Martinho sulista de falas cortantes Esvai suas agruras em linhas Desfaz seus pesares lutanto Revisita-nos de quando em quando Relembrando sorrindo as rinhas Por cousas já desimportantes
Quantas vezes mudaste de casa, ó, galego? Quantas vezes te incomodaste com o de fora Quando por dentro é que te negas o sossego?
As frias pradarias de betume que hoje percorres Entre vales de pedra e vagalumes de fogo Que buscas do que não te suprimos? Se lutas em tatame contra os teus próprios limos Se temes perder o que é somente um jogo É porque te incomoda o que socorres
Até quando serás um cigano, ó, galego? Pede ao Preto Velho um ponto de luz Que te vendo aflito, também não temos sossego
Entre os ecos desta casa vazia Tremendo ao frio que a lareira não debela Recordo das brumas de promessas d'outrora Quando não percebia o aproximar deste agora Que tantos sonhos de então me cancela Daquilo pelo que tnto fazia
Por que te negas o repouso, ó, galego? Se mesmo o albatroz precisa pousar um dia Não permita ser a liberdade outro apego
Hoje é aniversário do talicoiser desgarrado Eduardo Mendes, o Fio.
O Brasil dos anos oitenta pode ser resumido em um só cantor: Richard David Court, o Ritchie (saúde!). Como muita gente já desconfiava na época, pelo sotaque, ele não é brasileiro, mas ao contrário do que muita gente pensa até hoje, ele não é alienígena.
Veio ao mundo por Beckenham, Condado de Kent, sul da Inglaterra, em 06 de Março de 1952. Morreu na imaginação de gente desinformada assim que a fase áurea(?) do rock nacional passou. Não, ele não foi vassalo do Super Homem. Filho de militar, viveu como cigano, morando temporadas em vários países, inclusive Alemanha e Itália, o que certamente acimentou sua boa receptividade à cultura alheia, inclusive às culturas do Brasil. Foi em um coral na Alemanha, aliás, que ele foi apresentado e se apaixonou pela música. Interno de Tomore School e Sherborne School, para depois cursar literatura em Oxford. Abandonou o curso aos vinte anos, para tocar flauta na banda Everyone Involved... Os pais dele ficaram extremamente felizes, afinal a universidade em questão é bem popular e o curso era grátis. Bem, os garotos gravaram um disco em protesto contra a construção de um viaduto sobre o Picadilly Circus, ganhando uma fortuna com a distribuição gratuita. A mãe dele ficou tão feliz! Durante as gravações, conheceu mpusicos brasileiros, como Rita Lee e Liminha, quando eles ainda se suportavam, e foi convidado para conhecer o Brasil.
No fim de 1972 ele despencou em São Paulo, onde formou a banda Scaladácia. Não ter o visto de permanência foi o que impediu Ritchie (saúde!) de assinar um contracto, porque eles estavam fazendo sucesso e foram rondados pela Continental. O grupo acabou em 1973... Pois é.
Casado com a arquiteta e estilista Leda Zuccareli, mudou-se com ela para o Rio de Janeiro. Sim, casado, então a mãe dele estava um pouco mais feliz. Continuou ligado à música, principalmente dando aulas de inglês para músicos brasileiros, que queriam parar de só repetir o que ouviam e saber de vez o que estavam cantando. A Arca do Sol foi um trauma, ele era flautista da banda e foi sumariamente demitido, quando 'sugeriu' que queria passar para o vocal.
Na Vimana, com Lobão, Luiz Simas e Lulu Santos, finalmente soltou a voz... em inglês. Chamo a atenção para este facto ter ocorrido em 1975, ou seja, toda a muvuca aconteceu em menos de três anos. Lançaram um compacto pela Som Livre em 1977, que desagradou Lulu e o fez deixar a banda.
Voltou para Londres em 1980, a convite, para arranjar e ser vocal do álbum Let The Thunder Cry, de Jim Capaldi, voltando em 1982 para o Brasil.
