sábado, 26 de janeiro de 2019

Ddead Train in the rain CXLVII

    O inimigo vem. A estação 147 mostra que ninguém precisa alimentar uma inimizade, há gente perversa que o faz sem que nem mesmo conheçamos. Fiquem atentos e embarquem, o trem vai partir.


- Lidia, eu quero falar com você.

Ela ajeita os precoces grisalhos que não tem a mínima intenção de esconder (...) e o leva para uma sala reservada. Evelyn, acompanhando a afinação dos instrumentos, liga para a mãe...

- Ele levou um presente? Mantenha-me informada, vou ligar para sua tia.

Enya, no intervalo de um ensaio, fica excitada. Há anos os dois levam em banho-maria o relacionamento casto (...) O que ele trouxe no grande pacote é um vestido de noiva inspirado na cultura apache, mas de corte clássico...

- Você nunca tirou minhas medidas, mas sempre acerta.

- Eu amo você. Não preciso de padrões métricos para saber o que lhe serve ou não.

- Você é mais louco do que eu pensava. Vamos encher esta cidade com mais crianças-cristal.

Ela pode tirar a seriedade da chuva, os dois são carregados pela casa e jogados na piscina. Golden Feather fica aliviada, pensou que a filha terminaria os dias sozinha (...) Sozinha também acredita Phoebe que talvez fique, mas para Albert isso está fora de cogitação. Os Beasties voltam a Sunshadow e ele a procurá-la. Casa vazia (...) se vira para continuar a procura e dá com Nancy. Ele a conhece, conhece sua fama, sabe que aquele olhar neutro é só aparente...

- Eu quero falar com você. Venha comigo.

É a Mamãe Broto! Mal pode acreditar que vai levar uma bronca da Mamãe Broto (...) Não é bem uma bronca, mas o olhar severo da matriarca por si já daria o recado. Alerta que ele não está se metendo apenas com uma moça muito especial, mas com uma mãe de duas meninas pequenas (...) Não faz terrorismo, ainda não considera necessário, mas...

- Você deve saber que minha filha mais velha, avó de Phoebe, arregimentou muitos inimigos e muitos deles querem a cabeça dela; Dei cabo de um que tentou levar a termo. Ela está herdando praticamente tudo de Patrícia, inclusive a liderança, mas também o ódio de radicais de igrejas caça-níqueis que a consideram um fruto satânico. Você deve ter percebido a autoridade dela, naquela visita. Bem, como a avó, há coisas que Phoebe nunca poderá dizer em público, algumas nem mesmo para a família, que o senhor demonstra querer ser dela.

- Eu quero.

- Eu sei, investiguei você. Conheço sua história desde quando seus pais ataram namoro. Sei que perdeu seu avô no fogo amigo, no Kwait, do desespero da sua mãe quando te convocaram para o Iraque, enfim, tudo o que é importante. Eu respeito você, mas precisa saber que está se aproximando de uma peça delicadíssima de minha família e, não se ofenda, há milhares de pessoas apaixonadas por ela, algumas muito poderosas. Estamos entendidos? Óptimo, daqui a pouco ela vem pegar as meninas na escolinha da fundação. Venha comigo... E saiba aproveitar esta ajuda.

As meninas estão na sesta (...) Albert fica à porta, observando as voluntárias cuidarem daquelas crianças (...) Na parede uma photographia colorizada em alta fidelidade de Naomi Petty Green. Alguns visitantes pensam que é Patrícia...

- Não, Albert, aquela é minha mãe.

- As semelhanças são muitas!

- Mais do que imagina. Patricia herdou dela o respeito da cidade, e Phoebe começa a trilhar o mesmo caminho.

- Como vocês lidam com isso, de ter uma filha tão poderosa desde tão cedo?

- Ela sempre impôs muito respeito, convivemos com isso desde que ela era criança, então foi fácil. Já você, que acabou de chegar...

Ele arregala os olhos e faz uma careta, arrancando risos. Entendeu (...) de tempos em tempos aparece uma mulher ultra poderosa, que manda e deve ser acatada, Phoebe (...) chega com a mãe, pouco antes de as crianças acordarem...

- Voluntário novo, vovó?

- Não seria má idéia, ajuda nunca é demais, senhor dentista!

O treinamento militar vem à tona, ele enxerga uma oportunidade e já começa com Nancy. Logo os voluntários espalham que têm um dentista novo na fundação (...) Phoebe gosta e desta vez deixa transparecer, ele percebe e deixa o susto de lado, começa a trabalhar. À noite, hospedado em uma casa de solteirões dos Street Warriors...

- É, mãe, eu agora sou voluntário na Naomi Petty Green Children Foundation. Me arranjaram um trabalho como protético pra eu me manter aqui... Você nem imagina, parece estou vivendo vinte anos pra frente, a tecnologia aqui é uma coisa de louco!

Isso chega a Richard...

- Então ele decidiu ficar?

- Baby, você pediu pra ele ficar?

- Na verdade, sim e não. Quando o vi no berçário, perguntei em tom de brincadeira se ele seria o novo voluntário, e a bisavó se encarregou do resto. Vocês a conhecem, sabem que ela não perde a chance de encurralar um aluno.

- E você?

- Dad... Confesso que o gesto e a decisão dele me impressionaram, mas nada além disso.

- Albert??

- Ele não perdeu tempo!

- Boa noite, senhora Petty. Capitão! A senhora Gardner me disse que Phoebe é especialista em uma tecnologia que pode auxiliar meu trabalho na fundação, e pediu que eu viesse falar com ela.

- A prototipadora de cerâmica.

- Tudo bem Cabo, pode entrar. Vou falar com vovó. Amada, cuide desses dois.

- Nem precisa pedir. Me dê notícias.

Ele é levado (...) para a máquina. Phoebe lhe dá uma placa para morder, ele simplesmente obedece e ela liga o scanner embutido, passa tudo para o computador e causa espanto...

- Você já teve um incisivo torto, deve ter demorado a usar aparelho!

- Você escaneou a minha dentição!

- Yeap. E tirei os restos de comida que havia lá, senhor odontólogo. Agora, o coelho da cartola.

Digita sorrindo os comandos e Albert é surpreendido por ruídos de mecanismos (...) Pelo monitor, acompanham a evolução do trabalho. Em uma hora fica pronto, Phoebe tira do gesso, lava, dá o acabamento e entrega as trinta e duas peças...

- Caralho, velho! Você fez um kit completo de reposição pros meus dentes! Com raízes e tudo!

- Ra, ra, ra, ra, ra, ra...

Marcia (...) ri com discrição, para não perder o foco. Richard conversa com Nancy e Richard. Os avós o (...) tranqüilizam, o avô o lembra de todos os predicados da agente Angel, de toda a proteção que a cerca. Ele suspira. Tudo o que não quer é ver a filha chorar de novo por um homem...

- Terminei...

Olham para trás, é Robert Richard com lápis e papel em mãos (...) Richard olha para o avô...

- Eu não vou esperar ele aprender a ler, eu mesmo o ensinei. Kurt tem feito um trabalho maravilhoso com ele. O garoto tem aprendido a fazer as perguntas certas com muita rapidez... Deixe eu ver isto... Bom. Muito bom. Agora vamos pra oficina, vou te mostrar ao vivo como funciona.

Acompanham-nos. Richard explica didaticamente ao menino cada fase de funcionamento com um motor demonstrativo em corte (...) Nada acontece por mágica. Ele desmonta o modelo, mostra cada peça (...) e remonta bem devagar, para ele acompanhar tudo. Depois uma volta pelo quarteirão no Corvair Sedan 1966, onde Robert Richard imagina todo o processo acontecendo muito depressa. Ele volta para casa tagarelando, contando aos pais tudo o que aconteceu do seu jeitinho pueril. Elias agradece ao velho Gardner, que agradece de volta. Definitivamente foi um sábado muito, mas muito productivo.

&

Jerry é abordado por um religioso com uma bíblia e uma revista da congregação em mãos. Conseguem envolvê-lo e levá-lo para um local afastado do posto, onde seus pais pararam para comer e o agridem (...) xingando e acusando de ser um traidor de Cristo. É encontrado uma hora depois, em quinze minutos chegam os seis Superbirds a Detroit (...) Patricia entra primeiro, intempestiva e decidida a não deixar por isso mesmo. A seguem os companheiros de carreira e o restante da futura formação da banda. Ann está desesperada, sem entender o porquê da covardia...

