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Rafaela
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É uma época triste esta em que vivemos. Aparentemente tudo está mais barato, fácil e rápido, talvez por isto mesmo seja triste.
Enquanto criticam contradições e preconceitos de décadas anteriores, as pessoas criam novos sob as vestes de "resgate histórico". Não falarei dos sistemas de cotas, que têm o prodígio de legalizar o que a ciência e os magos negam: a existência de raças humanas; e ainda transformar em assistido quem teria condições de lutar por si mesmo, se os métodos fossem mesmo o da justiça. Também não falarei das inúmeras bolsas oficiais, cujo uso meramente político está transformando membros de um povo tradicionalmente trabalhador em indigentes, que se recusam categoricamente a aprender uma profissão para se tornarem independentes da ajuda. Também deixarei para outra ocasião a contradição que permite a uma criança sob plena pressão hormonal votar em pleitos federais, mas a impede de aprender uma profissão e arcar com suas faltas, ainda que na medida de sua compreensão. Da desastrosa maneira como a educação está sendo desmontada já falei e voltarei a falar em momentos oportunos, no plural mesmo.
Trato hoje da cultura nacional de massas. O Brasil já foi celeiro de valor inestimável no campo musical, hoje é uma tragédia continental de artistas inexpressivos que precisam de apelações baixas para alçarem vôo. Não falo da apologia à promiscuidade e ao banditismo que ditos estilos de cunho pretensamente popular imprimem, isto é tão notório quanto tolerado pelos pais e divulgado pela televisão. A tragédia vem justo de nossa moribunda MPB, que já rivalizou com a liberdade da POP Music em plena ditadura. Eram tempos muito difíceis, quando o próprio governo estimulava o gosto pelo estrangeirismo. Os brasileiros contavam tostões enquanto Bee Gees emplacavam sucessos seguidos com o apoio do cinema. Mesmo assim faziam sucesso, criavam músicas históricas. Roberto Carlos homenageou Caetano Veloso, então exilado, em plena vigência do AI-5, com uma música que se tornou uma jóia cultural, não só pelo valor histórico.
Me pergunto se não foi justo a grande dificuldade o fertilizante de obras-primas que os incompetentes de hoje são incapazes de reproduzir, mesmo com softwares de correção vocal, inexistentes à época. As imensas dificuldades obrigavam o artista a perseverar, conquistar não só o púbico jovem, mas também quem pagava suas contas. Os pais podiam até não gostar, mas tinham que dar o braço a torcer para o nível das canções. E mesmo os generais davam o braço mesmo a torcer. Era necessário colocar a mão na massa, panfletar, conseguir um público local, convencer uma rádio a tocar a fita cassete. Na época não havia como gravar algo no computador e divulgar o demonstrativo pela internet. Não havia internet e computadores ainda eram cousas de Estados e grandes corporações. Era necessário convencer a gravadora a fazer a matriz para imprimir, a quente, as músicas em um disco de vinil maior que algumas rodas de automóvel. Era extremamente difícil, não bastava ter dinheiro.
Haviam as aberrações de apelo pubiano que conseguiam mais rápido, mas não mais fácil. Hoje se pode gravar em casa e vender os álbuns no show, na época, se alguém dissesse isto, viraria piada no "Viva o Gordo".
Eu não saberia dizer o nome de um só grupo em evidência, mas sei o quão ruim ele é. Eu ouço, aliás, na marra, pois a mesma facilidade para se gravar se estende aos quilowatts de som que se coloca em um automóvel com poucos quilowatts de potência mecânica. Sei o que se faz hoje e que não há papel higiênico suficiente para limpar tudo.
Músicos com tendências regionalistas reclamam da falta de apoio estatal, que seus antecessores nunca tiveram; da concorrência de mídias estrangeiras, que seus antecessores enfrentavam sem choramingar; do desinteresse do público, que seus antecessores venceram com bravura. A maioria dos músicos ditos intelectuais toca como se a platéia fosse formada por centenas de seus clones, de modo que só eles mesmos possam compreender. Estão apelando à memória como se o público fosse um computador.
Algo que os antigos músicos aprenderam (e alguns deles se esqueceram) é que o público é fisgado pelo coração. A intelectualidade funciona até certo ponto, mesmo nos povos mais frios, se a obra não despertar alguma emoção ela desaparece como surgiu.
