segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Seja feita a minha vontade


Meu seriado favorito é E.R., que ficou conhecido aqui como “Plantão Médico” (mas eu me recuso, terminantemente, a chamá-lo assim). Assistindo às temporadas mais antigas, em que E.R. ainda era um seriado médico, não tenho como não pensar na morte.

É bem fácil morrer. Qualquer coisa que não funcione direito no corpo pode nos levar para a terra dos pés juntos, num piscar de olhos. Pessoas morrem porque uma veia do coração entupiu e não foi consertada a tempo. Morrem porque o cérebro ficou x minutos sem oxigênio e, sem cérebro, adeus. Se alguém tiver a ilusão de uma morte gloriosa, pode tirar o cavalinho da chuva. Geralmente as causas são bem idiotas.

Assistindo ao seriado e pensando na morte, na minha morte, já decidi o que quero que façam com o que sobrar de mim. Não me venham dizer que este assunto é mórbido, porque não adianta tampar o sol com a peneira. A gente precisa pensar na morte. Pensando ou não, o resultado é sempre o mesmo.

Bem, aconteça o que acontecer, não quero ser enterrada em lugar nenhum deste mundo. Quero que me cremem e acabem logo com isso. Onde vão espalhar minhas cinzas? Isso é problema de vocês, decidam. Guardem, joguem no lixo, joguem do alto de uma montanha. Tanto faz. É só pó.

Não quero saber desse negócio de túmulo, de romaria em dia de finados, de levar florzinha para a querida Debs. Eu não estarei lá. Querem me visitar, me dar flores? Façam isso enquanto eu estiver viva e cheia de graça. Meus despojos não terão como agradecer.

Se puderem manter meu caixão fechado, durante o velório, eu agradeço. Lembrem-se de como eu era bicho-do-mato em vida. Nunca curti essa história de ter um bando de gente me olhando. Acho esse hábito de gente rodeando caixão deveras desagradável. Se alguém quiser me ver, para confirmar que eu morri mesmo, abram o caixão de leve. E rápido, que eu não estou aqui para dar showzinho.

Falando nisso, sempre achei que o Ulysses Guimarães teve uma baita sorte. Ninguém encontrou seu corpo até hoje e ele não precisou passar pelo constrangimento de ficar deitado, na frente de uma multidão, com um algodãozinho em cada narina. A morte consegue ser patética.

Se eu fosse Deus, faria assim: a pessoa morreria e, instantaneamente, se transformaria em pó. Rapidinho, indolor, econômico e ecologicamente correto. O final perfeito.

Como eu não sou Deus e dependo da boa vontade dos que ficarem, acho melhor imprimir este texto e levar ao cartório. E nem pensem em não fazer as minhas vontades. Posso voltar e atazanar a vida de vocês, que ousaram sobreviver a mim.

sábado, 6 de setembro de 2008

É a estação?

Eu havia acabado de acordar e a onda normal de mal pensamentos correu por minha cabeça, são palavras simples, mas que quase sempre me despertam e me lembram de todas as coisas ruins que eu devo fazer no dia, são elas, física, vestibular, conta alta de telefone, ônibus lotado...
Olhei para o lado e vi que já havia luz entrando pela janela, primeiro sinal de que o dia vai começar (e com ele a Física, o vestibular e a conta alta de telefone), xinguei o sol (?!), por que ele sempre aparece tão cedo e não me deixa dormir um pouco mais? Ainda com a respiração lenta, sai da cama, dei uma ultima olhada no emaranhado de lençóis. Tão convidativos... Eu poderia passar o resto da minha vida deitado ali, sentindo aquele calor aconchegante...
Abri a porta, a luz forte penetrou nos meus olhos, xinguei a luz, por que ela sempre tem que ser tão forte e fazer com que a primeira sensação do dia seja ardência nos olhos?

Sai do quarto, um cheiro forte de café entranhou-se no ambiente, café na cafeteira, presunto na frigideira, xinguei o cheiro da comida (?!), por que ele tem que ser tão enjoativo? Meu estômago vazio nem aguenta senti-lo sem revirar logo em seguida.

Na cozinha todos conversavam, é incrível como minha irmã e minha mãe acordam elétricas, deve ser por que são mulheres. É que além dos afazeres comuns do começo do dia, elas ainda tem de se preocupar com maquiagens e essas coisas. Minha irmã está falando alto demais, xinguei minha irmã, por que ela nunca encontra as coisas e faz com que a primeira coisa que eu ouço no dia seja um verdadeiro interrogatório do achados e perdidos?

