sábado, 9 de agosto de 2008

Em nome de quem?

Vou fazer besteira e colocar a culpa nos outros. Saciarei minha índole medíocre furando os olhos de um gatinho indefeso, depois direi que é um ritual wiccano. Tudo em nome D'Ela.
Usarei a retórica que herdamos dos romanos e deturparei o quanto quiser os textos sacros de todas as religiões, afinal há sacerdotes corruptos que já o fizeram antes, com isso matarei e pilharei dizendo que é a vontade de D'us. Tudo em nome D'Ele.
Me infiltrarei no Palácio do Planalto com a ajuda de influências, conseguirei um cargo por indicação política e ganharei um cartão corporativo. Aí lavarei a égua! Farei barbaridades e colocarei a culpa na democracia, pois estarei agindo com a aquiescência do poder público. Tudo em nome dela. E se derem um golpe e intaurarem uma ditadura, que me importa? Mudo de lado e continuo usando o nome alheio.
Aproveitarei a impessoalidade das grandes corporações, que não conhecem as caras de seus colaboradores, começarei a ler relatórios, perguntar se a encomenda foi confirmada, enfim, quando se derem conta, serei gerente de qualquer cousa, então humilharei e desapropriarei para fins corporativos, alegando que gerarei empregos e outras balelas mais, em nome do progresso.
Abrirei uma escola de pré-vestibular, humilharei docentes e alunos com o pretexto de discipliná-los, visando em verdade unicamente o meu orgulho e as honras ao meu nome, controlarei suas vidas pessoais e expulsarei, sem pudores, quem tirar menos de dez nos simulados, pois quero tudo pronto e não me interessa que tipo de profissionais estarei despejando no mundo. Farei tudo em nome da educação.
Fundarei uma instituição atéia, depredarei igrejas e queimarei bíblias, como desculpa para justificar meu ódio pela humanidade, alegarei que a religião é a maior causa de desgraças da civilização, mesmo não me aprofundando na análise para não me contradizer, e os ateus do mundo levarão a culpa. O que quero é dar vazão à minha estupidez, com um grupo simpatizante e iludido me dando apoio, tudo em nome do bem-estar individual.
Viram como é fácil? Basta botar a culpa em alguém. Aja em nome do teu inimigo. Vais se lascar, mas ele também.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Conto de uma tarde de inverno

Ele olha para a tela brilhante, sem muito interesse. Suas mãos parecem esperar pelo que vai acontecer.

Ele pensa em mil coisas, no que poderia fazer, no que poderia ser, no que poderia ser sua vida.

Traga mais uma vez o cigarro, de filtro amarelado. Displicentemente, bate as cinzas, e põe o cigarro no aparo.

Olha novamente pra tela brilhante.

Ele não sabe exatamente o que escrever. Não sabe sobre o que falar. Não sabe o que dizer.

Ele tem muito a dizer. Mas porque não consegue?

Nova tragada no cigarro, e ele o apaga no cinzeiro de plástico preto. Olha as pontas já apagadas, pensando que deveria fumar menos. Afinal, isso não lhe traz nada de bom. Fumar é um vício péssimo, ele sabe disso, e pretende abandoná-lo. Mas por outro lado, o que fazer, sem poder fumar? Atualmente, é o único prazer que ele tem.

Sem muito interesse, ele começa a digitar algumas linhas... E desiste. "Não é sobre isso que eu quero escrever..." Sobre o que, então?

Talvez sobre a História da Civilização Egípcia. Ou sobre as verdades existentes no Torá Judaico, bem como as semelhanças entre as religiões egípcia e judaica. Não, demandaria uma pesquisa grande. Ele sabe falar, mas precisa de fontes, para reforçar o que diz.
Poderia escrever sobre algum filme, sobre alguma música, sobre algum livro. Mas os filmes que viu já não são novidade, as músicas que ouve são de um estilo que poucos gostam, e os livros que leu não interessam à grande maioria.
Sobre o que falar então?

Talvez sobre um homem, sentado em frente ao seu computador, pensando no que escrever no seu blog, sem saber o que exatamente escrever. "Taí, seria uma boa..."