Bernardo Vilhena compôs seu primeiro trabalho todo em português e gravou o compacto Menina Veneno, com ajuda de Liminha, pela CBS. Foram mais de quinhentas mil cópias. Em 1983 o disco Vôos de Coração, quando ainda não se tinha preguiça de fazer um circunflexo, vendeu um milhão e duzentos mil exemplares, fora os milhões de fitas pirateadas. "A Vida Tem Dessas Coisas", um quase-manual de como se cantar uma garota, foi o hit. Ganhou o Troféu Imprensa em 1984, no ano seguinte "Só Pra o Vento" foi tema da novela 'A Gata Comeu'.
Desentendimentos com Leleco Barbosa, filho do Chacrinha, lhe fecharam muitas portas. Vocês sabem, quem some é logo esquecido, e a popularidade de Ritchie (saúde!) declinou. Daí a aparecerem boatos de que ele morreu, foi um pulo da gata que comeu a fama dele. Shows e aparições em programas de televisão quase que desapareceram. Não que o britânico seja santo, longe disso, mas está longe de ser um mau sujeito. Ele cutucou a vaidade da mídia brasileira, que é sensibilíssima, e foi punido.
Passou a trabalhar ajudando na criação de websites, especialmente as páginas musicais. A do Lulu Santos, por exemplo, que é considerada uma das melhores até hoje.
Voltou a cantar, à convite de Rafael Ramos, em 2002 com canções inéditas, fazendo parcerias até com o Tremendão Erasmo Carlos. Embora inéditas, fazem jus à tradição do pop-rock nacional. Mas se o público pedir, ele canta "um abajur cor de carne, um lençol azul...". Desde 2008 ele tem sua própria gravadora, com o primeiro resultado saindo em Julho de 2009, em CD, DVD e Bluray 'Outra Vez (ao vivo no estídio), com regravações e e músicas novas.
Neste ano, sem muito alarde, na verdade quase sem alarde nenhum, lanço o álbum "60", em que interpreta canções dos anos sessenta. Me chamou especial atenção a canção "Summer in The City". São sessenta anos de idade e trinta de carreira oficial. E quem pensa que ele está acabado, por ser um branquelo magricela já com certa idade, morda a língua.
Para muitos, ele é considerado um brega, por causa das temáticas românticas e cavalheirescas de suas canções mais famosas, mas não o devemos confundir com a pornographia que se apropriou do termo. Vejam os vídeos abaixo, com a música "A Vida Tem Dessas Coisas", o recente e o original.
Muita gente se espanta ao ver o quanto os otakus gastam com suas fantasias, seus cosplaies. O que muitos não imaginam, porém, é que ser cosplayer pode ser uma carreira vistosa, como de qualquer modelo de comercial.
Como já toquei no assunto, neste texto aqui, volto para dar dicas práticas de como ser um sucesso como otaku, seja com cosplay ou cospobre. E como disse na ocasião, há cosplay que pode ser utilizado tranqüilamente no cotidiano.
Só advirto que não existem apenas cosplayers de personagens japoneses, até porque o termo e a tradição nasceu entre os aficcionados por histórias de ficção científica, nos Estados Unidos, no fim dos anos trinta, mais provavelmente em função da 1st Worldcon, New York, quando os jovens Forest J Ackeman e Myrtle R Douglas, aparaceram fantasiadas no meio da multidão. Preciso dizer que causaram furor?
Primeiro, deve-se escolher um personagem, ou um tipo de personagem, que melhor se adapta à sua pessoa. Não adianta, por exemplo, querer fazer cosplay do Mestre dos Magos tendo dois metros de altura. Inviável. Faça o Vingador, que é filho do velhote e um dia, quando a série tiver continuações decentes, com os garotos crescendo, voltará a ser o que era. Também não dá para ser uma grosseirona sem modos e tentar ser a Betty Boop.
Não precisa ser idêntico ao personagem, embora alguns sejam, o importante é a caracterização do cosplay. Uma boa maquiagem elimina praticamente todos os pontos que te desagradariam, na hora de se montar. E por falar em montar, a Muriel do Laerte Coutinho é um cosplay forte e inexplorado pelos otakus. Poderia até ser uma dupla, um de Hugo Barrachini e o outro (ou a moça, se for o caso) de Muriel.
