quinta-feira, 20 de junho de 2019

Dead Train in the rain CCLXXX

    Rèquien. A estação 280 mostra como é quase impossível não absorver parte ou o todo da personalidade de com quem se convive, é uma troca automática. Todos à bordo, o trem vai partir.


O prédio do museu do modelo fica pronto, construído por uma prototipadora gigante, cuja estrutura foi incorporada ao imóvel. Summerfielders observam, alguns para vigiar em nome do ressentimento que ainda sobrevive, outros na esperança que de (...) empregos estáveis; resultará em muitos. Elias está viajando a negócios para o Japão, pelo que deu carona a Sakura e Kenji em seu Boeing, hoje com um urso estilizado em coloridos pontos cruz na pintura. Então a vistoria fica a cargo da esposa e da banda, aumentando o público nos limites da propriedade. Tudo foi feito com fidelidade ao conceito de Kurt (...) Cobogós de inspiração orgânica dão o toque brasileiro nas sacadas e em várias paredes internas. Tudo aprovado, podem iniciar a fase de acabamento (...) Alguns shows separam o término da estrutura física e a inauguração do museu. Enya se esforçou para levar modelos que já tinham sido completamente esquecidas pela mídia, que hoje se pergunta quem são, sem se dar ao trabalho de digitar alguns nomes no motor de busca.

A alegria é seguida de um luto, um mês após. Norma está com Robert. Foi rápido, ela tomou um pouco de chá, deixou Hope brincando com Robert Richard, sentou-se na cadeira de balanço e meia hora depois o monitor de pulso chamou socorro médico; ela já tinha ido embora. Rebeca e Robert sabiam que isso aconteceria a qualquer momento (...) São poupados enquanto o luto passa, nos negócios e na organização, onde Sandra assume suas funções (...) Os cuidados recebidos e o tempo se encarregam dos curativos, voam para um show em New York com a banda completa, levando Airtrain e  Airwagon. Vão para Boston, depois Orlando e voltam para Sunshadow, para uma pausa na agenda musical do ano.

Um dia desses, Patrícia May dá um susto, entra no Peel P50 (...) liga e dispara pela cidade. São apenas dez minutos de aventura, interrompida por Phoebe, que volta com o carrinho debaixo do braço...

- Woho! Meu carro tá voando!

- Vai, faça festa, mas saiba que vai ter bronca.

- Mas eu não fiz nada!

- Não fez? Pegou sorrateiramente o carro da Aisha, saiu disparada na contramão, interrompeu o trânsito, deixou sua irmã desesperada... Mocinha, você está encrencada!

- Me explique isso, mocinha!

Vai ter castigo. Nancy a coloca no quarto para aprender a valorizar a liberdade, mas a malandrinha faz de conta que a cama é o ônibus da banda e faz misérias imaginárias ao volante...

- Debby, você está vendo isso?

- Vamos ter que arranjar algo para ela fazer, porque ficar sozinha... Ela sabe que é uma princesa?

- Eu sou?

Tratam de manter a petiz ocupada, para isso convocam toda a família, inclusive a irmã clone, com quem consegue controlar melhor sua sede de independência (...) as semelhanças ficam mais marcantes, a menina passa a imitar os gestos de sua doadora.

Na reunião com os comparsas, apesar do susto, as gargalhadas tomam o ambiente (...) a menina cresce, com ela as semelhanças com a irmã e sua facilidade em conseguir a cooperação dos amigos. Com eles ela vê a estréia da franquia “The Titanian Dragons”, à presença do autor e sua adorável consorte, já multimilionários. Ainda se lembra do triste início de vida, mas para isso tem acompanhamento profissional  competente. Como de costume, ninguém sai depois dos créditos, as cenas extras vão dar pistas do que vai acontecer depois (...) Ao que parece, Star Hunter ficou no passado.

A manhã seguinte é de treino pesado, como sempre, com Patrícia May aprendendo a se defender, porque vai precisar. Alguns pastores resolveram reiniciar a perseguição, agora contra a menina, enquanto os ufólogos defendem a todo custo a continuadora da nova era para a humanidade. Volta a dormir lá mesmo, até a hora de ir para a escola. Patrícia está amando isso...

- Eu sei, eu disse que não queria, que seria um fardo muito pesado, mas eu estou amando cuidar dela. Eu vejo todos os meus defeitos nela e cuido de me corrigir, para que não se espelhe neles.

