segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Dead Train in the rain CXXVIII

    Ela manda no mundo! A estação 128 apresenta Sua Sereníssima Majestade a Rainha Patrícia Alander! Obedeçam e embarquem, o trem vai partir.


Toda a banda indo para os sessenta anos, alguns músicos de apoio já nos setenta (...) A Dead Train encanta mais aos fãs mais novos, mostrando pique e energia após uma hora de show, quando descem alegres para o intervalo. Lá fora, garotos esbaforidos se apoiam uns nos outros, tentando recuperar o fôlego. Isso chega aos ouvidos de Patrícia, que vai ter com eles...

- Meus amores, o que houve? Vocês são jovens e estão esgotados! Nós estamos com quase sessenta anos, cantamos e pulamos por uma hora e ainda temos a última parte do show. Vamos conversar?

Como uma mãe, ela ouve e dá bronca nos fãs (...) quer que eles passem a cuidar da saúde, selecionar melhor o que e onde comer, desligar o computador de vez em quando e ir passear e, mais importante, não usar o carro para ir buscar pão na padaria da esquina. A imprensa alardeia o facto, dando suporte para várias matérias que aguardavam um gancho. Matthew, Fester e Mary Ann se esmeram em tratar do assunto, uma juventude que não tem energia para acompanhar seus avós. Claro que Tobby aproveita o ensejo...

- Frustrante é a palavra, Tobby. Nossa juventude está perigosamente acostumada às facilidades! Ninguém mais quer andar duas quadras para comprar o lanche, mandam entregar tudo! Ingerir calorias não é um problema, se elas forem consumidas pelos músculos.

- Facilidade que se repete nas relações, conversamos sobre isso nos bastidores.

- É essa a pior parte – diz Renata. Está tão fácil conseguir alguém para um programa, que pessoas também estão sendo descartadas assim que terminam de dar prazer ou pagam a conta...

Costuram bem o tópico inicial a uma das maiores mazelas da sociedade, a coisificação das pessoas. Isso gera mais polêmica, mais notícias, mais discussões, mais patrocínios e os jornais mandam flores e doces para suas casas, em agradecimento. Novos pastores radicais pegam a causa dos antigos e voltam a demonizar a banda, acusando-a também de comunismo, por atacar o conforto e o lucro; nenhum dos fiéis (...) é encorajado a ver mídias que não as de suas igrejas.

A entrevista é exibida na tevê por assinatura, os parentes chamam Elias para vê-la (...) Sandra vai uniformizada; camiseta, saia, relógio, caderno e caneta tinteiro da franquia, quer anotar impressões antes que as esqueça. O pai da adolescente repete em particular aos parentes, sempre, que ela não deve saber de parentesco e afiliação antes da hora (...) Mandam um e-mail para Eduarda, é para Patrícia começar a treinar seu legendário abraço, Sandra não quer morrer sem receber um...

- Vocês duas ouviram isso? Ok, então deixem de moleza e vamos treinar!

Como é dura a vida de rebento de Patrícia Petty! Ela logo passa para Phoebe, porque Sandra é bem mais jovem e baixa do que suas filhas, depois vai para Stephanie, então para Aubrey, passa para Giovanni, as Lices, então para Evelyn, para Happy Moon, Mandy, Luis, Kurt, Nina, Lola, filhos de amigos e empregados... Ela não conhece limites para a fofura! Sandra não terá chances.

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Patrícia, Renata e Rebeca na varanda da chocolateria, conversando placidamente sobre o próximo show (...) Ambiente externo, as três aproveitaram para levar seus bichos para um passeio pela viva, mas tranqüila Sunshadow. Pirata, já grisalha, repousa no colo da brasileira (...) Lobsang observa a tudo com classe, gula e atenção, sob os afagos da realmente perigosa. Como uma princesa, Lady Spy repousa altiva no colo da líder. A cena já seria digna de uma disputa de paparazzi pelo melhor ângulo, mas ver Patrícia de blusa cinturada com mangas esvoaçantes e saia média azul claro, com aquele pequeno felino prateado fazendo pose no colo, quase dá briga.

