quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eu recomendo Regina Spektor


Já falei um pouquinho dela neste bat blog, por sugestão do nosso bat blogueiro sumido Elmo, no bat texto Música Russa Hoje.

Nascida moscovita, na então União Soviética, em 18 de Fevereiro de 1980, Регина Спектор ( ver mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e seu website aqui) teve uma formação musical muito sólida, o pai era violinista amador e a mãe professora de música, hoje leciona em uma escola pública de Nova Iorque.

Quando houve a abertura, que permitiu a cidadãos judeus emigrarem, eles foram para os Estados Unidos, meio tristes por deixarem o piano em que Regina estudava, mas foi a decisão mais acertada que tomaram. A então menina tinha forte influência dos Beatles e The Moodle Blues. Antes fechada à música clássica, ela adoptou também os ritmos ocidentais, que dominou rapidamente.

Meus amigos judeus farão louvores agora. Regina encontrou no porão da sinagoga que então passaram a freqüentar, adivinhem, um piano. Mas a russa só se deu conta de seu talento quando as outras crianças se admiravam com as músicas que ela fazia espontâneamente, quando visitou Israel, batendo dedos na mesa, assobiando, sem perceber o que fazia. Ela começou sua carreira na noite, cantando em cafés e lá vendendo seus discos, produzidos de forma independente. Está na estrada desde 2001.

Encorajada, o que era uma actividade doméstica passou a ser levada com profissionalismo, passou a compor suas músicas, a primeira foi A Capela, aos dezesseis aninhos. Regina estudou muito dedicou-se muito de corpo, alma, espírito e mente à música, para fazer algo que considerasse bom de ser exibido. Ela afirma já ter mais de setecentas músicas, que simplesmente fluem sem ela ambicionar escrevê-las.
Seu primeiro tour nacional foi acompanhando a banda The Strokes, em 2003-2004. Em 2005 abriu o show de Keane e então sua fama começou a decolar.

O que esperar desta bela judia.

Seu alcance vocal é muito amplo e ela utiliza toda a sua extensão, ou seja, desde que despertou passou a ter consciência de suas faculdades. Também se vale de todas as técnicas que conhece, às vezes apenas produzindo sons com lábios ou zunidos, bastante heterodoxa. De minha parte, conheço um pouco de ciências ocultas e posso dizer que ela sabe muitíssimo bem o que está fazendo. São mantras espontâneos, orações que ela faz durante as performances sem que a maioria do público perceba.

Suas letras são tão ecléticas quanto suas técnicas e suas aptidões à música. Embora quase sempre em inglês, ela utiliza todos os idiomas que domina para cantar. Regina não se furta o direito de exagerar o vocal de vez em quando. Quem for comprar seus álbuns não espere ouvir músicas pasteurizadas no estilo Spektor, ela tem muitos e todos eles cabem no disco. Por isso mesmo está longe de ser uma unanimidade, é preciso um mínimo de erudição, intuitiva, autodidata ou acadêmica, para apreciá-la em todo o proveito que oferece.

Amor, morte e religião, em especial a bíblia (que conhece mais do que os cristãos) e o judaísmo, são seus temas preferidos. Muitas vezes ela utiliza palavras-chave em várias músicas, em algumas é uma satírica afiada e impiedosa, como em Wasteside.

Em seu website é possível comprar dvd e bluray, que não são baratinhos, como judia da gema ela sabe o valor de seu trabalho, mas valem o que custam. É uma boa moça, dedicada à música e à sua família, que vai comendo o mingau pelas beiradas, se fartando sem chamar atenção dos fanfarrões.

Ela já esteve no Brasil em 2010, no SWU Brasil. Vejam que "meiga":
Por fim, a judia emergindo no acto de seu ofício:

sábado, 22 de outubro de 2011

A alma canta; Adele


Na época mais crônica da crise de saudosismo, em meio a uma massa tão crítica de incompetentes bem promovidos, quando muitos já pensavam em contractar médiuns para que as divas negras voltassem a cantar na Terra, eis que ela surge.

Adele Laurie Blue Adkins (aqui, aqui, aqui e aqui) nos veio em cinco de Maio de 1988, descendo por Tottenham, Norte de Londres. Descobriu aos quatorze o que queria fazer da vida, quando um microphone acabou caindo em suas mãos.

