Oi, meu nome é Wandderklaydyçon, eu sou cabo eleitoral.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Eu sou o cabo
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Nanael Soubaim
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quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Pássaro
Mostra-me em teu vôo
tua liberdade;
eu te mostrarei, em teus limites,
a minha prisão.
Canta sem motivo,
num dia chuvoso;
eu te mostrarei minhas lágrimas,
num dia pleno de sol.
Faz-me o desafio de ganhar o céu,
eu te responderei, da minha gaiola,
que aqui tenho, pelo menos,
comida e água.
Rebelde, em acrobacias tentas seduzir-me,
mas tenho os pensamentos presos à terra,
os pés bem plantados no poleiro.
Eu posso gritar minha mágoa
e mostrar-te que também não és livre:
teu limite é a tua asa,
o teu vôo, teu cárcere,
minha lágrima, tua culpa,
meu protesto, teu julgamento.
Vai e voa!
E mostra-me que talvez valha a pena
ter a prisão que tens.
Vai e canta!
E diz-me que teu canto é tua arma
e que meu medo é a tua alma
e que eu também posso ser
um pouco como tu és.
(o Poema ' Pássaro" foi escrito em 1989, por esta vossa colaboradora.)
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Adriane Schroeder
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Filtro da verdade: carta do candidato
Caro eleitor, cara eleitriz, venho por meio inteiro desta pedir o seu voto.
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Nanael Soubaim
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20:22
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010
"Porque sim" não é resposta, ou: Talicoisa e a Democracia
Um personagem do programa Rá-ti-bum, Telekid, ficou conhecido por seu inconformismo a respostas simplistas e preguiçosas, tais como "porque sim" e "porque não".
Existem ocasiões em que tais frases são necessárias, em especial quando as questões efetuadas são apenas para embaraçar, atrapalhar ou desvirtuar uma conversa, por exemplo. Mas via de regra são apenas uma forma de se esquivar de maiores explicações, às vezes por preguiça, às vezes por absoluta falta de argumentos. Neste sentido, representam uma autocracia do tipo "é porque eu digo que é". Nesses momentos, eu me junto ao Telekid para dizer bem alto:
" ' porque sim' não é resposta!".
Nas últimas campanhas políticas, vejo uma gama infinita de candidatos de todos os partidos possíveis e imagináveis usando o "porque sim" e o "porque não" como mote eleitoral, disfarçados em meio a demagogias e falácias de todas as proporções. Vamos a alguns exemplos do vote-em-mim-porque...
1. "Sou mulher'. Ah, sim, é motivo suficiente para votar numa pessoa a dupla cromossomia X (ou qualquer outra, ou a opção sexual, dá no mesmo). Grades coisas, você não lutou para aprovar uma lei, não precisou fazer passeatas, não atuou nos conselhos comunitários."Porque sim" de gênero é ridículo.
2. "Sou evangélico". Ofende-me profundamente alguém usar religião como muleta, máscara, justificativa ou atestado de boa conduta. Eu sou luterana, evangélica. E não admito o "porque sim" religioso. De qualquer tipo que seja, inclusive o anti-religioso, porque, no fundo lógico, tem o mesmíssimo significado completar a frase acima com "sou ateu".
3. "Sou do time y". Como se torcer para A ou B fizesse de você uma pessoa mais reta, mais sábia, mais capaz. "Porque sim" futebolístico não dá. Um certo presidente de time carioca que usou este fato como campanha política está aí para provar isto.
4. "Sou famoso". Por favor, usar a popularidade como músico/cantor/dançarino/jogador de futebol/sub-celebridade tendo isso como exclusivo lema de campanha só faz com que eu imagine uma cortina de fumaça ocultando incompetência, no mínimo. Teve quem chegou a cargos importantes usando sua projeção nacional como jornalista oficial que cobriu a morte do candidato eleito (eleições indiretas) à presidência da República. Hoje, tem até mulher-fruta candidata. "Por que sim" midiático é de doer.
5. "Sou engraçado". Durante a ditadura, votar em rinocerontes e macacos poderia até ter um significado realmente contestador, um voto de protesto. Mas hoje em dia, vemos pessoas lançarem seus personagens ou gracinhas como canditados, abusando desta, digamos assim, tradição. Tudo isso me soa tão absurdo que não sei nem por onde começar. Desde quando um bordão, um quadro de programa"humorístico" ou a mera piada são qualificadores de quem quer que seja? Desculpem se pareço azeda, mas gente, "pior que tá não fica" não é razão para votar em quem quer que seja. Muito menos uma propaganda com base em afirmações estapafúrdias, como as desse candidato aqui. "Porque sim" de piada é uma total falta de respeito às pessoas.
