quarta-feira, 5 de junho de 2019

Dead Train in the rain CCLXV

    Vexame. A estação 265 mostra que o terceiro mundo é muito mais uma questão de mentalidade do que de recursos. Todos à bordo, o trem vai partir.


Os carros. Em um amplo prédio sem identificação, Cadillac e Lincoln apresentam os modelos definitivos (...) Os monoblocos de ligas de alumínio, como tudo o que é padrão nos projectos, estão todos prontos, o que estão fazendo ali é definir a personalidade em seus exemplares, como escolher as rodas, cores, estofamentos, madeiras, marchetaria e alguns caprichos (...) A presença dos seis amigos de Sunshadow já intimidaria muitos ali, mas Josephine simplesmente inibe. Deixar meio milhão de dólares em cada carro dá a todos eles o direito de serem exigentes (...) Richard e Nancy pensam muito nos netos, nas bisnetas e trisnetas, os seus precisam ter interiores próprios, que permitam à descendência olhar para os detalhes e se encantarem, não importa se da primeira ou da milésima vez.

Não houve e nem haverá campanhas publicitárias (...) assim como a logística de distribuição pôde ser dispensada e uma série de pesquisas de mercado que sempre oneram os custos de um carro novo (...) Na saída, a presença inesperada da imprensa. Alguém viu de relance Renata pela janela de um carro e a notícia se espalhou, toca para Matthew resolver o problema, antes que eles importunem todo mundo, mesmo os que nunca saíram nem em uma imagem de multidão...

- Que algazarra é essa aqui?

- Tamasauskas, então é verdade! O que está acontecendo lá dentro?

- Um monte de gente cuidando da própria vida, algo que vocês deveriam experimentar fazer.

Enquanto ele distrai os xeretas, os outros saem pelos fundos. Ele (...) entra, pega Renata e sai o casal tabém pelos fundos. Vai levar um tempo até eles se darem conta de que estão vigianto um prédio vazio.

Em casa, risos. Matthew conta (...) foi meia hora dizendo de muitas formas de que não era da conta deles o que estavam fazendo lá dentro. Patrícia tem um pequeno desgosto, quando Obama leva as acusações à Rússia a um patamar muito infantil, expulsando diplomatas. As coisas ficam mais feias quando Putin faz o oposto, convida os diplomatas americanos e suas famílias para uma confraternização...

- Ele é cria da primeira guerra fria, conhece como ninguém os bastidores do poder, não cometeria uma infantilidade diplomática dessas... Por que esses intelectuais de burocracia não se cansam de envergonhar a América? Fala a verdade, é um passa-tempo? Esporte? Sadismo?

- Talvez descompromisso de quem encerrou a carreira – diz Aisha.

- Sim, muito provavelmente é isso... Ele poderia ter fechado com chave de ouro o mandato, mas não... Meninas venham aqui, preciso abraçar alguém.

Os dias passam, o mundo desmorona e a neve também, tudo dentro do previsto. Tudo, menos um luto caro. Debbie Reynolds está chorando o luto por Carrie e os seis amigos se mobilizam para ampará-la no velório da filha, mas ela não suporta. O Airtrain enfrenta o mau tempo para o enterro de mãe e filha, fechando um ano antissocial como poucos conseguiram ser.

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O início do ano não dá mole, mas (...) estão relativamente tranqüilos. Renata alivia os humores, corrigindo um paparazzo com...

- Não é “Chicken”! É Divaldo Franco, não “Frango”!

- Oh... Sorry... As pronúncias são tão...

- Henry, você já conhece bem o português do Brasil, dá umas aulas pra eles, please!

