sexta-feira, 9 de maio de 2008

Preparação para Colonoscopia...

... ou como ver sua dignidade descendo pela descarga.

Nos idos de Novembro/2006: 3 dias de preparação, sem laticínios, grãos nem corantes vermelhos (ou seja, pode água, oxigênio e gelatina de abacaxi). As últimas 12 horas de jejum COMPLETO, COMPLETINHO. Um litro inteiro de uma gororoba chamada Manitol pra ser tomada em meia hora (pra uma última lavagem interna - de você e do vaso sanitário). O troço é mais doce que batata doce e deixa a boca seca. Mas não pode tomar água. O jeito é bochechar água gelada e cuspir, com muita dó, o sagrado líquido deliciosamente insípido, inodoro e incolor. Dos 98% de água que compõe meu corpo, uns 30 foram pelo cano, literalmente. Quem cunhou a expressão "tô cagando e andando" devia estar em pleno preparo para uma colonoscopia e teve de se ausentar do banheiro. Porque não dá (eu quendo eu digo não dá, é porque NÃO DÁ) pra sequer se levantar do trono.
E claaaro que ao chegar na clínica vai se esperar duas gerações e mais uma Era Glacial pra entrar na sala. E eu lá, bochechando água, na tentativa de convencer meu corpo a não entrar em desidratação.  Nesses momentos a gente nem se importa com a camisolinha azul claro de hospital (aquela aberta atrás... e tudo fez sentido nesse momento!). A picada no braço é um cafuné, se pensar que seremos reidratados depois de horas de jejum e caganeira. Aquele soro geladinho entrando pelo braço foi mais refrescante que a coca-cola mais gelada na praia mais escaldante.
Percebi que o sedativo já fazia seu trabalho quando resolvo comunicar ao médico, sem qualquer pudor (com a bunda de fora, quem o teria?): -"Sabe, Doutor, não sei se estou completamente... er, vazio, sabe?" A resposta veio com um sorriso: -"Não se preocupe, a máquina tira!" Meu comentário confirmou a eficácia da dopagem: -"Pô Doutor, e o senhor nem me paga um drinque antes?" Graças a Deus o sedativo aí tratou de me apagar e só acordei no carro, quase em casa. Do exame mesmo, nada me lembro.

Dias depois, na sala do Gastro. Ele checa o laudo. Analisa as imagens mais íntimas que alguém já produziu de mim (e não estamos falando de sentimentos). A sentença? -"É Fábio, não deu nada!" Nada. Nem uma lombriga dando tchau pra câmera. Mas fiquei com fotos bacanas do meu intestino. Semana que vem eu mostro aqui!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

AUDREY HEPBIRTHDAY

No último dia 4, Audrey Hepburn teria feito 79 anos , não fosse aquele 20 de janeiro de 1993 ...

Meus primeiros contatos com ela foram puramente profissionais: a atriz e o espectador. Sua beleza transbordava nas cenas de A Princesa e o Plebeu. Teria sido difícil não se encantar com a graça da Bonequinha de Luxo. Ou com a opulência radiante em My Fair Lady.

Mas talvez sua imagem de mulher transplante a de atriz. Quando lembro dela, o que me vem à mente é antes de seu inquestionável talento e de sua trajetória, a sua beleza e delicadeza de mulher.

E não a conotação de mulher que talvez tenhamos hoje, mas uma de pureza resguardada. Audrey remete à graça e a simplicidade do ser feminino, do ser humano.

Lamento não ter tido a oportunidade de, numa sala de cinema, apreciar o talento e a graça de Hepburn juntos e em grandes proporções.

Pra nós, em registros, o teu legado de inigualável formosura.

Parabéns, Audrey.

[Texto MEME a convite do meu amigo, Nanael Soubaim]

terça-feira, 6 de maio de 2008

Raças Humanas...

Amanhã eu tenho que entregar um trabalho sobre Nina Rodrigues, na verdade é sobre um livro dele: As Raças Humanas e a Responsabilidade Penal no Brasil, então, só consigo pensar nesse assunto.
Fazendo um apanhado bastante básico: Raimundo Nina Rodrigues nasceu no Maranhão (Dave Land) em 1862, na década de 1880 ele veio para Salvador para estudar medicina (na faculdade do povo que só toca berimbau), depois de alguns períodos no Rio de Janeiro e no Maranhão ele voltou e assumiu cargo na Faculdade de Medicina da Bahia...