Para o desespero dos fundamentalistas, jamais encontrarão adamantium em supermercado para fazer as garras de um bom Wolverine, então é preciso substituir o material. Sai muito caro fazer em aço de alta liga e afiar, muito caro e muito perigoso, porque equivale a ter seis espadas retráteis (uma espada é tudo, menos inofensiva) que podem disparar quando fores coçar, inadvertidamente, tua cabeça suada pelo capuz quente. Sugiro comprar tubos de PVC rígido, moldar à quente, lixar, dar acabamento com tinta-cromo e montar as luvas. Ainda é meio perigoso, mas é um perigo fácil de se controlar, porque o PVC rígido também é um material bem forte.
Citei o exemplo do mutante, por ser dos mais populares e difíceis de caracterizar com perfeição, mas vale para todos: Thor, Homem de Ferro, heróis japoneses, enfim, tudo o que leva alguma armadura ou dispositivo preso ao corpo. É um material barato, durável, fácil de trabalhar e auto-extinguível, não propaga o fogo. Porque acidentes, meus queridos, acontecem. Alumínio é uma boa opção, para quem tem muito cuidado, porque ele amassa, rasga e expõe bordas cortantes.
A escolha do material, aliás, é de suma importância, incluindo aqui os insumos para caracterização facial, como a maquiagem. Assim como há cosplayers ganhando a vida como otakus, há modelos ganhando a vida por se parecerem muito com bonecas, mesmo a maioria já tendo deixado a adolescência para trás. Seja qual for o material escolhido, desde que não seja papel de embrulhar pão, é possível obter bons resultados com a ajuda de um artesão que conheça o que está sendo trabalhado. Do papelão ao aço inoxidável, todos têm suas vantagens e desvantagens, não só no preço. Quanto mais sofisticado, melhores serão os resultados, mas também mais caros e mais mão-de-obra especializada eles demandam; o que não significa que uma armadura de papelão não fique boa, mas é mais difícil ficar e durará bem pouco.
Não economizar onde não precisa, como a mão de obra, é ponto arterial. Um profissional ruim destrói o melhor material. Um bom alfaiate ou uma boa costureira, pode fazer uma Mulher Maravilha de dar inveja à DC. Uma costureira meia-boca te fará parecer uma fugitiva do piscinão, depois da chacina. Por isso vem outro aviso: Poupe. Poupe no cotidiano, para realizar teu sonho em um bom festival. Se sabes aonde queres chegar, e tens idéia de como chegar lá, junte os recursos necessários, tal qual os integrantes de uma escola de samba economizam o ano inteuiero para terem suas fantasias, no carnaval. Aqui o aprendizado valerá para administrar sua carreira de modelo cosplayer.
Cuide-se. Eu disse que não precisa ser idêntico ao personagem, mas se apareceres gordo, sonolento e indolente, vestido de Super Homem, logo aparece um Lex Luthor de vardade e te manda uma kriptonita na cachola. Os trekkies te esfolam vivo, se fizeres besteira no evento vestido como tripulante da Enterprise. Vão aquelas dicas que todo mundo conhece e quase ninguém pratica:
Alimente-se bem, para ter energia e parecer sempre bem disposto no evento. Saiba comer, o que comer, quanto comer e quando comer.É uma carreira que queres, não é? Então comece construindo a si mesmo, antes de construí-la.
Exercite-se. Ainda que o personagem seja o Garfield, um bom tônus muscular te dará o alicerce para seres visto e bem visto pelos participantes e visitantes do evento. Se for personagem feminina, ainda que tua compleição seja mais robusta, manter a forma é imprescindível, até como forma de prolongar a carreira daquele cosplay, porque algum dia terás que escolher outra personagem.
Freqüente fóruns virtuais, para se actualizar, trocar idéias, conhecer novidades e ser visto. Evite se envolver em discussões políticas, religiosas ou desportivas; isto não é alienação, essas discussões raramente são tratadas com a maturidade e serenidade que precisam, só causando desgaste e encruamento nas posições já firmadas.
