terça-feira, 10 de novembro de 2009

Quer saber por que eu estou assim?

Porque eu abri a janela esta manhã e o dia estava cinza e chuvoso. É chato a gente se deixar influenciar pelas condições climáticas, mas acontece.

Porque não fica calor nunca nessa porra. Estou usando um casaco de lã. Em novembro.

Porque eu tenho um computador novo, mas gostava mais do antigo. Todas as minhas coisas estavam lá. Minhas músicas, meus textos, minhas fotos, meus e-books, meus emoticons.

Porque eu não consigo me livrar da bagunça que me assola. Minhas coisas passam três dias, quando muito, em ordem. No resto do tempo, tudo parece uma zona de conflito.

Porque, se alguém casar comigo, serei eu que deixarei toalhas molhadas em cima da cama e roupas usadas espalhadas pelo chão.

Porque eu reencontrei o tiozinho de cinquenta anos e ele me lançou olhares incessantes. Chega até a ser obscena, uma coisa dessas. Eu nem tenho mais idade para ser Lolita. Ele que vá bancar o Humbert Humbert em outra freguesia.

Porque eu li no jornal sobre os vinte anos da queda do muro de Berlim e me senti incontestavelmente velha.

Porque eu ainda não tive tempo de ir ao correio mandar o presente da Rafa. Daqui a pouco já é natal e eu ainda não mandei.

Porque daqui a pouco é natal. Porque existe natal.

Porque eu não consigo acessar a internet no trabalho. Isso me faz precisar ser mais criativa do que a população em geral, naquelas horas do dia em que não tem nada para fazer. Eu queria fazer nada igual a todo mundo.

Porque eu não sou casada com um aventureiro inglês, que me levaria com ele para países exóticos e distantes, como o Turcomenistão.

Porque eu não sou casada com um inglês comum, que me levaria para passar as férias nas Bahamas, usaria aquelas camisas ridículas de turista e ficaria queimado de sol já no primeiro dia. Tudo sem perder o charme.

Porque eu, provavelmente, nunca irei ao Turcomenistão. Nem casada, nem solteira. Não consigo sequer imaginar um motivo para ir a um lugar desses.

Porque estou sendo muito criativa no meu local de trabalho, escrevendo este texto à mão. Odeio a minha letra. Não consigo escrever em cima da linha, as palavras flutuam. Meu l minúsculo é do tamanho do e. Meu d parece um a.

Porque minha mãe disse que vai passar na tevê "aquele filme de vampiro, com aquele cara que vocês acham bonito". Minha mãe me tirando para adolescente que gosta de Crepúsculo!!! Me respeeeeeeite!!!

Porque daqui a pouco a expressão "respeite meus cabelos brancos" não vai ser só figura de linguagem.

Porque não consigo achar graça no Robert Pattinson. Ele tem cara de boneco de biscuit. Taí um inglês que eu não levaria para o Turcomenistão. Ou levaria e deixaria lá. Seria até um alívio para ele, acho. As turcomenistanas nem devem saber o que é Crepúsculo. Abençoadas sejam!

Porque eu passo o dia caindo de sono. Quando caio na cama, ele some. Evapora.

Porque eu não posso ler para chamar o sono. Acabo sempre envolvida com a história e quando percebo já são três da manhã. Tentarei "O Ateneu". NOT.

Porque eu tenho ideias geniais para novos textos, mas nunca consigo colocá-las em prática.

Porque eu nunca mais escrevi no meu blog, minha máquina fotográfica está sempre sem pilhas e eu odeio carregar guarda-chuvas.

Porque eu quebrei a porra da unha. Tudo culpa desse bando de puta invejosa, caralho! Quero que todas elas se fodam e vão pra puta que pariu! Tão pensando o quê? Se soubessem invejar direito, eu teria era quebrado a merda da perna, meu bem! [Ficou boa a minha imitação da Vani?]

Agora passou.

domingo, 8 de novembro de 2009

Compre menos


Compre melhor. Não gaste cem reais em mil cousinhas que logo sumirão pela casa, pelas ruas e da tua memória. Gaste cem reais em algumas poucas que farão a diferença, que chamarão a tua atenção cada vez que passar por ela, que terão lugar cativo na casa e todos na vizinhança, se virem, saberão de quem são.


