terça-feira, 14 de abril de 2009

Crepúsculo

A série Crepúsculo virou a febre teen do momento. Em todas as livrarias, pelo menos uma parte da vitrine é dedicada para os livros (capinha preta, maçã, flores...) e também já lançaram o primeiro filme.
A história? Adolescente comum (Bella) se muda para uma cidadezinha do interior (fim de mundo dos Estados Unidos) para morar com o pai. A cidade é um ovo total, o colégio é uma chatice total...E é no meio de todo o marasmo que ela acaba ficando atraída por um rapaz (Edward) que vive com uma família meio esquisita.
Todos são muito belos e maravilhosos (principalmente Edward) – isso é citado inúmeras vezes ao longo do livro:

“Fiquei olhando porque seus rostos, tão diferentes, tão parecidos, eram completa, arrasadora e inumanamente lindos. Eram rostos que não se esperava ver a não ser talvez nas páginas reluzentes de uma revista de moda. Ou pintados por um antigo mestre como a face de um anjo. Era difícil decidir quem era o mais bonito — talvez a loura perfeita, ou o garoto de cabelo cor de bronze.”

O problema reside no fato de que Edward e familiares são, na verdade, vampiros.
E é aí que começa tudo: o vampirismo deles é meio controlado, só se alimentam com sangue de animais. É o vegetarianismo crepuscular...
Só que nem todos os vampiros seguem esta linha, e aí no meio da história aparece um grupo rival. E, claro, Bella e Edward se apaixonam. ZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzz.
Não dá pra contar mais do que isso.

Na falta de novos livros do Harry Potter, Crepúsculo virou moda. E por todo o “fenômeno”, começaram as comparações entre os livros da Stephenie Meyer e os da J.K Rowling.
Pra mim, Crepúsculo é tão inferior...Não consegui encontrar a graça, parei no primeiro livro.
E pelas sinopses que já li na Internet, o desenrolar da história fica pior ainda.
Não me cativou nem um pouco. Não gostei da Bella, do Edward...De ninguém.
E isso é muito estranho, pois eu adoro esse tipo de eguági literária.

Santo Google acabou me mandando para o site Twilight Haters:
http://twilighthatersbrasil.wordpress.com/
Quem pegou ódio mortal pelo livro vai se interessar.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Elas são todas iguais


Outro dia, conversando no MSN com uma menina que conheci no Orkut, surgiu o assunto “comunidades virtuais”. Ela estava reclamando de uma comunidade da qual ela participava, mas que abandonou, devido a uma série de brigas.

Comunidades virtuais são pontos de encontro de pessoas com interesses parecidos. Um ótimo lugar para fazer amizades, debater idéias ou simplesmente jogar conversa fora. Todas elas têm o mesmo propósito: unir os fãs de alguma coisa, de abacaxi cristalizado a Gilmore Girls.

Ouvindo o desabafo dessa nova amiga, reparei que as comunidades virtuais são parecidas em outro ponto: a belicosidade. Se você, algum dia, brigou ou se irritou num fórum, saiba que a mesma briga já foi observada, de forma quase igual, em outro.

“Eu cheguei aqui primeeeeeeeeeeeeirooooo!!!!”: Sempre que há alguma discussão num espaço virtual, os veteranos fazem questão de jogar na cara dos novatos esse fato relevantíssimo. É realmente muito importante que todos saibam – e os que já sabem, recordem – que Pedrinho está na comunidade desde o início. O que Pedrinho ganha com isso? Fama? Aumento de salário? Namorada craque no Kama Sutra? Não, ele ganha o status de ser mais antigo no fórum do que o Julinho!!!!! Chamem o Fantástico!

Dois pesos e duas medidas: Também é muito comum, mas é meio difícil de detectar. Camilinha criou um tópico na sua comunidade preferida: “Você prefere o Brad Pitt com a Angelina Jolie ou com a Jennifer Aninston?”. Em seguida, apareceram os dementadores, dizendo que aquele assunto era totalmente inútil, sem graça e que Camilinha estava ocupando o espaço do fórum com infantilidades.
Semanas depois, Ritinha cria um tópico assim: “Rihanna devia ter voltado para o Chris Brown?”. Nenhum dementador apareceu, o assunto foi comentado de forma civilizada e depois esquecido.
Qual é a diferença entre os dois tópicos? Ambos são infantis e “inúteis”, não? Sim, mas é que a Camilinha não é muito popular no fórum, já a Ritinha... E o mesmo processo acontece em outras situações: se Jorginho escreve em miguxês, é analfabeto. Se Carlinha faz o mesmo, estava só brincando, porque ela tem um extraordinário senso de humor. Não importa muito o quê é feito, mas quem faz.

