terça-feira, 25 de novembro de 2008

O fichário e o Polyvore

Quando eu era pequena eu tinha a mania de sair recortando todas as revistas Nova/Elle/Cláudia que eu encontrava pela frente. Um dos meus maiores passatempos era cortar as roupas da seção de moda e colar em um fichário, meus primos achavam isso muito estranho, mas eu passava muito tempo sozinha, então, tinha que inventar minhas brincadeiras.
O fichário (a capa era roxa e verde, com desenhos do Scooby Doo) eu não sei que fim levou, mas até hoje eu ainda me lembro de algumas roupas que eu colei lá: vestidos das Spice Girls, várias botas (eu sempre tive fixação por sapatos), e provavelmente qualquer item que tenha estado na moda lá por 1997.

Eu cresci e esse hábito ficou para trás... Até a semana passada.
Aconteceu como sempre acontece, eu estava matando tempo na internet e acabei encontrando por acidente um site que me fez reviver os tempos do fichário: o Polyvore.
Lá você cria “sets” combinando todos os tipos de roupas, sapatos, bolsas e acessórios que a sua imaginação permitir, e tudo isso sem precisar mutilar revistas e usar tubos de cola.
Ainda estou engatinhando, como vocês podem ver aqui:


Rafa

Mas lá tem gente que faz coisas assim:

Lilli

E gente que faz arte:

Moonpiglet

Rachel 179

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Cuidado! Eles estão entre nós




Lembra daquela vez em que você colocou um vestido novo e alguém disse que você ficava pálida de cor-de-rosa? E quando você pintou o cabelo e te disseram que antes estava melhor? E aquela outra vez, em que você tirou uma boa nota e o seu colega disse que o legal não era fazer uma boa redação, e sim ser craque em matemática? Não se esqueça daquele dia em que o cara mais lindo do pedaço te deu bola e a sua amiga disse que ele faz isso com todas.

Você já passou por isso, ou por situações parecidas. E a culpa é toda dos dementadores. Eles estão entre nós.

Dementadores são seres que se alimentam da alegria e da esperança alheias. Eles sugam todas as boas sensações, as boas lembranças e transformam a pessoa num trapo. Na série Harry Potter, eles são representados por seres encapuzados, que flutuam, nunca mostram o rosto e têm as mãos podres.

Na vida real, eles não são tão assustadores. Têm forma humana, como eu e você. Mas existem. Existem e fazem questão de mostrar que estão presentes. Sabe aquelas pessoas que se comprazem em te puxar para baixo? Então, elas são os nossos dementadores.

Os nossos dementadores são tão loucos, mas tão loucos, que não se contentam em te ver mal. Se você está resfriado, com cólica, pegou chuva e quebrou o salto numa tampa de bueiro, eles podem até ficar um pouco felizes. Mas o objetivo deles é outro: provocar a infelicidade alheia. Eles é que querem estragar o seu dia, não querem que as circunstâncias o façam. E é aí que mora o perigo.

Conviver com uma criatura dessas, em casa, no trabalho, na Internet, na escola, na rua, não é uma tarefa agradável. Felizmente, os dementadores do dia-a-dia são bem previsíveis. Geralmente, fazem comentários ferinos ou contam alguma história triste. Fazem questão de lembrar que, seja o que for que você pretenda fazer, não vai dar certo. Dementadores também gostam de dizer que são melhores que você, ou que você não é bom o suficiente em alguma coisa.

Para combatê-los, na vida real, não adianta simplesmente berrar “Expecto Patronum!”. Não vai adiantar, e eles ainda vão espalhar por aí que você é louco. Comer chocolate também não é uma boa idéia. Eles vão dizer que você já está gordo e/ou com espinhas demais.

No fim das contas, o que acaba mesmo com os sugadores da felicidade alheia é isso: ligar o botão do “foda-se” e deixar que os dementadores sigam seu caminho, loucos da vida, por que não conseguiram pegar você. Quer tentar?


