Faltando quase quinze minutos para a chegada do meu ônibus, atravessei a rua e fui a uma farmácia, espiar os esmaltes. Fiquei lá, paradinha, olhando e procurando alguma novidade. De trás do balcão, saiu uma criatura muito esquisita, com um sorriso de orelha a orelha, totalmente falso. Seus movimentos eram robóticos, assim como a sua expressão facial. Sua simpatia também não era verdadeira. Era o atendente da farmácia. Ele se aproximou de mim e desatou a falar, de forma automática:
- Boa noite! O Risqué é 2,30, o Colorama é 1,99 e o Impala é 1,99!
- Sei... Só estou dando uma olhadinha.
- Ok, fique à vontade! Se precisar de alguma coisa, é só me chamar!
Eu, com os meus botões, fiquei pensando: Será que ele precisava vir até mim, para me dizer coisas que eu já sabia? Na prateleira, havia uma plaquinha com o preço de cada marca de esmalte. Eu sei ler! E que outro tipo de ajuda ele poderia me prestar? Saberia ele dizer quais as cores que estão bombando? Ou qual marca tem a melhor durabilidade? Ou se aquela cor fica vermelha ou rosa nas unhas? Não, né! Então, pra quê?
Andando na rua, o cadarço do meu tênis desamarrou. Esperei chegar até uma pracinha, onde havia um muro baixinho, no qual eu poderia colocar a perna e amarrar o calçado. Um tiozinho se aproximou de mim e disse:
- Esse é o problema do sapato de amarrar! Ele desamarra e a pessoa tem que parar para amarrar de novo!
Eu, com meus botões, fiquei dividida entre dar uma resposta sarcástica, como: “Jura?! Nossa, quando eu chegar a sua idade, quero ser assim, cheia de sabedoria!” ou ignorar solenemente a criatura que ousou falar comigo. No fim, optei por dar uma resposta muito sábia, que serve para qualquer ocasião: “Pois é!”.
Hoje, no trabalho, um colega de quem eu não gosto, resolveu falar comigo da maneira de sempre: dizendo coisas totalmente desnecessárias, só para quebrar o silêncio. A pérola de hoje foi:
- Mais uma semana inteirinha pela frente!
Minha resposta foi tirada de uma música do Burt Bacarach, porque eu sou fina:
- Pois é, fazer o quê? Reclamar da chuva não faz ela parar...
Eu não disse a ele que eu tirei isso de uma música, então ele respondeu:
- É verdade! Eu nunca tinha pensado nisso!
Aos seus olhos, fiquei parecendo uma especialista em criar filosofias de botequim. Obrigada, Burt!
Contei essas três historinhas só para perguntar uma coisa que eu não consigo entender: Por que as pessoas têm essa necessidade quase patológica de puxar assunto? E, principalmente, por que elas escolhem a mim?
Sou uma pessoa que prefere falar com os seus botões.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Please, shut up!
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Luna
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sábado, 2 de maio de 2009
Emagreça! Saiba como!
Esqueçam as picaretagens veiculadas diariamente, a maioria sequer tem notificação ou registro na Anvisa. Na verdade, a maioria é mato com ervinhas quaisquer que eles catam no quintal ou na mata mesmo, sem critério, não estranhem a grande semelhança de alguns chás milagrosos com o pasto daquela fazenda, provavelmente saiu de lá.
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Nanael Soubaim
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16:55
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sexta-feira, 1 de maio de 2009
Mais vale...


... um pássaro na mão que dois voando (ditado popular)
... um pássaro na mão que bois voando (ditado de caminhoneiros)
... um mau acordo que um bom litígio (ditado de advogados, com a observação de que é "às vezes")
... um pequeno de prontidão que um grande bobalhão (outro ditado popular)
... um na mão que dois no sutiã (Ditado do Mamonas Assassinas)
... uma torneira funcionando que um tanquinho bombando (ditado inventado por uma dona de brechó em Biguaçu/SC, o qual me fez rir sozinha dias a fio)
... andar sozinho que mal-acompanhado (mais um ditado popular)
... andar sozinho que com mala acompanhado (minha interpretação do ditado)
...[estar] mal acomanhado do que só (interpretação do Erasmo desse mesmo ditado, na famosa música do "homem pra chamar Dirceu")
... uma lista engraçadinha que uma linda história não publicada (minha desculpa-da-vez pra esse texto atrasado).
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Adriane Schroeder
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terça-feira, 28 de abril de 2009
Armadilha de Satanás
O grande problema é o visual da cantora. G-sus, alguém faz parar? Essa onda de criar um estilo incomum para parecer ser cool já cansou. Eu gostava do cabelo cupim da Winehouse, achava criativo, só que a Lady GaGa anda se superando na bizarrice.
Minnie Mouse wannabe!
Talvez o cabelo dela seja pior do que a peruca...
Arrasa, gata!
Chapeuzinho Vermelho roubou a meia-calça da vovó.
E o melhor vestido de todos os tempos...
MEDO!
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Rafaela
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segunda-feira, 27 de abril de 2009
A difícil arte de fazer o cérebro engrenar numa segunda-feira
No ônibus, depois do trabalho, mais ou menos às 18h10:
Eu: Hoje é segunda-feira, dia de escrever o texto do Talicoisa...
Eu2: Ah, não! Tu precisas chegar em casa, tirar esse esmalte vermelho e pintar de outra cor. Não agüento mais olhar para esse vermelho. Eu enjôo rápido, tu sabes...
Eu: Eu sei... Também já cansei desse vermelho. Vou fazer assim: chegar em casa, pintar as unhas e depois escrever.