A proliferação de rótulos cretinos, como "sertanejo universitário", (só para citar uma praga da minha região) não melhorou a qualidade. São artistas inexpressivos que ganham evidência por algum tempo, são facilmente confundidos com outros productos do supermercado phonográphico e geralmente voltam a tocar para pequenas platéias. Isto quando tratamos de gente que começou a cantar de baixo, os que já começam como arrasa-quarteirões simplesmente desaparecem, graças à Deus.
Mas nenhuma categoria se compara aos que se dizem representantes de "guetos", de parcelas excluídas da população, et cétera. Já nem leio o que se fala a respeito deles, já me cansei dos discursos pseudomarxistas, das posturas pseudomarxistas e dos protestos pseudomarxistas.
Quando se metem a resgatar culturas ancestrais (indígenas e caboclas, no meu caso) agem como se o público tivesse obrigação de compreender e aceitar o que cantam. Em Goiás já é rotina gente aproveitar recursos públicos para fazer troça de músicas folclóricas e antigas cantigas de roda, fazer o lançamento em eventos cheio de "personalidades da sociedade" (contradição elitista) e contar com espaços quase que de cotas nos jornais. No dia seguinte reclamam que não foram indicados para o Emmy Latino. Vocês, de outros Estados, com certeza não os conhecem. Vão à igreja mais próxima e acendam uma vela em agradecimento por isto.
Asseguro que no começo eu apoiava, acreditando ingenuamente na legitimidade e utilidade cultural do "movimento". Mas foi ingenuidade mesmo, quase tudo o que saiu é muito ruim, em nada devendo às bandinhas aborrescentes dos Estados unidos.
Relendo o texto, notei um certo humor cinico que eu não pretendia passar, mas ficará assim mesmo. A questão é séria porque a falta de boas obras faz o público aceitar qualquer lixo que aparecer. Estou elaborando uma idéia de um texto sobre música francesa, cuja nova safra ofusca facilmente o bando de estrelas preguiçosas que temos no Brasil de hoje. Publicarei assim que estiver pronto, com links e ilustrações condizentes. provavelmente terei que dividir em dois textos, mas valerà à pena.
Podem me chamar de "pelego", de "nazista", dizer que eu não tenho diploma e por isto não poderia tratar de assuntos assim, será inócuo. Sei o que o Brasil tem de bom, e música não se inclui neste rolo, com raras excessões. Porque música é feita por músicos, não por partidos políticos. Entendam esta passagem como quiserem.
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Nanael Soubaim
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Adriane Schroeder
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Rafaela
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Aos bons amigos informo que não estou morto. Afirmo que respiro, me movo e locomovo. Que não vertam prantos por um óbito meramente conceitual, de foro íntimo e circunscrito à minha pessoa, nada mais. Deve-se perecer em algum aspecto para que algo melhor nasça, ou, pelo menos, para que o restante sobreviva.
Minhas lamúrias, bons amigos, não se resumem aos devaneios abatidos pelas balas do tempo, posto que não tiveram o alimento imprescindível dos resultados mínimos, assim tendo o vôo limitado às altitudes mais próximas. Alvos fáceis da rudeza cotidiana e sua mira perfeita. O vôo sem destino nem pouso é letal mesmo para os albatrozes, que dirá um beija-flor mínimo e adoecido.
Afirmo bons amigos, que se me abate o desânimo do peso a vergar a coluna e ferir os ombros, continuo a caminhar em passos largos. Não me convém ceder à dor e ao cansaço; não tenho tempo para eles. O tempo, aliás, nunca foi um companheiro amistoso. Lépido e jocoso quando um bom momento se anuncia, mas de uma indolência letárgica quando da despedida. Esta a se delongar até o horizonte nu.
Afirmo bons amigos, que a vida ainda não mostrou a que veio, ou à que vim. Os anos precoces que me feriram a face se precaveram; Pollyanna jaz natimorta. Nem seu suspiro me foi dado ouvir. Mas caminho ainda assim, parar não é escolha, mas desta abdicar. As traças temporais e os cupins da enfermidade espreitam os exauridos para se apoderarem de seus meios, tão logo parem para repousar. Só se repousa em vera acepção no desenlace, se houver méritos.
Afirmo bons amigos, que a angústia de ainda viver não me tolhe o sorriso, mas me custa cada vez mais ofertá-lo. Os músculos do rosto doem, eles encontram na sisudez seu estado de repouso. É no cenho contraído que este rosto oleoso preserva suas energias. Não me cobrem, pois, peço-vos, demonstrar a alegria de que não sou munido, aquela que eu demonstro é um mero e embaçado reflexo da que vocês me emprestam.
