quarta-feira, 6 de março de 2019

Dead Train in the rain CLXXVIII

    Temos nossos próprios radicais. A estação 178 explica com calma como pensa um radical, seja de que tipo for. Vigiem e embarquem, o trem vai partir.


Gente estranha tem abordado as ex-cativas, perguntando se a vida aqui fora não é muito mais dura do que a da época do cativeiro (...) são repelidos com rispidez. Um se aproxima de Prudence, lamentando Natasha não estar com ela. Começa com “Vida dura, não?”, ela o fita de alto a baixo e responde “Não a minha”. Volta às compras na frutaria, passa o cartão e segue para casa. É seguida até um local com pouca movimentação...

- Você foi prometida pra Deus, não deveria ter saído de seu caminho. Você não se preocupava com nada, hoje se preocupa com tudo...

- Ah, é? Vai lá e fica no meu lugar, boçal.

- Você vem comigo, vai seguir o seu destino...

- TÁ ME MACHUCANDO!

Ela dá uma joelhada no fígado, ele a solta, mas dois outros a pegam (...) ela sangra enquanto é dominada e tenta gritar, e seus agressores dão mortais e cambalhotas sem saberem o que os atingiu...

- Ninguém toca em minha irmã!!!

Richard os faz literalmente voar contra as árvores da alameda. Leva a irmã nos braços até o Triumph Stag azul de um amigo, cujo problema de confiabilidade ele resolveu (...) Enquanto os homens de Chuck recolhem o lixo, Prudence é tratada no pronto socorro...

- Você está bem, Proo?

- Tô... Só fiquei com medo de voltar praquele lugar...

- Ninguém vai te levar de nós.

- Ninguém mesmo! Quem ousou tocar em minha filha?

- Os seguidores da cobra.

- Quem???

A enfurecida Patrícia acolhe a filha, enquanto o ambulatório começa a encher de parentes, Nancy querendo nomes. Vão à chefatura, prestar depoimento. Prudence não hesita em apontar e dizer “Foram eles, mom”. Joseph volta quase voando de Cadillac (...) Nos braços está aquela que os agressores realmente queriam levar embora. Eles se desfiguram quando vêem Natasha, como lobos que vêem um cordeiro perdido. O olhar de quem comanda a vida e a morte, da avó da menina, controla seus ímpetos (...) Queixas de outras mulheres são registradas no mesmo dia e a população reforça a vigilância. Richard pega o smartphone de um deles (...) e dá uma olhada nos contactos. O olhar de fúria do velho Gardner os faz congelar...

- Vocês estão traindo seu país com os extremistas que o atacaram! Chuck, este caso agora é com o FBI... Marcel, venha a Sunshadow, tenho um caso para vocês.

O federal (...) diz que Ricky deveria ter batido até eles ficarem invertebrados. A boa notícia é que a ação deles revelou um fio da meada que o governo procurava há anos (...) Mas isso não aplaca a fúria da mãe, diante do ferimento no corpo geneticamente delicado de sua filha. Josephine ficou feliz quando soube da descoberta, mas explodiu quando disseram a que custas isso se deu. Leva Zigfrida para ver sua afilhada...

- Eles mexeram com minha filha! Eu não vou descansar até todos pagarem por isso!

- Nem eu. Trouxe Frida por precaução, porque sei que você a educou muito bem e ela não se abala só por isso... Como se fosse pouco... Vamos controlar nossas fúrias para o momento certo.

- Tem razão. Beth e Proo precisam de sua mãe serena agora... Adivinha, ela se cortou com uma faca, quando machucaram a irmã.

Na biblioteca, enquanto a sueca cuida das mentes, uma cuida do ferimento da outra. Assusta mais saber que queriam levar sua filha embora, para ser usada como vaca parideira...

- Vocês já têm idéia precisa de quem nós somos, não se preocupem. Gente nossa vai ficar de olho diuturnamente, inclusive sua prima e sua sobrinha...

As duas conversam sobre como podem proteger as irmãs, depois com outros agentes planejam o que fazer para ajudar a eficaz polícia local a lidar com esses americidas. Sabem de cara que o sunshadower terá que se meter mais na vida do concidadão, porque será necessário.

Elias é abordado por um homem, quando sai de uma BYOP em Lansing. Ele questiona se o brasileiro tem visto de permanência, se está realmente legal e se não teme ser deportado. Ele o encara, mas mantém silêncio (...) Quando o interceptador se cansa, responde “Sou notório demais para a imigração não ter me notado”. Entra no Model S e volta para Sunshadow, mas vê pelo retrovisor o sujeito conversando com outro, que empunha uma câmera.

Conta em casa a respeito, mas trata de conter a filha, idiotas como aquele vão brotar em maior número por um bom tempo, ela sabe disso melhor do que o pai. Enya comenta algo a respeito, da suíte, onde Norma a ajuda a fazer a mala para um ensaio rápido em Dallas. Rápido, mas serão três dias longe da família, de seu caçula, seu neto e seu marido...

- Amor... Quer vir comigo?

O olhar suplicante valoriza o convite. Ele aceita. Ronald e Rebeca devem uma visita, será um bom motivo para pagar, indo com eles à fazendo dos amigos. Desta vez Evelyn fica, será seu teste (...) Não ter com quem falar no fim do dia, é o que incomoda. Vai para as redes sociais, ver se encontra alguém específico. Lá está ele, reclamando...

- Ele pensou que me chamando de “veado”, me ofenderia. Ficou zangadinho quando fiz um joinha.

- Ele te agrediu?

- Não, Evy, ele só saiu xingando e pisando duro... Mas me fala de você, daquele bafafá todo...

- Ele mexeu com a minha família, chamou meu pai de corno e minha mãe de puta.

Ele nota a diferença clara entre a moça que deixou e a com quem conversa agora. Ao fim da conversa, pensa um pouco (...) Vai ao sex shop, explica sua situação e a vendedora, que foi sua colega de escola, lhe apresenta exactamente o que pode precisar...

- O que é isto?

- Uma cinta com um consolo. Se quiser ter chances com um gay, vai ter que oferecer o que ele quer... Tem também este acessório, com ponta para dentro, aí você curte com ele, se demorar a liberar o que você quer... Você escolheu o mais difícil, minha amiga.

- Eu sei... Encrenca... Isso vai ser muito estranho! Eu levo.

Aproveita que Lobsang não dá a mínima para brinquedos humanos, fica na sala a estudar o que comprou. Levanta a saia, põe a cinta (...) Leva um baita susto, quando tocam a campainha. Pelo monitor vê Renata e Matthew. Deixa entrar. O abraço tem outro susto, Renata pula para trás quando sente aquele volume , e só então o casal vê aquilo sob a saia...

- Eh... Se me lembro bem, você não é hemafrotida...

Fica rubra. Tira o menos indiscretamente possível o aparelho, de costas. Conta a história toda (...) não quer dar mais uma esperança sem ter algo sólido para apresentar...

- E com isso aí, você quer bancar o macho pra ele – conclui Matthew.

- Por aí... Eu tenho que oferecer algo pra ter o que quero.

- E ele?

- Temos conversado, tia Rê. Ainda não toquei no assunto, quero falar directo pra ele.

Ele também enfrenta alguns problemas. Foi longo e difícil o processo de aceitação da família (...) Mas uma vez aceito, passou a enfrentar os mesmos problemas das irmãs, sua mãe se tornou sogra de todos os pretendentes delas, e todos os rapazes que ele arranjava; sogra na pior e mais caricata acepção da palavra.