Não compre por impulso algo que deverá durar mais do que um ano. Na verdade nem chocolate barato se deveria comprar por impulso. Na verdade não se deveria comprar chocolate barato, eles pouco têm de cacau e costumam dar diarréia. Em vez de uma caixa cheia de caramelos achocolatados vendidos como chocolate, compre dois ou três bombons mais finos. O próprio preço vai induzir à degustação e ao máximo aproveitamento do acepipe, desenvolvendo paralelamente a boa educação e a paciência, que andam tão escassas em nossa era. Para mastigar só por ansiedade, compre um pedaço de cana, dura bem mais e te injeta a dose de açúcares adequados para acalmar o cérebro.


Não encha a casa com productos feitos por mão-de-obra escrava de presos políticos, não vão durar e logo terão que ser trocados. Compre poucos com carcaças espessas, botões bem ajustados, displays ordeiro e manual do proprietário de fácil leitura.


Não vá às lanchonetes ruins, se entupir de massas estranhas e gorduras hidrogenadas que só Deus sabe como foram manuseadas. Vão de vez em quando a boas pizzarias, bons restaurantes, onde se pode comer com calma, escolher com um cardápio totalmente escrito no nosso idioma. Além da segurança sanitária (e dos sanitários) os custos individualmente maiores tornarão a refeição um programa, te farão esperar pela próxima ida e de cada uma delas ter uma boa experiência para contar.


Não compre móveis de quem só tem preço para oferecer. O artigo até pode durar algum tempo, mas não se sabe sob que condições seus custos foram reduzidos. Compre aos poucos os móveis de que necessita, com paciência, sem demonstrar interesse na compra. Deixe que o vendedor te convença a levá-los (o que os "preço-é-tudo" da vida não se importam em fazer) e explicar as vantagens daquela madeira, daquele aço, daquele acrílico resistente, do vidro grosso, daquele desenho. A expressão "móveis de família" não é um adereço, é um valor do qual a maioria das nossas famílias carece. É recurso que poderá ser utilizado para outros fins, como planejar a aposentadoria.


Não vá a toda festinha paga e regada a álcool e sabe-se lá mais o quê. São absolutamente todas iguais em sua falta de conteúdo e segurança. Organize os interessados e arrecade verba para uma festa a cada seis meses, da qual todos possam sair sem medo de serem perseguidos por um psicótico que não foi com a sua cara, no salão de dança. Se aproveita muito melhor pelo engajamento coletivo, pelo custo, pelo envolvimento pessoal com o evento.


Não compre dezenas de publicações medíocres. Além da baixíssima qualidade editorial, o material usado em suas delgadas edições é pouco pior que o papel-jornal. Seus "editores" pouco fazem mais que usar "control+C" e "control+V" para colocar comentários sob protographias, pois textos não há. Compre poucas revistas, mas compre as bem acabadas, com matérias inteiras, imagens originais e material que permite o manuseio despreocupado. Deixarão de ser meios de entretenimento para serem material de pesquisa, no futuro.


Evite ao máximo comprar descartáveis. A praticidade aparente estimula a indolência, que cobrará um preço muito alto, especialmente das crianças. Compre utensílios de matéria-prima nobre, são fáceis de limpar e estimulam a boa disposição, que renderá bons juros especialmente para as crianças.


Consumir melhor é vantajoso para todos, exceto para os desonestos. As empresas vendem menos, mas vendem por mais productos mais aperfeiçoados e que demandam mais mão de obra, mais controle de qualidade, que sustentará um bom valor de revenda por muitos anos. A durabilidade expõe o objecto a falhas e acidentes, reerguendo o combalido ramo de assistência técnica, que ultimamente só tem servido para trocar peças, jogando fora as defeituosas. Peças que são projectadas para acelerar a montagem, mas cujos desenhos geralmente tornam o conserto mais caro do que a reposição.


Consumir melhor dá muito mais trabalho para a publicidade, que precisa se armar de argumentações consistentes e deixar a apelação para segundo plano. Fica difícil colocar uma modelo de biquíni, em pose agressiva, no comercial de um producto para um público consciente. Para vender seria então preciso mostrar o que interessa, respeitar a inteligência do consumidor e ter algo realmente interessante para vender.


Compre menos, mas compre melhor. Desde vendedores mais calmos e atenciosos, passando pela maior distribuição de renda, esta prática também tem resultados de foro íntimo. A ansiedade e o temor da defasagem são cortados pela raiz, as crianças se acostumam com a decoração da casa e passam a não ver tudo como descartável, o macacão sujo de graxa passa a ter a importância que lhe cabe e seu usuário fica mais bem visto. No fim das contas, até a natureza ganha, pois a mineradora pode ser melhor remunerada pelo minério a menos que extrai.

Nunca é demais lembrar, quem compra melhor também vota melhor.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

"Tiooooooooooooooooo!!!"

