quinta-feira, 14 de março de 2019

Dead Train in the rain CLXXXVI

    A criatividade de Phoebe. A estação 186 põe novamente a criatura mais doce de Sunshadow no centro das atenções. Todos à bordo, o trem vai partir.

Os protestos explodem no Brasil. É o que Patrícia disse, no começo tudo parece lindo, mas grupos radicais e partidários estragam o que deveria ser uma pressão eficaz (...) Ficou pior do que imaginava que seria. Desliga o canal, vai ao coreto e se põe a meditar. No coreto de sua casa, Elias tem a mesma reação, após ver o que está acontecendo e se certificar que Fabrícia está bem. Os dois entram em depressão e mergulham em seus infernos pessoais (...) Suas expressões são severas, pausadas as respirações e olhares fixos em cenas que só eles vêem. Arthur decide tirar a prova...

- Senhora Spring, bom dia... Uma pergunta: Elias está no coreto, meditativo?

- A Patty também?

- É, também... Queria saber a senha do wifi deles... Ele viu o noticiário sobre o Brasil?

- Viu e ligou para a funcionária em São Paulo... Ela contou horrores.

Ele liga para as filhas e ela para Kurt, os dois precisam de seus netos por perto (...) as crianças conseguem aliviar a tensão comum em suas frontes. Ele leva Stanley para a Máquina de Costura (...) Quer falar com a madrinha sobre os acertos finais para a Vintage Way of Life. Ela está conversando com Arthur justo sobre ele...

- Hey, o roteador chegou! Qual é a senha entre vocês dois?

Agora eles conseguem rir, as crianças riem por contágio. O rapaz é directo, quer evitar que as turbulências ofusquem a inauguração da loja, por isso pensou no festival da saudade para o nascimento da marca. Ela (...) Chama os outros, precisam tratar com o treinamento dos funcionários (...) Alguns dos recrutados são vintagistas reprimidos em seus antigos empregos, agora poderão trabalhar vestidos como gostam de se vestir.

Planejam, enquanto Elizabeth e Prudence aproveitam a mãe cuidando de suas monstrinhas para incluir o tema “protestos de rua” no próximo livro (...) Há a hipótese de contarem a história das mulheres cativas (...) verão isso, há muito tempo até o século XX. Por agora se ocupam em inserir alguns momentos de intensas risadas para seus leitores. Empolgam e fazem um capítulo inteiro para causar dores abdominais.

Vão ver se Colleen e Natasha deixaram alguma parede de pé. Encontram todos ainda concentrados na estréia da loja, com as pequenas dando pitacos na seção da era atômica (...) querem atenção especial para foguetes e discos voadores na seção de brinquedos retrô. Luppy sugere um micro-ondas como aquele que viu em uma revista antiga, que se parecia com uma luminária suspensa no teto, com o alimento na bancada...

- É meio perigoso. As micro-ondas se espalhariam, é preciso algo para detê-las.

- Que pena, é tão estiloso!

- Ah, isso é! Mas um aquecedor térmico de alimentos nesses moldes é possível...

Ficam até a noite planejando tudo, mas com leveza. Pela manhã (...) finalizam, agora é com os fornecedores. Avisam Phoebe que pode providenciar o que lhe cabe. Ela está concluindo a versão definitiva das turbinas (...) A intenção é transformar Sunshadow em um centro de excelência aeroespacial em vinte anos, de imediato querem fabricar drones profissionais de alto desempenho...

- Tá pronto! Já podemos fabricar, e eu vou montar meus aeromodelos.

Ela leva as treze turbinas e seus periféricos para ajudar Yuri a montar tudo, quase um mês antes do previsto. O que ela conseguiu foi muito além do hobby novo, ela tornou obsoletas todas as formas de usinagem conhecidas (...) O resultado é uma máquina que pode passar de 1.000.000RPM sem grande esforço. Para ela é só o começo de mais uma brincadeira.

Os ufólogos vêem aquele Biarritz Eldorado chegando de capota baixa, o reconhecem de longe. Sabem que a “pioneira da nova raça” está trabalhando para aprimorar a humanidade. Ela entra na casa da tia avó e vai ter com seu marido. Ele fica encantado com as turbinas, ela com os aviões já prontos para recebê-las (...) Colocam tudo no reboque, o atrelam ao Cadillac e vão ao aeroporto, seguidos pelos ufólogos. Lá já tem gente esperando por eles, cada um ansioso por seu aviãozinho. A réplica do Airtrain tem quase o tamanho do carro. Os ufólogos assistem a tudo misturados ao público de concidadãos e fãs do gênio. Como quase todos, eles filmam. Phoebe é a primeira a testar o seu. O realismo absurdo deixa especialistas boquiabertos (...) Liga os motores, eles assobiam forte e o modelo taxia, logo o estrondo precede a decolagem e ele voa. E como voa! Por um monitor no local, o público consegue ver o que um piloto ou um passageiro veria pelas janelas (...) E a banda em peso chega, em tempo de ver algumas manobras e a alta velocidade que ele alcança. Os espiões não têm dúvidas (...) eles conhecem bem o hobby, qualquer aeromodelo do mercado se despedaçaria naquelas condições de uso.