&

Leonard encontra Rebeca em um pet shop de Dallas (...) Ele elogia a mudança de postura de Evelyn, diz o que conversou com ela pelo Facebook, depois no Tweeter e mais reservadamente pelo Watsapp...

- Ela te contou isso?

- Contou... Não deveria?

- Ela não fala disso pra ninguém! Nem com a gente ela se sente à vontade pra falar disso.

- Wow... Consegui uma amiga de verdade!

- “Amiga”... Tira uma selfie comigo.

Evelyn é avisada. Usa um intervalo da orquestra para ver. Conhece aquele olhar, ele sempre significou “Vamos conversar em casa”. E conversam. Ela mostra o que comprou para facilitar...

- Por que tão grande, Evy???

- Eu não tenho noção disso, pedi o melhor que tinham.

- Foi a Holly que te vendeu isto? Sabia.

- Dá quase dois do meu! Você tem certeza de que ele está acostumado a tudo isso?

- Ele me falou... Eu juro que vou torcer e arrancar o pau do cara que bateu nele!

Os dois soltam “Está apaixonada” ao mesmo tempo. No dia seguinte conversam com os outros, na Máquina de Costura. Novamente Luppy se mete no meio com uma história...

- O marido dela era conhecido como Buraco Negro, era insaciável! Depois de casado continuou a ser sem-vergonha, como todo homem, mas é baita maridão e um paizão de dar inveja!

- Obrigada por me animar... Mas esse lance da despedida de solteiro...

- Só tinha homem, tava tudo liberado, então...

A sala se enche de risadas, com a cara que ela faz. Decidem dar uma ajuda, no show cuidarão para que os dois fiquem o máximo possível juntos. Agora passam para o problema das empresas que precisaram socorrer, querem devolvê-las para seus fundadores, mas alguns deles gostaram de ser empregados, é muito mais cômodo (...) O sossego supera a sensação de poder que tinham. Vão repassá-las para parceiros que trabalham em suas respectivas áreas, dão início aos trâmites legais e voltam às suas vidas civis com acepipes que fazem na copa.

Glenda entra com Elvira nos braços, para assombrar democraticamente outras casas, além da própria. Lady Spy se joga nelas, quer o restante do passeio até o coreto do jardim. Se aboleta nos braços da tia, enquanto a gata se deita de barriga para cima nas pernas da dona. Os motivos para ter deixado a paz de sua fazenda são dois: Elizabeth e Prudence (...) Depois de coletar informações, vai visita-las. Estão em uma varanda dos fundos, conversando sobre incluir o problema do fanatismo na novela...

- Disso eu entendo.

Viram-se e correm para receber sua editora. Lhe entregam uns rabiscos que fizeram em horas vagas, para ela estudar e ver o que pode fazer (...) Avisa, na sua linguagem esotérica, que as trevas estão furiosas com Sunshadow (...) Detalha o modo como os trevosos se apoderam da mente de quem tem certeza de que tem razão absoluta e age assim. Prudence se lembra das palavras do agressor que a abordou, a sinceridade dele era perturbadora. Continuam até o fim da tarde, quando a bruxa realmente precisa voltar para seus afazeres.

Entra no Patrician e volta para sua sagrada fazenda. Ainda precisa fazer algumas coisas nos outros planos (...) Assim que chega afaga a mãe, abraça a avó, beija o pai, rodopia um pouco com Crazy Horse e leva o marido para ajudar. Ele acende as velas e os incensos, enquanto ela traça o círculo e coloca os cristais em seus lugares, entoando canções em sânscrito e gaélico irlandês. Juan já começa a ouvir passos e suspiros como os de crianças pequenas. Glenda respira fundo e decreta “Eu Sou”, então tudo se cala repentinamente. O ritual dura quase uma hora, ela o encerra deixando velas e incensos queimarem até o fim, agora precisa descansar (...) Quando amanhece, vê os relatórios de seus contactos, repassa à organização o que considera necessário e inicia os trabalhos da Culture Train. Começa estudando os rascunhos que recebeu ontem, muito pueris, chegam a ser engraçados, mas consegue ler.

terça-feira, 5 de março de 2019

Dead Train in the rain CLXXVII

    Sangue de leão! A estação 177 mostra como uma má intenção pode render bons resultados à vítima. Embarquem, o trem vai partir.


Renata recebe cartas com teores obscenos. A surpresa não é só por ter recebido cartas, nem só pelos teores, mas pelos remetentes terem criado um mundo paralelo no qual ela teria vivido aventuras sexuais, enquanto Matthew estava trabalhando fora, citando detalhes de turnês (...) Liga para as companheiras, elas também receberam essas cartas. As três chamam seus maridos, a quem os remetentes ameaçam contar tudo. Phoebe também recebeu uma. Parece que a intenção do autor, ou dos autores, é justo provocar problemas conjugais na banda. Detalhes anatômicos são citados e palavras de indignação as acusam de terem-nos trocados pelos rapazes da banda (...) Sandra alerta todas de que há material afim circulando na internet.

Phoebe rastreia a origem de cada declaração, enquanto ainda está fresca. Dispositivos móveis novos e abandonados, alguns destruídos, são as origens desta encrenca de São Valentim. O sexteto vai aos seus canais e avisa conhecer o conteúdo (...) Estilos e escritas são distintos, mas cada uma é tão regular e bem horizontalizada, que desconfiam terem sido escritas por máquinas. Tecnologia para isso existe, o que descarta de cara muitas pessoas, porque seriam máquinas caras.

Alguns canais de internet, e notas em programas matinais de televisão, alardeiam a queda das máscaras das boas moças da Dead Train. Matthew coloca os seus em ação (...) Os autores parecem conhecer bem os seis, mas só até a época da formatura do colégio...

- Estão pensando o mesmo que eu?

Patrícia aventa a possibilidade de desafetos do colégio estarem por trás de tudo isso. Ligam para Melanie, ela sabe onde alguns moram, mas nenhum deles ficou em Summerfields (...) vários deles congregam em igrejas que variam da intolerância simples ao extremismo fundamentalista. Essas igrejas têm cacife para mandar fazer uma máquina de instrumento de escrita. Seria cara, mas não seria grande, caberia em uma mesa...

- Meus amigos, eis nossos suspeitos.

A experiência na organização é valiosa, seleciona os ex-colegas e as igrejas mais prováveis, mas não descarta em absoluto nenhum deles. Começam a se lembrar das últimas encrencas e implicâncias (...) Rebeca se lembra de um em especial, ainda no início da adolescência, quando os seis falavam dos filhos que teria com Ronald...

- Pelo que eu sei, tudo o que eu disse que aconteceria àquele porra seca, aconteceu.

- Não é de se descartar. Ter sustentado doze filhos que sabia serem de outros, deve ter desparafusado tudo naquela cabeça fraca – diz Patrícia.

- Naquele dia, Lawson me entregou a ficha dele. Cabeça fraca é quase uma herança genética. Mas ele não tem cacife pra tudo isso. Acredito que colaborou, mas não que seja um dos autores.

- O mais provável é que tenha soltado tudo o que sabe – diz Ronald. Ele tinha tembém ligação com um político, se não me engano.

- Um vereador era tio paterno. Nunca conseguiu ser mais do que isso, mas vivia se gabando e prometendo que mudaria o mundo, quando fosse presidente – completa Robert.

Enzo faz o sinal da cruz, não quer pensar em um fanático bitolado como aquele com o dedo no botão da hecatombe atômica (...) os seis trabalham para selecionar suspeitos, e Phoebe aprofunda indignada sua investigação. Descobre o provável mentor da celeuma. Vai à Máquina da Costura cercada por quatro drones de vigília, ignorando paparazzi inconvenientes...