Já aviso que a solução do problema é temporária. Amanhã, ou daqui a quinze minutos, eles voltarão a te incomodar. Como é que eu conjuro um patrono, mesmo? Harry, ajuda aqui!

domingo, 23 de novembro de 2008

O bom filho...

A carta que podia ser minha:

Fernando, você perdoe essa carta que eu desejaria que fosse mais alegre e animadora, como é animadora uma carta sua. Sobretudo para justificar minha insegurança que faz você ficar surpreendido... Mas você deu minha resposta única: "só você sabe a custa de que sacrifícios, no íntimo sou frágil, incerta, descontrolada". Você se espantaria se eu lhe dissesse exatamente isso: você é que tem uma segurança que eu admiro embora saiba a custa de que ela é feita. Me diga como você tem trabalhado, o que tem lido, como vai essa forma de ser alegre que é sua bateria.

[Clarice Lispector, para Fernando Sabino.
1946. Mas podia ser hoje.]

Este é um pequenino trecho de uma compilação das correspondências entre Clarice e Fernando, durante alguns anos. Ganhei esse livro há alguns anos e é daqueles que a gente tem dó de terminar. Eu vou lendo uma carta por vez, imaginando como devia ser a letra de Clarice, quanto tempo Fernando se demorava no texto. E como essa dupla de amigos estreitou seus laços apesar do oceano (Fernando morava nos EUA e Clarice, na Europa). E como um envelope pode preencher o espaço de milhares de quilômetros.

E que bom pertencer a um envelope que, apesar de não ter selos e nem cruzar o Atlântico, nos torna íntimos, companheiros.

Wellcome back pra mim!

sábado, 22 de novembro de 2008

No mínimo setenta


Ninguém deveria morrer com menos de setenta anos. Pessoas com sessenta ainda têm algum viço, muitas têm energia de sobra e uma década é o mínimo para passar aos mais jovens sua experiência de vida. Quando se passa dos setenta, provavelmente os netos já têm uma certa idade e sentirão menos a separação. Além do quê, gente que trabalhou pesado a vida toda, passa a ter o trabalho intelectual da sabedoria para se manter activo e descansar o corpo.

Mas há pessoas que deveriam viver, no mínimo, até os oitenta e cinco. É gente que faz a diferença, que impõe respeito aonde quer que vá. São as pessoas que se dedicam a algo que não seja a satisfação pessoal ou os negócios da família. Esse tipo de gente não tem só experiência de vida, tem uma bagagem moral que uma década não basta nem para começar a ensinar. Ainda que o corpo não responda mais a contento, a mente continua lúcida e afiada, pronta para despejar seu repertório a quem quer que se interesse.

Há um grupo, porém, que não deveria ir embora antes dos cem anos. São verdadeiros missionários, gente que abre mão de sua própria vida pessoal para se entregar a uma causa. São pessoas que dão às outras esperanças para continuar a labuta, não esmorecer enquanto ainda têm forças e acreditar que ser justo vale à pena. Esse grupo chega às raias da verdadeira bondade, ainda que com uma vara de marmelo nas mãos, tem a sabedoria de quem sabe que não vivenciou mais porque não pôde, que quando pôde fez o que quis. Se deixou de ir às baladas, foi para se dedicar a algo ou alguém que julgou merecer. Entre seus prazeres e o conforto do próximo, escolheu este.