Freqüente os eventos. É preciso que te vejam para a tua fama nascer e vicejar. Mas escolha bem os eventos, porque ir a todos, indiscriminadamente, vai queimar teu filme. Faça uma pesquisa séria, para saber onde e quando se darão os mais importantes. Mas também prestigie os eventos de cosplay onde eles não têm tradição, isto fará muito bem à tua imagem e ajudará a divulgar o lazer sadio.
Conheça o personagem que vais representar, não só vendo episódios e lendo as revistas, mas veja o que seus criadores dizem, em que condições eles foram criados, que traços de personalidade têm e poucos enxergam, as maledicências a seu respeito, enfim; Não dá para ser um bom Batman comportando-se como o Tink Wink, e vice-versa.
Um bom cospobre chama atenção como um cosplayer profissional. A questão aqui é fazer bem feito com materiais baratos, mas bem acabados, limpos e sem cheiros. Não pense que vais arrancar risos de simpatia com uma tampa de pizza manchada de óleo e molho de tomate, ou indo sujo e maltrapilho. Mesmo que vá só para se divertir, tente causar uma boa impressão e ganhará mais do que tiver ido buscar. Mas não relaxa, ou te chamarão de cospodre.
Caso tenhas o teu próprio personagem, salvo se cor uma cópia descarada de outros, aproveite para divulgar e vender teus fanzinhes. Isto não é visto no meio com maus olhos, pelo contrários, bons otakus detestam ver uma boa idéia sendo sub aproveitada. capriche no acabamento, distribua cartões de visitas com tirinhas, faça-se conhecer. Quem sabe, no próximo evento, alguém se fantasia de vocês.
Também não precisa montar apenas heróis e personagens de quadrinhos, o mundo artístico, especialmente o rock'n roll, está cheio de figuraças que dão tanto trabalho quanto satisfação, na hora de representar. Fora figuras históricas, quase sempre esquecidas, e que as escolas bem que poderiam incentivar.
Para quem quer montar personagens já existentes, existem lojas no Brasil especializadas em otakus, não precisam mais mandar vir do Japão ou encomendar àquele mestre armeiro que mora na oitava montanha do sétimo céu do deus do vento.
Aqui há alguns sites interessantes, que podem ajudar os marinheiros de primeira viagem:
Eu até daria o braço a torcer, se tivesse feito o artigo que pensava em fazer, no ano passado. Mas não caí em tentação e, ao contrário da baboseira que fizeram com o Manda-Chuva, os novos Thundercats honram o clássico dos anos oitenta, preservando as características básicas dos personagens, algumas até acentuadas, mas os fãs ovacionaram o bom senso, não ficou nem de longe caricato, ao contrário do que eu temia.
Aliás, algo de que muitos sentirão falta é a voz do Snarf, que deixou de ser babá para tornar-se um animal de estimação de Lion-O. Francamente, ele sempre foi mais um peso do que uma ajuda, só servindo de alívio cômico, ao final de cada episódio, para descontrair após todo mundo quase ser morto por algum inimigo, o que era comum na série original e foi preservado na nova. Só que em vez de episódios diários que se encerram em si, às vezes dando a impressão de que a trama poderia se desenrolar por mais tempo, agora a série tem o formato de pequenas novelas com capítulos, como é comum nas aventuras de animes.
Até por conta das técnicas que não existiam nos anos oitenta, a animação é muito melhor cuidada, o uso de animação virtual é evidente, mas sem parecer artificial. Na realidade, talvez fosse essa tecnologia o tempero faltante nos anos oitenta, como no filme Tron original. Fazer o quê? O resultado empolga por si mesmo, sem levar em conta o roteiro, a interação dos personagens e a impetuosidade do príncipe Lion-O, que se atira ao perigo como se fosse um desenho animado, sem medo de morrer.
Visualmente, mudam bastante os trajes, com poucas perdas e muitos ganhos. Os ganhos são dos personagens masculinos e dos garotos, que ficam vestidos mais como personagens de (agora assumidamente) anime, não se parecendo mais com integrantes do Village People. A perda é Cheetara, que deixa de ser o mulherão em um maiô de ginasta, bem proporcionada e em plena forma, para ser uma jovem com top e calças de cós bem baixo com a frente meio aberta; sexy para agradar à garotada, mas o maiô, perdoem minha caretice, dava mais classe e autoridade à felídea, além de ser mais próprio para sua super velocidade. Agora ela ganhou um sexto sentido premonitório, que eu trocaria pela volta do maiô.
