segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Deixa a luz do corredor acesa!

Você se lembra dos medos da sua infância? Não estou falando do Velho do Saco, nem da cobra que mordia as pessoas na seção de hortifrutigranjeiros do supermercado, nem dos ciganos que roubavam crianças (eles já tinham tantos filhos, pra que iriam querer mais?). Estou falando daqueles medos que a tevê e o cinema colocavam na gente. Quem nunca ficou dias sem dormir por causa de um personagem fictício? Eu passei várias noites em claro, por medo desse pessoal mostrado abaixo.



Cuca, do Sítio do Pica-Pau Amarelo: É o primeiro personagem assustador de que tenho lembrança. Nos anos 80, praticamente todas as crianças assistiam ao Sítio e aposto que muitas delas temiam a Cuca. Essa personagem nada mais era do que um jacaré com cabelos longos, que dava risadas histéricas e planejava maldades, na frente de um caldeirão. Que medo! Eu tinha tanto medo dela que, uma vez, ao olhar pela janela, a vi no quintal de casa. Na verdade, era um coqueiro balançando ao vento. Pelo menos foi o que a minha mãe falou...

Professor Astromar, da novela Roque Santeiro: Ele tinha uma aparência muito esquisita. Pele branca e macilenta, cabelos pretos e sobrancelhas também pretas, que se sobressaíam. Era muito inteligente, fazia discursos em que empregava palavras difícies e... virava lobisomem. O que eu não sabia é que o Professor Astromar nunca se transformou em lobisomem, ao longo da novela. Isso só aconteceu no último capítulo. Bastava tocar a música –tema do personagem e eu me escondia atrás do sofá. Não sei se eu tinha mais medo da música ou dele. Mesmo morrendo de medo, não deixei de assistir ao último capítulo de Roque Santeiro – eu e todos os brasileiros que tinham tevê em casa. Estávamos todos na praia, com os primos, e ninguém quis demonstrar tamanha covardia. Vimos Professor Astromar virar lobisomem e perdemos o sono por muitas e muitas noites.


Zé Ramalho, cantor: Ele cantava “Mistérios da Meia-Noite”, tema do Professor Astromar. Isso bastou para que eu passasse a vida toda com medo do Zé Ramalho. Até hoje, se duvidar. Acho que ele também vira lobisomem, viu? Ouvir os primeiros acordes dessa canção ainda me arrepia os cabelos da nuca.

O Homem-Cobra, filme B: Era um daqueles que passavam incontáveis vezes no SBT, assim como o Walligator. Só o assisti uma vez. Eu e meu primo estávamos passando uns dias na casa do meu avô, quando o filme começou. O vô ainda perguntou se a gente tinha certeza de que queria assistir àquilo. Nós quisemos. Resultado: mais uma noite mal-dormida, para ambos. Nem lembro da história direito, parece que um homem trabalhava num criadouro de cobras, foi mordido e se transformou em uma. Completamente idiota, mas assusta.

Poltergeist, o Fenômeno: Era um filme proibido lá em casa. Minha mãe nunca deixou que a gente assistisse. Mas, toda a vez que anunciavam o filme, mostravam aquela cena da menininha sendo engolida pela televisão. Foi o que bastou para me aterrorizar por uma década. Como se isso não bastasse, o filme tinha fama de amaldiçoado. Parece que duas atrizes do elenco tiveram morte prematura. Eu, hein?


Tubarão, aquele filme que todo mundo já viu: Quer coisa mais idiota do que ter medo do filme Tubarão? Que motivos eu teria para ter medo de uma criatura dessas, se eu nem moro na praia? Não sei, mas eu ficava morrendo de medo por dias, depois que assistia a esse filme. E ainda ficava imaginando o que eu faria se me deparasse com um tubarão no próximo veraneio... Correr, gritar e morrer, seria a resposta.

O que eu não sabia, quando criança, era que deixar a luz do corredor acesa não ajudava em nada. Afinal, a luz criava sombras na parede... E sabe-se lá em que criatura aterrorizante essas sombras poderiam se transformar...

3 comentários:

Nanael Soubaim disse...

Luna Pegorin, eu não tinha medo de ficção. Desde o advento da internet que percebi o quanto fui uma criança exêntrica. Meus medos eram Delfin Neto, Jarbas Passarinho, Maluf, Dragão da Inflação, Dívida Externa, O Bandido da Luz Vermelha, O Mão Branca, enfim, gente que realmente fez mal ao mundo. E neto de feiticeiros vai ter medo de lobisomem? De poltergeist? Ver as compras definharem a cada mês me dava preocupações suficientes.

P.S: apaguei o anterior pelos erros imperdoáveis nele contidos.

Gabi disse...

Aii, eu lembro que uma vez começou a passar aquele filme "Amaldiçoados" na TV, a partir do momento que vi os atores com olhos azuis mega macabros, fiquei com medo do meu pai, que também tem olhos azuis! Um sacrifício pra me convencerem que meu pai não era malvado!
Uma vez eu fui num circo, teve um cover do Michael Jackson, comecei a berrar e não parava mais... Acho que tinha uns 4 anos.
Por último, mas não menos traumático, A Mara Monga, a mulher macaca!

Adriane Schroeder disse...

Eu tinha medo sim. Muito medo. Não sou uma pessoa lá muito difícil de impressionar. Assutava-me até com mostros de plástico com zíper aparecendo.