sábado, 24 de janeiro de 2009

Otakus, esses incompreendidos

Aproveitando o gancho do texto que fiz anteriormente, falo hoje dos otakus, cosplayers e seus cosplays.

O termo "cosplay" foi criado pelos fãs de Jornada nas Estrelas, que pegaram gosto em passar por ridículo em público, indo aos eventos em homenagem à série vestidos como seus personagens preferidos, numa época em que isso ainda era motivo para internação psiquiátrica. Logo depois foram os malucos que gostam de Guerra nas Estrelas, tornando esses eventos menos incomuns, e o comportamento menos socialmente inaceitável.

Se os dois clássicos americanos da ficção científica abriram as portas, foram os japoneses que souberam aproveitar como ninguém a oportunidade, enxergando não só o entretenimento, como um meio de vida.

Sim, caros amigos do Talicoisa, existe gente vivendo de cosplay. Seja fazendo fantasias, seja fazendo cover dos personagens, seja dando/vendendo entrevistas para revistas nerds, ou mesmo fazendo comerciais. Decerto que no Brasil, como em muitas outras áreas, está ainda em estágio latente, mas é só algum parlamentar querer agradar ao filho otaku, a pretexto de estimular a cultura com "fantasias" de personagens nacionais, que a grande imprensa passa a dar o destaque que o potencial turístico desses eventos merece. Se bem que seria estranho ver um sujeito fantasiado de Cascão ou Praga (do xoudaxuxa), andando pelas ruas. Pois existem competições lá fora, e muitas Sailor Moon deixam essas misses de hoje no chinelo, seja em beleza, carisma, simpatia ou tudo junto. E se há beleza feminina, sabemos, há audiência e lucro.

Uma função útil do cosplay, é deixar a pessoa que brinca extravasar seu eu interior; aquela faceta mais íntima que quase nunca pode ser trazida à luz do dia. Isso evita o consumo de drogas industrializadas contra depressão, que exigiriam o consumo de outras contra gastrite, que exigiriam o consumo de outras contra sonolência e por ai vai. Muito melhor do que o carnaval, por inúmeros motivos, os eventos de cosplay fazem os otakus arejarem as mentes, o que os mantém como cidadãos úteis e produtivos, e ainda por cima felizes. Há gente que inventa personagens, roda seus mangazinhos em pequenas tiragens e vai vender nesses eventos, vestidos como tal. Ganhando e se realizando ao mesmo tempo, olha que cousa boa!

Mas, é claro, se há aquelas caracterizações que deixam qualquer um de queixo caído, há as que eu me recusei a publicar aqui, pois ninguém é obrigado a ver e o blog é de família. Imagine uma garota de anime com aquele shortinho que termina onde começa, o top que mal chega às bases dos seios e aqueles saltos que mais parecem pernas de pau. Agora imagine um marmanjo barbudo, peludo, gordo e suarento usando essa roupa, com uma peruca azul. O shortinho torando tudo, no melhor estilo "touro virou boi". Foi por isso que não postei as imagens.

Há também os cospobres, que de tão mal feitos são uma atração à parte. Usar tampa de pizza como escudo, tampinhas de pasta de dente como controles, óculos de camelô como viseira, tnt colado com cola escolar para o traje e o que mais a falta de dinheiro te obrigar a fazer. A maioria fica parecendo mais personagens de Mad Max, mas eles ficam aliviados do mesmo jeito, sem apelar para drogas e prostitutas.

É esse o maior argumento dos eventos de cosplay e, conseqüentemente, em prol dos otakus: externar a fantasia. Algo que o carnaval já transformou um mero negócio de prostituição camuflada e obrigação em se embebedar e fingir alegria diante de uma câmera. Eventos de cosplay, embora tenham caracterizações também de hentais, são ambientes familiares, onde o bebê pode ir fantasiado de Pikachu no colo da mamãe Sailor Marte. Eu não me presto a esse papel, sou o que sou o tempo inteiro e isto já incomoda mais do que um elefante. Mas eu gostaria de ver essas pessoas vestidas como gostariam o tempo inteiro, dentro do que as obrigações diárias permitirem. E sejamos sinceros, se vocês buscarem os termos no Google, verão muitas, mas realmente muitas personagens que podem sim ser usadas no dia a dia, como roupas comuns. Algumas muito curtinhas, mas o bom gosto da maioria das roupas torna mesmo as mais curtas utilizáveis, para quem sabe se portar, como a da mocinha lá em cima. Aos empresários que por ventura lerem este texto, deixo o conselho de que patrocinem esses eventos, todos ganham.

5 comentários:

Fio disse...

Nanael, vc está se revelando um nerd em nível pro.

Mas realmente, cosplay deixa a pessoa mais ela mesma. Traz sim algo de interior pra fora, e dá bem estar. Por isso que tanta gente faz, e tanta gente quer fazer.

Como sempre, estás saindo melhor que a encomenda, Pequeno Mago das Planícies.

Parabéns!

Meg disse...

Nanis falando de cosplay, achei modernoso ;)

Nanael Soubaim disse...

Para vocês verem que não sou apegado ao passado. Na verdade não me interessa o lugar nem a época, se for bom eu aprecio.

Luis Filipe disse...

gostei muito do seu texto.
eu moro perto de uma escola que faz festival de cultura japonesa e sempre aparece cosplayers

Pauliccia disse...

não tenho larga experiência enquanto cosplayer... pouquissima, por sinal... + valeu o texto bem analisado tb.
"Uma função útil do cosplay, é deixar a pessoa que brinca extravasar seu eu interior; aquela faceta mais íntima que quase nunca pode ser trazida à luz do dia."
sim, dentre outras motivações do fã q o faz... pq não ser por um tempo aquele personagem q tanto ti chamou atenção!? como se sente na pele dele... como se vê nele... e como se sentir feliz ao se realizar nele... =] tantas outras questões...rsrsrs
claaaaaaaaro... tem mta coisa q enfim... sem comentários, como vc mesmo diz...
+ há produções surpreendentes em qualidade...^^ gosto de ver o movimento crescendo e ganhando espaço. tb acho q tds só tem a ganhar... tanto pelo lado do $ qto pela realização pessoal. ^~