Não, meu caro. As pessoas não vão gostar disso. Vai ficar parecendo uma tentativa de ser profundo, de parecer alguem que realmente sabe o que está fazendo. Você sabe como são as pessoas, elas vão te dizer que o texto é bom, mas no fundo, vão estar pensando que você é um esnobe. É possível que alguém apareça dizendo que algum outro autor já fez isso, e que o seu trabalho é plágio.

"Hmmm.... Então, o que sugere, caro narrador?"

Ah, sei lá. Porque não escreve um texto pequeno, falando sobre as coisas que você tem sofrido, como tem sido difícil a vida, etc?

"Ah, eu já fiz muito isso. Até acabam saindo textos bons, mas já reclamaram que eu não devo ser tão depressivo..."

Hmmm.... Bem, isso realmente não faz muito bem. Deixe-me pensar...

Porque não escreve algum texto de ficção? Você estava escrevendo um livro, e estava ficando muito bom!

"Ah... O livro emperrou. Eu precisaria de mais tempo pra poder ficar na frente do computador, mas dividir o pc com mais três em casa, é complicado achar tempo... Mas eu tenho a estória completa na cabeça, só preciso ter tempo pra escrever... E preciso estudar algumas coisas também, pra não ficar perdido..."

Hmmm... É, realmente, isso complica bastante. Espere até ter o seu próprio computador, então.

"Sim, é isso que pretendo."

Tá bom. Porque não escreve sobre o dia de hoje?

"É um dia frio, chuvoso, eu estou com dor de dente, não durmo bem fazem 3 dias. Sinceramente, não é um dia alegre, pra mim."

É, e você também não deve escrever textos depressivos. A coisa tá feia...

"Ah, quer saber? Vou deixar pra lá, e assistir um DVD... Topa?"

Beleza, topo sim. Mas primeiro clica ali em "Salvar agora", e depois em "Publicar postagem".

"Beleza... Qual você quer ver?"

Ah... Pode ser qualquer um. Vou fazer a pipoca.

"Ok".

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O Talk Show do diabo e Outras Histórias (Parte II)

***Entra o diabo, rodando e pulando ao som de um rock underground. Na Banda Oficial, Jimmi Cliff arrancava notas da guitarra com os dentes, Chucky Berry arrepiava e Little Richard dava gritinhos insanos. Aplausos. Faíscas. E um leve aroma de enxofre. O senhor das trevas com olhar inquisidor, anuncia o entrevistado da noite: VOCÊ!

É basicamente essa a sensação de quem vai ter o espírito escalpelado numa dessas famigeradas Entrevistas de Emprego. E são perguntas da espécie mais sacana, que pegam você desprevenido enquanto seu coração se ocupa em tentar pular fora do peito a qualquer custo.

Aos nossos caríssimos leitores, aqui vão algumas dicas do que você claramente DEVE fazer se quiser passar o resto da vida freqüentando o Talk Show do Tinhoso, sem êxito algum.


Use Roupas Extravagantes

Ir vestido de palhaço é a melhor de todas as opções imagináveis.

Fale Mal de Deus e do Mundo

Por que você saiu de seu antigo emprego?

Ora, por que o meu antigo chefe era uma mala batizada, seu Capeta. Pentelhava todo mundo, não deixava nem fazer ligações particulares em horário de serviço e os computadores tinham a maioria dos sites bloqueados... Não podia nem ver o orkut! Pode isso? Daí eu pedi pra sair...

Diga Sempre a Mais Pura Verdade

Você sabe trabalhar sob pressão?

Ai Deus me livre! Não gosto de chefe que fica enchendo a paciência pra entregar meio milhão de coisas em 6 minutos e 7 centésimos, não. Eu sei das minhas obrigações e se começar a torrar, eu mando ir tomar onde as patas tomam!

Fale Desesperadamente

Se o “coisa ruim” te perguntar sobre sua disponibilidade de tempo aproveite pra contar a história da sua vida desde o dia em que seus pais se conheceram.

Tremule as Pernas como se estivesse com Mal de Parkinson

Essa é a melhor maneira de demonstrar segurança, equilíbrio e tranqüilidade.

Deixe o Volume do Celular no Pitoco!

Vai ser muito útil ouvir seu toque personalizado “Put your hands Up For Detroit” no meio da entrevista!

