quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A incrível, sensacional, fabulosa e fantástica buzina.

Ah, a buzina. O trânsito não seria o mesmo sem ela. O mundo. O universo. O equilíbrio que mantém todas as coisas dela depende.
Poucas pessoas têm a exata dimensão da importância da buzina.
Então, aqueles que têm a mente estreita e a alma involuída, tentem acompanhar as proezas e glórias da incrível, sensacional, fabulosa e fantástica buzina.
Tratarei a vocês como meus discípulos. Então se concentrem e mentalizem a seguinte situação: você está preso num engarrafamento gigantesco. Não importa se uma família inteira morreu, importa que você está ali, sem poder dirigir. O que você deve usar, ó discípulo? Sim, ela! A buzina! Ao tocar nela, todos os carros ao seu redor desaparecerão. O trânsito fluirá como mágica. As flores abrirão e você seguirá, lépido e fagueiro, a seu destino.
Um outro exemplo, ó incrédulo leitor. Imagine-se numa larga avenida. Nela, o seu inimigo, o ser do mal, o inominável... semáforo. Ele sabe que é você quem está chegando. Ele sente sua presença e se alimenta de sua angústia. Ele fechará para você. Mas agora você poderá exercitar seu conhecimento superior e tocar a sagrada buzina! O semáforo teme esse som. Ele saberá com quem está lidando. E se abrirá, respeitoso, à sua inefável presença.
Mas não é apenas para seu deleite que ela existe. A buzina também ajuda aos demais, quando não aliviando os trânsito nas situações anteriores, é também essencial para educar o pedestre. Sim, ele, outro inimigo mortal, mas com o qual você precisa ser educado por causa de alguma lei idiota aí. Se ele estiver atravessando a faixa, buzine! Não existe o menor risco de o pedestre se assustar e acabar se acidentando. Pelo contrário, ele saberá o seu lugar e atravessará corretamente a faixa. É especialmente recomendável usar este método com idosos, pessoas com dificuldades de caminhar ou levando crianças ou pacotes.
Por fim, saibam que a buzina é extremamente terapêutica. Nada como aquele som melodioso, agradável, tranquilizante vindo de todos os lados quando se está no trânsito. O mais bacana é que algum gênio inventou diversos sons para ela: mugidos, frases engraçadinhas, som-de-caminhão, trechos do tema de "O poderosos chefão" e de "La cucaracha", uma maravilha.
A propósito, isto tudo que escrevi acima é sarcasmo. Quer ter uma boa lição do que alguns se tranformam no trânsito?
http://www.youtube.com/watch?v=RMZ3bsrtJZ0

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Deixa a luz do corredor acesa!

Você se lembra dos medos da sua infância? Não estou falando do Velho do Saco, nem da cobra que mordia as pessoas na seção de hortifrutigranjeiros do supermercado, nem dos ciganos que roubavam crianças (eles já tinham tantos filhos, pra que iriam querer mais?). Estou falando daqueles medos que a tevê e o cinema colocavam na gente. Quem nunca ficou dias sem dormir por causa de um personagem fictício? Eu passei várias noites em claro, por medo desse pessoal mostrado abaixo.



Cuca, do Sítio do Pica-Pau Amarelo: É o primeiro personagem assustador de que tenho lembrança. Nos anos 80, praticamente todas as crianças assistiam ao Sítio e aposto que muitas delas temiam a Cuca. Essa personagem nada mais era do que um jacaré com cabelos longos, que dava risadas histéricas e planejava maldades, na frente de um caldeirão. Que medo! Eu tinha tanto medo dela que, uma vez, ao olhar pela janela, a vi no quintal de casa. Na verdade, era um coqueiro balançando ao vento. Pelo menos foi o que a minha mãe falou...