Sua carreira decolou graças ao moribundo MySpace, onde três demos chamaram a atenção da XL Recordings, assinou com ela e logo de cara ganhou três certificações de platina com o álbum 19. Desde então já são mais de 3,3 milhões de discos vendidos... Imaginem se não existisse download.

Por causa de excessos que freqüentemente lhe custavam a voz, Amy Winehouse acabou transferido para a colega a preocupação dos fãs e da crítica com sua voz. No blog que mantém em seu website, ela nega e procura tranqüilizar a massa de fãs que sabe que tem, embora se recuse a vestir a carapuça de musa que tão bem lhe cabe.

Recatada, discreta em relação à sua vida pessoal, esta sempre foi fonte de inspiração para suas músicas e suas performances, tal qual era com as divas negras... também as brancas, que algumas conseguiram se destacar, vá lá.

Há os críticos com dor de cotovelo, que dizem que seus fãs são gente de meia idade que não sabe baixar músicas, por isso compram tantos discos. Bem, eu vou dizer uma cousa, eu sei fazer download, ainda que apanhe nas primeiras tentativas, mas não faço. Vejo diariamente ofertas de músicas e filmes "de grátis" a povoar os caminhos entre um site e outro.

Há também os fãs de frutas rebolantes que a chamam de gorda... Gorda??? A mulher tem uma voz do Alabama, uma viceração musical texana, uma classe tipicamente britânica para cantar, fora o carisma novaiorquino que exala, e os sujeitos só conseguem dizer que ela é gorda? Essa menina é linda, tem um rosto delicado, um sorriso doce e um olhar meigo como raramente de vê em artistas de sua estirpe; e mais raramente ainda tudo no mesmo pacote. Some-se a isto uma voz possante como um Chevrolet V8 huge block e doce como uma Alfa Romeo... E tão emocionante quanto os dois juntos.

A tristeza no amor, que é um dos pilares de suas canções, acaba sendo o consolo de fãs egoístas como Alexandre Inagaki, do blog Pensar Enlouquece.

Já há sites dedicados à ela no  Brasil (como este e este) além de seu perfil no My Space (aqui) ainda estar em pleno funcionamento. Podem clicar nos links e se deleitarem com ela. Facebook? Sim, aqui está o perfil dela, mas não espere que ela leia um comentário entre os milhares que está acostumada a receber. É mais ou menos como o Barack Obama, precisa ser um comentário muito fora do comum, ou de uma relevância extrema para se destacar entre os outros e merecer atenção particular. Não é como nós, pobres mortais, que festejamos quando meia dúzia comenta o que escrevemos. Para vocês terem uma idéia, o clipe Rolling In The Deep já tem mais de cento e cinqüenta milhões de visitas em dez meses. Repito: 150.000.000 visitas. A maioria dos vídeos de sucesso tem um milésimo disso, com mais de um ano de publicação.

Aos que temem que a moçoila um dia corte os pulsos com papel crepom, deprimida com sua vida trágica e amargurada, ela avisa que é exactamente o contrário disso, em suas próprias palavras: "Sou o oposto daqueles comediantes que são divertidos no palco e depressivos sob portas fechadas. Numa gravação posso até parecer triste, mas na vida real estou bem satisfeita. Só que, quando eu estou feliz, eu não escrevo músicas. Fico lá fora, rindo, vivendo um amor. Eu não teria tempo pra compor. Se eu estivesse casada, chegaria uma hora em que diria: 'Querido, eu preciso me divorciar, já se passaram três anos, eu tenho um disco pra escrever!'". Neste caso talvez uma tragédia que mutilasse o marido a inspirasse... Não, melhor não. Com o tempo ela há de descobrir mais fontes de inspiração do que seu próprio sofrimento.

Interessante notar que em sua lojinha virtual (toda cotada em Libras) nem tudo leva seu rosto, nome ou iniciais. Alguns artigos têm a estampa de um basset. Antes de reclamarem dos preços (de seis a dezoito Libras cada peça) lembrem-se de que a imagem é parte do meio de vida de um artista. A caneca do basset custa oito libras.
Sem mais, vejam e ouçam Adele:


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Tosquices que formaram meu caráter -II

Atendendo a um pedido de Nanael, hoje vou dedicar este post à série "A Feiticeira"; na verdade o nome original é mais próximo de "Enfeiticaçado", mas o nome brasileiro faz mais juz à protagonista. Trata-se de uma das muitas delícias que abordavam a vida doméstica suburbana dos EUA, de forma muito bem humorada e, algumas vezes, bem crítica.