E todos esses "porque sim" acabam sendo usados por um bando de loucos que quer porque quer de volta a ausência do voto, ou a autocracia, já que, segundo eles, brasileiro-é-analfabeto-feio-burro e disperdiça seu voto ou se vendendo ou votando nos tipos acima e seus assemelhados. Os "porque sim" alimentam esses falaciosos "porque não" contra a democracia.
Apenas para uma reflexão, o voto não é o fim da democracia, mas o meio. E é só um dos meios. Participar, fiscalizar, escrever cartas, artigos, colaborar nos conselhos comunitários, debater, entre outras coisas, também compõem o regime democrático.
E, por favor, preste atenção: cuidado com a falsa democracia.
Finalizo com a famosa frase de Churchill:
"A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais."
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Adriane Schroeder
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Nem médicos, nem monstros
Nos anos 1980, as pessoas se espantavam quando alguém chegava da União Soviética inteira, sem faltar nenhum pedaço. Quando o viajante começava a falar da epopeia, que então já não garantia a ninguém a lista negra do regime, o espanto aumentava. Todos percebiam que a estória do comunista que come criancinha não fazia sentido, era mesmo só estória. Que se havia maldade, estava no governo e não no povo soviético, principalmente no russo, que é muito parecido conosco em muitos aspectos. Tive um colega de colégio que fez um intercâmbio nos anos 1990. Fora a pindaíba em que Yeltsin jogou a Rússia com sua pressa insana, não havia do que reclamar. Ele tomou banho em uma fonte de uma praça pública com amigos, de onde foram todos retirados sem violência pela polícia, que no fim achou foi graça; devem achar agora que brasileiros são malucos, se viessem teriam certeza.
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Nanael Soubaim
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010
A escola da ficção
A ficção é uma excelente escola. Um aprendizado constante. Como disse aqui e aqui, nem dá para enumerar o tanto que a mestra me ensinou.
Hoje ainda, comentando o assunto com as colegas de trabalho [/Sílvio Santos], percebi que a lista é interminável. Portanto, faço uma singela contribuição para esse empreendimento que é citar o que a ficção ensinou, mas quero fazer como se fosse verbete de dicionário.
Humilhar - v.t; ato de levar o/a mocinho/a da trama a situação vexatória; impor constrangimento ao/à bonzinho/boazinha ou mesmo a um ajudante-de-vilão. Submeter qualquer outro personagem, destruindo sua auto-estima. Manifesta-se em situações como:
Oferecer/levar a vítima a um jantar sofisticadíssimo, em especial indicado para os que tem ou que se supõe ter origem humilde. No menu principal: scargot, quase sempre.
Enfatizar a origem humilde da vítima com os adjetivos mais pejorativos, pedantes e preconceituosos que estiverem a seu alcance. Racismo também é muito bem-vindo para o quesito. Fazer com que a vítima perca o emprego e/ou ser presa rende muitos pontos extras.
Se a vítima for nova-rica, além de sublinhar sua origem de todas as formas possíveis, também é absolutamente essencial destacar a falta de classe, bom gosto, bom senso, cultura e tudo mais que for visível. Ironias são essenciais.
Se o alvo for de classe social igual à do vilão/vilã, não há problema. Sempre haverá um item ao qual se apegar para destroçar a auto-estima da vítima. Culpar por um acidente/morte de parente (levar a mãe à morte no parto é algo de que sempre se pode culpar uma pessoa), sabotar a empresa, elencar todos os defeitos e feiúra do oponente são itens imprescindíveis.
Uma aula de como humilhar você terá com:
Odete Roitman e Bia Falcão (PhDs). Humilhando a própria família, amigos, serviçais, puxa-sacos em geral e, é claro, inimigos, com muito estilo.
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Adriane Schroeder
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18:40
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Oh! O clamor popular!
Câmara cheia, pois foi garantido um extra pelo trabalho em plena sexta-feira, começam os trabalhos extraordinários. O ilustre vereador Zezim Passamão vai à tribuna explanar acerca do importantíssimo artigo que motivou a convocação...
- Senhor Presidente da Câmara, Senhoras e Senhores Secretários, Senhoras e Senhores Secretários Adjuntos, Senhoras e Senhores Suplentes de Adjuntos, Senhoras Hipotenusas e Senhores Catetos, Ilustres Colegas de Câmara. Boa tarde. Venho, ilustres colegas, expor não um sonho de minha parte, não uma idéia privada, não um desejo de meu âmago, mas um clamor popular que já retumba impávido nos horizontes desta emérita comunidade.
Quando em campanha, ilustres colegas, prometi jamais propor um projecto para mudança de nome de rua. Fiz deste o meu compromisso junto ao enquanto perante ao nível de eleitorado. Mas, digo sem remorsos, não são os meus planos que devem prevalecer, são os anseios do povo. É o povo, ilustres colegas, a única razão para que continuemos a nos privar de horas de lazer e convívio familiar, para estamos aqui diáriamente. E sendo vontade do povo, será então também minha inclusa vontade.