Professor Astromar, da novela Roque Santeiro: Ele tinha uma aparência muito esquisita. Pele branca e macilenta, cabelos pretos e sobrancelhas também pretas, que se sobressaíam. Era muito inteligente, fazia discursos em que empregava palavras difícies e... virava lobisomem. O que eu não sabia é que o Professor Astromar nunca se transformou em lobisomem, ao longo da novela. Isso só aconteceu no último capítulo. Bastava tocar a música –tema do personagem e eu me escondia atrás do sofá. Não sei se eu tinha mais medo da música ou dele. Mesmo morrendo de medo, não deixei de assistir ao último capítulo de Roque Santeiro – eu e todos os brasileiros que tinham tevê em casa. Estávamos todos na praia, com os primos, e ninguém quis demonstrar tamanha covardia. Vimos Professor Astromar virar lobisomem e perdemos o sono por muitas e muitas noites.


Zé Ramalho, cantor: Ele cantava “Mistérios da Meia-Noite”, tema do Professor Astromar. Isso bastou para que eu passasse a vida toda com medo do Zé Ramalho. Até hoje, se duvidar. Acho que ele também vira lobisomem, viu? Ouvir os primeiros acordes dessa canção ainda me arrepia os cabelos da nuca.

O Homem-Cobra, filme B: Era um daqueles que passavam incontáveis vezes no SBT, assim como o Walligator. Só o assisti uma vez. Eu e meu primo estávamos passando uns dias na casa do meu avô, quando o filme começou. O vô ainda perguntou se a gente tinha certeza de que queria assistir àquilo. Nós quisemos. Resultado: mais uma noite mal-dormida, para ambos. Nem lembro da história direito, parece que um homem trabalhava num criadouro de cobras, foi mordido e se transformou em uma. Completamente idiota, mas assusta.

Poltergeist, o Fenômeno: Era um filme proibido lá em casa. Minha mãe nunca deixou que a gente assistisse. Mas, toda a vez que anunciavam o filme, mostravam aquela cena da menininha sendo engolida pela televisão. Foi o que bastou para me aterrorizar por uma década. Como se isso não bastasse, o filme tinha fama de amaldiçoado. Parece que duas atrizes do elenco tiveram morte prematura. Eu, hein?


Tubarão, aquele filme que todo mundo já viu: Quer coisa mais idiota do que ter medo do filme Tubarão? Que motivos eu teria para ter medo de uma criatura dessas, se eu nem moro na praia? Não sei, mas eu ficava morrendo de medo por dias, depois que assistia a esse filme. E ainda ficava imaginando o que eu faria se me deparasse com um tubarão no próximo veraneio... Correr, gritar e morrer, seria a resposta.

O que eu não sabia, quando criança, era que deixar a luz do corredor acesa não ajudava em nada. Afinal, a luz criava sombras na parede... E sabe-se lá em que criatura aterrorizante essas sombras poderiam se transformar...