Na nova versão, eles não viajam para o terceiro mundo, Thundera agora é um reino próspero no Terceiro Mundo, mas cai em decorrência de um ataque maciço e repleto de altíssima tecnologia, comandado pelo bom e velho Escamoso, mais feio e repugnante do que nunca. Lion-O lidera o grupo que sobreviveu ao ataque e busca do Livro dos Presságios, que permitirá derrotar o mentor de tudo, o malévolo e oxidado Mumm-Rá. Então, podem esquecer os confortos e a segurança da original Toca do Gato, eles estão sozinhos e por sua conta em um planeta repleto de criaturas terríveis, que faz o nosso jurássico parecer um jardim de bichos fofinhos.
Qual era o meu medo? Era Lion-O virar o aborrescente magricela e boboca, que pega uma arma perigosíssima, o Olho de Thundera, para brincar de guerreiro valente no meio do nada. Aqui ele é um jovem adulto, com um senso de justiça extremamente elevado e um coração gigantesco; basicamente o mesmo Lion que conhecemos em nossa juventude, ou infância, dependendo do teu caso. Tygra não é mais um súdito, mas irmão mais novo dele, um tanto mais frio, mas um cientista genial e leal ao herdeiro da coroa.
Panthro, ao contrário dos dois, está maias abrutalhado do que o original. Digo "abrutalhado" pelo porte físico, não pelos modos. Ele é um militar lealíssimo, no qual é impossível não ver a figura de um shogun, apesar de ainda ter o tórax totalmente descoberto. Na realidade, ele parece a mistura de um samurai com um escocês levantador de caminhões. Mas dá para reconhecer o nosso amigo Panthro ranzinza sem pestanejar.
Wilikat e Wilikit, cuja história ficou perdida na primeira versão, agora são dois pivetes salvos da destruição do reino. Não, eu não digo "pivetes" no sentido rural da região sul, eles eram malinhas que viviam de aplicar golpes e enganar os cidadãos, mas agora terão que tomar tipo, se não quiserem ser considerados pesados demais para o grupo. A esperteza que adquirem durante a vida marginal poderá ser-lhes útil, e aos outros também. O cinismo ácido dos irmãos está preservado, diversão garantida.
O resto? Bem, o resto está disponível pelo Cartoon Network, mas não demora a chegar às nossas telinhas abertas. Até lá, o Youtube ajuda.
A história toda começou em Niterói, em 25 de Abril de 1952, em um mundo ainda sob o forte efeito entorpecente do fim da guerra. Mas foi criado na ainda despovoada Brasília, onde começou a trabalhar em boates e, logo depois, cantar em bailes pelo país. Integrou os grupos Corrente de Força e Placa Luminosa.
Nos anos setenta, Jessé Florentino Santos (cala a boca, Tiririca!) estava em São Paulo, seguindo sua carreira solo como 'Tony Stevens', quando conseguiu êxito com 'Flying' e 'If I Could Remember'. Na época, era muito comum, e até recomendável para os iniciantes, adoptar um pseudônimo americanizado e cantar em inglês, até conseguir seu público. Fábio Júnior, por exemplo, era 'Mark Davis'.
O impacto de suas qualidades profissional e vocal foi tão grande, no início da carreira, que durante QUINZE DIAS (não uma semana, mas quinze dias) ele lotou o TUCA, Teatro da Universidade Católica, dando assim um tapa na crítica que até então o ignorava solenemente, à exceção de Zuza Homem de Mello, do Estado de São Paulo e da Jovem Pan. Ele convidou dezenas de colegas, mas ninguém sequer ligou para dar uma desculpa esfarrapada para não aparecer. Se arrependimento matasse, heim!
Sua glória veio em 1980, no Festival MPB Shell, quando cantou e encantou com 'Porto Solidão', a música que o marcaria pelo resto da vida, e se tornaria um hino metafísico para muita gente.
Em 1983, ganhou o XII Festival da Canção Organização (Tevê Ibero Americana) como melhor intérprete, canção e arranjo, para 'Estrelas de Papel'.