O mini Airtrain pousa e uma réplica de dois metros da Enterprise decola de um trilho de seis metros, com direito a trilha sonora (...) atraindo a atenção de aeromodelistas do mundo inteiro. A responsável por tudo aquilo fala aos demais, em sigilo, que isso é só um ensaio para o início de uma evolução tecnológica dramática, como os gadgets da Ciber Train, que está incluída nos planos, têm sido.

&

- Mas não faz sentido! Uma garota hétero namorando um gay não faz sentido! É mais absurdo do que uma linhagem de negros ter uma filha branca!

- Mais absurdo do que perder todos os dentes e algumas costelas, por falar merda em público?

Ele se cala. Ainda se lembra da surra que levou de Evelyn (...) O burburinho, entretanto, é generalizado. Muita gente se pergunta se Leonard não teria cedo ou tarde, uma recaída e daria em cima de Jean Pierre. Os dois, porém, se concentram em viabilizar mais rápido o ingresso na família, o que significa que o músico terá que aprender a lidar com os muitos negócios e as tradições da casa do pato preto...

- Gente, que chique! Eu nunca pensei que esses tecidos maravilhosos fossem mesmo produzidos na América! Hoje tudo vem da China!

- Mas são. Aliás, Evelyn é responsável por muitas das nossas estampas mais bem sucedidas, especialmente os tecidos com relevo, que ela adora.

- Esses são os exclusivos da Maison Petty Green?

- São. Nossos clientes costumam pagar mais, para terem exclusividade em alguns artigos...

Melody chega no meio da conversa, para ver como vão suas encomentas para o prêt-à-porter (...) Ela recebe boas notícias e já manda sua equipe colocar mãos na massa, ainda há bolsas e sapatos para terminar...

- Tô doida pra essa loja abrir logo! Não vou sossegar enquanto não ver as primeiras clientes experimentando os modelos.

- Fique tranqüila, o mais arriscado e demorado já foi feito.

- Antes do parto, não se é mãe, meu querido. Eu só sossego quando estiver tudo pronto e funcionando.

- A tia Patty fazendo escola.

- Escola que funciona! Pego no pé de todo mundo não é por prazer, isso dá nos nervos, é pra tudo sair a contento...

A calma do nobre quase irrita. Ele encerra a parte burocrática do trabalho e leva os dois para um lanche em sua casa. Saem a pé e a deslize até a residência, sob lentes de paparazzi (...) ávidos por um escândalo sexual. Evelyn está concluindo a sincronização do balé com a orquestra, trabalhando desde muito cedo na coreografia para a inauguração da Vintage Way of Life, que terá um espetáculo à moda antiga na pista de gelo...

- Ok, podem descansar. Voltaremos à tarde, já conhecem as recomendações.

Vai buscar os sobrinhos para um almoço em sua casa, à mesa com seus pais. A herdeira do título também está ansiosa pela inauguração, são seus alunos que vão abrir o espetáculo. Mandy mescla essa ansiedade com a expectativa do reconhecimento internacional (...) Encontram Albert com um pacote enorme de carona no Mercury, uma prototipadora de alimentos. O mote é fazer pratos personalizados, com doses altamente precisas de ingredientes em seus devidos lugares, até massas em formatos inusitados ela pode preparar. Quando ele liga o aparelho, em casa, montando doces, as meninas ficam eufóricas...

- Wooooooow!

- Faz um com o mapa mundi!

Ele faz dois. As duas correm frenéticas ao redor da mesinha com a prototipadora. Vão à cozinha, pegam cocadas e pedem para escrever o nome de cada um da casa. O faz com chocolate meio amargo. Phoebe chega com o pai e vê as pequenas e a mãe se comportando precisamente da mesma maneira (...) As lanchonetes aderem à novidade, no dia seguinte todas têm ao menos uma, e no dia seguinte Patrícia e Renata vão à Caixinha de Música...

- Filhota, pode cuidar das meninas? Temos que falar com a Phee.

