No pequeno camarim, de paredes brancas e luz fraca, eles se olharam. Ela se assemelhava a um sonho da juventude dele. Ele era um homem distinto, de feições sóbrias e aparência agradável. Ela sabia o porque de sua presença. Ele sabia porque estava ali. Mas pouco importava.
Não houveram palavras, na verdade. Ele apenas se aproximou dela. Olhos nos olhos. Ela o envolveu com os braços. Olhos nos olhos.
Agora próximo, ele notou as lágrimas prontas para escorrer dos olhos dela.
Lembrou-se do homem moreno de feições brejeiras, na praia. Sua alma ainda não estava perdida. Como numa literatura barata, ele estava se salvando através do amor. Mas não sabia nem o nome dela.
Ela estranhou a demora dele. Esperava que a dor viesse, e logo a escuridão. Mas ele apenas a fitava nos olhos. Um olhar triste. Como se ele estivesse lutando consigo mesmo.
Ele se mexeu. Ela o abraçou, imaginando que aquele era o momento que esperava. Imaginou o cano da arma encostando em seu abdôme, mas isso não aconteceu. Ele usou seus braços para envolvê-la, segurar seu pescoço. Pensou em estrangulamento. Seria horrível a respiração sumindo aos poucos, juntamente com sua força...
Mas ele segurou seu rosto com as mãos. Olhou fundo em seus olhos, e a beijou.
Ela sentia o desespero por saber que iria morrer. E ele por pensar que poderia salvá-la, e a si mesmo. Mas ambos se entregaram um ao outro, como se não houvesse amanhã. Um momento em que não havia regras da sociedade, não havia limites, nem mesmo Deus estava ali. Entregaram-se com lascívia, excessiva até. Ambos movidos pelo desespero, se agarrando à vida, enquanto ainda era possível.
Na exaustão, se olharam profundamente. Havia uma esperança.
Vestiram-se, e saíram pela porta dos fundos.
Ao chegar à rua, chamaram um táxi.
Sentaram-se no banco. O motorista virou-se. Era o homem moreno de feições brejeiras, que disse: "Pois bem, meus jovens... Para onde?"
E ele então sorriu... Havia uma esperança.
E então, havia uma esperança
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
E então...
Postado por
Edu
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12:48
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3 comentários:
Sempre há. Palavra de ex-cético que encontrou no imponderável as respostas mais exactas e racionais.
Fio, avisa a galerinha do Talicoisa que eu inclui o blog na minha lista do Meme!
Para maiores detalhes, visita meu blog:
http://senhor-do-tempo.blogspot.com
Abraços
Eu estou amando a saga...
E, como romântica incorrigível que sou, suspirei... ai, ai!
Mais! Mais!
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