quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Dead Train in the rain CXXX

    O gênio e o amor! A estação 130 é o início de um novo trecho de nossa viagem, com paisagens novas e brisas primaveris em nossos rostos. Embarquem, o trem vai partir.


Carolina segura o rosto do rapaz que pegou no colo quando era um bebê. Ela não tem palavras para lamentar todo o sofrimento que o acometeu. Sandra está com Nancy e Stephanie, tendo aulas de piano (...) Os seis estão na prefeitura, ouvindo o drama de Daniel. Prefeitos de cidades vizinhas estão pedindo socorro, a crise não cabe mais debaixo do tapete, há o risco de favelas se formarem ao redor de Sunshadow mesmo com o frio a caminho. Eles se olham (...) Construirão abrigos temporários, mas dignos e seguros nas cidades, com a mesma tecnologia de seus caminhões frigoríficos, para assistir às pessoas sem tirar o problema das mãos dos que o criaram (...) Daniel dá a notícia aos caríssimos malas que queriam empurrar o problema para ele.

Os seis voltam à Máquina de Costura, aborrecidos (...) têm uma surpresa agradável, Carolina abraçada ao sobrinho, ambos se deliciando com o aprendizado rápido da pequena encrenqueira. Ela se atrapalha um pouco em andamentos rápidos, também por ainda precisar de fisioterapia, mas o que conseguiu espanta as professoras...

- Espantados? Eu ainda estou tentando entender a educação que Elias deu a ela. Sandra praticamente não tem bloqueio nenhum, nem os que são comuns! Tudo para ela é fácil!

- Fiz a ela exactamente o oposto do que fizeram a mim. Ela não teve dogmas, tabus, tendências, ideologias, nem sensos comuns para balizar, aprendeu a raciocinar por conta própria. Cheguei a temer ter sido duro demais em alguns momentos, mas hoje o raciocínio dela é totalmente livre.

Os outros se olham. Se lembram de algumas conversas com Richard (...) Ele se recusava a acreditar que a natureza fosse estúpida a ponto de dar a alguns o privilêgio da genialidade, sempre disse que ela poderia e deveria ser construída no cotidiano...

- Dad, come to my home, please.

Richard chega no recém adiquirido Tesla Roadster preto e verde (...) Contam-lhe a história, com o pequeno prodígio recebendo os mimos a que fez jus...

- Teremos uma conversinha lá em baixo, mocinha. Seu pai já te mostrou as impressoras 3D?

- Já vi, mas ainda falta eu mexer nelas... Pode ser?

- Pode e deve. Agora.

Ela o surpreende, aprende muito depressa. Liga para Zigfrida sobre o livro que está gestando, justo sobre a construção do gênio. Ela (...) quase surta quando lhe conta. Ele se oferece para levá-la à fisioterapia, para aproveitar mais a companhia e estudá-la melhor...

- É um carro eléctrico? Meu pai adora! Ele diz que quando ficar rico, vai mandar fazer um, se ainda não existir.

- Vai ser antes do que imagina, eu asseguro... O carro existe, ficar rico é questão de tempo.

Entram no Roadster e vão devagar para a academia. Na volta, além da menina exausta, mas contente, ele traz conclusões preliminares que quer dividir com os comparsas...

- Ela contou uma história que o Elias inventou para ela, para poder dormir, porque estava cansado e não se lembrava de nenhuma, sem misturar Branca de neve com uma cesta de nozes indo para a casa do chapeleiro louco em uma carruagem de abóbora puxada por três porquinhos mosqueteiros...

Espera que terminem de rir, mas foi exactamente assim que ele começou a inventar historinhas de fundo moral e philosóphico para a filha dormir...

- Resumindo; uma judia chamada Esther estava conversando com sua filha Sarah. Sarah perguntou à mãe, estudiosa, qual o sentido da vida, ela respondeu “Nenhum, Sarah. A vida não tem sentido. O sentido é o que você fizer dela. Se você for uma pessoa plena, sua vida será plena de sentidos, sem qualquer artifício; Se for uma pessoa tola, buscará distrações torpes e muletas psicológicas, para acreditar que tem algum. É como uma ferramenta, ela sozinha não tem sentido algum, só se justifica se puder consertar ou transformar algo...”