sábado, 26 de setembro de 2009

Nas próximas eleições

O eleitor terá na sua frente provas materiais contra seus candidatos. Serão filmes que as emissoras não terão apresentado, mas circulam na internet para quem quiser ver.Serão documentos assinados pelos candidatos, com reconhecimento de firma, mas eles dirão que não foram os autores, que querem calar a voz do povo com calúnias, derramarão uma retórica vazia e cheia de erros de português, após o quê serão aclamados. Investigações mal-explicadamente arquivadas não serão lembradas, palavras que os próprios candidatos reiteraram várias vezes terão sido esquecidas em um passe de mágica, bastando eles aparecerem com suas famílias, então o "estupra, mas não mata" será página virada.
A extrema direita vai defender que o policial deve executar o suspeito em via pública, sem acusação formal, a extrema esquerda vai defender que o policial seja um mariquinha. Qualquer um que tenha um plano decente será rejeitado, pois não proporciona o espetáculo que o povo deseja.Vão prometer que as escolas serão revitalizadas e que todos os alunos passarão de ano, mas ninguém vai garantir que eles aprenderão algo. Escolas em tempo integral são caras e não dão retorno em menos de dez anos. Bandas marciais são caras e não dão retorno antes das próximas eleições. Aulas de música e philosophia não são tão caras, mas dão resultados antes das próximas eleições que os candidatos tremem só de pensar.
Aparecerão palhaços apelando para o ridículo para conseguir votos, pseudocelebridades sem talento que tentarão garantir ao menos quatro anos de mamata, vítimas de crimes ou tragédias apelando para o bom coração do povo para ganhar votos. Os que realmente terão chances de ganhar apelarão para a barriga e para o instinto vingativo, mantendo o eleitor no estado medievalesco em que se encontra.
Os mesmos jornais que hoje denunciam o mau caratismo do congresso, abrirão suas páginas para qualquer um que pague pelo espaço, como se fosse um anúncio qualquer. O eleitor, privado da formação do senso crítico, não perceberá a manipulação nem sempre sutil das informações em prol desse ou daquele candidato. Não perceberá que um simples flagrante photográphico, que pode nada ter a ver com a realidade da figura, formará uma imagem distorcida em seu subconsciente, distorcida o bastante para fazê-lo titubear ao digitar os números na urna.Todos farão parecer que está nos futuros eleitos a solução para as mazelas do país, e que o povo deve esperar sentado as ordens para agir como e quando for determinado. Assim que o dotô mandar, todo mundo vai ao mutirão que distrairá as atenções dos problemas que ele mesmo causou. Mas o povo gosta de circo, quando mais horrores, mais ele aplaude.
Ninguém notará que o Brasil é refém de três poderes que brigam entre si para ver quem pode (e ganha) mais, em vez de arcarem com os compromisso assumidos.
Ninguém notará que aquele machão que prega a pena de morte para qualquer crime de qualquer idade, é dono de empresas de segurança privada que faturam muito com a criminalidade. Colocar polícia e sociedade em conflito faz parte do jogo.Ninguém notará que muitas idéias só não deram certo, porque nunca foram realmente postas em prática. Ninguém quer se inteirar de pormenores, até porque nem todos sabem o que significa "pormenores".
Poucos se importarão em saber quem terá financiado as campanhas, destes poucos, menos ainda se perguntarão o porquê de as terem financiado. O povo não tem discernimento para pensar de quem é o dinheiro que pagará a conta. É tudo do governo, assim como os sinais de trânsito e as repartições públicas, que podem ser depredados pois o povo nada tem a ver com eles. Ninguém pegou uma nota do bolso e entregou para a construção do posto de saúde, então o dinheiro usado foi do governo, não do povo.
Passagens das vidas pessoais dos candidatos com chances de vitória serão usados contra eles, ainda que não tenham peso algum na competência, ou que sejam cousas já enterradas. Mas é espetáculo, eles sabem que um circo de aberrações pode influenciar os resultados das urnas.Por fim, o povo sairá do pleito exactamente o mesmo. E eu com a convicção cada vez maior do que é opinião: Opinião é a distorção da percepção da realidade subjugada pela conveniência.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Casablanca kinda Style

O garçom se aproximou, para anotar seu pedido.

Ele pediu um dry martini. Não era o seu preferido, mas só queria que o garçom fosse embora. Não queria companhia, nessa noite. Nenhuma.

Só queria por os pensamentos em ordem, repensar a vida. Tomar novas decisões. E ter paz no coração.

Não olhava em volta. Não percebia o mundo. Apenas pensava nos últimos dias.

Em tudo que havia ocorrido.

A batalha interna pela própria vida ainda não havia terminado.

"O pior já passou", pensou ele. De fato, já havia passado, sim. Mas ainda não era o fim.

Segurou o crucifixo em seu peito, pedindo novamente forças pra seguir em frente.

O garçom voltou com seu martini.

Ele tomou um gole. Desceu amargo.

Mas tudo bem. Era só pra ficar sozinho, mesmo. Não gostava de martini.

Olhou para as roupas pretas. O colarinho branco.

Sabia que teria que tomar uma atitude, a partir de agora.

Olhou, dessa vez, em volta. Na verdade, não conseguia fixar pensamentos.

Se deu conta que havia um piano, e um negro careca e sorridente tocava.

Ao olhar do outro lado do salão, se deparou com os olhos verdes.

"Play it again, Sam...", pensou ele.

E a noite mal havia chegado.


"Play it again, Sam..."