Os fãs logo pedem, quase exigem pôsteres dos seis com seus bichos. Robert alega que não dá para posar com carpas sem entrar na água, e que não tem mais idade para ficar de sunga (...) Resolvem o problema com um aquário temporário, onde colocam duas carpas e ele pode fazer as poses. No Brasil, onde tudo é superfaturado, exceto os salários, Sandra faz beicinho quando vê os pôsteres e se lembra que está economizando para a viagem. Queixa-se assim que chega em casa com os pães de queijo...

- Queria ser pobre um dia na vida, porque pobreza perpétua é foda!

- Os pôsteres?

- É... Vi agora há pouco na banca do Valteir... Puta que pariu...

- São estes?

A menina arregala os olhos, começa a salivar e berra a todo pulmão. Às vezes é bom dizer “sim”. Ela não imagina a quantidade de coisas da banda, que terá à sua irrestrita disposição, quando for para Sunshadow, incluindo brindes personalizados feitos por impressão 3D, como os que Prudence faz agora, para alguns repórteres que vão entrevistá-la e a Elizabeth (...) Demorou para a imprensa se dar conta de que elas já são mulheres, em parte por causa da plástica de Patrícia. O último livro das irmãs é “Elegância Simples”, que mostra como uma pessoa pode ser elegante (...) mesmo sem ter onde morar. Elas têm acesso perene a todas as camadas sócio econômicas de muitos países, já viram até gente sem teto com altivez e postura de nobres, sabem do que estão falando.

Arthur volta de Los Angeles e traz os jornalistas consigo. Lady Spy está sobre o último degrau da escada, observando tudo, enquanto Patrícia ensaia com a banda completa, no estúdio. Robert é a bola da vez, feliz com o casamento de Sakura e Kenji (...) e a nova gravidez da filha. Já o chamam de grandbob, aglutinando “vovô bobby”. Na Máquina de Costura a entrevista começa, as garotas têm que lidar sozinhas, mas monitoradas, com aqueles jornalistas especializados. Ônus do crescimento. Uma deles toca no passado de Prudence, ela é sucinta, não tem muito o que dizer a respeito de uma época em que era uma coisa. Lá fora, longe da proteção de Sunshadow, o livro causa polêmica, alguns as acusam de serem propagadoras da “estética opressora” dos anos cinqüenta...

- Ah, claro... Os anos cinqüenta foram a época da anorexia? Marilyn Monroe era esquálida? Oras, façam-me o favor – protesta Elizabeth. Se não gostam da estética da época, não usem. Preferência estética não tem nada a ver com civilidade, é disso que o livro trata.

Agora algumas pessoas começam a entender (...) Falarão com o fiél maluquinho Crazy Kurt, para que ilustre o próximo livro, sobre bons modos para crianças. Ele aceita e começa a rascunhar sobre o tema, antes mesmo de ler a obra.

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Karen se ocupa com a burocracia. As taxas chegam, as notas fiscais chegam, as faturas chegam e os malandros tentam tirar proveito. É por enquanto só ela para cuidar da administração da academia, as meninas ainda são muito jovens, os sogros têm que cuidar da matriz em New York e três filiais (...) Márcia bate à porta, uma surpresa agradável em meio ao tédio da rotina fiscal. Richard está lá em baixo com Phoebe, fazendo a academia parar para vê-lo levantar peso. A menina atende ao celular, é para o pai, ele pede que voltem de carona com Karen, precisa salvar o mundo. O Volvo S60 dispara para a Máquina de Costura, onde mais gente entra em alerta máximo. Londres sofreu uma série de atentados terroristas. Princess coordena as comunicações, enquanto os serviços secretos entram em pane.

Vão a manhã e a tarde inteiras, mas impedem atentados em Buckingham e na Torre Eiffel. Agora alertam os colaboradores do oriente médio a mandarem suas famílias para o Marrocos (...) O pior não é saberem que essa era de terror ainda vai longe, o pior é a notícia que chega por Renata poucos dias depois. Abigaiu foi degolada pela maldita linha com cerol, o marmanjo que soltava a raia fugiu e a deixou morrer sem socorro. Agora o mundo para. Patrícia liga ela mesma para Brasília e dá instruções claras. Assim que terminarem o que estão fazendo, trarão Elias e Sandra para Sunshadow, que providenciem imediatamente a liberação dos vistos. Trata de escrever para ele...