Me acostumo com a luz, abro a porta da cozinha, todos falam algo a mim, mas eu não entendo, nem quero entender, há um peso na minha cabeça, uma irritação, algo parecido com uma farpa, é isso, uma farpa mental, que me impedi de sorrir pela manhã... Ah, e ainda tem todos aqueles problemas na escola... Ah, eles...

Ao abrir a porta da cozinha um vento frio bate no meu rosto, o sol está extremamente quente... Sim, minha estação do ano favorita está chegando...

***

Aqui em Natal não há estações bem definidas, há o seguinte: a estação do calor intenso, mais conhecida como o verão, a estação de muita chuva, o inverno, e a estação dos ventos, a minha favorita.

Andando pelas ruas, é possível sentir na sua pele a ardência do sol forte da cidade, mas ao mesmo tempo um vento húmido e frio passa pelo seu corpo, causando um sensação de conforto, mesmo com todo mal humor não há como resistir aos esforços do tempo em te animar...

A alta luminosidade me dá vontade de sorrir e os altos ventos me dão vontade de cantar. Sei que parece meio idiota, mas é assim que me sinto...

De repente, o caminho até a escola não parece tão ruim, é bonito, posso ver o Forte dos Reis magos, ou todo o mangue que acompanha o rio Pontegi, a praia.. Posso ver os canteiros da cidade que são lindos, com a grama extremamente verde e bem cortada... Posso respirar o ar daqui que é bem limpo...


Sobre tudo isso faço uma reflexão:


É assim todos os dias, não importa a estação, mas nós, nossa rotina, nossos problemas menores não nos permite ver as coisas boas... Quer dizer, o ar da cidade é sempre limpo, o Forte dos Reis magos sempre esteve lá (nem sempre, mas faz alguns séculos), o rio e o mangue estão lá desde que o mundo é mundo. As pessoas são muito exigentes, muitas vezes tem tudo pra estar bem, mas só enxergam o que as faz mal... Tipo a conta super alta do telefone, ou o fato de eu estar levando pau em Física... Sei que não se preocupar é errado, mas por que SÓ se preocupar?



ficadica


Meu dia começa assim, e ainda reclamo...


texto dedicado ao Fio.




sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Reconhecendo os limites...

Os últimos dias foram... Como dizer? Estressantes, deprimentes, tristes... Talvez, mas não abarcariam a gama de coisas que aconteceram. Não foram tantas, porém, todas elas mexeram comigo. E muito.

Uma bronca, um emprego que não saiu, e um amor que se desfez.

Pra muitos, seria "apenas uma semana ruim", nada mais. Essas pessoas são os chamados Otimistas.

Para outros, seria "um inferno uma semana inteira em que eu não deveria ter levantado da cama". Estes, são os Pessimistas.

Há ainda um terceiro grupo, que diria "Essas coisas acontecem, mas a vida continua". Estes, normalmente, são chamados de Realistas.

Uma das coisas que mexeu comigo foi notar que eu não me encaixo em nenhum desses três grupos.

Não acho que foi só uma semana ruim, não acho que tenha sido o inferno, não acho que essas coisas acontecem. Tampouco, culpo Deus ou a mim mesmo por tudo.

Eu sei que Deus não quer meu mal. E tenho auto-conhecimento o suficiente pra saber que não me saboto, nem estou "despreparado para o sucesso".

Não sou o tipo de pessoa que está "esperando a vida começar", não sou de esperar. Mas também sei que as coisas não acontecem simplesmente pela minha vontade, ou desejo.

Sei que o Dave odeia textos fragmentados assim. Mas não ligo. Não mais.

Sei que o Frank odeia quando escrevo textos tristes ou depressivos. Mas não ligo. Não mais.

Sei que Nanael vai dizer que "tudo isso é passageiro". Mas não ligo. Não mais.

Sei que Elmo não dirá nada, ou vai fazer algum comentário engraçadinho. Mas não ligo. Não mais.

Sei que Luna vai dizer "Ótimo texto, Fio! [/Lord]". Mas não ligo. Não mais.

Sei que MEG vai falar algo como: ":( Fica assim não, Fio.". Mas não ligo. Não mais.

Sei que a Adriane vai dizer "A vida continua, rapaz.". Mas não ligo. Não mais.