A melancolia que me toma agora não é intrusa, ela é parte de mim, de minha natureza, de minha visão de mundo, das impressões que tenho da vida. Não será ela que me levará aos umbrais mais escuros, pelo contrário, a prefiro à euforia cega que é a única alternativa. Se ambas dilapidam minha saúde, a primeira me permite refletir e evitar perdas maiores. Se melancólico, uma faca na mão é apenas uma faca, não uma arma.
Não, bons amigos, não é uma carta de despedida. Tampouco darei cabo de uma vida que me apresentaram à força. É a expressão de alguém que tem a firme convicção de terem sido bons tempos os que se distanciam. Não que sejam realmente bons tempos, talvez o sejam e eu não tenha percebido. São tempos em que eu ainda tinha esperanças de que fossem bons, e que o porvir seria melhor. Decerto que por imensa teimosia de minha parte, não vi que o caminho contrário é o que sigo. Não por meu arbítrio, mas por ser o único que me coube receber, o outro não serve em meus pés.
O arbítrio, bons amigos, não é uma opinião que se emite sem maiores conseqüências. Nem sempre me é permitido fazê-lo, e ao fazê-lo as podas ágeis que me tolhem a liberdade agem. Eu poderia, decerto, reagir e quebrar as tenazes que me prendem e dificultam a respiração, mas para tanto teria que abrir mão do caráter que tanto esmero me custou. O perderia sem ter o que lhe valha, nem mesmo metade.
A tempestade, bons amigos, é mais segura do que a calmaria falsa que me ofertam de tempos em tempos, que permite aos aduladores saltarem sobre suas vítimas. Os ventos fortes que castigam minha nau os mantêm em suas respectivas embarcações, e estas a uma distância segura. Já me acostumei à tempestade e talvez não me adapte à bonança. Já tenho cristalizada a condição de alerta, minha condição natural é a de sentido. Admito, todavia, que não é uma condição confortável, desaconselho aos aventureiros. A vida que levo não perdoa indisciplinas e não mede punições, aplicadas com vontade.Não é por prazer, bons amigos, é por compromisso que vivo. Vivo por obrigação. O prazer me atiçou a curiosidade na juventude, mas hoje o vejo com desdém, um artigo supérfulo que não almejo e não faz parte da minha vida.
Se lhes parece árida a paisagem que descrevo, é nela, com ou sem pesares, que posso crescer e em nenhuma outra. Os jardins irrigados me encheriam de fungos e apodreceriam minhas raízes. Já não me acostumo à amenidade e não a tolero por tempo prolongado.
Mas não é, bons amigos, ruim a vida por compromisso, tampouco muito boa. É a que tenho, a de que disponho e da qual não posso abdicar senão quando findar sua missão. Admiro as cores que este mundo já não tem, os sons que já não emite e os aromas que minhas narinas ainda hoje saberiam identificar, se também não tivessem cedido lugar à fútil fantasia dos que exibem agressividade como status. Mas de tudo isto também só tenho lembranças brumosas, pois o usufruto foi uma vontade não concedida. Os molhos, o queijo e a pimenta não acompanham meu fusilli escuro.
Embora dividamos o mesmo planeta, meu mundo é outro. As paisagens glaciais de vez em quando apresentam alguma tundra. Desperdiçar recursos tem um preço elevado, pois a reposição é penosa. Não há vidros em minhas janelas, de modo que só posso visualizar o horizonte abrindo-as ou saindo de meu abrigo, mas só enquanto o vento gélido não me compromete a sobrevida. O sol jamais se levanta mais que um quarto de céu, neste meu mundo; isto no alto verão. No inverno o lábaro de ébano me propicia o espetáculo da aurora boreal, quando as temperaturas me permitem abrir as janelas e pôr os olhos ao céu.
Afirmo bons amigos, que a cíclica depressão que me acua já não assusta, a exposição excessiva e continuada a tornou impotente à minha presença, embora ela continue existindo e trabalhando. Estou acostumado a conviver com ela e sua família, trabalhando sob seus efeitos. Estou acostumado a trabalhar muito para pouquíssimo (por vezes nenhum) resultado, foi como aprendi a perseverar. A abundância também não está em meu portfólio. Na aridez de sentimentos e emoções sempre densos, aprendi a viver com o mínimo. Indisponho-me sempre que excedo esta cota.