Alguns anos depois foi publicado seu primeiro livro (As Raças Humanas...), no qual ele defende a tese de que por se configurarem raças inferiores, mais atrasadas, negros e índios deveriam receber atenuantes, a responsabilidade penal não seria a mesma da raça branca. O livro foi dedicado a Lombroso, cujo trabalho acerca do “criminoso nato” lhe serviu de inspiração.

Como não havia homogeneidade racial (ele divide o Brasil em quatro grandes áreas), deveria existir um código criminal para cada raça. Era o final do século XIX e o Brasil começava a receber imigrantes em massa, o contexto era favorável para a política de “embranquecimento” da sociedade (bastante defendida por Sílvio Romero, e, posteriormente, por Joaquim Nabuco – um super entusiasta da imigração européia), embora o próprio Nina Rodrigues considerasse pouco provável que a raça branca conseguisse preponderar. Um código unificado não servia (ia contra princípios fisiológicos), já que as tais raças atrasadas não tinham discernimento.
Isso hoje em dia soa tão irreal, a genética já encarregou de derrubar o conceito de raça, e este não vai fazer a menor falta nos dicionários.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Momento "Eu não entendi é nada"

Enquanto isso, na Serra do Clack Bum...

Caveirinha: -Vamo de novo?
Doméstica: -Ai, mas você só pensa nisso, homem. Assim não dá.
Caveirinha: -Eu achava que você me amava...
Doméstica: - Mas eu amo!
Caveirinha: -Tá bom, então vamo de novo!
Doméstica: -A gente já tá o dia todo aqui. Bora fazer outra coisa...
Caveirinha: - Só mais uma vez! Por favor!
Doméstica: - Caveirinha, você tá me usando! Eu acho que você só tá comigo pra isso!
Caveirinha: - Só mais uma vez!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Doméstica: -Tá bom... Mas você tem que me prometer que depois a gente vai fazer outra coisa. Não agüento mais.
Caveirinha: - Você não me ama mais!!!! Eu sei!!! No começo, você não reclamava, até pedia mais!
Doméstica: - É que eu enjoei... A gente faz todo dia... Cansa!
Caveirinha: - Chega! Vou procurar outra mulher pra jogar Banco Imobiliário comigo!

E ele sai, batendo a porta e deixando a pobre Doméstica aos prantos.

(Não se preocupe, Doméstica! "Quem sai batendo a porta, sempre quer voltar", já dizia o sábio filósofo Araketu).

domingo, 4 de maio de 2008

Porque a gente não sabia?

Adão e Eva simbolizam dois grandes povos, existentes no alvorecer da humanidade.

Melquisedec era um grande mago.

A Atlântida caiu por corrupção do povo. As Guerras Mágicas, onde a magia pela primeira vez foi usada para o mal, destruiu essa civilização por completo. Explicando melhor, a magia era ensinada indiscriminadamente, o que levou pessoas de má índole À usar a magia de forma negativa. Surgia a "Magia Negra".

Moisés estudou nos templos do Faraó. O Livro Sagrado do Hermetismo Egípcio se chamava "Caibalion". O livro místico judaico se chama "Kabalah". Será só coincidência?

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Valei-me, Prozac.

Acho que só não morri de gastrite por causa do Prozac nosso de cada dia...
Olha, 85,7% do tempo sou um sujeito agradável, paciente, gentil e generoso. Até o dia em que eu acordo com os cornos virados... E até o barulho do zíper da mochila me faz querer socar a parede - com a cabeça. Tem dias que eu literalmente não me agüento. O "ótimo", é que as pessoas não percebem esse meu estado e não mantêm a distância recomendada de 12,8 metros de mim. Aí é um festival de furar fila, jogar lixo no chão, mascar chiclete de boca aberta, toque de celular da Rirhanna (ê, ê, ê, under my umbrella, ê, ê, ê - gente, essa mulher tá bêbada ou gravou essa música depois de tomar anestesia na gengiva? ) palitar os dentes, suvaqueira no ônibus e outras atrocidades. Tudo na minha frente.
Fico pensando que Deus é um cara esperto mesmo. Além de não dar asas às cobras, também não dá gás de pimenta aos irritados.

O Prozac - ou fluoxetina - é gentilmente cedido pela farmácia do SUS - Unidade do Mandaqui.