Uma salva de palmas. Conseguiu enrolar sabendo que ganham por hora extra. Enrolam com as palmas o quanto podem e ele volta a falar...
- Assim sendo, ilustres colegas, abro mão de meus anseios mais profundos, ainda que contrariando as profundezas de minhas entranhas, para propor a mudança não de nome, mas de denominação de quadrante. Proponho atender os sonhos do eleitorado da Vila Vaikenké, que anseia por viver em um lugar desenvolvido e pleno de suas faculdades "endereçais".
- Apoiado!
- De onde surgiu a idéia, ilustre colega?
- Foi ontem, ilustre colega, quando da conclusão da aquisição plena de um lote sito à rua Jorobobó, onde construirei um empreendimento que valorizará de sobremaneira os arredores, percebi que bons lotes por lá valem uma ninharia, desvalorizando a conquista daquela honrada comunidade. O eleitorado verá finalmente o suor de seu rosto valer alguma coisa. Proponho mudar a nomeclatura não só de uma rua, mas a denominação e classe de um bairro inteiro, em um empreendimento público inédito na história de nossa cidade.
Vão-se mais duas horas de discurso até convencer a situação de que será bom também para a prefeitura, que poderá cobrar mais caro no IPTU. Pequenas discussões se dão até que chegam a um consenso sobre como se chamarão o bairro e sua rua principal. Tem novamente a palavra o ilustre e emérito benfeitor da sociedade, o Vereador Doutor Zezim Passamão...
- Então proponho, ilustres colegas, mudar o nome da Vila Vaikenké para Mansões Estocolmo Prince Garden, um nome à altura e altitude do nosso glorioso eleitorado. E para não pensarem que será só uma mudança de nome, uma lei que logo será esquecida, já conversei com o Excelentíssimo Senhor Prefeito a quadruplicação da Rua Jorobobó, que então será arborizada e se chamará Alameda Boulevard Provence. Mas não só. A prefeitura doou a área da escola abandonada, onde minha empreiteira construirá, sem ônus para o erário público, a praça Excelentíssima Senhora Dona Rita de Oliveira Passamão, uma justa homenagem a uma das mais ilustres damas beneméritas desta cidade, minha mãezinha.
Mais meia hora de aplausos ecoam por toda a câmara...
- Apoiado!
- Isto é que é filho!
- E ainda dizem que político não tem sentimentos!
- Ilustre colega, Senhor Presidente da Câmara, peço a palavra.
- Tenha a palavra, Senhora Ilustre Doutora Vereadora.
- Pesquisei nos arquivos e vi que esta será a bicentésima mudança de denominação da Rua Jorobobó, agora Alameda Boulevard Provence. Desde Rua De Cima, já foram duzentas mudanças de nome, como explicaremos isto nas próximas eleições?
Burburinhos enchem o plenário enquanto a mesa averigua as informações. Finalmente decobrem que existe informação útil na internet, não só sites pornôs e de apostas. Confirmadas, olham para o autor da proposta como que dizendo "Fala alguma coisa, tira a gente dessa fria"...
- Então é um facto histórico! Uma prova inconteste da franca produção que emana do caldeirão de trabalhos em prol do povo que é esta Casa! Um feito a se comemorar, ilustres colegas. Não será somente uma mudança, mas a inauguração de uma nova era para nossa cidade. Estamos para transformar um bairro decadente em um exemplo de civilidade para o país inteiro, quiçá para a América Latina...
O discurso inflamado arranca mais aplausos e confunde os operadores da TV-Reador, mas ele conseguiu sair da saia justa e arranjar uma desculpa para requisitar mais verbas públicas.
Horas extras garantidas, vão todos para suas casas ou seus entretenimentos. O autor da proposta, que convenceu o povo da região a assumir a autoria da mesma, vai para seu escritório, tratar da burocracia e das facilitações para dar andamento aos seus planos.
Um ano depois, os moradores das Mansões Estocolmo Prince Garden recebem seus talões para o pagamento do IPTU, os valores mais do que dobraram. Em mais seis meses poucos moradores originais conseguem se manter e vendem barato suas casas. Mais seis meses e amigos, parentes e os próprios vereadores estão morando em um bairro de primeiro mundo. O empreendimento do vereador Zezim Passamão é vendido por vinte vezes o preço pago inicialmente. Nas eleições seguintes é eleito Deputado Federal, responsabilizado pelo súbito e imenso progresso conseguido em todos os bairros da região, sendo cotado para ser o próximo Governador do Estado. Entre os eleitores, a maioria dos que foram despejados pelo IPTU encarecido.
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Nanael Soubaim
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Um dia frio...
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Adriane Schroeder
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