Crianças são fantásticas.

Quando você é pai delas. Quando não é...

É bem legal, também. Mas tem horas que você sente vontade de jogar um contra a parede.

Mas daí tem LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) e tem ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que dizem que você não pode sequer encostar na criança. E você tem que encontrar meios pra trazer disciplina e limites pra crianças que mal sabem o que é isso.

Pirralhos de 8 anos dizendo "Você não manda em mim!", "Não encosta em mim, você não é meu pai!" e outros quetais.

Ai, que saudades da palmatória.

Mas isso era considerado um método "primitivo", que "limitava a criança". E hoje, crianças que não repetem de ano não sabem lidar com frustração.

Obrigado, PSDB e Governos Covas, Alckmin e Serra por estragarem cada vez mais a Educação.

E não podemos esquecer também do inesquecível e imensurável FHC, que, na pessoa da Secretária de Educação herdada do governo do Estado de São Paulo, criou a progressão continuada pra aumentar o IDH do país. E acabar de vez com a Educação.

Mas...

As crianças conseguem te fazer continuar seguindo em frente. Não por você mesmo, mas por elas.

Cada sorriso no rosto delas, cada brincadeira que fazem, trazem pra você a memória de quando era você brincando, sorrindo. Quando você não precisava se preocupar, não precisava pensar em contas pra pagar no final do mês.

E você sabe que elas merecem um futuro melhor. Ainda que você tenha que arrumar meios de convencê-las que só a Educação vai trazer isso pra elas.

E lembrando sempre que elas mal sabem ler, escrever, ou fazer contas.

Mas só quem trabalha com elas sabe o quanto pode ser divertido. O quanto pode ser gostoso.

O quanto é bom você chegar ao trabalho e elas virem te abraçar, felizes em te ver. Mesmo que 5 minutos depois você tenha que dar uma suspensão, uma advertência ou alguns berros.

Mesmo assim, eles esquecem, e continuam gostando de você.

E entendem depois que foi pro bem delas.

A gente cresce e esquece disso. E acaba criando inimigos na vida. Como somos babacas, né?

E nesse meio tempo, a melhor parte do meu dia é ouvir, a cada 5 minutos:






"Tiooooooooooooooooooo!!!"


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ela merece mais de cinco real!


Hoje nossa querida Meg faz aniversário. Como a segunda-feira passada teve cara de domingo, esqueci de escrever um texto. Por isso, aproveitarei o dia de hoje para relembrar os melhores momentos da nossa amizade super glamourosa, fazendo uma lista de coisas que temos em comum.

#Cumpádi Uóxinton, axé music e outras tosqueiras que só a Bahia nos dá: Como foi que isso começou, hein? Lembro que no começo do blog, Meg escreveu um texto falando mal do Tchan (herege). Em seguida, nós começamos a baixar e compartilhar via MSN grandes sucessos do axé. Luís Caldas, Netinho, Banda Reflexus, tudo isso faz parte da nossa trilha sonora. Eu, hein!

#Fleetwood Mac: Eu nem sabia que existia outra pessoa além de mim que gostava dessa banda. Tão incomum conhecer alguém pela internet e essa pessoa ter os mesmos gostos...Fleetwood Mac é banda que só gente velha escuta. Bem, pelo menos, nosso gosto musical não se limita a “Ilha, ilha do amor, Madagascá!”.

#Voldemort: Harry Potter é coadjuvante. Dica pra ele. O que importa mesmo, nesse mundo da bruxaria fictícia, é Aquele-que-não-tem-nariz.

#Césio 137: Coisa horrível a gente fazer piada com isso. Mas somos seguidoras de Lord Voldemort, mulheres venenosas que não poupam ninguém. Encesiamento é com a gente mesmo. Infelizmente, não posso revelar aqui como essa história de césio surgiu entre nós.

#Cup Noodles: Substância quase tão radioativa quanto a citada acima, que consumimos (literalmente) aos baldes. Será que mais gente gosta?

#Hobbit size: Sou mais alta!!!!!!!!!!!!!!! Sou mais alta que a Meg! Pelo menos uma vez na história deste país consegui ser maior que alguém.

#Show: Nosso esmalte da amizade. Quando ele foi lançado pela Risqué, foi uma correria louca para encontrá-lo. No MSN era só: “Achou?”, “Não, ainda não!”, “Putiviados!”, “Eu queroooooo!”. Um dia, andando por aqui, encontrei e mandei para a Meg. A atendente dos Correios disse uma frase que virou bordão entre nós: “Pra que mandar esmalte pra lá? Salvador não tem esmalte?”.

