sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Dead Train in the rain CLXVII

    Renovação e rotina. A estação 167 tem dois novos elementos para teorias conspiratórias, adoçados pela salubridade a rotina pessoal. Todos à bordo, o trem vai partir.


Elizabeth e Prudence entregam aos pais o planejamento da novela. São cem páginas que servirão como chassi para as mais de quatro mil, que escreverão ao longo de doze anos (...) Uma lida por cima, algumas perguntas de praxe e a promessa de leitura rápida...

- Vocês já começaram?

- Yeap, dad. Proo não quis esperar, então já começamos a falar da guerra com o México, com detalhes picantes e sórdidos.

- Esperar pra quê? A gente já tem material de pesquisa pra se graduar em história da guerra da secessão. Até a metalurgia da época a gente já conhece!

- Oho! Então os amores da mamãe fizeram um curso de mecânica industrial? Me contem!

O assunto interessa Patrícia. Ela reconhece, as moças se esmeraram, mas quer que coloquem esse conhecimento em prática (...) Deixa Arthur adiantando a leitura e vai com elas à oficina do pai (...) Fundem e usinam algumas peças didáticas de ferro nodular, deixando-as mais aptas a tocar no assunto, no decorrer da novela.

Elas voltam para suas casas, pegam seus laptops, os sincronizam e vão para o quintal comum, começar a descrever com mais propriedade algumas cenas que tinham em mente, como “Anthony Walker mal sabia atirar, mas conhecia bem de metalurgia e sabia que aquelas armas tinham carbono demais, se quebrariam facilmente e poderiam até ferir seus portadores...” (...) Na Piscina, com os pais, as meninas confirmam a tendência de grude, se portando como se fossem gêmeas. Dormem cedo, pelo cansaço do dia cheio, enquanto outras crianças pelo país querem continuar vendo alguma série de televisão, mastigando alguma coisa que mal saberiam dizer o que é.

Logo de manhã, Patrícia chama os colaboradores veteranos para a leitura do planejamento. Brain exibe um sorriso (...) elas aprenderam direitinho (...) Princess destaca a forma como elas pretendem escancarar métodos e motivações reais, por personagens e situações fictícios, às (...) vezes ridicularizando o preconceito que o americano médio tem contra si mesmo. Findada a leitura, ela pergunta por alguma observação. Nenhuma. Então reavisa sobre a visita de dois membros da liga (...) Quer que sejam solícitos e não neguem informações que aspirantes à organização podem ter. Ela encerra a sessão e Richard se aproxima...

- Fazia muito tempo que eu não te via tão leve.  Esperançosa?

- Muito, dad. Vou colocar a Eddie para servir de companhia de Ursula, elas vão se entender a as coisas vão fluir bem.

- E Barney?

- Ele fica com a gente. Ele vai cantar no festival.

- Irmã, qual será a reação dele, quando acordar com o nosso treinamento?

- De respeito. Vai pregar os olhos em cada movimento e nós vamos convidá-lo a participar.

Informam Josephine e depois Melinda. Barney e Ursula recebem suas passagens no mesmo dia. Ela vai falar com a gerência do hotel, aprendeu a ser persuasiva e agora conta com um argumento forte.

&

Glenda autoriza rodarem o almanaque, passa para sua coluna semanal de esoterismo no Coast to Coast News e no Sunshadow News. Nesta semana fala de Paranapiacaba, interior do Estado brasileiro de São Paulo (...) e sua convenção anual de bruxaria. Cita os nomes mais proeminentes de freqüentadores, como uma xará de sua amada mãezinha maluquinha...

- Uma bruxa com o meu nome??

- Falei com ela algumas vezes. É doidinha também!

- Ei, menina! Olha o respeito!

- Re, re, re, re, re, re... Vou convidá-la para conhecer nossa fazenda qualquer dia desses... Vou mandar umas photos pra ela... Ainda não mandei nenhuma além das do museu!

Seleciona seis de seu jardim encantado, de um altar a Lakshmi e de alguns instrumentos (...) Trabalha e ajuda a salvar o mundo com a leveza das fadas, apesar de sua figura já pesada ter dificuldades para perambular pela fazenda. Eduarda e Renato aparecem de surpresa (...) Ver aquele Nash Ambassador 1951 entrar na fazenda, além de atrair a curiosidade dos visitantes do museu, enche as duas de entusiasmo. Nunca tiveram outro carro, nos Estados Unidos. O Renault 4 ficou no Brasil, com uma tia que repassou para o filho, que repassou para um colecionador, que só depois de pagar soube da jóia que tinha em mãos, ao confirmar o sobrenome.

Apesar da fama de birutinha, é uma mulher responsável e uma colaboradora dedicada da organização (...) Eles voltam algumas horas depois, com um amuleto que a neta fez na hora com pregos envoltos em um grosso patuá de tecido negro, com alguns símbolos de proteção em dourado, agora pendurado no retrovisor. Renata tem boas notícias, que ajudam a dar ritmo na dureza mansa do cotidiano...

- Vai ser muito legal! Uma garota tão lúcida que se faz de maluca, vai ser uma mãe incrível!

- Ela ainda falou da visita desse cantor que vocês descobriram, mas de um jeito... O que cês tão aprontando, heim?

- A gente não aprontou nada, mãe. Não ainda... A companhia dele tem uma história bem triste...

Eles se sentam e a encaram, agora ela tem que contar. Conta a história de Ursula, os comove (...) vão receber a moça com carinho, ela precisa e demonstrou caráter suficiente para merecer alguns afagos.

&

Lobsang se senta e faz pose de quem montou guarda (...) Os paparazzi mantém uma distância prudente, enquanto Rebeca e Ronald entram na Máquina de Costura. Saem com Patricia e o mastim acompanha. Na casa ficam Arthur e Luppy com Lady Spy (...) ela gozando do privilégio de trabalhar para seu ídolo. Com seus filhos estudando na fundação, trabalha com tranqüilidade, aproveitando para sorver parte da bagagem dos patrões e se servir da vasta biblioteca, nas horas de folga.

Arthur pega uma cocada em um vidro, sai comendo e se surpreende com a pergunta “Que gosto isso tem?” da negra...

- Coco, é claro... É uma cocada. Nunca viu uma?

- Ver eu já vi, mas tem uma cara tão estranha que nunca comi.

- “Estranha” como?

- Essa aí parece um ninho de aranha, e tem umas quadradas que aprecem sabão de lavabo...

- Eh... Pode comer, tem gosto de coco, eu garanto. Foi a Sandra que fez.

Ela gosta (...) No fim do dia, leva algumas para casa, na companhia da prole. O metrô é rápido, mas dá tempo para ela ouvir dos filhos as aventuras de hoje na escolinha. Andam um pouco até sua vizinhança (...) O marido decidiu que faria o jantar de hoje e escolheu comida mexicana para o cardápio. Em Sunshadow, Arthur conta aos três do espanto de Luppy diante da cocada.

Ela consegue manter a casa limpa e organizada, era o que se esperava dela, mas está se mostrando uma pessoa muito interessante. As histórias dela dão boas margens para musicalidade, como quando foi chamada de “Garota Playmobil” por um sujeito abusado (...) Deu uma surra no cidadão que poucos anos depois viria a ser seu marido...

- Eu tinha minhas razões para não querer gente estranha aqui, mas não me arrependo de ter contractado a Luppy. Só a companhia dela já valeria a pena.

- Saber que tem alguém com você, pelo menos três vezes por semana, me alivia muito, quando estou trabalhando.

- O Greg tá certo, irmã. Ela tá te fazendo muito bem, a gente tem que agradecer a Melanie pela indicação. Só de fazer você rir, já é um grande serviço.

- Além de ter trazido crianças ainda pequenas para a sua mãe educar. Sem querer ela fez bem pra todo mundo.