Como não amar...

...A abertura, em forma de desenho animado, com traços fidelíssimos aos atores?

...Samantha, a feiticeira, dividida entre seus deveres de bruxa, sua vida transcedental e seu amor pela família? E, ainda, sua prima Serena, invejosa e maluquinha, vivida pela mesma e fabulosa atriz? Elizabeth Montomery, uma mulher admirável, batalhadora que não se acomodou às suas origens de jovem bem nascida, pioneira em diversas frentes e que foi levada por uma doença silenciosa, acabou se tornando a imagem da Feiticeira. Embora a linda Nicole Kindman tenha tentado, apenas levemente se assemelhou a ela.

...Endora, a mais perversa, mesquinha, maligna, diabólica e bruxa de todas as sogras jamais criadas pela ficção? A propósito, adoro o nome Endora, e a própria personagem. Ria muito com a atriz, Agnes Moorehead, perfeita em seu sarcasmo constante.

...James, o marido atrapalhado, mas honesto a ponto de jamais se utilizar dos poderes da esposa em sua luta pela sobrevivência, sempre muito apaixonado e fiel (apesar das investidas de Serena)?

...A adorável Tia Clara, esquecida, de coração enorme, babá das crianças?

...Tabatha, a menininha-bruxa, cujo nome eu invejava, assim como aqueles lindos cachinhos do início da temporada?

... Os vizinhos fofoqueiros, os Kravitz, sempre tentando pegar Samantha no pulo e nunca conseguindo? E o pior é que nem sendo dois bisbilhoteiros, especialmente Gladys, dava pra ter raiva deles. O pobre Abner tentava, algumas vezes, dissuadir a esposa, mas quem disse que conseguia?

...Larry Tate, o patrão que era um mau-caráter - e mesmo assim, não conseguia nos fazer sentir raiva? Fora que algumas vezes o lado humano dele transparecia, sem exageros, é claro, e sempre muito divertido. Fora quando ia visitar o casal, era um show à parte.

... As idas de Samantha ao mundo das feiticeiras, onde visitava seus parentes malucos, como o Tio Arthur, e era sempre tentada com a proposta para ali ficar?

... O conjunto da obra, considerada hoje uma tosquice, mas um dos maiores sucessos de sua época, que se repetiu nas muitas reprises?

Aqui, você pode assistir aos episódios, e não banque o purista, que a dublagem em português é muito bem feita.



Eu treinava pra tentar poder mexer o nariz daquele jeito...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A era tosca, digo, dos Halley


Em 1985 (mil novecentos e oitenta e cinco, leste direito) o mundo inteiro estava tomado pela febre do cometa Halley, que passaria em 1986 bem próximo da Terra, após ter aterrorizado os incautos terráqueos da belle époque. mas como naquela época, então os grupos de catastrofistaas apocalípticos estavam a disseminar mensagens sobre o fim do mundo, um monte de dogmopatas riam dos ímpios que queimariam no inferno, mas esta é a parte idiota, tratarei só da parte tosca.

O Brasil em particular tinha uma reaçãozinha colateral por conta dessa febre: A Família Halley. Nunca ouviste falar? Pois é, caiu no limbo por um quarto de século, mas voltou a ser possível ter informações a respeito, graças à internet. Vamos lá.

Uma das especialidades das emissoras nos anos oitenta era a dos musicais, especialmente para crianças, especialmente a Globo. A Era dos Halley (aqui e aqui) foi exibida pelo plim-plim em onze de Outubro de 1985, há precisos vinte e seis anos. A família Halley era formada por Urian (Eduardo Conde, in memoriam), Mercur (Gabriel Vannucci), Juna (Carmem Monegal), Lyra (Suzane Carvalho), Big Halley (Castro Gonzaga, in memoriam) e o robô Halleyfante, havia personagens secundários, mas os seis sozinhos dariam conta do recado.