E se você achou que essas dicas não valeram de absolutamente nada, aqui vai um vídeo originalíssimo da campanha do Office 2007 que traduz fielmente essa sensação de desespero causada pelo sofá do Talk Show infernal.


Esse texto foi reeditado. O Dave Coelho anda em pandarecos por conta do novo estágio e ainda não conseguiu coordenar o tempo. Ele promete se reeditar também e voltar na próxima quarta.


segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Todo mundo interpretando o tchan!

Estava eu voltando para casa, de ônibus, após um dia cansativo de trabalho. Sentei na janela e deixei o pensamento vagar. Inexplicavelmente, me veio à cabeça a frase: “Pau que nasce torto, nunca se endireita”. Não sei se foi porque eu vi uma árvore meio torta, ou se é porque não tenho nada melhor para pensar. Só sei que, quando dei por mim, estava relembrando – e tentando interpretar – a letra do primeiro sucesso do É o Tchan. Não é tarefa fácil, a letra é muito profunda. Coisa de filósofo.

Pau que nasce torto, nunca se endireita
Uma adaptação do ditado “pau que nasce torto, morre torto”, usado para explicar que uma criança precisa ser educada desde bem pequena. Se os pais forem relapsos, a criança fica mal educada para sempre, já que, depois de certa idade, não adianta mais tentar ensinar. O que isso tem a ver com a música? Não falei que era coisa de filósofo?

Menina que requebra, mãe, pega na cabeça
Ih, onde já se viu falar uma coisa pornográfica dessas e meter a mãe no meio? Que pouca vergonha! Esse “mãe”, entre vírgulas, dá a entender que a pessoa está explicando à digníssima senhora que toda menina que requebra costuma pegar na cabeça. Primeiro, que é de extremo mau gosto compartilhar experiências sexuais com a própria mãe. Segundo, se a mulher já é mãe, ela sabe como funciona. Mistério: por que alguém estaria tão interessada num pau que nasceu torto e que nunca vai se endireitar? Falta de coisa melhor?

Domingo ela não vai (vai, vai!) Domingo ela não vai não (vai, vai, vai!)
O verso(?) mais enigmático da música. Domingo ela não vai aonde? E o que significa o povo dos parênteses dizendo que sim, ela vai? Decidam-se! Acho que o verso quer dizer que domingo é dia santo, não é dia de fuleiragem, por isso ela não vai. Mas o povo insiste que a moça vai. Deve ser porque eles sabem que ela não é flor que se cheire, e que com ela não tem esse troço de dia santo. É fuleiragem sempre! E quem será essa misteriosa “ela”?

Segure o tchan, amarre o tchan, segure o tchan, tchan, tchan, tchan, tchan
Passo!

Tudo o que é perfeito, a gente pega pelo braço/ Joga lá no meio/ Mete em cima, mete embaixo
Complicou! Quem escreveu isso deve pensar que ainda vivemos no tempo das cavernas. É mais ou menos assim: viu uma mulher bonita, é só pegar pelo braço, jogar no meio (Da cama? De um monte de feno?), e sair transando em várias posições. Facinho, facinho! Se alguém viesse me pegando pelo braço, no mínimo levava uma bolsada na cabeça. Ainda mais se fosse gente do naipe do Cumpádi Uóxinton! Cruzes! Se bem que, com certas mulheres, deve ser assim mesmo. Ô beleza!

Depois de nove meses, você vê o resultado
A conclusão da esbórnia: a moça que não perdoa nem os domingos, que aceita ser jogada no meio e puxada pelo braço, fica grávida. Lindo! Só faltou dizer que o resultado aparece bem antes dos nove meses... Teste de farmácia, sabe? Eu também poderia dizer que essa parte da música é uma apologia ao sexo sem proteção, mas ficaria óbvio demais. Prefiro ver pelo lado bom: agora, a moça “cresceu e virou mulher”, vai ter um filho, muitas responsabilidades e um lar (mesmo que seja com o Cumpádi Uóxinton). Não vai ter mais tempo para correr atrás de qualquer pau que nasceu torto. Adoro finais felizes (mesmo que envolvam o Cumpádi Uóxinton)!