- Fez, Ron. Fez muito bem. Mamãe ficou um pouco mais iluminada, com esses três. Eu temia ter assustado ela, no primeiro dia, por causa do rigor com que dei as instruções.

Conversam enquanto ela dança com o marido e os pequenos, ao som de mariachis mexicanos. No dia seguinte ela não trabalha, mas leva os filhos à fundação (...) Sai feliz para casa, quando vê Daniel e Laura inaugurando oficialmente os subterrâneos da cidade (...) com meses de antecipação e conseqüente redução de custos. Ela vai atrás da multidão (...) Volta com muitas photos para mostrar e contar aos vizinhos, é parecido com um shopping center gigantesco, mas é uma obra pública de acesso livre. Os muitos vãos são como corredores de um shopping, com muitas claraboias fornecendo iluminação natural, torres de vento pela cidade cuidam da ventilação, servindo também de entradas. Os muitos jardins públicos, as residências e os reservatórios de água são fechados.

Para quem precisar, há carros de golfe eléctricos imitando os clássicos dos anos 1930, 1940 e 1950, adaptados para o transporte interno (...) a alimentação é por indução, com espiras sob o piso e sob os baixos assoalhos. Melody teve sua cadeira adaptada para isso, agora pode ir para sua maison mesmo com a neve lá fora anunciando a nova era glacial.

Os seis amigos estão lá, prestigiando o empreendimento que vai resolver um problema que acomete todos os países do hemispherio norte. Vão ver a escola de balé de Mandy, onde as primeiras aulas não esperam por protocolos (...) A moçoila observa o andamento das turmas, enquanto confere a administração. Ela (...) sabe que viver um sonho não é deitar a cabeça no travesseiro e dormir. Jean Pierre e Sally acompanham a filha em seu primeiro dia de realização, lá fora os paparazzi clicam sem poderem entrar, mas rende boas tomadas mesmo assim.

De dentro dos subterrâneos mesmo alguns apresentadores gravam, fazendo expressões e gestos dramáticos, novamente com aquela ladainha de como uma cidade antes fadada ao desaparecimento (...) conseguiu em um tempo tão curto toda aquela infraestrutura que, virtualmente, não existe em nenhuma metrópole do mundo (...) teria custado verdadeiras fábulas de dinheiro. Tobby está lá perto, entrevistando a população, conversando com engenheiros e arquitetos, colhendo detalhes para uma matéria de nível. Claro, há mensagens cifradas para os comparsas do mundo inteiro, é essa a maior motivação para manter o Boa Noite Mundo no ar por mais de cinqüenta anos (...) Julia foi encarregada de acompanhar os seis salvadores da cidade. Eles apresentam os andares subterrâneos do estúdio, o terceiro é de acesso público, com entretenimento, informações e um grande karaokê para quem quiser se arriscar, já com filas de fãs.

A inauguração acaba se tornando um evento Dead Train (...) no final das contas foi por causa deles que há mais de quarenta anos, o alicerce de tudo aquilo foi construído. Não demonstram modéstia, sabem que foram responsáveis, mas não assumem a autoria sozinhos (...) O recado dado a muitas cidades é claro, se seus prefeitos quiserem fazer algo assim, ainda que em menor escala, eles farão e resolverão muitos problemas de trânsito, de perdas de vidas pelo inverno e paralização da economia local.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Dead Train in the rain CLXVI

    Fim de turnê. A estação 166 encerra um ciclo, mas deixa a vida continuar; os problema nunca terminam. Paciência! Embarquem, o trem vai partir.


A estrutura da cidade subterrânea fica pronta bem antes do previsto. Os comerciantes descem para uma vistoria rápida, antes do acabamento, que será uma cerâmica sintética azul pastel bem claro, com 3/4” de espessura, que vai craquelar durante o endurecimento e depois será vitrificada com um tom ligeiramente mais escuro (...) O estúdio da Dead Train comprou os três andares para baixo. As residências foram poupadas e dispõe de três ou quatro possíveis pavimentos privativos, dentro de estruturas com um metro de espessura.

A fazenda dos Fischer será ampliada, além dos três pavimentos inferiores  (...) e alojar seções que ainda não têm onde colocar. Richard amplia imediatamente a oficina para baixo. Nancy recusou-se a ampliar o porão (...) A matriarca, repleta de energia e vigor, vai à fundação, dar as olhadas informais que sempre dá, em suas folgas. Os petizes de Luppy foram especialmente recomendados a Stephanie e Happy Moon, que treinam para educar seus próprios rebentos.

Agora, com a aprovação da culta população sunshadower (...) os jornais divulgam imediatamente a novidade, com imagens que os próprios moradores cedem... Meia hora depois de Coast to Coast News, Sunshadow News e Interesse Popular publicarem em seus sites com imagens e depoimentos exclusivos. Os sites de conspirações malucas ficam doidinhos (...) E quem é a primeira pessoa a ser questionada a respeito? Daniel? Não...

- Por que estão perguntando pra mim? O prefeito é o Daniel Stewart!

- Mas é você que manda na cidade, todo mundo sabe! Qual o propósito dessa mega estrutura em baixo de Sunshadow?

- Pensem um pouco... Um pouquinho só... A maioria de vocês cai fora durante a estação, mas já experimentaram sair de casa durante o inverno de Michigan?

- A Phoebe sai quase sem roupa!

- Phoebe é um caso especial e não vai mais fazer isso. É só? Com licença, tenho muita coisa pra fazer... Vocês ouviram isso??? Não cai uma folha nesta cidade sem que a imprensa venha me perguntar se é castigo divino!

- Há de convir que eles têm onde se apegar.

- Sim, claro que têm, Bobby... Se apegam à falta do que fazer, apoiando-se na falta de vontade de fazer, amparados na falta de critérios sobre o que fazer. Vamos trabalhar...

A proximidade do show comemorativo do jubileu de ouro polariza suas atenções, seus auxiliares estão repassando menos assuntos corporativos e chutando traseiros com mais liberdade (...) Farão um show surpresa em New Jersey, próximo ao antigo albergue onde foram revelados para o mundo. Depois em Manhathan e vão para Providence, de onde voam para Detroit e voltam para casa.

A exposição prolongada da banda tem o bom lastro das novidades diárias (...) Alguns apresentadores estão começado a ligar a brancura extrema de Natasha à pele clara de Evelyn, mas falta-lhes coragem para enfrentar as conseqüências  (...) A estréia dos garotos em si já renova muito a imagem da banda, alimentando as polêmicas tradicionais e trazendo novas para o caldeirão da fofoca profissional.

Os fãs estão correspondendo às expectativas, os fã clubes fazem suas próprias promoções fechadas aos membros e seus parentes próximos, a guarda imperial registra tudo o que pode deste evento que é único (...) A liga presta especial atenção às notícias sobre a cidade de três pavimentos quase concluída em Sunshadow. Os técnicos expõe suas opiniões sobre como teriam conseguido um feito dessa envergadura em tão pouco tempo e sem chamar a atenção do mundo (...) mas o desconhecimento das bases secretas torna as análises inconclusivas.

Fizeram todas as análises com o equipamento que Ursula ganhou, e hoje permite que três vigilantes fiquem ao mesmo tempo na central (...) Em New Jersey City, mancomunados com a prefeitura, operários executam uma logística apertadíssima, com um grau de precisão altíssimo, para que no fim da tarde os vinte e quatro integrantes possam fazer um show relâmpago e voltar para New York. Vai acontecer alguma coisa ali, a imprensa tenta em vão tirar algo dos trabalhadores (...) O ônibus chega e a histeria se instala, as cortinas do palco se abrem e lá estão os instrumentos. É tudo muito informal, como foi com a primeira apresentação...