Afirmo bons amigos, que a solidão resultante desta equação mórbida não é de toda ruim. É uma forja que me aquece até quase a liquefação, para então me golpear sem piedade e mergulhar minha lâmina em salmoura fria. O resultado é o que se espera de um bom aço, para o bem e para o mal. Reconheço que feri e firo seres amados no intuito ingênuo de resguardá-los. Mas asseguro que actos e palavras que emanam de mim, antes a mim ferem e a mim por último cicatrizam. Nisto me refugio em minha solidão inaparente e inacessível à maioria, onde as penitências e a piedade divina me curam o espírito.
Afirmo bons amigos, que não se trata de uma vida dura. É uma vida de privações, algumas voluntárias. É uma vida. Só serve para mim e para ninguém mais, e só ela me serve. Não se tira perenemente de um quartel o oficial que nele habitou a vida inteira, ele não se adapta à frouxidão de regras que apraz os civis. Salvo saídas esporádicas para breves incursões, a loucura de uma nostalgia patológica o acometeria rapidamente. Do mesmo modo que um profissional liberal convicto não se adapta à rigidez de regras e horários.
Afirmo bons amigos, por fim, que a nostalgia germinada de minha melancólica personalidade não me corrói. É um ácido concentrado para o qual me adaptei imediatamente, e sem o qual adoeceria em poucos dias. É deste ácido, não da água ou do ar, que tiro o oxigênio que sustenta minha permanência neste orbe. Não foi desta (talvez na próxima) vez que redundei em um terrestre pleno e bem resolvido. Talvez a terrestria não seja, ainda, a minha identidade, mas terá que ser a partir de algum momento. Aquilo, pois, que lhes envenenaria e lhes parece ser tão triste, bons amigos, é só o que eu tenho para me manter vivo.
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Nanael Soubaim
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Edu
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O melhor cachorro do mundo morreu hoje. Foram 5 anos incríveis. Vai vendo.
Quando a bolinha de pelos pretos chegou aqui, ninguém tinha idéia do que dar pra ele comer. Nem de um espaço pra deixar ele dormir. Nem de um nome pra dar. Nomes, ele teve vários. Toda semana inventávamos um novo. Tinha crise de identidade no primeiro mês, o Barney.
Foi fácil perceber a hiperatividade do bicho. Ele curtia roer os calçados das visitas desavisadas. Corria, se escondia, pulava super alto e latia pra caralho. Ao longo dos anos ele se especializou em roubar meias dos sapatos guardados, pra chamar atenção. E se parou de roer calçados alheios, nunca aprendeu a fazer as necessidades no lugar certo. (Isso pq os donos, claro, nunca souberam definir o tal ‘lugar certo’).
O Barney tinha uma série de desvios de caráter. Ele aprontava como um garoto danado. Ele desenvolveu várias técnicas super elaboradas pra tirar a gente do sério. Mas era cheio de personalidade e sabia direitinho como se safar das que aprontava. Era só acionar a famosa ‘cara de cachorro pidão’ – o Barney era pós-graduado nessa aí. E era isso que fazia com que a gente esquecesse das travessuras no ato e só conseguisse pensar no quanto ele era companheiro, no quanto ele era grudado na gente.
Pra ele ficar triste, era só deixá-lo sozinho em casa. Chorava desconsoladamente. E era um choro de dar dó. No começo, quando a gente voltava pra casa, ele mantinha certa distância como se quisesse dizer “I ain’t no Pastor Alemão, porra!”. Mas depois ele sacou que não dava pra ter companhia sempre. O raciocínio, agora entendemos, era óbvio: se ele oferecia companhia em tempo integral, queria o mesmo em troca. Justo.
Ainda que reconhecêssemos a inteligência do Barney, acho que a subestimamos. Afinal, foram de autoria dele algumas das lições mais importantes que recebi em 23 anos.
O fato é que era impossível ficar indiferente perto do Barney.
E é ainda mais difícil ficar indiferente agora, longe dele. Se foi novinho, sem deixar filhotes e sem conhecer o mar. Mas deu várias provas de que foi o melhor cachorro do mundo, mesmo que o senso de fidelidade dele não tenha sido suficiente pra evitar que eu sinta a tristeza que sinto agora.