Este texto foi escrito como complemento deste aqui. E eu sei que o trocadilho do título é infame.

domingo, 3 de agosto de 2008

Flores del campo santo

Depois dessa "licença-trabalho" imprevista da vida online, cá retomo minhas atividades textuais. E os poupo de explicações de como tem sido minha nova rotina. Imagino que não seja interessante saber sobre planilhas do Excel, presídio feminino e decoração de Natal (ou como tudo isso pode caber num único emprego - e cabe, acredite).

O fato é que o trabalho anda me tomando um tempo precioso. Não o das oito horas efetivas, mas todo o resto: Me assombra o modo como as preocupações furtam da nossa vida todo aquele preciosismo das pequenas coisas. Sutilezas que eu gosto tanto. Reparar na minha sombra comprida de manhã, descendo a rua. Sentir o vento geladinho. Conversar com os cachorros dos vizinhos. Procurar desenhos nas rachaduras do asfalto. Esperar o ônibus daquele cobrador simpático, que sempre dá bom-dia. Andar por aquelas marcas para cegos no chão do metrô, porque faz cócegas no pé. Mandar mensagens idiotas pra acordar os amigos. Contar quantas pessoas estão de boné no metrô. Ou dormindo. Ou lendo. Ou ouvindo música. Esperar todo mundo subir a escada. Sentir o cheiro de óleo do trem e imaginar que estou indo passear em Paranapiacaba. Ler as pichações nos muros da linha e procurar as mais antigas (ainda acho uma de 94!). Comprar chiclete no trem. E adesivo do menino surdo. Escrever post-its bestas para mim mesmo. Fazer origami enquanto falo com fornecedor ao telefone. Voltar pra casa observando a lua. E mandas mensagens pros amigos observarem também. Parar no portão da vizinha pra conversar com a gata dela. Subir a rua pela guia. Pisar na tampa de bueiro solta que faz um barulho engraçado. Pisar nas folhas secas. Sentir o calorzinho de dentro de casa. Desenhar deitado na cama. Pensar que o tempo é mesmo relativo e não se importar com isso. Pelo menos, não tanto.

sábado, 2 de agosto de 2008

Não Sei


Manezinho foi levado pelo pai, Manezão, para um passeio no parque. Manezinho atirou uma pipoca no lago, para alimentar uma carpa, ficando fascinado com a formação de ondas . No que Manezão, todo assoberbado, ostentando a empáfia de sua coleção de doutorados, se valeu daquilo para explicar ao Manezinho a origem do universo. Tudo ia bem, até Manezinho perguntar de onde surgiu aquela concentração de massa, que explodiu tão violentamente. Não se conformou em ouvir "do nada". Menos ainda em ouvir "O universo é só o que foi detectado, nada existe além desse limite". Mas como sabem que nada mais há se não puderam enxergar?

Manezão, que não gosta se ser contrariado, mas adora dar lição, explicou sobre todos os cálculos "inventados" por seus ilustres colegas. Nisto, Manezinho se colocou a pensar... Mas se nada existia antes e nada existe além, como tudo se mantém? Fez e Manezão não compreendeu a pergunta. Manezinho explicou que tudo sai de algum lugar. Que não duvida em nada da evolução que o pai descreveu, mas ficou perturbado com o determinismo com o qual decretou início e fim de tudo. Começando pelos limites, disse que se algo impede que a massa de galáxias já catalogadas de expandir mais, esse algo tem que ser infinito, pois se não for, estará dentro de outro algo e assim por diante, e sendo a palavra "Universo" dedicada a tudo o que existe, então essas embalagens não têm fim, em sua sucessão, portanto o Universo é infinito. Apesar da zanga do pai, continuou, pois faltaria com o respeito para consigo mesmo se parasse. Tratou então do início. Dizer que tudo surgiu do nada é dizer que uma fada madrinha humanóide realmente transformou uma abóbora em carruagem, e ratos em cavalos e cocheiros. De algum lugar a energia necessária á formação daquela matéria veio, não sabe de onde e não encontra resposta melhor do que "Não sei". Ainda afirmou que a fonte de onde aquela massa saiu, posto que o universo ainda cresce, não pode ter desaparecido, pois a fonte é sempre maior do que a demanda, seu desaparecimento teria criado um vácuo que teria sugado tudo. Um sistema só pode ser sustentado por uma fonte maior do que ele. E sendo, pelas suas conclusões, o universo infinito, então essa fonte é maior do que infinito e, necessáriamente, eterna, pois também criou tudo o que precedeu aquela massa que explodiu. Tá me falando que Deus existe, é isso? O garoto negou. Disse que apenas expôs a conclusão à qual chegou com as próprias explanações paternas. Que o nome que se dá a esta entidade não lhe interessa, mas a lógica livre de preconceitos que tem apenas lhe diz que o universo só pode ter saído de algo que nunca teve início e não tem dimensões, por mais maluco que pareça é mais racional do o que Manezão lhe disse. Este, irritado, lhe esfregou na cara tudo o que fez na vida, sua carga e suas decepções, além da parede forrada de diplomas e a estante cheia de troféus por serviços preciosos que prestou à humanidade, ao contrário do que alega que as religiões fizeram contra ela. O garoto ficou constrangido por ter contrariado o pai, mas este mesmo lhe ensinou a ser crítico e não se preocupar senão com a verdade. Pergunta ao filho se ele realmente acha que o universo é eterno, infinito e tem um criador, se ele realmente acha que existe um Deus. Manezinho responde da maneira mais respeitosa possível: Se é ou não a verdade absoluta, só posso ser honesto e dizer que não sei. Manezão, um homem bom e solidário até para com desconhecidos, a despeito dos rompantes, meditou por uns instantes. A única resposta para tudo, sem ser desonesto consigo e para com o mundo, e que passará a utilizar com freqüência, é "Não sei".