Os Halley eram remanescentes de Hydron, planeta destruído pela devastação ambiental e guerras nucleares há milhões de anos, e usavam o cometa de Halley como veículo para alertar outras civilizações sobre os perigos que corriam... Quem conhece um pouco de astronomia sabe que a órbita do cometa é bem mais restrita do que a ficção faz parecer, mas era só uma brincadeira, lucrativa, mas só uma brincadeira, vamos então brincar também.
A halleymania também era alimentada por histórias em quadrinhos editadas pela Abril, que praticamente não chegaram ao interior do país, entre outras bugigangas. O sucesso no país era estrondoso, finalmente tínhamos heróis nacionais com "classe internacional".
Ainda hoje é possível comprar a trilha sonora.

Só que durou pouco, pouquíssimo. O cometa passou, sim, mas só pôde ser visto do pólo sul, que é virtualmente desabitado. Atrelada à espectativa de se ver o Halley, a halleymania esfriou rapidamente, virou mico e caiu no esquecimento. O calcanhar de aquiles de nossos heróis, como de quase todos os criados no Brasil, é a inconsistência. Eles faziam basicamente o que muitos outros heróis já faziam desde o fim dos anos sessenta, com muito mais competência e carisma, como japonês Specteman (aqui). Só o Halleyfante, com mais apelo ao público infantil, continuou participando por algum tempo do programa Balão Mágico.

Em minha humilde e ranheta opinião, foi mais uma boa idéia mal conduzida pelos criadores, da mesma forma como conseguiram arruinar novelas excelentes sem muito esforço. A porca distribuição de revistas em território nacional, bem como subtração de brindes das mesmas, é de conhecimento geral, mas mesmo para estes padrões a divulgação da mídia material (revistas, figurinhas, botons, et cétera) foi muito ruim, concentrando-se quase que somente no sul-sudeste do país. Uma distribuição teria atenuado os efeitos nefastos da pouca consistência do grupo; Red Sonja ainda vende bem, não vende? Então!

Justo por ser uma boa idéia, que alguns internautas conseguiram trazer de volta à tona, a família Halley certamente teria uma boa chance de sucesso, se entregue às mãos dos japoneses, para ser transformada em animes e mangás, talvez nos moldes de Evangelion (aqui) ou similar. Claro, então o nome "Halley" poderia ser pelo uso do cometa como transporte, para instalação dos alienígenas na Antártida, a partir do quê a trama toda se desenrolaria.

Mas sabem quais as chances de a Globo dar o braço a torcer? As mesmas de eu acordar agora, olhar para os lados e me lembrar que sou Albert II de Mônaco.

Vídeos sobre a maior tosqueira dos anos oitenta.   Aliás, tosco é apelido!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Tosquices que formaram meu caráter - I

Os leitores mais atentos devem ter percebido que sou chegada numa tosquice. É brega? É piegas? É bobo? Tem uma imensa possibilidade de eu gostar.
Vamos então por partes, como diria Jack, o estripador (ô piadinha infame!).
Parte I- A infância
Entre as muitas coisas toscas de minha infância, realmente me formaram caráter (além dos muitos desenhos animados, lógico):
Saturnino, um patinho sabichão que vivia suas aventuras perigosísismas.
Banana Split, um conjunto doido pra caramba, com visual inovador e muito engraçado.
The Monkees - como amaaava! lembro-me a musica com todos os detalhes, uma divertida paródia aos Beatles que eu, na minha ingenuidade, achava serem os mesmos da série.
Lili, um musical em que a mocinha realmente acha que fala com fantoches e era apaixonada pelo mágico, cuja música tema em português sei de cor até hoje.
O Pássaro Azul, um filme em que se busca o dito pássaro, que traria a felicidade, e que tem cenas que algumas vezes achei que fossem fruto de minha imaginação
Os seriados "Jeannie é um gênio", "A feiticeira", "Doris Day" e "I love Lucy", em suas muitas e muitas reprises, adorava ver as trapalhadas delas.

Seus correspondentes para-meninos "Zorro", "Perdidos no Espaço" e "O elo perdido" me faziam ficar estatelada, rindo e torcendo.
Outra série que amava, "Os Pioneiros", me fazia ora querer ser igualzinha à Laura, em suas aventuras e infinito otimismo.
E, já que nosso querido Nanael falou da Mulher-Gato, falemos, então do inesquecível. Das séries de super-heróis, nunca, nada, jamais vai substituir em termos de tosquice deliciosa o Batman, que repetia tanto a ponto de eu saber alguns diálogos de cor. Amava os "vilões especialmente convidados".
Amava tudo isso, e olha que nem falei das novelas.

Mentira, ainda amo!