#btphyo: Nossa despedida oficial nas conversas eme-esse-ênicas. Nem me lembro direito o que significa: B-beijo, T-tchau, PH- Nanael (oi?), Y- coidipobre (porque pobre sempre coloca Y nos nomes dos filhos) e O-ordinária. Adoro nossos problemas mentais massacrantes.

Esqueci de alguma coisa? Ah, sim! Parabéns, beeska! Quebra tuuuuuuuuuudo hoje, ordinária! Tcha-an! Tchutchutchu pá!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Venenosa

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Calmamente assistindo a aula de Processo Civil e aí um colega me passa um bilhetinho:
"Que seios lindos os da XXXXXX. Por quê será?"
O que acabou me fazendo pensar no seguinte:
1) Amizade é isso aí. Se fosse a Debs, o bilhetinho provavelmente seria tipo "Olha só pro quibe daquele nelore!".
Se viesse do Fio, talvez fosse igual ao que o meu amigo me mandou. Ou então perguntando sobre meu caphetaum membrudo.
E do Franj? Alguma coisa sobre o novo web hit de algum travesti de Natal, ou sobre o novo affair da Lindsay Lohan...
2) Eu nem sou amiga da XXXXXX. Não faço ideia se já rolou algum silicone peitoral.
Talvez seja sutiã de enchimento, sutiã de bombinha inflável. Ou talvez ela tenha sido abençoada pela genética. Só sei que outro dia ela perguntou qual era a diferença entre FGTS e Décimo Terceiro.
Isso pode significar que o que foi pros peitos não foi pra cabeça.
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Hoje eu vi uma notícia que me deixou perplexa: Guilhermina Guinle recolhe as fezes de seu cachorro nas ruas do Leblon.
É EGO mais uma vez se superando. Qual será a próxima? Thaís Araújo (pra não sair da vibe Leblon) limpa o xixi do seu gato?
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O Twitter é uma das minhas maiores fontes de risada. Aonde mais eu poderia descobrir que ouve uma tentativa de homicídio em Luzilândia? E que cortaram a metade do nariz do dono do bar?
São coisas que somente Lucas Celebridade traz pra você. God bless Twitter.
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Texto aleatório


Eu tou sem inspiração nenhuma pra escrever. Aí, como já fiz um texto sobre buscas aleatórias de frases no Gugou, pensei em cometer o mesmo crime, iniciando minha pixquisa com a palavra que justifica este aqui: inspiração. Vamos lá, apontando os primeiros resultados de cada palavra no auto-preenchimento.

1. Inspiração vai direto para perfumes. Sabe aqueles que "inspiram-se" em fragrâncias conhecidas? Pois é. Cópia agora mudou de nome e tem até cêenepêjóta.

2. Já perfumes o Gugou complementa com importados. Difícil a batalha das essências nacionais, hum?

3. Importados ligam-se a China... duvido que estejam falando de seda, marfim e quetais. O povo é besta, mesmo, quer usar um inspirado-em-marca-chique-feito-na-China e ainda dizer que é originalíssimo.

4. Já China se relaciona com aquela empresa de comida-chinesa-na-caixinha. Tanta coisa interessante da China e geral só quer saber de marcas "alternativas" e fast-food "tradicional" (em tempo, adoro essa comida).

5. A palavra caixa em inglês que vai na empresa acima liga a cinemas, algo de que eu realmente gosto mas quase não frequento. Preguiça aliada a um monte de outros fatores.

6. Cinema, a palavra, se complementa com a expressão "com rapadura". Acho intrigante.

7. E rapadura, gente, que se segue de açucarada? Oi, tem rapadura salgada e eu não sabia?

8. Açucarada não liga a coisa nenhuma. Estranho. Lembra-me o Quebra-nozes, por causa da fadinha. Mas, se não liga a nada, vamos a essa palavra, ué.

9. E vocês nem adivinham a que está acoplado o nada. Repara: "nada consta"!!! Incrível, frase típica de atestado de bons antecedentes e quetais, a primeiríssima ligada ao nada. Significativo.

10 Consta, para fechar essa listinha, vai pra música Dueto, de Chico Buarque, com a expressão "consta nos astros nos signos nos búzios". De um texto sem inspiração para Chico Buarque? E com Narinha Leão Cantando. É pra inspirar... no sentido original, não no sentido "cópia descarada" da palavra, né não?