Sei que Melzinha diria "Fio, eu tenho medo de você". Mas não ligo. Não mais.

Eu mesmo diria, ao terminar de ler, "É uma droga de texto. Poderia ter feito melhor.". Mas não ligo. Não mais.

Eu tomei uma bronca da minha família. Por estar na situação que estou. Por não lutar mais (embora não entendam que eu não consiga), por não fazer mais (embora não entendam que eu não tenha mais como). Por não ter mais fé. Por não ter mais esperança. Mas eles não vivem dentro de mim. A esperança ainda existe. De alguma forma, sempre vai existir. Porque eu tenho medo. E quando há medo, há esperança. Fé, eu sempre tive. Sempre terei. Em mim, e em Deus.

Eu estava tentando um emprego. Nem é a minha área. Nem é o que eu gostaria de fazer. Mas ia me possibilitar N coisas (otimista pride). Era uma indicação. Um amigo. Mas não deu certo.

Eu estava amando. Mesmo. Sabe aquela cena de olhar pra pessoa e ter coraçõezinhos flutuando em volta de você? Era assim mesmo. Cada vez que eu falava com ela era um deleite. Cada telefonema, uma felicidade. Cada vez que eu a via, era uma alegria no coração. Mas a verdade é: não houve um beijo. Não houve sexo. Não houve contato. Era quase platônico; só não era porque eu estava tomando atitudes. Não guardava apenas pra mim. Mas ela simplesmente disse: "Somos apenas amigos, nunca daria certo".

Os companheiros do Talicoisa, que me conhecem pessoalmente, ou por assim dizer, mais intimamente, sabem de muitas coisas que acontecem na minha vida. Sabem de coisas que passo, sabem o momento que eu estou passando na minha vida. Sabem o quanto tem sido duro pra mim.

O que eles não sabem, é que o que havia em mim, se quebrou. Se partiu.

Essa simples semana, esse pequeno inferno, essa semana comum...

Deixo bem claro, em negrito e itálico, que EU SEI que não sou a única pessoa a sofrer no mundo. EU SEI que os outros também tem problemas. EU SEI que meus próprios companheiros do Talicoisa tem problemas na vida que alguns nem sonham.

Mas como diria Dave Coelho, "não é muito o meu momento" ficar pensando nos outros. Preciso pensar em mim. Só em mim. E cuidar de mim.

E primeiramente, sobreviver.

À mim mesmo.

Para poder viver.



Searching for myself

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

HIstória Universal Talicôsica - Tomo IV

O roubo de um bordão - cap. 3
(O penúltimo, prometo!)

Enquanto cuidava da avozinha doente, Nena ponderava no sentido daquele estranho bordão que os antepassados lhe revelaram. Talicosa, cositali. O que significaria? Ela passeava por sua memória, seus antepassados pareciam estar ao lado dela, conduzindo-a.
A linda cigana usando chinelos azuis voltava seguidamente ao seu pensamento. Parecia tão velha e desamparada quando tentou ajudá-la a atravessar a rua, e repentinamente se transformou numa mulher lindíssima e jovem. E lhe revelou o estranho sonho que teria.
Nena foi visitar o famoso sábio da região, Nanael Fernando Almeida y Aragones. O bondoso Nanael, embora rico, recebia a todos, especialmente Nena, cuja luta era conhecida de todos.
- Sábio Nanael, recebi num sonho uma estranha frase... poderia o senhor decifrá-la para mim? A frase é: talicosa, cositali.
- O som tem propriedades indefectíveis, minha flor altruísta. Aphorismos, quiçá. Nunca pervertas a singeleza destas palavras. O significado escama à minha percepção, entretanto, o som me parece ter uma força indelével. Vá em paz, pequena cuidadora de animais, e persista na missão que te foi legada.
Nena ponderava no que dissera o sábio, compreendendo o sentido daquelas palavras com seu coração e um dicionário do lado. E passou a usar o bordão, sem saber que, do outro lado da cidade, criaturas malignas erguiam suas garras contra tudo que ela tinha como mais precioso.
Um grupo empresarial veio se aliar aos ambiciosos planos de Fiodoxó Augustus. Liderado pelo multimilionário Frank César Gonzáles Rivera e pela cruel Meg Andréa de los Angeles Abadia, mulher linda e sem escrúpulos, e pela esquiva e misteriosa Doña Hermínia Alejandra de las Neves Conejo. Esta, na verdade, era a própria Vivi Margarida, que usava o disfarce de aristocrata para comandar não apenas este grupo empresarial, mas uma verdadeira máfia, que aterrorizava toda região e obtinha dinheiro das formas mais escusas possíveis. Ela usava as informações privilegiadas junto ao Grupo Fiodoxó Augustus para ampliar seu reinado de terror e dinheiro, e não hesitava em usar o bordão mágico para seus próprios planos maquiavélicos.
A ampliação do poder de todos os envolvidos era cada vez mais evidente. Até mesmo um domínio na rede mundial de computadores eles se imiscuíram, obtendo a simpatia de muitos inocentes que nunca imaginariam os meios pelos quais obtiveram aquela misteriosa frase.
Preparando uma de suas muitas investidas contra o bairro, Fiodoxó Augustus bebericava o vinho caríssimo que ganho de presente do grupo de Frank César. Neste momento, uma linda mulher cruzou seu caminho e lhe disse:
- Usas algo que não é teu. E ainda usas erradamente. Pagarás muito caro por isto!
Quando ia mandar seus duzentos capangas mais próximos matar esta mulher, ela desapareceu numa nuvem azul, deixando apenas um par de chinelos, também azuis. E, pela primeira vez na vida, ele teve medo. Muito medo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Vagabound eu, Vagabound você!