- Vocês vão se mudar para Sunshadow. Os covardes deixem por nossa conta, sabemos lidar com eles. Dean, vem cá...

Acolhe o rapazote que se desmancha em prantos (...) Saem para Sunshadow assim que a ambulância chega, e Patricia amadrinha mais dois. São transferidos para um sobrado (...) na cidade velha, enquanto uma igreja comemora a morte e queda ao inferno de um seguidor do trem do diabo, mas o folguedo sádico termina quando uma notícia urgente interrompe a programação e os seis aparecem com caras de poucos amigos...

- Falar só da covardia seria cair no senso comum. Vou avisar então: Primeiro que ele está estável e vai se recuperar, segundo que já sei quem são os pulhas e eles vão receber o que merecem, terceiro ele e o irmão e os outros vão estrear no coral da banda na comemoração do jubileu de ouro do Dead Train. Aguardem.

O mundo do show business entra em combustão e o fogo se alastra pelo mundo (...) Rebeca e Sandra já puxam Dean para ele começar a aprender a se defender. Phoebe fica taciturna, está indignada como nunca (...) Encarna Patrícia por alguns minutos. Marcia chega devagar...

- Baby?

- Mom... Eu sabia que isso era possível, mas terem se aproveitado da ingenuidade do Jee para isso, me perturbou.

- Nunca te vi com essa cara, minha filha... Tá igual ao seu pai e sua avó! Isso é cara de depressão! Vem pra mamãe, vem.

Ela repousa seu vasto corpo no sofá e põe sua cabeça perturbada nas pernas da mãe (...) ninguém conhece a garota tão bem quanto ela. Liga para as avós e elas desabam em suas poltronas. Para Patricia é mais um golpe, estava quase tranqüila por a neta nunca ter exibido tendência depressiva. Chora.

Jerry acorda na manhã seguinte, cercado por profissionais que informam imediatamente a família e aos seis tutores (...) Vêem felizes o garoto nos braços da mãe, com George e Dean ao redor, chorando de alívio. Quando voltam à reunião, dão a boa notícia. Um rei pergunta a Princess se há algo mais do que simplesmente lançar novos talentos, nessa história de os seis estrearem no coral...

- Vossa majestade é muito observador. Sei o que está pensando, está correcto, mas peço que mantenha discrição.

- Manterei, alteza. Desde que a infanta herdeira seja avisada com antecedência para a estréia.

- Combinado. A então rainha será convidada de honra.

Os dias mostram a recuperação do garoto, para o roer de cotovelos de seus inimigos, que ele não procurou. Rapidamente volta a ensaiar e passa a treinar artes marciais com o irmão (...) Zigfrida, Renata, Eddie e Marcia estão prontas para ajudá-los a se adaptarem e se prepararem para a responsabilidade de sucederem lendas vivas. O assédio da imprensa vai ajudá-los na ambientação.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Dead Train in the rain CXLVI

    Dead train is born again. A estação 146 traz o início de uma nova história dentro da história dos que já colhem os frutos de sua vigília, mas não pararam de semear. Embarquem, o trem vai partir.


Albert segue a cartilha dos pais da moça, se aproxima dela quando está na frente da casa, no fim da tarde, com Spark, cuidando do jardim, com muita gente testemunhando...

- Oi.

- Oi.

- A gente pode ter um papo?

Conversam diante de toda Sunshadow, mas com a privacidade da distância. Não o suficiente, porém, para a jovem bruxa da cidade, que tem por seus oráculos todo o babado em detalhes. Estão se entendendo (...) As coisas melhoram quando ele consegue fazê-la rir. Glenda liga para seus aprendizes e pede que fiquem de olho nas auras deles, os relembra de que se trata de uma criança cristal (...) Lá vão os aspirantes passar desinteressadamente diante da Caixinha de Música, acenar, cumprimentar e fazer uma análise completa da parte astral da situação.

Nancy aparece com as meninas quando a conversa está no auge, e Spark já relaxou um (...) Ela também tem seu serviço secreto. Quer ver como o odontólogo se porta na presença de duas crianças pequenas, ainda sem noção de perigo e limites. A interação é boa, mas não o que ele gostaria (...) Phoebe não deixa transparecer, senão à bisavó, o quanto gostou do modo como ele tratou suas filhas e seu gato. Mas Nancy quer saber mais...

- Eu não sabia disso, ele não me falou a respeito. Meu pai não o assustou muito, assustou?

- Seu pai tem vinte e cinco por cento mais altura e cento e vinte por cento mais peso do que um homem forte normal. Mesmo supondo que não quis, ele impôs muito respeito. Mas vamos deixar isso para depois. Como foi a conversa de vocês?

- Tranqüila. Ele me fez rir e a conversa engrenou... Well... Não posso dizer que gostei dele, a companhia dele foi boa.

- Fora que ele não sabe de sua vida dupla.

- Isso complica. A qualquer momento a vovó me chama e eu tenho que sair correndo pra ajudar. Eu sei o que está em jogo, não posso me dar o luxo de ser uma profissional com agendamento.

- Então, se um dia rolar alguma coisa...

- Vai demorar muito! Pode ter certeza de que se ele quer algo comigo, vai ter que esperar muito! Orson foi único, as circunstâncias que nos uniram foram únicas, não vão se repetir.

Ela fala com autoridade de quem tem as linhas gerais de sua vida diante de seus olhos (...) Por enquanto não está interessada, um dia quem sabe. Enquanto as gêmeas brincam, Naomi observa um ponto no infinito. Ela se vira para a mãe e solta “Um dia a gente vai embora. Um dia todo mundo vai embora” (...) Renata fica pensativa, liga para a mãe. Ela diz que o Tio Quimbim disse algo parecido, quando tinha a mesma idade. Não, não é ele naquele corpinho tão jovem, mas provavelmente é alguém íntima dele.

No dia seguinte, no intervalo de uma reunião de negócios, Renata fala a respeito. Não ficou preocupada (...) mas ficou perturbada com o grau de consciência da filha. Afirma categoricamente que jamais se falou em morte perto dela, assegura com seu padrão mãe grude de qualidade. Marcia (...) levanta o dedo e fala das netas. Phoebe não estranha porque ela também foi precoce ao extremo, mas as meninas já leram Guerra e Paz no original. Para a mãe delas, não há absolutamente nada de anormal...

- Esse negócio tá indo longe demais... Será que a Glee pode vir e dar algumas explicações?

Marcia liga para a moça e passa para a mãe. Glenda sugere uma palestra sobre evolução espiritual e moral, crianças índigo e cristal, fraternidade branca e perguntas correlatas...

- Você ficou maluquinha que nem a sua mãe, né?

- É nóis na fita, tia!

Renata dispara a rir, a sobrinha está mais actualizada com goianidades do que a mãe (...) Farão a palestra na casa religiosa. Voltam aos trabalhos do jubileu e analisam pedidos de parcerias. Pretendiam que só a corporação e empresas parceiras participassem, mas a choradeira foi tamanha (...) que estão estudando promoções paralelas ligadas às comemorações (...) Enzo tem a idéia de reverter as promoções paralelas em favor das obras sociais da banda, é festejado, carregado pela sala e jogado na piscina. A banda é auto suficiente, não precisa de patrocínio.

Eles sustentam muitas coisas que acabam dando retorno (...) Inclusive a organização, cuja influência e proximidade os deixa muito mais perspicazes e ágeis do que o empresariado comum, também graças aos préstimos da polêmica Zigfrida Fälkstaden. A sueca reúne os seis pretensos sucessores da formação original (...) dois nem sabem que essa ajuda recebida vai desembocar em carreira profissional. Quer dizer, não sabiam. Ela é bem suave na revelação, mas Jerry e Dean tremem assim mesmo. O profissionalismo não estava em seus planos, estrear no show de encerramento da comemoração do jubileu de ouro do Dead Train, nem nos delírios mais sem pé nem cabeça! Carly não sabia, só agora ela vê sentido em todo esse rigor e disciplina.

Robert chega à fundação com a cara mais mansa do mundo (...) para ouvir os pareceres de Zigfrida. Ela atesta que os seis estão aptos à próxima fase, bastando aos três novatos, especialmente os gêmeos, se acostumarem à idéia...