Perguntar ofende: Quando uma pessoa é nova numa comunidade ou não aparece com muita freqüência, é normal que ela tenha algumas dúvidas. O problema está quando ela decide perguntar. Alguns membros não têm paciência de explicar ou ensinar nada. Mas têm toda a paciência do mundo para xingar quem perguntou. Abrir uma janela para mandar uma resposta mal criada leva o mesmo tempo do que fazer o mesmo para responder sobre “onde está a receita do pavê de maracujá?”. Questão de prioridade.

“Vou te pegar na saída!”: Numa comunidade virtual, é normal que surjam panelinhas. Elas existem até em comunidades reais! Na escola é assim, na família, no trabalho... As pessoas formam grupos, mesmo estando dentro de um grupo maior. Virtualmente, porém, as coisas tomam proporções gigantescas. Se Renatinha xingar Lucinha, é provável que Lurdinha, Marquinhos e Zezinho apareçam para defendê-la. Em seguida, Bruninho, Huguinho e Selminha também se metem na quizila. Resultado: ninguém sabe mais quem começou a briga, nem o motivo. Uma discussão entre duas pessoas vira uma guerra mundial. Pode ser divertido, em doses homeopáticas.

Dar um tapa e esconder a mão: Carlinhos implica com todo o mundo na comunidade. Lança indiretas, joga um contra o outro, posta coisas estapafúrdias. Quando o circo pega fogo, ele tira o corpo fora, explicando que “não foi isso que eu quis dizer”. Manipula a situação a ponto de transformar o “ofendido” em culpado. Afinal, ele não tem culpa de que Osvaldinho não soube ler nas entrelinhas que “aquilo” não era uma ofensa, nem uma tentativa de picuinha. Carlinhos é quase um santo, só falta ser canonizado!

Comunidades virtuais, como demonstrado acima, têm um amplo poder rejuvenescedor. Você pode ter 20, 30 ou 40 anos de idade, mas acaba agindo como se fosse uma criança de dez anos.

Espero que ninguém ouse criticar meu texto, porque eu estou no Talicoisa desde o início, sou muito popular no blog e tenho uma panelinha imensa para me defender. E não pensem que estou lançando indiretas e tentando ver o circo pegar fogo. Como sacerdotisa, eu seria in-ca-paz de uma atrocidade dessas...

sábado, 11 de abril de 2009

Dial

Bzzzzz!!! Thweeeeeee... Por que a mulher bonita, quando quer, faz sangrar o coração do peão de bagé até matar...

Bzzzzzzzzz! Crrrrrrrr... Galera irada da nigth que se liga em curtir altas adrenalinas...


Crrrr... Bzzz... me ama que eu sou corno, volta que eu sou corno, sonha comigo que eu sou corno, dá pra mim que eu...


Hmmm... Bzzzzzz!! Thweee... Brasileiros e brasileiras, não me abandonem nessa marolinha, assim não pode, assim não dá...


Bzzzz... Hmmm... Weeeee... O demônio está em tudo, irmãos! Não leiam, não assistam, não cantem, não dancem, não riam...


Bzzzzz!!! Thweee... Eu sou o mano da peripheria, eu sou a vítima da sociedade, eu tenho raiva do rico bonitinho, eu vou pixar o muro pintadinho...


Bzzzzz!!!... Uou uou uou uou!! Você me abandonou, mas vou te esperar, quando cansar da outra vai aqui me encontrar...


Bzzz... Hwoooom... Chega de imoralidades! Chega de privilégios enquanto o povo passa fome! Filie-se ao PQP (Partido do Querido Povão) e vamos às armas...


Bzzzzzzzz!!! Swooooooonnmmmmm... Liro-liro pegou a bola, driblou um, driblou outro, está de cara com o goleiro, vai de bicicleta e... CHUTOU FORA!!!...