- Elias, eu soube do que aconteceu. Já mandei tomarem providências para tudo que for necessário. Também estou providenciando a vinda de você e Sandra para cá, por favor não recuse, fará bem a vocês. Terão alguns meses para arrefecer o luto e replanejar suas vidas...

Ele responde algumas horas depois com “A Sandra está chorando desesperada. Eu não sei o que fazer... Eu amava ela...” e Patrícia se agarra ao marido para chorar também. Ela sabe que há, e há mesmo gente comemorando o luto do afilhado. Furiosa, Julia toma as dores do ídolo e manda preventivamente dois voluntários acompanharem de perto a situação, em duas semanas outro casal vai e eles voltam com documentação (...) A tristeza de Patrícia só é um pouco desviada pela aflição de Elizabeth, que já tem meia polegada a mais do que a genitora...

- Mom... Eu sei que você tá aflita com o Elias, eu também, mas...

- Elizabeth, que voz é essa?

- Não briga comigo, eu sei que é besteira, perto do que tá acontecendo, que é egoísmo meu... A Proo e eu conversamos com tia Dee e a tia Mel, sobre a conversa que você teve com elas... Quando a tia Dee engravidou... Eu tô com medo da Proo ir embora...

Pensa em dizer que é besteira, que as duas já são mulheres, mas nota que a moça está realmente temerosa. Deixa a montagem de um diorama para depois e vai acudir seu rebento, que já chora e confessa que é a sunshadower mais boba da cidade, que nunca teve um namoro mesmo, que nunca sequer beijou, que mandou Gregory buscar alguém que tivesse algo a oferecer...

- Elizaberth! Minha filha, você não deveria ter feito... Você é uma mulher, Elizabeth... Vem com a mamãe, precisamos conversar com calma.

Vão ao coreto. Conta-lhe de detalhes sobre como conheceu Arthur, que na época também era Gregory (...) São horas em que todo o resto do planeta fica proibido de chegar perto do coreto. Ao fim ela decide que as três vão sair nesta noite, marcarão um encontro em algum lugar bacana com amigas, irmãs e primas. Só mulheres. Nancy se inclui no grupo. Sunshadow é pequena, mas tem vida noturna digna de grandes metrópoles.

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Com os paparazzi do lado de fora, mas sem poderem fugir das câmeras amadoras e celulares dos clientes, lá estão elas; Patrícia, Nancy, Mikomi, Rebeca, Renata, Eddie, Silvia, Golden Feather, Audrey e Melinda com suas meninas (...) Tão esperta quanto discreta, Glenda percebe um rapaz louro mel pelo canto do olho esquerdo. A jovem bruxa pega uma colher, vê o reflexo e confirma, é Gregory. Põe a mão esquerda sobre a mesa, virada para Nancy, que fica alerta e também vê, cutuca Patrícia e logo só Elizabeth não o percebeu ainda. Não demora a Happy Moon dizer que a moçoila tem a voz bem semelhante à da mãe, que gostaria de ouví-la cantar algo que não fosse do repertório da banda...

- Moon! Você curtindo com a minha cara? Devo estar realmente bêbada!

- Estou com cara de quem está zoando, Betty? Vá lá, eu já te ouvi cantarolar.

- Amor da mamãe está tímida? Oh, vem cá... Não tem ninguém aqui além de amigos e fãs, meu amor. Eu te ensinei a cantar, confio do seu taco. Proo, ajude sua irmã no palco.

Logo se faz o coro e ela cede. Prudence combina algo com os músicos (...) Ela se senta ao piano, faz contagem regressiva e Elizabeth começa a cantar “A song for you”...

- I’ve ben so many places in my life and time...

Neste momento (...) todos querem ouvir a caçula da líder do Dead Train cantar. Mas tem bônus, Gregory se vira rapidamente e não consegue mais sequer sentir o aroma dos pratos. Quando a canção termina (...) ela vê o rapaz aos seus pés, rente ao palco, sem ver o que há debaixo daquele vestidinho preto e branco minimalista, de olhos marejados...

- Back to me... Please...