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Férias com humor mais triste no andar de cima em homenagem ao monstro sagrado

Como havia prometido, farei um post para os vencedores da promoção "um post só para você". Como todas as sugestões foram ótimas, fiz um tesoura-e-cola com todos eles e, ainda, tentei homenagear uma atriz muito querida, Dirce Migliaccio.

Se, como disse Nanael , em Goiás, o chavão é "Férias no Araguaia", bastando recortar-e-colar as fotografias e personagens, um chavão televisivo de minhas férias eram as reprises de "O sítio do pica-pau amarelo". Vi algumas dessas com a Dirce em seu memorável papel de Emília.

Tesourecolamente falando, não houve Emília como Dirce. Só ela sabia fazer aquele olhar cobiçoso, só ela sabia desprezar paolabrachianamente o Visconde de Sabugosa. Aliás, aposto como vai ter alguma charge fazendo o melhor de todos os viscondes, André Valli, esperando-a no céu.

Em tempo, alguém já pensou nisso : http://www.acharge.com.br/index.htm.








A Gabi tem razão quando cita o famoso, irritante e chavonístico "Hoje o humor brasileiro fica mais triste". dirão isso da Dirce, ou algo muito parecido. No Video Show, como disse Luna, vão dizer que "Dirce foi pro andar de cima". O Faustão, ainda segundo Luna, falará que "Dirce Migliaccio foi um monstro sagrado da televisão brasileira".

Com certeza, farão as perguntas bestas que Luna citou para os amigos e familiares: "Como a senhora se sentiu quando soube que sua grande amiga Dirce morreu sozinha e praticamente esquecida no Retiro dos Artistas?". Perguntas bestas são pré-requisito absoluto para o jornalismo. Certeza.

Detalhe para as reportagens do Retiro e o Stephan Nercessian dizendo que precisamos dar mais atenção a quem tanto nos trouxe alegrias e que dedicou sua vida a nosso entretenimento (é mais-que-chavonístico, mas ele tem razão, reconheçamos).

Nas tesouras-e-colas que se farão, todas essas frases nesse post estarão batendo ponto e vão passar férias com humor mais triste no andar de cima em homenagem ao monstro sagrado. Um deles, que eu vou ser obrigada a corcordar, é a permanência do talento de Dirce. Pena que, como diz aquele outro famoso chavão, "esse é um país sem memória".

Mas alguns de nós não somos sem memória, não. Tanto que esse post todo remendado é uma homenagem a ela e à bonequinha de retalhos que ela soube tão bem representar. Mas, para mim, por mais que eu ame de paixão a Emília de Dirce, ela será eternamente a Juju Cajazeira. Ninguém conseguia fazer aquele olhar de adoração ao Odorico Paraguaçu como ela.

Update! Agora no tuíti: @teologaVS

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ai, que agonia!

Por mais desprendidas que sejamos em relação à vaidade, não tem jeito. Em um momento ou outro, temos que cuidar da beleza. Se não ficamos realmente belas, pelo menos mostramos ao mundo uma aparência apresentável. Para isso, temos que fazer alguns sacrifícios. Sentimos dor, agonia, vontade de largar tudo pela metade. Só não o fazemos porque a outra alternativa é ainda pior. Ou alguém aí gosta de sair na rua parecendo uma mulher de Neanderthal?

Pensando nisso, enumerei algumas das coisas que mais detesto fazer, em relação à aparência, a fim de ficar "decente".

Lavar os cabelos no salão

Não existe nada mais desconfortável do que ficar sentada naquela cadeira-lavatório, com o pescoço dentro da “bacia”. Nessas horas, a gente percebe que os nossos músculos, nervos ou que quer que seja têm vontade própria. E o quão antinatural é ficar naquela posição. Quanto mais você se incomoda com a sensação, mais a lavagem dos cabelos tende a demorar. Parece que você é uma mendiga que não lava o cabelo há meses, e não uma moça limpinha, de tanto que o cabeleireiro esfrega, enxágua, repete o xampu e reinicia todo o processo. Ao levantar, você se sente como se tivesse ido a 30 shows de heavy metal em uma semana.