Bzzzzz!!! Thweeeee... Da promoção 99 1/2 FM! Qual o nome do terceiro namorado da noite passada da Sujana Velheira? Ligue e concorra a uma xerox do autógrapho da Sujana Velheira! Sua vida depende disso...


Bzzzzz!!! Thweeeeeoonnmmm...


Dans quelle Espagne


Dans quel vin d'Italie


La vie s'éloigne


Quelque fois elle oublie


Que le temps passe


Comment le dire


Et qu'il ne passe pas qu'ici


Dans quelle histoire


Dans quelle géographie


Allez s'asseoir et puis boire à la vie


Qu'on soit du soir ou du midi


Le même espoir nous réunis


Où est ma vie, ma simple vie


Mon cœur d'enfant, mon eau de pluie


Où est ma vie, ma seule vie


On dirait bien qu'elle chante aussi


La la la la la la


Où est ma vie, ma seule vie


Dans quel naufrage


Dans quelle comédie


Sur quel visage, de princesse endormie


J'aurais écouté, jour après nuit


L'amour ne parlait que de lui


Où est ma vie, ma simple vie


Mon cœur d'enfant, mon eau de pluie


Où est ma vie, ma seule vie


On dirait bien qu'elle chante aussi


La la la la la la


Où est ma vie, ma seule vie...
(Où est ma vie, de Isabelle Boulay)


Ao contrário do que se especulava nos anos 1950, a tevê não matou o rádio, a mediocridade das novas programações quase fez o serviço sozinha. Felizmente ainda há quem prestigie quem gosta de ouvir boa música e boas locuções, mesmo perdendo em popularidade.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Coelho e a Páscoa

É praticamente básico textos explicando porque existe a Páscoa.

Vão dizer que no Judaísmo, a festa surgiu para celebrar a saída dos Judeus da Escravidão no Egito.

E que para os cristãos, é a festa para "celebrar" (na verdade, relembrar) a Crucificação e Ressurreição de Jesus Cristo.

Para mim, a nível de mim mesmo, enquanto indivíduo (by Elmo), relembrar o sacrifício de Cristo é todo dia. Relembrar que Deus ajudou a tirar milhões da escravidão, é todo dia.

Mas essa Páscoa, que se inicia hoje, tem um sabor especial, diferente. Não é o sabor de chocolate. Nem da lembrança diária do Sacrifício do Cristo.

Tem um sabor leve de arroz de "koochat", ou de um belo "copo de leite light", ou de uma voz magnífica, ou de um carinho especial, de uma pessoa especial.

Hoje é aniversário de Dave Coelho, o nobre colega de Talicoisa, que é uma pessoa que eu amo. É minha alma gêmea intelectual, é um espírito de rara nobreza, mas tem uma pitadinha de pimenta também, leia-se seu sarcasmo tantas vezes ácido.

Mas Dave tem um coração como poucos.

Colega, eu te amo, e espero que Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo te cuidem e te guardem sempre maravilhoso do jeito que você é.

Já disse uma vez, e sempre repito, para que não se curve ao idiotismo acadêmico, que mantenha seu coração sempre aberto, e seja sempre a pessoa maravilhosa que você é.

Eu divido minha mãe com você, que também te adora.

E todos nós, e eu sei que o cast do Talicoisa assina embaixo, que você é uma pessoa mais que especial, que merece tudo de bom que essa vida possa conceder a alguem.

Seja feliz, sempre, e sempre mantenha o amor no seu coração.

Esqueça as dores e as decepções, pois elas passam.

Não há bem que não perdure nem mal que não se acabe.

Mantenha isso sempre em mente, e vem logo pra SP, seu porquera, pra gente ir comer tacos todo mundo junto...

Feliz aniversário, Dave, Deus e Jesus te abençoem, sempre.

Do Gacto Gordurínea, pra você.



Indiana Dave, em busca dos Tacos da Perdição

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Slogans: a verdade por trás do mito (*)

(*) O título bombástico é uma estratégia pra (tentar) atrair leitores.

Dia desses, ao ser - de novo - pessimamente atendida pelo banco onde fui obrigada a abrir conta, reparei o quão distantes estão as empresas em geral e os bancos em particular de seus slogans, na prática.
Então meu espírito-de-porco, também conhecido pelo eufemismo de "lado sarcástico", logo bolou uma listinha de slogans e exemplos de como eles são praticados. Não apontarei as empresas pelo nome para não fazer divulgação gratuita e não acabar levando um processo nas costas. Cabe a vocês saberem quem está sendo citado.