- Você não vai dizer nada sobre as acusações?

- Não. Você vai?

Entra e Spark monta guarda do lado de fora (...) Lá dentro ela exibe indícios de provas, lojas de componentes e técnicos em informática têm um pastor como cliente comum recente. Não muito, mas é recente. Tempo suficiente para ele ter feito cada ex-colega elaborar um texto e aprendido a utilizar a máquina. As avós a enchem de afagos, agora sabem a quem investigar. Matthew é contido quando carregava uma pistola e ia tirar satisfações (...) Encarregam Phoebe e Sandra do serviço.

À noite as duas estão de macacões pretos, com cabelos em véus e alguns brinquedos de alta tecnologia. A igreja tem segurança, mas isso não as preocupa. Colocam as máscaras foscas, saem da Kombi preta e vão ao trabalho. A frente está coalhada de gente, é onde a segurança concentra esforços. Procuram por uma câmera de segurança mais vulnerável (...) Em menos de dois minutos instalam um dispositivo de espionagem (...) e voltam para a Kombi. Com um tablet iniciam a invasão, reactivam as câmeras e entram no computador. Lá estão as imagens das peças sendo entregues, os técnicos montando as máquinas, outros buscando as suas e o reverendo fazendo testes por vários dias. Ela está guardada no armário, sobre uma mesa com rodízios. Já têm o que querem, ligam o motor eléctrico e voltam para Sunshadow.

Matthew entrega o material para um de seus ex empregadores (...) A manhã seguinte é de mais escândalos, mais audiência e mais patrocínio. Os técnicos são identificados e contactados por internautas, interessados em máquinas como aquelas. As igrejas envolvidas ficam cercadas pela imprensa, por paparazzi e por blogueiros ateus querendo esfregar os dez mandamentos nas fuças deles. É uma reviravolta que não poupa Evelyn de um desgosto, quando abordada por paparazzi...

- Já descobriu quem é o seu pai?

Ela perde o medo, a timidez e encara o atrevido...

- O quê?

- Todo mundo sabe que Ronald não é... seu pai...

Emerge a Rebeca que adormecia. Ela funga forte, fecha os punhos e faz uma cara de dar medo. Os veteranos reconhecem aquela cara, sabem que ninguém fica impune quando Rebeca fica assim. Ele queria ver “Evelyn agride paparazzo polêmico”, mas aparecer no obituário de um jornal não estava em seus planos. Um tenta contê-la, mas leva um murro no nariz então (...) Avisam imediatamente os pais da moça, quando eles chegam, o paparazzo está com hematomas, pressionado contra uma árvore...

- VÁ SE FODER, BABACA! Só porque o cafetão não quis te assumir, não significa que todo mundo seja filho de amantes!

Não reconhecem a filha. Não reconhecem e não se atrevem a interromper (...) Mas a baixinha fica muito feliz, ver a caçula não só não se esconder, mas atacar furiosa o agressor, deixa seu coração mais morno. A acolhem assim que o manda voltar ao esgoto de onde saiu. Em casa ela estranha não chorar. Na verdade queria quebrar o pescoço do atrevido...

- Eu pensava que tivesse sangue de barata...

- Eu não te passei linfa, meu amor. Te passei sangue! Sangue de Spring e Marselha. Seu avô era um momem valente que não se detinha por nada, sua avó enfrentou todo mundo para se casar com um caminhoneiro que mal sabia ler e escrever na época; Seus avós paternos são nobres de uma tradição de quase mil anos. Não tem nenhuma barata em nossa família, só leões.

- Vão te encher o saco, pelo episódio de hoje, mas eu vou adorar ler os detalhes que perdi. Neste natal eu quero que você faça o pão.

Pela primeira vez em quase um milênio, a autoridade natalina é passada para outro que não o primogênito. Os olhos da moça brilham, prepara agora mesmo uma versão mais simples (...) Quando volta para a orquestra, Happy Moon nota a diferença. Vê Rebeca no rosto da maestrina...

- E tentando acovardar o bom homem, Satanás o indignou e enfureceu, e fez o trabalho dos anjos. Do mal emergiu o bem maior.

- Não vou mais abaixar a cabeça pra ninguém. Alguém do balé chegou?

- Todos eles. Fique à vontade.

Volta ao seu passeio pela orquestra, mostrando ao rebento a missão que o aguarda (...) enquanto Kurt pinta e cria inspirado no filho. Luis colabora, faz xadrezes célticos multicoloridos para roupas infantis.

segunda-feira, 4 de março de 2019

Dead Train in the rain CLXXVI

    Rockabevelyn. A estação 176 tira o véu da invisibilidade que cobria a jovem fidalga. Todos a bordo, o trem vai partir.


A neve finalmente começa a derreter de verdade (...) Beef acompanha a dona até a Máquina de Costura, onde pega as bisnetas e trisnetas, e leva para a fundação. O gato fica por lá mesmo. A altivez da matriarca ainda impressiona, ela demonstra vigor e curiosidade pelo mundo. As marcas da idade não a incomodam, incomodam aos vigilantes da vida alheia, mas sabe mandar alguém se ferrar apenas olhando. Entrega as pequenas às suas professoras e vai ver como sua neta está lidando com a filha aluna...

- Ela é muito manhosa.

- Como sua mãe. Fora isso, algum problema?

- Não, às vezes eu gosto dessa manha... Mas ela precisa aprender a ficar sem mim.

- Ela vai aprender. Vamos?

Deixam Caroline com as cuidadoras e vão cuidar de seus alunos. Alguns novatos começam hoje, dois deles são de outras cidades (...) precisarão de mais atenção. O desespero da mãe as comoveu, “Eu pensava que estivessem aprendendo alguma coisa, mas estavam só seguindo um protocolo para passar de ano” (...) Há iniciativas pelo país, mas são muito pontuais e as escolas normais parecem ter medo de aplicar as soluções encontradas. Sempre pensa “Não somos só nós, o mundo inteiro está desabando”, que não consola, mas evita que odeie o próprio país. Vê a primogênita chegar com um sorriso largo, passos leves e um envelope nas mãos.

Veio entregar pessoalmente o convite para a noite de autógraphos de suas meninas. Elas já entregaram o primeiro livro da série para Glenda...

- Convertendo pro formato, dá trezentos e quinze páginas, sem as ilustrações, com elas são trezentos e quarenta.

- Menos do que a gente pensava. Vamos detalhar mais nos próximos.

- Fazer menções ao primeiro livro, quem sabe...

Combinam (...) Elvira perambula entre as pernas dos adultos, puxando saias, trombando em todo mundo, até ser pega pela mãe, que a chama de “minha pequena assombração”. Alguns calafrios, sussurros estranhos, um perfume campestre bem sutil e inspirações inesperadas acompanham a menina...

- Ela vive em dois mundos, terei que ensinar a controlar isso e não comentar a respeito com qualquer um.

- Sinistro! Se ela já pudesse falar!

- Nem quero pensar nisso – responde, do fundo, o pai preocupado. Vocês duas sabem o que o mundo faz com pessoas fora dos padrões. Não quero sofrer antes da hora.

As irmãs sorriem. Se olham, dão tchau e rumam para o Corvair Monza branco 1967, abrem a capota e conversam pelo caminho sobre a nova inspiração. De quem é o carro? Das duas. Fora os maridos, elas dividem tudo (...) Vão decepcionar os fãs de filmes de espionagem, mostrando como realmente é a vida de um agente secreto em serviço, e como o serviço pode ser sonífero para quem o acompanha, por isso apelaram para o humor e as implicações históricas.