Valeu, amigão! Vou te amar pra sempre. (L)
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Davi Coelho
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14:33
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Era uma Lambretinha comum, do tipo que até há dez anos era comprada com o troco da padaria, mas hoje vale o mesmo que uma motocicleta pequena.
A moça viajava de carona, sentada de lado, sem medo de se queimar no escapamento, nem de se ferir com os raios da roda traseira. Primeiro porque a roda, bem pequena, está oculta sob o veículo; segundo porque o escapamento, bem curto, está oculto sob o veículo.
Interessante que pouca gente se dava conta da cena. A moça de beleza singela, nos seus joviais trinta e poucos anos, usava um longo vestido branco rodado. O rapaz também estava a caráter, mas da mesma forma que se ignora o noivo em um casamento, também estava o meu grupo interessado na figura da moça.
Não era uma beleza extraordinária, mas estava extraordinariamente bela com os cabelos presos por um laço, sapatos delicados e pose que uma motocicleta não permitiria.
Talvez por estar ciente das limitações de sua condução, o rapaz não respondia à provocação de um garotão em uma motocicleta de entrega, que acelerava insistentemente. Bastou a moça fazer cara de nojo e ele acelerou, furou o sinal, deixando o casal em paz. Mas onde está um guarda de trânsito numa hora dessas?
O vento moderado lhe balançava a saia do vestido e as anáguas. Uma senhora que parecia querer atravessar o vidro do supermercado, se mostrava admirada com o facto de ela usar anáguas. Pareciam brumas a esconder um tesouro secreto, de um tempo em que era um tesouro secreto. A menina ao seu lado, talvez sua neta, achava "uma gracinha", mas não deu tom de que dispensaria suas calças ultra baixas, não enquanto suas amigas estivessem olhando. Eu nem sabia que ainda se vendiam anáguas!
A cena me lembrou algumas passagens de Roman Holiday. Mas foi um delírio saudosista. Audrey é que era mulher de verdade. Provavelmente aquela moça era, pelo menos, fã do trabalho da diva, se parecia com ela.
A Lambretta começou a pipocar mais frenética e saiu com o sinal verde. A saia balançando, as anáguas esvoaçando como um rastro de névoa e todo mundo voltando às compras.
Felizmente existem dvds em supermercados.
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Nanael Soubaim
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20:42
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Não li os livros da moda, não assiti ao filme, não vi as séries recentes sobre vampiros, mas vejo o mundo tomado por eles. Haja alho!
É interessante como esse ser sugador de sangue ressurge e aparece quando menos esperamos. E eu não me refiro ao imposto de renda.
Assim, não tenho nada a comentar sobre o fenômeno, só "ouvi dizer" que o livro é no estilo enrola-diz-o-quanto-eles-são-lindos-enrola-mais-um-pouco e tals. Taí a Meg que não me deixa mentir.
Contudo, intrigou-me esse ressurgimento de um dos mitos mais persistentes e antigos da humanidade. Lendas de vampiros podem ser encontradas na Europa, na África, no Oriente Médio, na Ásia maior. A aparência, a origem e os modos de matar os seres vampirescos mudam um pouco, mas a capacidade de sugar a vida, principalmente através do sangue, todos têm em comum.
A lenda que conhecemos mais de perto é a famosa releitura de várias lendas vampirescas unidas à história de Vlad, o Emapalador, trazida à Europa por Bram Stoker, que o reibaixou de príncipe da região da Valáquia a conde da Transilvânia. Uma das coisas que eu acho muito intrigantes é a ausência de morcegos hematófagos na Romênia. Ou em qualquer outro lugar da Europa, já que o animal é nativo da América do Sul. Assim, a transformação em morcego hematófago se torna outro mistério na lenda adaptada por Stoker. Também um fato misterioso é que, embora Stoker tenha sugado (não resisti!) a história do Empalador, não aborda esse ponto em seu livro. Quem mostrou a - digamos assim - referência foi Coppola, no filme "Drácula de Bram Stoker".
Do livro de Bram Stoker em diante Drácula não saiu mais do imaginário ocidental. Um dado curioso é que o livro foi lançado na mesma época em que o cinema foi inventado. Desde então, o cinema não perde sua mania dracúlica, e volta e meia ressuscita o mito, quase sempre retomando a história de Stoker. Temos vampiros no teatro, bem antes do cinema, nas telonas, em livros, quadrinhos, músicas em diversas línguas, até em novelas. Enfim, tem vampiro pra todo gosto. Afinal, vampiro vende.
