domingo, 24 de maio de 2009

O Turbilhão

Antes de qualquer coisa, mil perdões, Nanael, por atropelar o dia. Mas precisa escrever. Hoje.

O momento não é dos mais fáceis. Encarar a si mesmo no espelho, todos os dias, não é coisa simples de ser feita.

Não falo daquela olhada que se dá antes de sair, pra conferir se não há remelas nos olhos, ou se os dentes foram bem escovados.

Falo daquele olhar que se dá no próprio olho, procurando a si mesmo.

Desde o início da minha terapia, notei que é isso que eu tenho feito, todos os dias. Obviamente, não em todos os momentos, pois a vida continua. Mas sempre se dá um tempo, e nesses momentos, é que, como se diz hoje em dia pela juventude (não sou mais jovem, já passei dos 30) "o bicho pega".

Você começa a notar o quanto você errou, e erros que você jamais imaginava ter cometido, você entende que está fazendo, e sempre fez.

Jamais havia me considerado orgulhoso. E descobri que sou. Porque não gosto de pedir ajuda, não gosto de me sentir menos que os outros. Não gosto de depender de ninguem. Gosto de "estar por cima da carne seca".

E eu, que me achava tão humilde. Sem lembrar que quem é humilde de verdade, não se vê como tal.

Que eu sou muito preso ao passado, isso já não é novidade. Mas tenho que lutar contra isso. Quem vive de passado é museu. Ter uma memória fotográfica não ajuda a esquecer. Mas tenho que aprender a viver o aqui, e o agora.

Ficar ansioso com o futuro? Para que? O futuro a Deus pertence. Claro que me cabe lutar hoje para garantir um futuro (tanto neste plano físico como no outro) decente. Mas me cabe lutar hoje, e nada mais. O julgamento sobre o que foi válido ou não, o que foi bom ou não, o que deu certo ou não, cabe somente ao Altíssimo.

Até aí, tudo bem. São coisas que a gente aprende. Mas e quando tudo isso toca o coração?

Aí, meus amigos, é que, como se dizia antigamente (não é, Nanael?) "que a porca torce o rabo".

Como pensar que o "amor da sua vida" foi a sua maior fonte de auto-destruição?

Como pensar que aquele amor que talvez não tivesse tanto significado, hoje faça tanta falta?

Como compreender que um amor não volta mais, e não conseguir aceitar o luto por ele?

Como compreender os erros que você mesmo cometeu, e que afastaram esta ou aquela pessoa de você?

Como aceitar certas coisas?

E reconhecer que se você tivesse agido diferente, a vida seria diferente?

Mas isso é viver de passado. Não sou museu.

A luta diária contra si mesmo, na frente do espelho, é uma luta meio inglória.

Ninguém a reconhece. Só você. E o Eterno.

O grande perigo é se perder no meio do turbilhão de coisas que passam pela sua mente. É não encontrar porto seguro. Não encontrar ponto de apoio. Não saber mais o que é certo ou errado.

Mas o Inefável está sempre lá, pronto a te ajudar.

E o terapeuta, é o seu fio de Ariadne no labirinto do Minotauro. Durante todo esse processo de individuação. Tal qual dizia Jung.

Às vezes, pensamos que seria tão melhor se houvesse uma pequena cirurgia que corrigisse tudo isso.

Mas lutar, todos os dias, na frente do espelho...

É tão mais recompensador....

E te faz cada vez mais forte.


E no olho do furacão, eu encontro a saída.

3 comentários:

Nanael Soubaim disse...

Faço isso todos os dias há mais de uma década. No começo é realmente terrível descobrir o monstro hediondo que se esconde sob sua fachada inofensiva, perceber que se é arrogante e autoritário como poucos generais conseguem, mas faz parte. Ninguém está na Terra inocentemente. E eu vou torcer é tuas orelhas, abandonador de demônios! Vá lá em baixo e leia o texto que fiz para ti.

Fio disse...

O Demônios Internos está de volta do mundo dos Mortos, Nanael!

Adriane disse...

Turbulências são parte da vida.
Não crescemos sem elas. A Bíblia aponta que somos provados como o ouro, no fogo.
Quem mandou ser ouro? Fosse coisa ruim, nem provado era.
:)
Bjs!