Pensam em abranger mais coisas, mas isso será no decorrer da novela, com calma, com algumas outras obras entre cada lançamento, para não se bitolarem nela. Vão ver suas pequenas e ganhar uns afagos da avó. Nancy é elogiosa com as meninas, mas se preocupa com a sensibilidade de Natasha (...) as pessoas não vão se importar em magoá-la, se estiverem armadas de suas certezas. Aconselha ensiná-las agora a lidar com o mundo insensível que habitam. As suas se olham, está na hora de colocar essas meninas no caratê. As levam para casa assim que terminam seu turno, iniciam de imediato os primeiros passos. A avó materna das meninas toma conhecimento...

- É o melhor que elas fazem. Quanto menos elas agirem como caça, menos serão vistas e tratadas assim.

- Eu ainda fico besta de saber disso, Patty. Uma menina tã linda, tão educada, tão fina...

- Para o mundo, Luppy, tudo isso são características de caça. Vai um conselho: ponha seus pequenos também para lutar. Uma menina albina não vai ser mais bem vista do que minha neta.

Enquanto o mundo desaba, eles tocam suas vidas como podem. E o mundo não deixa de bisbilhotar a vida alheia só porque está desabando. Aqueles anéis já tinham chamado atenção, agora o casal dividindo um sundae confirma as especulações, Giovanni Crepaldi e Sandra Monteiro estão noivos (...) Enya volta de um ensaio, vai ao marido e os dois são interceptados por paparazzi, o mesmo acontece com Enzo e Silvia, mas abusam e abordam também Karen e Claudett...

- Eu não entendi ainda o motivo dessa chatice toda. Me expliquem.

- Seu irmão vai se casar, ele tem praticamente a idade de suas filhas.

- Além de estar me chamando de velha, o que há de extraordinário nisso? Apesar das carinhas juvenis, eles são adultos.

- E as Lices, quando vão se casar? Nós nunca as vimos com ninguém!

- Glória a Deus por isso! Sinal de que elas ainda conseguem alguma privacidade neste mar de bisbilhoteiros desocupados!

As duas entram no De Soto e rumam para a academia, seguidas de perto por um enxame que sabe que não poderá entrar (...) E por falar em De Soto, É o carro que Patrícia achou a cara da afilhada, um Sedan De Luxe 1951 azul, aparentemente impecável, que está vistoriando agora, com a ajuda de seu pai, seu filho e sua neta. Havia um Sedan 1948, muito estiloso, mas seu aspecto é muito pesado para o gosto de Carly. Aprovam, esperam que ela aprove...

- WEEEEEEEEEEEEEEE!

Ela aprovou. Entra e sai por todas as portas, abre o capô, vasculha o porta-malas, se vê nas calotas e faz o cheque para o vendedor. De blusa branca e saia marrom mescla, chama Phoebe e vai buscar os outros comparsas para a estréia de sua novidade antiga. Pelo smartphone ela toca algo de The Postmodern Jukebox (...) voltam à Máquina de Costura com uma sugestão, fazer shows conjuntos e, quem sabe, até um álbum com bandas e cantores retrô que pipocam pelo mundo. Patrícia convoca os comparsas, a casa é preenchida com “woohoooo” e se põe a planeja (...) com a leveza dos primeiros dias da carreira.

Praticamente todos aceitam de imediato, alguns precisam jogar água fria na fronte para acreditar, outros acordar do desmaio (...) alguns de big bands que resgataram a boa tradição da música americana. Irônico isso ter começado na Holanda. Vêem os melhores lugares para os vinte e poucos shows que isso vai render. Discutem tudo lá mesmo e mandam os resultados para Melinda se virar (...) E a imprensa divulga, nem esperam o Cibertrain Actualizar a agenda, o que gera alguns foras e obriga a editar várias chamadas.

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Com a experiência acumulada, o website das irmãs Petty Prado divulga o início da novela, e lançamento do primeiro de doze livros. As livrarias já começam a receber suas encomendas (...) Tudo corre bem, os fóruns de literatura prosperam com especulações sobre o tema da novela e os motivos de ela ser tão longa. As duas são seguidas por paparazzi, que descobrem que cérebro tem um público cativo, mas no caso a photo vende também para os amantes de fofocas e beleza feminina.

A primeira e obscura big band chega a Sunshadow, sugestão de Bart, para conhecer ao vivo os ídolos com que dividirão um palco. Aproveitam para a noite de autógraphos de “The Spy Novel” (...) Mil teorias conspiratórias nascem e florescem, grupos de leigos e especialistas em filmes de espionagem se reúnem para debater o conteúdo, que nem conhecem ainda. Mas babam assim que começam e vêem a quantidade de referências históricas e citações notórias dos membros da Dead Train, fundadores e auxiliares, e algumas de seus avós que só agora o grande público conhece. George Gran Ville, pseudônimo desconhecido de sua amada bisavó, torna-se personagem dos dois primeiros livros.

Quando elas aparecem no hall do shopping (...) é como se fossem duas estrelas de televisão iniciando o novo episódio. Pelas roupas, uma sitcom dos anos sessenta. E é claro que a Dead Train está lá, para prestigiar e providenciar a música ao vivo. Alguns figurões do governo ficam de cabelos em pé logo no primeiro capítulo, percebem que a organização deu uma aula de conspiração e espionagem para as duas (...) por isso mesmo...

- É uma ordem! Vocês todos vão ler esses livros e procurar os sinais secretos que eles certamente colocaram neles! Não desprezem uma vírgula estranha sequer!

E há mensagens ocultas, mas só os membros plenos da organização saberão reconhecer. O humor por vezes sutil, por vezes escrachado, faz o tema normalmente tenso ficar leve, a intenção delas é o cidadão perder o medo do mundo da espionagem (...) As ilustrações têm o estilo da época retratada, e será assim com todos os tomos. Os leitores mais rápidos postam suas resenhas no mesmo dia, inclusive alguns agentes secretos, do governo e da organização.

Evelyn ciceroneia a banda visitante, às vezes olhando mais interessadamente para um saxofonista de barba densa e muito bem feita. O rapaz, de colete dourado, gravata borboleta e mangas longas, é bastante interessado, mas para sua tristeza, é gay (...) Não é questão de envolvimento por impulso ou sem compromisso, para isso qualquer um deles serviria. Ele parece interessado em Elias, mas sabe que é hétero e casado. A maestrina brilhante é uma pessoa quase apagada, atida à vida doméstica e assuntos de família, ele é baladeiro e tem horror a quatro paredes, mas fica intrigado com a dupla personalidade da moça (...) tinha outra imagem dela.

O penteado simples ao extremo, a blusa de tricô com uma tulipa no peito, a saia plissada azul, as sapatilhas pretas sem absolutamente nada, a maquiagem que faz lembrar sua mãe em visita de família, os gestos mínimos e o tom de voz baixo. Pergunta-se se ela existe fora do palco, se hiberna, anda no piloto automático na vida civil ou simplesmente faz gênero para surpreender a quem interessa (...) A curiosidade o impele...

- Legal a sua mãe ter te respeitado, quando você não sabia que era esse monstro da batuta. Conheço artista que força os filhos e ainda belisca, para sorrirem em público.

Fica tímida, rubra e sem conseguir soltar mais do que “Minha mãe é incrível”. Rebeca e Ronald confirmam, a filha é de uma timidez extraordinária, especialmente quando há gente de fora por perto (...) Outro detalhe: ela só bebe em casa, então não adianta oferecer algo para relaxar...

- Neste mundo de hoje, como ela convive com as pessoas?