- Muito bom! Muito bom mesmo! Então podemos ir para o estúdio, estão todos nos esperando. Aos seis eu darei um só conselho, para os próximos anos: Saibam falar, saibam ouvir, saibam calar. De hoje em diante a imprensa vai seguir vocês, nem sempre para registrar seu sucesso, mas muitas vezes para esperar e filmar suas quedas de perto.

Após a advertência, trata de acalmar os novatos pelo caminho (...) Lá está a imprensa, ávida para registrar e vender as imagens daquele episódio atípico. Robert e Zigfrida escoltam os seis até o estúdio da banda (...) Ali, longe da sanha de paparazzi, Patrícia abraça os três e lhes fala aos ouvidos “Eu não sei se vocês notaram, mas não estão aqui para ensaiar, vocês fazem parte da banda. Vamos trabalhar”.

Já era previsto que eles precisariam ser corrigidos, sincronizados e afinados com freqüência, mas isso não atrasa o ensaio que nem é oficial. A idéia é pegar o mundo de surpresa, enquanto ele pensa que os seis (...) se esqueceram que farão cinqüenta anos de carreira. Toda a campanha está sendo produzida sob rígido sigilo.

&

Os pais dos gêmeos vão falar com os seis (...) a preocupação não sai das frontes. Rebeca se adianta com “Nós detestamos desperdícios, especialmente de talentos”. Explicam em detalhes o que pretendem fazer pelos irmãos debochados (...) Eles ainda não entenderam como eles descobriram algo que dezesseis anos de convivência familiar não conseguiram...

- Mérito de nossa maestrina-chefe Happy Moon. Ela tem uma audição fenomenal e uma competência que não é deste mundo! Vocês verão, em menos de um ano eles começam a contribuir com as despesas da casa.

Patrícia chama a apache, para uma conversa com o casal. Enquanto isso eles continuam trabalhando nos eventos do jubileu de ouro. Os garotos desfrutam de um momento de folga, cada vez mais raro. Sandra serve sanduíches com suco de banana e manga, para os novatos relaxarem. Carly está ambientada, só treme pela perspectiva de cantar em um show do Dead Train (...) Os garotos de Ohio estão mais receosos de não darem conta do recado...

- Sai dessa, cara. A Moon tá treinando vocês, podem ficar de boa!

- “De boa”... A gente só cantava no banheiro de casa, um de cada vez, agora veio a notícia de que cantaremos na comemoração do jubileu de ouro do Dead Train... Super fácil ficar de boa...

- A gente nem sabia que sabia cantar! Até as nossas cantadas são fracas! Vocês já estão acostumados, você é filho do Enzo Crepaldi, você é neta da Renata e da Patty Petty...

- Vocês estão com medo de serem felizes? Vão realizar um sonho e estão com medo de recebê-lo? Em verdade eu vos digo, aquele que nunca sentiu medo é um louco, é digno de respeito aquele que usou o medo para sustentar a prudência, mas se atirou de corpo e alma em sua batalha; este é o verdadeiro guerreiro. A batalha terá início quer vocês lutem ou não, se lutarem vocês terão influência no desfecho, se não lutarem o desfecho terá influência sobre vocês.

Phoebe trabalha os medos e travas dos irmãos, percebe que eles realmente nunca sequer pensaram na fama, mas sonhavam com ela (...) Combina com todos de fazerem uma surpresa aos seis, treinam um pouco na copa mesmo, depois vão aos instrumentos para refinar, um chute no traseiro e Jerry quebra a inércia, e Sandra volta ao contrabaixo.

Eles voltam à Máquina de Costura com os pais dos garotos devidamente relaxados. Assim que entram, Giovanni faz o sinal e começam...

- Back to Sunshadow now, were your home stand by you…

Enzo quase chora, está se vendo adolescente naquele palco improvisado (...) Os pais dos garotos ficam encantados, começam a levá-los a sério como cantores profissionais. No comando do sexteto, Patrícia não deixa de notar, está Phoebe ao violão.

À noite, após ler relatórios de colaboradores, Patrícia descansa sua cabeça exaurida no encosto da poltrona (...) Elizabeth chega com Colleen nos braços, perdeu a aposta para Prudence e será ela que fará o pedido...

- Mom, eu preciso te pedir uma coisa... Lembra daquela bronca quando eu tentei entrar escondida na biblioteca com vocês?

- Não foi uma bronca, mas como poderia esquecer?

- Aquele papo de “Você imaginou isso, mas é tudo verdade”, lembra-se?

- Das conspirações, exércitos secretos e tudo mais, sim.

- Então... Eu perdi a aposta pra Proo e tive que vir te fazer o pedido... A gente pode usar aquela conversa como inspiração pra uma novela de três ou quatro mil páginas?

- “Três ou quatro mil páginas”? Quantos livros vocês vão fazer, uns doze?

- Isso!

Ela pensa, fita a filha de alto a baixo, pede que espere e vai falar com Josephine...

- É uma idéia excelente! Faça isso, condicione e autorize, falarei com Jeremy e Doom.

Volta pra a sala e chama Prudence. Condiciona a permissão a um curso sobre conspirações e política internacional, em um nível que só quem conhece os bastidores pode passar para o papel (...) elas já podem rascunhar as linhas gerais, criar os personagens, cenários, et cetera.

Na manhã seguinte, após os treinos, têm uma conversa rápida a respeito com os envolvidos, inclusive Sandra, da guarda imperial (...) Um paparazzo ousa demais, sobe até a copa da árvore do canteiro central e despenca, após tirar phorographias excelentes do grupo. Patrícia tira a camiseta e imobiliza o braço quebrado (...) A internet cuida de divulgar não só o socorro, como também a líder do Dead Train (...) exibindo o corpo bem tonificado e cinturado. Os desafetos mais jovens choram, os cirurgiões plásticos quase cortam os pulsos com papel machê. Os fãs de carteirinha e o partido monarquista vão ao delírio.

Assim que iniciam os trabalhos da corporação, Silvia lembra do dia em que ela usou aquela roupa de motoqueira, para ir à faculdade. A repercussão está sendo a mesma. Os jornais on line anunciam “Esqueçam a imagem de avó que exibíamos até ontem, esta ainda é a real Patrícia Petty”. Eles saem da biblioteca e correm para o abraço, Josephine não se furtou de ir ter com a pupila e tratar a respeito. Ela quer iniciar uma campanha permanente pela saúde e reeducação alimentar (...) Patrícia consente na hora. Vão os seis fazer poses em trajes confortáveis para uma ajuda inesperada aos planos gerais (...) As imagens veiculadas na campanha bastam para causar o impacto desejado, ninguém usou menos do que shorts e regata, mas os resultados superam as expectativas.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Dead Train in the rain CXLV

    O poder e o coração. A estação 145 mostra como alguém pode resistir aos apelos do poder, na figura de quem não o quer. Leiam com atenção e embarquem, o trem vai partir.