O slogan:

"O valor das ideias" [plural tem ou não acento, afinal?]

A prática:

Ideia de ter uma miséria de agências na cidade onde ganhou a licitação para gerenciar a conta de milhares de funcionários, como é meu caso, e ter sempre mais caixas vazios do que operando - em qualquer horário e dia. Aliás, nada me tira da cabeça que todos aqueles caixas em bancos são cenários (com computador falso, sem a CPU, etc.) pra gente se consolar achando que chegou num mau dia/horário ou que é azarado e sempre que a gente está lá, 99% dos atendentes foi almoçar ou está doente; e o gerente, claro, nunca está no momento.

O slogan:

"O lado bom da vida"

A prática:

Lado bom de entregar mercadoria defeituosa, tentar colocar a culpa no consumidor e levar dias para efetuar a troca, mas só depois de ouvir as duas palavrinhas mágicas que fazem todas as lojas funcionares neste sentido: PROCON e PROCESSO, como recentemente ocorreu com uma amiga minha.

O slogan:

"Vem pra [****] você também! Vem"

A prática:

Vem pra nossas filas quilométricas, em algumas ocasiões podendo ser medidas em hectares. Não, o Código de Defesa do Consumidor não nos assunta. Isso também ocorre com outros bancos, como o famoso "Banco completo", que é completamente lotado sempre, e sempre te atenderá mal. Acho que tem um código de posturas de bancos que é específico e enfático com relação a isto.

O slogan:

"Viva o lado [****-****] da vida"

A prática:

Viva o lado cheio de flavorizantes, aromatizantes e propagandas lisérgicas e uma das maiores fornecedoras de lendas urbanas atuais. Pelo menos, seus comerciais são mais imaginativos que os comerciais de cerveja.

O slogan:

"Se dirigir, não beba"

A prática:

E também não frequente os postos de gasolina, em que se vende todo tipo de bebida alcoólica, assim como cigarros, num lugar em que é terminantemente proibido fumar, tendo em vista que os materiais que vendem ali são - dã - combustíveis E explosivos. Paradoxo pouco é bobagem.

Que outros slogans você acrescentaria à lista?

sábado, 4 de abril de 2009

Branca de Neve

Branca de Neve era pouco mais que uma criança, foi perseguida por uma madrasta com a periquita em chamas e que não admitia concorrência. A estória deixa isso claro. Mas conheço uma pá de gente que tenta a todo custo ver a madrasta como vítima e a princesa como uma monga que merecia ter sido assassinada. Mesmo a estória deixando claros os factos.

Branca de Neve morou com os anões por algum tempo, sem ter sido molestada por eles, a estória deixa claro. Mas conheço uma pá de gente que força para acreditar que era uma concubina, mesmo a estória deixando claros os factos. Uma concubina com os atributos físicos dela não precisaria arrumar a casa, convenhamos.

Branca de Neve era uma garota frágil e bem educada, mas não era indefesa. Não era a monga que muitos querem fazer parecer, ou não teria sobrevivido um segundo sequer na floresta, a não ser que tivesse aberto as pernas para o caçador, o que a estória deixa claro que não aconteceu. Mas conheço uma pá de gente que usa de toda a retórica de que dispõe para denegrir a imagem da princesa. E encontra quem ouve.

Gostar ou não gostar tem motivos que quase nunca nos interessam, só a quem os tem. Gostar não é o caso, o caso é a recusa de tanta gente de admitir uma pessoa que cultive virtudes. Não é grilo da minha cabeça, eu disse que conheço essa pá de gente porque convivo com elas e as estudei ao longo de décadas.

São pessoas que reclamam da corrupção, mas não hesitam em dar um jeitinho para se beneficiar, ainda que em detrimento do outro. Branca de Neve se mostrou doce e meiga, mesmo quando precisava repreender os anões. Trabalhava todos os dias e festejava à noite, como se espera de uma alemã. Oh, sim, a fábula se passa na Alemanha, não nos Estados Unidos. Desculpe se afetei alguma crença arraigada. Bem, o facto é que ela não via o trabalho como um castigo, teria meios para evitá-lo, mas as pessoas que a detratam vêem o trabalho como castigo. A dignidade dela incomoda, por não haver espaço para vícios.