- Só em Sunshadow ou entre amigos. Temos um casal amigo em Dallas, na propriedade deles ela fica à vontade, mas se retrai quando um desconhecido aparece – diz Ronald.

- Tão gatinha... Se eu fosse hétero... Posso tentar ajudar?

- Vá em frente – autoriza Rebeca.

Vai contar uma pequena e inofensiva mentira para ver se consegue. Diz ao ouvido que o batom está um pouco borrado, depois de ter tomado tanta limonada, mas por sorte ele sempre traz um ou dois para ajudar amigas (...) Ela escolhe um vermelho intenso aveludado, que é o menos sexy, vai ao toilette e volta com o rosto todo iluminado por aqueles lábios flamejantes. Aquela moça quase invisível torna-se chamativa por causa de um simples batom. Ela não se solta mais por ser o centro das atenções, na verdade fica mais tempo perto dos pais, até os irmãos a tirarem e levarem para o meio da muvuca.

Marie coloca um rockabilly original na jukebox e Jean Pierre cuida de embalar a irmã (...) Ela pega no tranco e só acorda na manhã seguinte, com os pais comentando à mesa...

- Eu???

- Espere até ver o vídeo!

- Filmaram???

- Claro que filmaram, tinha mais paparazzi lá do que na noite do Oscar!

Ela se encolhe. Se encolhe ainda mais quando o pai lhe mostra o que já circula pela internet, e o apelido “Rockabevelyn” já pegou. Ela sai para o trabalho normal na orquestra, nota olhares (...) e percebe que está sendo seguida. Corre e entra na Caixinha de Música...

- Olá, roqueira! Bom dia! A que devo essa visita tão assustada?

- Estão me seguindo!

Marcia vai à janela e vê paparazzi em frente. Nada de anormal, se sua vítima preferida não estivesse em Detroit. Depois da exibição de dança de ontem, esperava que estivesse mais solta...

- São só paparazzi. Chute os bagos de um e os outros mantém distância.

- Eles nunca me seguiram antes!

- O mesmo mal da Steph... Vem comigo, eu te acompanho. Spark, guarde a casa!

A acompanha mostrando como agir. Nunca agir como caça é a primeira lição, o que inclui não dar satisfações (...) Happy Moon está esperando por sua maestrina maior, imagina o motivo de ter chegado com menos de uma hora adiantada...

- Estava bom demais para ser verdade... Ouça, Sea Turtle, vamos ter que radicalizar com você. Se abrir só quando mergulha no oceano da orquestra, não vai te dar a vida que eu sei que você quer; Já perdeu dois namorados por causa disso, lembra-se? Vá se preparar, depois conversamos... O que conversou com ela?

- Dei um guia de sobrevivência para o mundo real, que no caso dela é o mundo das celebridades de primeira grandeza. Ela tá ruim, Moon!

- Eu sei... Ela não se adaptou à vida sem privacidade do século XXI. Depois vou falar com os seis e ver o que fazemos por ela, mas terá que ser drástico desta vez. Você, sua mãe e sua tia fiquem de prontidão, ela vai precisar.

Vai falar com a mãe (...) Dizer que está pior do que pensava, é chover no molhado, o caso recalcitrante de timidez aguda não seria tão problemático se ela não quisesse uma vida normal (...) Agradece e pede que pense am algo, até ela sair da reunião e ir buscar Eddie. Conta aos amigos a respeito...

- Então era ela a vítima dessas piranhas de tabloides?

- Vocês precisavam ver ela se encolhendo toda, enquanto via um vídeo que postaram da performance de ontem.

- O que sobrou em você, faltou nela, Mascote.

- Então a gente vai ter que fabricar um pouco, porque desse jeito ela não pode ficar.

- Podemos combinar com os rapazes, já que com rock anos cinqüenta ela se soltou tanto...

Falam com eles. Decidem ensaiar com a orquestra (...) Hoje os seis vão ensaiar de frente para a orquestra, para verem o resultado na maestrina. Ela está tímida, ainda mais com a presença do cavalheiro que não gosta da fruta, tenta se concentrar na regência para se distrair do mundo.

Combinam a canção, afinam vozes e instrumentos, a orquestra sob a supervisão rigorosa de Evelyn, sincronizam e o rockabilly começa. A transformação é espantosa (...) brilha forte e rouba o espetáculo privativo. Happy Moon observa. Assim que têm uma pausa, ela entra em cena, empunha uma batuta e manda Evelyn para a pista de dança...

- Você. Dance com ela.

Sem meias palavras. O rapaz obedece como se a ordem fosse de sua mãe. Os olhos dela brilham, quase fica com medo. Lidia é enérgica em sua regência (...) vê o casal se acabando na dança, então não faz a mínima questão de interromper a execução. Os pais da roqueira enclausurada aplaudem, incentivam e a filha só sente cansaço e dor quando para (...) só gente próxima viu o espetáculo, ele não vai alimentar mais comentaristas bobos. Renata agradece pela ajuda...

- Por nada. Só cuidem para ela não se recolher na carapaça de novo.

Farão. Orquestra dispensada por hoje, vão à Máquina de Costura, comemorar o feito. De quebra já sabem o que tocar em New Orleans, no dia do show conjunto.

domingo, 3 de março de 2019

Dead Train in the rain CLXXV

    Tempestades de inverno. A estação 175 traz mais transformações e prepara terreno para encrencas vindouras. Apresentem seus bilhetes e embarquem, o trem vai partir.


Assim que a neve permite, retomam os treinamentos conjuntos (...) Ainda é frio, mas as roupas certas resolvem, mesmo para quem não precisa delas... Ok, dentro dos limites da casa da vovó, ela pode dispensar o agasalho. Não há shows agendados para 2013, querem um tempo para a mídia descansar da banda, mas parece que ela gosta do cansaço. Uma matéria sobre os colecionadores e lojas de antiguidades, que guardaram todos os productos licenciados do jubileu de ouro para investimento de longo prazo, repercute na internet. Alguns estão em cofres com atmosphera neutra, que só serão abertos em 2037... alguns nem têm prazo.

Piscina, por enquanto, não. Nem para Phoebe. Vão todos começar o dia, já despertos e prontos para ele (...) Reúnem-se os seis cercados pelos seis, para tratar do assunto. Ainda há gente que pensa que pode passar a perna neles (...) não seria um grande problema, se não tivessem comprado participação acionária de alguns parceiros antigos, estes foram enganados. Ainda há uma chance de reverter o problema, mas terão que jogar pesado...

- Não, a Mel já avisou que só fala com a família do fundador, isso quebrou uma perna deles, agora precisamos quebrar a outra. Pensei em forçar uma paralização na produção, resguardando nossos parceiros, mas a imagem da empresa ficaria arranhada...

Analisam todas as possibilidades, enquanto Sandra e Phoebe pesquisam sobre os malandros e seus contactos. Descobrem algumas coisas interessantes (...) empréstimos consideráveis em vários bancos. Os seis se olham, se viram para elas e pedem que continuem. Encontraram o calcanhar de Aquiles (...) eles só têm lábia e ousadia. Ligam em viva voz para os fundadores da empresa, propõe que expandam os negócios e ganhem também o vital mercado externo de reciclagem de baterias de lítio. A condição é modificarem o estatuto da empresa, para obrigar todos os sócios a trabalharem por ela e limitar, ao menos por enquanto, a participação acionária de estranhos. Eles ainda têm maioria absoluta, fica fácil o conselho aprovar a proposta (...) o que obriga todos a colocarem a mão na massa e se comprometerem com a marca. Está feito.