Um quarto grupo faz falta, não importa o quanto demore a desencarnar. Podem eles chegar aos cento e vinte, que mesmo assim o cortejo fúnebre estará repleto de inconformados. São pessoas que tanto se deram àquilo em que creram, e fizeram com tamanho amor, que passaram a ser veneradas. Estas despejam em uma hora de conversa, mais conteúdo do que a maioria acumula durante a vida inteira. Quando podem e querem, vão às festas, passeiam pelas praças, comem pizza com coca cola. Mas não pensam duas vezes antes de deixar o prato à mesa, se lhe chama a urgência. Hora, distância, localidade, custo, dificuldade, nada disso tem tamanho para essas pessoas. Se vivessem na região do Mediterrâneo antigo, entrariam para a história como mitos, semi-deuses ou deuses cujas vidas antes do Olimpo seriam contadas por escritores e philósophos de todo o mundo. Algo como "Cristina, Deusa da Fraternidade". Gente que, mesmo falando de amenidades, nunca é fútil, nunca se arrasta pela maledicência. Se tem vontade de esganar alguém, ignora a vontade até que passe, mas não se furta ao dever de corrigir a conduta de quem lhe é a competência. São pessoas das quais tudo o que se falar é pouco.

Mas há um grupo numeroso cuja passagem deveria ser regulamentada por lei. Filhos jamais deveriam morrer antes dos pais. Só isto já tornaria o mundo mil vezes melhor do que é.

É amanhã, ai meu Deus!

Durante o início do ano, fomos avisados de um ano atípico, iríamos enfrentar um concurso cruel, com concorrentes cruéis. Hoje, faltando apenas um dia para prova, me dei conta de que, diferentemente do que a política do terror, provocada pela sede de resultados, feita pelas escolas diz, o vestibular não se trata de uma competição cruel, com concorrentes cruéis. O fato de se fazer essa imagem é um grande erro e prejudica os próprios concorrentes, já que a ideia de um concurso prevê vitoriosos e derrotados e, como ninguém quer ser o próximo a ter a vida apontada como péssimo exemplo durante as aulas de Biologia, todos levam o estudo de forma equivocada

Durante todo ano, levei os estudos com uma relação de simples treino; estudei de forma intensa - bem, nem sempre-, mas não pensando em aprendizado, ou de crescimento interior, mas pensando em resultados, pensando em uma possível vitória ou derrota. Isso me fez desenvolver uma relação peculiar com os estudos, criei um ciclo de culpa, no qual me sentia culpado quando não estava estudando, e pressionado a aprender quando estava com os livros na mão -sempre pensava que meus concorrentes estavam aprendendo, enquanto eu começava a aprender.

Ao acordar, fiz a reflexão que deveria ter feito desde o início: o vestibular não se trata de uma competição, se trata de uma jornada de amadurecimento, na qual temos de ter determinação e de abdicar de algumas coisas por senso de responsabilidade. E por mais que o medo de perder assuste, o que realmente importa é ter a consciência de que levei minhas responsabilidades com um grau de maturidade que nunca havia tido até então.

Quando era criança, eu era o pior nos esportes, mas nem ligava, continuava tentando melhorar. Sem nem ligar para as minhas limitações, continuei tentando, até um dia chegar a ser ao menos o segundo a ser escolhido para o time. Deveria ter levado os estudos dessa forma esse ano, mas acontecesse que, quando praticava esportes, não havia coordenadores e professores me pressionando, nem dizendo que meus erros poderiam ser fatais.

Mas, de qualquer forma, esse meu pensamento veio antes da prova e posso fazê-la com ele, o que me deixa mais tranquilo...

Agora chega, néam? Esse é meu último dia para descansar e não vou bancar o marido da Sandy e ficar postando em blog, quando deveria estar aproveitando o dia... então, vou mijogar no cinema...


Esse texto é dedicado a Muri (se tem uma pessoa que se esforçou esse ano, foi você), Janna (filha, cê chegou a estudar SETE HORAS por dia, sua consciência deve tá limpa como o ar de Natal), Carol (pára de pensar no resultado e se mantenha o foco nas provas), Tuza (nunca lhe vi se esforçar tanto) , Aline (por mais que eu ache que cê não vai ler isso aqui, quero que saiba que você é a única estudante passível de admiração, na minha opinião... hahaha, cê estudou muito, mais que Janna, só precisa ter calma) e Mônica (tão linda, criando responsabilidade!) e, é claro, ao Frank (Pelé pride).


