sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Pholhas again


Sim, eles ainda estão vivos! Sim, eles ainda estão juntos! Sim, eles ainda fazem shows! Sim, eles são alguns dos dinossauros do pop-rock nacional, fósseis vivos de quando o Brasil tinha gente tentando fazer algo certo no mundo artístico.

A banda nasceu em maio de 1969 com os seguintes elementos: Helio Santisteban no teclado, Paulo Fernandes na bateria, Oswaldo Malagutti no baixo e Bitão, vulgo Wagner Benatti na guitarra. Um grupo enxuto, que cabia todo em um Fusca, algo sensato em um início de carreira. Paulo, Oswaldo e Hélio tinham acabado de sair da extinta banda "Warner Mass Group" e convidaram Bitão para entrar na turma.

"Dead Faces", LP lançado em 1972, é totalmente em inglês, marca registrada da banda. A música "My Mistake", quase um hino da banda, alcançou rapidamente as paradas de sucesso. O visual de roqueiro, o idioma nativo na hora de dar entrevistas e as músicas em inglês eram ingredientes certeiros para o sucesso na época.

As músicas não eram complexas, geniais ou mesmo épicas, eram apenas boas de se ouvir. "My Mistake", por acaso, aborda um tema muito recorrente no cancioneiro nacional, o crime passional, mas aqui o personagem da música mostra arrependimento em vez de orgulho por "lavar a honra com sangue". Claro que os machões não gostaram e logo a fama falsa de "bichonas" se espalhou pelo interior. Eu morava lá, sei do que estou falando.

"Hojas", de 1975, marcou o sucesso internacional do grupo, nos países de língua espanhola que, aliás, nos cercam por quase todos os lados, exceto pelo litoral.

Com a onda da discoteca, foram convencidos a gravar algo no gênero, no que obtiveram êxito fazendo coveres de grandes sucessos da época, mas foi algo que também marcou o aparente fim da banda. Santisteban e Malagutti deixaram o grupo, sendo substituídos por Marinho Testoni e João Alberto, respectivamente. Stantsbean voltou em 1980 e ficou até o fim de 2007. Experimentaram o rock progressivo, com pitadas de seu bom e velho rock'n roll, para sobreviverem à decadência rápida da mecanização do discoteque.

A experiência, especialmente a de resistir à dissidência, assegurou a sobrevivência da banda, que mesmo não sendo arroz de festa em programas de televisão, faz turnês internacionais cantando seus sucessos e de outros, quase sempre em inglês. A amizade dos que ficaram foi consolidada, embora sejam humanos e as rusgas apareçam de vez em quando, afinal são garotos.

A agenda (aqui) vai bem, obrigado, inclusive com uma apresentação agendada em Goiânia amanhã, sábado, dia 18 de Agosto de 2012... Só que eu não vou... De novo, infelizmente. Quem está na banda hoje: João Alberto, Paulinho e Bitão. Os três já maduros, sabendo o que querem e não dando passos maiores do que suas pernas. As vozes continuam afinadas, bem compassadas e o entrosamento no palco ainda empolga. Só estão naquela fase do "Vocês lembram da minha voz? Continua a mesma, mas os meus cabelos, quanta diferença!". O tempo não perdoa o corpo. Ainda quem que cuidaram do gogó.

Engana-se esphericamente quem pensa que só tios de meia-idade vão aos shows, basta ver as photographias no álbum do trio (aqui) e ver a quantidade de garotos nas platéias, provavelmente cansados dos roquinhos de rebeldes de ar-condicionado. Por que garotos gostam tanto dessas bandas paleolíticas? Porque simplesmente as de hoje não estão dando conta do recado, com raras exceções, só por isso.


Letras, ver aqui.
Website dos Pholhas, ver aqui.

3 comentários:

ADEMAR AMANCIO disse...

Jurava que esta banda não existisse mais,quanta saudade.

Nanael Soubaim disse...

Tem muita gente esquecida dando shows por aí.

Anônimo disse...

Nossa to aprendendo a cantar My mistake,sempre amei essa musica nao sabia onde andava esse conjunto ....Que saudades adorava ouvi-los