- Boa noite, senhoras e senhores. Nós somos The Dead Train, e aqui perto, a menos de uma quadra, perto da Brooklin Bridge, há quase meio século, nós fizemos nossa primeira apresentação para o mundo, no albergue que hoje ocupa aquele prédio ali. Graças a vocês, que nos prestigiaram todos estes anos, eles e mais um monte de gente boa que se ocupa em ajudar próximo, têm garantias de tocar seu trabalho no dia seguinte. Este é um show gratuito, mas se quiserem pagar o ingresso na forma de donativos, ficaremos imensamente gratos. Vamos cantar, gente!

“Forgotten” inicia o show, e o público vai ao delírio. Gente de cidades próximas, do Estado de New Jersey, e gente de New York que não conseguiu ingresso, lotam o espaço. Alguns velhos senhores que testemunharam aquela primeira apresentação, dois deles albergados na época, comparecem (...) o Coast to Coast News transmite ao vivo para seu canal de vídeo. Mais do que um retorno às origens, é o modo que eles têm para agradecer seu público fiél e dedicado...

- Porque tudo o que nós somos hoje, amados fãs, nós devemos a vocês. Tudo o que a imprensa alardeia que nós fazemos, as ações pela paz mundial, enfim, tudo mesmo, foram vocês que permitiram acontecer. Agradecemos de coração. Muito obrigada e Deus lhes pague. Até a próxima.

Se despedem com “Back to Sunshadow” e voltam ao hotel, de almas lavadas e cientes do dever cumprido. Não demoram muito a pegar no sono, após um banho e uma boa refeição.

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A volta para casa tem um sabor muito doce. A popularidade não só cresce, como puxa a dos ex desafetos, que hoje não soltam uma palavra sequer contra os seis. A turnê em si está encerrada, o próximo compromisso oficial da banda é o show do jubileu de ouro (...) Os novatos voltam com as burras cheias, os três retardatários levam para casa mais do que seus pais ganhariam até a aposentadoria. Jerry e Dean cantarolam “Já podemos nos casar” pela casa, Carly olha para o horizonte sem saber o que fazer com tanto dinheiro (...) Além dos cachês desta turnê, há os das peças publicitárias e a participação nas empresas que estão administrando.

Liga para Patrícia, que contabiliza bem mais do que ganhos financeiros do ano...

- Não fosse o seu tom de voz, eu riria. Está desesperada porque de repente descobriu que está rica, é isso?

- Tô perdida, madrinha. Eu sempre fui dura, contava moedas pro fim de semana...

- Que conversa doida é essa, irmã?

- É o que ela vai nos contar. Venha pra minha casa, estamos os seis aqui. Ela está com medo do dinheiro que ganhou... Que louco!

- Eu acho que sei o que é – diz Renata.

Confirma suas suspeitas quando a garota conta da sensação de vazio (...) Sentiu-se mínima (...) percebeu as paredes se afastarem. É medo do poder. Não sabe o que fazer e tem medo de ser engolida por ele...

- Nem carro vocês tinham, até te arranjarmos aquele emprego no cinema. Foi muito rápido, eu sei, mas não é um bicho de sete cabeças. Chame os outros, vamos contar da nossa neura, quando aquela montanha de dinheiro começou a encher nossas casas.

Contam (...) da repentina responsabilidade pelo poder súbito que conseguiram com o estrelato. Falam do medo dos pais, mas também da alegria que Rebeca e Robert deram aos seus, de Melinda e toda a história que mudou os rumos da banda. Vão até a Grande Turnê, quando consolidaram a fama e mudaram para sempre o destino de Sunshadow (...) nunca mais a “Vai Quem Quer”.

É inspirador mesmo para a prole da banda, que dirá os três! Os originais olham para Carly, que bate palmas e esfrega as mãos, procurando alguma coisa, pega seu tablet e começa a ver o que está acontecendo naquelas empresas fundidas (...) Os seis lêem o relatório, conversam a respeito e decidem o que fazer, mandam a ordem e dão um prazo razoável para verem os resultados.

À noite, com Arthur, Ana Clara e Elisa, Patrícia fala do curto drama, enquanto acaricia Lady Spy no colo. O vestido verde pastel, de saia ampla e ombros livres, dá o tom deste clima ainda ameno, Ana Clara pergunta sobre alguma surpresa para o festival de fãs (...) Ela medita um pouco, pensa nas coisas da banda e nos interesses da organização, abre um sorriso e liga para seus comparsas (...) Ela liga para Los Angeles. Mars Storm pede que X-Fish fique atenta, precisa atender uma das poucas ligações que não pode recusar. Toma cuidado para não acordar o exaurido Firewall e confirma presença...

- Você pode trazer um amigo, se quiser, ou uma amiga...

- Bem, eu não sei... Eu vou ver... Certo, terei todo prazer... Até mais...

- Algum problema?

- Nenhum problema, só solução. Você quer conhecer Sunshdow?

Adoraria, mas não pode. Ligam para Dead Hope, que quer saber na hora de qualquer novidade importante...

- Eu irei com você. Convencerei o hotel de que fará bem aos negócios e irei com você.

No dia seguinte ele confirma e a organização inteira escancara o sorriso (...) Patrícia fala com Ronald e ele confidencia algumas coisas a Mandy, Ursula é apaixonada por balé e chegou a iniciar carreira, antes do massacre de sua família...

- Não existe ex-bailarina. Pode deixar comigo.

Há tempo, eles podem planejar a recepção com muita calma. Até lá, a toada mansa e dura do cotidiano é paulatinamente retomada (...) Os dias trazem boas pequenas surpresas, os petizes de Luppy aprendem a ler e escrever anos antes do que esperava, e já ensaiam outros idiomas. Richard confirma assim sua tese da construção do gênio, festejada por Zigfrida.

Utilizando a Caixinha de Música como base (...) os garotos concluem o planejamento e decidem o que fazer com aquelas empresas. Vão continuar com as fusões até que se tornem seis ou sete empresas de grande porte, depois reembolsarão a Dead Train Corporation e ficarão com elas (...) Terminada a reunião, cada um vai procurar seu par. Sandra sai agarrada ao seu, Carly sai sozinha, vai para casa, olha para os lados e enfia a cabeça no travesseiro.

Volta para fora (...) Vê Elias voltar da Máquina de Costura, meditativo e taciturno, mas não o bastante para não perceber aquele olhar lânguido e aquela expressão entristecida. Se aproxima perguntando em voz baixa e tom carinhoso, o motivo daquela carinha de quem ganhou e não levou...

- Dor de cotovelo. Tá todo mundo namorando agora, menos eu.

- Isso é tão importante pra você?

- Muito... Já tenho idade pra fazer as coisas, sabe? As coisas... Que eu nunca fiz...

- É este mesmo o ponto? Certo... Me acompanha?

A leva a Patrícia, que a enche de afagos e a leva para o coreto. Ele volta para casa, já menos taciturno, mas ainda meditativo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Dead Train in the rain CLXV

    Ligações antigas. A estação 165 tem um guichê para explicações onde nossos protagonistas passam algum tempo, mas já voltam. Todos à bordo, o trem vai partir.


As lices grandes ensinam as irmãs a lidarem com a academia, mostram as diferenças básicas para com as outras e a ausência de bobos fazendo poses para selfies, em vez de se exercitarem (...) Cada uma com uma irmã, Alice fica com Felice, o que significa mais foco na administração...

- Nossa aparelhagem foi comprada para ser utilizada, aparelho parado é prejuízo, por isso eu gosto mais de fazer manutenção constante ou troca, do que tirar ferrugem por falta de uso.

- Eles colocam moedas nas máquinas, que nem pescador de brinde?

- Não, eles pagam mensalidades... Mas pay per use não é uma má idéia...