Richard resume a história que a pequena tagarela lhe contou, a partir dela ele inventou centenas de outras (...) Patrícia, Rebeca, Arthur, Richard e Krumb ficam boquiabertos...

- Não me admira essa menina aprender tão rápido! Ela tem mais sinapses do que vocês dois juntos têm em musculatura! Dad, vou trazer ele, quero que nos conte em detalhes essa história...

O traz e ele inventa outra parábola para explicar o que fez. Patrícia, ao fim, acaricia sua cabeça...

- Meu querido... Eu vou bater em quem te convenceu de que você é burro! Você fabrica gênios! Nós precisamos de você em Sunshadow! Cinco minutos ouvindo sua parábola e algumas idéias que eu tinha ficaram bem mais claras! Jose vai gostar de saber... E você vai fazer o favor de colocar tudo em um livro, que lançaremos antes de você ir embora.

- Não me admira ele não conseguir se comunicar com o povo! Ele só consegue deslanchar de verdade falando em parábolas, não é todo mundo que digere esse recurso – conclui Arthur.

Josephine ouve com cuidado o resumo da parábola, olha para Zigfrida, que já está arrumando as malas e avisa que agora a viagem é oficial, ela vai como Firehair. Mas é a Zigfrida quem dá saltos e gritinhos pela sala, quando Sandra começa a contar as mais de duzentas parábolas que conhece de cor...

- Nancy, quer saber da maior?

- Chamou, Frida? O que foi?

- Ela sabe todas as duzentos e... Duzentos e setenta e sete parábolas que o Elias contava para ela dormir, de memória...

- Phee!

- Eu! Chamou, vó?

- Que tal vocês duas transcreverem e ilustrarem um livro? Sabe desenhar, Sandra?

A abusada pega o lápis, uma folha de papel e desenha simplificadamente o ambiente e as três acompanhantes. Phoebe faz o mesmo e as adultas vão ao delírio. Em cinco minutos os dois gênios estão ao computador (...) ganharão por isso...

- Hein???

As duas serelepes terminaram tudo em uma tarde, faltando apenas revisão e arte. Nancy olha para aquele lap-top (...) olha para as duas e chama a sueca. Elas chamam o pai e a madrinha do prodígio para uma conversa, estão muito excitadas.

&

Elias e Sandra entram na dança, são acordados bem cedo para o treinamento diário (...) e Rebeca quer cumprir com o prometido. Eles aprendem o básico com mãos vazias, depois têm sua primeira experiência com espadas, é aí que a baixinha faz das suas...

- Sandra, concentre-se... Respire e visualize os caras que tentaram matar seu pai. Não se preocupe comigo, apenas ataque assim que...

Não tem tempo de dizer o resto, precisa bloquear o golpe, depois outro e mais golpes sucessivos cada vez mais rápidos...

- NINGUÉM VAI BATER NO MEU PAI!

Ela gosta, gosta muito (...) é como se Rebeca estivesse lutando consigo mesma adolescente. Quando a ferinha começa a se cansar, ela a desarma, a abraça e cuida de acalmá-la...

- Muito bom, menina! Muito bom mesmo! Agora vá descansar... Pegue a espada e a bainha, você fez por merecê-las.

A garota olha encantada o seu presente (...) é um presente de Rebeca Spring do sexteto Dead Train. Entra com um sorriso largo, completamente diferente dos dentes rangendo de um minuto atrás. Elias olha para Rebeca...

- Sai dessa, cara! Eu vou ensinar ela a se controlar!

- Vai com a gente pra Goiânia?

- A qualquer momento eu pinto por lá, em sigilo. Confia em mim.

Mais tarte os seis se reúnem à beira da piscina para um trabalho mais leve (...) Antes dele, porém, Patrícia pergunta...

- Você deixou a Sandra muito à vontade! O que queria?

- Ver as potencialidades dela. Cara, eu fiquei besta! Ela é boa em tudo! Ataque directo, lateral, à cabeça, golpe machado, improviso... É como se ela fosse ainda um bebê, está com os talentos praticamente intactos, e são muitos!

