segunda-feira, 20 de abril de 2009

Que beijinho doce...

Hoje em dia, é muito moderno mostrar casais gays nas novelas, não é mesmo? Não tenho assistido a nenhuma novela há tempos, mas lembro de um casal em Paraíso Tropical. Os dois eram bonitos, bem sucedidos e apareciam seguidamente na trama. Mas tinham um pequeno problema: não se beijavam. Não é estranho?

Casais se beijam nas mais diversas situações: quando se encontram para almoçar, quando se despedem para ir trabalhar, quando vão dormir, quando terminam de brigar, quando um dos dois viaja... Então, o que há de errado com os casais gays mostrados nas novelas? Eles têm medo de compartilhar germes?

Não, são as emissoras de tevê que têm medo da reação do público e acabam mostrando as coisas pela metade. Fica uma coisa velada: a gente sabe que aqueles dois homens ou aquelas duas mulheres formam um casal na novela, mas não podemos vê-los agindo como tal. Não é estranho?

É estranho, muito estranho. Ainda mais quando se pensa no resto da programação da tevê. No carnaval, a Globeleza aparece com os peitos de fora às duas da tarde, quando tem crianças assistindo. Na programação dominical, a popozuda da vez aparece fazendo uma dança bem bagaceira, ao som de alguma música de duplo sentido.

Nada disso é apelativo, para as emissoras brasileiras. Um beijo entre duas pessoas do mesmo sexo, é. Não é estranho?

É estranho, muito estranho. Ainda mais se levarmos em conta que nos Estados Unidos, aquele país bem careta, beijo gay não é mais novidade nos seriados que passam na tevê aberta. E não é só um beijinho chocho no final da temporada, não. Se o casal é gay, ele é mostrado “agindo como tal”.

Kerry Weaver, do seriado médico “E.R”., desde que “se descobriu” gay, foi mostrada beijando (e até fazendo mais) com várias namoradas – é, ela não teve muita sorte, pulou de galho em galho até encontrar sua metade da laranja.

Houve um casal que se beijava (nossa, que emoção!) até em “Dawson’s Creek”, que era um seriado adolescente. Seria o mesmo que ver dois gays se beijando na Malhação...

Se eu fosse citar mais exemplos de seriados americanos, não acabaria o texto hoje. E nem vou mencionar “The L World”...

Será que o Brasil não está preparado para ver as coisas como elas são? Por que as novelas não mostram um casal gay “de verdade” e deixam a gente decidir se isso é chocante ou não? Garanto que isso seria mais educativo do que ensinar a dança do créu para as telespectadoras.

No mínimo, ajudaria as pessoas a entender que qualquer maneira de amor vale a pena. E que, assim como o fogo é fogo, o beijo é beijo: esquenta o nosso amor. O nosso, o deles e o delas.

5 comentários:

Meg disse...

Em House também já teve!




Sempre tenho que inserir House nos comentários...

Adriane disse...

E agora, comofäs/ ficarei sempre com a música Beijinho Doce, cantada pela Patrícia Pillar em A Favorita.
Beijo é beijo e fogo é fogo. Nada domo a filosofia cumpadiuoxitoniana pra enobrecer sua manhã... :)

Meg disse...

"Canta comigo, sua vagabunda"

Nanael Soubaim disse...

A televisão vive de contradição, conteúdo e entretenimento sadio são para poucos.

Frankulino disse...

tinha o Beija sapo na MTV que era dividia sua programação de beijos democráticamente...rsrsrs


Nem queira comparar Dawson's creek com Malhação, apesar de ambos serem adolescentes, Dawson's Creek não fica só na futilidade, néam?


Gente, quem ele vai beijar? Tomara que seja ainda na segunda temporada, que eu nem tô querendo procurar a terceira nesse fim de semana...