Depois conversa com as outras lices e com os avós, agora quer mostrar a lida por vezes áspera com os fornecedores (...) Karen aplaude a iniciativa das filhas, mas pede que não exagerem. Antes de ir descansar, Alice tem mais um compromisso, na Máquina de Costura, desta vez a mãe vai com ela. Espera a conversa secreta terminar e vai ter com a tia Patty, quer que ela seja sincera...

- Não, nunca. Ela tem treinamento militar, é boa de tiro, mas nunca precisou matar. Por que essa aflição?

- Medo. Se ela precisar matar alguém, outro jura vingança...

- Não vai acontecer. Karen, Alice é uma mulher, ela sabe o que está fazendo e não está só. Quem é dos nossos nunca está só.

- O mundo está ficando muito perigoso, tia Patty.

- É por isso que ela é necessária. Ela já ajudou a evitar ataques como os de onze de Setembro, sua filha não é uma amadora. Confie nela e em mim.

A jovem e discreta agente Window aguarda o término da conversa (...) Patrícia faz o que pode para acalmar a moça, mas liga para Enzo assim que elas saem. Explica em síntese o aumento das semelhanças entre Karen e Silvia, neste ponto. Alice é quase invisível, passa facilmente por uma multidão sem ser reconhecida...

- Mas neste ponto você tem que dar razão, é a filha dela que está no meio de um mundo em que ela nem sabe o que realmente existe.

- Eu sei. Conheço esse mundo e também me preocupo, quando mando o Ricky em missão... Não demora para Phee e Sandra também receberem incumbências mais sérias... Mas eles são tão úteis e remoer isso é tão inútil...

Conversam os seis no dia seguinte. Rebeca facilita a conversa, explica que tem sim porrada, de vez em quando, já chegou a dar tiros, mas que quase sempre é tranqüilo (...) Lá fora, Luppy dá ração a Lady Spy e volta a polir a jukebox, imagina o que estariam conversando de tão sigiloso. Lá dentro pesam os documentos já vazados sobre Patrícia (...) É uma das conseqüências da disseminação da tecnologia, e de gente que banca o herói sem investigar tudo o que deveria...

- Por exemplo, com base nos documentos de 1988, eles poderiam ter chegado facilmente aos radicais que queriam uma terceira guerra  mundial, mas para eles os vilões da história e responsáveis até pela extinção dos dinossauros, somos nós, então o que mostraram lhes basta. Sacaram? Mostrar um mundo pior do que o real é o mote da imprensa de hoje... Luppy?

Ouviram o grito da diarista, mas nenhuma reação de Lady Spy. Abrem a porta e vêem Josephine diante de uma fã em prantos (...) Há anos afastada das telas, mas não do cinema, suas aparições públicas são cada vez mais raras e concorridas. Lá fora, enquanto Nelson conversa com os Richards, um paparazzo reconhece o general e logo deduz que a diva talvez esteja lá. Não demora para a frente da casa ficar novamente intransitável.

Com a diarista já socorrida (...) Parícia conta à madrinha os assuntos em pauta desde ontem. Ela esperava por isso, não tão cedo, mas esperava. Tem tranqüilidade para explicar que a função que os colaboradores exercem é similar à dos serviços secretos (...) consegue tranqüilizar o avô a ponto de ele poder tranqüilizar a mãe da agente. Luppy não entende patavinas do que falam, se limita a exceder voluntariamente suas funções de diarista e servir um lanche.

A casa não demora a encher-se de afilhados da diva. Ela verifica milimetricamente cada um, ouve com atenção e dá as devidas réplicas, depois se dá o direito de abrir o mar de paparazzi e (...) logo ver Nancy e conhecendo os três novos pupilos...

- Os filhos da Luppy?

- Sim, meus novos alunos. Eles ainda não estão em idade escolar, isso facilita muito. Ano que vem começam na fundação.

Cercam as crianças com cuidados e monitoram o que já aprenderam. Happy Moon chega após abrir caminho por entre aqueles bisbilhoteiros, com a barriga já aparecendo e se dando o direito de não responder perguntas idiotas, como “Você está grávida?” e outros excessos de obviedade...

- Ainda são muito jovens, terão muito proveito na fundação. O que você ensinou até agora?

- Nada. Até agora só os estudei e corrigi alguns pontos.

Nancy lhe passa seus pareceres, alerta para o gênio da menina, que é também a mais carinhosa com Beef. Luppy quase surta quando sabe que Jose De Lane esteve com seus filhos e participou da aulinha de hoje. Aliás, a respeito do nome...

- Minha bisavó era filha de mexicanos, se chamava Lupita. Minha mãe quis me dar o nome dela, mas meu pai encrencou e o pessoal do registro entrou no meio pra apaziguar. O nome agradou aos dois e ficou assim.

- Patrícia, onde você arranjou esta contadora de histórias?

- Plastic Village. A gente acabou ajudando quem hoje me ajuda. Meio cármico, não?

- Dharmico, eu diria. Tenho o dia inteiro para ouvir mais histórias, chérie. Conte mais.

Convida-se para passar a noite na Máquina de Costura (...) Quando estão a sós com os quatro moradores remanescentes da casa, Josephine explica o que fazia na estrada para Summerfields, naquela fria manhã de 1961 (...) estava desviando de emboscadas das quais Grant a avisou...

- Era para eu pegar um carro no aeroporto de Quebec e começar o laboratório, mas fui avisada de que os mentores do atentado que sofri queriam terminar o serviço, então mantive a viagem agendada e parti uma semana antes, naquele Alfa Romeo C6.

- E você se esqueceu de abastecer porque estava em uma ligação, recebendo instruções.

- Precisamente, chérie. Grant me avisava a qualquer novidade, mas na época não tínhamos celulares, eu tinha que parar de vez em quando para comunicados. Dormi seis vezes em casas de colaboradores, mas em Michigan ainda não tínhamos nenhum...

Pormenoriza sua aventura, antes e depois de conhecer Patrícia. Chegou ao local das filmagens já pronta para o papel. Patrícia comenta “Era um belo carro!” no que voltam à discussão sobre a falta de personalidade crônica da indústria mais poderosa do mundo, especialmente a automobilística. Na casa em frente, Renata leva mais um susto com Naomi, a menina se agarra ao pescoço da mãe e solta “Desculpe ter te matado, eu fui estúpida”. Matthew fica com os grisalhos arrepiados até a barba. Vão os três logo de manhã bem cedinho à casa religiosa (...) Encontram Phoebe com os pais, ela os arrastou para lá assim que terminaram com o treinamento diário, essa menininha mandona...

- Acho que vocês sabem por que estamos aqui.

- Mamãe e eu sabemos. Vem pra sobrinha, vem!

A menina (...) corre para o abraço. Marcia explica um acontecimento dado na Guerra do Peloponeso, onde e quando as duas eram soldados e não tinham escolha, um tinha que morrer (...) não houve crueldades...

- E cuidou bem da gente. Era um soldado solteiro, que tinha perdido os pais em um naufrágio, quando viu na viuvez da tia Patty a chance de se redimir um pouco e ainda ter uma família.

- A Patty? A nossa Patty? Ela era minha esposa?

- Essa amizade de vocês duas vem de looonge! Vocês não estão nos falando coisas demais, não?

- Não. Não para vocês. E por agora é só, sua mãe vai saber lidar com isso, com a sua ajuda.

- Vocês dois levem minha irmã pra brincar com as meninas, vou ter uma conversa com meus pais.

Matthew dá mais trabalho do que Renata, como Marcia previu (...) Mas o que conversam coloca as coisas nos trilhos e evita qualquer constrangimento. Não sabem por que revelaram isso a esta altura da vida, mas pode ser um bom presságio. Renata chega à Máquina de Costura a tempo de se despedir da madrinha. Começa ver sua turma com outros olhos, imagina que todos lá têm uma ligação comum de longa data, no que ouve “Mais longa e forte do que imagina, imperadora” por uma voz suave e gutural.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Dead Train in the rain CLXIV

    Sunshadow, jacarés e heróis. A estação 164 tem uma parada curta para ligar pontos e arrematar nós. Todos à bordo, o trem já vai partir.