Ela segue para a Máquina de Costura, conta o que aconteceu no meio do caminho e espera os ataques de risos terminarem (...) Tempos turbulentos se avizinham, mas eles estão preparados, só precisam decidir como agir. Não delongam, querem logo partir para a parte divertida do trabalho; a música (...) Em um instante de relaxamento, eles olham para fora, vêem aqueles paparazzi todos se congelando lá fora, mas não se atrevem a deixar que entrem, sabem a bagunça que eles fazem. Vão à copa, fazem um garrafão cheio de chocolate quente com mel e distribuem entre eles, o que acaba se tornando uma confraternização da banda com os xeretas sem noção.

À tarde a nova formação chega, com seus rebentos (...) Phoebe foi com pouca roupa, uma camisa com uma rosa pintada a mão e uma leggin preta. As meninas vão agasalhadas, mas não muito. Sandra teve que levar Stanley também, Carly leva Barry e Joan. Sobrou chocolate para todos terem seu gole. Enquanto as crianças brincam com as meninas marroquinas, os adultos trabalham bem perto, leves e ansiosos pelo reinício dos trabalhos artísticos. O primeiro é uma semana antes do Sunshadow Otaku Week, marcado um dia depois de a organização se despedir novamente da CIA (...) O novo presidente tem a língua solta demais e noção de menos para ser confiável, pelo menos por enquanto (...) Até lá, as visitas dos espiões a Elias serão informais, e eles terão que se virar para que seus chefes não desconfiem.

O dia seguinte é o da posse. Também é o da vergonha alheia, com uma pop star fazendo quase ameaças ao novo, gostem ou não, presidente dos Estados Unidos da América; incluindo explodir a Casa Branca, em um palanque diante de câmeras e milhares de testemunhas. Os agentes da organização põe as mãos nas frontes, mal acreditando no que ouviram, vendo bem próxima dela uma defensora notória e declarada da sharia. Sanaa meneia e a dá como morta, musicalmente. Se alguém se alia a quem defende algo que quase a fez se casar com um sociopata simpatizante dos extremistas, então ela é contra esse alguém (...) As cenas de guerra civil que se seguem são um empurrão para a direita, o cidadão comum não gosta de ver aquilo, inclusive uma limousine Lincoln incendiada por anarquistas; carro que era o ganha-pão de um muçulmano.

Não demoram a se perguntar por que algumas cidades apenas assistem a toda essa bagunça de fora (...) no que a imprensa residente se apressa em conseguir alguma coisa, antes que repórteres de fora cheguem e incomodem mais do que eles a população. São rápidos, agindo de forma orquestrada (...) e avisando de polêmicas que os cidadãos ainda não conheciam, como Crazy Horse...

- Mas eu não me ofendo, minha tribo não se ofendeu, nenhuma nação indígena americana se ofendeu! Por que esses desocupados tomam dores que não estamos sentindo?

- Então posso publicar que você não dá a mínima para brancos achando índias bonitas.

- Pode publicar que eu estou cagando e andando, tenho mais o que fazer! Este país não vai sair da situação difícil em que se encontra, se as pessoas continuarem a perder tempo para pedir desculpas por ofensas imaginárias! Ninguém me ofende por respirar perto de mim, por favor, parem com isso!

É uma maratona! Eles (...) dividem o material entre si e publicam antes que a imprensa de fora deturpe tudo o que o sunshadower disser.

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Fica pronto o vilarejo aquático de Sakura. Módulos esphéricos boiam, encimando os edifícios cilíndricos submersos de seis pavimentos, quase setenta pés separam o último piso da superfície (...) foi a última contribuição oficial da organização com as agências do governo. Os seis módulos são ligados por uma plataforma ajardinada, que funciona como praça comum. Virtualmente um módulo para cada fundador da Dead Train (...) Sakura pega Kenji e decide que passarão o fim de semana lá. Os anéis contra colisões impedem que paparazzi cheguem perto demais, então terão alguma privacidade (...) Terão a ajuda dos curiosos na vigilância, que clicam e tentam imaginar o que haverá sob aquelas redomas.