Em um humilde apartamento de Baltimore, um grupo (...) decide pelo lançamento oficial de seu partido. Sabem que (...) precisam começar de alguma forma. Têm adeptos e simpatizantes em todos os Estados americanos, o que lhes dá larga vantagem sobre todos os outros partidos pequenos...
- Então, amigos, correligionários, compatriotas, irmãos de seara, firma-se o estatuto que transformará nossa agremiação em uma entidade com força política, The American Monarchist Party. Um dia teremos um líder nato que tenha compromisso unicamente com nosso país! Não com ideologias, com viés político, com interesses econômicos, com seitas religiosas, mas unicamente com o bem estar e progresso de nossa gloriosa e negligenciada nação. E quem melhor do que a já prestigiada e mundialmente respeitada Casa de Alander para suportar o peso da coroa? Seremos uma democracia monarquista, a descendência que nos dará nosso futuro rei ou rainha está assegurada, mesmo que leve mais de um século os Estados Unidos da América serão realmente unidos, de facto e não só no papel. Até lá, VIDA LONGA À NOSSA RAINHA PATRÍCIA I, A SÁBIA!
A reunião encerra a era de cochichos, que durou quatro décadas. Toda a vizinhança ouve o brado (...) ele tem eco nos arredores, em todos os Estados, pois houve transmissão ao vivo pela internet (...) Um deles é justamente um agente da guarda imperial, e comunica Julia a respeito...
- Vocês não estão exagerando?
- Fizemos o que você disse! Estamos na era do parto do novo mundo, não estamos? Nossa rainha é sujeito activo neste início de história, não é? Isto aqui é uma democracia, não é?
- Ok, você tem razão, não há motivo para terem esperado mais. Vou comunicá-la, mas você sabe qual será a primeira reação.
Ele sai para não ouvir a bronca (...) ela pede que a conversa seja por videophonia e mais gente participe. Todos os dezoito mais Arthur, Ana Clara, Elisa, Nancy, Richard, Eduarda, Renato, Elias, Deborah, Crazy Horse, Kenji, Laura, Daniel e suas crias estão lá. O que era apenas uma confraternização...
- Mas eles estão loucos? Que sandice é essa, Julia? Isso não foi idéia sua, foi?
É o que ela esperava (...) Após a dura reprimenda, ela se cala por um minuto (...) Ela não queria poder, nunca quis poder, o assumiu porque não havia a quem entregar a encrenca. Agora percebe que seu poder institucional se tornou também político, precisará comedir mais as palavras em público (...) Suspira profundamente, olha para a câmera com os olhos bem abertos...
- Como eu vou controlar essas pessoas e evitar que façam besteiras em meu nome?
- Basta uma ordem sua.
- E eu serei comunicada de passos importantes desse partido?
- Sim, imediatamente. Está no estatuto: Artigo 1º, parágrafo 1º inciso 4º.
- Menos mal! Menos mal... Suponho que a esta altura o partido já esteja em vias de regularizar-se.
- Sim, está, em todos os cinqüenta Estados americanos e mais um comitê em Porto Rico.
- Quantos?
- Setenta mil membros... Eu também fiquei assim, perguntei se não havia zeros demais...
Patrícia fica estarrecida, como se estivesse indefesa e diante dos que querem sua cabeça. Não só ela, as caras de espanto tomam a biblioteca...
- Oh, God!
Renata a ampara, a ajuda a sentar-se na poltrona de veludo azul. Olha para frente e vê Naomi, a avó da princesa, que nota a fixação da amiga e ordena “Solte o verbo, você sabe de algo!”...
- Sua avó disse pra você ficar tranqüila, que tudo vai acabar bem... Sim, só isso.
- Então ela está metida nisso?
- Bem... Sim, ela confirmou, esta metida até o pescoço espiritual nisso... Mas agora selou a boca, não vai soltar nem mais um píu.
- Meu Deus, não bastavam as conspirações internacionais, as guerras que vão eclodir a qualquer momento, os desastres ambientais sem precedentes que batem à porta, agora tem uma conspiração dimensional e interplanetária no meu encalço! Hey, fala sério, qualé?
- Honey, se mamãe lhe atribuiu uma responsabilidade é porque você é capaz de arcar com ela. Ela nunca exigiu de você mais do que era capaz de dar, você sabe disso.
- Entre as aulinhas da vovó e isto existe uma diferença gigantesca!
- Entre um diorama de alta fidelidade e um edifício de grande altitude, a única diferença é o dimensionamento, a engenharia é a mesma.
Todo mundo se vira para Elias (...) Patrícia sabe que ele está certo. Alega que (...) o edifício demanda centenas, talvez milhares de trabalhadores por meses ou anos. “Quantos seguidores minha madrinha pensa que tem?” é a resposta. Ela olha para baixo, medita e liga para Josephine(...) Ela também acha isso um imenso exagero, mas assegura que a condução adequada da situação será muito valiosa aos planos gerais...
- Não se preocupe demais, eles estão todos sob controle, o seu controle. Leia o estatuto que Julia mandou por e-mail, eu o estou lendo e francamente, é mais bem escrito e coeso do que qualquer um de nossos códigos constitucionais.
Ela o faz. Precisa reconhecer, um advogado precisaria praticamente inventar uma brecha naquilo. Um pouco longe dali, Glenda recebe Pirata (...) Emily e Theodore chegam para buscá-la e a bruxa dá esta parte por encerrada (...) para ir à casa de Renata, que já sentiu um pequeno vácuo no coração (...) Pega seu defumador, suas sinetas e entoa um mantra complexo para reequilibrar a egrégora que a morte maculou. Agora vai à Máquina de Costura, onde os ânimos estão mais leves...
- Tia, espere uma semana. Eu vou arranjar um filhote pra vocês.
- A Pirata?
- Ela já está bem e a casa já foi trabalhada. Avise o tio Matt.
É triste (...) mesmo para a médium. O corpo de Pirata (...) é sepultado com a dignidade de que a fiel cadela desfrutou naquela casa. Uma semana depois, um dia antes do festival de otakus, Glenda aparece com um filhotinho todo preto com a boca branca (...) A boca lhe rende o nome Palhaço e a casa volta a se encher de alegria (...) Uma visita de Rebeca e Ronald mostra o quanto aquele filhote é pequeno, comparando-o ao enorme Lobsang. Uma bocada e já era! O pequenino fareja o mastin tibetano, que o fez com ele em apenas uma fungada, ser um filhotinho pesou a favor do novato.
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- Juan, gostaria de falar com você.
É raro verem Phoebe tão séria (...) Diante de 6’43/4” e mais de cem quilos de maestria em artes marciais, ele (...) se senta diante da moçoila, no jardim da Máquina de Costura. Ela o adverte que está enrolando demais, que ambos têm, principalmente Glenda, maturidade e independência financeira de sobra para se casarem...
- O romance de vocês está no ponto. Não vá esperar apodrecer para colher!
Ela volta com uma indisfarçável cara de Patrícia Menininha Mandona que deixa a avó muito feliz. Ele (...) Finalmente pede e Glenda aceita se casar. Tobby e Anita entram na farra e ajudam os outros a carregá-los pela casa e depois jogá-los na piscina (...) Convidam Carly antes que ela pense que ficará só observando com os paparazzi o casamento.
Marcia chama a filha para um canto, senta-se no seu colo, já se conformou, e começa a perguntar sobre o episódio. Ela é sucinta com “Começaram a falar comigo”. Não é inesperado, mas preocupa a mãe (...) Naomi sussurra que Nancy tinha a mesma preocupação com Patrícia (...) Mas ela se preocupa, porque as netas tendem a seguir o mesmo caminho e logo não caberão mais no seu colo (...) As duas estão brincando com Spark, imenso em 4’ e 67 libras. O gato tornou-se um gigante, só menor do que Lady Spy, mas mais pesado. A gata repousa no alto da escadaria, assistindo a movimentação da rua (...) Ela desce majestosa e vai ao jardim da frente, senta-se erecta e estampa as próximas edições de vários jornais, tablóides, revistas de fofoca e programas de celebridades. Não bastam os 4’5”, ela vigia tudo como se tudo aquilo fosse seu reino, inocente ao trabalho da câmera em sua rica coleira.
À noite as coisas se acalmam. Rebeca e Ronald vão visitar o jovem e preocupado casal, ela os chama para uma conversa reservada, enquanto ele investiga até onde as rugas se justificam (...) A vê escrevendo em um diário, mantém uma distância elegante, espera que termine e feche o caderno. As meninas a orbitam atentas. Phoebe o vê, sorri e ele se aproxima. O que as duas vêem é a mãe treinar escrita com uma caligraphia absolutamente maravilhosa (...) A Pelican Traditional M150 dança como uma bailarina nas mãos da ambidestra, que as troca sem interromper a escrita. Há um armário só para instrumentos de escrita (...) Assim que termina é aplaudida...