Dependendo do espaço e da acústica local, o microphone era uma mera formalidade, por conta de sua voz tão potente e elástica quanto afinada. Com audição calibradíssima, ele se corrigia e acompanhava de improviso com extrema facilidade. Uma oitava acima, para ele era tarefa de criança
Morreu como amava viver, trabalhando. Foi em um acidente que lhe traumatizou o crânio, no quilômetro 486 da Rapozo Tavares, indo com a esposa a um show. Ela sobreviveu, mas perdeu a criança que gestava. Os doze dias de coma, com seu público rezando como nunca, findaram em 29 de Março de 1993, quando ele partiu.
Infelizmente, foi praticamente tudo o que encontrei de relevante. Nada sobre o bom
camarada e gente fina bem quista no meio artístico, que subia o tom de
voz para cantar, não para atacar os outros. O que mais dói aos fãs não é
tanto a perda, mas muito mais a ingratidão do público, que praticamente
esqueceu uma das melhores vozes que o Brasil já teve, um dos poucos
cantores que podiam competir com os dinossauros do rock. A simplicidade era uma de suas marcas, não tinha muitas cerimônias e não se endeusava. As emissoras têm um vasto acervo sobre ele e simplesmente não o veiculam.
Vejam só, leitoras e leitores, os americanos eternizaram o Porsche Spider 550 (um carro alemão!) em que James Dean morreu, e o brasileiro nem dá mais valor ao Escort XR3 conversível, o carro nacional que Jessé dirigia, quando perdeu o controle e sofreu a tragédia. Felizmente, é fácil encontrar letras cifras e vídeos.
Sua filha Rebeca, peixinha que não esconde a herança, canta principalmente o seu repertório, e canta bem:
Website de um fã dedicado, 'Inesquecível Jessé', clique aqui. A página é muito simples, mas completa e bem organizada, vale à pena clicar e vasculhar o conteúdo, que tem bons arquivos e bons downloads.
Beni é uma cantora japonesa. Seu estilo é assumidamente o pop de boa qualidade, não para se pensar duramente nos revezes da vida e meditar em uma montanha do Himalaia, seu som é para ser ouvido com calma, mas no cotidiano, durante um passeio, as tarefas diárias, se distrair da viagem, enfim, para desestressar dos excessos de baixo ventre e da pressão para ser extremamente intelectual o tempo todo.
Arashiro Beni (no japão o nlme da família vem antes) nasceu em Okinawa, no dia Trinta de Março de 1986, no auge da 'década perdida', da qual sentiríamos saudades em pouco tempo. Começou a cantar profissionalmente já madura, em 2004, depois de se formar em sociologia. Sim, talicoisers, a moça é cheia de conteúdo, não apenas mais um rostinho bonito com bom gosto e jovialidade. Traz nos traços a feminilidade e delicadeza típicas das japonesas, o que é uma armadilha, advirto.
Uma característica que ela partilha com outros pop japoneses, é a afinidade com os anos setenta e oitenta, bastante presentes em suas canções, especialmente o estilo americano de fazer pop. Mas não é por isso que relaxa na qualidade, ela faz bem feito, inclusive uma versão para "Ellie, My Love" do inoxidável Ray Charles, intitulada "Itochi no Elie".
Charmosíssima!
É uma cantora levemente açucarada, com tempero suave. Seu visual é o de uma moça moderna dos anos oitenta, com cabelos castanhos volumosos, mas não longos, cós alto e cores na idumentária. Para quem conheceu a década, é inevitável ligar o som, fechar os olhos e imaginar o Brasil recém-saído da ditadura (mal sabíamos, meu Deus) e cheio de esperanças, coma criatividade no auge, os quadrinhos nacionais produzindo como nunca e tudo mais. Os hits da época estão todos lá, prontos para a Sessão da Tarde voltar a valer à pena.
Sua voz não é empostada, não abusa de extremos de tons e não tem uma marca d'água a ser explorada. É leve de se ouvir, não cansa e não gruda demais, tornando-a apropriada para quem gosta de dirigir ouvindo música. Vais cantar com o som, mas não vais perder o foco do trânsito. O charme e a simpatia que empresta às photographias, até onde sei, são os que leva em sua vida pessoal.