E todo mundo quer dar sua mordidinha no mito. Zé Vampir que o diga.
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Adriane Schroeder
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17:40
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Porque eu abri a janela esta manhã e o dia estava cinza e chuvoso. É chato a gente se deixar influenciar pelas condições climáticas, mas acontece.
Porque não fica calor nunca nessa porra. Estou usando um casaco de lã. Em novembro.
Porque eu tenho um computador novo, mas gostava mais do antigo. Todas as minhas coisas estavam lá. Minhas músicas, meus textos, minhas fotos, meus e-books, meus emoticons.
Porque eu não consigo me livrar da bagunça que me assola. Minhas coisas passam três dias, quando muito, em ordem. No resto do tempo, tudo parece uma zona de conflito.
Porque, se alguém casar comigo, serei eu que deixarei toalhas molhadas em cima da cama e roupas usadas espalhadas pelo chão.
Porque eu reencontrei o tiozinho de cinquenta anos e ele me lançou olhares incessantes. Chega até a ser obscena, uma coisa dessas. Eu nem tenho mais idade para ser Lolita. Ele que vá bancar o Humbert Humbert em outra freguesia.
Porque eu li no jornal sobre os vinte anos da queda do muro de Berlim e me senti incontestavelmente velha.
Porque eu ainda não tive tempo de ir ao correio mandar o presente da Rafa. Daqui a pouco já é natal e eu ainda não mandei.
Porque daqui a pouco é natal. Porque existe natal.
Porque eu não consigo acessar a internet no trabalho. Isso me faz precisar ser mais criativa do que a população em geral, naquelas horas do dia em que não tem nada para fazer. Eu queria fazer nada igual a todo mundo.
Porque eu não sou casada com um aventureiro inglês, que me levaria com ele para países exóticos e distantes, como o Turcomenistão.
Porque eu não sou casada com um inglês comum, que me levaria para passar as férias nas Bahamas, usaria aquelas camisas ridículas de turista e ficaria queimado de sol já no primeiro dia. Tudo sem perder o charme.
Porque eu, provavelmente, nunca irei ao Turcomenistão. Nem casada, nem solteira. Não consigo sequer imaginar um motivo para ir a um lugar desses.
Porque estou sendo muito criativa no meu local de trabalho, escrevendo este texto à mão. Odeio a minha letra. Não consigo escrever em cima da linha, as palavras flutuam. Meu l minúsculo é do tamanho do e. Meu d parece um a.
Porque minha mãe disse que vai passar na tevê "aquele filme de vampiro, com aquele cara que vocês acham bonito". Minha mãe me tirando para adolescente que gosta de Crepúsculo!!! Me respeeeeeeite!!!
Porque daqui a pouco a expressão "respeite meus cabelos brancos" não vai ser só figura de linguagem.
Porque não consigo achar graça no Robert Pattinson. Ele tem cara de boneco de biscuit. Taí um inglês que eu não levaria para o Turcomenistão. Ou levaria e deixaria lá. Seria até um alívio para ele, acho. As turcomenistanas nem devem saber o que é Crepúsculo. Abençoadas sejam!
Porque eu passo o dia caindo de sono. Quando caio na cama, ele some. Evapora.
Porque eu não posso ler para chamar o sono. Acabo sempre envolvida com a história e quando percebo já são três da manhã. Tentarei "O Ateneu". NOT.
Porque eu tenho ideias geniais para novos textos, mas nunca consigo colocá-las em prática.
Porque eu nunca mais escrevi no meu blog, minha máquina fotográfica está sempre sem pilhas e eu odeio carregar guarda-chuvas.
Porque eu quebrei a porra da unha. Tudo culpa desse bando de puta invejosa, caralho! Quero que todas elas se fodam e vão pra puta que pariu! Tão pensando o quê? Se soubessem invejar direito, eu teria era quebrado a merda da perna, meu bem! [Ficou boa a minha imitação da Vani?]
Agora passou.
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Luna
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Nanael Soubaim
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Edu
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19:27
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Hoje nossa querida Meg faz aniversário. Como a segunda-feira passada teve cara de domingo, esqueci de escrever um texto. Por isso, aproveitarei o dia de hoje para relembrar os melhores momentos da nossa amizade super glamourosa, fazendo uma lista de coisas que temos em comum.