Como eu tô de recesso dos estudos e do estágio, e você tá com cara de quem não quer ler nada hoje, eu ofereço a você dois links.
Clique AQUI, se você estiver simplesmente feliz e quiser brincar.
E AQUI, se você estiver com raivinha de Deos e do mundo.

Volto quarta que vem, ok? Beijos.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Eu gosto muitcho!


Simbora, agora é minha vez de listar as músicas! O título só foi de sacanagem, nem só de axé vive a mulher...

1. Running - No Doubt
2. Something - Beatles
3. Dreams - Fleetwood Mac
4. Ainda Bem - Vanessa da Mata
5. Fuga II - Mutantes
6. Gentileza - Marisa Monte
7. Samba da Minha Terra - Novos Baianos
8. Eu Contra a Noite - Kid Abelha
9. Gimme Shelter - Rolling Stones
10. Alright - Supergrass
11. Just Like Heaven - The Cure
12. Ray of Light - Madonna
13. Magnificent Seven - The Clash
14. If Looks Could Kill - Camera Obscura

Como eu não posso me desvencilhar da tosquice, preparei um pequeno especial:

TOP 3 - Músicas Que Eu Assassinei No Videokê:
1. Dona - Roupa Nova
2. Lua de Cristal - Xuxa [eu sei que só por ser da Xuxa a música já meio que nasceu assassinada, mas...]
3. Lindo Lago do Amor - Gonzaguinha.


P.s: em breve, no Encesiadas, o "Guia da Plena Breguice Musical" by Sacerdotisa da Verdade Suprema e Aprendiz da Verdade Suprema.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

As canções que você fez pra mim

Quando nosso muso Dave Coelho escreveu um texto falando das músicas que significam alguma coisa para ele, achei que a idéia poderia virar um MEME. Já ouviram falar que, quando a cabeça não pensa, o corpo padece? Pois então, eu dei a idéia e agora tenho que falar sobre as minhas músicas. É mais difícil do que eu imaginava!

Atualmente, eu só escuto música no computador, sempre no modo aleatório. Como tenho várias canções aqui, nem sempre tenho paciência de ouvir todas por inteiro. A não ser que meu player resolva tocar uma destas aqui. Estas, eu preciso ouvir até o fim. Porque todas elas foram feitas para mim.

Para ouvir quieta no meu canto:
01- Sara (Fleetwood Mac);
02- Your Song (Elton John);
03- Superstar (Carpenters);
04- Kashmir (Led Zeppelin);
05- Speed of Sound (Coldplay).

Para dublar com o pincel de blush:
01- Love me two times (The Doors)
02- Tainted Love (na versão de Marilyn Manson);
03- I’ll be there for you (Bon Jovi);
04- Heart of Glass (Blondie);
05- Train In Vain (The Clash).

Para lembrar dos velhos tempos:
01- Todas as músicas dos Ramones;
02- Good times, bad times (Led Zeppelin);
03- Se Enamora (Balão Mágico);
04- Ilariê (Xuxa);
05- Sabes a chocolate (Menudo);
06- Piece of my heart (Janis Joplin).