Robert chega em casa e encontra Mikomi conversando com a filha pela internet, a moça está muito empolgada com sua casinha de descanso (...) Volta com o marido no domingo, após terem aproveitado quase dois dias de solidão voluntária sob as águas ainda frias do Michigan Lake. Conseguiram muitas imagens dos peixes. É claro que aqueles bisbilhoteiros estão lá para recepciona-los (...) Sakura começa a ter saudades do refúgio, da paz que encontrou dentro daquele tubo de ligas sofisticadas, a mesma paz que Zigfrida esfrega nas caras de políticos suecos que deixaram o país perder, por falta de pulso. Bairros de maioria muçulmana estão vivendo sob a lei do silêncio (...) e a polícia simplesmente proibida de interferir, pelo bem da “diversidade cultural”...

- Vocês são uma vergonha para a descendência de Erik, o Vermelho! Ninguém disse para não acolher refugiados, mas era para terem imposto repeito e deixado claras as regras da casa, seus bundas-moles do inferno!

Desliga na cara e vai comer chocolate amargo, para esvair a raiva. Solveig a encara, ela mostra o dedo médio e ele percebe que a esposa está bem (...) liga para Josephine, que pede para falar com a comparsa e explica as coisas como se deve...

- Eles não vão conseguir o que querem, você sabe disso.

- O problema é a merda que estão fazendo em países que estavam a caminho da civilização plena! Agora os vagabundos que batem em mulher vão se sentir à vontade na Suécia! Tô sem cabeça pra fazer nada, queria um dia ou dois só com o Sol... Sozinhos...

A solução vem de Michigan, lhe oferecem e ela aceita o isolamento submerso do vilarejo flutuante (...) Eles têm uma segunda lua de mel lá dentro, com suprimentos, segurança e tranqüilidade abundantes, além da paisagem. Ficam para o Sunshadow Otaku Week (...) Arranjam fantasias de Penélope Charmosa e Dick Vigarista, pegam Zsa-Zsa e vão se distrair no festival, enquanto a imprensa especula o que os dois estavam fazendo naquele tubo gigante.

Glenda se aproxima da sueca informando que tem gente pronta para agir, à moda vicking, se for necessário, basta chegar o momento e os radicais não forem mais vistos como vítimas (...) não haverá mais tolerância da própria população. Seguem com o evento, com câmeras focando o maior Flash Gordon da história de braços com sua jovial Dale Arden, estilo anos 1930. A moça, depois de madura, começou a ficar irresistivelmente encantadora (...). Aquela carinha de Lolita com aquele corpo bem formado desperta fantasias perigosas, muito perigosas para quem se sente tentado ao acto suicida de tentar um romance com ela.

O destaque, porém, vem com uma Peggy Olson que se põe diante de duas ciganas medievais, tenta dizer alguma coisa, mas cai de joelhos diante de uma delas, chorando como se não houvesse outra coisa a afazer na vida. Elisa (...) Tem ímpetos iniciais de chutar para longe, mas se contenta em levantar o braço para dar um tapa e desiste, se abaixa e acolhe o rebento arrependido. A imprensa ama aquilo! Aisha ama muito mais, pensando “Ela veio antes de a noite cair”. Vão para a Máquina de Costura (...) No fim das contas, acontece a reconciliação. Ela não quer morar com a mãe, só queria tentar ficar bem com ela de novo (...) ela fala de como tem reestruturado sua vida, da frugalidade de seus hábitos e do pouco sentido que a fome a fez ver em seu passado. Elisa suspira (...) não é só um desabafo pela pobreza em que tinha caído...

- No que você trabalha?

- Eu faço pequenos serviços temporários sem qualificação, trabalho não falta pra mim.

- Vem pra mamãe... Você não vai voltar pra lá. Vamos te arranjar algo aqui e você vai viver perto de mim.

Ela se desidrata em um berreiro que mescla felicidade, alívio e remorso, então Aisha sai de seu esconderijo e vai contar pessoalmente aos outros. Glenda parabeniza seus comparsas de outros planos pelo serviço acima do esperado.

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