Enquanto gritos de raiva enchem escritórios de corretoras, eles passam para outro assunto. Os fornecedores da tecelagem estão sofrendo pressão oriental para aceitarem uma exclusividade, o que lhes garantiria o mercado deles, mas também os deixaria em suas mãos (...) até o ponto de terem que fechar as portas ou vender-lhes seus negócios a preços irrisórios. Isso já aconteceu com várias empresas. Ter que resolver problemas alheios, para não serem atingidos por eles, tornou-se rotina (...) Novamente tocam para os novatos, metade deles ainda assustada com a responsabilidade implícita de suceder a banda original... não querem acreditar no que desconfiam.

À tarde, com o tempo dedicado a problemas pessoais e musicais, vão todos passear para espairecer. Conversam felizes diante da Máquina de Costura, fazendo piadas uns dos outros, quando vêem um Model S vermelho acelerando tudo em direção à maternidade...

- Sandra, o que foi isso?

- Não sei, madrinha. Kurt e Moon foram visitar a gente, disseram que me esperariam e... CARACA!

Correm todos para lá (...) e Patrícia já alerta que “Neto do meu afilhado é meu afilhado também”. Crazy Horse e Golden Feather chegam em seguida. Sea Bear fica bem à porta, para tentar ouvir o que se passa. E não demora a ouvir, Stanley berra com vontade, até afinado, imediatamente baptizado pela mãe como Quick Halk. Elias já imagina os apelidos na escola. A imprensa divulga, crente de que o mundo inteiro vai festejar, a parte menos insana até festeja, mas a era dos radicalismos deu de presente ao menino, uma legião de inimigos. Ele ainda nem sabe que existe e já é jurado de morte, por ter “sujado a genética pura de uma linhagem que nunca teve uma raça imunda” (...) e o susto se completa com “Uma cobra imunda trouxe perdição à humanidade, mas tínhamos uma cobra pura e santa para reverter tudo. O que fizeram? Seguiram a Cobra de Deus? Não! Mataram-na como mataram o Salvador! Mataram a Cascavel Branca com a crueldade da miscigenação satânica”. Avisam Star imediatamente...

- Continuem monitorando, acumulem provas. Eu vou falar pessoalmente com Princess e Brain... Patrícia, chame seu pai, estou indo agora.

Ela não gostou do tom de voz. Chama o pai e os dois esperam na biblioteca. O jacto dispensa protocolos, os motores secretos são acionados e ele voa a march 3,5 pelo maior percurso e maior altitude que pode. Ela desce com Nelson e vai ao Cadillac onde Phoebe a espera. Há afagos, mas o clima é tenso, a jovem agente percebe. Os guias lhe dizem que é mais grave do que imagina, pedem que volte à maternidade assim que desembarcar os passageiros. O faz. Lá dentro ela conta tudo o que lhe disseram e dá instruções à madrinha furiosa. Decidem de que forma contarão aos avós e aos pais do menino. Uma deles ser membro da organização pode ajudar, mas não muito, já que é a mãe.

Normalmente poupariam os pais, mas Vulcana corresponde às expectativas, age com a frieza característica. Elias se desfigura, toma feições de um felino acuado, fica parecido com Spark...

- Elias...

Não ouve a madrinha. Saca seu tabletrain e começa a trabalhar alucinadamente. Reúne em suas contas em redes sociais, com links para todas elas, em ordem impecavelmente cronológica, pesquisas científicas devidamente comentadas (...) Arremata com “Sou mestiço, pai de um rapaz branco casado com uma índia e eles me deram um garoto, que débeis mentais começaram a ofender com base em pseudociência e crendices estúpidas. Aos que sabem ler, em vez de só olharem letras, convido a estudar o material que reuni. Quanto aos outros, meu neto é território proibido”. Publica e vai cercar o neto, com aquela cara de quem vai estraçalhar o primeiro que se aproximar sem permissão. Está ficando cada vez mais parecido com Patrícia.

No começo da tarde, com os ânimos mais amenos, a publicação repercutindo e alimentando generosamente o jet set, Crazy Horse aparece sobre sua velha Harley, montada com sucatas de outras acidentadas, e um capacete extra...

- Eu não sou Happy Moon, mas de agora em diante te chamarei de Brave Bear. Me acompanhe para seu baptismo, bravo.

- Voltaremos antes de anoitecer... Eu espero.

São horas de viagem por Michigan, Elias coletando imagens de tirar o fôlego. Funciona, ele volta calmo para casa (...) Mais de três mil photographias são publicadas e compartilhadas por empresas de turismo, para chamar gente a conhecer o Estado. Enquanto grupos radicais se revoltam com a publicação do brasileiro e procuram um meio de deportá-lo, ele acostuma o caçula ao sobrimho recém-nascido. O dia seguinte é de mais polêmicas, porque o rapaz costuma ser bastante neutro, agora a imprensa sabe que ele tem o mesmo apego familiar da madrinha, que é espinhoso, mas sempre rende bons prêmios.

&

A organização já se mobilizou para neutralizar, no momento certo, os seguidores póstumos da Cascavel Branca (...) Mas mesmo quem prega o equilíbrio, pode se radicalizar. Uma pequena multidão se concentra à entrada da Gardner Company, protestando furiosamente contra o imenso V8 611”. Pregam uma medida radical, a extinção imediata de todos os motores, fazendo o mundo se mover por pedais, com bicicletas que custam mais do que um Challenger, com pneus mais caros do que os de um Corvette, manutenção mais cara do que a de uma Harley Davidson e seguro mais caro do que o de um Cadillac, fabricadas com minérios retirados por imensos caminhões diesel-híbridos, transportados por gigantescos navios a diesel, depois em enormes carretas a diesel, para fábricas com milhares de motores eléctricos, depois transportadas por mais caminhões a diesel para aviões a querosene, para serem entregues por caminhões a diesel até seus ecológicos e racionais compradores; muito coerente mesmo.

De pouco adianta divulgarem os dados de emissões, ruídos e o facto de ser apenas um protótipo (...) que não será utilizado em nenhum modelo de série, não adianta lembrar do pioneirismo do próprio Richard na hibridização em larga escada, continuam protestando e demonizando o automóvel e tudo o que leva motores, pregando a proibição à força como solução contra as mazelas da humanidade, com o governo ditando o que pode e o que não pode em prol do bem estar da população; e viva a democracia! Richard se recusa a acreditar na burrice que está ouvindo. Vai ver por si o espetáculo circense que se desenrola lá fora. Ele sai e de cara vê alguns conhecidos, gente que lê artigos científicos pela metade, recorta o que lhe interessa e interpreta como endosso às suas idéias (...) Fica triste por haver idiotas transformando ciência, e até o ateísmo em novas religiões...

- É a primeira vez que vou ao circo, mas estou decepcionado, quero meu dinheiro de volta.

- Não é um circo, Mr. Gardner! Isto aqui é uma mobilização em prol da sobrevivência da espécie humana, da preservação ambiental e da extinção dos motores em todas as suas formas!

- Mostre as pesquisas que apoiam essa conversa toda.

- As pesquisas são manipuladas por grandes grupos econômicos interessados na perpetuação da dependência humana em relação aos ladrões de energia!

- E quais são os seus estudos a respeito?

- Eu não sou cientista, não tenho obrigação de fornecer dados e não tenho que dar satisfações a carrocratas! Morte aos carros! Morte aos motores!

- Inclusive os do marcapasso?

- Sacrificios são necessários! O mundo novo precisa de mortes para a preservação da vida!

- Prove.

- Vamos provar na prática, destruindo os motores, a começar pelos seus...