- Inacreditável! Cara, você parece que mal tocou nesta caneta, tão leve que foi!
- Ra, ra, ra, ra, ra, ra. Eu costumo escrever nas peças que fabrico, pra organizar, que nem tenho feito nos Caddys.
Enquanto as pequenas se aventuram em papel e lápis, os dois conversam sobre amenidades e o doutorado precoce que ela está concluindo (...) O diplomata usa de sua experiência para ouvir o que precisa sem ela dizer directamente. O que vê é uma garota muito equilibrada, com feridas ainda não cicatrizadas, mas caminhando por sua conta. Rebeca termina com os pais da comparsa e vão os três ver a quantas anda a conversa. Ouvem risos (...) aquele sorriso em forma de coração ainda é a maior alegria da casa. Os nobres não deixam de notar, as gêmeas escrevem com desenvoltura. Na manhã seguinte (...) passam suas excelentes impressões às avós...
- Vocês estão superestimando o problema e subestimando a resistência dela. Deixem ela encontrar seu caminho, quando precisar ela pede ajuda. Ela não pede, quando vocês salvam o mundo?
- Não, pelo contrário. Ela nunca precisou de nossa ajuda, nos assuntos da organização, nós é que sempre recorremos a ela... Mascote?
- O lindinho saiu a você sem tirar nem por. Ele sim vai precisar de ajuda, ele e a Marcia. Ontem nós e eles descobrimos que as meninas sabem ler e escrever muito bem...
É uma surpresa. Reportarão a Stephanie e Nancy (...) Rebeca detalha a precisão com que as duas seguravam e faziam os lápis dançarem, como a mãe faz.
&
- Você canta demais! Vou procurar o seu disco agora mesmo!
Deixa o recado no My Space e vai à loja de música. Compra o disco, volta para casa e vê a resposta da cantora. Lembra-se de Orson quando ouve “Someone Like You” (...) Na cidade velha, hospedado em uma cela vazia, um Beast pensa justamente nela (...) lhe deram as medidas, o peso e a força bruta do pai dela. Beatrix alertou para não se levar pelo impulso, que é muito fácil se apaixonar por aquela garota encantadora e ela é tão ocupada quanto cheia de responsabilidades, e não são só pelas duas filhas pequenas.
Ele (...) acorda antes do habitual. Acompanha um Street Warrior na ronda (...) vê Phoebe sair com o pai para o treinamento. A vastidão muscular do herói de guerra fica explícita sob a camiseta. Mais gente entra na Máquina de Costura (...) Ouvem bem o treinamento, enquanto vasculham e monitoram as proximidades. Vêem pai e filha voltarem suados, a cena lembra alunos saindo da escolinha (...) devidamente informado, ele vai à chefe de todos...
- Senhora Petty, eu gostaria de falar sobre sua neta Phoebe.
A diva observa o homem de longas madeixas castanhas, chama Arthur e pede que entre (...) Eles não o animam (...) fazendo vários alertas inclusive “Várias lendas a respeito dela, e de todos nós, são verdadeiras”...
- Ela já superou o lance da viuvez?
- Já, há bastante tempo. Neste período muita gente se declarou, mas como sabe ela continua só.
- Ela era uma criança quando conheceu Orson, e a relação que tiveram foi tão acidental que ela não se lembra de nada.
Agora ela o assustou (...) Nunca lidou com mulheres inexperientes e confessa, diante das duas caras fechadas, que sexo é sempre a primeira coisa que lhe vem em um relacionamento. Se quer realmente aquela garota, terá que repensar muita coisa em sua vida, inclusive a própria. Sai à chefatura, visto de longe por Elizabeth e Prudence, indo levar as meninas para os avós babarem...
- Vocês falaram dos mil perigos mortais que o cavaleiro de rodas terá que enfrentar, se quiser a mão da donzela gigante?
- Dos tesouros que amealhou durante a vida e terá que abrir mão para entrar na floresta encantada do gênio topológico?
- Hey, isso dá um romance!
- Vamos terminar nossa trilogia sádica e começamos com ele.
- Ele me pareceu muito desapontado, quando soube que Phee é praticamente virgem!
Ela está no momento desenvolvendo seu projecto de doutorado (...) uma versão tosca da prototipadora que está aperfeiçoando para a organização. Imprime algumas nanoestruturas de teste, de vários materiais, coloca tudo em um microscópio electrônico e se põe a estudar os resultados. Salva tudo no tablet e vai ver os outros (...) Aproveita (...) para checar os assuntos virtuais da banda e da corporação, sentada em meio às flores silvestres do jardim, em sua blusa de gola ampla e saia média, tudo no mais neutro bege que encontrou. Trabalha rápido, quer dar todas as atenções aos três, que começam a chegar. De longe um paparazzo manda para a revista a “underware fashion” com que a garota tenta sem sucesso ser discreta (...) logo os patrocinadores oferecem descontos fajutos em conjuntos semelhantes.
Um certo motoqueiro também vê e fica caidinho. Pensa em ir falar com os pais dela, mas eles vão ter consigo...
- Albert Witchwort, queremos falar com você.
A voz grave, cavernosa e potente do Capitão Gardner ecoa pela chefatura (...) O rapaz pensou que nunca mais teria medo, depois de ter voltado da guerra, mas agora está com medo. Marcia (...) mais parece uma criança ao lado do marido...
- Nossas mães nos contaram a seu respeito. Você deve compreender – diz a mãe – que ainda é um desconhecido para nós, o sunshadower é naturalmente desconfiado de estranhos.
- Eu não fui destratado aqui.
- Não confunda as coisas – diz o pai. Nós somos humanos, ser desconfiado não me impede de ser civilizado. Você deve aprender certas lições, para ter alguma chance com minha filha.
A filha está no ensaio. Estão evoluindo rápido, mas Happy Moon não vai antecipar muito sua estréia (...) Carly está consciente de quase tudo, só saberá da nova formação da banda quando estiver pronta. Preocupa a apache (...) os dois restantes ainda não terem aparecido. Devem estar por aí, gastando seu tempo em alguma distração, em um posto de beira de estrada, mudando os planos (...) e rumando para Sunshadow (...) Lá vai a Toyota Tundra vermelha seguir as placas até encontrar a única entrada para a cidade. Lá está ela, e lá longe está a mítica Sunshadow.
De cara passam pela Suburban com Karen ao volante e Claudett de carona, as Lices estão atrás. Chegam à rua Pink Coal, exclusiva para pedestres, que dá acesso à praça do trem morto (...) Tem fila, mas os fãs não se furtam de pisar onde os seis amigos fizeram sua primeira apresentação pública. Lá está a primeira Brook’s Hot Chocolate (...) E encontram ninguém menos do que a líder, a diva, a lenda, a magnânima, a maravilhosa, sua alteza real a princesa Patrícia, a conversar com irmã e sobrinha...
- Estamos conversadas? Sábado você leva seu rapaz para um almoço em família e resolvem tudo. Depois a gente se fala mais, sobre as gêmeas. Agora vou à fundação, ver como estão os quatro.
O casal com os dois garotos fica paralisado, até um deles levantar o dedo e chamar a atenção dela. Mudaram-se há menos de dois meses para Detroit (...) Os convida a conhecerem a fundação (...) os adultos estão um pouco fora de forma, ao contrário dos garotos, que levaram a sério as broncas dadas em fãs, nas últimas turnês. Olham ao redor, é uma cidade vintage com focos de invasão contemporânea.
A Naomi Petty Green Children Foundation (...) Enquanto gente com pompa e diploma reclama do mundo, ela o educa. É um universo totalmente novo para os quatro, uma estrutura e uma philosophia fora de série. Acompanham Patrícia até o conservatório...
- Eu não tenho muito mais a fazer por eles, mas não lhes diga isso. Vão poder estrear uns dois ou três meses antes do que eu previa. Daí minha preocupação, porque os outros vão aparecer muito tarde.
- Vamos trabalhar com o que temos, Moon. Vocês quatro, vão pra minha casa, comam alguma coisa e descansem. Eu gostaria muito de ter seis para o jubileu de ouro...
- Seus amigos?
- Recém-chegados a Michigan. Ann, George e os gêmeos Jerry e Dean.
A tentativa de se desmistificar para os fãs tem um sucesso e um fracasso, eles viram que é humana, mas uma humana que fez sozinha mais do que muitos Estados pelo mundo (...) a maestrina tem um lampejo, gostou muito das vozes e da entonação dos garotos. A mãe diz que eles cantam junto com o MP3, desde crianças, e ela fica esperançosa. Chama-os para cantarem algo, corrige, afina, eles voltam a cantar e Vulcana faz sinal de “investigue-os” para Princess.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Dead Train in the rain CXLIV