Tirar as sobrancelhas com pinça

Não dói quase nada, mas incomoda muito. Não acaba nunca. Você tem que ficar de olhos fechados, se alguém tirar a sobrancelha para você. Ou tem que ficar de olhos abertos, quase com o nariz colado no espelho, se for você mesma que fizer o trabalho e for míope. Fico extremamente agoniada com aquela sensação de microagulhas pinicando a minha pele. E com a demora do processo. Sempre tenho que me controlar para não levantar e sair correndo. Resolvi esse problema depilando as sobrancelhas com cera. Dói menos e é mais rápido. Dizem que a pele da pálpebra é sensível demais para isso. Tô nem aí, baby. O que eu não quero é passar trabalho.

Lixar as unhas dos pés

Que agoniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia!!! Pra que perder tempo lixando unhas menores que uma ervilha? Quem é que vai notar que elas foram lixadas? Ninguém. Mas eu me submeto a isso a cada quinze dias (ou quando não chove, ou quando não está frio demais, ou quando não me dá preguiça). A solução? Lembrar de mencionar esse fato à manicure, dizer a ela que se preocupe só com as unhas do dedão. As outras são café-com-leite, cortar com a tesoura já chega. Será mesmo?

Lixar os pés
Parei com essa bobagem! Meus pés nem são cascudos, nem rachados. Pra que ficar lixando? Tenho cócegas e odeio sentir cócegas. Um bom exfoliante, uma vez por semana (ou quando não chove, ou quando não está muito frio, ou quando não me dá preguiça) é mais do que suficiente.

Limpar os “cantinhos”, depois de pintar as unhas

Um dia ainda vou criar uma comunidade no Orkut: “Eu odeio tirar os cantinhos”. Os motivos: dá uma trabalheira danada, não termina nunca, nunca fica perfeito, às vezes o esmalte fica encruado e não quer sair nem com reza, às vezes o esmalte sai de onde não deveria sair. E dá uma agonia, claro. Sempre a agonia. Já tentei pintar as unhas borrando o mínimo possível e funcionou às mil maravilhas – na mão esquerda. Se nós fôssemos seres realmente evoluídos, seríamos ambidestros. Fica a dica. Tenho em mente um método revolucionário para a limpeza dos cantinhos. Se der certo, dividirei com o mundo. E não estou falando de tirar tudo no banho.



Depilar as pernas

Com cera, dói. Com lâmina, eu sempre me corto. Creme não remove pêlos porcaria nenhuma. O que fazer? Eu optei pela cera, porque dá menos trabalho. Não tenho que fazer nada, só ficar deitada e gritando da boca para dentro. Ainda assim, é melhor do que sair do banheiro com as pernas banhadas em sangue (exagerada). Se fôssemos seres realmente evoluídos, os humanos do sexo feminino não teriam pêlos nas pernas. Fica a dica.

sábado, 19 de setembro de 2009

Aos marxistas de boutique

Eu sou a favor de uma reforma agrária, mas sob hipótese alguma compactuo com a desordem e com a venda de terras compradas com o dinheiro que eu entreguei, sob a forma de impostos onerosos.Eu sou contrário ao hedonismo capitalista, mas qualquer inteligência mediana que se ponha a pensar, perceberá que quebrando a empresa, os funcionários ficam desempregados; vide a Gurgel.
Eu sou a favor de um sistema público de assistência, educação e saúde. Mas sob hipótese alguma aceito que pessoas fisicamente hígias ganhem tudo de mãos beijadas, sem dar uma hora diária que seja em favor da coletividade; como acontece muito em Goiás, onde beneficiários fogem da qualificação profissional para não perderem a mamata.
Vocês pensam que em países comunistas é assim? Acham mesmo que lá se pode fazer baderna quando uma decisão do governo não agrada? Quem lhes disse que o cerceamento da iniciativa e da opinião levou prosperidade a alguma civilização?
A grande maioria de vocês ainda esperava na fila para reencarnar, e os que já estavam aqui ainda cheiravam a cocô e urina, por isso mesmo nunca viram reportagens e depoimentos de fugitivos de países comunistas. Se ditadura fosse algo bom, ninguém fugiria de uma. Eu que conheci os anos de chumbo posso dizer a vocês que não abram mão de suas mesadas e de seus MP4: Cresçam. Em vez de lerem só o que os partidários escreveram sobre Guevara, leiam também o que os opositores falaram dele. Busquem nos sites as matérias e os textos de época sobre os países da Cortina de Ferro.
O que estão fazendo com vocês, que aceitam placidamente essa lobotomia virtual, é doutrinação. Exactamente o mesmo que o Partido Nacional Socialista fazia na Alemanha entorpecida.
Eu sou socialista, mas não sou um idiota que cospe no prato que come e anos mais tarde se corrompe, fazendo tudo o que condenada e dizendo "Esqueçam tudo o que eu escrevi". Tenho os pés no chão.Querem mudar o mundo? De verdade? Muito bem, vamos lá...