- Mais ou menos as mesmas conclusões que Frida e eu que tivemos. Tudo o que você colocar nas mãos dela, tem grandes chances de prosperar.

- Vocês estão conseguindo me deixar feliz! Contem mais.

Na Be Your Own Press, Elias é apresentado às instalações e aos bastidores da lanhouse. Na discrição do balcão, vê (...) as planilhas e as características diferenciadas da franquia...

- Pode-se pagar por hora, como em todo lugar, mas também alugar por um dia ou até uma semana, período em que o computador e todos os periféricos são só seus. Muita gente faz isso...

Ana clara o leva para o escritório, onde Elisa faz a contabilidade e encomenda petiscos (...) Ele tem acesso a tudo, se familiariza facilmente, quando a prima faz a proposta...

- Estamos conversando com nossos parentes em Goiânia e Rio Verde, queremos abrir franquias no Brasil. O problema é que o sobrenome nos tornou muito visados, por isso a gente pensou em colocar você como sócio principal. Não é um presente, você vai fazer por merecer rapidinho essa participação, mas precisamos de você pra iniciar a franquia sem que os pilantras que tentaram extorquir da gente percebam. É só você emprestar o seu nome, fazer um treinamento com a gente enquanto estiver aqui e está feito. Vamos manter contacto permanente, o que com esse tipo de negócio é muito fácil. A Patty vai te observar todos os dias e corrigir tudo o que estiver desandando, você já viu que ela é capaz disso. De quebra, você ganha algo para manter a Sandra longe de encrencas, porque ela vai querer te ajudar no negócio que vai ser dela. Que me diz? Posso dar o sinal verde pra tia?

Ele pensa bem pouco, aquilo vai conciliar com perfeição o dinheirinho próprio, que não será muito, com os estudos da filha. Ele aceita, ganha um selinho de surpresa (...) fica rubro e Patrícia é imediatamente avisada...

- Galera, ele aceitou!

Comemoram (...) Os agentes locais da organização festejam. Festejam também os pararazzi (...) assim que o primeiro identifica Elias, todos os outros se amontoam em cima. Não muito longe, Norma e Enya conversam sobre ele...

- Autêntico, mom, é essa a palavra. Ele é autêntico. Acho que penou tanto, que não tem mais energia para fingir minimamente ser o que não é.

- Muito tímido, mais do que você, eu percebi.

- Charmoso, não acha? Aquele jeito erecto de ficar parado, usando aquela boina...

Norma começa a ver aqueles olhos negros brilharem mais com o avanço da tagarelice. Ela (...) nem percebe que está dando balançadinhas na saia...

- Enya, você está interessada nele?

- Hã? Eu? Por que diz isso?

- Quantas vezes já conversou com ele?

- Umas três... Ou quatro... Acho que mais... Sempre vejo ele no coreto, quando passo por lá eu...

- A única forma de ver o coreto é entrando na casa! Você está gostando dele?

A modelo se enrosca nas palavras, se contradiz, desconversa até a mãe pegar seu queixo. Ela sorri, a moça não consegue esconder por muito tempo e também sorri...

- Acho... Acho que sim... Sei lá...

Não consegue mais fechar o sorriso (...) Norma pede aos universitários que cuidem da casa, enquanto trata de um assunto importantíssimo. Puxa-a pela mão até a Máquina de Costura (...) Ela fica pálida ao ver os irmãos (...) o clima está tão bom e a produção tão boa, que todos decidiram ficar mais um pouco...

- Mãe... Enya? Que cara é essa? Algum problema?

- Irmã, que rubor é esse? Tá parecendo molho de tomate!

- Bom dia, meus queridos, a irmã de vocês veio falar com a Patty, encontrar vocês aqui é uma surpresa, mas acho que vão acabar ajudando...

- Mãe...

- Coragem, Popcorn!

- Vem comigo – se adianta Patrícia. Respire... De novo... Meu Deus, você está passando mal!

Socorrem antes que tenha um treco e caia trancada. A deixam à sombra, apesar do sol muito moderado, esperam a palpitação passar, então ela começa...