Juan se anuncia, entrega aos seis o modelo do almanaque do próximo mês. Glenda quer permanecer o máximo possível na fazenda (...) evitando o máximo possível o contacto com gente negativa. Aprovam o modelo, eles podem mandar rodar. Evitam o máximo mandar documentos pela internet, para evitar interceptações indevidas. Deixa-os conversando sobre os shows conjuntos e se concentra na filha em gestação. A bruxa está terminando de acender incensos de rosa branca no quartinho de Elvira.

Enviam o material às prensas e esperam pelos exemplares. É uma vida de trabalho árduo, mas é mansa, de ritmo lento e constante (...) Eddie e Amilton observam da sombra de uma macieira, remanescente do pomar original. Da entrada do museu Deborah e Crazy Horse observam os quatro. Às vezes ele pensa se não seria bom voltar à vida errante na estrada, então olha para aquela senhora que zomba do tempo e esquece tudo mais. Em uma semana ela embarca com Eddie para um show conjunto em Orlando.

É tempo suficiente para Luppy fixar tudo o que pode, o que não pode e o que deve fazer. Nancy está de olho nela (...) Enquanto o Airtrain cruza o continente nacional, com o Airwagon logo atrás, ela vai conhecer um pouco daquela moça. Tem uma dívida de gratidão para com a banda (...) não garante coisa alguma, só facilita. Recorre a uma curiosidade genuína, sobre como é a vida em casas de plástico...

- Eu tenho saudades da casa onde nasci... Mas não posso reclamar, eu leio todos os dias noticias de gente que tá até hoje morando em trailer, casa de parentes... Não era o que eu sonhava, entende, mas é meu, lá dentro eu mando e não dou satisfações a ninguém.

- Entendo. Como seus filhos vêem isso?

- São crianças pequenas, nunca conheceram outra vizinhança.

- Desculpe minha curiosidade, eu sou professora desde muito jovem e me interesso por crianças. Eduquei minha filha e seus amigos, meus netos, bisnetas e agora também minhas trisnetas...

- E quem não sabe – diz sorrindo? A senhora é a professora mais famosa da América! Queria que os meus filhos fossem educados por alguém como a senhora, mas...

- Traga-os. Teremos todo prazer em ajudar, eu e Stephanie. É o que mais gostamos de fazer.

Ela liga para o marido, que (...) leva os filhos para a Máquina de Costura. Ela vê a menina albina e deduz muitas coisas, ser negro ainda hoje pode ser um problema, ser negro albino pode transformar um problema em uma tragédia. Lembra-se bem dos comentários perversos de quando Evelyn nasceu. Vai utilizar seu aprendizado com o caso para prevenir o pior com a pequena. Começa ao piano, que os petizes nunca tinham visto ao vivo.

Na Flórida a banda é recebida por uma multidão e pela banda com que dividirá o palco. É uma turma com poucos anos de estrada, meio indie, meio anos sessenta, uma mistureba que gerou muitas críticas no começo (...) Vão para a fazenda de aligatores do baixista. Os bichos não dão a mínima para a movimentação do outro lado da cerca, mas são um bom motivo para os bisbilhoteiros respeitarem os limites da propriedade. A conversa é muito animada...

- O terceiro andamento de “Bel Air Farm” é muito setentista – exclama Renata!

- Não tinha como não ser. Eu estava chorando quando compus, sabe? Lembranças da minha avó.

Trocas de conversas de bastidores, algumas surpresas e dúvidas sobre as mais recentes teorias conspiratórias, que versam sobre a gigantesca e outrora veloz 4-4-4-4. Robert racha de rir com a conversa de que Elvis (...) seria responsável pela manutenção do monumento.

Em Los Angeles, Melinda termina com a papelada de Barney, manda darem andamento e vai se despedir de Josephine, com a filha estagiária abraçada. Ele mostra o contracto aos parceiros, depois à família (...) Doravante terá que ensaiar entre as patrulhas. Há uma entrevista para o fim do ano, quando estiver devidamente pronto para o estrelato, até lá vai cantar em bares e restaurantes onde já agendou apresentações, inclusive o do antigo emprego.

As duas são recebidas por Yuri, já meio calvo (...) com a reputação profissional consolidada. Logo atrás, após os abraços...

- Meeeeeeeel!

- Deeeeeeee!

Vão abraçadas ao carro, diante da imprensa que sempre fala dessa cumplicidade invejável das gêmeas. Nem tudo o que falam de sunshadow é ruim (...) Mas as polêmicas que cercam sua irmã não as poupam, sã vistas também como coordenadoras remotas da conspiração de Patrícia, que está muito ocupada com o ensaio para se preocupar com eles. Como de costume, manda nas duas bandas. No intervalo, o vocalista a aborda sobre o episódio em que levou Phoebe à Casa Branca, acompanhadas dos Richards, de Josephine e mais gente...

- Sim, era necessário. Jose fez questão de ir e ela fez uma diferença enorme.

- Só por causa de boatos sobre a Phee?

- Boatos que têm um pequeno fundo de verdade, inclusive por ela ser filha de um herói de guerra e neta de uma pessoa que já esteve envolvida nos bastidores do poder mundial; eu.

- Foi estranho, deu a impressão de que todo mundo estava... Como direi...

- Todo mundo mancomunado comigo, eu sei, já me perguntaram isso. Acontece que todo mundo lá estava envolvido directamente no caso, falamos todos diante dos caras da CIA, pra cortar a neura pela raiz.

- E a Jose foi garantia de que vocês sairiam ilesos da Casa Branca, entendi... Mas, vem cá... Você confia no Obama?

- Não. Eu não confio e nunca confiei em presidentes. Não teria chegado onde estou, se confiasse.

- Se o debate político já terminou, estão nos esperando na copa.

Sandra puxa a madrinha e logo se vê envolvida por ela. O que disse esclareceu, mas também deu muita margem para interpretações, quem sabe até algumas canções com o tema. Vão ao festim preparado pela futura formação, que se esmera em herdar os amigos da banda (...) No cabideiro da copa se vê uma bolsa de pele de aligátor, que a tecladista se apressa em dizer que foi tirada de um animal que morreu de velho.

À noite (...) as quatro avisam aos outros que vão salvar o mundo e já voltam. Um colaborador de base tem informações frescas sobre a Patriot Secret League (...) Muito organizada, evita a mídia, não dá declarações e faz questão de continuar não existindo para o público, aparentemente funciona nos mesmos moldes da organização, com outro foco e métodos específicos. Entrega a ficha de vários que já confirmaram ser membros, por cruzamentos de dados e investigação de suas vidas...

- Conheço o caso... Ursula Blacke, viu marido e dois filhos assassinados por uma gangue de mexicanos... Desses que se revoltam contra o sistema e ficam piores do que ele, manchando a imagem de uma comunidade inteira... Foi violentada e sofreu aborto no local... Isso corta o coração.

- Parece a história piorada do Batman – comenta Knockout.

- Só que é real... É real e não são poucos os casos afins... Pensando com meus botões... Se ela sofreu tudo isso e teve a dignidade de fazer algo bom com seu trauma, pode ser uma líder da liga.

- Fly também acredita nisso, ela trabalha em um hotel a uma quadra do escritório central...

Elas abrem seus largos sorrisos, ficou muito fácil. Imaginam o que essa liga faria, se tivesse os mesmos recursos da organização, que custa alguns bilhões de dólares anuais aos colaboradores. O orçamento deles é bastante modesto, não chega a doze mil dólares por ano (...) Elas pensam, conversam com o colaborador, ele confirma algumas suspeitas, afirma que ela é uma ghost driver moderada, então decidem que ela ganhará alguns dos brindes das promoções do jubileu de ouro. É comum a banda dar brindes surpresas, então, ao balcão do hotel...