Richard dá um soco na própria palma esquerda, mostrando que está pronto para a briga, e os ânimos esfriam. É um homem velho, mas é um velho enorme e capaz de quebrar ossos. A coisa fica mais perigosa quando neto e bisneta do grandalhão vão ver quem o está ameaçando. São três gigantes dando audiência para canais de televisão que estão adorando este início de ano. A polícia logo chega (...) Tudo acaba sem conflitos e os manifestantes vão embora em bicicletas, naquele frio ainda cortante que Phoebe ignorou sumariamente. Não se preocupou em vestir o agasalho, se ocupou em ir amparar o bisavô, de regata e bermuda.

Albert chega em seu uniforme de Beastie, procurando os candidatos a cadáver que ameaçaram sua esposa. Logo em seguida chega o resto do bando...

- Salve, irmãos!

- Salve, irmão! A gente veio o mais rápido possível, com essa neve toda na estrada. Cadê?

- Se mandaram, os covardes. Eu estava atendendo uma criança, quando me avisaram. Irmão, esse mundo está virado pelo avesso!

- Pior! Mas não tem outro pra gente se mudar, temos que arranjar as coisas por aqui mesmo. Já vimos que não dá pra te abandonar, guy, mas fica difícil pra gente... Tem lugar pra gente em Sunshadow?

- Eu providencio – responde Richard, já ligando para Chuck.

Mais um bando de motoqueiros mau encarados (...) formando a polícia rodoviária de Sunshadow. Albert decide fazer visitas esporádicas ao posto de trabalho de Phoebe. Em Los Angeles, Arthur decide algo parecido. Está farto de passar meses seguidos longe da família, especialmente longe da esposa...

- Porra, Steve! Eu sou marido de Patrícia Petty e fico meses longe dela! MESES! Cansei, cara! Vou montar uma estação de trabalho em casa, só virei aos estúdios quando for absolutamente necessário.

- Calma, não se exalte e não parta minha cara em duas. Eu compreendo o seu lado, sério, mas você presente faz muita falta! Você encoraja e inspira os elencos, precisamos de um meio termo!

- Por exemplo?

- Não sei, mas precisamos. Aproveite essa semana de folga e pense bem no caso, porque nós precisamos de suas orientações in loco, temos muitos filmes que serão ambientados com trechos ou totalmente em outras épocas, ninguém melhor do que você para manter nosso padrão de qualidade. Vamos, Arthur, pela nossa amizade e pelos garotos que estão começando no cinema...

- Ok. Eu não sou pago para isso, mas vou pedir ajuda para encontrar uma solução. Mas meses inteiros longe de casa e de minha esposa, eu não fico mais.

- Se eu fosse marido dela, eu também não.

Vai ao escritório central da banda, pega a cunhada e a sobrinha, vai pedir bênção a Josephine e voa com elas para Sunshadow. Melinda (...) sugere a mente mais brilhante do mundo para ajuda-lo; sua neta Phoebe.

Ela raciocina um pouco. Pergunta o que exactamente ele faz naqueles estúdios (...) Ele conta, com a esposa feliz pela notícia, abraçada a ele, enquanto a moça faz uma expressão muito sóbria e fica como que em estado meditativo. Ela tem um insight...

- Onde serão filmadas essas cenas?

- São milhares de cenas, literalmente milhares. Eles filmam onde for melhor.

- E poderiam, por enquanto, filmar aqui?

- Alô, Steve? Vocês foram salvos por um anjo de dois metros e doze. Vou arranjar alguma coisa aqui mesmo, aguarde notícias. Não existe cidade mais vintage neste país...

sábado, 2 de março de 2019

Dead Train in the rain CLXXIV

    A nova liga. A estação 174 faz do desespero nascer a esperança, e a profecia se realiza. Embarquem, o trem vai partir.


Decerto que a madrinha dos dois os quer em sua (...) biblioteca. Não deixa de pensar que Sandra está para unir todas as famílias que compõe a banda. A garotinha que chegou careca, à beira da morte (...) está para tornar a Dead Train uma família de facto. Se mantém entre os dois, abraçada a eles, dando conselhos e perguntando sobre amenidades, como o burburinho que tomará conta da imprensa, quando souberem, porque eles não fazem questão de contar a estranhos.

Assim que termina, quer festa. A comemoração dura até anoitecer (...) Os pais começam a fazer planos para os aposentos que deixarão vagos, embora Elias sinta um frio no estômago só de pensar. De qualquer forma, o casamento ainda tarda um bocado, planejarão tudo com o cuidado necessário e farão com que eles se acostumem aos rigores do matrimônio.

A toada mansa dura até o natal, quando radicais fazem barulho, alertando para os ímpios aproveitarem seus últimos dias de pecados, enquanto Richard acrescenta mais trechos à quinta parte do vídeo. Alguns chegam a Sunshadow, berram que vão todos para o inferno, se enfiam de volta aos carros e vão embora. Ao mesmo tempo, Richard publica os vídeos e manda links para todas as redes sociais, compartilha com amigos e dá instruções claras. É o que ele previu, os próprios detratores cuidam de disseminar os vídeos, enquanto o atacam, e prints são mandados pelos amigos do grandalhão, para os álbuns, a fim de evitar que o fiasco os faça apagar as provas da estupidez.

Vem o dia 31 de Dezembro, a festa toma conta do mundo, ele não acaba e os vídeos viralizam. O Boa Noite Mundo mostra os melhores trechos e Richard se desmancha de rir. Vai feliz para sua oficina, o mal feito o inspirou muito (...) radicais de algumas igrejas têm que agüentar piadinhas, porque não bastou alardearem-se como únicos merecedores da salvação, fizeram questão de atazanar as outras pessoas. O pastor, fingindo que o fiasco não aconteceu, alardeia que sua igreja está sendo perseguida por ímpios e intolerantes religiosos.

Bem longe dali, em Los Angeles (...) um assalto é anunciado. Barney esta lá, tentando comprar uma impressora 3D para uso pessoal, mas vêm uns sacanas querendo o que é dos outros e estragam tudo. Não age, tem muita gente nas miras das armas, inclusive crianças. Aproveita um segundo e aperta o botão de pânico da liga...

- Patriotas, alerta! Mars Storm está na loja que estão assaltando!

Ele passa mensagens por código morse e Dead Hope manda as instruções. A poucos quilômetros dali, Julia passa mal. Sua filha e seus netos estão entre os reféns (...) Ela aciona a guarda imperial e Josephine manda colaboradores seguirem de perto o caso, indo em seguida para os estúdios. Um soco e ele quebraria uma mandíbula, mas causaria um banho de sangue (...) O uniforme está por baixo da roupa; blusão jeans sobre camisa social preta e calças índigo, com sapatos mocassim.

Ele percebe que não é só roubo, eles estão tranqüilos demais, apesar de demonstrarem ter raiva dos reféns. Ouve com atenção um “Quem vamos matar, pra dar o recado?”. Manda para a central, que avisa tudo à polícia (...) sabe que erros não pode cometer. E não os comete, o que finalmente deixa os seqüestradores mais tensos. É a deixa, ele se expõe deliberadamente (...) como se fosse sem querer, e é o escolhido para ser morto primeiro. Finge ter medo, finge que pede por sua vida, o que alimenta o prazer dos meliantes. Aquilo não é só um assalto, talvez nem seja pelo dinheiro que estejam lá.