- Minha mãe ainda pergunta se não pode considerá-la uma neta.

- Sem chance! Pammy não é minha filha! Mas desde quando ela precisa de motivo pra cuidar e mimar uma criança?

- Segura a onda aí, Greg, sua mãe já tem três netos e três bisnetos, se ela quiser que clone a Claire – diz Rebeca.

O trabalho conjunto se desenrola com leveza e risos (...) O primeiro filme produzido pela Culture Train conseguiu lançar heróis made in Brazil no mercado mundial, e está sondando outros em segredo; Capitão São Paulo, de Eric Lovric, é um deles.

&

Sandra chama o pai para uma conversa na biblioteca de Patrícia (...) Lá encontra a madrinha, Arthur, Rebeca, Phoebe, os Richards, Krumb, Tobby, Bart, Nelson e Josephine, acompanhados de um rapaz chinês...

- Precisamos de sua ajuda, meu querido. Este rapaz foi fuzilado pelo regime, está morto e agora precisa começar vida nova. Não conseguimos imaginar ninguém melhor do que você para ajuda-lo a recomeçar a vida com a família.

- Mas minha família está morta, eu vi a execução!

- Assim como você, ela está morta – corrige o velho Gardner.

O rapaz de Wuhan chora. Lhe explicam, atiçando a curiosidade de Elias, que seus parentes estavam desacordados, de pé com a ajuda de esqueletos metálicos (...) Teria sido o preço por tentar revelar a corrupção de um membro do partido, que o acusou preventivamente e sem provas de ser subversivo e inimigo dos ideais da revolução, não fossem colaboradores infiltrados na burocracia...

- E ainda há imbecis que idolatram esses canalhas – se lamenta Elias. Vocês querem que eu o ajude a se adaptar à vida ocidental e crie uma identidade nova, certo?

- Sim, meu querido. Ele já passou por plásticas com implantes para ficar totalmente diferente.

- Qual o seu nome?

- Wang Hu, senhor.

- Errado. Você é nova-iorquino, neto de chineses, filho de descendentes e seu nome é Jean Liu. O que você fazia em Wuhan?

- Eu fabricava cópias piratas de smartphones caros.

- Não. No Bronx você aprendeu a reconstruir carros personalizados a partir de sucatas sem valor, veio porque eu te contractei para montar e personalizar os kit cars que vendemos. Richard, ele vai precisar passar por um treinamento intensivo na fábrica. Lembre-se, eu o recomendei. Agora vou chamar o pessoal de New York para dar veracidade a tudo isso... Montgomery, quero você e sua turma de desastrados aqui ainda hoje! A CIA sabe disso?

- Não – diz Sandra, orgulhosa. Nem precisa.

- Graças a Deus...

Mais choro do ex-chinês e festa na biblioteca, menos do brasileiro, que observa e estuda com rigor o morto que vai vomeçar vida nova (...) corrigindo os cacoetes e investindo em um sotaque novo (...) Pai e filha saem juntos, enquanto o rapaz é levado para aprender a construir automóveis.

Os sete colaboradores chegam à tarde e, como ele tinha dito, são sete cavaleiros do apocalipse. Mestres no trabalho que executam, trabalham rindo e debochando, mas fora dele tropeçam nos próprios pés (...) Aisha avisa de uma ameaça que alguns figurões orientais fizeram, para que ele pare de ajudar fornecedores rebeldes...

- Eu subestimo o poder deles? Com quem esse boçal lambe-botas de tiranos pensa que está falando? Taiji, é Elias! Pare de oferecer ajuda a Dong-wan, compre de uma vez a fábrica pelo preço que ele pedir. Agora não é mais um fornecedor rebelde, é um fabricante com exclusividade para a corporação.

É festa na Máquina de Costura. Renata repete “Ele é mais parecido com você do que comigo” e Patrícia fica mais feliz. As ameaças se sucedem, mas eles sabem que se colocarem um pé que seja no continente americano, entrarão em uma guerra que dizimará rapidamente suas reservas, e os tibetanos esperam justo algo assim para se rebelarem. O sujeito é obrigado a pedir desculpas e, por ordens de Elias, a pedir perdão a Aisha (...) Sanaa estava pronta para tirar pessoalmente satisfações (...) Elias tem se tornado mais poderoso e solicitado, suas infuências e relações (cautelosas) com chefes de Estado e monarcas já são quase impossíveis de manter em sigilo.

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