sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A era tosca, digo, dos Halley


Em 1985 (mil novecentos e oitenta e cinco, leste direito) o mundo inteiro estava tomado pela febre do cometa Halley, que passaria em 1986 bem próximo da Terra, após ter aterrorizado os incautos terráqueos da belle époque. mas como naquela época, então os grupos de catastrofistaas apocalípticos estavam a disseminar mensagens sobre o fim do mundo, um monte de dogmopatas riam dos ímpios que queimariam no inferno, mas esta é a parte idiota, tratarei só da parte tosca.

O Brasil em particular tinha uma reaçãozinha colateral por conta dessa febre: A Família Halley. Nunca ouviste falar? Pois é, caiu no limbo por um quarto de século, mas voltou a ser possível ter informações a respeito, graças à internet. Vamos lá.

Uma das especialidades das emissoras nos anos oitenta era a dos musicais, especialmente para crianças, especialmente a Globo. A Era dos Halley (aqui e aqui) foi exibida pelo plim-plim em onze de Outubro de 1985, há precisos vinte e seis anos. A família Halley era formada por Urian (Eduardo Conde, in memoriam), Mercur (Gabriel Vannucci), Juna (Carmem Monegal), Lyra (Suzane Carvalho), Big Halley (Castro Gonzaga, in memoriam) e o robô Halleyfante, havia personagens secundários, mas os seis sozinhos dariam conta do recado.

Os Halley eram remanescentes de Hydron, planeta destruído pela devastação ambiental e guerras nucleares há milhões de anos, e usavam o cometa de Halley como veículo para alertar outras civilizações sobre os perigos que corriam... Quem conhece um pouco de astronomia sabe que a órbita do cometa é bem mais restrita do que a ficção faz parecer, mas era só uma brincadeira, lucrativa, mas só uma brincadeira, vamos então brincar também.
A halleymania também era alimentada por histórias em quadrinhos editadas pela Abril, que praticamente não chegaram ao interior do país, entre outras bugigangas. O sucesso no país era estrondoso, finalmente tínhamos heróis nacionais com "classe internacional".
Ainda hoje é possível comprar a trilha sonora.

Só que durou pouco, pouquíssimo. O cometa passou, sim, mas só pôde ser visto do pólo sul, que é virtualmente desabitado. Atrelada à espectativa de se ver o Halley, a halleymania esfriou rapidamente, virou mico e caiu no esquecimento. O calcanhar de aquiles de nossos heróis, como de quase todos os criados no Brasil, é a inconsistência. Eles faziam basicamente o que muitos outros heróis já faziam desde o fim dos anos sessenta, com muito mais competência e carisma, como japonês Specteman (aqui). Só o Halleyfante, com mais apelo ao público infantil, continuou participando por algum tempo do programa Balão Mágico.

Em minha humilde e ranheta opinião, foi mais uma boa idéia mal conduzida pelos criadores, da mesma forma como conseguiram arruinar novelas excelentes sem muito esforço. A porca distribuição de revistas em território nacional, bem como subtração de brindes das mesmas, é de conhecimento geral, mas mesmo para estes padrões a divulgação da mídia material (revistas, figurinhas, botons, et cétera) foi muito ruim, concentrando-se quase que somente no sul-sudeste do país. Uma distribuição teria atenuado os efeitos nefastos da pouca consistência do grupo; Red Sonja ainda vende bem, não vende? Então!

Justo por ser uma boa idéia, que alguns internautas conseguiram trazer de volta à tona, a família Halley certamente teria uma boa chance de sucesso, se entregue às mãos dos japoneses, para ser transformada em animes e mangás, talvez nos moldes de Evangelion (aqui) ou similar. Claro, então o nome "Halley" poderia ser pelo uso do cometa como transporte, para instalação dos alienígenas na Antártida, a partir do quê a trama toda se desenrolaria.

Mas sabem quais as chances de a Globo dar o braço a torcer? As mesmas de eu acordar agora, olhar para os lados e me lembrar que sou Albert II de Mônaco.

Vídeos sobre a maior tosqueira dos anos oitenta.   Aliás, tosco é apelido!

6 comentários:

Luma Rosa disse...

A Família Halley passou, assim como o cometa, mas ficaram as lembranças de uma época inocente. Se o modo de produzir era rude, isto se deve a tecnologia ainda rude naquele tempo. Não culpo! Tudo tem sua validade! Beijus,

Nanael Soubaim disse...

Era tosco, faltavam recursos, mas por isso mesmo o talento era mais importante do que os efeitos. Basta ver o elenco, para comprovar isso. Minha única queixa é com o desleixo à uma idéia tão boa.

Adriane Schroeder disse...

Maravilhosamente tosco!

Nanael Soubaim disse...

Sessenta e cinco seguidores! Estamos conseguindo pelo menos um novo por semana.

Adriane Schroeder disse...

Todo mundo gosta duma tosquice... hehehe

Geronimo disse...

Quando tu publicaste esse texto, fazia 26 anos do musical. Esse ano irá fazer 32! Como passa rápido, por favor...