- O que foi? O que ela fez de errado?

- Nada e não vai fazer. Angel, Rebell e Genius, vamos à biblioteca de vocês. Angel, traga isso.

A gestante, já esperando pela reprimenda, se abaixa para pegar o drone de 3 pés de diâmetro, mas é detida pelo pai, ele leva a peça de 35 libras, que sabe ser o motivo do aviso preventivo...

- Por questões espirituais, a Rê sabe de nossas actividades. Pela natureza ambígua desta reunião, ela participa, porque estou aqui não só como sua coordenadora, mas também como sua avó. Não culpe Brain, eu arranquei a verdade dele sobre este drone a jato que a senhora, sabe Deus como, desenvolveu em menos de quarenta e oito horas...

- Você não vai subir nesta coisa nem para limpar os pés, não antes de se recuperar do parto. A gente sabe que essa coisa é um transporte voador, que não tem proteção nenhuma e é quase uma máquina de suicídio!

- É seguro. Juro!

- Nenhuma máquina que não te cubra é segura, Angel. Você sabe tão bem quanto eu. Acredito que tenha tido um surto de genialidade e descoberto de uma vez como fazer tudo isso, do software às turbinas e os controles... São nos pés?

- Sim! Juntando os calcanhares, ele acelera ou sobe, afastando-os ele desacelera ou desce, a pressão nas extremidades dos pés define a direção.

- Você já testou isso, Phee?

- Sim, foi muito divertido... Eu usei para-quedas, capacete, colete salva-vidas... Testei sobre a piscina olímpica da academia, não corri nenhum risco... Nem a Aretha... Isso é frustrante, sabiam?

- Encerro a pauta da organização, por agora, mas as ordens continuam... Meu amor, você não pode se arriscar assim! Eu confio em você, mas não confio nesta máquina!

- É só até se recuperar do parto, depois a gente vai pro Michigan Lake...

- E eu posso dar piruetas no transdrone?

Diante daquela expressão tão radiante, após a cara depressiva de até então, as avós concordam. Resta saber o que fazer com aquele aparelho até lá (...) Patrícia se lembra de mais alguém...

- Ursula, pode nos emprestar Brenda? Temos uma coisa que acho que será útil para as patrulhas dela... E vai evitar que minha neta faça brincadeiras perigosas para a gestação...

- Eu creio que ela pode ir... Nigth Rose, você pode passar alguns dias em Sunshadow, para um treinamento especial?

- Posso. Levo meu trabalho na bolsa do laptop.

- Ela vai no próximo vôo.

Chega no início da tarde, cercada pela imprensa. A quadrinhista Brenda Hust  (...) Chega à Máquina de Costura à bordo do Mercury 1951...

- Parece legal... Se eu souber do que se trata... Parece um daqueles voadores que a gente pinta nos quadrinhos...

Ela olha para as anfitriãs, que confirmam com gestos. Vão com Phoebe ao jardim do fundo, onde ela ensina os comandos básicos (...) O som de turbinas a combustão chama atenção, mas não causa surpresa. Causa surpresa esse som ser produzido na presença de uma renomada desenhista e pintora de quadrinhos. Claro que ela vai usar isso em seu trabalho, mas no momento quer se divertir e se valer da destreza que desenvolveu na vida de heroína. Flutua suavemente, como uma libélula pairando a meio metro do chão, até relaxar os calcanhares e pousar...

- Você disse que isto poderia me ajudar na parulha, mas por falta disto eu quase fui esmagada entre dois caminhões. Escapei com a perna quebrada porque o bueiro estava sem tampa.

- Eu posso fazer outro, depois de parir é claro... Vamos pra fábrica, lá você pode treinar à vontade.

Ela vê aquela mulher delicada e leve fazer misérias com sua criação (...) São dois dias de treino intensivo, o suficiente para ela ser o primeiro membro voador da liga. Demonstra para os comparsas, na sede...

- Hey, tem mais de onde você trouxe este?

- Vai ter, assim que a Phee der à luz. Patty não quer arriscar uma travessura.

Ela aterrissa suavemente, libera os pés de desce da pequena base voadora. Sua estatura e leveza aumentaram muito o desempenho do aparelho. Em Sunshadow, a criadora da máquina faz (...) uma mini scooter eléctrica retrô que se fecha como um compasso e pode ser levada nas costas, como uma mochila. Baixa velocidade, boa autonomia, praticidade a toda prova, fácil de fabricar e é toda feita com peças que já existem no mercado. Suspeitam que essa explosão de criatividade tenha relação com a gravidez.

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