  1. Antes de arrumar a sociedade, aprendam a arrumar seus próprios quartos. Suas mães não são suas empregadas;
  2. Antes de participarem de passeatas, que muitas vezes terminam em baderna, vejam o histórico dos participantes. Vocês podem estar exaltando e seguindo criminosos;
  3. Estão com pena dos pobres? Sair quebrando tudo nunca resolveu o problema da pobreza. Junte seu bando de amiguinhos, fiquem alguns dias sem comer porcarias plastificadas de lanchonetes multinacionais e dêem de comer aos famintos. Como eu faço, como qualquer um com os pés no chão faz. Quem tem fome precisa de comida e trabalho, não de discursos retóricos ululantes;
  4. Por falar em multinacionais, qual a marca de seus celulares? E de seus tênis? Camisetas? Vocês podem muito bem viver sem tudo isso;
  5. Se querem uma sociedade justa, sejam justos primeiro com suas famílias. Salvo raras excessões, a casa com computador e todo conforto de que vocês desfrutam hoje, foi conseguida com trabalho honesto. Seus pais não são bandidos, respeitem-nos;
  6. Se conseguem ver com tanta facilidade as mazelas de um lado, vejam também as do outro. Falar mal de Guantánamo e fechar os olhos para os fuzilamentos de inimigos de um partido único, é mais que hipocrisia, é falta de vergonha na cara;
  7. Não tentem impôr sua ideologia, da mesma forma como vocês não gostam que imponham outras a vocês. Vocês não sabem nem o que é melhor para si mesmos, quanto mais para os outros. Vocês sequer conhecem os outros;
  8. Seus heróis são ou foram homens, não deuses, portanto podem sim ter falhado e com certeza falharam, como qualquer humano. Então baixem suas cristas que qualquer um com mais de quarenta anos conhece esse calcanhar de Aquiles;
  9. Ditaduras não respeitam o meio ambiente. Se vocês forem à China e esboçarem um protesto não autorizado conta a gigantesca usina hidreléctrica que estão construindo no Rio Amarelo, correm o risco de nunca mais voltarem;
  10. Gostam de protestar contra o governo democrático em que nasceram? Podem continuar protestando. Graças à luta e ao trabalho da minha geração, a sua pode se dar esse direito. Mas, por favor, depois de se divertirem nas ruas, vão estudar para aprender e não só para passar. Porque foi assim que transformamos o pouco que conseguimos transformar;
  11. Aliás, as pessoas contras as quais hoje vocês protestam fizeram exactamente o mesmo que vocês fazem hoje, a diferença é que na época havia uma ditadura. Pois é, todos os envolvidos em escândalos na última década eram exactamente iguais a vocês, sem tirar nem pôr. Como eles, vocês também podem ser corrompidos, então tenham humildade;
  12. Por falar nisso, já que leram Guevara e Marx, leiam também e com a mesma voracidade, a vida de Henry Ford. Vão perceber que ele era muito mais libertário e socialmente avançado que qualquer um deles. Ele empregava negros e mulheres em uma época em que isto era perigoso para a imagem de uma empresa;
  13. Recapitulando: Mudem a si mesmos, seus maus hábitos e a indolência crônica e aguda que tomou conta de sua geração. Depois poderemos falar de mudar o mundo, o que não se dará pixando, depredando e cabulando aulas.

De seu amigo Nanael Soubaim.