- Patty, manos, vocês sabem que aquele caso foi um acidente, que a única coisa boa que levei foi o Kurt... Sabem que eu... Eu não me... apaixono faz muitos anos... Meu Deus, que timidez é essa agora?

- Deixe eu ajudar... Tem a ver com essas visitas quase diárias ao meu afilhado? Você gostou do meu menino?

- Mas ele não gosta de mim...

- Ele disse isso?

- Não... Ele nem me nota... Acho que não gosta de mulher magra demais...

- Irmã, corta essa, ele tá traumatizado! Ficou praticamente viúvo faz pouco tempo!

- É claro que ele te notou! Mas ele não está com cabeça para pensar em namoro, está tentando recomeçar a vida! Enya, me faz um favor?

- Qual?

- Seduza Elias. Eu ficaria muito feliz se você conquistasse o coração dele. Galera, vamos encerrar por hoje, que já produzimos mais do que precisava; vamos montar o clima pra ajudar. Mrs. Spring, a senhora também tem que cooperar, vista um maiô e fique com a gente aqui. Enya, só pense que se ele voltar sem você se declarar, agora que é famoso, vai chover pistoleiras em cima dele!

Volta com Ana Clara e Elisa para o almoço (...) A madrinha prometeu que hoje mesmo a Lambretta fica pronta, digna de exposição, quer dar um passeio para relaxar e comemorar. As duas vêem aquela cena e correm para cima, descem rapidamente para tomarem parte na festa (...) Patrícia, escultural pela vida que leva, envergonhando adolescentes desde aquele show na Flórida, puxa em seu maiô vermelho o rapaz ao deck, bem ao alcance do bote. Enya está na piscina, em um minúsculo biquíni asa delta preto de bolinhas brancas e vice-versa, tomando coragem. Agora, trêmula diante dele, percebe que está mesmo caidinha (...) Ela toma fôlego, vai à margem e o encara, sorri, ele corresponde, ela estende a mão direita, ele vai ajudar a sair, ela (...) fica tímida de novo e treme. O que parece ser uma falha, ajuda. Ele a ampara, a apoia fácil por sua estreita cintura e a coloca na espreguiçadeira ao lado da sua...

- Obrigada...

Diz, mas não consegue mais nada, nem soltar o pescoço dele. Ofega, perde um pouco do controle do corpo e não consegue afrouxar o abraço. É olho no olho e Renata vendo dois cupidos fazendo seu trabalho. O selinho que ganhou da prima o exitou um pouco, o bastante para mantê-lo sensível até agora...

- Pára de resistir... Me dá uma chance...

Ele fica cego, se deixa envolver, fica em cima dela e vem o bote, um beijo em uma prisão de braços e pernas de onde ele não sai nem morto (...) A timidez dela passa repentinamente e os outros fazem a maior algazarra dos últimos anos. Rebeca avisa Evelyn para acompanhar os outros à Máquina de Costura. O que vêem quase choca, especialmente Sandra, que não sabe o que pensar de Enya em trajes quase invisíveis sentada no colo de seu pai, acariciando-o (...) ainda se lembra enlutada de Abigail. A madrinha a socorre, explica tudo de modo sucinto e pede que todos se trajem a caráter...

- Eu não tenho...

- Tem, eu comprei para você, estão na gaveta abaixo das lingeries.

As garotas a arrastam, já fazendo lobby em prol da tia Enya. Contam do que ela passou e dos desgostos que teve na vida sentimental...

- Eu não me lembro de ver ela apaixonada... Vai, dá uma chance pra ela – pede Elizabeth.

Ela concorda, mas não está entusiasmada. Desce no biquíni azul turquesa (...) vê o rosto do pai, tranqüilo como não ficava desde que perderam Abigail. Começa a se sentir culpada pelo egoísmo, as pessoas que conhecem a moça a recomendam, inclusive sua madrinha e ídolo... e é irmã de dois ídolos... Pensa bem e vê que pode se enterrar de vez na família Dead Train, então se empolga...

- Mommy!

E pula no colo dela. O resto é festa. Kurt não tem objeções, até pinta uma miniatura com o tema.

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