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Respeite seus funcionários

Motivos? Eis alguns:


  • Seus funcionários são pessoas, não maquinários. Ao contrário destes, eles se aperfeiçoam com o tempo e serão de grande utilidade no treinamento dos novatos. Poupa-se dinheiro e prejuízos de confiar o aprendizado a empresas terceirizadas, esta que nem sempre têm mais que compromisso financeiro com a sua empresa. Acabou o dinheiro, eles podem muito bem passar para o concorrente o que puderam descobrir de vocês. Um bom funcionário veste a camisa da empresa que o trata com dignidade, que lhe paga o quanto pode, ampara quando necessita e incentiva o aperfeiçoamento, tanto social quanto profissional. Não sei se a faculdade de administração lhe disse, mas um funcionário feliz é o melhor vendedor que existe;

  • A onda do "politicamente correcto", antes de ser deturpada e fazer com que todos tenham medo de si mesmos, trouxe às massas consumidoras o interesse por quem lhes presta o serviço. É muito fácil fazer imagens sonorizadas sem ser percebido, há até canetas que gravam mais de uma hora de vídeo com boa qualidade, existem sítios internéticos gratuitos para hospedagens dessas gravações. Muito antes que vocês consigam uma liminar para a exclusão do material, este já terá corrido o mundo. Mesmo que o vídeo seja tirado do ar, o autor pode repassá-lo por e-mail para quem quiser. Então entram o Ministério do Trabalho, os sindicatos (por mais pelegos que sejam) aproveitarão para arrancar-lhes o couro e os veículos de comunicação, antes calados pelos anúncios, terão todo o prazer em botar a boca no trombone e exibir o material que porventura tiverem;

  • A concorrência está de olho nos seus melhores funcionários. Volks e Ford tomaram os melhores engenheiros de uma concorrente que, por ética, não direi quem é. A grande maneira que eles encontraram foi localizar uma insatisfação e oferecer condições de eliminá-la. Funcionário feliz não troca de empresa, mesmo que o salário oferecido seja maior. Funcionário infeliz se sente previamente traído, então não esita em pular a cerca e juntar trapinhos com outra empresa. No que ele desabafa para o Departamento de Recursos Humanos, descobrem pontos fracos que a sua empresa conseguia ocultar. Por exemplo: Há um impasse financeiro, por algum motivo sua empresa precisa de financiamento e está negociando com os bancos, mas mantém a pose na base da publicidade; O simples relato de alterações no cotidiano fará o concorrente descobrir o problema, então vai investir pesado na ampliação de sua fatia porque sabem que vocês não têm condições de contraatacar. Quando tiverem, será tarde. Tudo por causa de um ex-funcionário magoado;

  • E por falar em mágoa... Sabe quem é aquela faxineira? É alguém que conhece os corredores da empresa, sabe onde ficam as câmeras e, dependendo do tempo de casa, das falhas de segurança. Sabe quem é quem, quando entra, quando sai, pode levar para terceiros o lixo que aparentemente não tem utilidade. Se ela estiver insatisfeita e for demitida por isso, então vocês saberão o quanto realmente vale o trabalho que ela fazia. Discrição faz parte das atribuições de um bom funcionário, mas raramente vejo uma emrpesa pagar a contento por ela. Se há uma invasão na sede ou uma abordagem aos caminhões, os primeiros suspeitos serão os seguranças e os motoristas, dificilmente o pessoal da limpeza. Não é para subverter a hierarquia da empresa, é simplesmente para não usá-la como divisória e mecanismo de opressão.

Dizem os religiosos que o pior inimigo de uma religião, está sentado assidualmente nos bancos do templo. O mesmo podemos dizer de uma empresa. Não adianta atacar com fogo pesado a concorrência se a estrutura funcional estiver podre. Não é o banco que vai socorrer sua empresa, quando estiver em dificuldades, é o funcionário fiél, se houver um. Eles podem apromorar, sozinhos e sem qualquer investimento, a qualidade dos productos e serviços, mas também podem jogar na lama a boa fama que seus antecessores levaram anos para construir.
Ele vai falar com familiares e amigos para darem preferência aos productos e serviços da empresa que o trata bem, ou da concorrente que prometeu tratamento e salário dignos.
Seus funcionários são o maior patrimônio que vocês podem ter. Não devem ficar alienados dos rumos da empresa. Melhor do que executivos que nunca saem do ar-condicionado, eles conhecem o contentamento e o descontentamento do consumidor, não por estatísticas fajutas que lhes custam fortunas e raramente dão retorno, mas na vida real.
Respeite seus funcionários. Pague-lhes o que puder ser pago. Trate-os como colegas de trabalho e eles saberão retribuir.