Segue com o filho para uma lanchonete, falar de desenho animado e do que ele quer no natal.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

"Metal: A Headbanger's Journey"


Sam Dunn, esse é o cara.

Eu sou o que se chama, no Brasil, de "metaleiro". Sou, e sempre vou ser.

Não importa quanto tempo passe, mas o Heavy Metal (e todas as suas vertentes) sempre foi, é, e sempre será um estilo de música (e de vida) considerado "marginal".

Nunca liguei pra isso. Gosto da música, gosto do que ela me faz sentir, gosto da sensação de pertencer à essa tribo. Gosto do modo de vestir. Gosto de ser assim.

Sam Dunn, esse cara aí da foto, também. Assim como eu, ele conheceu o Metal aos 12 anos, e nunca mais deixou de gostar. Ele tem a mesma idade que eu. Digamos que "entramos juntos" pra esse mundo.

Mas, diferente de mim, que sou apenas um blogueiro (ou seja, sem muita chance de futuro), Sam Dunn (que é canadense) fez faculdade de Antropologia. Chegou a ir pra Guatemala estudar uma tribo de lá, pra escrever sua Tese de Conclusão da Faculdade.

Mas depois disso, pra fazer seu Mestrado, Sam Dunn teve uma idéia. Na verdade, baseada em seu mundo. Algo que jamais foi devidamente estudado: O Mundo do Metal.

Ele viajou pelos Estados Unidos e Europa, para identificar o que era realmente o Metal. E explicar, de uma forma acadêmica, o que existe por trás dos cabelos compridos, roupas pretas e música barulhenta.

O resultado se transformou num documentário, chamado "Metal: A Headbanger's Journey", o qual eu tive o imenso prazer de assistir.

O filme é fantástico, não apenas pra quem gosta do estilo, mas pra quem não conhece e não entende muitas particularidades desse mundo. Eu, como "metaleiro", adorei. Desde que consegui esse filme (créditos à Lisa, do FGQDN), assisto-o praticamente uma vez por dia.

É quase como se a minha realidade fosse exposta. O meu modo de ver o mundo. A minha tribo.

O sucesso do filme foi tamanho, que já existe uma sequencia, chamada "Global Metal", que pergunta "o que acontece quando o Metal atinge o mundo inteiro". Fiquei na vontade, vai ser dificil conseguir esse filme. Mas no trailer, pra uma pequena noção, mostra desde "metalheads" japoneses até bandas de heavy metal iranianas, que tocam com os trajes típicos da região, pretos.

Sam Dunn é o cara porque, entre outras coisas, mostra que as pessoas pensam muita bobagem, que podem ser extremamente idiotas, e também por desmistificar muita coisa. Falar mais seria spoiler.

Virei fã. E espero que ele não pare por aí.


Esse é pra ter o original.


E eu preciso desse!

Mais informações aqui.