- Ursula Blacke? Muito prazer, eu sou Julia Foster e você mandou um cupom do almanaque de Abril, que foi sorteado...

Um misto de euforia controlada e pavor, pela presença de uma celebridade que pode expor demais sua figura, mas o prêmio é  muito bem-vindo: Mobília de escritório, computador topo de gama, impressora 3D, scanner multi função, insumos, bateria residencial, sistema de segurança com infravermelho, um drone grande e potente com câmera, um gerador a diesel e outras coisas mais (...) Eles passam um dia inteiro instalando tudo, mas como ficam felizes (...) se livrando da mobília que dava um aspecto deprimente de cortiço que acabou de passar por uma inundação. A organização adopta a liga.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Dead Train in the rain CLXIII

    A mulher da casa de plástico. A estação 163 Traz uma colheita de uma semeadura antiga, que dará esporos renderá outras. Fiquem atentos e embarquem, o trem vai partir.


De volta ao quartel general...

- Wow... O que vocês escondia debaixo dessa discrição tão arraigada?

- Eu quase morri de vergonha, Ursula, juro!

- Mas fez seu trabalho de modo impecável. As informações que você mandou permitiram desbaratar uma gangue que não conhecíamos. X-Fish conduziu a polícia bem na hora do flagrante, nem tiveram tempo para reagir.

- Grande garota! Então os ventos finalmente estão soprando a nosso favor?

- Estão... Não quero me precipitar e baixar a guarda, mas estão... O que me diz deles?

- Dark Avenger estava certo, ela tem sua própria equipe, pude perceber pelo modo muito reverente como algumas pessoas se aproximavam dela, mesmo com a naturalidade com que ela os recebeu.

- Que bom! Você vai fazer amizade com eles, certo?

- Não precisei, já me consideram gente de dentro. Fui apadrinhado pela Dead Train... Aqui... Me deram algumas canções de presente, pro meu primeiro álbum.

- Secret Patriots! Vamos fazer um coral e ajudar nosso irmão de sina, depois é claro das comemorações!

Enquanto comemoram (...) Star convoca toda a cúpula para o que Bird e a guarda imperial descobriram. Os trinta mil pares de olhos identificaram várias pessoas em atitudes suspeitas em centenas de episódios (...) Os trechos dos milhares de vídeos são exibidos e explicados, quando alguns deles chamam especial atenção...

- Sim, Angel?

- Star, eu reconheço seis deles. Aquele do septuagésimo quinto, centésimo décimo quarto e bicentésimo oitavo trechos, ajudando a salvar policiais e sumindo, é o Barney!

- Tem certeza?

- Absoluta!

Santa memória prodigiosa! Revêem os trechos, ampliam, retificam a resolução e reconhecem-no (...) todos abrem sorrisos largos pensando “Encontramos vocês”. Repassam todos os trechos e Phoebe ajuda a revelar as identidades civis de todos eles (...) Os deixarão acreditando que estão anônimos e os manterão assim para o resto do mundo, o problema agora (...) é conquistar a confiança de um grupo que prima por se manter anônimo e demonstrou confiar em quem nem sabem quem realmente é.

Voltam felizes à vida civil, cientes de que têm gente valorosa ajudando a limpar o mundo. E por falar em limpar (...) Encontram Chuck e ele dá as fichas dos neonazistas, com provas suficientes para eles serem enquadrados por apologia ao crime e outras nojeiras do gênero. Entregam o material para Tobby, que com todo prazer vai escancarar para o mundo mais um pedaço podre que teima em infeccionar a América...

- Nesta noite, na companhia de representantes da CIA e do FBI, mostraremos como radicais religiosos se aliaram inescrupulosamente aos nossos velhos inimigo de guerra, sem pudores...

O drama dele é muito convincente. Os acusados babam de raiva (...) São reconhecidos assim que colocam os pés na rua, já não são mais os vizinhos discretos, agora são espiões dos inimigos da América. Abandonam a casa e somem no mesmo dia (...) Os Arautos do Apocalipse festejam, têm certeza de que sua santa teve algo a ver com isso, agora poderão voltar a celebrar seus cultos ao ar livre, sem medo. Manterão a sobriedade e a discrição (...) mas a sisudez é agora uma página da história.

&

- Por que as pessoas não gostam de mim?

Dói no coração da mãe ouvir isso. Prudence pega Natasha no colo (...) Não pode mentir, ela já percebeu que muita gente a olha torto, já leu comentários desagradáveis com seu nome bem grifado (...) A precocidade começa a cobrar um preço alto. Deixa um pouco o computador e vai falar com a mãe. A menina ainda espera pela resposta, mas viu que algumas coisas precisam acontecer antes que ela venha. Patrícia ouve, enquanto passa o aspirador nas cortinas, e um drone adaptado o faz nas partes altas da sala...

- Quem não gosta de você, Nat?

- As pessoas.

- “As pessoas” não existem, meu amor. Se não tem nome, não tem rosto e não tem voz, então não tem importância.

- Eu li.

- Vovó tem muitos anos, muita gente já veio na minha cara e disse que não gosta de mim. Essas eu levei a sério, os outros eu simplesmente passo por cima. Quem importa, ama você. O que “as pessoas” pensam não tem importância, isto tem importância...

Larga o aspirador e abraça as duas, com os afagos e sacolejos que celebrizaram seu estilo. As leva ao coreto (...) Comenta que ainda hoje deve chegar a diarista que lhe prometeram, já não tem mais tempo e saco para limpar a casa dentro do seu padrão de qualidade, não sozinha. Ana Clara e Elisa estão muito entretidas com a BYOP, Arthur tem a agenda lotada (...) ela então nem se fala. A campainha de sete tons toca, é ela. Negra, baixa, rechonchuda com longas madeixas rastafári, é o que Melanie descreveu...

- Olá, Luppy! Seja bem-vinda! Eu sou Patrícia Petty.

Ela e essa mania de se apresentar. A mulher mais conhecida do mundo sempre se apresenta no primeiro encontro. A mulher entra encantada naquela casa mítica (...) é uma dos que a banda ajudou, quando precisou fornecer as moradias temporárias que se tornaram definitivas, na hoje conhecida Plastic Village. Casada, jovem mãe de dois pestinhas e uma pequena encrenqueira albina. Moram todos na casa aonde seus pais a levaram, quando perderam a hipoteca (...) Eles faleceram em um acidente de trem e ela ficou sozinha até se casar.

Luppy estranha Natasha, pensava que a brancura que via pela mídia fosse edição de imagem. A menina percebe o olhar (...) Roupas curtas são só para horários específicos do dia, se queima facilmente ao sol...

- Mais uma coisa... Minha neta está se incomodando com o tratamento que recebe fora de Sunshadow. Seja gentil com ela, inclusive no olhar.

- Como assim? Tão bonita, tão adorável, tão...

- Tão branca, quer dizer? Isso não é empecilho para discriminação, sua reação é só um exemplo. Tome cuidado, a disciplina a que é submetida em casa já basta para ela se preparar para o mundo.

Aviso feito, lhe dá uma demonstração de como deve fazer a limpeza de uma casa cheia de objectos de época (...) Mandy pede licença, interrompendo sutilmente a conversa, chegando da academia. A nobre cumprimenta a novata e pede uma palavrinha com Patrícia. Vão para o coreto, observadas. Os modos da nobre lhe são estranhos, é como se fosse uma garota rica. Prudence esclarece quem é (...) Uma garota negra bilionária com trejeitos europeus e que ajuda nos negócios da família. Dá nó na cabeça...

- Todo mundo aqui é esquisito?