Ela fica sem jeito, olha para ele, para a mãe, Patrícia faz sinal de que a decisão é dela. Respira fundo, pensa em dar um fora definitivo, mas se joga nos graços dele. O dia seguinte é de graça, Patrícia consegue lidar menos estressada com as bombas dos últimos dias, até o diorama que tinha deixado de lado fica mais bonito do que o planejado (...) Vai ao computador, tem aversão à demanda por internet no celular, não quer ficar conectada o tempo todo (...) Vê os e-mails cifrados, os corporativos, os institucionais, os dos fãs, para finalmente poder se concentrar no de Elias. Ele não fala da própria dor (...) se limita a lamentar a tristeza da filha e confessar não saber o que fazer a respeito. A resposta é prática, lhe passa técnicas de massagem e exercícios que os dois podem fazer juntos, logo de manhã. A serotonina deverá atenuar o sofrimento.

Funciona. Enquanto agentes da organização e gente de Julia trocam informações (...) o filho do deputado convence desafetos de Elias que aquela Lambretta verde é uma provocação, que ele é torcedor do Goiás e não está respeitando o território do Vila Nova. É caminho para o colégio da menina. Foi providenciado que possíveis rotas alternativas estejam bloqueadas para “manutenção preventiva”. Aquela Lambretta é inconfundível (...) Elias precisa passar por uma rua estreita que normalmente evita, tenta ser discreto, mas o grupo foi avisado de sua aproximação. Eles são cercados...

- Vai aprendê a respeitá território dos outros, filadaputa!

Os doze começam a agredir os dois e à motoneta com pedras, paus, barras de ferro e perfurantes, ele acelera tudo, atropela um e consegue fugir, mas ouve três tiros e um grito de Sandra. Ignora a própria dor e o próprio sangue escorrendo, dispara para HGG acionando desesperadamente a buzina (...) Os dois são socorridos, mas o estado dela é grave, perdeu muito sangue. O especialista do hospital foi chamado emergencialmente à Secretaria de Estado assim que perceberam para onde eles estavam indo. Há uma reunião no alto do setor Bueno (...) se a menina não pôde ser deles, não pode ser de mais ninguém. Julia (...) dá ordens para avisarem à família e carta branca para agirem. Rebeca corre para avisar Patrícia...

- Estão dizendo que ela vai morrer, o Elias está quase engasgando, sem nem conseguir chorar.

Foi a gota d’água! A fúria, a determinação, a autoridade régia e o poder bélico da agente Princess saltam à flor da pele...

- Chame o Airtrain. Eu vou para o Brasil AGORA. Quem quiser pode vir comigo... Spin, prepare o Airtrain, quero uma equipe médica de emergência quando chegar aí. Avisem ao Itamaraty e ao raio que o parta que eu vou entrar no país, não tolerarei interferências!... Black Cat, me espere na Base Aérea de Anápolis, quero a ambulância mais completa e potente que essa indústria obsoleta puder oferecer... Barbarian, quero os responsáveis punidos!

- Era tudo o que eu queria ouvir.

Vai no abrigo e vestido de cetim creme claros com bordas chocolate, que estava experimentando ao seu espelho. Arthur avisa às filhas que tomem conta de tudo, enquanto confere a documentação. No aeroporto encontram os outros maquinistas, Tenente Gardner e General Krumb, ele (...) recebeu o pedido encarecido de Josephine para não deixá-la ir só. Sem aparentar o poder de fogo que tem, o 747-400 decola com ordens de não poupar combustível. Em Anápolis (...) a FAB prepara uma recepção digna de chefes de Estado, foi-lhes dito que Sua Alteza Real a Princesa Patrícia Alander está em missão de vida ou morte na capital, porque ela sabe o que farão ao seu afilhado se o virem novamente.

Ela está sóbria, compenetrada, atenta às notícias que lhe mandam a cada meia hora. A família foi avisada e está com ele, no hospital (...) Os parentes não sabem quem é aquela gente, que está arcando com as despesas de um hospital particular onde nunca entraram (...) O agente da organização avisa que Renata está vindo com equipe médica e levará os dois para Sunshadow. Se disser que o Dead Train inteiro está voando para Goiânia, o socorro não conseguirá furar a massa de populares e imprensa. Ficam mais tranqüilos, mas o socorro que Sandra não recebeu de imediato faz falta. Horas depois, o médico vai à família...

- Acho que no Brasil não tem recursos sofisticados para uma área tão remota e delicada do cérebro. Vocês podem levá-los para a Alemanha ou os Estados Unidos?