Santa tosquice, Batman!


sábado, 8 de outubro de 2011

Mulher Gato; chique e ecológica!

Chique como na era de ouro dos quadrinhos.

Além de já estar sendo considerada a Mulher-Gato mais elegante de todos os tempos, Anne Hathaway protagonizará também a versão mais ecológica da anti-heroína.

Estou tendo que dar a mão à palmatória, Anne dará vida a uma Selina Kyle com todo o charme e elegância  dos anos sessenta, usando roupas bem cortadas, com caimento perfeito e dignas de uma verdadeira dama. Todo o destrambelhamento de sua personalidade desequilibrada (da Selina, não da Anne!) será reservado para as cenas em que a cidadã dá lugar à ladra, quando então ela usará aquelas roupas justíssimas, revelando cada curva do corpo. Esguia, de olhar vivo e curioso, ela tem chances de ser lembrada como uma das melhores intérpretes da personagem no cinema.

Há os que detestaram o uniforme e a actriz, alegando falta de sal e de sensualidade... Aquela boca generosa, aquele corpinho feminilísimo, aqueles trejeitos moleques contrastando não têm sensualidade? Vamos refrescar a memória, o que se tem considerado "sensualidade" nos últimos anos, se não alguém de pernas abertas fazendo cara de orgasmo? Acostumados às tosquices onanológicas dos últimos uniformes, especialmente do último, tem gente que só aceita uma mulher gato que renda homenagens solitárias em sanitários, feitas por adolescentes que se vêem na obrigação de dar satisfações sexuais aos "amigos". Eles não gostaram, que bom, menos fedelhos infernizando na sala do cinema. Os tios, que sabem que uma mulher é muito mais do que uma vagina, agradecem; eu incluso.

Para sentir-se mais à vontade em trajes tão restritos, Hathaway está sendo auxiliada por sua dublê. Vegetariana, ela agora está dando um tempo com os vegetais calóricos, abusando de verduras, principalmente repolho...

Sim, caríssimos, repolho. É aqui que entra a parte ecológica da personagem. Se não se lembram da motocicleta, aquele monstrengo é praticamente um par de pneus larguíssimos com uma estrutura estranha no meio. Motor? Não se sabe qual, na verdade nem há espaço para um tanque decente. Em uma eventual perseguição, seria presa facilmente, por falta de combustível.

É aqui que entra a parte ecológica, baseada na dieta da actriz, a motocicleta é movida a metano, o GNV usado em automóveis, que vive faltando nos postos por falta de pulso do governo para com os fornecedores. Com o auxílio de pequenas doses de cereais e tubérculos (que não podem ser retirados de todo da dieta de um vegetarianos) a produção biológica do metano será intensa. Com a disciplina que a actriz demonstra, e a ajuda da roupa de couro para dar pressão, a motocicleta terá combustível de sobra e poderá protagonizar fugas apoteóticas, ainda mais se ela for híbrida. Ela é o tanque de combustível! Agora, resolvido o enigma, resta outro: como canalizam o metano produzido?

Brincadeiras à parte, às quais Anne é muito chegada, reconheço meu erro e publico votos de que o belo rosto e o belo corpo da moça sejam o padrão da nova Selina Kyle em seu novo uniforme, também nos quadrinhos e nos brinquedos... Porque ela mesma já é uma boneca.


Edição: Texto nº 200 deste talicoiser no Talicoisa.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Eu recomendo: The Baseballs

Imagem de divulgação.

Fundado em 2007 por alemães de Berlim, o The Baseballs (aqui e aqui) se caracteriza por gravar músicas actuais, suas e consagradas por outros, no estilo dos anos 50/60. Seu mérito é conseguir fazer adaptações muito bem feitas e não cair na caricatura. A inspiração em Elvis Presley é nítida e bem aproveitada.

Os vocalistas assumem apelidos americanos, são eles: Sam (Sven Budja), Digger (Rüdiger Brans) e Basti (Sebastian Rartzel), guarnecidos pelos instrumentistas Lars Vegas (sem gozação, é este o nome dele) à guitarra, Klaar Wendling ao contrabaixo, Jan Miserre ao piano e Tomas Svensson na bateria.
Os três rapazes têm boas vozes, cantam com competência e seus clipes têm o primor típico dos alemães, são carregados de bom humor, satirizando com bom gosto e inteligência as belas cenas de época, e contando com muitas cenas da época. A qualidade de sua obra foi reconhecida rapidamente pela JMC Music e Warner Music, que não titubearam em recrutá-los.