- Não, só os que moram na cidade. Hey, Nat, desfranze esse cenho. Ela está tratando de negócios, por isso pediu privacidade, daqui a pouco vem tomar um chá com a gente.

- E você? Também vai ser artista quando crescer?

- Deus me livre! É encrenca demais, eu quero ser é astrofísica.

- Ra, ra, ra, ra, ra...

O nó está arrematado. Enquanto Prudence ri da filha, Luppy tenta entender essa escolha. A pequena conhece mais do sistema solar do que muita gente com diploma (...) se encanta é com imagens de telescópios e radiotelescópios. Patrícia traz uma Mandy mais sorridente e vão todas à copa, preparar chá mate e assar pães de queijo. A recém-chegada é avisada para se acostumar ao paladar goiano, Sunshadow adoptou muito da culinária de Goiás.

Os outros a conhecem no decorrer do dia, com as muitas visitas a que a casa está acostumada. Conhece a banda inteira, a nova formação, os pais da banda, os paparazzi mais íntimos (...) Volta para casa com muitas histórias para contar, mas pede discrição às crianças, seu bom e bem pago emprego depende disso.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Dead Train in the rain CLXII

    Os heróis. A estação 162 mostra uma das faces mais bizarras e românticas dos Estados Unidos, mas útil a quem souber aproveitar. Embarquem, o trem vai partir.


Despedem-se. Os pais de Elias voltam para casa e ele volta para a sua (...) Robby volta com os pais, perguntando como é o Brasil, se fica longe, se podem ir amanhã cedo e voltar à tarde. Enya se vira para ele com aquele sorriso de triunfo...

- Não foi tão mau.

- Agradeçamos a Richard Gardner. Ele evitou que fosse uma tragédia.

- Sim, à parte os motivos do sucesso, não foi tão mau.

Ele fica em silêncio, não tem mais o que acrescentar. O menino pergunta quando os avós voltam, ele diz apenas “Um dia” e se cala (...) Enya conta a Patrícia, após a reunião com a banda. “Você faz parte da vida deles” e “Mas eles não fazem da minha” reverberam em sua mente (...) Olha para Arthur, eles trocam alguns sinais discretos e ele concorda, faz muito tempo que não visita o primo (...) vai acompanhar Enya para pagar essa dívida, e ver até que ponto ele está se protegendo de agressões passadas.

Enquanto Arthur conversa com o primo, e pastores de televisão declaram guerra “a quem se declarou santa sem a permissão de Deus”, os seis voltam às questões da banda. Alguns artistas querem shows conjuntos ainda para este ano, em cima da hora, por isso nem todos serão atendidos (...) Ronald e Robert notam que vários deles são amigos, sugerem que esses participem juntos. Mandam o recado, eles aceitam e mais espaço é aberto na agenda (...) A Dead Train providencia a orquestra, caberá a eles o lugar da apresentação. Tudo acertado, vão para o merecido descanso, antes de Los Angeles e San Francisco.

Serão shows em praticamente cidades gêmeas, embora não univitelinas. A hospedagem é a de sempre, o Jose’s Hotel, onde a banda é toda recebida pela madrinha (...) Lá fora os paparazzi e suas imitações toscas tentam ver e registrar alguma coisa, além da chegada dos ônibus e a descida festiva dos músicos (...) os limites do santuário em que se transformou a propriedade são respeitados, os drones sobrevoam até o limite, se valendo do zoom para obter imagens, mas sem ultrapassar as grades.

O luxo sóbrio e recatado ainda hoje domina o ambiente. Anita coordena a criadagem para os hóspedes se sentirem em casa (...) Passam a manhã enchendo a madrinha com afagos, até irem ver o palco preparado por ela para a apresentação (...) De longe, enquanto eles testam e vêem onde ficará o quê, um operário negro de quase dois metros e muito musculoso, observa Patrícia e Phoebe. Estuda seus gestos, o modo como conversam, tons de voz e posições preferidas no palco. Patrícia é inequivocamente a líder.

Testam a acústica, afinam os instrumentos e começam a ensaiar. O observador aproveita um pouco (...) sem baixar a guarda. Enzo e Ronald improvisam ao piano, brincam um pouco, arrancam risos e terminam por hoje. Voltam para a sesta de praxe, a que os membros da orquestra ainda estão se acostumando. Ele vai atrás, sempre se oferecendo para ajudar (...) solicitude a que a banda está acostumada, mas sempre agradece. Ele nota a força física de Phoebe, quando ela carrega as avós ao ônibus, o faz sem grande esforço. Vão na manhã seguinte ao palco de San Francisco, que Melinda vistoriou minuciosamente, chegou ao exagero cômico de pentear o carpete (...) Voltam a Los Angeles para o descanso indispensável à performance. Ele também vai descansar, terá trabalho nesta noite.

Nelson conversa com Patrícia a respeito de sujeitos fantasiados que se consideram super heróis (...) parecem ter uma atração especial pelo litoral. Estão cheios de boas intenções, mas às vezes atrapalham mais do que ajudam, não todos é claro. Master Legend é um desses vigilantes que conseguem ajudar a polícia...

- Ele não é apenas um gordo em uma roupa de malha cheia de enfeites, ele ajuda realmente a prevenir e combater o crime. Mas tem muitos que buscam holofotes e causam problemas sérios.

- Coitados, tão ingênuos – diz Patrícia. Ricky faria recheio de pastel de qualquer um deles, mas não é com ação pessoal que nós resolvemos os problemas do mundo.

- Mas, sabem? Eu gosto disso – diz Renata. A dedicação que esses meninos têm no combate romântico ao crime, é a mesma que fanáticos têm ao terrorismo, só que para o bem. As raízes são bem próximas, algumas são até as mesmas.

- Meu medo é alguns deles começarem a acreditar que realmente são heróis e decidirem acabar com a ameaça à paz mundial... Já pensou no estrago?

Lá fora, misturado aos paparazzi, na sombra das árvores, Dark Avenger manda informações para The Patriot Secret League (...) Está resistindo ao impulso de invadir a propriedade, está com seu uniforme debaixo das roupas comuns.  Um carro está saindo. Phoebe levará Carly em um Thunderbird amarelo 1955 até a casa de um amigo (...) Os paparazzi ficam em súvidas se seguem ou não o carro, combinam de dividir o material e elegem alguns, Dark Avenger consulta a central e vai.

É impressionante ver aquela mulher sair daquele esportivo (...) ela ficou quase toda de fora. O artista as esperava à porta do prédio e é saudado pela tietagem de quem já tem fãs. Sobem, após a chuva de flashes. Dark Avenger manda as imagens para a central, notou coisas que os olhos destreinados não perceberam (...) Descem meia hora depois, elas precisam estar calmas e descansadas para a maratona de um show em Santa Monica, um em San Francisco e voltam para mais um em Santa Monica.

Chegam ao palacete com a conversa já sendo concluída. O vigilante recebe uma mensagem da central, algumas photos que puderam ser publicadas renderam dez mil dólares (...) para pagar as contas da central, por algum tempo (...) Passa a noite em sono técnico, acordando a qualquer sutil mudança no ambiente. Acorda quando ouve sons familiares, como os de academias de artes marciais. Utiliza uma aparelhagem compacta para detectar de onde vêm; vêm do deck da piscina. Não demora para ouvir bramir de espadas, sabe identificar o que pode estar acontecendo lá dentro. Os outros não discernem muita coisa (...) O som de água e risos denuncia o fim dos treinos. Eles são mais numerosos e bem treinados do que imaginaram... Ele nem imagina o quanto e quantos!

&

O show tem início com uma histeria ensurdecedora da plateia. No meio, em trajes comuns, estão três outros heróis da liga (...) é a melhor missão que os três já tiveram. Na segunda fase do show, Patrícia chama aquela garota hiper entusiasmada e cheia de energia, para uma conversa no palco (...) X-Fish sobe como se fosse a oportunidade de sua vida, e é...

