terça-feira, 5 de março de 2019

Dead Train in the rain CLXXVII

    Sangue de leão! A estação 177 mostra como uma má intenção pode render bons resultados à vítima. Embarquem, o trem vai partir.


Renata recebe cartas com teores obscenos. A surpresa não é só por ter recebido cartas, nem só pelos teores, mas pelos remetentes terem criado um mundo paralelo no qual ela teria vivido aventuras sexuais, enquanto Matthew estava trabalhando fora, citando detalhes de turnês (...) Liga para as companheiras, elas também receberam essas cartas. As três chamam seus maridos, a quem os remetentes ameaçam contar tudo. Phoebe também recebeu uma. Parece que a intenção do autor, ou dos autores, é justo provocar problemas conjugais na banda. Detalhes anatômicos são citados e palavras de indignação as acusam de terem-nos trocados pelos rapazes da banda (...) Sandra alerta todas de que há material afim circulando na internet.

Phoebe rastreia a origem de cada declaração, enquanto ainda está fresca. Dispositivos móveis novos e abandonados, alguns destruídos, são as origens desta encrenca de São Valentim. O sexteto vai aos seus canais e avisa conhecer o conteúdo (...) Estilos e escritas são distintos, mas cada uma é tão regular e bem horizontalizada, que desconfiam terem sido escritas por máquinas. Tecnologia para isso existe, o que descarta de cara muitas pessoas, porque seriam máquinas caras.

Alguns canais de internet, e notas em programas matinais de televisão, alardeiam a queda das máscaras das boas moças da Dead Train. Matthew coloca os seus em ação (...) Os autores parecem conhecer bem os seis, mas só até a época da formatura do colégio...

- Estão pensando o mesmo que eu?

Patrícia aventa a possibilidade de desafetos do colégio estarem por trás de tudo isso. Ligam para Melanie, ela sabe onde alguns moram, mas nenhum deles ficou em Summerfields (...) vários deles congregam em igrejas que variam da intolerância simples ao extremismo fundamentalista. Essas igrejas têm cacife para mandar fazer uma máquina de instrumento de escrita. Seria cara, mas não seria grande, caberia em uma mesa...

- Meus amigos, eis nossos suspeitos.

A experiência na organização é valiosa, seleciona os ex-colegas e as igrejas mais prováveis, mas não descarta em absoluto nenhum deles. Começam a se lembrar das últimas encrencas e implicâncias (...) Rebeca se lembra de um em especial, ainda no início da adolescência, quando os seis falavam dos filhos que teria com Ronald...

- Pelo que eu sei, tudo o que eu disse que aconteceria àquele porra seca, aconteceu.

- Não é de se descartar. Ter sustentado doze filhos que sabia serem de outros, deve ter desparafusado tudo naquela cabeça fraca – diz Patrícia.

- Naquele dia, Lawson me entregou a ficha dele. Cabeça fraca é quase uma herança genética. Mas ele não tem cacife pra tudo isso. Acredito que colaborou, mas não que seja um dos autores.

- O mais provável é que tenha soltado tudo o que sabe – diz Ronald. Ele tinha tembém ligação com um político, se não me engano.

- Um vereador era tio paterno. Nunca conseguiu ser mais do que isso, mas vivia se gabando e prometendo que mudaria o mundo, quando fosse presidente – completa Robert.

Enzo faz o sinal da cruz, não quer pensar em um fanático bitolado como aquele com o dedo no botão da hecatombe atômica (...) os seis trabalham para selecionar suspeitos, e Phoebe aprofunda indignada sua investigação. Descobre o provável mentor da celeuma. Vai à Máquina da Costura cercada por quatro drones de vigília, ignorando paparazzi inconvenientes...

- Você não vai dizer nada sobre as acusações?

- Não. Você vai?

Entra e Spark monta guarda do lado de fora (...) Lá dentro ela exibe indícios de provas, lojas de componentes e técnicos em informática têm um pastor como cliente comum recente. Não muito, mas é recente. Tempo suficiente para ele ter feito cada ex-colega elaborar um texto e aprendido a utilizar a máquina. As avós a enchem de afagos, agora sabem a quem investigar. Matthew é contido quando carregava uma pistola e ia tirar satisfações (...) Encarregam Phoebe e Sandra do serviço.