#Cumpádi Uóxinton, axé music e outras tosqueiras que só a Bahia nos dá: Como foi que isso começou, hein? Lembro que no começo do blog, Meg escreveu um texto falando mal do Tchan (herege). Em seguida, nós começamos a baixar e compartilhar via MSN grandes sucessos do axé. Luís Caldas, Netinho, Banda Reflexus, tudo isso faz parte da nossa trilha sonora. Eu, hein!
#Fleetwood Mac: Eu nem sabia que existia outra pessoa além de mim que gostava dessa banda. Tão incomum conhecer alguém pela internet e essa pessoa ter os mesmos gostos...Fleetwood Mac é banda que só gente velha escuta. Bem, pelo menos, nosso gosto musical não se limita a “Ilha, ilha do amor, Madagascá!”.
#Voldemort: Harry Potter é coadjuvante. Dica pra ele. O que importa mesmo, nesse mundo da bruxaria fictícia, é Aquele-que-não-tem-nariz.
#Césio 137: Coisa horrível a gente fazer piada com isso. Mas somos seguidoras de Lord Voldemort, mulheres venenosas que não poupam ninguém. Encesiamento é com a gente mesmo. Infelizmente, não posso revelar aqui como essa história de césio surgiu entre nós.
#Cup Noodles: Substância quase tão radioativa quanto a citada acima, que consumimos (literalmente) aos baldes. Será que mais gente gosta?
#Hobbit size: Sou mais alta!!!!!!!!!!!!!!! Sou mais alta que a Meg! Pelo menos uma vez na história deste país consegui ser maior que alguém.
#Show: Nosso esmalte da amizade. Quando ele foi lançado pela Risqué, foi uma correria louca para encontrá-lo. No MSN era só: “Achou?”, “Não, ainda não!”, “Putiviados!”, “Eu queroooooo!”. Um dia, andando por aqui, encontrei e mandei para a Meg. A atendente dos Correios disse uma frase que virou bordão entre nós: “Pra que mandar esmalte pra lá? Salvador não tem esmalte?”.
#btphyo: Nossa despedida oficial nas conversas eme-esse-ênicas. Nem me lembro direito o que significa: B-beijo, T-tchau, PH- Nanael (oi?), Y- coidipobre (porque pobre sempre coloca Y nos nomes dos filhos) e O-ordinária. Adoro nossos problemas mentais massacrantes.
Esqueci de alguma coisa? Ah, sim! Parabéns, beeska! Quebra tuuuuuuuuuudo hoje, ordinária! Tcha-an! Tchutchutchu pá!
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Luna
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20:32
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Calmamente assistindo a aula de Processo Civil e aí um colega me passa um bilhetinho:
"Que seios lindos os da XXXXXX. Por quê será?"
O que acabou me fazendo pensar no seguinte:
1) Amizade é isso aí. Se fosse a Debs, o bilhetinho provavelmente seria tipo "Olha só pro quibe daquele nelore!".
Se viesse do Fio, talvez fosse igual ao que o meu amigo me mandou. Ou então perguntando sobre meu caphetaum membrudo.
E do Franj? Alguma coisa sobre o novo web hit de algum travesti de Natal, ou sobre o novo affair da Lindsay Lohan...
2) Eu nem sou amiga da XXXXXX. Não faço ideia se já rolou algum silicone peitoral.
Talvez seja sutiã de enchimento, sutiã de bombinha inflável. Ou talvez ela tenha sido abençoada pela genética. Só sei que outro dia ela perguntou qual era a diferença entre FGTS e Décimo Terceiro.
Isso pode significar que o que foi pros peitos não foi pra cabeça.
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Hoje eu vi uma notícia que me deixou perplexa: Guilhermina Guinle recolhe as fezes de seu cachorro nas ruas do Leblon.
É EGO mais uma vez se superando. Qual será a próxima? Thaís Araújo (pra não sair da vibe Leblon) limpa o xixi do seu gato?
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O Twitter é uma das minhas maiores fontes de risada. Aonde mais eu poderia descobrir que ouve uma tentativa de homicídio em Luzilândia? E que cortaram a metade do nariz do dono do bar?
São coisas que somente Lucas Celebridade traz pra você. God bless Twitter.
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Rafaela
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19:47
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Adriane Schroeder
às
15:07
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Nanael Soubaim
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19:31
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