Seu maior sucesso é a versão sessentista de Umbrella (aqui) de Rianna. Para quem conhece a música, fica difícil reconhecê-la na versão, mas consegue se prestar a devida atenção, mas quem não conhece realmente acredita ter sido gravada hà mais de quarenta anos. Eu conheço a original, pessoalmente prefiro a versão; nenhuma surpresa para meus amigos.

Uma canção que merece atenção e lugar na pista de dança é "Hello" (primeiro single) que empolga quem não tem medo de parecer velho e quer balançar o esqueleto com algo que estimula mais do que o baixo ventre. A bem da verdade, por apelar à alegria, e não aos instintos pubianos, esse trabalho vintage acaba se tornando muito maias jovem do que o que se acostumou a ser chamado de "jovem e descolado". The Baseballs não é descolado, é autêntico.

E como quem sabe faz ao vivo, eles têm agenda cheia na Europa, com shows (aqui e aqui) que conseguem lotação sem dificuldades. Além da alta qualidade musical e de produção, os preços são razoáveis, variando de vinte a quarenta e seis Euros e vinte centavos... Muitos shows agendados já esgotaram sua lotação.

O grande segredo do grupo certamente é não inventar, nem tentar reinventar o rock'n roll. Ritmo, instrumentação e visual de todos os sete são de época, produzidos com o comedimento de quem quer fazesr uma visita ao meio de século passado, não ir a uma festa de halloween.

Em plena era de pirataria imensamente facilitada pela informática, eles colecionam discos de ouro e platina. E por falar em disco, a loja do website (aqui) conta inclusive com disco de vinil, gravado ao vivo em um show na Finlândia. É mole ou quer mais? Claro, também há downloads para iTunes, camisetas (vinte Euros) e tudo mais.

Na página de vídeos (aqui) do site é repleto de pérolas, vale à pena desperdiçar algumas horas de folga nela. Assuntos importantíssimos como programas de auditório de fim de tarde no meio da semana, reality shows e novelas Control-C + Control-V podem esperar um pouco. Sugiro o vídeo do show com dançarinos, moças e rapazes, ao som de "Hello", é fantástico.

Como descobri esse grupo? Um amigo no Facebook publicou uma nota a respeito, em seu perfil. Eu faço uso útil de redes sociais.

sábado, 1 de outubro de 2011

In memoriam; Minnie Riperton



Em oito de Novembro de 1947, quando o mundo ainda vivia a euforia do fim da guerra, e se preparava para as festas natalinas, veio ao mundo Minnie Riperton. Foi levada de nós em doze de Junho de 1979, pelo monstro ainda subestimado do câncer de mama.

Era a caçula de oito filhos, de uma família com tradição na música. Tendo iniciado na dança, sua voz aguda e adocicada, com uma gama extraordinariamente grande de tons bem executados, exibiu seu talento logo cedo, e os pais a encorajaram à carreira.

Embora talentosa, não era simplesmente uma artista intuitiva, ela teve boa formação, dedicou-se com afinco a cursos de respiração, dicção, e fraseado. Sua professora, miss Marion Jeffery, conseguiu extrair daquela jóia todo o brilho que podia refletir. Confiava tanto na pupila que a mandou estudar clássicos, embora Minnie tenha se interessado cedo por soul, rhythm and blues e rock.

Ela participou do grupo The Gems e depois The Rotary Conection, mas teve sua carreira solo. O grande sicesso de sua vida era quase um resumo do que era Minnie: Loving You.

Casou-se com o compositor Richard Rudolph, com quem teve Marc e Maya, esta que se tornaria comediante de televisão.

É fácil encontrar suas músicas em sites de cifras e canções, pois a única Minnie que compete com ela em prestígio é a namorada do Mickey. Já fiz um texto a seu respeito, em janeiro, este aqui, ums psquena poesia para a moça que se comportou como boa cidadã e profissional dedicada, sem arrombos públicos ou escândalos para denegrir sua imagem. Provavelmente este é seu segundo maior legado, talvez quase tão precioso quanto sua obra e seu talento, porque de bons cidadãos fazendo sucesso por meios nobres, o mundo em que vivemos carece mais do que de água e filtro solar.