    De volta à vida de espionagens. A estação 144 adensa o clima com um tópico que nunca teve lugar para amenidades. Respirem fundo e embarquem, o trem vai partir.


Neste clima misto de comemoração, alívio e procupação, abrem o Sunshadow Dead Train Fan Week. Homer e Margareth vão pela primeira vez, convidados pela nora. Desde o primeiro os posteres dos seis integrantes estão lá, renovados todos os anos (...) É quase impossível não comparar aquelas imagens com as do clipe “Our Last Afternoom”, eles já são cronologicamente idosos (...) Há uma ala só para a história do evento, onde é inevitável emergir o luto e escorrerem algumas lágrimas. Os fãs de carteirinha se sentem íntimos dos ídolos, e sabendo que há quatro jovens sendo treinados pela banda, eles também recebem muito do carinho que dispensam aos seis. Phoebe em particular já é um mito.

Laura e Daniel estão lá, como sempre, prestigiando e contabilizando o incremento do erário (...) até as cidades vizinhas lucram com o turismo (...) Com os turistas vêm as imprensas especializadas, não só a de celebridades, também a de viagem e turismo, a conspiratória, a de negócios, a fajuta dos serviços secretos e a das cidades vizinhas. Algumas ainda tentam emplacar eventos locais, mas o fator relevância pesa contra. Jeffrey e Melanie conseguem atrair gente para a escola onde estudaram (...) mas é só e tudo viabilizado pelo metrô intermunicipal de Sunshadow.

Poucos dias depois é (...) o aniversário da princesa Patrícia Alander. Sunshadow enche de novo. Pela primeira vez Carly é convidada, verá tudo de dentro, com os colegas de música e, inevitavelmente, dividirá algumas páginas de tablóides com eles. Enquanto o mundo lá fora desaba, Sunshadow é só festa. Embaixadores, representantes de monarcas, estrelas de elite e agentes secretos (...) Alguns começam a ver Phoebe ao lado das avós, agindo como elas, quase se esquecendo de que é viúva, enquanto Serena, Rose e Naomi brincam em um lugar seguro, preparado para isso (...) As tentativas de aproximação são sempre acompanhadas da presença de pais, avós, bisavós, dois ou mais deles ou todos juntos. Quando é Angel, todos confiam no taco dela; quando é Phoebe, todos confiam no taco dela, mas não nos forasteiros de olhos gulosos.

As festividades sunshadowers do ano terminam com o Sunshadow Racer Motor Show, que prima por nunca se repetir. Prodígio conseguido pelos (...) incansáveis laboradores da Culture Train e sua imensa facilidade para a pesquisa. Amilton e Eddie acabam ajudando os outros na Gardner Company, e Phoebe ajuda-os na organização dos eventos. Não é difícil como o começo, quando eram só os quatro jovens adultos enfrentando o gênio experiente e sem censura de Richard (...) Este festival de mecânica é ironicamente mais fácil do que os demais, porque envolve as duas companhias, podem trabalhar em ambas sem sobrecarga.

As grandes novidades são a evolução da engenharia de materiais, e o avanço brutal na tecnologia das baterias. Richard levou protótipos de motores com estatores resfriados com nitrogênio líquido (...) Além dos componentes de produção, com ligas e compósitos altamente leves e resistentes, o que por tabela barateia as ligas que passam a ser comuns (...) Os simpatizantes da organização lotados na CIA vão falar com Brain, perguntar se não seria interessante que o presidente os conhecesse...

- Não vejo interesse propriamente dito. Star está muito cautelosa, vocês sabem que ela tem razões. Se for necessário, nos revelaremos, se não... Nada muda!

- Bem, desculpe o aparente egoísmo, mas a gente quer poupar a nossa pele.

- O presidente Obama está nos escalpelando! Depois que ele foi chamado para uma reunião, após a festa da posse e descobriu por quê não poderá cumprir com todas as promessas de campanha...

- Ah... Vamos ser sinceros, vocês mentem demais! Não precisariam mentir nem metade do que mentem! Cedo ou tarde o povo toma conhecimento e tudo pelo que lutaram cai por terra, porque mesmo que digam toda a verdade, ninguém vai acreditar nela!

- Um dia o povo também descobre vocês, e aí?

- Nós não somos o governo, não temos que dar explicações ao erário, ao congresso, a ninguém. O que fazemos é com recursos próprios, não temos um erg de vantagem pessoal e nenhum de nós sequer sonha em ter um busto em uma praça. Entenderam a diferença? Eu não lhes devo satisfações, mas vocês me devem, eu pago os seus salários.

- Nós precisamos de vocês.

- Aha, agora a coisa muda de figura. Falarei com Princess, verei o que posso fazer. Agora desamarrotem essas testas e aproveitem o evento.

Cumpre com a promessa, mas Patrícia não vê a menor conveniência em se revelarem agora. Ela volta às demonstrações de metalurgia com moldes por prototipação rápida, prometeu pensar no caso, mas não se anima nem um pouco.

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Anima-a a pressa com que as filhas saem daquele Indy, é sinal de vida nova! Corre, as pega com seu E-rod e dispara para a maternidade (...) Agora começa a inspiração para o segundo livro da trilogia. Como era de se esperar, Natasha é quase transparente (...) Sendo avó das duas, Patrícia as manterá na Máquina de Costura, que é mais apropriada para o sossego de que necessitam do que suas casas. Só Colleen ter avós paternos lhe traz uma proto ruga de preocupação, mas (...) por agora quer paparicar suas descendentes.

Elas insistem e no dia seguinte, amparadas, estão ambas de novo no evento, com os rebentos nos braços. Algumas pessoas se assustam com Natasha (...) Com os dias as meninas dão menos trabalho do que se esperava (...) O certo é que os quatro se dão relativamente bem, com visitas regulares de avós e bisavós. A neve não impede que os novatos recebam ajuda, mas reduz o assédio da imprensa (...) Elizabeth e Prudence experimentam dedicar tempo exclusivo a alguém, normalmente só o faziam uma à outra. As meninas se admiram com as luzes natalinas, ajudam a manter a família coesa com trocas emergenciais de fraldas, dão inspiração para suas mães e tiram horas preciosas de sono dos pais. Perto dali, uma avó descansa a cabeça no ombro do amado e cúmplice, contabilizando quatro crianças para por no colo e abraçar. A mãe de duas delas aparece de camisa xadrez e calças leggin, indiferente ao termômetro preguiçoso...

- Estamos a sós? Reportei a Genius e ele achou por bem eu comunicar pessoalmente. Fui ameaçada de morte. Rastreei a mensagem, ela tinha um I.P falso, veio de dentro da CIA.

Richard mandou a filha falar pessoalmente aos avós para ela não ver e não se preocupar com sua fúria. Ele liga para Star e ela pede explicações à agência...

- Meu Deus... Que vocabulário mais chulo! Vamos investigar, mas facilitaria muito se o governo soubesse de vocês e com quem está lidando, teríamos uma justificativa consistente para uma varredura interna. Por esses teores eu não saberia dizer quem foi.

- Muito bem, falarei com Princess e Brain, proceda com o que achar necessário.

O simpatizante pede aos colegas que investiguem uma suspeita de uso indevido dos computadores oficiais, depois vai ao director tratar do assunto...

- Há algo mais que você saiba e nós não? Há algum alien infiltrado na agência, ou um portal estrelar sendo construído debaixo da Casa Branca? Você nos deve explicações, Barry.

- Darei com prazer, senhor, mas... É ela!

- “She”?

- A agente Star, chefe da organização.

- “Organization” who?

- Não tem nome. Muita gente a chama por apelidos locais, mas...

- Então mais gente sabia disso, exceto a CIA?

- Gente de gestões anteriores, de outros serviços secretos, chefes de Estado... Star?

- Está com ele? Deixe que eu me apresente...

- Alô... Jose De Lane!!!

Mesmo já idosa e há anos longe das telas, sua voz é inesquecível. Ela pede que agende um encontro da cúpula com o presidente e seus secretários, concorda que a primeira dama esteja presente (...) No dia marcado a cúpula e a parte ameaçada estão lá. É a primeira vez de Angel em uma reunião deste nível. A imprensa não falta, Washington nunca perdeu a majestade da espionagem internacional, e a cúpula da organização na Casa Branca é prato cheio para a aparelhagem mais sofisticada de suas agências. Claro, paparazzi praticamente pendurados nas árvores, como frutas podres invernais.

O início da conversa é ameno com a tietagem correndo solta, mas o tom muda assim que entram na sala oval. Star apresenta-se como tal e os demais em suas identidades secretas. Faz um resumo do que é a organização (...) O presidente fica curioso, sua primeira pergunta é “Como você entrou nessa vida?”...