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Em tempo: Amaci Hair é o nome do produto abaixador de cachos E levantador de auto-estima. E resolveu minha chatice com o cabelo, já que tive de raspá-lo. (Mentira: ficou legal, tirou o voluminho chato. Experimenta, menina.)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A notícia como espetáculo

Jornalismo é uma das minhas paixões. Sempre foi. Não foi difícil escolher a faculdade que faria, porque já tinha convicção da profissão que gostaria de seguir. São vários os motivos pelos quais a decisão foi tomada com facilidade. Um deles é que eu sempre achei que o jornalista tem um importante papel na sociedade. É ele que conta o que de mais importante acontece no bairro, cidade, país, mundo.

Mas, apesar de eu ser jornalista, tenho uma visão bem pé no chão do que essa profissão acarreta. Se existe algo em que eu não acredito - e durante a faculdade os professores nos orientaram a isso - é na imparcialidade. O jornalismo não é imparcial e não deve ter a pretensão de ser. A parcialidade surge desde o momento da escolha daquilo que é importante para o público saber e o que não é. A partir daí, a conhecida audiência é que fala mais alto.

José Arbex Jr., um dos jornalistas que mais admiro, escreveu um livro que explica como a audiência rege a atividade jornalística nos dias atuais. Em Showrnalismo, a notícia como espetáculo, Arbex ensina a ler a mídia. É um livro cético e crítico, mas leitura obrigatória para aqueles que querem entender um pouco melhor o que acontece hoje nos meios de comunicação. “‘Fatos’ e ‘notícias’ não existem por si só, como entidades ‘naturais’. Ao contrário, são assim designados por alguém (por exemplo, por um editor), por motivos (culturais, sociais, econômicos, políticos) que nem sempre são óbvios. Mas essa operação fica oculta sob o manto mistificador da suposta ‘objetividade jornalística’”. A isenção é algo complicado.

Falei tudo isso para chegar ao caso da menina Isabella, que domina todos os veículos de comunicação há um mês. Não vou entrar no detalhe da crueldade do crime, dos acusados ou da postura de advogados e promotores envolvidos no caso. Isso não é da minha alçada. O que posso comentar é sobre a cobertura que vem sendo feita ao longo dos desdobramentos do caso. Cada resultado da investigação, cada movimento é divulgado como se fosse a descoberta do ano. Os acusados, a mãe da menina e os familiares tornaram-se os protagonistas de uma tragédia que bate em nossas portas todos os dias. É praticamente impossível ligar a televisão, abrir um jornal ou uma revista e não se deparar com esses personagens. Eles estão inseridos no nosso dia-a-dia, quer você queira ou não. E tudo isso por que? Por causa da incessante e incansável cobertura jornalística do caso. Fiquei mais impressionada no dia que aconteceu a simulação do crime. Algumas emissoras acompanharam desde o início da manhã até o fim dos trabalhos da polícia e perícia. Alugaram apartamentos para ter uma imagem melhor, disponibilizaram uma enorme equipe de jornalistas e cinegrafistas para acompanhar tudo. E, junto a esses, mais centenas de jornalistas se acotovelavam para conseguir a melhor imagem.

Existe um filme, A montanha dos abutres, que também mostra como a busca doentia por audiência pode resultar em tragédia. No filme, a chamada “imprensa marrom” atua exatamente da maneira que os meios de comunicação estão agindo no caso Isabella. Vale a pena conferir as imensas semelhanças que existem entre um filme de ficção e um acontecimento da vida real.

A resolução da morte de Isabella virou um show, um espetáculo que todos querem saber o final. Parece que nunca nenh
uma outra criança foi assassinada de maneira cruel e desumana. Enquanto a mídia dá destaque para a menina Isabella, quantas outras crianças não sofrem abusos e são mortas pelo Brasil e mundo afora? Esse é o jornalismo que temos hoje. Mas esse não é o jornalismo que defendo e que quero seguir. Se eu acredito em um jornalismo de qualidade? Sim, acredito. Porque quero acreditar que a paixão que me fez escolher essa profissão tenha feito muitos outros enveredarem por esses campos. José Arbex Jr. escreveu que vivemos em uma sociedade do espetáculo. Eu espero um dia escrever que essa máxima foi derrubada e que o verdadeiro sentido do jornalismo finalmente veio à tona.

E no espetáculo da vida, quem são os verdadeiros palhaços?