Sob câncer, com uma força de vontade capricorniana, madrugou nos primeiros minutos de 17 de Julho de 1944, uma baita de uma segunda-feira, em Niterói... Leva uma bifa o brasileiro que me perguntar onde é Niterói! Actor, apresentador, cantor, compositor, escritor, economista, piloto de caça, ídolo de milhões, sonho de consumo das donas Mirtes, pé-de-valsa e sei lá mais o quê. Creio que com duas horas de conversa comigo, ele vira especialista em engenharia automotiva; o homem é o cara! Nome da figura: Ronaldo Lindenberg Von Schilgem Cintra Nogueira.
Sua infância foi muito estranha! Jogou bola, correu, caiu, machucou, passou gelol, voltou a correr, quebrou coisas, levou no lombo por isso, chorou perdas duras e foi acolhido pelos pais. Estudar era um suplício, afinal ele tinha que aprender para passar de ano, não tinha essa lambança de ser empurrado por psicopata-pedabobos. Precisava ler para fazer uma pesquisa escolar, tinha que andar até a biblioteca, anotar tudo o que fosse importante à mão, com lápis, levar para casa o que foi anotado, corrigir, passar a limpo e só então organizar tudo para fazer o trabalho. Músicas eram outra dificuldade! Para tê-las em casa, imaginem só, era preciso comprar os discos!
Coitadinho do Ronnie Von, que vidinha triste sem amenidades, facilidades, imediatismos e permissividades! Cheia de traumas e incoerências pedabobológicas politicamente impatéticas. Tadinho do Ronnie Voooonnn! Chuif!... UMA PINÓIA! O cara foi cuma criança feliz, saudável, com resistência a doenças que derrubariam vocês em três tempos! Ele nunca teve moleza, nem havia isso na época, mas teve uma vida confortável, com boas oportunidades que soube agarrar com vontade. Tornou-se um homem de verdade, um cavalheiro do tipo que faz muita falta em nossa sociedade pubiana.
Em 1960, aos quinze anos, entrou para a Escola Preparatória de Cadetes do Ar de Barbacena, onde pilotou um Fokker T-21, com apenas dezessete anos... E tu, mané, se gabando de pegar o carro da tua mãe escondido, heim! Apesar de ter passado em 72º lugar, entre quatro mil candidatos, que concorreram a 240 vagas, 16,66 candidatos por vaga, para a alegria das moças, descobriu a tempo que não era sua vocação. Se acham que não precisa de vocação para a carreira militar, experimentem entrar sem gostar, especialmente a aeronáutica. Mesmo assim, a experiência forjou seu já bom caráter. Em uma entrevista à Isto É (esta aqui) afirmou que lá aprendeu disciplina, organização, hierarquia e respeito à lei; cousas que não existem só no mundo militar, são parte da natureza e, nela, são implacáveis.
Estudou economia à noite, trabalhando com um tio durante o dia, administrando empresas de operavam o mercado de capitais. Se hoje isto ainda enrola a cabeça de muita gente, imaginem na época. Mas sua carreira solo durou pouco. Após casar-se com Aretusa, mãe de seus dois anjinhos, tentou trabalhar no mercado paralelo de capitais, montando uma distribuidora de valores, mas precisou vender até o carro para honrar seus compromissos. Foi particularmente doloroso, porque o carro foi presente de casamento do pai.
Mas eis que surge uma luz no fim do túnel, com Ronnie trabalhando no que aparecia, para manter as boquinhas famintas que tinha em casa. Os Beatles desembestaram pelo mundo e atrairam o interesse do nosso amigo em 1964. Claro que ele soube dos garotos de Liverpool por jornal, rádio e tevê, garoto, na época nem se falava em computados sem pensar em filme de espionagem. Em 1965 o amigo Eli Barra, integrande do cover Brazilian Beatles, o apresentou ao productor Glauco Pereira, que abriu o sorriso e contractou Ronnie. Aliás, ele fez a proeza de criar uma versão bem feita e coerente de uma música do quarteto, gravando "Meu bem", em cima de "Gilr".