Gente, rezem, orem, façam macumba, joguem os búzios, meditem, deitem no tapete e rezem para Alá para eu passar, sério!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Água, cigarros e um Valium

Uma noite de sábado, um qualquer.

As luzes apagadas. Só a televisão trazia alguma claridade ao ambiente.

Na pequena mesa ao lado da poltrona, um copo com água, um cinzeiro, um maço de cigarros e uma cartela de comprimidos, com um único restante.

Na poltrona, ele. Com os olhos vermelhos, devido às noites sem dormir. As costas doíam. Os olhos também. A cabeça também. O ar lhe faltava, em alguns momentos.

Não, não estava morrendo. Os médicos não encontraram nada. Todos os exames estavam normais. Eram apenas a ansiedade, o nervosismo, a falta de perspectiva. Esses eram os problemas. E isso que lhe tirava o sono, e agora começava a lhe afetar a saúde.

Pegou um cigarro, e acendeu. Olhava para a TV, mas sem ligar para o que passava. Não aguentava mais ver notícias dizendo que a Bolsa de Valores da casa do chapéu tinha caído, o que ia provocar recessão no mundo todo.

Afinal, embora as bolsas no mundo inteiro estivessem em baixa, todos os seres humanos continuam acordando todos os dias, saindo pra trabalhar, e comprando alguma coisa. O dinheiro continua rolando no mercado, o que equivale a dizer que nada mudou, quase. 90% da população mundial não investe em ações.

"O mundo vai continuar a girar", ele pensou. "As pessoas vão continuar a viver".

E sua vida continuava na mesma, também. Sem novidades, sem nada de bom acontecendo. De ruim, às vezes, acontecia. Mas nada de especial. No fim, as coisas continuavam iguais.

Tomou um gole de água, e devolveu o copo à mesa. O cigarro estava amargo. Mais do que o normal.

Mas isso não importa. O que importa é o pequeno comprimido restante na cartela. Ele é que vai trazer a paz. A paz prometida. A paz pro coração e pra mente.

Aquele pequeno pedaço de areia branca. Vai fazer os olhos se fecharem, e por uma noite, vai fazer a realidade sumir.

Sonhos podem vir, podem acontecer. Mas de qualquer forma, vão ser melhores que a realidade.

Ele tira o comprimido da cartela, e o leva à boca. Toma mais água pra descer, e retorna o copo à mesa, outra vez.

Desliga a TV. Agora é apenas ele e a escuridão.

E que venham os sonhos...


E que venham os sonhos... Quaisquer sejam eles...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Poeminha de quinta



Enquanto a chuva não dá uma trégua e minha inspiração para postar está tão distante quanto os dias de sol, fui buscar no baú dos meus poemas um pra pôr aqui. E desculpem pelo trocadilho do título, mas eu não resisti...
A imagem ao lado me parece bem sugestiva quanto ao teor do poema e foi retirada de:
http://www.naniques.blogger.com.br/Mulher%20sombra.jpg

Embate

Ele se ri à minha face,
e seduz-me fácil assim,
vem em seu mais doce disfarce,
dançando em volta de mim:
canta-me todas as fraquezas,
e joga-as aos meus pés,
confunde-me as certezas,
e dirige-me ao revés.
Ele vem suave, manso,
meu destino corroer,
oferece-me o descanso
dum eterno padecer...
Faz tão certas as derrotas,
previsíveis tantas quedas,
traz fechadas todas as portas -
nem sequer deixa-me uma fenda...
Ele vem, maldoso, cínico,
falsos dotes me louvar -
traz, em seu sorriso irônico,
pedras para eu tropeçar.
Mal sabe que já o adivinho,
que seus truques já não me atraem,
que eu quero o meu caminho:
meus passos não se distraem;
mal sabe que, em cada luta
é à vida que eu abraço,
e o que agora minha alma escuta
é o destino, que eu traço.