Eu2: Combinado! E vais escrever sobre o quê?
Eu: Não sei. E vou pintar de que cor?
Eu2: Rosa!
Eu: De novo? Não, eu quero uma cor mais... Estava pensando em usar o Lílian. Nunca usei. Mas tem que ser rápido, tem o texto...
Eu2: Lílian é legal.
Eu: Mania dessa Impala de tacar nome de mulher em tudo quanto é esmalte!
Em casa, na frente do computador, mais ou menos 19h:
Eu: Só vou dar uma olhadinha no fórum, tá?
Eu2: Que mané fórum? Pega a acetona e começa a trabalhar!
Eu: Calma, dá tempo!
Eu2: Anda logo!
Quase meia hora mais tarde:
Eu2: Acetona! Algodão! Esmalte! Anda de uma vez!
Eu: Ok, ok! Aff, cadê o óleo secante? Óleo secante me lembra o Snape, que me lembra a Meg... Vou abrir o MSN!
Eu2: Tu és muito retardada! E eu já não sei se quero pintar de Lílian.
Eu: Ai, não inventa! E pintar de que cor, Maria de Fátima?
Eu2: E eu vou saber? Tu ficas comprando milhares de esmaltes! Depois fica difícil de escolher uma cor! Sei lá, vamos testar... Que tal Glamour Pink?
Eu: É... Não. Já sei, M. Butterfly!
Eu2: Apagadinho demais... Testa o Diva! O Radiante!
Eu: Radiante é vermelho! Quero algo diferente!
Eu2: Ah, pega o Lílian e começa de uma vez!
Eu: Cruzes! Que cor difícil de passar! Não fecha!
Eu2: Pega o Marinho e passa embaixo!
Quase meia hora depois:
Eu: Lílian + Marinho! Ficou uma combinação digna!
Eu2: Mais ou menos... Tem alguma coisa que não me agrada! Passa mais uma do Lílian!
Eu: Mas isso vai secar é nunca! Já são quase 8 horas!
Eu2: Vamos ver no espelho do banheiro. Lá tem mais luz!
Eu: Gostei! Tá ruim, mas tá bom!
Eu2: Eu estava pensando... Não é o meu momento de usar marinho. Quero uma cor mais solar...
Eu: Uma cor mais solar?! Mas eu acabei de pintar as unhas, criatura! Só falta limpar os cantinhos!
Eu2: Eu odiei esse esmalte! Tira tudo!
Eu: E que cor solar tu queres usar?
Eu2: Laranja!
Depois de remover o esmalte marinho e colocado a tal cor solar (duas camadas de Laranja, da Impala), mais ou menos 20h15:
Eu2: Lindoooooooooooo! Mas falta alguma coisa!
Eu: Ave Maria! Falta o quê?
Eu2: Brilho! Pega aquele cintilante alaranjado da Colorama! O Liberdade!
Eu: Mas isso vai secar é nunca!
Eu2: Não faz mal! Se estragar, amanhã a gente pinta de novo!
Eu: É, ficou bom. Mas e o texto?
Eu2: Texto? Sei lá de texto! Escreve alguma coisa enquanto o esmalte seca!
Eu: Isso vai secar é nunca, já falei!
Resultado final: Já são quase 21h, estou com três camadas de esmalte nas unhas, que só vão secar por milagre de Roque Santeiro, e o texto... O texto tem um título legal. Fim.
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Luna
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20:54
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sábado, 25 de abril de 2009
Malhando, ou o arroz queima.
O sol mal se espreguiça e ela acorda. Vamos começar o dia.
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Nanael Soubaim
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15:55
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Quando o Universo sorri...
Muitas e muitas vezes, pensamos que não temos mais saída, não tem mais jeito, não há mais luz no fim do túnel.
Mas... Há.
E especialmente, quando chegamos nesse ponto, de desesperança, de falta de perspectiva, é que algo acontece e faz tudo mudar. Inclusive o nosso próprio ponto de vista.
Quem me conhece, sabe que eu sou um cara que sempre foi deprimido e estressado.
Até eu chegar num ponto, numa tragédia pessoal, e buscar, para continuar seguindo, uma saída.
E Deus, na sua infinita bondade, me mostrou o Universo.
As saídas pra vida são incontáveis.
Logo me lembro do dito popular: "Só não tem jeito pra morte".
A morte, no fim das contas, é mera enganação. A vida não termina.
Não me importo se você concorda ou não, estou exprimindo o que eu sinto, creio, e sei ser verdade. Se pra você não é, seja feliz como você é.
Eu sou feliz assim. Crendo e sabendo que é assim... Enfim.
Quando me dei conta das possibilidades, a vida ficou mais leve. Não sou mais depressivo (embora fique triste às vezes), e o stress, estou aprendendo a lidar com ele com várias técnicas diferentes.
E todas elas me remetem à Deus, em sua infinita bondade, e àquele que chamamos de "Jesus Cristo", e a sua misericórdia e amor sem fim.
Não sou evangélico, nem católico, mas digo, sem vergonha alguma, que Jesus entrou na minha vida, e tem operado milagres nela.
Tem sido um companheiro de jornada, que me dá a mão quando preciso, e me dá broncas quando eu fico preguiçoso.
Mas em tudo isso, aprendi a ver a vida de outra forma, e contemplar o Universo de maneira diferente.
Antes, via desorganização, maldade, frio e dor.
Agora, todos os dias, contemplo o Universo, e ele sorri.
A dor continua, os tormentos também, bem como certos sofrimentos que me cabem passar.
Mas acima de tudo isso, eu olho pro Universo, e ele sorri.
Obrigado, Senhor.
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Edu
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11:47
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