Foi apresentado no programa "Brazilian Beatles Club", da sudosa TV Excelsior do Rio de Janeiro, cantando "You've Got to Hide Your Love Away". Daí acabou a pendenga, os sete anos de privações acabaram, os esqueletos de vacas voltaram para o Nilo e as vacas voltaram a ser gordas e produtivas. Até hoje.
Ganhou o apelido de "Pequeno Príncipe" no programa "Corte Rayol Show", em 1966, ano em que ganhou seu próprio programa, "O Pequeno Mundo de Ronnie Von". Em 1967 gravou "A Praça", de Carlos Imperial, e estourou nas paradas. Neste programa ele deu chance e mostrou para o Brasil um monte de gente que fez história na música popular, como toda a patota da tropicália e Os Mutantes; de início, o nome era "Os Bruxos", mas Ronnie os convenceu a mudar o nome. Com o fim do programa, passou uns dias em um bairro hippie, quando foi à Disneylândia, voltou psicodélico e actual com o que se fazia lá fora.
Seu sucesso causou ciúmes, dizem as más línguas, até no trio de ouro da Jovem Guarda. Mesmo não participando do programa "Jovem Guarda", capitaneado por roberto Carlos, ele fez parte do movimento e é reconhecido como seu integrande oficial.
Trabalhou em muitos filmes, freqüente com Os Trapalhões, inclusive actuou no argentino "Taxi Uno". Neste, aliás, encontrou a amiga de infância e amor juvenil, Cristina, com quem se casou e é feliz.
"Tranquei a Vida" o lançou internacionalmente. A música melancólica, em uma época em que as músicas francesa e italiana eram fortes no Brasil, marcou para sempre sua carreira e, de certa forma, sua vida também.
Teve muitos programas, sempre com seu público já fiel e cativo, como tem até hoje, apresentando o "Todo Seu" na TV Gazeta, sem arroubos de audiência, mas com índices seguros, nos quais a emissora pode se apegar para garantir os patrocínios. E a mulherada participa, não se enganem! O nível do programa é bem alto, coisa de utilidade pública mesmo.
Seu casamento durou doze anos, depois do quê precisou ser pai e mãe. Aqui o aprendizado na aeronáutica lhe valeu como salva-vidas. A experiência lhe rendeu a inspiração e experiência para se aventurar nas letras e lanças o livro "Mãe de Gravata", onde repassa sua experiência, seus erros e acertos, para quem precisa cuidar de seus filhos em situações adversas; no mundo de hoje, existir já é uma situação adversa, então compre e leia com vontade. Todo este cabedal seduz diariamente Cristina, sua esposa e companheira fiél.
Não há escândalos em seu currículo. Ele mantém a porta de sua casa fechada a quem não interessa. O facto notório e comovente foi em 1979, quando contraiu Polineurite Neuro Radicular, que o deixou na cadeira de rodas por meses. Peninha? Há! Respeita, rapá! Ele afirmou em alto e bom tom "Só saio do palco se me abaterem a tiros, e mesmo assim vou lutar para que isso não aconteça". Uma resposta para a imensa corrente de orações dos fãs em seu favor. Se há uma palavra para descrever sua postura diante das cacetadas do mundo, é "DIGNIDADE".
Ronnie é um homem bom, ordeiro, gentil, honesto, íntegro, culto, experiente, alguém que muitas mulheres temem encontrar, porque temem ser uma ilusão grande demais para suportarem uma eventual decepção. Ele entende as mulheres, compreende sua alma e a toca com a delicadeza e firmeza necessárias, daí muito idiota, até hoje, comentar que ele é gay. Para quem não conhece seu programa, lá há o quadro "Visão Masculina", onde só homem entra, para que eles possam desabafar, falar, colocar seus bichos para fora e aprender com o mestre o que fazer. Sujeitinho legal, heim!
Para saber mais, basta digitar "Ronnie Von" no buscador e ter uma miríade de informações a seu respeito, inclusive uma penca de entrevistas relativamente recentes e confiáveis. Letras, músicas e vídeos aos borbotões estão ao seu alcance, sem que precise copiar, corrigir, passar a limpo, organizar, et cétera.