O levam para a porta da frente, sob a mira do fuzil, um grita “Agora vocês vão ver que não estamos brincando” e diz-lhe baixo “Morra, cão infiel”. Tudo transmitido para a central. Barney dá lugar a Mars Storm. Ele olha com raiva para o atirador, e aqueles olhos negros furiosos são a última coisa que vê (...) só se ouvem sons de ossos quebrando, e o sujeito desacordado e deformado é jogado longe para fora da loja. Ele desaparece. Uma figura robusta de espessa malha preta com uma faixa marrom no tronco e óculos escuros bulbosos tomando metade do rosto, se esgueira enquanto manda instruções claras para a liga. São terroristas. A polícia é avisada com imagens dos elementos, avisa o FBI, a organização (...) consegue identificar quem são. Agora sabe o que fazer, mas não se faz necessário. Mirella é posta de joelhos, diante dos filhos e de uma câmera, com uma arma apontada para o olho direito.

A cena é transmitida e Julia começa a chorar, mas para quando vê um vulto escuro pelo espelho do provador. Um espeto de carne trava o gatilho (..) e mais um terrorista com os ossos em pedaços é jogado para fora, sem ter visto o que o atingiu (...) Leva os três para fora, encaminha para os socorristas, mas não aparece em público, deixa a porta dos fundos aberta e os federais entram, entre eles alguns colaboradores da organização. Assim que o chefe do bando vai ver o motivo da demora, é surpreendido pela força oficial. Lá dentro, Mars Storm consegue isolar os reféns dos terroristas (...) Eles vêem a televisão transmitir a fuga, vão atrás e caem sem saber o que os atingiu...

- Que diabos, onde estão vocês???

O líder grita, mas estão todos desacordados, alguns com tetraplegia permanente. Tenta se matar, mas é morto antes. Essa “honra” ele não vai ter. Barney veste suas roupas civis e dá a missão por encerrada (...) Depoimentos são recolhidos, enquanto Julia abraça chorosa sua filha e seus netos, e Barney é acolhido pelos companheiros de liga; mas ficou sem a prototipadora. A notícia do herói de lentes bulbosas fumê corre pela mídia. Já não dá mais para se esconderem como faziam até então, o curto vídeo de Phillip como Dark Avenger é resgatado do baú e mostrado, para sugerir que se trata de uma equipe.

Patrícia disse que seria Julia a revelar a organização para a liga, mas não imaginou que fosse ser tão dramático. Ela leva os comparsas para uma visita surpresa ao escritório central, antes passando pelo Jose’s Hotel. Ela e Rebeca se trancam com a diva na biblioteca...

- Também tive esse pensamento. Eles salvaram gente nossa, sabemos que foi Barney.

- Aquela velocidade de ataque é inconfundível – diz Rebeca.

- Então podemos aproveitar a ida ao escritório para falar com Ursula?

- Podem e devem. Vou avisar à cúpula, mas creio que já aletaram os de Sunshadow.

Avisa, todos eles concordam de pronto. Barney fez tudo para ser discreto, mas a falta de recursos sofisticados o obrigou a se mostrar como Mars Storm para o público. Vão os seis encher Melinda e Aubrey de afagos, conferem os relatórios, conversam com os funcionários, fãs e paparazzi (...) Então as duas pedem licença e vão ao hotel, onde uma Ursula tranqüila e orgulhosa de seu aconselhado trabalha com calma. Sorri quando vê as divas, mas estranha os sorrisos que trazem, são diferentes dos costumeiros...

- Não deixe suas esperanças morrerem por traumas.

Pavor! Patrícia a descobriu! A chama para uma conversa no escritório central, onde terão o sigilo necessário. Ela aperta o botão de pânico, X Fish ouve e grava a conversa, também apavorada. Avisa a liga que a conselheira foi descoberta, pelas vozes deduz quem são e todos ficam de prontidão (...) Rebeca a tranqüiliza com “Vocês salvaram gente nossa, temos que agradecer de alguma forma e será com um voto de confiança”. O pavor passa. Liga os pontos. Lembra-se de Julia, naquele dia, depois o convite para acompanhar seu parceiro, o episódio de ontem...

- Sabia que vocês tinham um segredo.

- Assim como você. Rê, segura todo mundo aqui fora, temos uma conversa reservada com esta moça séria. Entre outras coisas, vamos firmar um acordo com o Rose Botton Hotel.

Os paparazzi mandam gente para lá, deixando o gerente imensamente feliz com a novidade. Na sala de reuniões, Patrícia liga para Josephine, Ursula reconhece a voz da diva reclusa, elas acertam e a diva retrô faz o sinal de divisão de mundos. Aciona a videophonia avançada...

- Bom jour, madamme Blacke. Ou devo dizer, Dead Hope? Eu sou Star, líder da organização. Elas são membros da cúpula, Princess e Barbarian...

Não fala muito, mas diz tudo. Ursula fica calada a maior parte do tempo, ensaiando um sorriso sóbrio. Star convida e ela aceita uma visita com alguns membros, inclusive o herói cantor. Quando saem, Melinda já tem um modelo de contracto para o hotel ler com calma. Está confiante, tão confiante que pede aos escolhidos que usem seus uniformes por debaixo da roupa. À noite, como se fossem visitas normais, encantados com aquele palacete de sonhos, eles chegam. Ursula, Barbara, Barney, Phillip, Johnn e Lana; Dead Hope, X Fish, Mars Storm, Dark Avenger, King George e Ilusion, respectivamente. Reconhecem Phillip da última turnê, era o operário discreto e solícito. Eles reconhecem todos no ambiente, Richard, Zigfrida, Tobby, Julia, Bart, Krumb, Nelson e Richard também estão lá. Josephine pede licença, precisam salvar o mundo. Lá dentro, com as cortinas fechadas, ela pergunta se estariam mais à vontade em seus alter egos. Concordam, tiram suas roupas civis e exibem os sóbrios, mas vistosos uniformes, cada um com um símbolo bordado no peito. Josephine dá lugar a Star e faz as apresentações, Dead Hope também e começam a conversar se estudando mutuamente.

Bird abraça Mars Storm e diz “De hoje em diante eu tenho um irmão. Você é minha família, o que te fizerem, farão a mim e ninguém porá as mãos em você sem me dar satisfações”. Pelo poderio que eles demonstaram ter, a liga tem uma noção exacta da nova era que se abriu para eles. O orçamento da organização os deixa tontos, daria para manter metrópoles inteiras. King George pensa nas possibilidades da cooperação com os cientistas deixados à disposição...

- Vocês agora são nossos parceiros e nossos amigos. Amanhã Mars Storm vai ao escritório central para tratar do álbum, gente nossa estará lá para combinar detalhes e fornecer os equipamentos de que nos servimos. Encerrando a pauta da organização. Agora vistam-se, vamos comemorar com os outros.

No dia seguinte tudo ocorre como combinado. A sede da liga recebe equipamentos dignos de ficção científica, e os heróis equipamentos pessoais de acordo com seus talentos. Barbara ganha motores, finalmente poderá competir com embarcações. Os óculos de acrilico são substituídos por outros iguais, mas de cristal polaroide composto com polímeros e monitores do computador embutido projetados nas lentes. As possibilidades que se abrem superam de longe os sonhos mais absurdos dos heróis mais sonhadores da liga, que agora se sentem como personagens de quadrinhos.

No primeiro plantão da nova era, Nigth Rose filma com seus óculos novos uma operação suspeita, ao mesmo tempo em que manda a cena para a polícia, que identifica e pega os contrabandistas em flagrante. Vão ver o ponto de onde teria saído o vídeo, mas ela está noutro lugar, filmando as prisões e mandando o arquivo para o quartel general. Ficou muito mais seguro ser herói.