- Aquele acidente em que perdi meu marido e o filho que esperava, foi na verdade um atentado...

Não delonga, mas é precisa nas explicações (...) Sempre desconfiaram de Sunshadow, mas (...) As teorias conspiratórias passam a ser bobagens perto do que já sabem. A surpresa vem com advertências dadas pela jovem (...) agente Angel (...) Algumas coisas ela pode revelar, como os cálculos topológicos que geraram os algoritmos que os equipamentos da organização utiliza, deixando a era digital para trás. A aplicação avançada desses cálculos permanecerá em segredo por algum tempo.

Após várias advertências sérias e uma ajuda inestimável, Star faz o sinal e encerra a pauta da organização (...) Abrem a porta, o momento agora é para amenidades e tietagem.

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Enquanto Patrícia e Rebeca falam com Sandra sobre a visita oficial à Casa Branca (...) Elias atende uma ligação da mãe, que fala com menos rispidez da garota. Ele fala baixo, seco, quase monossilábico, para não chamar a atenção dos outros. Sempre funciona, sempre que Phoebe não está por perto. Ela conta às avós, que não sabem se comemoram pelo tom mais ameno ou lamentam pela frieza (...) pedem à garota que não conte isso a outros, muito menos à Sandra. Voltam para fora cientes de que ninguém vai insistir em saber sobre o que conversavam. Todos em Sunshadow têm algum segredo.

A neve cedeu lugar a um bocado de sujeira, fácil de se limpar, mas o frio ainda vigora. Exceto Phoebe, todos ainda usam agasalhos pesados, ela apenas uma blusa de crochê (...) De longe ela vê um rosto familiar, um dos radicais em quem está de olho. Cutuca Patrícia, ela confirma, é um dos sucessores do pastor electrônico que iniciou a demonização do Dead Train. Phoebe (...) identifica uma van próxima, com os vidros escurecidos...

- Quase certeza de que estão filmando.

À noite a suspeita de Patrícia se confirma (...) lá está o pastor em uma montagem digital que mostra Sunshadow em chamas, com demônios perseguindo os cidadãos, o chão se abrindo e ele incólume. Mais cafona e manjado do que vender a ponte do Brooklin, mas atinge em cheio os fiéis. Não são menos perigosos do que os radicais muçulmanos (...) No último quadro do programa ele elege um novo alvo, revela que Greta fez um tratamento com células-tronco para curar-se, “intrometendo-se nos segredos de Deus, que proíbe tudo isso”. Ao mesmo tempo a CIA liga para Richard, descobriram quem mandou a ameaça de morte para Phoebe, é um desertor muito bem treinado em ciberataques (...) suspeitam que ele esteja envolvido no ataque ao sistema financeiro americano, talvez seja agente duplo.

Richard se apressa para conter e acalmar o neto, ele conhece o sujeito. Lhe repassa sua experiência, recomenda apenas que seja duro quando o governo se pronunciar, para deixar claro que o serviço será feito quer eles o façam, quer não. Phoebe está com Renata e Marcia, na praça do trem morto (...) assistindo o show de precocidade de Naomi, Rose e Serena (...) Orientadas por Stephanie, elas conseguem manter o comportamento pueril em crianças que já compreendem que as pessoas ficam doentes e vão embora. Ouvem um estrondo de motores se aproximando, levantam-se. Phoebe vê de longe (...) porque a visão também foi aprimorada pela genética.

Conta doze motoqueiros em formação compacta. Chuck (...) chama alguns homens e desce com eles. Não quer alarmismo, ainda se lembra bem dos apuros da época de bando errante, mas as coisas mudaram muito e para muito pior, nos últimos anos...

- Salve, gente fina!

- Salve, gente fina! Somos os Beasties, eu sou Dark, líder do bando.

- Pode me chamar de Chuck, eu mando nesses safados dos Street Warriors.

- Puta que pariu, cara! A gente pensava que vocês fossem lendas ou tivessem se aposentado!

- He, he, he! A gente só fixou raízes e agora ganha pra fazer o que sempre fez. Continuamos os mesmos merdas de sempre. Que mandam?

- A gente queria conhecer a cidade, saca? Viemos de La Grande, Oregon. Alguns aqui estiveram no Iraque e no Paquistão... Caramba, é a Renata Rodrigues!

- Sim, mas não se incomodem comigo, podem continuar conversando, está interessante.

A tietagem tem início, os paparazzi registram aqueles motoqueiros mal encarados se ajoelharem diante dela. Eles repetem “Nunca vamos esquecer o que vocês fizeram por Melinda” (...) Chuck pede que tragam uma ficha do bando (...) A noite mal se anuncia, mas eles têm a impressão de que foi um dia de cento e vinte horas.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Dead Train in the rain CXLIII

    Super Phoebe em ação! A estação 143 traz um pouco de pipoca com bom conteúdo, porque o que é nutritivo não precisa ser sem graça. Embarquem e se deliciem, o trem vai partir.


A maldição dos Cadillac (...) Phoebe fez uma prototipadora grande, quase industrial para uma escolinha rural, nas imediações de Madison, para auxiliar tanto no aprendizado quanto nas necessidades da própria escola, utilizando filamentos de PVC, conseguidos com o corte helicoidal de canos (...). A gratidão veio de reboque e na caçamba do GMC 1966 do bisavô, um Cadillac Imperial Custom Sedan 1925 à bordo e o lendário Biarritz Eldorado 1959, pretos (...) Chegam praticamente ao mesmo tempo que o Cadillac Sixteen de Patrícia. É um concept car, não irá para as concessionárias, mas ninguém lhe nega um pedido (...) Há colaboradores da organização dentro da Cadillac, ela soube de conceitos futuros interessantíssimos, alguns ainda no papel, os encomendou também; Só a Lincoln ainda decepciona, já a Imperial é só saudade. Mas antes de deslumbrar os outros, vai ver o que a neta trouxe. Encontra Renata se desmanchando com o gesto dela, dando à mãe a chave do Imperial...

- Assim que eu terminar de restaurar, ele será seu, mom.

Aquela (...) menina perfeita demais para ser deste planeta. Marcia deságua no choro e se agarra à filha, enquanto população e visitantes cercam aqueles carros, e paparazzi tratam de eternizar o episódio. Patrícia e Richard sabem, conhecem a fúria da agente Angel em uma luta, também por isso festejam a manutenção desta face da puerilidade, vitória que em parte devem à sua primeira professora. Buscam Staphanie para ela ver in loco e ouvir “Isto é culpa sua”. Finalmente a imprensa a descobre, “Então foi você que fez ela ser assim” e “Onde você estava, que nunca te descobrimos?” acendem o estopim, e a pacata professora (...) torna-se uma celebridade...

- Tia Patty, me ajude!

- Calma, meu amor, eles não vão te fazer mal... Não na minha presença.

Abraça a sobrinha assustada, a ajuda a lidar com aquela matilha ensandecida, depois a escolta para a Máquina de Costura, onde a apresenta à sua nova aquisição. Audrey vai ver a filha, toda pimpona, mas preocupada com o excesso de dedicação (...) essa paixão desmedida pelo magistério toma-lhe muito tempo. Enquanto Aubrey deslancha e manda todo mundo plantar batatas no sal, Stephanie é a personificação da mulher pacata e sem pretensões para fora de suas fronteiras (...) Em menos de quinze minutos chega Carly, naquele short brim psicodélico, que começa no umbigo e só desce até o estritamente necessário. Ela toca na porta de vidro, tímida, Stephanie a reconhece de pronto e se anima, é sua aluna, pode precisar de sua ajuda...

- Disseram que você estaria aqui... Posso entrar?

- Vem. A tia Patty te trouxe pra Sunshadow, para ela você não é visita, é da casa.

- Falou bonito! Como ela está indo?

- Quando a vovó xinga e quer botar fogo em tudo que é escola comum, acham que é exagero dela! Esta menina estava completamente desperdiçada! Na minha opinião, ela não demora muito a poder entrar no coral da banda pra ganhar experiência.

- E-eu o quê?

- Pensou que eu te deixaria à mercê de agentes picaretas, hum? Quando estiver pronta, você começa a cantar com a gente, como música de apoio. Tem tempo, pode se preparar bastante.

