era nouvelle cuisine. Estava mais pra uma daquelas pocilgas que ficam abertas a noite inteira, pra quem estiver com fome, e tiver coragem de encarar comida gordurosa de madrugada.

Acabou de limpar o açúcar do chão, e se levantou para ir fazer mais café.

Ouviu um novo berro do chefe, dizendo pra atender no balcão. Havia clientes, e ele precisava ir “ali do lado”. Christian sabia que era pra investir na “carreira”, mas não ligava. Pelo menos tinha sossego, por uns 10 minutos.

Chegou ao balcão, ainda olhando pra ver se seu chefe havia saído.

Quando se virou, encarou aqueles grandes olhos azuis, aquele cabelo cacheado, aquela pele branca. Já fazia um mês.

Não conseguia encontrar palavras.

- Bonsoir, monsieur. – Ela disse, rindo da expressão de surpresa dele.

- Bonsoir mesmo, né? – Ele respondeu. Já eram 4 da manhã.

- Bem, resolvi cumprir com a minha parte da promessa. E você, vai cumprir a sua?

- Acho que vou ter que fazer o esforço. – Disse ele, sorrindo.

Preparou pra ela um prato de waffles, e uma xícara de café.

- Não é exatamente o que eu chamo de “refeição saudável”, mas está muito bom.

- Obrigado, maisde-mademoiselle.

Ela riu, vendo seu erro. Ele ficou sem jeito.

- Não fique assim, monsieur. Gostei disso. – E sorriu.

Ele sorriu também. Estava completamente sem graça. Mas ficou contente por ela ter gostado. Tinha treinado por uma semana, e mesmo assim, errou. Mas tudo bem. Quem nunca errou querendo impressionar uma garota, afinal?

Depois disso, quase todas as madrugadas, ela aparecia para uma xícara de café e waffles.

Nas madrugadas em que não aparecia, eles haviam ido ao cinema, ao museu, a algum lugar histórico, ou ao apartamento dela.

Nessas noites, Christian saia de lá muito feliz.

---§---

Ele sentia a dor cada vez mais forte.

Via o rosto de Vie em sua mente, e chorava.

Apesar de não ser religioso, pediu perdão a Deus.

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Natal de 2002, Londres.

- Eu sei que eu não tenho nada pra oferecer, eu sei que não tenho nada na vida. Tudo o que eu tenho é uma TV velha, uns dois sapatos. Umas roupas pro frio. Um emprego de merda, nenhuma família pra me orgulhar... Mas eu te amo, Vie, e quero me casar com você.

Ela sorriu.

- Oui, monsieur. Eu digo “Oui”, pra você e pro seu pedido.

---§---

Não era possível distinguir mais nada.

A dor só aumentava. O coração parecia ficar mais lento.

---§---

Maio de 2003, Londres.

O Terremoto atingiu toda a cidade.

Todo o país.

Logo ficaram sabendo que havia sido todo o planeta que havia sentido.

Foi na entrada do Parlamento, que ele a viu a última vez. Ela estava do outro lado da rua.

O Tremor veio, um buraco abriu-se no chão. Fumaça subiu.

---§---

O coração enfraqueceu, mais uma vez.

A escuridão foi tomando conta de seus olhos.

A única coisa que ele distinguia, era aquele estranho brilho.


Seria o tal do túnel?

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Enein tapando buraco

Vinhemos aqui e aqui estamos.
Tudo graças ao enein, que é muito criticado pelo povo, mais se não tivesse o enein nozes não poderíamos estarmos nos formando agora, muito menos entrando junto à faculdade.
Sim, amigos, colegas, profeçores, paises de alunos. Seus filios estarão indo pra faculdade graças ao enein, esse sistema maraviliozo que reconhece as dificuldade de cada um, do povo proletario, mostrando que não é precizo estudar a vida toda na escola particular, nem ser rico pra ter direito de entrar junto à faculdade.
Alinhais, é os ricos que são contra o enein. Porque eles não quer que os filhos de gente pobre também vai pra junto à faculdade, porque rico não trabalha e não sabe o que é sofrer pra trabalhar e estudar. É os ricos que destróe a Amazônia, que mata os elefantes da Amazônia pra fazer casaco de pele, sem nenhum sentimento. Pobre só pode comprar coiza feita na China, porque é baratinha, mais é honesta.
Por isso que estamos perante aos professores agradecendo pelo enein. Porque ajudou as famílhas pobres: Pai, mãe, filio e filia; todo mundo agora pode terminar os estudos. Por isso que a escola de hoje é que é boa, que não tem mais profeçor brigando por besteira, pra gente decorar o que não preciza.
Vamos agradecer junto ao enein, porque ele é que salvou a gente de ser ignorante, de não saber ler e escrever direito. Aqui todo mundo passou de ano, todo mundo tá feliz, só os praiboe que não gosta de ver a gente se formar. Porque nozes aprendemos, não é porque nos ajudaramnos que não não conseguimos aprenderem. Because one of we go be winner, and the one are I. Viu? A gente aprendeu até língoas, eu decorei mais de quinhentas palavras de ingleis. Por que eles acham que a gente não aprende na escola de hoje? É tudo burgezes que não querem abrirem mãos de seus priviléjil.
Mais vamos falar de coisas alegres. Outra coisa boa que apareceu foi as cota. Só racista não gosta de cota. As minoria do Brasil só pode fazer junto à faculdade por causa da cota. Branco rico pode esperar e pagar outra isncrição, pobre não pode, senão também não come. Isso é jostissa. Um dos três poderes do Brasil: Executivo, lejistativo e justificativo, é esse que está sendo feito agora, porque agora nós também podemos poderem ter diploma superior.
É assim que é democrasia. É assim que as coisa começa a funcionar. É assim que o Brasil vai pra frente, porque atrás vigente.
Eu, como orador das turma que estão se formandos hoje, agradeço junto ao enein com esse discurço que eu mesmo escrevi. Porque se não fosse pro enein, eu não sabia escrever bem assim. É graças a isso que não precizo atravessar a fronteira do Brasil com os Estados Unidos, estarei podendo vencer na vida aqui mesmo, como médico sirurjião que eu vou estar sendo.
Obrigado familha (família chorando de emoção) que me apoiou. Obrigado professores (docentes chorando pelo futuro do país) que me ajudou nos momentos mais difícil. Obrigado diretor (este chorando de alegria porque conseguiu um eleitorado para o ano que vem) que coeimbil os abuzos que queriam fazer contra nozes. Obrigado ao corpo peidagojeco (pedagogos pensando em suicídio pelo crime que cometeram contra a humanidade) pelo sistema de passar de ano. Agora é com nozes, porque o futuro do Brasil somos nozes, só nozez.
The winner are I.