Alguns alegam que ela era uma molenga que se deixou dominar por uma madrasta. O que uma criança que já amargara a perda da mãe, e recentemente a do pai, poderia fazer contra quem já tinha dominado um reino? A rainha má não poderia matá-la, pura e simplesmente, sem enfrentar a ira dos súditos, então uma morte acidental na floresta era a solução. Bem, o caçador também era um súdito e certamente reconheceu no rosto da menina a sua mãe, a quem servira por anos.

Vou contar um lado mais feliz da vira real. Conheço gente que faria o mesmo que o caçador, que pouparia alguém mesmo sob risco de morte. Conheço gente como os anões, que se afeiçoaram à pouco mais que criança e jamais tocaram um dedo nela, talvez até já tivessem seus casos, mas isso a fábula não esclarece. Lembram do filme "Uma Linda Mulher"? Tive notícias de homens (no plural mesmo) que fizeram algo parecido. Não apareceram em uma Lotus, mas fizeram o que o filme mostra.

Branca de Neve é instrumento pedagógico para o que espero que estejam compreendendo. Se dez por cento das pessoas fossem como os detratores da garota fazem parecer, não haveria mais humanidade. Não haveria gente honesta suficiente para compensar os estragos.

O que mais agrava, é as pessoas acharem absolutamente normal que se pense mal, que se denigra a imagem de quem demonstre alguma solidez de caráter. Isso é comburente para os corrompidos, eles passam a agir livremente com a aquiescência da população, que pensa que ser ruim é que é bom. Já é notório o esforço dos editores para corromper e até imbecilizar os heróis dos quadrinhos, talvez por isso tenham matado o Capitão América. Gente que perdeu as esperanças e não admite que alguém ainda a tenha.

Gente honesta do mundo! Uni-vos. A alegoria da Branca de Neve é o exemplo ideal de caráter. Ela trabalhou no castelo onde nasceu, mas não embruteceu por isso, se desapegou do título que seu sangue legou para assegurar sua subsistência, mesmo com as vicissitudes mais severas manteve a amabilidade que os pássaros reconheciam, se desapegou do passado para poder viver com os anões, trabalhando diariamente, cozinhando, lavando, buscando água e agüentando o assédio dos paparazzi durante a gravação do longa metragem. E sabe-se lá quantas vezes quebrou os chifres no portal de entrada, porque aquilo era muito baixo.

Eu não estou dizendo que é possível haver gente do naipe de Branca de Neve, eu afirmo porque conheço pessoas (plural) como ela. Apreciar e cultivar a beleza e o refinamento não aliena ninguém, muito pelo contrário, essas pessoas que conheço são muito mais politizadas que os marxistas de boutique, pois enxergam os dois lados da balança.

Me deprime haver todo um universo de belezas e virtudes, mas as pessoas que me cercam insistirem para eu só ver podridão. Pior, insistem para que eu me torne podre. Não entro nos méritos e motivos de cada um ser amargo o quanto for, mas seria no mínimo amigável guardar o amargor para si mesmo. Durante dez anos ajudei com acompanhamentos psicológicos, essas pessoas deveriam estar em um divã ao menos duas vezes por semana.

A fábula não deixou dúvidas sobre a Branca de Neve, inventar dúvidas e perverter a estória não acrescenta nada além de mostrar onde está realmente a perversão; nas cabeças dessa gente. Perverte quem é propenso à perversão, como dizer que Wendy (de Peter Pan) teve uma alucinação enquanto era violentada.

Acredito que as vidas dessas pessoas sejam sujas, amargas, cinzentas e medíocres. Elas querem que assim se mantenham. A minha vida e as das pessoas das quais procuro me cercar não são. Eu vejo as flores nas ruas por onde passo, não só o lixo que os porcalhões jogam pelas janelas dos carros. Sei admirar uma dama com as pernocas de fora sem planejar 1/2 de levá-la a 1/4, e não sou só eu. Não se intimidem com a propaganda cafajeste que se tornou tão popular, contrabalanceando com os excessos fúteis do politicamente correcto. São porções demasiadas do que deveria ser útil, nada demais presta.