A menina tímida, com sua coragem ainda emergindo sob a batuta de Nancy, começa a rir (...) É levada ao porão, para conhecer um dos lugares de que sua diva mais gosta no mundo inteiro, depois vão à chocolateria, antes que a ausência da chefe transforme aquilo em um ringue de luta livre (...) Phoebe localiza a avó pelo smarthpone, vê a tia-avó e sua amada professora juntas. Lhe vem uma intuição e chama Sandra e Giovanni, que espera haver um bom motivo para interromperem sua boquinha, porque sabe que o pai não perderá a chance de comer seu sanduíche (...) A novata é informada, em sigilo, que passará a ensaiar com os três, lhe oferecem um emprego de meio período para se acostumar a ser realmente uma Dead Train. Patrícia manda mensagem cifrada para os comparsas, ela aceitou o trabalho, agora só faltam dois para completar a nova formação.

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Elizabeth e Prudence lançam o primeiro livro desde que se casaram. É uma espécie de diário de gestantes, com dramatizações e humor muito apimentado (...) sem qualquer tipo de romantização ingênua. Sabem bem o sofrimento que é ter um bebê em casa, e não têm nenhuma sobrinha desocupada para ajudar de vez em quando, será só com os pais mesmo. Eles foram encaminhados à fundação, para aprenderem a lidar com bebês (...) Enya e Elias ajudam as gestantes a ensaiarem o roteiro, que elas sabem ter grandes chances de ser inútil, para quando chegar a hora.

Longe dali, avisam Matthew sobre a classificação “Premium” de Phoebe pelos paparazzi. A “deliciosa combinação de Hedy Lamarr com Ingrid Bergman” agora é pauta fixa nos tablóides e nas revistas de teorias conspiratórias (...) Ela cuida das filhas, após um dia de treino, estudo, trabalho e ensaio pesados. Está conseguindo com os outros que Carly fique à vontade e se sinta parte da banda, porque ela um dia será...

- Não vai sair?

- No... I’m dead... Trabalhei, estudei, ensaiei, ensaiei, estudei, trabalhei.

- Seus amigos estão ao telephone, o que digo a eles?

- O que vivia dizendo a eles sem me contar: Carly está dormindo e precisa acordar cedo amanhã...

Dorme. Começa a perder o lugar que tinha nas baladas (...) O festival da saudade toma conta da cidade e Carly finalmente tem dinheiro, o seu próprio dinheiro para gastar nas feiras de pulgas. Ela chega feliz em casa, com algumas peças miúdas dos anos 1930, mas encontra a tia pastora radical com a avó (...) É uma inquisição, a garota é atormentada com “Quando Jesus te decepcionou? Quando Jesus te traiu? Por que você o traiu com aqueles anticristos?” e sai correndo de casa. Se refugia em um cinema. Tem a idéia de ligar para desabafar, para Sandra...

- Onde você está? Certo, me espere aí mesmo. Mãe, sabe onde fica o Cine Morning Star?

Dorme em Sunshadow nesta noite. Toda a cidade toma conhecimento em segundos. Os seis lamentam com as mãos nas testas o episódio, ela nem começou a carreira (...) e já foi vítima do mesmo tipo de gente que eles enfrentaram logo no começo da sua. Patrícia liga para a casa dela, a tia atende e começa a pregar, ouve um “Você cale a boca, fariseia hipócrita! Passe agora para a mãe dela!” e passa para a cunhada. Faz algumas perguntas, uma proposta (...) Vai à casa dos Spring comunicar a novidade...

- Falei com seus pais, os tranqüilizei e fiz uma proposta. Eles aceitaram... Agora eu sou sua madrinha e enquanto estiver longe de seus pais, serei sua mãe. Vem, tenho suítes sobrando em casa.

Vai em estado de graça. Aquilo está muito além de seus mais loucos devaneios de ghost driver (...) quer ver o mais cedo possível como sua diva e madrinha começa o dia, mas acorda tarde para ver...

- Como assim?

- Acordamos às cinco para praticar caratê. Phee e Sandra também estiveram aqui.

Vai comer, inconsolável, para começar o dia. Após as aulas intensivas, vai ao seu emprego no cinema do shopping (...) Passa o aspirador, depois um aparelho similar que ensaboa, esfrega e suga a água suja ao mesmo tempo. Informa sobre eventuais danos, cheiros estranhos e objectos perdidos, o que hoje inclui uma dentadura e seis caixas de lego ainda lacradas, mas sem nota fiscal. Volta à casa da madrinha e tem uma refeição bastante substancial, uma sesta e vai ensaiar (...) Quando volta para casa, vê campo livre e põe no armário as roupas que ganhou, para passar a noite e o dia em Sunshadow. A mãe da garota arregala os olhos...

- O que quer dizer? “Todos” todos? Todos mesmo?

- É só terminar um serviço, eu posso entrar em qualquer sala e ver o filme que eu quiser.

Os amigos não tardam a saber e começar com a bajulação, pelas redes sociais. Carly olha para Phoebe, solta um suspiro triste...

- Mais falsos do que nota de cinqüenta centavos com a esfinge do Rasputin.

- Porra, até ontem eles me chamavam de traidora, de “Vai Quem Quer adoptiva”, mais da metade me excluiu dos contactos... Não vou aceitar ninguém de volta!

Vão para as lições de música (...) Happy Moon é nanométrica no rigor e na técnica (...) Os leva a um ensaio da orquestra, um dos poucos em que todos os músicos estão juntos, a intenção é eles refinarem suas audições (...) Lá está Evelyn, comandando todos aqueles músicos experientes como se tivesse nascido entre eles. Happy Moon conseguiu fazer a orquestra se pagar sozinha, é fiel à sua arte, mas sabe que precisa sobreviver para cumprir com sua missão. Na Máquina de Costura (...) os seis relaxam e conversam justamente sobre os quatro, com um olho no Sunshadow Dead Train Fan Week. Mas surge uma emergência para quebrar a toada mansa...

- Angel, preciso de você agora!

Ela não pergunta nada, corre para a Máquina de Costura (...) molhada, de biquíni verde musgo cavado. Princess e Beyond não têm tempo para expressar a surpresa, há um grupo de hackers atacando os principais bancos americanos e ela é a única pessoa capaz de enfrentar todos eles ao mesmo tempo. Primeiro ela identifica retiradas e transferências muito próximas e muito grandes, faz os sistemas entenderem que houve três tentativas com erros de senhas e as operações são bloqueadas. Agora rastreia os destinos dos quase cem bilhões de dólares já sacados (...) É muita coisa para fazer sozinha. A organização aciona as autoridades americanas (...) Agora é entre Angel e os hackers. Eles se gabam, contam vantagem, mas não contam com a evolução genética da garota. Enquanto o mais ágil deles dá um clique, ela dá calmamente três ou quatro. Enquanto eles escrevem uma linha, ela escreve um programa inteiro. Enquanto eles mandam uma mensagem de despiste, ela monta defesas falsas, rastreia a origem e faz os computadores dos criminosos se entregarem e travarem (...) nem vêem a polícia chegar e dar voz de prisão. Ainda estão tentando digerir o “Eu não sou exactamente uma pessoa comum” que ela mandou antes de cortar a comunicação.

Assim que arremata tudo, reestabelecendo as redes bancárias (...) ela dá a missão por concluída. Os avós não se privam de enchê-la de beijos, afagos e abraços repletos de sacolejos. Lá fora uma multidão repete em voz alta o nome da moçoila (...) centenas de photógraphos desesperados para vê-la de novo naquela falta de trajes, e vão todos à loucura quando ela aparece, sem sequer desconfiar que só receberão pelas photos porque ela precisou se expor. Genius termina sua parte e vai com Marcia e as pequenas (...) Pisa duro para denunciar sua presença e abre caminho no mar de paparazzi que nem desconfia da gravidade do que aconteceu. Renata (...) puxa Matthew, pega Naomi e vai ver do que se trata. Patrícia resume com “A guerra fria recomeçou. Ela impediu que roubassem todas as reservas do país”. Não demora para todo o círculo íntimo da banda estar lá (...) Comemoram o primeiro salvamento do mundo pela novata da organização, para os bisbilhoteiros que só sabem de parte do acontecido duas horas depois, dizem apenas “Não há o que vovó peça que Phoebe não faça”.