- Barbara Bloom.

- Fiquei impressionada com você, hoje raramente vejo jovens com o seu pique durante um show inteiro!

Ser super herói demanda boa forma física (...) Ela grava tudo ao seu redor (...) Vozes, ruídos de fundo, freqüências que o ouvido humano não capta, batimentos cardíacos, enfim, os minutos de brincadeira rendem muito mais do que a diversão prometida. Os outros recebem os dados e reenviam para a central (...) Vai um grupo a cada show, com ao menos um se destacando na multidão e chamando a atenção da banda.

Na manhã seguinte, antes de saírem, Josephine chama os seis, Sandra e Phoebe para o escritório, entrega um envelope de tamanho padrão com ilustração elaborada de um escudo que seu conhecimento de heráldica não reconheceu. Nem Ronald o reconhece (...) o leão em posição de ataque com uma chave empunhada. The Patriot Secret League em manuscrito dourado dá uma idéia do que seja. Rebeca testa, vê se não há pó ou mecanismo, puxa a fita na parte serrilhada e tira um papiro artesanal. A caligraphia é primorosa, quase tanto quando a de Phoebe...

- “Saudações, pessoas boas da Dead Train! Somos gente comum que se dedica a ajudar a manter o bom andamento de nossa sociedade. Como sua líder Patrícia Petty, agimos no sigilo que acreditamos que terão com esta mensagem. Pedimos desculpas, em primeiro lugar, por tê-los vigiado de perto e investigado, no decorrer de sua estadia, mas precisávamos ter certeza de que muitos dos boatos que correm a seu respeito, são falsos. Felizmente são, como nossos cientistas concluíram após analisar maduramente os dados enviados a seu respeito. Essa investigação começou em 2010 e agora teve o seu desfecho, muito feliz, diga-se de passagem. Não queremos publicidade, assim como vocês não esperam por reconhecimento pelo que fazem, apenas queremos agradecer vocês por serem as pessoas que esperávamos que fossem. E um alerta: assim como os investigamos, mais gente também pode estar fazendo o mesmo, sem as intenções que nos nortearam. Não sei se alguém já o fez, mas lhes damos as boas vindas formais a Los Angeles, estaremos por perto quando voltarem, para o caso de precisarem. Incluímos Melinda Petty em nossas vigílias, sabemos como ela tem enfrentado empresários inescrupulosos. Sem mais, que logrem êxito as intenções que praticam; Dead Hope, conselheira dos heróis do Patriot Secret League”.  Cara, isto aqui é sério???

- Alguém levou a fantasia ao nível profissional! É letra de mulher, quase certeza – diz Phoebe.

- Eu vou me odiar por isso, mas... Julia, venha pra cá, tenho um serviço para os nossos colaboradores... É...

- Pedindo ajuda à sua guarda imperial, minha rainha? Chego aí num instante!

Pega o helicóptero do programa (...) Finalmente a guarda imperial fará um trabalho a pedido de sua majestade, por seu próprio interesse. Os paparazzi vêem a aeronave descendo atrás do palacete. As ordens são simples, investigar, informar e manter sigilo. O aparelho decola e eles voltam para Sunshadow, após responder as últimas perguntas dos paparazzi, no que Patrícia aproveita...

- Então vocês realizam mesmo alguns desejos de fãs?

- Em sigilo, sempre em sigilo. Nos é pedido, se estiver ao nosso alcance é feito e a identidade de quem pediu é preservada. Todos, em qualquer circunstância.

Dead Hope gosta de ouvir isso pela televisão. Ela se levanta (...) e vai ao trabalho (...) Ursula há muito deixou de ser sua identidade para ser seu alter ego. Vê Melinda chegando, para os trabalhos de conclusão de projecto, antes de voltar para casa.

&

A primeira providência de Patrícia, após os abraços e sacolejos, é chamar os membros locais da organização. Todos. Pormenoriza o que pode e avisa que já mandou gente investigar o caso...

- Não é o padrão desses heróis fantasiados que andam por aí. Você confia neles?

- Não sei, dad. Tiveram a chance de fazer mal, mas nos fizeram um alerta válido.

- Pode ser o caso de eu ver algo nos registros das forças armadas. As informações são vagas, mas permitem eliminar muitas possibilidades.

A sugestão de Krumb é acatada. Um grupo disciplinado e organizado, pode ter recebido treinamento militar (...) O certo é que eles demonstraram desconhecer de Patrícia o que a imprensa não revelou, o que é um alívio. Instruções dadas e compreendidas, voltam às suas vidas pessoais. Vão ver como andam as obras da cidade subterrânea. Lá está Daniel, sorrindo de orelha a orelha (...) Mandy aplicou, feliz, suas economias em seu primeiro empreendimento, uma escola de balé no subterrâneo. Já conversou com o corpo de balé da orquestra e conseguiu muitos interessados. Também seu projecto está restrito ao seu círculo íntimo; o círculo íntimo de um sunshadower é incrivelmente grande, para os padrões conhecidos.

A fidalga austera (...) agora está em fase adiantada de planejamento. Alunos potenciais já tem, tia Patty prometeu arranjar professores à altura de seu padrão de qualidade, está falando com eles agora. Estão todos mortos há alguns anos, esperando pela oportunidade de recomeçar a vida no tablado...

- Então, o que me dizem?

- Eu já posso começar a treinar?

- Não vejo a hora!

São encaminhados à MacBeth Gym, onde Alice e Mandy os esperam com um espaço preparado para eles. A cidade está ficando muito aristocrática para o gosto de muita gente (...) A banda viaja para shows na Cidade do México e Acapulco (...) O Another Train os aguarda para abrir os shows, fazer as honras da casa e participar das filmagens. Também há um séquito de fãs (...) loucos para que Phoebe estrele uma novela local ao estilo Maria do Bairro...

- Mas hein??? O que eles andaram fumando?

Dead Train e Another Train caem na risada (...) Vão para o estádio, têm um terreno para reconhecer, apesar de seu cover oficial já ter feito testes (...) O ouvido absoluto da gigante da turma aponta alguns que (...) nenhum maestro na plateia teria notado, mas ela notou e corrigiu. O show é cercado de muitas polêmicas ligadas à líder das bandas, mas sua recusa em aceitar o rótulo de santa atraiu a simpatia dos religiosos, que insistem em chamá-la de alteza (...) coisas que o jet set ama.

Alguns contactos secretos são feitos com agentes locais da organização e da inteligência oficial (...) Um membro da PSL está entre os fãs também como fã, mas foi designado para ajudar a proteger Patrícia. É conhecido como Mars Storm, pela rapidez e fúria quase indefensáveis com que consegue reagir. O rapaz louro, baixo e musculoso está atento ao ambiente (...) E novamente um Patriot é chamado ao palco, de onde ele tem uma visão privilegiada e identifica de uma só vez treze potenciais problemas, aos quais a segurança está atenta, mas não baixará a guarda só por saber disso...

- WOW! Cara, que voz! Você dançou pra caramba e tem uma voz de arrasar! Carly, vem cá... Faz um dueto com ela, pra mim?

- Eu faço Mireille mathieu e você o Paul Anka, que tal?

- Eu nunca cantei na vida – diz embaraçado em seu baixo.

- Encara isso como uma luta cara, eu te ajudo.

De luta ele entende. A sugestão funciona e ele simplesmente arrasa com “You and I”. Patrícia o declara cantor profissional, quer ele queira, quer não. Manda pelas câmeras de televisão que Audrey dê a ele todo o apoio de que precisar (...) Ele é convidado de honra na turnê, para ganhar experiência e uns trocados também. Barney da Silva (...) torna-se um astro instantâneo. Ele sabe manter a discrição mesmo debaixo de holofotes, a carreira então será só ajuda para a liga.