À noite as duas estão de macacões pretos, com cabelos em véus e alguns brinquedos de alta tecnologia. A igreja tem segurança, mas isso não as preocupa. Colocam as máscaras foscas, saem da Kombi preta e vão ao trabalho. A frente está coalhada de gente, é onde a segurança concentra esforços. Procuram por uma câmera de segurança mais vulnerável (...) Em menos de dois minutos instalam um dispositivo de espionagem (...) e voltam para a Kombi. Com um tablet iniciam a invasão, reactivam as câmeras e entram no computador. Lá estão as imagens das peças sendo entregues, os técnicos montando as máquinas, outros buscando as suas e o reverendo fazendo testes por vários dias. Ela está guardada no armário, sobre uma mesa com rodízios. Já têm o que querem, ligam o motor eléctrico e voltam para Sunshadow.

Matthew entrega o material para um de seus ex empregadores (...) A manhã seguinte é de mais escândalos, mais audiência e mais patrocínio. Os técnicos são identificados e contactados por internautas, interessados em máquinas como aquelas. As igrejas envolvidas ficam cercadas pela imprensa, por paparazzi e por blogueiros ateus querendo esfregar os dez mandamentos nas fuças deles. É uma reviravolta que não poupa Evelyn de um desgosto, quando abordada por paparazzi...

- Já descobriu quem é o seu pai?

Ela perde o medo, a timidez e encara o atrevido...

- O quê?

- Todo mundo sabe que Ronald não é... seu pai...

Emerge a Rebeca que adormecia. Ela funga forte, fecha os punhos e faz uma cara de dar medo. Os veteranos reconhecem aquela cara, sabem que ninguém fica impune quando Rebeca fica assim. Ele queria ver “Evelyn agride paparazzo polêmico”, mas aparecer no obituário de um jornal não estava em seus planos. Um tenta contê-la, mas leva um murro no nariz então (...) Avisam imediatamente os pais da moça, quando eles chegam, o paparazzo está com hematomas, pressionado contra uma árvore...

- VÁ SE FODER, BABACA! Só porque o cafetão não quis te assumir, não significa que todo mundo seja filho de amantes!

Não reconhecem a filha. Não reconhecem e não se atrevem a interromper (...) Mas a baixinha fica muito feliz, ver a caçula não só não se esconder, mas atacar furiosa o agressor, deixa seu coração mais morno. A acolhem assim que o manda voltar ao esgoto de onde saiu. Em casa ela estranha não chorar. Na verdade queria quebrar o pescoço do atrevido...

- Eu pensava que tivesse sangue de barata...

- Eu não te passei linfa, meu amor. Te passei sangue! Sangue de Spring e Marselha. Seu avô era um momem valente que não se detinha por nada, sua avó enfrentou todo mundo para se casar com um caminhoneiro que mal sabia ler e escrever na época; Seus avós paternos são nobres de uma tradição de quase mil anos. Não tem nenhuma barata em nossa família, só leões.

- Vão te encher o saco, pelo episódio de hoje, mas eu vou adorar ler os detalhes que perdi. Neste natal eu quero que você faça o pão.

Pela primeira vez em quase um milênio, a autoridade natalina é passada para outro que não o primogênito. Os olhos da moça brilham, prepara agora mesmo uma versão mais simples (...) Quando volta para a orquestra, Happy Moon nota a diferença. Vê Rebeca no rosto da maestrina...

- E tentando acovardar o bom homem, Satanás o indignou e enfureceu, e fez o trabalho dos anjos. Do mal emergiu o bem maior.

- Não vou mais abaixar a cabeça pra ninguém. Alguém do balé chegou?

- Todos eles. Fique à vontade.

Volta ao seu passeio pela orquestra, mostrando ao rebento a missão que o aguarda (...) enquanto Kurt pinta e cria inspirado no filho. Luis colabora, faz xadrezes célticos multicoloridos para roupas infantis.

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