- É para lá mesmo que vou levar os dois!

Patrícia entra majestosa e intempestiva. Tudo ao redor, à exceção de seus acompanhantes, para (...) Se apresenta à família do afilhado, com Renata facilitando, mas não muito, ela também é uma diva do olimpo da música mundial. Conversam amorosamente com a mãe do rapaz, prometem que ele será tratado como um filho. A agente cirurgiã Black Wasp se aproxima...

- E então?

- Ele está bem e sedado, vai se recuperar logo, mas o estado dela é muito grave, apesar de estável. Precisa de uma cirurgia profunda com toda a tecnologia de que dispomos.

- Não podemos perder tempo! Bobby?

- Conta paga. O Ricky colocou a Lambretta dele naquela Ford que veio com a gente, acho que ele vai ficar mais tranqüilo assim.

- Ele vai. Todo mundo fez o que deveria? Então precisamos ir.

- Tias, agora a gente tem que ir, cada segundo é precioso e logo isso aqui vai encher de jornalistas. Noutro dia a gente vem com calma.

- Mascote?

- Reagiram e levaram um pau que nunca vão esquecer.

- Parados aí, em nome da soberania nacional!

- Quem é esse cara?

- O deputado, pai do retardado – responde Rebeca.

- Eu sou Excelentíssimo Doutor Senhor Deputado Federal José Passamão, olha o respeito! Quem são vocês pra interferir em assuntos internos do meu país, ameaçar a sagrada paz de meu povo...

- Quinhentos e quarenta e sete milhões de dólares nas Ilhas Cayman, outros trezentos na Suíça e sete laranjas fazendo concorrência fajuta no transporte público de várias cidades. Para você, canalha, eu sou Sua Alteza Real a Princesa Patrícia Alander. Perto de mim você é zero! Seu nome sujo está na minha lista negra! O seu e o de sua pseudoelitizinha falida! Tirem este inseto daqui! Vocês fiquem tranqüilos, ele vai passar longas férias conosco, uns seis meses, vai se refazer e voltar com a corda toda!

Quando eles põe os pés para fora, a histeria toma conta do setor Marista. Atendem como podem aos fãs, mas explicam que estão correndo contra o tempo e a morte. Sem problemas, a imprensa agradece do mesmo jeito, estão todos de alma lavada e ficam com ela brilhando, quando sabem do que Patrícia fez com o deputado (...) o arremesso da entrada para a lixeira foi filmado. Pela televisão ela parecia linda e enorme, de perto ela é maravilhosa e imensa (...) A ambulância é doada ao hospital espírita que a família de Renata ajuda a manter.

Na altura do México, Elias acorda da anestesia, aplicada mais pelo desespero que estava para matá-lo por sufocamento do que pelas dores. Chamam Patrícia e Renata, elas o acolhem e o acalmam, mostram Sandra bem ao lado, sendo cuidada por gente que já precisou retirar bala de fuzil alojada na coluna, no front...

- Eu lamento muito que precisemos nos conhecer nestas circunstâncias, meu menino! Mas agora as coisas da vida vão andar certo com você, ou terão que se ver comigo.

- Madrinha?

- Rê, ele me reconheceu! Tem problema se ele conhecer mais alguém?

Os médicos autorizam e ela chama os outros. O distraem durante a viagem, até todos voltarem, para os procedimentos de aterrissagem. Em Sunshadow há um pandemônio, Chuck está com os nervos à flor da pele, tentando controlar a imprensa. As notícias em tempos de internet não conhecem o fator tempo. Matthew está lá, como nos velhos tempos, em posição privilegiada. Aquela imagem de Patrícia em abrigo, vestido, luvas e sapatos envernizados, toda produzida, é a própria imagem dos anos de ouro da América (...) Os diagnósticos por imagem revelam danos graves, alguns em Elias (...) Querendo ou não, ele vai ficar de molho por muito tempo. Quase ficou cego, perdeu alguns dentes, a orelha esquerda está um trapo; tudo isso só na cabeça e porque o capacete era de boa qualidade. Também passa por uma cirurgia delicada, para tratar o diafragma. Mas as notícias são as melhores, os dois saem bem das mesas. Sandra precisará de outras, mas o pior passou. Vão reconstruir os dois, se for preciso.

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