Se divertiram? Riram? Não deveriam. Trabalhei algum tempo em escolas públicas e ainda hoje actuo voluntariamente com amigos que trabalham em uma. O que vocês leram não é de todo ficção, é exactamente o que os nossos alunos estão levando para a faculdade. É esse tipo de aluno que poderá vir a operar um de seus entes queridos. Mudanças não ocorrem de um dia para o outro, muito menos quando o que há para se mundar está tão arraigado quanto a mentalidade que hoje reina em nossas escola públicas, e em muitas particulares.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Harry Potter, o enigma do príncipe e meus comentários irrelevantes

Semana passada, eu e Meg fomos ver, finalmente, Harry Potter e O Enigma do Príncipe. Não pretendo fazer uma crítica de cinema, pois não sou habilitada para isso. Mas quero comentar aqui tudo o que o decoro e o respeito ao próximo me impediram de falar em voz alta na sala de exibição.

Pra quê tanta escuridão, Maria de Fátima? O filme é todo cinza! Sempre que apareciam cenas externas, ou estava nevando, ou estava nublado. Me deu a maior vontade de cantar “Let the sunshine in! Leeeeeeet the sunshine in!”. Coisa deprimente. Ok, o diretor deve ter feito isso para simbolizar que os tempos eram sombrios, com a volta de Voldemort ao poder e tudo o mais. Bizarro: ao sair do metrô, estava chovendo muito lá fora!

Tive vontade de jogar o saquinho de pipoca na tela e sair do cinema chorando quando vi a nova Hogwarts. O que fizeram com a escola? Fiquei muito triste ao ver que aquela não é a escola que nós conhecemos e aprendemos a amar. Fizeram uma reforma nas férias? Claro que sim, afinal, ninguém tinha nada com o que se preocupar, não é? Um vilão sem nariz não é tão perigoso assim... Vamos redecorar tudo, amiga!

Ainda falando da escola, ninguém usa mais uniforme, não? Que decadência. Sempre odiei ver os bruxos vestidos com roupas de trouxa nos filmes. Custa tanto assim fazer “vestes”, como nos livros? E o que eram aquelas camisetinhas da Grifinória? Se bem que eu mataria para ter uma daquelas...

Outros pecados imperdoáveis:

a) Os cabelos de Snape não estavam oleosos o suficiente;

b) Gina Weasley, assim como toda a sua família, deveria ser ruiva. Por que o cabelo dela estava castanho-avermelhado? Faltou verba para a tintura? Se o Tom Felton descolore os cabelos sempre que vai interpretar o Draco Malfoy, por que essa atrizinha sem sal não pode meter uma química na cabeleira? Hein?

c) Narcisa Malfoy estava sem esmalte, sem ao menos uma base, na cena do Voto Perpétuo! Imagine se uma mulher que é puro luxo, glamour e ostentação andaria por aí com as unhas nuas! Jamais! Eu queria ver Cissy usando um vermelho-biscate-sanguinolento.

d) Finalmente, o que é o cabelo da Tonks, minha gente? Coisa horrorosa! Ela era tão bonitinha antes. Sabe o que ficou parecendo? O pessoal do Fresno!

Como assim?

A maioria dos fãs reclama que muitas partes dos livros são cortadas quando se transformam em filmes. Besteira. Isso é inevitável, porque trata-se de um filme, e não de um seriado com várias temporadas. Já me conformei que nem tudo que se passa no livro é transposto para a tela. O que eu não suporto, mesmo, é quando eles acrescentam coisas que não existem. Será que o material literário não é bom o suficiente?

No Enigma do Príncipe, por exemplo, a parte que eu achei mais uó foi que todo mundo sabia que Draco Malfoy tinha virado partidário de Voldemort. Todo mundo, até mesmo pessoas que mal o conheciam. Com isso, a história perdeu boa parte da graça. Harry Potter nem passou boa parte do ano letivo obcecado por Draco Malfoy... Poxa vida, isso seria tão romântico de se ver!

Outra coisa muito boa de se ver seria Narcisa Malfoy deixando a arrogância de lado e implorando a ajuda de Snape. É uma das melhores passagens do livro. No filme, Narcisa estava muito em cima do salto, não derramou uma lagriminha sequer! Ela parecia que estava num evento social, e não preocupadíssima, desesperadíssima, topando qualquer coisa para salvar seu único e precioso filho. E, ainda por cima, sem esmalte. Uó.


E por que diabos Dumbledore não disse a frase “Não estou preocupado, Harry. Estou com você”, quando eles estavam voltando da aventura do medalhão? Perderam a chance de nos proporcionar um momento “awwwnnnnn”.

Juntando tudo e resumindo um bocado, ainda não sei se gostei ou não do filme. Esses fãs de Harry Potter nunca ficam contentes com nada!

Hobbitzes!