Não podemos determinar como será a vida do outro, se ele será feliz e saltitante, mas podemos decidir sim o modo como vemos o mundo. Tomar os personagens clássicos como exemplo não é ficar com a cabeça nas nuvens, é sensatez. Nelas há todo o arquétipo humano que encontramos na "mitologia" greco-romana, só que numa roupagem menos antiga. Há beleza, acompanhada da realidade dura dos camponeses das idades média e moderna, mas há muita beleza e essa beleza é que ensina a lidar com os perigos da vida real.

Não sei se alguém ainda não notou, mas essas fábulas têm o que ensinar, ao contrário de historiadores fajutos que chamam a Princesa Isabel (ironicamente) de "branquinha bonitinha que libertou os pretos". O pior é que esses livros didáticos foram comprados com o nosso dinheiro. Chamem os anões, a madrasta se escondeu no Ministério da Educação!

Quanto ao "Viveram felizes para sempre", é o fim da estória. Ei, meu! Ela vai se casar, vai para a lua de mel, quer bisbilhotar para quê?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mais louco é quem me diz

Uma das mais famosas obras de Machado de Assis é "O Alienista", em que são criticadas, de uma só vez, as teorias deterministas e positivistas que faziam a moda intelectual da época (século XIX; o livro foi publicado em 1882), mas também debate a loucura, seu tratamento, definição e outros. Ele fez perguntas que poucos ousaram fazer à época e que ainda são atuais: quem é o louco? O que é a loucura, afinal? Expõe, além disso, um jogo de poder e de rotulação que fariam Michel Foucault (nosso Fucô velho de guerra) tremer de inveja.


Determinar quem é o louco e como vai ser tratado é uma angústia bem do nosso tempo, e aparece em várias partes, inclusive na ficção, sendo uma das mais famosas o Asilo Arkan, dos quadrinhos do Batman. Em algumas cenas memoráveis, os "vilões esquisitos" afirmam que ele, assim como a própria cidade, são os criadores de toda loucura e crime que o Morcegão e Gotham City combatem. Nada que Machado não tivesse tratado, com muita propriedade, no livro referido.


Falando em "asilo", as palavras "Asile, madhouse, asylum, hospizio" estão entre os nomes dados aos "lugares pra guardar loucos", ou para tratá-los/torturá-los/etc, tudo conforme a época na qual surgiram. A idéia de tratamento em si, assim como a palavra "manicômio", aparecem no famoso século XIX, o mesmo em que Machado publica o livro acima citado.


Os primeiros a tentar tratar a loucura, diz Fucô, foram os árabes, e o primeiro hospício conhecido foi inaugurado por eles no século VII. Na Europa são mais tardios, aparecendo no século XV, na Espanha ainda dominada pelos árabes, espalhando-se no século XVII.


E, como não podia deixar de ser, tem dedo do Iluminismo e da Revolução Francesa (já tem linque pra ela no Talicoisa - chique!) na mudança dessa história, mas também de um homem cujo sobrenome, até hoje, se tornou sinônimo de loucura/lugar pra abrigar-tratar-esconder os "loucos": Philippe Pinel (1745-1826), que quebra suas correntes e os deixa livres para se exercitarem. A partir dele, divide-se o tratamento e estudo da loucura em duas partes: a primeira aposta na terapia e psicopedagogia, a outra centra fichas no tratamento físico, colocando a loucura como algo orgânico, e, portanto, não dá importância ao local do tratamento.


Este, apesar de toda a discussão, ainda tinha sua carga do que hoje consideramos crueldade, e atualmente - quase dois séculos depois de Machado - se vê a loucura como algo criado socialmente, como os "loucos de Arkan" denunciam, e que pode mesmo mudar de sentido e significado conforme a cultura e a época.


Por essas e outras que eu digo que Machado comanda (rules, como dizem por aí). E, como ele alerta brilhantemente em "O Alienista", ao apontar demais o dedo na tentativa de definir quem é o louco, a sociedade pode acabar vendo a si mesma.


Para quem acha que pessoas diferentes do que alguns consideram normal são loucas, cante:




Ao lado, o Louco, um dos melhores personagens de Mauricio de Souza. Espero que a bobajada "politicamente correta" (blé) não o destrua.